Um professor da Universidade Estadual do Kentucky, nos EUA, mapeou como os jornalistas usam recursos digitais em seu trabalho, especialmente para cobrir as informações que as empresas distribuem sobre si próprias.
O fato de a pesquisa ter sido respondida online pode ter influenciado os altos índices, mas vale a pena observar como se distribuíram as respostas:
98% dos jornalistas concordaram que a capacidade de pesquisar arquivos de notícias numa redação online é moderadamente importante (11%), importante (32%) ou muito importante (55%) em seu trabalho.
94% preferem receber notícias, informações e sugestões de pauta por e-mail. Telefonemas (1%) e SMS (1%) não são muito apreciados.
93% insicam acreditar que é moderadamente importante (13%), importante (30%) ou muito importante (50%) que uma empresa coloque informações e notícias urgentes sobre si na internet.
77% dos pesquisados acreditam que é moderadamente importante (32%), importante (28%) ou muito importante (17%) acessar links para os sites de mídias sociais de uma empresa.
65% veem como importante para seu trabalho receber notícias em seus aparelhos sem fio – um aumento de quase 10% desde a pesquisa de 2009.
95% acreditam ser moderadamente importante (12%), importante (31%) ou muito importante (52%) que uma empresa ou organização tenha uma "redação online" disponível para a imprensa.
99% dos jornalistas dizem ser moderadamente importante (10%), importante (33%) ou muito importante (57%) que uma empresa dê acesso a press releases a partir de sua "redação online".
98% dizem ser moderadamente importante (8%), importante (24%) ou muito importante (66%) encontrar contatos da assessoria de imprensa da empresa no site.
Que recursos digitais você considera mais importantes para o seu trabalho?
Carlos Eduardo Lins da Silva, ex-ombudsman da Folha, está lançando um novo livro sobre o papel do correspondente internacional na atualidade. A Livraria da Folha publicou alguns trechos do livro.
O debate de lançamento do livro ocorre nesta segunda-feira, dia 6 de junho, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos. Estarão lá, além do autor, os jornalistas Humberto Saccomandi, João Caminoto e Sérgio Dávila. A conversa começa às 19h.
Caso queira encomendar o livro direto da Livraria da Folha para ler antes de pegar seu autógrafo, este é o link.
Já surgiram trocentas paródias da música, com versão do Chaves, do CQC e de anônimos dos mais variados.
E estava demorando para surgir uma paródia com jornalismo. Hoje vi no blog do ótimo Lucas Figueiredo que o pessoal do jornal "O Tempo", de Beagá, já criou sua versão para a "Redação mais bonita da cidade"
Se você ainda se pergunta se Twitter (ou dados, ou blog, ou etc) "é jornalismo", leia o post abaixo. É uma excelente demonstração da minha resposta a esse tipo de grande questão dos estudos comunicacionais. Mas só entro nela no final.
Um tornado destruiu a cidade de Joplin, no Missouri. Falei da cobertura interativa do desastre na semana passada. Mas já pensou a dificuldade do sujeito que vai lá cobrir? Brian Stelter, do New York Times, usou o Twitter para isso. Depois, escreveu um post em seu blog contando a experiência. Fala das dificuldades até de acesso a um sinal decente de celular para enviar.
No começo, estava tímido. Depois, começou a tuitar e instagramar tudo o que pôde, porque tuitar era o jeito mais prático de transmitir o que via. Outros repórteres no local faziam o mesmo. Segundo Brian, em boa parte do tempo sua melhor apuração saía direto no Twitter.
"Pode ser extraordinariamente difícil mandar material de um local de desastre. Seria útil, em casos assim, ter um repórter ou editor em Nova York reescrevendo os tweets dos repórteres e retrabalhando-os na matéria que está no ar", escreveu ele em seu blog. "Mandei alguns emails e dei alguns telefonemas para o Times, sugerindo que o meu feed do Twitter fosse de alguma maneira incorporado à cobertura. Era, afinal, o lugar onde eu estava postando minha apuração mais recente. Mais tarde naquela tarde, o Times publicou um link direto para o meu Twitter na home".
Jeff Jarvis, que tem um blog influente sobre o uso das mídias sociais no jornalismo, ficou empolgado com a história, ainda mais porque recentemente o diretor de redação do Times escreveu um artigo criticando o Twitter por sua falta de contexto. Jarvis curtiu especialmente a ideia de usar mídias sociais como um formato de uso imediato, uma espécie de tijolinho da matéria.
"Leve isso ao extremo - é minha especialidade - e temos testemunhas em toda parte. Algumas são repórteres, outras são pessoas que por acaso estão num evento noticiável antes de os repórteres chegarem (e agora podemos chegar a elas via Twitter, Facebook, Foursquare...), algumas que podem ser participantes mas estão compartilhando fotos e fatos via Twitter. Já na Web vemos outros - blogueiros - transformarem essas migalhas em narrativas: posts, matérias, artigos.(...) Às vezes, uma atualização rápida é suficiente; noutras vezes, uma coleção de vídeos resolve. Outras vezes, artigos são uma boa."
Ben Huh, um jovem extremamente inteligente, que criou o I Can Haz Cheezburger?, foi ainda mais longe na provocação: os meios de difusão das notícias mudaram muito nos últimos anos, mas o produto que chega ao leitor é mais ou menos o mesmo de antes. Pode ser digital, mas ainda é um bloco de texto ou alguns minutos de vídeo. Ele anuncia que está preparando uma proposta para mudar isso. Se for muito convencional, dificilmente inova. Se for muito radical, dificilmente pega. Mas vai ser interessante observar.
Sugiro entusiasticamente a leitura de todos os artigos que linkei aí em cima.
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Aqui voltamos aos Grandes Debates da Comunicação:
Twitter é jornalismo? Blog é jornalismo? Papel pintado é jornalismo? Mapa é jornalismo?
Minha resposta é a seguinte: depende de como você usa o suporte ou a ferramenta para trabalhar jornalisticamente informações. Papel pintado, por si, não "é jornalismo". Pode ser um gibi, um folheto de propaganda ou até mesmo um jornal. No papel, já estamos acostumados a diferenciar isso desde que aprendemos a ler. No meio digital ainda falta um pouco de sutileza no olhar e na forma de pensar nas possibilidades que temos nas mãos. Teoricamente, ninguém mais preparado para fazer isso do que nós, jornalistas. E ninguém mais aberto a pensar fora da caixinha do que vocês, os jovens jornalistas.
Qual é o uso mais interessante que você conhece dessas ferramentas?
Mestre Fabiano Maisonnave, correspondente da Folha na China, enviou um vídeo muito curioso sobre como os correspondentes estrangeiros são tratados na China. Quando vêm dos EUA, têm espiões dedicados seguindo cada passo seu. O Fabiano, porém, conta que por ser de um jornal brasileiro não tem um "sombra" desses em seu encalço. A preocupação dos chineses é com a mídia de língua inglesa. Veja o que houve com o correspondente da ABC TV neste vídeo (OK, desisti de embedar).
Lembram da série Proncovô? Então, já faz incríveis nove meses que ela tentou começar, quando saí do Treinamento para Cotidiano, e até hoje continuo apanhando em coisas básicas e aprendendo a cada dia um negócio novo.
No primeiro capítulo daquela série eu falei da reunião de pauta de segunda-feira. E de como é péssimo chegar nela sem nenhuma sugestão.
Hoje reparei no bloquinho do colega EVANDRO SPINELLI, que estava sentado ao lado. Sem brincadeira: tinha ali uns 20 tópicos diferentes de ideias para pautas!
E é muito comum acontecer isso, de o pessoal fera levar 500 ideias legais, muitas das quais capazes de virar capa de várias edições.
Essa sempre foi uma das minhas maiores dificuldades, talvez por eu ser uma pessoa meio dispersa, mas acho que venho aprendendo. Não é mais tão comum acontecer como naquele primeiro dia e como nessa ótima charge do Savage Chickens que ilustra o post
Na semana retrasada aprendi uma coisa muito básica, que tem a ver com aquilo que eu falei no post de sábado: aprendi a levar o bloquinho para casa.
Por duas razões principais:
1- Às vezes você está em casa, crente que vai chegar no dia seguinte na hora de sempre, às 10h30, para um dia normal, e alguém te liga perto de meia-noite para dizer que houve um assassinato dentro do campus da USP e você precisa estar lá às 7h para o protesto dos alunos. Você revira sua casa em busca de PAPEL e descobre que todos os cadernos que você já teve na vida em algum momento foram levados para a Redação em situações idênticas a esta. Encontra umas cinco folhas avulsas de fichário, dobra essas folhas, e faz toda a reportagem do primeiro dia anotada nelas. As pessoas desconfiam de você, porque um repórter da Folha costuma andar de bloquinho, e, o pior: você escreve num redemoinho sem qualquer organização que depois é difícil de ser colocado em ordem cronológica. (Felizmente o celular do jornal que está com você tem gravador e pelo menos na coletiva você não dá vexame.)
2- Às vezes você volta, mas deixa a Redação funcionando, com os redatores e editores tendo que fechar sua matéria. Às vezes eles têm dúvidas, ou querem acrescentar um personagem que você entrevistou, checar uma frase dita por um especialista etc. Muitas vezes as dúvidas se resolvem com nossa memória, depois de um dia inteiro apurando aquilo. Mas nem sempre. Outro dia minha colega DANIELA MERCIER ligou pedindo mais personagens dentre os alunos da USP que ouvi para falar sobre segurança. Eu ouvi 150 alunos (sem exagero, embora a maioria tenha sido só para uma enquete rápida), então não ia conseguir me lembrar, de cabeça, do nome, idade e curso de um aluno e ainda lembrar o que ele disse! Mas quem disse que eu estava com o bloquinho? E o pior é que a Dani tentou entender meus garranchos lá, mas alguns hieroglifos só são entendidos por quem faz a anotação apressada, né -- ainda mais se feitos em cinco folhas avulsas de fichário
Sem contar a razão básica de você receber um telefonema ou ver algo na rua que mereça registro e o bloquinho quebrar um belo galho nessas horas.
É o que eu falo: às vezes demoramos nove meses para aprender as coisas mais banais. Mas o importante é aprendermos um dia, né
E vocês? O que custaram a aprender recentemente? Vou pôr algumas experiências contadas nos comentários no próximo post
Você morre de vontade de participar do congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, mas está sem grana pra pagar a passagem? Tem uma chance aí, como informa o Guilherme Alpendre:
A Abraji vai sortear na sexta-feira, 3 de junho, uma passagem aérea nacional para participação no 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. Os interessados podem ler o regulamento aqui e fazer a inscrição pelo e-mail eventos@abraji.org.br até as 23h59 de quinta-feira, dia 2 de junho.
A passagem aérea será válida para a vinda a São Paulo nas datas do Congresso a partir de qualquer aeroporto do território nacional operado pela Gol Linhas Aéreas.
Só poderão participar do sorteio os interessados que já tiverem se inscrito no Congresso pelo site da Abraji, montado sua grade personalizada e efetuado o pagamento pelo site PagSeguro.
Muitas vezes, quando a gente entra na faculdade de jornalismo, dá graças às barbas argênteas de Odin pelo fato de termos nos livrado da matemática. Somos "das humanas", e não "das exatas".
Ocorre, porém, que no dia-a-dia a gente acaba tendo de lidar com a numeralha. Cada vez mais, usando técnicas de visualização de dados, figuraças fascinantes como o médico sueco Hans Rosling, do Gapminder, provam que as "exatas" são na verdade muito "humanas". Ele é o sujeito que consegue misturar história, economia, estatística e saúde pública para observar o desenvolvimento dos países, como neste vídeo da BBC (em inglês):
Rosling deu uma entrevista interessante ao blog "Periodismo Con Futuro", do jornal "El Pais". Veja o que ele tem a dizer sobre infográficos e comunicação visual. Afie seu espanhol e leia estes trechos:
Alberto Cairo - Profesor Rosling, es común oír que hoy disponemos de más datos de los que podemos manejar pero que ello no conduce necesariamente a una ciudadanía informada. ¿Qué podemos hacer los comunicadores?
Hans Rosling - La clave está en entender que existen diferentes tipos de datos y diferentes niveles, escalas, filtros, para entenderlos. Lo primero que se suele generar en cualquier estudio son "microdatos", números detallados, granulares, que por lo general son inútiles. En Suecia tenemos una base de datos en la que cualquiera puede buscar el precio al que fue vendido el piso del vecino hace un mes. Ese tipo de datos "micro" es fácil de difundir: basta colocarlos en un servidor y crear una interfaz de acceso. No hay que pensar mucho sobre cómo presentarlos porque presuponemos que el usuario que accede a ellos sabe lo que busca. Piense en ellos como si fuesen las viejas Páginas Amarillas: usted sabe que quiere el número de teléfono de su primo y, ya que conoce su nombre y apellidos y la "base de datos" (el libro) está organizada alfabéticamente, va a la página correspondiente y encuentra lo que necesita.
(...)
AC - ¿La forma en que filtramos los datos es más importante que los propios números?
HR - Sí. La mejor manera de entenderlo es la previsión del tiempo. Lo que vemos en televisión es la conclusión de un largo proceso de tabulación, organización, simplificación y edición. Todo comienza con los registros tomados por satélites y estaciones terrestres, que se envían a gigantescas bases de datos. Los meteorólogos usan entonces modelos matemáticos que les ayudan a resumir e interpretar los números para hacer predicciones. Esas predicciones llegan a la televisión, donde otro meteorólogo/periodista las filtra de nuevo; el resultado es la base para un mapa, realizado en Adobe Illustrator o en Photoshop, que es lo que se presenta a la audiencia.
Creo que ya ve por dónde voy: la idea de filtrar datos, transformarlos en información para que un público amplio entienda hechos complejos, es el objetivo de Gapminder. Si el usuario medio ve solo los datos en bruto, no entenderá nada. Pero si accede a ellos después de procesados, el efecto es muy diferente. Pueden cambiar su forma de pensar sobre muchos asuntos.
Se o seu espanhol ajudou a ler este trecho, aproveite e leia a entrevista inteira no endereço original.
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