Lembro que ainda estão em andamento dois concursos para trabalhar na Folha: como redator da Ilustrada (inscrições até amanhã) e como repórter da Folha Ribeirão (inscrições até domingo).
Já aviso que fiz uma barbeiragem na hora de filmar. A câmera fixa tinha um enquadramento que ficou pequeno na edição (ou seja, cortou a orelha dos meninos).
Como diz meu professor de matemática financeira, é um típico caso de RTFM (gíria muito usada em fóruns de informática, que significa "read de fucking manual", ou seja, "leia a droga do manual" antes de começar a usar os equipamentos).
Mas acho que deu pra salvar. Avaliem:
Metade da turma já foi apresentada.
Na semana que vem tento terminar os três vídeos que faltam!!
Guilherme Brendler, 24 anos, gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS Durante a minha janta de formatura, no verão de 2009, minha mãe pediu a palavra: "Ele tinha uns cinco anos e andava pra cá e pra lá com o socador de feijão. Fingia ser um microfone". Claro que fiquei vermelho, mas foi bom ouvir essa história porque me lembrei de que nunca pensei em outra coisa a fazer da vida, senão jornalismo. Recordei quando meu pai comprou um gravador de fita cassete e passei a registrar meus programas de rádio, de quando passei a escrever pro jornal do colégio e, mais tarde, me interessei por discussões pelo ICQ. Passados dez dias do mico da formatura, embarquei para Londres de onde eu só voltaria depois de trabalhar como cozinheiro em restaurante chinês, aprender a dizer "por favor" e "obrigado", caguetar traficantes sul-africanos para a polícia e conhecer outros seis países europeus. Além dessas coisas sensacionais que vivi fora do Brasil, Londres me credenciou a viver em qualquer outra cidade grande. Já não tenho mais medo de arranha-céu, tampouco deixo de sair na rua por medo da multidão. Porto Alegre é demais, mas São Paulo também é.
Luciana Dyniewicz, 25 anos, paranaense, é formada em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina e estuda economia:Como indica o sobrenome, nasci em uma cidade de colonização eslava -- Ponta Grossa, no Paraná. Aos 16 anos, me mudei para Curitiba. Depois morei em Florianópolis, em Londres e em Valência. Comecei a estudar economia, na UFSC, assim que terminei a faculdade de jornalismo, e gostaria de trabalhar na área, mas também me interesso por assuntos relacionados às editorias de cidades, mundo e cultura. [Adendo da Ana: ela viajou ao Japão e à Coreia, fala um pouco de catalão, faz origami, adora piqueniques, gosta de montar quebracabeças, faz balé, sapateado e dança flamenco).
Um amigo, muito desmotivado com jornalismo, me escreveu o seguinte: "Quando faço uma baita reportagem, ninguém elogia; se esqueço ou erro um "a", cai o mundo".
É normal a gente querer elogios, porque eles servem de incentivo para que a gente continue bem. Mas eles são raros em qualquer profissão, não só no jornalismo.
Quando fui responder isso para ele, me ocorreu que a gente tem que lidar com o jornalismo -- ou com qualquer outra profissão --, como eu lidava com a natação, quando era atleta:
O nadador compete, sobretudo, consigo mesmo.
Existem uns cinco que são os melhores, que sempre ganham medalhas e competem para ganhar, ou ouro, ou prata, ou bronze.
Mas eu era apenas uma nadadora razoável, determinada a melhorar cada vez mais, mas sem chances de levar medalhas.
Por isso, eu -- e uma imensa maioria de atletas -- competia para melhorar meu próprio tempo.
Entrava na piscina determinada a diminuir em um segundo os meus 50 metros.
Se conseguia -- como era comum, depois de muito treino --, eu ficava satisfeitíssima: viu só, pai?, viu, mãe? Fiz um segundo a menos! Estou melhor!
Eu tinha uma meta.
Eu trabalhava por ela, sem olhar para os outros competidores.
Eu fazia o melhor de mim, apenas para ter a satisfação de, no final, ter conseguido melhorar um pouquinho.
O técnico não ia lá me dar os parabéns por ter diminuído meu tempo, ele ia abraçar os medalhistas.
Mas não precisava. Porque eu sabia que tinha feito o melhor de mim e que estava melhor que da última vez.
É muito fácil levar a filosofia do nadador para seu trabalho, seja ele qual for, se você gosta do que faz. Porque alcançar sua meta pessoal é a melhor recompensa.
Se você não gosta, fica dependendo toda hora de empurrõezinhos externos. E se frustra quando eles nunca vêem.
Se age como um nadador, aumenta as chances de, algum dia, estar entre os medalhistas, simplesmente por ter feito bem o seu trabalho.
(Sei que é um post bem autoajuda, mas acho que foi útil ao meu amigo, então resolvi colocar aqui também )
Trabalhar em casa pode ser ótimo, se você sabe ser disciplinado, organizado e sabe cumprir os deadlines como se estivesse na Redação. Caso contrário, fica como o barrigudinho aí em cima
Marília Rocha, 24 anos, campineira, formada em jornalismo pela Puc-Campinas e ciências sociais pela Unicamp - Não sei bem em que momento passei a me imaginar como jornalista. Lembro de fazer meu irmão de cinegrafista em matérias caseiras "gravadas" em uma câmera de garrafa PET (bem antes de a reciclagem se tornar moda), quando eu tinha 12 anos. Mas não sei se foi aí. Lembro do dia da formatura e da sensação de "e agora, o que faço com esse papel?", e também não sei se foi aí. O que sei é que durante esse quase um quarto de século tive vontade de registrar todo acontecimento relevante, da minha vida e da vida daqueles que estão ao redor. O que lembro é que nos incríveis cinco anos e meio de estudo das ciências sociais, nos desafiadores releases de construtoras e produtoras de cerveja, ou nos inumeráveis bons momentos de um mochilão pela América Latina o desejo de compreender, resgatar e difundir sempre esteve presente. E que nos primeiros passos do jornalismo diário uma certeza e uma paixão passaram a ser constantes, em dias que também se construíram com yoga, tecido acrobático e muita música, sempre. [Adendo da Ana: sabe Libras (linguagem dos surdos e mudos) e está lendo Dom Quixote]
Fábio Neves de Freitas, 25 anos, paulista, formado em comunicaçãosocial/jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - Quando meu pai me obrigou a entrar nas aulas de teclado, aos 11 anos, talvez ele não imaginasse aquilo como meu primeiro passo no jornalismo. Munidos do instrumento musical e de um gravador, um amigo e eu narrávamos notícias e piadas, sob a trilha sonora das músicas que aprendíamos. Não à toa, foi em rádio e em TV que tive minhas primeiras lições práticas para virar jornalista. Nascido em Tremembé, no interior de São Paulo, sou o primeiro de dois filhos do segundo casamento de meu pai e tenho cinco meio-irmãos que também são “meio-tios”. Adoro viajar e “reescrever” minha vida, por isso me mudei para Belo Horizonte, onde eu nunca tinha cogitado morar, para estudar jornalismo. Joguei vôlei, fiz caratê e capoeira e agora me aventuro pelo kung fu. Já lavei pratos na Austrália e vendi burritos e tacos num restaurante fast-food na Carolina do Norte, nos EUA, e continuo em busca de experiências que abram meus horizontes.
Vai ser a conta-gotas, mas vou começar a publicar as apresentações dos trainees.
No primeiro vídeo da série, ADRIANO FERNANDES e MARIA PAULA AUTRAN.
Maria Paula Autran, carioca, 23 anos. Formada em jornalismo pela PUC-Rio -Quando tinha uns seis anos, ganhei dos meus pais um gravador vermelho da Sony que tinha um microfone. Então, acho que a culpa foi deles! Lembro que registrava tudo e queria fazer entrevistas com todos. Às vezes, as pessoas pediam para apagar. Depois, veio a fantástica Super 8 e continuei registrando tudo que podia. Sempre gostei de ler e, no colégio, a melhor hora era a das redações e das aulas de português. Na pré-escola, gostava dos livros de história, e depois, me encantei pelos de “informação”.
Não consigo ficar parada por muito tempo, amo viajar e conhecer gente e lugares novos. Fiz mochilão pela Europa em 2006 e, três anos antes, conheci um pouquinho da Turquia. Tenho um blog de comportamento do qual participam mais algumas amigas. Por último, sou carioca, mas não gosto de praia. Torço pelo Flamengo, mas raramente vou ao Maracanã. E meu artista preferido é um baiano. Minha mãe é mineira, meu pai é carioca e minha avó veio lá do Oriente Médio. [Adendo da Ana: pra quem quiser ver o blog dela -->> http://riolondres.wordpress.com/]
Adriano Fernandes, 21, paraense de Belém, cursa jornalismo na UFPA, 4° semestre.Nasci em Belém do Pará, filho de mãe professora e pai engenheiro. Fiz o curso de história, mas desisti da carreira acadêmica em 2008. Quis ser jornalista porque sempre escrevi, e já ganhei prêmios por causa disso. Meu primeiro dinheiro veio de um texto que eu fiz aos 17 anos. Com a mesma idade publiquei um livro com cinco contos, dos quais eu lembro com um pouco de vergonha (a gente devia ser proibido de publicar as primeiras coisas que escreve). No final de agosto, a UFPA publicará uma coletânea com dois textos meus: um conto um tanto experimental e uma crônica sobre a segunda divisão do futebol boliviano. No jornalismo, me interesso pelas editorias de Esporte e Cotidiano.
"Da lista citada [as habilidades que um jornalista deve ter hoje, segundo Mindy McAdamns, neste post] consigo executar tudo.
Já cobri eventos no exterior que renderam bons frutos, trabalhei para as Nações Unidas em Nova York, tenho um blog ao lado de amigos que cresce a cada dia, produzo e edito podcasts, participo de dezenas de redes sociais e aprendi muito sobre programas de computação na prática, fuçando até conseguir, pois sou uma pessoa que se quero aprender, aprendo na marra.
Hoje me pergunto se tudo isso valeu a pena.
Há 3 anos estou desempregado e vivendo de bicos. Vira e mexe, quero largar o jornalismo, pois não consigo emprego.
Sei que meu curriculo é bom e isso às vezes atrapalha. Esses guias de bom jornalismo não existem. Um jornalista de verdade aprende na prática.
Na lista acima faltou citar o QI, esse sim, a mais poderosa arma para trabalhar como jornalista. Nossa área é cheia de panelas e estou migrando para a área acadêmica, longe do jornalismo. É um desabafo e ao mesmo tempo um exemplo de que saber as habilidades citadas acima as vezes não vale nada."
Eu respondi para ele que:
sem conhecer seu currículo, é difícil pensar sobre o que pode estar dando errado
com todas essas habilidades e experiências, ele não deveria estar há três anos sem conseguir emprego
é verdade que o QI é um elemento nessas horas, e nem sempre pelos motivos errados (eu falo um pouco mais sobre isso neste post sobre como começar a trabalhar).
nas outras áreas, inclusive a acadêmica, também há panelas
ele está certo quando escreve que só um monte de cursos pode não adiantar nada. A seleção para uma vaga é um processo complexo, onde entram muitas variáveis --o veículo, a vaga, a área, as preferências do editor, o carisma do candidato etc.
é preciso lembrar: não ser selecionado não é um veredito sobre nosso potencial. É apenas o resultado daquela seleção
Depois ele me mandou o currículo, e eu sugeri algumas mudanças que poderiam talvez ajudar. Vou colocar aqui no blog outro dia. Por enquanto, queria saber o que vocês pensam sobre tudo isso.
Meus trainees FÁBIO FREITAS e NATÁLIA CANCIAN foram acompanhar a visita do presidente Lula a São Paulo e encontraram por lá o correspondente da BBC, Paulo Cabral.
Aproveitaram para perguntar como ele se preparou para fazer jornalismo em inglês e como é cobrir um assunto para três plataformas --rádio, TV e internet-- simultaneamente.
As dicas estão no vídeo. Um resumo:
>> para trabalhar em inglês:
no caso dele, que não teve criação bilíngue, o segredo foi estudar muito, ler muito e gostar muito de aprender idiomas
>> para contar histórias em várias plataformas:
no rádio, agilidade é o principal. A regra dele é "três ideias por minuto"
na TV, é tudo muito sucinto. Precisa estar correto, ainda que não esteja completpara internet, é preciso um texto mais detalhado. Não funciona adaptar o que foi feito pra TV
A Marina Saleiros, que também é brasileira e escreve em inglês, conta:
"Hoje eu trabalho para uma agência americana escrevendo tudo em inglês.
Posso dizer que temos que reaprender jornalismo. Mesmo com mais de 8 anos de estudo de inglês estou tendo de batalhar, pois não estudamos o estilo e técnicas de escrita jornalística nos cursos daqui, então é um aprendizado diário mesmo, mas não impossível, basta ter dedicação.
No meu caso tem muito a ver com estudo e foco na área em que trabalho.
Estudei inglês durante 8 anos numa escola com muito foco em gramática, o que ninguém queria. Tirei dois certificados de Cambridge, o FCE (que é mais básico e fiz com 15 anos) e o IELTS (fiz ano passado), pois eles ajudam também a ter foco no estudo.
Sempre assisti CNN e BBC, nunca uso legendas em casa quando vejo filmes.
Gosto de fazer amizades com estrangeiros e desde pequena tive 'penfriends' de fora, o segredo é buscar coisas que sejam prazerosas para usar o segundo idioma.
Qdo trabalhei em jornal, como meu inglês era um pouco melhor que a média, sempre me davam as traduções do New York Times e entrevistas com gringos que ninguém queria fazer, o que ajuda a treinar muito!
Agora, conto com a ajuda de meus editores nos EUA, que mandam todos meus textos com as marcações de edição, assim começo a pegar o estilo deles. Mas não é nada fácil, pois apesar de saber escrever inglês, para jornalismo é bem diferente."
Natália e Fábio também fazem uma lista de coisas que descobriram durante o exercício:
- Saiba com antecedência a programação do evento. Isso facilita o planejamento da cobertura.
- Atenção ao credenciamento. Na dúvida, sempre leve documento com foto e alguns retratos 3x4 (vários jornalistas tiveram que fazer cópias às pressas de seus documentos no encontro – o que também é uma dica, quando o recurso está disponível)
- Se você nunca viu ou não conhece determinada pessoa importante que estará no evento, pesquise seu rosto e seu histórico antes de sair da Redação.
- Gravador: antes de ir para a pauta, cheque se está funcionando. Leve pilhas extras.
- Leve dinheiro, pois o evento pode demorar e você nunca sabe se precisará comer perto do local ou pegar um táxi para voltar .
- Para enganar o estômago, vale a pena ter uma barra de cereal ou outro lanche à mão.
- Leve mochila ou bolsa – mas não muito grandes. Fica mais fácil para carregar os equipamentos e documentos, e você corre menos riscos de perder algo.
- Fique atento para garantir umbom lugar durante as entrevistas com autoridades. Isso facilita na hora de fazer perguntas, ouvir respostas e gravar o material (se não conseguir pegar a entrevista, procure os colegas jornalistas que gravaram a fala e peça para ouvir).
- Ligue periodicamente para a Redação para dar retornos sobre a pauta e passar o material já obtido. Isso é importante para definir qual será o enfoque no impresso e pode render notícias para a internet.
- Se possível, comece a preparar seu texto no próprio local.
- Procure se relacionar bem com os outros jornalistas, mesmo os concorrentes. É comum ter que aguardar longos momentos na companhia deles.
Outro dia um leitor perguntou nos comentários se há trainees que fizeram escola pública (escola, mesmo, não faculdade).
Há, claro.
Alguns exemplos:
JAIRO MARQUES, hoje coordenador-assistente da Agência Folha e autor do blog Assim como Você: "Pobre de marré-marré, quase todo minha vida escolar foi em colégios do Estado de Mato Grosso do Sul. Só fui para a rede particular depois que ganhei uma bolsa de estudos, já no ensino médio!"
CRISTINA CASTRO, hoje repórter de Cotidiano e minha parceira aqui no blog: "Eu estudei até a sétima série do ensino fundamental (13 anos) na Escola Estadual Barão do Rio Branco, da qual muito me orgulho. Aos 14, fui para o Colégio Santo Antônio, também muito bom. No Barão, tive minha melhor professora de português da vida, a Beth Gressi (até agradeço a ela no livro), que deu aulas para mim da 5ª à 7ª série, e me incentivava a escrever textos, poemas e produzir teatros e jornaizinhos na escola. A liberdade que eu tinha no Barão para inventar coisas e levar meus projetos adiante contribuiu imensamente para minha formação como pessoa, embora as deficiências do ensino público tb existissem (greves que impediam de concluir as aulas a tempo, o fato de eu nunca ter conseguido fazer aula de geometria, só de álgebra, a aula de inglês muito precária etc). Não sei dizer se eu passaria de primeira na UFMG se só tivesse estudado no Barão e não tivesse tido o ensino de primeira qualidade do Santo Antônio, com seus milhares de professores, laboratórios e geniozinhos. Mas, independente do vestibular, posso dizer que 70% da minha formação foi adquirida no Barão."
GUSTAVO HENNEMANN, hoje correspondente em Buenos Aires, fez o ensino básico e fundamental em escola pública.
JOÃO PAULO GONDIM, hoje repórter da Agência Folha, estudou sete anos no colégio militar de Salvador
PATRICIA GOMES, hoje repórter de Fovest e redatora dos cadernos regionais: "Eu estudei em escola pública da 5ª série ao 3º ano do ensino médio. E depois fiz universidade pública também.
Acho que o fato de eu ter escolhido fazer jornalismo tem tudo a ver com a escola que eu fiz.
Por ser uma escola pública boa, tive a oportunidade de ter colegas que moravam na área mais nobre da cidade e de colegas vindos de bairros muito pobres, favelas mesmo. Cada trabalho na casa de um amigo era uma experiência antropólogica, tanto pelas rajadas de tiro do lado de fora quanto pela empregada vestidinha de roupa rendada servindo lanche.
Fora isso, todas as passeatas e greves de que participei na vida aguçaram em mim um instinto questionador, que tudo tem a ver com a nossa profissão, né?"
FILIPE MOTTA, hoje repórter da Agência: "Fiz os três anos da alfabetização e da primeira à terceira séries do ensino fundamental na escola pública que existe em frente à minha casa, no distrito de Brumal, em Santa Bárbara (MG).
Diretamente, não interferiu de forma negativa no meu aprendizado porque a escola era muito boa. E acho que foi importante eu ter convivido com crianças que não eram da classe média --o que aconteceu no restante da minha formação. Atualmente me choca pensar na diferença do caminho que tomei desde então e o da maioria dos meus colegas daquela época. Enquanto provocadora de questionamento social, acho essa fase muito importante para mim enquanto pessoa e jornalista, além daquilo que aprendi naquela escola".
FLAVIA MARCONDES, hoje repórter da coluna Mercado Aberto:"Eu estudei da qunta série ao terceiro ano do antigo segundo grau em escola pública, no caso, o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Ter estudado lá ajudou (e muito) a minha formação. Antes eu estudava em colégio católico e não tinha muita noção do "mundo como ele é". No Pedro II aprendi a conviver com pessoas diferentes (seja pela classe social, pelas preferências religiosas ou pela história de vida) e a olhar o mundo com mais compreensão.
Foi no colégio que conheci o que é um grêmio estudantil, aprendi sobre política e sobre história do país vivendo um pouco dela, seja por conhecer a história do colégio ou por ver, ao longo dos anos, a carga horária sendo diminuída, as aulas de artes sendo cortadas, enfim... o sucateamento do ensino público chegando até mim. Apesar de tudo, meu colégio ainda tinha um ensino muito forte e professores esforçados. Além das disciplinas tradicionais, aprendi música, artes, latim, francês, espanhol. A escola não possuía um curso preparatório para o vestibular, então quem podia pagar complementava essa parte fora, mas conheço gente que só estudou lá e passou até para medicina. Ou seja, dependia mais do aluno.
Também aprendi a jogar cartas no intervalo, vi meninas grávidas ou já com filhos aos 11, 12 anos e outras que não conseguiram nem terminar a quinta série. Vi também alunos pedindo que a merenda da manhã fosse um almoço porque não tinham comida em casa e que ficavam até o intervalo da tarde para que pudessem comer de novo. Também vi o colégio inteiro reúnido no pátio para sair em passeata contra medidas do governo em relação ao ensino e à situação dos professores. Vi um excelente professor de física, que mesmo aposentado, deu um ano de aulas de graça para minha turma do terceiro ano porque não tinhamos professor para substituí-lo.
Enfim, eu poderia dar muitos exemplos do que aprendi enquanto estive lá, mas acho que já deu para ter uma ideia. Tudo isso faz parte da pessoa que sou hoje e, se cheguei até aqui, uma enorme parte devo ao aprendizado da escola pública."
FELIPE LUCHETE, hoje repórter e redator de Fovest e cadernos regionais: "Acho que isso me atrapalhou pela carência de alguns conteúdos na sala de aula, como em história, geografia e questões sociais e políticas. Tive de correr atrás para aprender, no cursinho pré-vestibular e na leitura de jornais e livros."
ANDRESSA TAFFAREL, hoje redatora de Cotidiano: "Ana, eu sempre estudei em escola pública. Acho que em alguns pontos atrapalha, porque eu tenho pouco conhecimento em algumas áreas, como cultura. Na minha escola só tinha livros clássicos de literatura, por exemplo. Ouço meus colegas dizendo que leram tal livro quando estavam no colégio, que eu nunca tinha ouvido falar antes de entrar na faculdade. De artes plásticas não conheço quase nada também, porque minha aula de artes era ficar desenhando qualquer coisa, nada aprofundado.
Mas eu fiz escola pública numa cidade do interior, e imagino que seja bem diferente de quem estuda num colégio público de SP ou de outra capital. E também depende do colégio público. Tenho colegas de faculdade que fizeram escola militar ou de aplicação (mantida pelas universidades) e dizem que era tão bom quanto uma escola particular.
Em outras áreas, como no Coti, onde trabalho, acho que o que mais pesa é o fato de eu ser de uma cidade do interior mesmo."
DESIREÊ ANTôNIO, hoje de volta a Minas Gerais para terminar a faculdade: "Estudei em escola pública até a 8ª série. Foi bom também porque tinha gente de todo o tipo lá! : ) "
ANNA CAROLINA MOTA CARDOSO, hoje assistente da ombudman Suzana Singer, que conta esta história:
Eu estudei em escola pública até a sétima série e enfrentei os problemas básicos da rede estadual do RJ: falta de professores e de material. Por isso, acabei indo embora na oitava série.
Mas eu tive ótimos professores de humanas e português, o que acabou me aproximando muito dessas áreas, queridas dos jornalistas. E como eu era uma nerd que amava estudar, acabava me envolvendo em tudo o que podia fazer para ajudar a melhorar a escola, como os mutirões para arrumar a biblioteca.
Quando fui para uma escola particular, essa paixão pela escola sumiu. Eu gostava de estudar (não tudo), mas não da escola. Era mais uma relação de consumo. Eu reclamava porque pagava e não porque achava que era direito de todo mundo ter uma escola de qualidade (eu era muito "jovem cidadã", rs).
Nesse sentido, me arrependo um pouco de não ter continuado em uma escola pública. Seria bem mais difícil ter um laboratório de informática, por exemplo, mas eu teria passado mais tempo num ambiente em que as trocas foram mais ricas. Na pública, era muito mais comum, por exemplo, os professores discutirem notícias dos jornais. Eles eram muito preocupados em instigar os alunos, em mostrar dificuldades e possibilidades. E como havia limitações, os pais participavam mais das atividades, tudo era discutido.
Eu acho que foi uma experiência de que eu não abriria mão. Quando se fala em educação pública, eu sei do que estão falando. Nesse sentido, é útil porque conheço de perto uma realidade.
Mas não acho que esteja em vantagem ou desvantagem em relação a alguém que tenha estudado só em escola particular. São experiências diferentes. Eu não faço ideia de como pode ser estudar em um colégio muito caro, muito tradicional, que faz a maior pressão para os alunos tirarem notas altas. Ou como é uma escola com uma filosofia "alternativa" de ensino. Ou mesmo como seja uma escola pública no Rio, que certamente é bem diferente de uma escola pública em Arrozal. Cada uma dessas experiências tem seu valor, certamente.
Tudo bem, como dizia a música da Escolinha do Professor Raimundo, "é na escola que tudo começa, lá se aprende a viver". Mas a vida escolar é só uma das experiências que se revelam importantes quando menos se espera, no meio de uma pauta.
A partir de 1º de setembro, estudantes de graduação poderão se inscrever no 9º Curso de Informação sobre Jornalismo em Situações de Conflito Armado e Outras Situações de Violência, em São Paulo. O curso é oferecido pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e pelo Projeto Repórter do Futuro, da Oboré, em parceria com a Abraji. Ao todo, são 25 vagas para a atividade que acontecerá nos dias 16 e 23 de outubro.
O curso abordará aspectos do Direito Internacional Humanitário e Direito Internacional dos Conflitos Armados, úteis para o trabalho da imprensa. Além disso, também haverá a apresentação do perfil da ação humanitária do CICV em quase 80 países e discussão de questões éticas, técnicas e jurídicas ligadas ao trabalho do jornalista em missão profissional perigosa.
Não me esqueci de fazer um post sobre como deve agir um estagiário (era uma pergunta de leitor, neste link aqui). Só não tive tempo, mesmo. Mas ele virá.
As indicações são de uma jornalista que foi checadora na "New Yorker" e escreveu um artigo bem bacana no NYT (na íntegra, em inglês, aqui).
>> 1 . VERACIOUS “False barbs,” “whoppers” and other kinds of lies — many from the right — get vivaciously debunked at FactCheck.org, a smart initiative of the Annenberg Public Policy Center.
>> 2. VOLUMINOUS The first three volumes of “Cosmopolitics,” a philosophy of science text by Isabelle Stengers, are available in English. How do units of scientific discourse — facts — get shaped and charged with authority? “Dense and rich,” says Steven Shaviro, of the excellent philosophy blog The Pinocchio Theory.
>> 3. VOLUBLE AmericanRhetoric.com, a giant archive of speeches, is immersive in the extreme. Special roundups include the mesmerizing “Rhetoric of 9-11” and “Rhetorical Figures in Sound,” where you can hear athletes, politicians and others use alliteration and synecdoche.
O dia lá fora está lindo, temos notícia no jornal, e resolvi publicar esta foto só porque ela é muito linda.
Agora podem desligar o computador e ir aproveitar o sol enquanto podem. Mas não se esqueçam de voltar amanhã.
(*) Campo explode de flores silvestres em Namaqualand, Cabo do Norte, África do Sul. A região é semideserta, mas agora vai chegando a primavera e as chuvas fazem a "pintura" aparecer.
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