Leve o bloquinho pra casa!

 

Lembram da série Proncovô? Então, já faz incríveis nove meses que ela tentou começar, quando saí do Treinamento para Cotidiano, e até hoje continuo apanhando em coisas básicas e aprendendo a cada dia um negócio novo.

No primeiro capítulo daquela série eu falei da reunião de pauta de segunda-feira. E de como é péssimo chegar nela sem nenhuma sugestão.

Hoje reparei no bloquinho do colega EVANDRO SPINELLI, que estava sentado ao lado. Sem brincadeira: tinha ali uns 20 tópicos diferentes de ideias para pautas! surpreso

E é muito comum acontecer isso, de o pessoal fera levar 500 ideias legais, muitas das quais capazes de virar capa de várias edições.

Essa sempre foi uma das minhas maiores dificuldades, talvez por eu ser uma pessoa meio dispersa, mas acho que venho aprendendo. Não é mais tão comum acontecer como naquele primeiro dia e como nessa ótima charge do Savage Chickens que ilustra o post Muito feliz

Na semana retrasada aprendi uma coisa muito básica, que tem a ver com aquilo que eu falei no post de sábado: aprendi a levar o bloquinho para casa.

Por duas razões principais:

1- Às vezes você está em casa, crente que vai chegar no dia seguinte na hora de sempre, às 10h30, para um dia normal, e alguém te liga perto de meia-noite para dizer que houve um assassinato dentro do campus da USP e você precisa estar lá às 7h para o protesto dos alunos. Você revira sua casa em busca de PAPEL e descobre que todos os cadernos que você já teve na vida em algum momento foram levados para a Redação em situações idênticas a esta. Encontra umas cinco folhas avulsas de fichário, dobra essas folhas, e faz toda a reportagem do primeiro dia anotada nelas. As pessoas desconfiam de você, porque um repórter da Folha costuma andar de bloquinho, e, o pior: você escreve num redemoinho sem qualquer organização que depois é difícil de ser colocado em ordem cronológica. (Felizmente o celular do jornal que está com você tem gravador e pelo menos na coletiva você não dá vexame.)

2- Às vezes você volta, mas deixa a Redação funcionando, com os redatores e editores tendo que fechar sua matéria. Às vezes eles têm dúvidas, ou querem acrescentar um personagem que você entrevistou, checar uma frase dita por um especialista etc. Muitas vezes as dúvidas se resolvem com nossa memória, depois de um dia inteiro apurando aquilo. Mas nem sempre. Outro dia minha colega DANIELA MERCIER ligou pedindo mais personagens dentre os alunos da USP que ouvi para falar sobre segurança. Eu ouvi 150 alunos (sem exagero, embora a maioria tenha sido só para uma enquete rápida), então não ia conseguir me lembrar, de cabeça, do nome, idade e curso de um aluno e ainda lembrar o que ele disse! Mas quem disse que eu estava com o bloquinho? E o pior é que a Dani tentou entender meus garranchos lá, mas alguns hieroglifos só são entendidos por quem faz a anotação apressada, né -- ainda mais se feitos em cinco folhas avulsas de fichário Com vergonha

Sem contar a razão básica de você receber um telefonema ou ver algo na rua que mereça registro e o bloquinho quebrar um belo galho nessas horas.

É o que eu falo: às vezes demoramos nove meses para aprender as coisas mais banais. Mas o importante é aprendermos um dia, né Com sono

E vocês? O que custaram a aprender recentemente? Vou pôr algumas experiências contadas nos comentários no próximo post Bem humorado