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exercício
Um exercício do treinamento
Os trainees andam quietos por aqui, não é?
É que na segunda eles passaram o dia todo apurando uma pauta de serviço que eles mesmos haviam proposto --quando estiverem prontas, a gente conta para os leitores.
E ontem eles tiveram uma aula de como usar os laptops para escrever matérias e transmiti-las da rua: hoje eles foram assistir à sabatina do Maluf com a tarefa de mandar um texto de lá (por enquanto, nove conseguiram completar tudo. Ainda não sei o que houve com os outros, pois eles não voltaram do almoço).
No fim da tarde de ontem, o exercício foi escrever no laptop um texto com base em algumas informações, enviá-lo e, já no terminal da Redação, fechá-lo.
O objetivo era não só treinar o uso da máquina, mas escolher o que iria para o texto final e em que ordem (hierarquizar). Quem quiser tentar encontra no site do treinamento as informações que eles receberam. Que lide vocês fariam? Façam suas versões nos comentários, e depois eu mostro as deles.
Só para lembrar algo muito importante: não tenham medo de "errar". A idéia do blog é refletir, discutir, apontar soluções. Ninguém vai "corrigir" nem julgar as sugestões de vocês.
Depois de fazer sua sugestão --ou para aqueles que não se animam a arriscar...--, clique aqui para checar os lides que os trainees fizeram no exercício.
MEU COMENTÁRIO
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h46
O que fazer quando a fonte chora?
Meu leitor Paulo, que estuda jornalismo na Metodista, conta esta história. O que vocês acham? Como reagiriam? Alguém já se viu em situação semelhante? Como saiu dela?
Sou repórter de um portal de notícias do ABC Paulista, e fui entrevistar um presidente de um clube de futebol que, por muito pouco, não alcançou a elite do cenário estadual na década de 80. Hoje, é um senhor debilitado, fala pouco e aparece menos ainda em público. Ao falar com ele, aproveitei para explorar a memória e a história do clube, e perguntei:
"O que vem à cabeça do senhor quando lembra daqueles instantes finais do jogo decisivo, quando, com a derrota, acabou o sonho de chegar à Primeira Divisão, que viria com um simples empate?"
Ele começou a chorar. E não parava. Foram ali, contando por cima, uns três minutos que eu não tive reação, ele não parou de olhar para minha cara e chorar, nenhum dos repórteres que rodeavam o entrevistado interrompeu, simplesmente ficamos ali, esperando ele se recuperar.
Analisando friamente hoje, talvez tivesse tentado puxar um outro assunto, cortar o clima, não sei.
O que fazer?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h07
Como tourear um entrevistado ensaboado?
Milton Jung, cuja entrevista com Maluf abordei ontem aqui no blog (leia ali embaixo), escreveu nos comentários sobre a dificuldade que foi (e é) entrevistar Paulo Maluf.
Ele diz que, quando chega ao fim, sempre tem a impressão de que Maluf levou a melhor.
Continuo propondo para vocês o exercício. Separem 20 minutos do seu dia (não precisam ser contínuos, pois dá para pausar e voltar quando quiser) e ouçam a entrevista (clique aqui). O que acham? O entrevistado levou a melhor? Há realmente trechos em que ele fala durante muito tempo. Como (de forma concreta) vocês evitariam isso se estivessem no lugar do Jung?
Só para lembrar, a entrevista era ao vivo, o que sempre dificulta nossa vida.
Abaixo, o comentário do Jung:
Ana e leitores da Ana,
Poucas vezes tive oportunidade de ser avaliado publicamente em uma entrevista. Mesmo no espaço que reservo no blog para que os ouvintes-internautas comentem sobre a conversa que tenho mantido com todos os candidatos, o pessoal prefere se ater ao desempenho do entrevistado, não do entrevistador.
Por isso, agradeço muito a você Ana pela oportunidade e aqueles que confiante no seu trabalho passaram por aqui para comentar meu desempenho.
Entrevistar Paulo Maluf sem que este faça suas malufadas é das tarefas mais difíceis. Sempre que chego ao fim da conversa tenho a nítida impressão de que ele levou vantagem. Não porque a entrevista tenha de ser um jogo de ganha e perde entre entrevistador e entrevistado, mas porque a entrevista tem de ter valido a pena para o cidadão. E se este não ganhou nada ao fim da conversa para quem serviu a entrevista ?
Entrevistados duros - DIMITRI DO VALLE e o governador Requião Até onde apertar a fonte
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h27
Exercício de entrevista em tempo real
Quem puder ligar o rádio ou ouvir pela internet deve acompanhar agora a entrevista do Milton Jung com Paulo Maluf na CBN.
Obviamente não estou entrando no mérito do candidato, mas na questão profissional.
Dá para aprender bastante estudando uma entrevista com alguém incisivo, escorregadio e até, quando convém, agressivo.
E o Milton está conseguindo rebater bem, de forma crítica, mas tranquila.
Para quem não puder ouvir ao vivo, dá para recuperar no site deles.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h19
Escolha seu infográfico
As duas artes abaixo saíram no jornal de hoje --uma na edição nacional, outra na edição São Paulo.
Qual, na sua opinião, usa melhor as informações visuais? Em qual delas você entende mais rapidamente o que se quer mostrar?


Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h56
Arte é informação
Começa hoje o oitavo programa de treinamento em jornalismo gráfico da Folha.
O que é "jornalismo gráfico"? É fazer mapas, gráficos, quadros, páginas que informem o leitor da maneira mais rápida, clara, didática e objetiva possível.
É usar os recursos visuais para informar, nos casos em que eles são mais úteis que texto. Parece óbvio e simples, mas não é.
UM EXERCÍCIO, PARA DAR O EXEMPLO
Vejam esta arte que saiu na Folha já faz meses. O que acham? Fariam diferente?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h50
O que elas têm em comum?
Uma charada para vocês matarem:
O que esta pauta do "New York Times" (clique para ler) tem em comum com esta outra, da Folha?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h15
Como é que é?
Divido com vocês um exercício que o professor PAULO RAMOS passou para os trainees hoje cedo.
Paulo mostrou a eles esta frase, tirada de um texto jornalístico verídico:
Isso significa que, a partir do próximo vestibular, a instituição, que não pretende recorrer da decisão judicial, será obrigada a tomar algumas providências, como indicar a condição de candidato com deficiência e, no momento da avaliação, garantir que haja intérpretes e professores preparados para viabilizar a compreensão dos comandos da prova pelo deficiente.
Repararam como a frase é monstruosa de longa, o que a deixa confusa e difícil de acompanhar?
Pois o exercício é: como reescrever esse trecho?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h35
Desculpa aí...
O GUSTAVO HENNEMANN e a JULIANA LUGÃO tinham que entrevistar usuários do parque Ibirapuera sobre a poluição naquela região.
Mas os personagens estavam correndo, se exercitando, e seria chato atrapalhá-los no meio do exercício.
Como resolver?
Leia aqui o que eles fizeram
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h16
Entrevista não sai e fonte se irrita
Esta história contada por minha leitora Ana Cecília não é incomum no dia-a-dia do repórter. Você já passou por isso? O que fez para contornar a saia-justa?
Entrevistei um empresário para uma matéria. Ele, supersolícito me passou informações e dedicou uma parte do seu tempo para a entrevista. Depois da entrevista me ligou algumas vezes para perguntar quando iria sair, no fim das contas a matéria não saiu.
Até aí tudo bem, não fosse a ligaçao do mesmo perguntando novamente quando sairia a matéria. Expliquei que não sairia mais, e dei os motivos pelos quais a matéria caiu.
Final da história, ele não gostou, se disse frustrado com a situação e comentou que perdeu reunião para falar comigo e me mandar fotos e textos,entre outras coisas (era sobre um empreendimento recém-lançado).
A questão é, eu não dei garantias de que a matéria iria sair, mas será que poderia ter dito algo caso a matéria realmente não fosse publicada?
Fora isso, como não se queimar com as fontes, justamente porque é muito comum cair matéria, mas as fontes não são obrigadas a entender como funciona o jornalismo, não é? A grande maioria, aliás, não faz idéia de como é feita uma matéria. E se a fonte é muito importante e você não quer perder contato?
Meu comentário
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h31
A régua da Vanity Fair
Faz tempo que não aparece um exercício por aqui, não é?
Meu trainee BRENO COSTA me mostrou este texto da "Vanity Fair" sobre mudanças no "New York Times". É em inglês, mas são só quatro parágrafos bem fáceis de ler.
Minha questão é sobre o método de apuração: o que vocês acham? Vêem alguma falha?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 02h53
Dá para fazer pingue-pongue sem gravar?
Vejam o que pergunta a Vanessa, de Curitiba:
Meu nome é Vanessa, sou estudante do 3º. ano de jornalismo na Universidade Federal do Paraná e editora do jornal-laboratório do curso.
Nesse jornal, temos várias editorias (8 ao todo) e a editoria que chefio chama-se Opinião. Lá, publicamos artigos de especialistas, crônicas dos alunos, temos um espaço para blogs e enquetes e, claro, matérias jornalísticas, só que com um diferencial: todas são em formato de entrevista, ping-pong.
Até aí, tudo bem. O problema surge na hora da trascrição das entrevistas: todos os repórteres, alunos do 2º ano, reclamam que, quanto melhor a fonte, mais o assunto rende, mas em contrapartida, há muita, mas muita coisa para se transcrever, e isso é um fardo para eles.
Sempre cobrei a transcrição fiel de tudo, ainda mais porque costumo enviar depois, para as fontes, a matéria que saiu no site ou na edição impressa, e sempre tenho receio de que venham a reclamar de algo não dito que ficou como dito ou vice-e-versa.
Além disso, o repórter costuma reclamar de outra coisa: ter de gravar a conversa. Diz que é coisa de editora chata, mas sempre penso no imprevisto de alguma fonte dizer que não falou aquilo e a gente não ter como provar que ele falou, sim.
Nesse caso, queria te pedir conselhos.
Como fazer ping-pong sem gravar? E gravando, como fazer para deixá-lo completo sem precisar transcrever tudo?
Claro que muitas vezes podemos tirar do texto apenas o essencial, mas isso não é perigoso? Não pode acarretar problemas depois? O que você e seus alunos costumam fazer nessas horas?
O que vocês acham? Dá para fazer pingue-pongue sem gravar? Ou isso é coisa de editora chata?
E devemos transcrever tudo, como medida de segurança?
Vocês, como é que fazem?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h47
Prefira o térreo

Meu colega e ex-trainee JAIRO MARQUES conta uma ótima história, que vale um exercício para nosso blog:
Você é um repórter cadeirante --ou com qualquer outro impedimento físico, uma perna quebrada e o gesso ainda mole também servem neste caso-- e está no 11º andar de um prédio quando um blecaute atinge toda a cidade.
Seu editor quer a cobertura logo. E, claro, feita da rua!!
O que é que você faz?
Responda primeiro, depois leia a história no blog do Jairo.
Meu comentário
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h58
Não tão óbvio assim
Sei que a resposta ao exercício da falsa queda de avião parece óbvia: para não publicar uma barriga, basta checar!
Sim! É fato! Basta checar!
Mas minha proposta era complicar um pouco isso.
Partindo da premissão de que vocês trabalham em TV, rádio ou site, nos quais há pressão forte por imediatismo:
- se a notícia vem de uma fonte em quem você confia, como saber se isso é suficiente? Vamos supor que, neste caso, a fonte seja mesmo a Defesa Civil. Como avaliar se a informação é segura?
- se não for, o que é preciso fazer, na prática? Quanto tempo leva fazer isso? Vale a pena? Qual é a prioridade?
- que cuidados é possível tomar na edição?
[O site do Portal Imprensa tem vários printscreens de como a falsa notícia foi dada em diferentes sites]
Meu comentário
O que um jornal e um avião que cai têm em comum
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h04
O avião que não caiu
Paulo Fehlauer/Folha Imagem

É um bom caso para pensarmos não no erro dos outros mas em como evitar os nossos.
A Globonews colocou no ar ontem imagens de muita fumaça em São Paulo e a notícia de que um avião da Pantanal havia caído.
Segundo a emissora, a informação vinha de uma fonte confiável --que ela não revela. [leia aqui a nota da emissora.]
A Record, única emissora aberta que transmitiu a notícia falsa, atribuiu o erro à Defesa Civil, conta DANIEL CASTRO em matéria da Folha de hoje.
O perigo de dar barriga (informação falsa) está aí para todos nós. O que poderíamos ter feito, se estivéssemos na TV, para não cair nesse risco?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h59
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