A Ana fez a mesma pergunta aí de baixo lá na lista da Abraji. Vale o risco de subir nos morros em momentos de conflito para contar uma história?
A pergunta suscitou um belo debate, como não se via há algum tempo.
E o jornalista mineiro Thiago Herdy deu uma dica de leitura muito boa para quem se interessa pela discussão: "Mídia e Violência: Novas Tendêndias na Cobertura de Criminalidade e Segurança no Brasil", de Silvia Ramos e Anabela Paiva.
Os jornalistas e ex-trainees da Folha MAURÍCIO HORTA e WILLIAN VIEIRA partiram para uma viagem por mais de 15 países da Ásia que deve durar até janeiro de 2010.
Antes disso, fizeram uma escala por São Francisco (), o que garantiu uma economia de mais de US$ 1.000, e uma descanso pela cidade mais hippie do planeta.
Agora a aventura começa pra valer, já em Nova Déli, depois de várias horas de sono em aeroportos e com direito a dente arrancado sem anestesia ().
Vocês podem acompanhar o blog que eles criaram em seu Google Reader, como eu já estou fazendo. Se bem conheço os dois (mais o Horta), esperem por muita observação jornalística, textos saborosos e sufocos garantidos, em inglês e português.
Uma das pioneiras da investigação jornalística com recursos de informática, Lise Olsen é entrevistada no blog do Toledo e indica, entre outras coisas legais, quais as novas ferramentas que está usando e que livros vale a pena ler sobre o assunto.
A Newsweek concorda que "ninguém precisa de outra lista de melhores", mas acha que precisamos, "em um mundo de pouco e precioso tempo para ler (e pensar), de saber quais livros – novos ou velhos, de ficção ou não-ficção – abrem uma janela para os tempos em que vivemos, seja porque lidam diretamente com as questões de hoje, ou simplesmente por nos ajudarem a enxergar nós mesmos de um modo novo e surpreendente".
A idéia deles me parece muito legal e, entre os selecionados, há Mark Twain, Philip K. Dick, Faulkner, Mary Shelley e outros tantos.
Eles explicam direitinho o motivo da escolha de cada um na lista completa, que pode ser lida AQUI.
Não custa lembrar que, como fazedores de jornais, também construimos uma crônica da vida atual e pretendemos fazer com que os leitores se reconheçam nesse relato, mas também agreguem surpresas e novidades a seu modo de enxergar o mundo.
(Sobre isso eu vou falar em novo post, quando relembrar a palestra da Eliane Brum no Congresso da Abraji.)
A dica de leitura de hoje é de Jon Lee Anderson, grande repórter --publica regularmente na "New Yorker"-- e escritor:
Queridos amigos:
Perdoname la intrusion con un circular dos veces en un solo dia, pero es que no quiero dejar de compartir mi "enhorabuena" a Francisco Goldman -- gran escritor -- gran amigo -- por el lanzamiento de su aclamado libro "El Arte de Asesinato Politico: Quien Mato al Obispo?" en el idioma espanol, por Anagrama .
Este trabajo, el primer libro de no-ficcion del gran novelista Goldman, es resultado de 8 anos de investigacion en el horripilante asesinato del obispo guatemalteco Juan Gerardi en 1998, y su encubrimiento posterior, a manos de un grupo de militares y civiles intimamente ligados al poder. Una critica en The New York Times califico de "heroico" la investigacion; Daniel Alarcon, escribiendo en The San Francisco Chronicle, lo llamo "lectura compulsiva."
Hay mucho mas. Pero leanlo Uds. A mi juicio es un ejemplar "maestro" de la cronica literaria moderna, y no solo vale la pena leer, da gusto. Ya esta. Acaba de salir en librerias en Espana y toda America Latina.
E o Cleinaldo Simões deu a dica de um livro sobre o mesmo assunto lá na lista da Abraji:
"'Movendo-se num mundo de manchetes, de esforços de reportagens, de (Internet) e de microfones, é muito fácil a um jovem jornalista perder a correta perspectiva. Pode tornar-se um cínico. É mesmo muito fácil tornar-se um presunçoso. É muito fácil, ainda, esquecer que, seja qual for a sua habilidade de escrever e de falar, o repórter é um comunicador, um catalisador, um intermediário entre as fontes de informação e o vasto público de leitores e de ouvintes. Isto não pode ser esquecido. Senão, você incorrerá em sérios equívocos e erros'
No hyperlink vocês podem encontrar por R$ 7,50 no sebo virtual. Quem gosta de terapia do pó, ele já pode ser encontrado em alguns dos melhores sebos da cidade de S. Paulo.
No começo deste mês, o leitor mineiro Luciel nos pediu um post sobre o polêmico jornalista Tarso de Castro, um dos fundadores d'O Pasquim e ex-colunista e editor da Folha.
Achei meio difícil pensar num post biográfico que tivesse a ver com os posts usuais do Novo em Folha (que tentam se debruçar mais sobre as técnicas do jornalismo, tal qual aprendemos durante o Programa de Treinamento).
Mas resolvi aproveitar que hoje é aniversário de morte de Castro e que abusamos do blog nos últimos dias para sugerir leituras, e forçar um gancho em favor do Luciel.
A sugestão de agora é o livro "Tarso de Castro – 75 kg de Músculos e Fúria", de Tom Cardoso.
A forçação do gancho é que ainda não li esse livro, então não dá para eu recomendá-lo realmente
Mas foi a resenha de LUIZ FERNANDO VIANNA que me trouxe a este post.
"Tarso de Castro (1941-1991) é um tempo que acabou. Não por culpa dele ou de alguém em particular, mas porque o tal curso da história parece ter fechado as portas para jornalistas combativos (no sentido de raivosos e parciais), polêmicos (de fato, não os caricatos), idiossincráticos (ele escrevia o que vinha na telha, normalmente umedecida pelo álcool) e apaixonados (atacava e ridicularizava os inimigos da hora, que podiam ser os amigos de ontem ou de amanhã)."
Em seguida, Vianna conversa com o autor do livro, traça um perfil biográfico de Tarso, e se permite terminar assim:
"O autor veste, no livro, a camisa de seu (anti-)herói. Isso não significa que tenha omitido características fundamentais de Tarso. Estão lá o irascível, o incontrolável, o inconciliável, o intransigente, o inveterado alcoólatra que não admitia se tratar e morreu de cirrose hepática aos 49 anos ("Prefiro viver pela metade por uma garrafa de uísque inteira a viver a vida inteira bebendo pela metade.").
Também estão o bem-sucedido sedutor, que conquistou muitas e até inalcançáveis mulheres, como a atriz norte-americana Candice Bergen, e o dono de amizades fidelíssimas com Chico Buarque, Caetano Veloso, Glauber Rocha e outros.
(...) Sua admiração pelo personagem permite que as versões de Tarso sobre os fatos sobressaiam, mesmo que às vezes haja um tanto de folclore nessas versões. Mas também confere paixão ao relato sobre um homem que sempre foi passional."
Não sei quanto a vocês, mas fiquei doida para ler o livro. Por isso, deixo a dica – para Luciel e quem mais tiver curiosidade sobre essa figura pasquineira
Em posts recentes sobre o jornalismo "literário" (e aqui), os leitores deste blog indicaram leituras que são recomendadíssimas para quem quer treinar uma boa escrita.
A leitora Alexandra sugeriu as reportagens de Eliane Brum, premiada repórter que já publicou três livros-reportagem.
Em matéria da Revista da Cultura (recomendação da minha amiga Rachel Costa), a jornalista gaúcha fala um pouco do processo de produção desse tipo de reportagem:
"Eu acredito muito na escuta. E me refiro também à escuta de uma forma mais ampla. Olhar, sentir o cheiro, tocar a textura das histórias, apreender a incrível complexidade do real"
"Fazer reportagem é primeiro um exercício de observação. Só depois a gente entra na cena. Eu gosto de ficar primeiro no canto do quadro, tentando entender o que vejo. Cada história também exige sempre uma apuração diferente"
"[Sobre O Olho da Rua] Reuni dez grandes reportagens publicadas na 'Época' entre 2000 e 2008. Para cada uma delas, escrevi um texto contando a história dentro da história, em que faço uma reflexão sobre os dilemas, sustos e também os erros que cometi ao longo da apuração. A ideia era fazer um mergulho profundo, o que exigia entrega, sinceridade e até um pouco de despudor."
Outros jornalistas também falam disso. Mas o mais legal são as várias indicações de livros para quem se interessa pelo gênero que "permite ao leitor conhecer temas da grande imprensa explorados com profundidade". Segue a lista:
Um diário do ano da peste, Daniel Defoe
Hiroshima, John Hersey
Filme, Lillian Ross
Os Sertões, Euclides da Cunha
Dez dias que abalaram o mundo, John Reed
A Sangue Frio, Truman Capote
Corações sujos, Fernando Morais
Rota 66, Caco Barcellos
O Massacre, Eric Nepomuceno
Bar Bodega, Carlos Dorneles
3.000 dias no bunker, Guilherme Fiuza
A vida que ninguém vê, Eliane Brum
O bandido da chacrete, Julio Ludemir
Sugiram mais, sempre
O leitor Everton fez uma entrevista bacana com a conterrânea Eliane Brum para o Blog do Capeta.
(CRIS)
ADENDO DA ANA: aqui há uma lista extensa de livros sugeridos por colegas e pelos leitores
Em agosto do ano passado, o jornalista MARIO MAGALHÃES perguntou a quatro colunistas da Folha quais os livros que eles indicavam.
Um dos que ELIO GASPARI indicou foi "O livros dos insultos", um dos dois de H.L. Mencken ("Em matéria de estilo devastador, é o pai da matéria") traduzidos para o Português. Mas que estava esgotado há anos.
LUCAS FERRAZ avisa que a Cia das Letras decidiu reeditar esse livro, que já deve estar disponível nas livrarias a partir de hoje.
Do ano passado, as indicações de leitura de quatro colunistas da Folha --comece aqui pelo Xico Sá, e siga os links para Jânio de Freitas, Elio Gaspari e Ruy Castro.
- Abaixo da Convergência, de Alan Gurney; - The Coldest March, de Susan Solomon; - Antarctica, de Kim Stanley Robinson (romance de ficção científica); - Lonely Planet/Antarctica, deJeff Rubin.
Para quem gostou das aulas da professora, ou de seus resumos aqui no blog, fica a bibliografia indicada:
Abramson, Pierre-Luc – Las utopias sociales en América Latina en el siglo XIX.
Aguilar Camín, Héctor e Meyer, Lorenzo. À sombra da Revolução Mexicana.
Aguilar, José Antonio e Rojas, Rafael (orgs.) El Republicanismo en Hispanoamérica.
Ardao, Arturo – Genesis de la idea y el nombre de América Latina.
Bellotto, Manoel Lelo e Corrêa, Ana Maria Martinez (orgs.) – Bolívar.
Bethell, Leslie (org.) – História da América Latina.
Bolívar, Simón – Escritos políticos.
Capelato, Maria Helena Rolim – Multidões em cena. Propaganda política no Varguismo e Peronismo.
Centro de Estudios Históricos. Historia General de México.
Córdova, Arnaldo – La ideologia de la Revolución Mexicana.
Checchia, Cristiane – Terra e capitalismo. A questão agrária na Colômbia (1848-1853).
Contreras, Carlos e Cueto, Marcos. Historia del Perú Contemporáneo.
Cornejo Polar, Antonio – “O indigenismo andino” in Valdés, Mario J. – O condor voa: literatura e cultura latino-americanas.
Deler, J. P. e Saint-Geours, Y. – Estados y naciones en los Andes.
Dominguez, Jorge I. – Insurrección o lealtad. La desintregración del Imperio español en America.
Fernandes, Florestan – Da guerrilha ao socialismo: a Revolução Cubana.
Franco, Stella Maris Scatena – Luzes e sombras na construção da nação argentina. Os manuais de História Nacional (1868-1912).
Funes, Patricia. Salvar la Nación. Intelectuales, cultura y política en los años veinte latinoamericanos.
García Canclini, Nestor – Culturas híbridas.
Gerbi, Antonello – O Novo Mundo. História de uma polêmica (1750-1900).
Gil, Antônio Carlos Amador – Tecendo os fios da Nação.
Gilly, Adolfo – El Cardenismo, una utopía mexicana.
Goldman, Noemi e Salvatore, Ricardo (orgs.) – Caudillismo rioplatense. Nuevas miradas a un viejo problema.
González Casanova, Pablo (org.) – Cultura y creación intelectual en América Latina.
González Casanova, Pablo (org.) – História de Medio Siglo.
Gruzinski, Serge. O pensamento mestiço.
Guerra, François-Xavier – Modernidad e independencia.
Katz, Friedrich (org.) – Revuelta, rebelión y revolución.
Klein, Herbert S. Historia General de Bolivia.
Martí, José – Nossa América.
Passetti, Gabriel - Indígenas e criollos: política, guerra e traição nas lutas no sul da Argentina (1852-1885).
Prado, Maria Ligia Coelho – América Latina no século XIX. Tramas, telas e textos.
Prado, Maria Ligia Coelho – “O Brasil e a distante América do Sul” in Revista de História, no. 145.
Prado, Maria Ligia Coelho - “Esperança radical e desencanto conservador na Independência da América Espanhola”.
Prado, Maria Ligia Coelho, Soares, Gabriela Pellegrino e Colombo, Sylvia. Reflexões sobre a Democracia na América Latina.
Rama, Angel – A cidade das letras.
Reina, Letícia – Las rebeliones campesinas en México (1819-1906).
Rodó, José Enrique – Ariel.
Romero, José Luis – Latinoamérica. La ciudad y las ideas.
Romero, Luis Alberto. Breve Historia Contemporánea de Argentina.
Rouquié, Alain – O extremo ocidente. Uma introdução à América Latina.
Sabato, Hilda e Lettieri, Alberto (orgs.) – La vida política en la Argentina del siglo XIX.
Santos, Luís Cláudio Villafañe – O Brasil entre a América e a Europa.
Sarmiento, Domingo Faustino – Facundo.Civilização e barbárie.
Said, Edward W. – Culture and imperialism.
Soares, Gabriela Pellegrino e Colombo, Sylvia. Reforma liberal e lutas camponesas na América Latina. México e Peru nas últimas décadas do XIX e princípios do XX.
Shumway, Nicolas – The invention of Argentina.
Svampa, Maristela – El dilema argentino: civilización o barbarie.
Terán, Oscar – En busca de la ideologia argentina.
Uchoa, Pablo. Venezuela. A encruzilhada de Hugo Chávez.
Vários Autores. Historia de Colombia. Todo lo que hay que saber.
Villalobos R., Sergio. Chile y su Historia.
Zea, Leopoldo (org.) – América Latina en sus ideas.
Miskulin, Silvia Cezar. Cultura ilhada. Imprensa e Revolução Cubana (1959-1961).
Vasconcellos, Camilo de Mello. Imagens da Revolução Mexicana.
Sou eu que trabalho na Folha, mas foi no "Desculpe a Poeira" que dei com as sugestões de leitura do diretor do jornal, Otavio Frias Filho (veja aqui).
Parênteses: o blog do Ricardo Lombardi é excepcional. Se a gente não se cuida, quase morre de inveja. É interessante, breve na medida exata, elegante e incrivelmente produtivo.
Minha leitora Marina escreveu para sugerir um livro e, na sequência, fazer uma pergunta que tem a ver com o enredo da obra:
O livro é "Os Homens que não Amavam as Mulheres", do sueco Stieg Sarsson.
O livro é muito legal, daqueles que você não consegue largar (li as quase 530 páginas em uma semana) e trata do drama do jornalista Mikael Blomkvist, que trabalha em uma revista de denúncias econômicas e é acusado de caluniar um poderoso empresário.
Há outra trama que se desenrola em paralelo, mas a minha dúvida não tem a ver com ela.
Depois dessa primeira parte, ela me faz uma pergunta sobre algo que acontece com o jornalista, mas nós todos vamos ter que suportar o mistério.
Sabe por quê? Porque --incrível coincidência-- ontem eu ganhei este livro do meu pai, e agora só posso ler a dúvida da Marina depois de terminá-lo...
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