exercício
Dois exercícios para fazer com os trainees
Dois exercícios para fazer com os trainees
1. ENTREVISTA
Não é toda hora que se tem a chance de entrevistar o presidente do Supremo, certo?
E ele vai estar numa "entrevista aberta", na sabatina da Folha, nesta terça (veja aqui).
Dá para fazer dois tipos de exercício num evento como este (e é o que os trainees vão fazer):
- estudar as perguntas feitas pelos entrevistadores: como elas são feitas? em que ordem? com que objetivo? como eles reagem à reação do entrevistado?
- qual é o lide da entrevista? (ou seja, se tivessem que escrever um texto sobre o evento, o que seria o destaque?) --depois dá para comparar com o que for publicado no dia seguinte no jornal.
(no cinema, também, uma aula de entrevista)
2. MATEMÁTICA
Pergunta lançada no twitter por @tmeller, que desafiou: "Quero ver os trainees da @anaestela resolverem esta".
Um carro americano anda 25 milhas com um galão de gasolina. Um carro brasileiro anda 13 km com 1 litro. Quem gasta mais pra andar 200 km?
1 galão = 3,78 L // 1 milha = 1609 m // US$ 1 = R$ 2,30 // 1 galão nos EUA = US$ 2 // 1 litro aqui = R$ 2,60
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h02
Como uma história é contada no vídeo
Como uma história é contada no vídeo
Não, eu não abandonei o blog. É só falta de tempo, mesmo.
Mas passo pra vocês um exercício que os trainees fizeram ontem:
vejam este vídeo, feito pela Adam Ellick, do "New York Times". É um documentário de 14 minutos.
Depois pensem sobre o seguinte:
- qual é o tema da história? Ou seja, o objetivo do jornalista: o que ele quer dizer ao leitor?
- como ele atinge esse objetivo? Como ele decide contar essa história?
Amanhã (ou outro dia no futuro próximo) eu comento.
Inté
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h04
Exercício: monte uma pauta passo a passo
Exercício: monte uma pauta passo a passo
Quem quiser pode fazer ao mesmo tempo que os trainees um exercício que eles começaram ontem.
A idéia é produzir uma pauta de serviço (que seja útil ao leitor, dê informação prática e/ou explique como fazer algo).
Vamos começar com esse tipo de pauta porque é mais fácil entender qual o objetivo dela, a justificativa para executá-la. Assim fica mais fácil manter o foco.
Até agora, eles já seguiram estes passos:
1) pensar na pauta: para isso, partiram no noticiário dos últimos dias. Pauta de serviço nem sempre precisa de gancho, mas se tiver tem mais chances de emplacar. Um exemplo de pauta de serviço com gancho é aquele das piscinas que dei neste post.
2) pesquisar: tendo uma ideia, o segundo passo é ver se já não foi publicado nada do tipo (pelo menos recentemente). Se foi, precisamos achar um enfoque novo. Se a proposta é original, passamos ao passo 3
3) redigir a sugestão: com título e uma proposta bem curta, como a que sugeri neste post.
4) exercício de convergência: hoje os trainees tiveram uma aula de multimídia: várias outras maneiras de contar histórias além da conhecida texto/foto/arte, com meu prof ALEC DUARTE (na semana que vem, vamos repartir com vocês a aula. Amanhã, já publico um resuminho que meu trainee RODRIGO VIZEU prometeu fazer).
Depois da aula, eles voltaram à sugestão de pauta que tinham feito e pensaram em formas diferentes de tratar do assunto. Façam isso vocês também.
Algums exemplos de outras plataformas:
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h44
Qual seria seu lide? E seu título?
Qual seria seu lide? E seu título?
Meu recém-trainee MATHEUS MAGENTA está na reportagem de cidades da Folha Online e escreve para contar das dúvidas que aparecem quando a gente põe a mão na massa.
Que tal vocês se colocarem no lugar dele e pensarem no que fariam?
Achei que seria interessante compartilhar um pouco da rotina do online. Estou trabalhando lá desde o dia 15 de dezembro e o primeiro dilema já apareceu em dois exemplos que seguem abaixo.
1- Na quarta-feira (14), precisei fazer uma nota sobre o trânsito de São Paulo no momento. Liguei para a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e ouvi de um acidente na marginal Tietê. Um motociclista ficou ferido ao bater num carro, que capotou logo em seguida. O acidente interditou uma das faixas. Num raro momento em que eu tive para pensar no título, fiquei em dúvida sobre o que colocar: o ferido ou a interdição na faixa que causava lentidão no local? O resultado está aqui. (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u489924.shtml)
2- Por volta da mesma hora do acidente , uma ciclista morreu atropelada na avenida Paulista. O título da nota foi "Ciclista morre atropelada na Paulista; CET interdita parte da via" (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u489962.shtml), com um lide falando primeiro do congestionamento causado por um atropelamento e depois mais especificamente do corpo da ciclista atropelada por um ônibus por volta das 11h50.
Recebemos vários e-mails de leitores indignados com a hierarquia de informações nesta nota. Como poderíamos dar mais importância a um congestionamento do que a uma pessoa que morreu?, perguntavam os leitores.
Fiquei me questionando que estaria certo e até agora não encontrei a resposta.
O que tem mais valor jornalístico? O congestionamento na marginal (a coisa mais normal do trânsito paulistano)? Uma ciclista morta, mesmo que morra um ciclista a cada cinco dias em São Paulo? O tráfego lento na avenida Paulista? Um motoqueiro ferido?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h30
É mais notícia o fato bom ou o ruim?
É mais notícia o fato bom ou o ruim?
Esta é pra vocês terem no que pensar no final de semana (acharam que iam ficar livres, né? Nãnaninanão).
A dúvida é do meu leitor Vinicius, de Natal:
Sou jornalista formado e trabalho há cinco anos em redação (sou repórter da editoria de Economia).
Hoje estava escrevendo uma matéria sobre a pesquisa da cesta básica do Dieese. Sempre que pego este tipo de matéria sei que tenho duas grandes missões: aproximar o assunto do leitor natalense, enfocando a realidade local, e simplificar ao máximo os números, que parecem nunca atrair as donas-de-casa (que deveriam ser as principais interessadas no meu texto).
Mas, depois de olhar por quase meia hora para as tabelas, percebi que havia boas e más notícias. Vai parecer trocadilho, mas a boa é que a cesta natalense era a sexta mais barata do país. Por outro lado, era a mais cara do Nordeste.
Eu optei pela notícia negativa porque ela trazia o elemento regional. Mas se fosse o contrário?
Afinal, o que é notícia: o que é bom ou o que é ruim??? Se você estivesse no meu lugar, o que faria?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h49
Bichos horrendos - é preciso encarar?
Bichos horrendos - é preciso encarar?
E por falar em animais aquáticos e horripilantes, vocês seriam capazes de fazer o que fez este repórter?
Cristian Dimitrius/http://diveadventures.blogspot.com/
Mergulhar por aí atrás de uma sucuri? (para acompanhar toda a história, comece neste post e vá subindo até o encontro final).
Ou, refraseando a pergunta: se um editor te propõe uma pauta como esta, o que você faz?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h22
É melhor ouvir que ler?
É melhor ouvir que ler?
Ainda tenho que comentar aqui aquele exercício sobre que meios (texto, arte, áudio, vídeo?) funcionam melhor em cada tipo de história. Mas hoje na FOL há um bom exemplo que pode nos ajudar a pensar no assunto:
Brasileiro descreve rotina em Israel
Ouçam tentem pensar em como seria se fosse só texto e me digam: vocês concordam que o público sai ganhando com áudio? Por quê?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h41
Iguais, mas diferentes
Iguais, mas diferentes
Já que é feriado e sobra tempo livre (até para quem está de plantão, a não ser que ocorram tsunamis), pensem comigo neste exercício.
Acho que vocês sabem que o programa de treinamento da Folha vai mudar um pouco, para incluir exercícios multimídia.
Na base, ele terá o mesmo conteúdo: que histórias rendem pauta, como organizar uma apuração, como começar um texto informativo, que títulos funcionam melhor e assim por diante.
Até certo ponto, jornalismo é jornalismo, independentemente do meio e da periodicidade. O que isso quer realmente dizer é que, para fazer bom jornalismo em qualquer veículo, é preciso entender primeiro os "fundamentos".
O que me importa agora, no entanto, é pensar sobre as diferenças, porque é delas que vamos tratar no programa de treinamento --e, por consequência, aqui no blog, já que ele é uma extensão do curso.
E foi com isso na cabeça que eu passei cinco dias na praia.
Continuava pensando nisso quando lia um livrinho de contos do Conan Doyle --o criador de Sherlock Holmes--, "Dr. Negro e outros contos de terror e mistério".
E a última história do livro, "A Sala do Pavor", é que rendeu pano pra manga deste exercício.
Infelizmente só achei o texto na íntegra em inglês (clique aqui), mas quem não dominar o idioma pode comprar por R$ 8, em bancas de jornais ou pela internet, uma edição da L&PM em português.
Leiam o conto e me digam: por que o personagem estranho, encurvado e escondido sob um pano negro jamais ficará satisfeito? (nosso tema é que história funciona em cada meio, certo?)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h09
Matemática? Socorro!
Matemática? Socorro!
É um clichê, mas minha experiência nos últimos dez anos confirma que 99% dos jornalistas têm horror (ou, melhor ainda, pavor) de matemática.
Mas este exercício não vai doer.
Só de olhar pro título abaixo, sem nem ler a matéria, já dá para perceber que alguma coisa está fora da ordem? Saiu na Folha de ontem.
PIB de São Paulo cresce no mesmo ritmo nacional e ganha mais peso no país
Pensem um pouco antes de ler a matéria [este link é para a versão da Folha Online, aberta a todos. Se for assinante, compare com a versão da Folha, para ter idéia de como os mesmos números podem ser lidos de forma diferente].
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h01
O que fazer com imprecisões?
O que fazer com imprecisões?
Faz tempo que não aparece um exercício, né?
Então façam este. Leiam a matéria abaixo, que tem uma imprecisão. Qual é? E como resolver?
Temporal destelha casas e causa queda de muros em Jundiaí (SP)
Colaboração para a Folha Online
Um temporal ocorrido na noite de segunda-feira (10) destelhou casas e provocou a queda de muros de alguns imóveis em Jundiaí (58 km de São Paulo). Não há registro de feridos, segundo o Corpo de Bombeiros.
Durante a manhã desta terça, a Defesa Civil percorre pontos da cidade para levantar os danos com moradores. Ainda não há estimativas com relação ao número de atingidos. A maior parte das ocorrências foi registrada das 18h às 23h de ontem.
A previsão do tempo para hoje em Jundiaí é de tempo nublado, com possibilidade de chuva isolada, de acordo com informações do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h13
O que não pode faltar?
O que não pode faltar?

Este é para quem acompanhou a final da Copa do Mundo de futebol de salão.
Chegou esta foto, com a legenda abaixo. Que informação fundamental está faltando?
Texto: BRA481. R O DE JANEIRO (BRASIL), 19/10/08.- El
arquero Frankilin, de Brasil, detiene un penalti de Espaæa durante el partido por la final del Mundial de Fœtbol Sala que disputaron hoy, 19 de octubre de 2008, en el GimnÆsio de Maracananzinho, en Róo de Janeiro (Brasil). Brasil ganú 4 - 3 en los penales. EFE/MARCELO SAYACOMENTÁRIO NA SEGUNDA-FEIRA - Parabéns. Vocês sugeriram várias coisas que tornariam a legenda mais completa: que o goleiro entrou só para a decisão por pênaltis, por exemplo, e que foi Marcelo, nascido no Brasil e naturalizado espanhol, quem chutou e teve a bola defendida.
Era informação crucial dizer que esta era a segunda defesa de Franklin, ou seja, aquela que deu ao Brasil a Copa do Mundo. Como ele rebateu duas bolas, era importante saber a qual das duas se referia esta foto, já que a segunda é mais jornalística que a primeira. Não acham?
E um PS para quem ficar achando que "errou" na resposta: o que realmente importa for ter se interessado pelo assunto, refletido e arriscado uma resposta. Foi ter tido vontade de aprender e dado um passo adiante. É isso que faz a gente crescer na profissão.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h29
Façam junto comigo
Façam junto comigo
Um exercício pra quem está à toa neste sábado nublado --em SP, pelo menos.
E é em tempo real, porque este é um problema que acabei de precisar resolver, no fechamento da primeira página.
É o seguinte: havia redigido a chamada abaixo. Ela precisa ter três bloquinhos de exatamente sete linhas, como está ali. Isso porque o texto sairia em três colunas, portanto precisa de três partes com o mesmo tamanho.
Meus problemas: 1) não explico direito que apartamento é aquele do terceiro bloco e 2) preciso incluir duas informações: a) que fim levou Lindemberg e b) o governador defendeu a ação policial.
Como reescrever pra dar conta de tudo? No meu caso, pra complicar, tenho dez minutos pra fazer isso sem atrasar o fechamento... ![]()
Piorou o estado de saúde
da estudante Eloá Pimentel,
15, baleada na cabeça an-
teontem após ter ficado qua-
tro dias refém do ex-namo-
rado Lindemberg Alves, 22,
em Santo André (SP).
O funcionamento neuro-
lógico caiu para o nível mais
crítico e ela ainda corria ris-
co de vida na tarde de on-
tem. Nayara Silva, 15, amiga
de Eloá que levou um tiro no
rosto, está fora de perigo.
Responsável pela opera
ção, o coronel da PM Eduar-
do José Félix disse que não
houve erro da polícia na vol-
ta de Nayara ao apartamen-
to e que colocaria seu filho
no lugar dela.
COMENTÁRIO NO DOMINGO - Achei bem legal que houvesse cinco pessoas a fim de fazer exercício de edição em pleno sábado!! Vou comentar depois as opções de vocês, mas deixa eu mostrar como eu fiz:
Caiu para o nível mais crí aqui eu fui direto ao estado
tico o estado neurológico da de saúde dela, sem primeiro dizer
estudante Eloá Pimentel, 15, que piorou pra só depois explicar
baleada na cabeça anteon
tem após ter ficado quatro
dias refém do ex-namorado
Lindemberg Alves, 22.
Nayara Silva, 15, amiga de aqui eu tento ligar o
Eloá que estava no aparta apartamento ao tiro, para
mento e levou um tiro no que o leitor entenda que era
rosto, está fora de perigo. o cativeiro
Lindemberg foi transferido
para cela isolada em centro
de detenção em Pinheiros.
A ação da polícia foi defen
dida pelo governador de SP, para incluir o governador,
José Serra. Responsável pe correi a parte do filho
la operação, o coronel da do comandante
PM Eduardo José Félix ne
gou erro na volta de Nayara
ao cativeiro.Págs. C1, C3 e C4
Este texto ainda tinha um defeito: quando o jornal chegasse às mãos do leitor, havia uma possibilidade enorme que Eloá já estivesse morta. Por isso, era importante dizer de quando eram essas notícias.
Por isso, reescrevi de novo o primeiro bloquinho:
Estava no nível mais críti
co, na tarde de ontem, o es
tado neurológico de Eloá Pi
mentel, 15, baleada na cabe
ça após ter ficado quatro
dias refém do ex-namorado
Lindemberg Alves, 22.
Mais tarde, com notícias mais quentes, houve um outro bom exemplo de edição. Eu havia esboçado a chamada abaixo, agora já com quatro colunas de texto, mas não estava nada contente com ela:
Como havia possibilidade grande de Eloá já estar morta na manhã seguinte, quando o leitor recebesse o jornal, era preciso avisá-lo da provável morte cerebral. Mas meu texto estava defeituoso. As falhas que me incomodavam: a divisão do segundo bloquinho entre dois assuntos diferentes (Eloá e Nayara) e o fato de haver dois bloquinhos inteiros para o Lindemberg, o que me parecia exagerado.
Passei-o então a minha colega VERA GUIMARÃES, que em pouco tempo melhorou-o muito:
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h39
Como editar este texto?
Como editar este texto?
No começo desta semana os trainees tiveram que editar uma reportagem, como exercício de fechamento.
Editar, no caso, significa cortar, corrigir, reescrever --se for o caso-- e dar título.
Quem quiser treinar também pode fazer o seguinte: ler o texto na íntegra, aqui no site do treinamento, e escolher entre uma das opções abaixo, ou as duas:
a) tentar reduzir o texto a quatro parágrafos de no máximo cinco linhas cada e fazer um título com duas linhas de 36 toques
b) comparar as três versões e título e texto que estão nesta página do site do treinamento (adaptadas por mim a partir de versões feitas pelos trainees) e responder qual delas, na sua opinião, é a melhor --e por quê. [quem tiver arriscado sua própria edição pode também compará-la com as versões].
Nunca é demais lembrar:
- exercitar-se é imprescindível para aprender. Ler explicações é legal, mas não basta. Enquanto você mesmo não tentar, o conhecimento será quase inútil
- neste blog, não há certos e errados. A idéia é arriscar, mesmo, a refletir sobre as escolhas feitas
Outros exercícios do blog
Quatro passos do aprendizado
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h31
Como convencer a fonte de guardarei sigilo?
Como convencer a fonte de guardarei sigilo?
Vejam a boa pergunta da Fabiana, de São Paulo. Como vocês fariam?
Estou fazendo um trabalho para a faculdade sobre aborto, e gostaria de conversar com profissionais que já fizeram, ou fazem isso em meninas. Claro que a confidencialidade seria de 100%, mas como encontrar esse tipo de fonte? E como fazer ela crer na confidencialidade?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h22
Sorte sorri mais para quem é bom
Sorte sorri mais para quem é bom
Minhas trainees SOFIA FERNANDES e VANESSA CORRÊA acharam uma história sensacional na quinta-feira passada: um homem que havia morrido em abril estava sendo julgado, naquela tarde, no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Publicada sábado na Folha e na Folha Online, a matéria das meninas ficou na lista das mais lidas daquele dia e ganhou uma ótima versão --ampliada-- hoje no "Bom Dia Brasil".

Como foi que elas descobriram isso?
Fontes no TJ?
O tio de uma delas é juiz?
Levantaram a hipótese de que defuntos vão a julgamento e foram checar?
Não. Ia escrever que foi "pura" sorte, mas seria mentira. Elas tiveram sorte, sim, mas só porque foram boas repórteres.
Eu conto: em todo programa de treinamento, vamos verificar na Justiça como estão alguns casos que o jornal publicou na época do crime, mas do qual nunca mais falou.
Para que fazemos isso?
- para entender como se acompanha um caso na Justiça
- para pôr em prática o que acabamos de aprender no curso de direito para jornalistas
- para saber, afinal, que fim levou a história: o suspeito era mesmo culpado? Foi julgado? Condenado?
Nesse exercício, já descobrimos as coisas mais espantosas --inclusive que aquele garoto cujo nome publicamos como possível criminoso tinha na verdade ajudado as vítimas a escapar do crime.
Sofia e Vanessa tinham dois casos na mão, mas a tarefa de levantar apenas um. O outro era "reserva", para o caso de o processo estar em segredo de Justiça ou inacessível por outro motivo.
Na tarde de quinta, o maníaco estava no banco e o titular era uma babá acusada de envenenar um bebê. No TJ, apuraram tudo sobre a babá --que foi absolvida!
Poderiam simplesmente ter dado por cumprida a missão e voltar pro jornal, não é? Mas resolveram saber também qual havia sido o destino judicial do maníaco. Bingo! Sofia disse tudo, no telefonema que me deu:
--Ana, acho que mudou o lide!
Mudou o lide, deu alto de página, mais lidas na FOL e emplacou na Globo.
"Pura" sorte? Que nada. Foi curiosidade, interesse, persistência, vontade de trabalhar.
Outros dois casos de "sorte": inconfidências de um técnico de futebol e de um ministro do STF
Como a disciplina ajuda a sorte
ENCONTRE OS ERROS DA EDITORA DE TREINAMENTO
A matéria das meninas tem todas as informações principais, mas há vários dados que, se presentes, melhorariam muito a qualidade final.
Estão ausentes por falha da editora --eu, no caso. Quando o repórter é novo, cabe ao editor checar se apuramos tudo o que era preciso.
Leiam o texto (versão integral na Folha ou versão editada na FOL) e me digam que informações estão faltando.
A comparação com a reportagem da Globo também ajuda a responder.
[PS - podem comentar à vontade! Não tenham medo de me "criticar". Estou mais que acostumada! Não que eu goste, claro... mas tento aprender com isso.]
Volto ao assunto noutro dia.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h26



