Decidi fazer outro post de vagas hoje, porque ontem eu tinha deixado umas para trás... E lembro que a vaga para repórter de cidades do "Agora" ainda está de pé.
Ontem meu pai me perguntou onde estava, na Folha, a informação do horário em que ocorreria o debate presidencial na Globo.
Procurei e, assim como ele, não encontrei em lugar nenhum do caderno Eleições. Só lá na programação da TV, na Ilustrada, é que vinha dizendo que seria às 22h30.
É um detalhe bobo, perto de todo o aprofundamento feito na página 12 do caderno, mas é o primeiro serviço que os leitores procuram.
E pode ser um mal dos jornais impressos, como disse meu pai:
"É o tipo de erro que só ocorre em jornais. Na rádio, a gente tinha a maior preocupação com essas informações que parecem insignificantes, mas não são. Como o jornal pretende lidar com fatos mais abrangentes, o editor e o redator e o repórter se esquecem das minúcias que fazem toda a diferença para o leitor que está querendo se programar para assistir – no caso – o debate."
Faz a gente pensar, né? Fazer jornal dá trabalho e todas as minúcias são importantes
Mas vou colocar os trechos mais legais para os leitores deste blog:
Você é meio jamaicano, nasceu na Inglaterra, foi criado no Canadá e mora em Nova York. Qual é a sua nacionalidade? É engraçado, sou bem brasileiro, todo misturado, não? Mas eu me identifico como canadense, eu cresci lá. Mas é preciso entender que ser canadense é meio como ser brasileiro -você pode ser muitas coisas ao mesmo tempo.
Como essa mistura ajudou na sua carreira? Acho que é vantajoso ser um "outsider" [intruso] nos EUA, você vê coisas de uma perspectiva mais fresca. Acho que é sempre bom para o jornalista ser um pouquinho de fora, mais observador do que participante.
Daria alguma dica para quem está começando agora no jornalismo? Nos dias de hoje, é importante ter uma área de especialidade. Porque o jornalismo, para sobreviver, tem que ser inteligente, oferecer algo que não se acha em qualquer lugar. Se estivesse começando agora, adoraria ter uma especialidade.
Fazia tempo que eu não postava as vagas, então elas foram se acumulando... No Grupo Folha, temos vaga de repórter de Cidades do "Agora", conforme anúncio abaixo:
Nesta semana aconteceu uma dessas coisas que fazem a gente ter certeza de que está na profissão certa.
Publicamos uma matéria, na sexta passada, sobre um conflito permanente entre planos de saúde, médicos e pacientes.
Na matéria, contei a história da Cláudia Tavares, que descobriu ter um tumor maligno na tireoide em abril. Para conseguir fazer todos os exames que detectaram o nódulo e o câncer, ela teve várias amolações do plano de saúde, que duraram três meses. Pelejou ainda mais três semanas para conseguir fazer a cirurgia para tirar o tumor. Perdeu mais um mês para fazer o exame pós-operatório, que confirmaria se a operação foi bem-sucedida ou não.
E, quando a entrevistei, tinha acabado de ouvir de seu plano de saúde, o GreenLine, que só poderia dar início ao tratamento de iodoterapia em março, embora, segundo seu médico, era importante ela começar o quanto antes, para não correr risco de o quadro regredir.
Fiquei muito alegre – e até emocionada – quando, ontem, recebi um telefonema dela dizendo que o GreenLine havia entrado em contato, ao saber de seu caso pela matéria, e já havia agendado o tratamento para esta semana. Ela me agradeceu muito, e eu a agradeci muito mais, por ter renovado minha fé no jornalismo.
É claro que ela é só um caso isolado, e milhares de outros pacientes em dificuldades com seus planos não foram beneficiados pela matéria. O conflito persiste e ainda precisa ser resolvido por seus principais envolvidos, com intermédio do governo. Mas é graças à cobrança da sociedade – aí incluindo os jornais, mas também o Ministério Público, as entidades profissionais, associações de moradores, ONGs, corregedorias, auditorias etc – que as várias distorções do nosso sistema vão, aos poucos sendo corrigidas de forma mais abrangente e definitiva.
A sociedade em que vivemos hoje é muito melhor do que a que existia há 50 ou 100 anos atrás. E poderá ficar ainda melhor, daqui a 100 anos, se persistirmos em nossas cobranças, da melhor forma que estiver ao nosso alcance.
Outras duas matérias que me trouxeram retornos positivos dos principais afetados:
A resposta é de minha amiga, ex-colega de Folha e grande professora no jornalismo Sandra Muraki, hoje dona da assessoria Tree:
Atualmente, a área de assessoria de imprensa implica que o profissional tenha mais habilidades do que as de um jornalista “puro”. As demandas das organizações públicas ou privadas envolvem hoje conhecimentos de marketing/branding, relações públicas e institucionais, redes sociais, comunicação interna e outras áreas do que se chama “comunicação corporativa”.
Assessoria de imprensa faz parte de um plano muito mais amplo, no qual o relacionamento com a imprensa deve estar alinhado com as outras ações de comunicação da organização, seja na publicidade, no relacionamento com parceiros e funcionários e com instituições do poder público e da sociedade civil.
Se esse profissional atuar diretamente nas organizações, como funcionário, certamente terá de planejar a estratégia dessas atividades.
Se atuar em agências de comunicação, terá de apoiar o cliente no planejamento e na execução.
Portanto, além do “skill” próprio do jornalista – ter “faro” para o que é notícia dentro das empresas e elaborar boas pautas, além de conhecer a linha editorial dos veículos e a dinâmica dos fechamentos --, o profissional de assessoria de imprensa deve procurar cursos e experiências que o atualizem nas áreas citadas acima.
Hoje, uma demanda muito forte das companhias tem sido o trabalho de comunicação em redes sociais. É uma especialização que o profissional de assessoria de imprensa deve procurar desenvolver – até para eventualmente indicar que esse trabalho é absolutamente desnecessário e infrutífero para muitas empresas que “acham” que devem atuar na web (nem todas precisam porque seus públicos não estão na rede).
No caso do Wagner, ele já passou por redações, o que eu considero uma experiência importantíssima para o assessor de imprensa, embora haja excelentes assessores que aprenderam o ofício no dia a dia, na “raça”. Acredito que agora ele deva avaliar ter um possível desenvolvimento em algumas dessas áreas da comunicação corporativa. Certamente, será um profissional mais moderno e com perfil mais completo para trabalhar em assessoria de imprensa, seja em agências ou em organizações públicas e privadas.
Algumas frases são tão boas que a gente queria que fossem nossas.
Essa metáfora do título é muito feliz: num texto, o ideal é que os parágrafos sejam como lenços de papel numa caixa. Quando você puxa um, ele traz a pontinha do seguinte.
O autor da imagem é Ricardo Noblat, num de seus livros sobre jornalismo (não me lembro mais qual). Se ele ganhasse R$ 1 a cada vez que eu repito essa máxima, já estaria com o cofrinho bem pesado! =)
No exercício de ontem (veja aqui) há um falso lenço de papel, que é o último parágrafo.
Ele finge estar colado no anterior, mas, quando você contiua lendo, vê que a ligação era artificial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apertou a campainha da BM&F Bovespa na sexta para dar início às negociações das novas ações da Petrobrás. A petrolífera oficializou assim a emissão de 2,2 bilhões de ações ordinárias e 1,7 bilhão de ações preferenciais.
O processo de capitalização garantiu cerca de R$ 120 bilhões para investir na exploração do pré-sal e transformou a BM&F Bovespa na segunda maior Bolsa do mundo em valor de mercado, com R$ 30,4 bilhões.
Essa foi a maior oferta de ações da história. O ministro Guido Mantega (Fazenda), no entanto, disse que, provavelmente, será necessário realizar outra capitalização no futuro para continuar os trabalhos no pré-sal.
Mantega afirmou, ainda, que o governo federal aumentou sua participação na Petrobrás de 40% para 48%.
Vestindo uma jaqueta laranja e com um capacete de segurança, característicos dos funcionários da petrolífera , Lula comemorou a capitalização. "A maior oferta [de ações] do mundo não foi em Frankfurt, Londres ou Nova York, foi no Brasil."
Este último parágrafo cria um sobressalto na leitura: o texto abrira com o Lula e depois passou ao Mantega. Se queremos voltar ao presidente, precisamos deixar isso claro.
O último parágrafo começa com uma fórmula de continuidade, o que faz o leitor pensar que continuamos com Mantega.
Soluções?
Há várias. Todo texto pode assumir diferentes versões aceitáveis.
Uma saída muito, muito simples, que só gasta 1 segundo, seria começar o parágrafo assim:
Lula, vestindo uma jaqueta laranja e com um capacete de segurança, característicos dos funcionários da petrolífera , comemorou a capitalização.
[notem que há um outro problema aqui, que é o gerúndio. Gerúndio indica que há algo em curso, e o leitor pode achar que ele comemorou enquanto vestia a jaqueta]
Outra saída seria esgotar a participação do Lula antes de passar pro Mantega:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apertou a campainha da BM&F Bovespa na sexta para dar início às negociações das novas ações da Petrobrás. A petrolífera oficializou assim a emissão de 2,2 bilhões de ações ordinárias e 1,7 bilhão de ações preferenciais.
O processo de capitalização garantiu cerca de R$ 120 bilhões para investir na exploração do pré-sal e transformou a BM&F Bovespa na segunda maior Bolsa do mundo em valor de mercado, com R$ 30,4 bilhões.
Essa foi a maior oferta de ações da história. Lula, vestido com uma jaqueta laranja e com um capacete de segurança, característicos dos funcionários da petrolífera, comemorou: "A maior oferta [de ações] do mundo não foi em Frankfurt, Londres ou Nova York, foi no Brasil."
O ministro Guido Mantega (Fazenda), no entanto, disse que, provavelmente, será necessário realizar outra capitalização no futuro para continuar os trabalhos no pré-sal. Mantega afirmou, ainda, que o governo federal aumentou sua participação na Petrobrás de 40% para 48%.
Só para lembrar como funciona este blog, já que faz tempo que eu não propunha um exercício:
não há "certos" e "errados". O objetivo do blog é refletir sobre jornalismo e suas diversas opções
as minhas soluções não são as melhores. São só opções
o blog não é um espaço de seleção, mas de aprendizado. Ninguém está avaliando os leitores ou seus comentários
para aprender é preciso arriscar e não ter medo de errar
Tenho 23 anos e me formei em 2008. Comecei fazendo estágios em assessorias de imprensa. Depois segui para internet e veículos impressos, já como profissional. No momento trabalho em jornal de circulação diária. Gostaria da sua opinião sobre o seguinte assunto: como me planejar para atuar em assessoria, no futuro?
Amanhã eu trago a resposta de uma grande amiga que é excelente profissional dessa área.
Há pequenos detalhes que costumam deixar um texto mais fluente, sem tropeços.
Neste exemplo abaixo, há uma passagem de parágrafos que está abrupta. Na opinião de vocês, qual é? Por quê? E como resolver?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apertou a campainha da BM&F Bovespa na sexta para dar início às negociações das novas ações da Petrobrás. A petrolífera oficializou assim a emissão de 2,2 bilhões de ações ordinárias e 1,7 bilhão de ações preferenciais.
O processo de capitalização garantiu cerca de R$ 120 bilhões para investir na exploração do pré-sal e transformou a BM&F Bovespa na segunda maior Bolsa do mundo em valor de mercado, com R$ 30,4 bilhões.
Essa foi a maior oferta de ações da história. O ministro Guido Mantega (Fazenda), no entanto, disse que, provavelmente, será necessário realizar outra capitalização no futuro para continuar os trabalhos no pré-sal.
Mantega afirmou, ainda, que o governo federal aumentou sua participação na Petrobrás de 40% para 48%.
Vestindo uma jaqueta laranja e com um capacete de segurança, característicos dos funcionários da petrolífera , Lula comemorou a capitalização. "A maior oferta [de ações] do mundo não foi em Frankfurt, Londres ou Nova York, foi no Brasil."
A Faculdade Cásper Líbero e a Revista Cult fazem nos dias 5 e 6 de novembro curso sobre técnicas de redação:
"Welington Andrade, doutor em literatura brasileira, e Marcos Flamínio Peres, colunista e repórter especial da Folha, debaterão com os alunos as habilidades analítica e discursiva necessárias ao ato de escrever, fundamentos linguísticos, eficácia da comunicação e a criatividade do profissional que informa, interpreta e opina."
São 45 vagas, e o custo é de R$ 360.
CLIQUE AQUI para mais informações sobre a programação, horários e palestrantes.
De 8 a 12 de novembro, o Icone (Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais) dá curso para jornalistas sobre mudança do clima - impactos e oportunidades para o Brasil.
Gratuitas, as aulas serão ministradas no Centro de Excelência da Faap, na r. São Vicente de Paulo, 463 (Santa Cecília).
Dentre os temas debatidos estarão o código florestal, o mercado de carbono e as legislações climáticas.
A obra é de Geoff McGhee, jornalista especializado em multimídia e infografia. Ele produziu o material durante um encontro do Knight Journalism na Universidade de Stanford.
Para Mcghee, os recursos gráficos são uma maneira adotada pelos jornalistas de lidar com o grande aumento no fluxo de informação.
"Algumas redações já estão desenvolvendo os funcionários e os próprios sistemas, se preparando para um futuro no qual a informação será o meio", diz. "Mas como nós nos comunicaremos com ela, de que forma as narrativas tradicionais poderão se transformar em exibições sofisticadas e interativas?" pergunta.
A reportagem completa dura em média uma hora, mas é dividida em capítulos que podem ser vistos separadamente. Cada capítulo possui podcast, links para sites, ferramentas e blogs relacionados com o assunto.
Todas importantíssimas, mas minhas favoritas são as seguintes:
Racionalize
Não julgue
Não prejulgue
CLIQUE AQUI para ler todas, com as reflexões do professor
Esta semana os trainees estão tendo aulas de direito e fazendo exercícios a partir do que aprenderam nas aulas. Vamos ver se algum deles topa comentar aqui no blog...
Pessoal, boa tarde! Depois de ler todas as manifestações com o post da Ana, resolvi acatar a sugestão do Mateus e fazer uma apresentação, para que conheçam um pouco mais deste novo colaborador do blog.
Bom, para fugir das apresentações tradicionais e chatíssimas, vou aproveitar a oportunidade para dividir com vocês a minha experiência e aprendizado desde que mudei de Curitiba para São Paulo. À época (meados de 2009), trabalhava em uma editora de publicações bem segmentadas, como ‘gestor de novos produtos’. Elaborava kit’s, livros, coleções, dvd`s, treinamentos e cursos. E colaborava com as publicações da casa, sobre vendas, educação e mercado de capitais.
Aprendi muito por lá, mas já fazia algum tempo que queria vir para São Paulo, buscar novos desafios em um grande jornal, redirecionar a carreira. Já tinha uma boa noção em relação ao custo de vida, por isso me agarrei em uma vaga que encontrei na internet, para aguentar as contas no começo.
Era uma agência de notícias localizada nas Palmas do Tremembé (Zona Norte). Só no primeiro dia descobri que era uma agência católica. Trabalhei com eles por meses, cobrindo missas, eventos, escrevendo um manual de estilo próprio e fazendo algumas traduções.
Outros frilas foram aparecendo, passei a colaborar com a Oboré, voluntariamente, e por lá, várias portas se abriram. Quando coordenava, ainda pela Oboré, uma equipe de estudantes na cobertura do 5º Congresso da Abraji é que fiquei sabendo de uma oportunidade na Folha, para um frila temporário de 50 dias. Fiz minha inscrição, e deu tudo certo. Tenho certeza que a minha experiência anterior com educação ajudou bastante, já que o trabalho era um suplemento na área, o Guia das Profissões.
Fizemos o guia em quatro pessoas, com a coordenação da FABIANA REWALD, editora do caderno Fovest. Quando fechamos o material, passamos a colaborar com a editoria de Cotidiano, até que o nosso prazo na Folha terminasse. Mas enquanto isso, tentávamos alguns dos concursos internos, para prolongar nossa estada e quem sabe aprender ainda mais sobre a rotina do jornal naquela ou em outra editoria. E assim consegui passar por mais um processo, aqui, para o Treinamento.
É isso gente, para ser breve e prático. Qualquer dúvida, me perguntem que vamos conversando pelos comentários. Passados esses primeiros dias, vou correr para ir pegando o ritmo da Ana e da Cris, e não decepcioná-los!
Prévia: Estou conversando com várias pessoas aqui no jornal sobre a notícia do Tuma, na Folha.com. Vou preparar um post para dividir a questão e algumas reflexões com vocês. Até!
Vejam que ótima essa ferramenta criada pelo "Zero Hora". O discursômetro forma uma nuvem de tags com todos os discursos dos três principais candidatos à presidência.
É possível ver, por exemplo, que as palavras mais citadas pela Dilma são Brasil, Presidente e Governo.
As três favoritas do Serra são Brasil, Governo e Coisa.
E da Marina, Pessoas, Educação e Fazer.
É um jeito inteligente de usar o recurso das nuvens de tags e ver como pensam os candidatos.
A conversa sobre o quanto a beleza conta nas seleções de telejornalistas (aqui) me lembrou um filme muito bacana chamado "Broadcast News". Se ainda não viu, alugue. Vale a pena.
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