Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Matérias Jurídicas, implicações e complicações

Escrever sobre matérias jurídicas (crimes, leis, política) pode ser bem mais complicado do que se imagina.

Que o diga o ex-trainee Gustavo Romano, hoje professor de direito da Folha.

Depois de dez anos analisando as matérias dos jornais e acompanhando exercícios dos trainees, ele classificou os erros mais comuns em cinco grandes grupos:

1. Erro por omissão

Quando falta um elemento essencial na matéria. Pode ser o ‘outro lado’, a possibilidade de recurso ou algo que mude o foco do caso, ou quando o jornalista ‘compra’ a versão de um dos lados. O erro está na ausência de uma informação que poderia mudar como o leitor entende o caso.

2. Erro por comissão

Aqui o autor dá informações tecnicamente incorretas. O jornalista condena pelo crime errado, troca termos jurídicos e transforma o texto em um emaranhado de equívocos. Acontece, geralmente, quando o autor tenta ser muito didático ou evitar repetições, mas se confunde ou acaba usando como sinônimos termos que têm sentidos diferentes.

3. Erro por presunção

Quando o autor não coloca afirmações de terceiros entre aspas, ou quando ele acaba assumindo como verdadeiros fatos que não controla ou não presenciou. Nesse tipo de erro ele presume como verdadeiro algo que pode não ser verdadeiro e assume para si a responsabilidade sobre eles.

4. Erro de entendimento

Nos três primeiros tipos de erro o jornalista entende o caso, mas acaba não explicando direito ao leitor. Aqui, ele tenta explicar sem ter entendido. Ele acha que entendeu ou ele acha que a fonte está correta, e deixa de checar se o que entendeu ou ouviu estava realmente correto. O resultado é que ele explica sem ter entendido e acaba cometendo erros potencialmente graves.

5. Ausência de informação

Aqui o problema não é técnico, é de estilo e conteúdo. Esse tipo de erro acontece quando uma informação relevante é ignorada, como quando se omite o nome do réu, não diz qual foi o juiz que julgou a causa, em que município o crime ocorreu, contra qual decisão condenado está recorrendo, etc. Ou se usa aspas que não agregam qualquer informação relevante ao leitor. Frases de efeito retórico mas pobres em informação. A matéria fica vaga.

Os quatro primeiros podem gerar problemas bem maiores do que a simples retratação. Por exemplo, podem acabar em condenações por calúnia ou o veículo e autor poderão ser acionados na justiça por danos morais ou materiais. Por isso são erros.

Já no quinto grupo, não existe um erro em si e não há risco de o jornal ou jornalista acabarem condenados pela justiça, mas quem sai no prejuízo é o leitor que perde tempo lendo uma matéria que não faz sentido ou que não o informa.

Nos trechos de matérias abaixo, existem alguns dos erros citados. Na opinião de vocês, quais são eles e a qual dos cinco grupos pertencem?

Trecho 1

“...Natalício Ferreira Alves, 55, acusado de ser um dos mandantes da morte de um sindicalista em São Paulo, em 1992, deve ser ouvido pela justiça em outubro.

A audiência está marcada para o dia 26. Na ocasião, o suspeito será interrogado pelo juiz, que decidirá se ele irá ou não a júri popular...”

Resposta 1:

"Reparem que a matéria não diz quem o acusa. Dá para presumir que é o Ministério Público, mas de onde? Isso é ausência de informação. O texto também não diz quem é a vítima, quando o crime ocorrreu (dia) ou em qual cidade o crime ocorreu. Isso é mais ausência de informação. No segundo parágrafo, o jornalista dá como certo que o juiz interrogará e decidirá no dia 26. E se o juiz mudar de ideia? E se alguém recorrer contra essa decisão? A audiência e seu desfecho são fatos futuros que estão além do controle do jornalista. Isso é erro por presunção", explica Gustavo Romano.

Trecho 2

"...Em 12 de fevereiro de 2004, Noé e Cícero levaram Maria Luiza a uma chácara abandonada, no km 39 da rodovia Raposo Tavares.

Os dois exigiram que ela pagasse R$ 20 mil para ser libertada. Ela teria recusado e por isso foi morta..."

Resposta 2:

"Aqui o jornalista dá como certo fatos que não presenciou ("levaram", "exigiram"). O jornalista não diz que isso é informação vinda de outra pessoa, por isso ele assume a responsabilidade por sua veracidade. Isso é erro por presunção. Não importa se a informação está no processo, veio da polícia ou os suspeitos confessaram: temos que dizer quem informou", acrescenta o especialista.


Vale a pena ler de novo:

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h30

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Povo de Beagá: para pôr na agenda :)

   Falta pouco mais de uma semaninha, e a gente conta com a presença querida de todos vocês! Bem humorado

(Todos têm agenda? Muito feliz)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h16

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8 percepções sobre o telejornalismo

  Muito útil o texto enviado pela leitora Juliana, de Beagá, sobre o que aprendeu em seus sete meses de estágio em TV. Até porque nem a Ana nem eu nunca trabalhamos em TV e, por isso, não falamos com muita frequência sobre esse mundo aqui no blog. É mais um aprendizado para todos nós, de forma muito bem-humorada Bem humorado

Segue a leitura:

Textos simples

Sabe aquela frase que a maioria de nós, alguma vez na vida, já falou ou vai falar? "Eu tenho um texto bom, todos os professores que eu já tive na vida me elogiaram e a minha mãe acha que eu sou o Machado de Assis reencarnado." Ela não se aplica tanto à TV. Quer dizer, você precisa saber se expressar bem, mas deve esquecer a paixão às frases repletas de palavras pomposas e até indecifráveis. Deve entender que o simples também pode ser bonito. E que ninguém conta algum fato para um amigo, por exemplo, usando "todavia" ou "lesões subcutâneas". (Tá, esta última foi mérito meu na semana passada. Faz parte).

Versatilidade

Você precisa entender que existem vários tipos de textos, e que precisará passar de um para o outro em vinte segundos. Escreveu as cabeças da reportagem? Pronto, agora reescreva mais elaboradamente e mande o release com a programação para os veículos impressos. A informalidade, nesta hora, não pode ser exagerada.

Aproveite o tempo

O tempo é relativo. Faltam dois minutos ainda para começar alguma coisa? Ótimo, dá tempo de tomar banho, lanchar e ler "Grande Sertão: Veredas". Duas vezes. A verdade é que, quando algo é ao vivo e factual, a correria é tanta que dois minutos de sobra é a mais profunda expressão da paz interior. Isto não se aplica, é claro, a dois minutos de "buraco" na programação. É preciso ser muito rápido para inventar alguma coisa para preencher o espaço, que não tenha a ver com, sei lá, conversa sobre o tempo e conseguir transmitir algo com qualidade.

Pensar em equipe

Um por todos e todos por um. Nada de ser mimado e achar que o seu belo texto vai segurar a matéria ou que as imagens que você pensou não precisam de complementos. Pense sempre que tudo deve estar em harmonia. É preciso pensar como um todo. Vai ficar tudo bem se você conseguir enxergar tudo antes de ser feito e nos detalhes enriquecedores.

O trabalho do produtor

O serviço do produtor é gratificante. Acho que dá para ter um pensamento muito legal nas funções "atrás das câmeras". O produtor pensa a pauta, apresenta, escreve, combina com as fontes, sugere imagens e perguntas. Um texto legal na pauta é bem aproveitado pelo repórter. E mesmo que você não vá para a rua e apareça na televisão, o seu trabalho é visto sempre. É a maneira de se mostrar presente, de registrar seus pensamentos. E quando o repórter te fizer raiva, elabore uma pauta com "povo fala" sobre plástica. Peça que ele pare as pessoas na rua e pergunte se elas gostariam de fazer plástica. =). Tá, isto não.

O trabalho do repórter

Ser repórter também é legal. Quer dizer, eu não sou, mas acho que é legal, porque eu já fui a "mão que segura o microfone" algumas vezes. Você pode pensar além da pauta, tentar sempre ver os detalhes, registrar algo que somente quem está vendo consegue entender a relevância. A conversa com as fontes e o contato com as pessoas na rua é essencial para entender o que as pessoas pensam e trabalhar por elas.

Parte técnica

A parte técnica é interessantíssima. Dirigir um programa ao vivo é muito bom. É preciso agilidade para pensar em colocações, inserir notas de última hora e escolher rapidamente qual matéria derrubar se uma entrevista exceder. Além disso, você aprende como o áudio é importante e como trabalhar com ele. O posicionamento das câmeras diz muito também. E você vê como elas são controladas e o porquê. Tudo, tudo na TV parece falar alguma coisa. E, de fato, fala.

Voz de bebê

Para quem não tem uma voz muito bacana, procure um fonoaudiólogo. Eu vim a descobrir isso há pouco tempo, mas esta questão é muito importante para quem quer seguir carreira. A minha voz é semelhante à de uma criança de cinco anos ou de quem conversa com uma criança de cinco anos. Parece que a todo momento eu vou falar "olá amiguinhos" ou pedir para a fonte contar alguma coisa para a "tia aqui". Invista nisso, na postura e na forma como se apresenta. Este é só um conselho de quem presencia as coisas mesmo e que foi descobrir "mais tarde" alguns fatores importantes. Eu teria me preparado mais neste sentido.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h49

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Para refletir sobre as novas mídias

  O leitor Ramiro tem escrito várias coisas bacanas sobre as novas mídias, que poderá interessar a leitores deste blog que estão apenas começando na carreira jornalística e viverão este futuro incerto da multimídia.

Alguns posts:

Saiba como acompanhar o blog Que mídia é essa? no Google Reader.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h30

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A melhor hora para bater à porta de uma fonte:

20h15.

  Acho que vale destacar bastante, já que quem falou foi o mestre Bob Woodward. Depois do jantar e antes do sono... Bem humorado

(Dica do Marcelo Soares Jóia)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h23

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Mais 7 novas vagas para jornalistas

 
 

Mais 7 novas vagas para jornalistas

São Paulo

Minas

Paraguai

  • Concurso para Chefe do Departamento de Comunicação do Instituto Social do Mercosul, em Assunção, com salário de US$ 3.312; inscrições até dia 4. Mais informações AQUI.

Este blog apenas divulga oportunidades de trabalho que chegam a nosso conhecimento. Não nos responsabilizamos pelas vagas que não são da Folha.

Primeiros passos para entrar em 13 grandes veículos de comunicação de todo o país

Acompanhe os concursos da Folha

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h32

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Uma frila convicta

  Vejam que bacana o texto enviado pela Patrícia Pereira, ex-trainee da Ana que há cinco anos é uma "frila convicta". Ela dá várias dicas para quem quer seguir seu rumo:

"Fazer frilas como repórter costuma ser uma alternativa temporária para quem não consegue uma vaga em Redação – e, muitas vezes, até uma estratégia usada para conseguir essa vaga. Mas há um outro grupo, o dos "frilas convictos". É desse que faço parte há quase cinco anos.

A ideia de viver como jornalista freelancer surgiu antes do início da carreira, ainda durante a faculdade.

Veio do conselho repetido por um professor para que a gente esquecesse essa história de emprego com carteira assinada porque no futuro quase não haveria vagas formais para jornalistas. Ele afirmava que existiria, sim, muito trabalho, freelancer, para quem estivesse bem preparado. Enquanto meus amigos ficavam aterrorizados com essa perspectiva, eu ficava encantada: trabalhar por conta própria, controlar meus horários e escolher as matérias que faria. Fui cultivando a ideia, mais como um sonho – sentia uma pontinha de medo de que esse futuro profetizado pelo professor, que permitiria tal liberdade a um repórter, não chegasse a tempo para a minha geração.

Terminada a faculdade, fiz o Curso de Treinamento com a Ana Estela, em 2004. Cheguei a trabalhar no caderno Cotidiano, da Folha, e no site do "Estadão", cobrindo Cidades. No total, minha experiência em Redação durou apenas dois anos. Foi o tempo de ganhar uma certa bagagem e fazer contatos na área. Criei coragem e pedi demissão para ser repórter freelancer.

Nestes anos como frila já deu para entender um pouco como esse mercado funciona e perceber o que é mito e o que é verdade no estereótipo que se tem da vida de repórter freelancer. Listo alguns, lembrando que são parte de minha experiência. Algum outro "frila convicto" discorda?

Mitos

  1. É possível escolher os dias e horários em que se deseja trabalhar. (Como é preciso falar com muitos entrevistados e editores, o frila acaba seguindo o horário comercial. Nada de poder ir ao cinema na quarta-feira à tarde...)
  2. Frila não tem chefe. (Em vez de um, tem vários. E é preciso entender as preferências, os padrões e a forma de trabalho de cada um dos editores para quem escreve)
  3. Frila faz apenas as pautas que deseja. (Ao começar a escrever para uma revista ou caderno, o frila sugere muitas pautas próprias para que alguma delas seja aceita. Mas é comum tornar-se "frila fixo" com o tempo, ou seja, não há nenhum contrato, mas convenciona-se informalmente uma cota de matérias a serem destinadas a você todo mês. Com isso, é preciso fazer matérias sugeridas pelos editores do veículo)
  4. Frila não tem férias. (Tudo depende de planejamento. Frila não tem férias remuneradas, mas pode reservar uma parcela dos ganhos para ficar um tempo de folga. No meu caso, como a maior parte dos frilas são para revistas ou cadernos especiais, tiro férias "forçadas" nas festas de final de ano e no Carnaval, pois grande parte das matérias a serem publicadas nestas datas são feitas nas semanas anteriores)

Verdades

  1. É um trabalho solitário. (Os amigos de trabalho só costumam conversar com você pelo telefone ou pelo MSN)
  2. É preciso respeitar prazos. (É muito difícil para um frila ganhar a confiança de um editor, mas é muito fácil perdê-la. Cumprir prazos de entrega é essencial. O frila que atrasa é facilmente substituído por aquele que entrega tudo em dia)
  3. É preciso ser persistente. (Toda vez em que o frila deseja começar a escrever para um determinado veículo, precisa enviar dezenas de pautas – e ver várias serem rejeitadas ou ignoradas - até que uma delas seja aceita. Aí é a hora de fazer um bom trabalho e conquistar espaço no grupo de frilas daquela publicação. E continuar sugerindo novas pautas para não ser esquecido. Com o tempo, é comum que se entre para o quadro de "frilas fixos" e seja lembrado na distribuição das matérias em todas as edições)
  4. É preciso ser disciplinado. (Em casa, a tentação de fazer outras coisas além do trabalho é grande)
  5. É preciso ser organizado. (Além de fazer as matérias, é necessário cuidar de toda a parte burocrática: providenciar notas fiscais para receber pelas matérias, enviar contratos de cessão de direito autoral, conferir se todas as notas foram pagas etc.)
  6. O volume de trabalho é incerto. (Não dá para programar a quantidade de trabalhos a fazer. Há semanas em que não surgem muitas pautas e outras em que todas são passadas ao mesmo tempo. A tentação é fazer todas as matérias que aparecem, mas uma dica é nunca aceitar mais do que realmente vai dar conta)
  7. Não tem os benefícios do emprego formal. (O frila precisa arcar com essa parte. Dicas básicas são fazer um plano de saúde e uma previdência privada)
  8. Frila trabalha de pijama. (É verdade sim! Não entendo esse pessoal que trabalha em casa e diz que todo dia se arruma como se fosse para a rua para entrar no clima. Deve ser mentira, né? Muito feliz)"

 

Leia também:

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h06

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Curso Valor de Jornalismo Econômico

 
 

Curso Valor de Jornalismo Econômico

  • Gratuito;
  • Duração de seis a oito semanas;
  • Inscrições até o dia 20 de novembro;
  • Candidatos devem se formar em 2010 ou estar nos dois últimos anos da graduação dos cursos de jornalismo, direito ou economia;
  • Serão selecionadas 40 pessoas, e formadas duas turmas com 20 alunos;
  • CLIQUE AQUI para mais informações sobre a inscrição, processo seletivo e cronogramas.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h01

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Semana de jornalismo da Unesp

 
 

Semana de jornalismo da Unesp

O leitor Yuri avisa: de 17 a 19 de novembro haverá várias palestras sobre os desafios da profissão. A inscrição custa R$ 10 e cada oficina custa R$ 5.

Mais informações AQUI.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h34

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Jornalismo digital e novas mídias

 
 

Jornalismo digital e novas mídias

  • Fórum internacional, com palestras e debates;
  • Participação de jornalistas, publicitários, executivos de marketing e dos coordenadores de campanha dos presidenciáveis na internet;
  • 9 a 11 de novembro;
  • Gratuito;
  • CLIQUE AQUI para saber mais.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h29

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Mais 23 novas vagas para jornalistas, em 7 Estados

 
 

Mais 23 novas vagas para jornalistas, em 7 Estados

  Lembro que termina amanhã a inscrição para o concurso de fotojornalista da Folha. Veja aqui.

E mais, em 7 Estados:

São Paulo

Rio

Pernambuco

Minas

Rondônia

Rio Grande do Sul

Goiás

Este blog apenas divulga oportunidades de trabalho que chegam a nosso conhecimento. Não nos responsabilizamos pelas vagas que não são da Folha.

Primeiros passos para entrar em 13 grandes veículos de comunicação de todo o país

Acompanhe os concursos da Folha

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h45

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Lidando com a convergência de mídias

  A entrevista feita pela leitora Lanna, além de relatar a história da brasileira Fernanda Santos, traz à tona uma série de reflexões importantes sobre a profissão (Jóia).

Destaco o mesmo trecho da entrevista levantado pelo Ramiro, nos comentários, para compartilhar experiência recente vivida por repórter da Folha : O jornalista do futuro será um jornalista multimídia. A ideia de jornalista como o profissional que escreve para jornal é ultrapassada.

Pois bem, lembram da caminhada do presidenciável José Serra (PSDB) no Rio de Janeiro, com direito a tumulto, confusão com militantes, bolinha de papel e objeto não identificado, que repercutiu em praticamente todas as emissoras do país?

Algumas imagens foram captadas e divulgadas, mas só um vídeo, gravado com um celular, foi capaz de registrar o segundo momento em que Serra foi atingido.

E vejam que curioso: com equipes de TV presentes e cinegrafistas profissionais a postos, o ITALO NOGUEIRA, repórter da Folha, é que conseguiu a proeza

Ele e o FELIPE CARUSO, ex-trainee, publicaram a matéria com o vídeo, logo que chegaram do evento, na quarta-feira.

Presença de espírito? Boa percepção da situação? Experiência? Falta de alternativas? Ou quem sabe, um pouco de cada?

Vejam o depoimento do Ítalo sobre o acontecido e a repercussão:

Não tenho o hábito de filmar nas minhas coberturas, até porque tem muita coisa pra se preocupar, as entrevistas, anotações, perguntas... Mas no caso da caminhada de campanha do Serra, não tinha a menor condição de fazer entrevista, perguntar ou tentar anotar alguma coisa.

Quando vi que a confusão aumentava, decidi filmar com o celular. Não consegui ver a bola de papel e nem reparar no segundo objeto, no meio do empurra-empurra. E também não imaginava que o vídeo teria essa repercussão toda, e muito menos que seria o único a registrar o 'objeto não identificado'.

O que fica da experiência, é que temos mais um recurso para usar nas nossas reportagens. O importante é saber usar cada recurso no seu momento adequado.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h21

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Uma brasileira no New York Times

  Vejam que bacana a entrevista abaixo, que a leitora Lanna fez por e-mail e nos enviou:

 

"Em meados dos anos 90, época em que começou o curso de Publicidade da PUC do Rio de Janeiro, a baiana Fernanda Santos, 37, não imaginava que anos depois seria a única repórter brasileira de um dos maiores jornais do mundo: o "The New York Times".

Ainda morava no Rio quando trabalhou em uma revista corporativa, mas como não era oficialmente jornalista resolveu fazer mestrado no exterior em 1998. A partir de então a trajetória profissional de Fernanda foi de persistência e constante aprimoramento.

Na entrevista a seguir ela conta ao Novo em Folha, entre uma dica e outra, seu percurso até chegar ao Times: foi um "longo namoro" que se consumou depois de muito trabalho como freelancer, inclusive escrevendo desde a Colômbia. Tudo para provar para o jornal que podia escrever matérias longas e escrevê-las bem.

Confira:

Lanna Morais, para o Novo em Folha - Qual a sua idade? Onde se formou em jornalismo?

Fernanda Santos - Tenho 37 anos e não me formei em jornalismo, mas em publicidade, pela PUC-RJ. Entrei para a faculdade com planos de estudar jornalismo, mas acabei fazendo mais amigos entre os que iriam estudar publicidade e concluí – erroneamente, mas só mais tarde fui descobrir isso – que a redação publicitária poderia me satisfazer tanto quanto a redação jornalística. Por essa razão, nunca pude ser efetivada em nenhum jornal no Brasil. Acabei trabalhando como estagiária em um pequeno jornal no Rio de Janeiro, mas ganhei a vida como redatora de uma revista de comunicação empresarial, um emprego que me proporcionou viajar por partes do Brasil que nunca havia imaginado conhecer e a países da América Latina que nunca havia aspirado visitar.

Cheguei a pensar a voltar à faculdade para concluir os créditos que me permitiriam ser formalmente chamada de repórter, mas achei perda de tempo. Decidi então tentar o mestrado no exterior e foi assim que acabei vindo para os Estados Unidos, onde cursei o mestrado de jornalismo impresso na Boston University em 1998-1999.

NF - Ainda na faculdade você já tinha em mente a área que mais gostaria de cobrir?

FS - Parte dessa resposta está acima, mas queria acrescentar uma coisa importante, que é o que mais me fascinou – e me fascina – no trabalho de jornalista: a licença que temos para penetrar mundos alheios, mundos secretos, vidas privadas, e assim revelar para os leitores como vivem essas pessoas, o que lhes incomoda/afeta/entristece/alegra. Vejo o jornalista como uma espécie de intérprete, cuja funcão é de aprender, digerir e relatar os assuntos e acontecimentos que presencia. Como saberíamos sobre o resgate dos mineiros no Chile? Como saberíamos sobre a opressão aos grupos de oposição política no Irã? Ou sobre os estragos da enchente no Nordeste, ou os efeitos da seca na mesma região? Como é que uma pessoa de classe média que mora em um grande centro urbano poderia entender a dinâmica da vida no morro? Enfim, sem o jornalista, não sei se a gente ligaria tanto pelo que se passa fora da bolha que habitamos nessa grande bola que é o planeta Terra. 

NF - Quando ainda estava na universidade tinha o NYT como objetivo? Você está no jornal há quanto tempo?

FS - Nunca sonhei em trabalhar no New York Times quando estava no Brasil nem cheguei a sonhar em trabalhar no New York Times até um ou dois anos antes de vir trabalhar aqui. Sempre fui muito realista e sempre estive ciente da profundidade e alcance do meu talento. Nunca tentei dar passo maior do que as minhas pernas. Arriscar é importante, mas sou partidária do risco responsável. Quando contactei o NYT pela primeira vez, sabia que o conjunto do meu trabalho era abrangente o suficiente, e tinha suficiente qualidade, para competir com os trabalhos dos muitos outros jornalistas que queriam trabalhar no jornal.

Minha trajetória aqui foi clássica. Comecei em um jornal pequeno, cobrindo duas cidadezinhas no oeste do Massachusetts. Depois mudei para um jornal um pouco maior, em outra parte do estado. De lá vim para Nova York, para trabalhar como repórter no Daily News, onde cheguei recomendada por jornalistas que conheci durante a minha cobertura do 11 de setembro em Nova York; estava visitando amigos na cidade nessa data e acabei ficando para fazer reportagens. A conversa com o NYT começou depois que um dos seus repórteres elogiou uma matéria minha e mencionou o meu nome para a caça-talentos do jornal. Foi um namoro longo, que me levou a sair do Daily News e passar uns meses fazendo reportagens na Colômbia, como freelancer, para poder provar que podia escrever matérias longas e escrevê-las bem. (O Daily News tem formato tablóide, portanto suas matérias são  bem mais curtas que as do NYT.) 

Fui contratada em setembro de 2005, portanto estou no NYT há 5 anos.

NF - Muitos jornalistas gostariam fazer fazer carreira internacional. Como você conseguiu a vaga de repórter do NYT?  Você enxerga muita diferença entre o ambiente de trabalho do Brasil e dos EUA?

FS - Me pergunto por que tantos brasileiros querem trabalhar para meios estrangeiros, pois penso que seria muito legal trabalhar para um meio brasileiro no exterior. Eu adoraria voltar para o Brasil. O país é tão rico em histórias, tão cheio de pessoas fascinantes, de dramas de quebrar o coração e também de incríveis sucessos e vitórias.

Não sei se a redação daqui é diferente da redação daí. Nunca trabalhei em uma redação de jornal brasileiro.

Vim para cá para fazer o mestrado e o meu objetivo era de voltar e tentar usar o diploma do mestrado para obter a equivalência e sair buscando trabalho em jornais daí. Um dos meus professores na Boston University me disse que, como estudante estrangeira, tinha direito a um visto de trabalho de 1 ano para trabalhar na área que estava estudando. Achei que deveria aproveitar a oportunidade e ganhar experiência prática, então fui a uma conferência de jornalismo e conheci alguns editores de jornais, até que um me ofereceu um estágio de 3 meses e me efetivou no final. Nesse meio tempo, conheci o meu marido, que era jornalista na época (hoje trabalha em relações públicas). Me apaixonei, casei e nunca mais voltei. Estou casada há 10 anos e tenho uma filha de 1 ano e 4 meses, a Flora, que já fala palavrinhas em português, inglês e espanhol (sua babá é colombiana).

NF - Você cobre qual editoria?

FS - Escrevo para a editoria Metro, que cobre primeiramente Nova York, mas também Nova Jersey e Connecticut.

NF - Você escreve textos extensos em um inglês impecável. Como aprendeu?

FS - Essa é uma pergunta que não sei responder. Aprendi inglês em cursinho no Rio, mas aprendi mesmo depois que mudei para os EUA. Li e leio muito para adquirir fluência. No começo acho que era claro para quem lia as minhas matérias que inglês não era o meu idioma nativo. Ainda não me sinto 100% e acho que nunca me sentirei, mas funciono bem nas duas línguas, e também no espanhol, que sou fluente. Aprender a escrever em outro idioma não é fácil, mas não é tão difícil se você se dedicar e for humilde. Eu nunca me senti ofendida quando um amigo, um editor ou mesmo o meu marido, que é americano, me corrigiam (e corrigem ainda). Pelo contrário: faço questão que as pessoas me digam se eu não falei algo bem.

O inglês é um idioma que adoro, muito gostoso para escrever, mas acho o português ainda mais rico.

NF - Atualmente você está no ar no Brasil por meio do Globo News em Pauta, programa da Globo News. Na sua opinião, é muito diferente escrever para o público do Brasil e dos EUA?

FS - A diferença principal é o idioma e confesso que é uma delícia poder escrever e falar português profissionalmente. Tinha saudades disso.

NF - Como surgiu o convite para colaborar com o Globo News em Pauta? Como concilia a TV com o trabalho no NYT?

FS - É uma loucura para conciliar os dois trabalhos, principalmente quando estou em deadline e ainda mais agora que o programa começa mais cedo por aqui, por conta do início do horário de verão no Brasil. Vai ser ainda pior em novembro, com o fim do horário de verão em NY, mas vamos lá! Vou levando até que dê. Normalmente, eu me maqueio no metrô, onde é também onde leio o material que coletei para me preparar para o programa. A correria é enorme, mas adoro ter essa conexão com o meu país. 

Eu recebi uma ligação de um dos produtores da Globo por aqui, me convidando para uma conversa. Não sei como chegaram a mim, mas sei que sabiam que eu era brasileira e imagino que tenham achado interessante ter uma brasileira que é repórter do NYT como comentarista do Em Pauta.

NF - Com o fim da versão impressa do Jornal do Brasil a questão do desaparecimento do jornalismo de papel preocupa alguns e corrobora teses de outros. Na sua opinião, haverá uma integração mais ampla entre as plataformas impresso e online ou o jornal impresso está em contagem regressiva para seu fim? 

FS - Acho que as publicações impressas acabarão um dia, mas o jornalismo não, portanto o estudante não deve se preocupar e sim tentar cada vez mais aprender a ser jornalista usando as tecnologias disponíveis – programas de edição de blogs, audio e vídeo para Web, etc. O jornalista do futuro será um jornalista multimídia. A ideia de jornalista como o profissional que escreve para jornal é ultrapassada.

NF -  Na sua opinião, o que é preciso para ser jornalista e que características são essenciais para exercer a profissão? Que conselho você deixa para estudantes de jornalismo e recém formados que também desejam fazer carreira internacional?

FS - Prática e humildade. Vou explicar. Ler é bom, principalmente se a leitura é de matérias escritas por outros jornalistas – em revistas literárias, como a Piauí e a New Yorker; em revistas de notícias, como a Veja e a The Economist; em blogs, como o Huffington Post e Politico; e em jornais. Aconselho a ler um pouco de tudo, incluindo publicações cuja linha editorial o leitor não esteja de acordo. Sempre digo que para discordar com eficiência, o jornalista tem que saber como pensa o outro lado do debate, a outra facção. Discordar gritando é coisa de gente desinformada. Leia, por exemplo, os editorias do NYT e do Wall Street Journal para ver como duas das mais respeitadas publicações do mundo abordam o mesmo assunto de maneira totalmente diferente.

Acho o curso de jornalismo no Brasil, no geral, muito teórico. Jornalismo se aprende na prática, portanto trabalhe para o jornal da faculdade, faça estágios, escreva artigos freelancer mesmo que seja para o jornalzinho do seu bairro. Isso vai lhe dando experiência e lhe proporciona também colecionar clippings que você pode mostrar para um editor quando estiver procurando emprego.

Humildade é essencial porque mesmo quando você estiver entrevistando um analfabeto, pobre, desempregado, morador de favela, você não pode se esquecer de que essa é a pessoa que tem uma história para contar. Se você fosse melhor que ela, não estaria ali. Uma das coisas mais sensacionais do jornalismo é que nos mostra que, no fundo, no fundo, somos todos iguais.


Acompanhe o trabalho da Fernanda pelo Twitter (http://twitter.com/fernandaNYT), Facebook (http://www.facebook.com/FernandaNYT) e Globo News em Pauta (http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,JOR402-17665,00.html) - onde ela participa como correspondente três vezes por semana.

Assista à entrevista que Fernanda deu para a Revista Imprensa: Parte 1 (http://www.youtube.com/watch?v=w6R6-eu2nkI) e Parte 2 (http://www.youtube.com/watch?v=-14XGJDOjZk&feature=related)"

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h15

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Na TV inglesa, beleza não põe (?) mesa

Gary O'Donoghue

  O Bruno Garcez nos mandou uma contribuição para a discussão sobre beleza em telejornalismo. Vejam só:

"A primeira vez que o vi na tela, achei que havia algo errado com aquele repórter. De olhos semicerrados, ele sequer olhava para a câmera, mas depois descobri que, fiel à sua política de oportunidades iguais, a BBC estava colocando no ar um repórter que era deficiente visual: Gary O'Donoghue, um correspondente com vasta experiência de rádio, mas que nos últimos anos passou a fazer TV também.

Para o espectador acostumado a ver apresentadores e repórteres com visual de coroinha ou de miss de concurso, a visão de Gary O’Donoghue poderia causar estranheza. Além de cego, ele é um senhor corpulento e de cabelos ligeiramente desalinhados.

Talvez ele seja um exemplo extremo, mas desde que fui residir na Grã-Bretanha e que comecei a assistir a TV local com mais freqüência, e lá se vão nove anos, comecei a me deparar com âncoras e repórteres de rua que se parecem mais com o vizinho do lado do que com a modelo recém-saída da passarela. Isso vale para inúmeros grandes nomes do noticiário.

Outro exemplo interessante é o de um dos programas mais populares da TV britânica, "Top Gear", atração semanal sobre automóveis velozes, da BBC.

Em outros cantos, tal série seria capitaneada ou por uma loura curvilínea ou por um garotão sarado. Na Grã-Bretanha, o comando do programa coube a um senhor grandalhão, de rosto comprido e de meia idade.

Jeremy Clarkson pode não ser nenhum galã, mas tem uma presença extraordinária, é carismático, espirituoso e já figurou em diversas listas de personalidades odiadas, devido a seus comentários irônicos e politicamente incorretos.

Mas a era das beldades parece também estar se firmando na telinha britânica, em especial nos telejornais das emissoras pagas, como a Sky.

Se até pouco tempo beleza não punha mesa na TV britânica, a realidade pode estar mudando... para pior.

Há dois anos, o correspondente deficiente visual mencionado no início deste post, Gary O’Donoghue obteve um "furo"’, segundo o qual o então primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, teria abreviado as suas férias para conter uma epidemia de febre aftosa. Na ocasião, o prestigioso "Ten O’Clock News" teria pedido que O’Donoghue deixasse de apresentar sua reportagem e, no lugar, indicou outra repórter.

Talvez, no que diz respeito ao quesito aparência, a TV britânica esteja começando a apostar mais e mais nos rostinhos bonitos. É uma pena..."

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h57

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Inscrições abertas para programa Talento Jornalismo (PR)

 
 

Inscrições abertas para programa Talento Jornalismo (PR)

  Uma dica da trainee NATÁLIA CANCIAN:

"A Rede Paranaense de Comunicação (que agora se chama grpcom) está com inscrições abertas para o programa Talento Jornalismo, que começa no início de 2011.
 
As inscrições podem ser feitas por esse site, até o dia 1° de novembro.
 
O programa vai de fevereiro a maio de 2011. Os participantes passam por etapas de seleção e podem ser divididos conforme a área de interesse (jornalismo impresso, jornalismo televisivo ou reportagem cinematográfica).
 
Tenho amigos que já fizeram e recomendam. É mais uma boa oportunidade para quem quer aprender."

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h32

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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