Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Como se preparar para cobrir adolescentes

 

  Este é o último vídeo da série, que fizemos a pedido da leitora Bruna, de Minas.

MARCO AURÉLIO CANÔNICO hoje é editor de Fotografia, mas, até o mês passado, editava o Folhateen. E dá várias dicas para fazer esse tipo de jornalismo voltado para o público jovem.

Os outros vídeos da série:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h31

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Reportagem multimídia e o crack

  Bela reportagem multimídia feita pelos fotógrafos da Reuters Paulo Whitaker e Fernando Donasci, que, usando de abrigo um hotel e uma casa em processo de demolição, registraram imagens em foto e vídeo da Cracolândia paulistana (se é que existe alguma outra desse jeito em outra cidade).

As imagens são impressionantes e a reportagem, feita ao longo de dois meses, gerou um minidocumentário de 5'47.


Eu havia pedido ao Donasci que contasse um pouco como foi fazer este trabalho. Abaixo, o relato:

Sempre quis fazer uma matéria mais profunda sobre o crack, porque realmente não conseguia ver a solução para o problema.  A segurança pública fala que é um problema de saúde, e a saúde fala que é um problema de segurança. 


Fiquei uma semana indo todos os dias na região da cracolândia, no centro de São Paulo, para mapear onde eu o Paulo Whitaker poderíamos ficar trabalhando com o máximo de segurança possível. Queria poder fazer o trabalho sem ser notado por ninguém, pois caso o contrário nossa vida ficaria ameaçada. Contatei o síndico de alguns prédios e os hotéis próximos a Estação da Luz e região. Em nenhum momento eles nos viram fotografando. Nem mesmo os funcionários dos hotéis souberam o que estávamos fazendo.


Havia uma demolição programada pela prefeitura, próximo a antiga rodoviária, onde será desenvolvido o projeto Nova Luz. Nessa região nós ficamos por um bom tempo, porque tinha uma visão mais ampla da área.


As entrevistas e as fotos que fiz das mulheres grávidas usuárias de crack me entristeceram bastante. As situações que presenciei com essas mulheres foram tão fortes que o minidocumentário quase que foi dedicado completamente a este assunto. A maioria dessas mulheres fica grávida se prostituindo em troca de dinheiro para a compra da droga. E essas crianças nascem viciadas em crack e sofrem inclusive com sintomas de abstinência.


Outra coisa que observei foi que não existe mais um “traficante” de crack (a figura daquele cara que fica na famosa "boca" esperando chegar cliente, como acontece com outras drogas). Os próprios usuários são os que repassam a droga. E crianças e mulheres grávidas são os principais “traficantes”, exatamente por não chamarem atenção da polícia.


O dinheiro não é a única forma de comprar a droga. Eles trocam por roupas velhas e utensílios domésticos. Segundo os próprios usuários,  é mais fácil arrumar roupa e objetos pedindo nas casas das pessoas do que dinheiro para comida. As pessoas são mais solícitas em atender outras necessidades que não as financeiras, e não fazem idéia que o produto final daquela doação será o crack de qualquer forma.


Eu não entendia  por que os usuários de crack se aglomeravam daquela forma. Pensava: ‘Que tanto de gente junta’. Mas eles me explicaram que é porque cada um fornece um objeto para consumo da droga:  Um tem o cachimbo, outro o isqueiro, outro o crack, o outro um cigarro...

O mais triste é que mesmo depois de semanas observando de perto o sistema do crack, ainda não consigo imaginar uma solução.


***

A propósito, se algum assinante ainda não leu a reportagem que MARIO CESAR CARVALHO e LAURA CAPRIGLIONE fizeram sobre a Cracolândia para a estreia da Ilustríssima, está em tempo Jóia

É a reportagem mais completa que já vi sobre o tema, abrangendo todas as pontas da rede do crack. Um trechinho:

"Eu vendoooooo!", grita forte a jovem de 16 anos, grávida de 8 meses, no começo da rua dos Gusmões, coração da Cracolândia, às onze da manhã de uma terça-feira.

"Eu compro, eu compro, eu compro!", replicam os usuários, em torno de 50, avançando sobre ela. Pregão no meio da rua.

O ímpeto dos consumidores é tamanho que a garota precisa vender a droga e caminhar ao mesmo tempo, para não ser atropelada -várias pedras vão caindo pelo chão no empurra- empurra.

Mais tarde, quando bater a "fissura", ou síndrome de abstinência, quando o corpo do viciado exige reabastecimento, os craqueiros voltarão, recurvados, quase de quatro, para tentar achar algumas delas nas frinchas do asfalto.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h53

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Jornalismo não é tão digno quanto as outras carreiras?

  Vejam a dúvida do leitor Yuri, que tem 17 anos e está cursando jornalismo:

"As pessoas me pressionam, me desmotivam e falam como se não fosse possível sobreviver com o salário de jornalista. Tenho 17 anos e estudo jornalismo na UNESP. Desisti de letras porque queria ser professor e me falavam das más condições de trabalho. Sempre soube da concorrência no mercado para os jornalistas, mas o desmotivação que recebo por causa dos salários eu escuto só agora. Estou confuso e triste. Então, o jornalismo não é uma carreira digna quanto as outras? Ela será [ou já é] um bico?"

Peço aos colegas jornalistas, de várias idades, para ajudarem o leitor a se sentir menos confuso e triste. O que responderiam a ele? Há razão para se desmotivar?

Posts correlatos:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h27

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O que mais marcou a Thais no Treinamento

"A pauta dá muito mais trabalho que a própria apuração"

  Lembram daquela série lááá de março, que começou com um depoimento do trainee ELTON BEZERRA LIMA? Pois é. O tempo voou, ela ficou abandonada, mas agora vou postar os relatos de todos os outros trainees – prometo que ainda antes de o Treinamento acabar, em 9 de julho Devagar

Quem fala hoje é a THAIS BILENKY, que se surpreendeu com o trabalho de criar e fundamentar uma pauta.

O que mais marcou o Elton no Treinamento

Conheça os trainees da 49ª turma

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h23

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Que detalhes você escolhe?

Vamos aproveitar a quente e rica discussão do post "Barulho bom" (aqui) para propor um exercício (faz tempo que não fazemos exercícios por aqui...).

Leia o texto abaixo e reflita: que detalhes acrescentam informação à notícia e, portanto, são importantes na construção da narrativa? Quais são desnecessários, mas inofensivos? E quais são excessivos e podem provocar ruído ou mal-entendido?

 

DE SÃO PAULO

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90).

"Quem quer morrer?", dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo.

Era dia de promoção --a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia.

A primeira vítima foi o comerciante chinês Ding Yu Chi, 60, esfaqueado próximo à banca de tomates, ao lado da mulher. Sem motivo aparente, Araújo deu-lhe duas facadas na barriga. Afastou-se e voltou a esfaqueá-lo. Ao todo, desferiu oito golpes.

Ding andou por 30 metros e pediu ajuda. Seguranças disseram para ele se deitar no chão e esperar o socorro. Gemendo, no colo da mulher, dizia: "Não aguento mais".

Uma poça de sangue se formou debaixo de seu corpo. Clientes começaram a gritar que um "maluco" tinha esfaqueado um homem. Seis mulheres desmaiaram.

A segunda vítima foi outro comerciante. Ele se deparou com Araújo, tentou fugir, mas foi ferido nas costas. Antes de fazer a terceira vítima (um fiscal do Extra atingido no abdômen), Araújo tentou esfaquear outro cliente, que jogou um carrinho de compras contra ele.

Pânico e correria duraram quase meia hora. "Quando começou a confusão, eu tinha acabado de passar minha primeira compra no caixa, às 20h41. Quando acabou, eu terminei. Eram 21h13", disse a dona de casa Karina Marques, 31, exibindo o cupom fiscal com horários.

Um policial disparou dois tiros no meio da loja --mais gritos, mais pânico. Não o atingiram o agressor, que acabou detido pela PM.

A família de Ding estuda processar o Extra por omissão de socorro. Testemunhas dizem que ele sangrou sem parar na loja e só foi removido ao fim da confusão. Morreu ao entrar no hospital.

O Extra não divulgou cenas de câmeras internas. Em nota, informou ter "tomado todas as medidas cabíveis". Também disse que acionou a PM, "lamenta profundamente o ocorrido" e se mantém "à disposição das autoridades".

Preso, Araújo afirmou que era perseguido desde sua casa, em Guararema, a 40 km de Guarulhos, mas não disse quem o seguia. Segundo a polícia, ele não conhecia as vítimas. Na delegacia, disse não se lembrar de nada. Não parecia estar sob efeito de drogas nem alcoolizado.

A polícia ainda tem poucos dados dele. Só sabe que nasceu em São Bento do Una (PE) e nunca foi condenado. As outras duas vítimas passaram por cirurgias e não correm risco de morte.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h31

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Bola de cristal

Humor na falta de criatividade: blog do GUILHERME CHAMMAS antecipa as pautas da cobertura da Copa (pra pensar...).

[Dica do meu trainee FELIPE LUCHETE, ou HIROSHI]


Para rir mais:

Como ser um comentarista esportivo que não erra

A vida do repórter é dura e então ele morre

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h12

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O que o Gabriel quer saber sobre jornalismo:

"Como um repórter define sua pauta?"

  Prosseguindo com nossa série de terça-feira, esta é a dúvida do Gabriel, de São Paulo, com certeza compartilhada com muitos outros:

Para tentar demonstrar que há milhares de formas de uma ideia virar pauta e chegar a reportagem, entrevistei cinco jornalistas que deram exemplos concretos:

  • ANA PAULA SOUSA, repórter da Ilustrada desde julho de 2009 (antes foi editora de Cultura da Carta Capital), fala de uma reportagem que surgiu a partir de sua observação e de outra que só foi possível graças a conversas com fontes.
  • EVANDRO SPINELLI, repórter de Cotidiano desde 2006, fala de um furo que ele deu com a repórter Mariana Barros a partir de um documento, posteriormente checado com autoridades com quem eles tinham contato. Ele também fala da importância do Diário Oficial como fonte de ideias para pautas.
  • SÍLVIA FREIRE, repórter da Agência Folha desde 2004, fala de uma série de reportagens que ela fez com o colega FELIPE BÄCHTOLD a partir de levantamento de dados. Antes de ter certeza de qual seria a pauta da última dessas matérias, eles gastaram três semanas só levantando os dados.
  • VINÍCIUS DOMINICHELLI, repórter que entrou no "Agora" este ano, fala de uma matéria que só aconteceu porque ele teve curiosidade e iniciativa para ir entrando onde não deveria...
  • RODRIGO MATTOS, repórter de Esporte, fala de reportagens que ele faz a partir de dados do orçamento público disponíveis na internet – e de sua paciência para fuçá-los, esmiuçá-los e transformá-los em reportagem.

São cinco boas histórias, antes de mais nada Bem humorado

Outros da série:

  • O que o Takata quer saber sobre jornalismo - a escolha de pautas em Ciência
  • O que a Natália quer saber sobre jornalismo - fechamento da Primeira Página
  • O que a Aline quer saber sobre jornalismo - produção de Equilíbrio
  • Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h12

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    Mais 13 vagas para jornalistas, uma na Folha

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h12

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    Barulho bom (o silêncio é para os medíocres)

     

    "Era quarta-feira, dia de promoção: o hipermercado estava lotado. José, 27, furtou uma faca de churrasco Tramontina, modelo Ultracorte, e saiu pelos corredores ameaçando as pessoas. Esfaqueou três. Matou uma."

    Corta.

    "Quem quer morrer?", dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo.

    José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90).

    Era dia de promoção --a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia.

    Corta.

    "Um auxiliar de pedreiro matou uma pessoa e feriu outras duas ontem à noite no hipermercado Extra de Guarulhos, na Grande São Paulo.

    José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas com a faca, que havia furtado na própria loja."

     


    Os três trechos acima são opções possíveis para uma mesma notícia, acontecida no último dia 28.

    O do meio foi o publicado pela Folha e provocou barulho.

    Aqui no blog, leitores perguntaram se não estávamos fazendo publicidade gratuita das facas, se não havíamos passado do limite. Na internet, espíritos de porco de costume aproveitaram a deixa para acusar os jornais de comer criancinhas.

    Muito barulho por nada?

    Não acho. Acho um barulho bom.

    Leiam o texto do começo ao fim e percebam o que o repórter quis fazer. Sua intenção foi perfeita: procurou descrever o crime, com base nos relatos que recolheu e com base em informações concretas. Impossível não enxergar o crime se desenrolando à nossa frente.

    Passou do limite? É questão de opinião. Na minha, não. Mas, mesmo se tivesse passado, um jornalista que queira fazer um trabalho melhor e mais inteligente deve preferir a estridência das críticas ao silêncio do trabalho medíocre e acomodado.

    É como diz meu professor ELIO GASPARI: os que erram são os melhores, porque ousaram. O importante é sempre tentar cometer erros novos.

    Os que não quiserem tentar podem passar o resto da vida fazendo a terceira das opções lá de cima.

     


      Ontem pedi ao AFONSO BENITES, repórter que apurou tudo e escreveu essa matéria, para dizer qual foi sua intenção. A resposta mostra que ele é mesmo do time do ELIO GASPARI. E, como leitora, espero que ele nunca deixe de ser, porque está raro ver narrativas tão caprichadas no noticiário hardnews (ainda mais em casos policiais).

     

    "Ao escrever esse texto, a intenção era transportar o leitor para dentro do supermercado no momento do crime. Eu não estava lá no momento do surto do cidadão que esfaqueou três pessoas. Não tive acesso às imagens do circuito interno de TV. Por isso procurei depoimentos de testemunhas e os dados da polícia. Os relatos que eu consegui coletar eram quase iguais.

    O dia do fato foi uma quarta-feira. Às quartas, os clientes do Extra são quase sempre os mesmos, aqueles que vão lá para aproveitar a promoção do hortifruti. Esse era o caso do chinês que morreu. Era também o caso de duas testemunhas que entrevistei. Por isso, decidimos citar que havia uma promoção e, ao mesmo tempo, dar a dimensão de que o supermercado estava cheio.

    Sobre o preço da faca, foi proposital. A ideia era passar o máximo de informação ao nosso leitor. Não há nenhuma mensagem comercial, como alguns chegaram a afirmar. Afinal, nenhuma empresa gostaria de ter seu nome relacionado a um assassinato."

     

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h16

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    Como Luciana Coelho chegou às grandes Redações

      O leitor Danilo, vendo o vídeo da LUCIANA COELHO, fez a seguinte pergunta:

    Ela respondeu o seguinte:

    "Danilo, foi sorte pura. Mas você conhece aquele ditado, 'fortune favors the bold?', 'a sorte ajuda quem ousa?' 
     
    Não pense, no entanto, que há grandes diferenças entre trabalhar em um grade veículo estrangeiro e um grande veículo nacional, pois não há. Comigo foi assim: um dia alguém que eu conheço fora do jornalismo disse conhecer alguém na Reuters, e eu pensei: 'Por que não perguntar se eles precisam de estagiário?'. Não havia essa cultura lá (hoje há). E mandei meu currículo.
     
    Era 1997, eu estava no segundo ano da faculdade, e a equipe da Reuters era pequena. Não havia nem o serviço de internet da agência no Brasil, muito menos o serviço em português que existe hoje. Eles toparam, eu comecei e fui aprendendo muito com algumas das pessoas mais sensacionais com quem já trabalhei. Fiquei três anos, fui efetivada, minhas responsabilidades cresceram bastante. Foi então que recebi o convite da CNN e decidi, novamente, tentar a sorte.
     
    Era um projeto novo, a ideia era transferir a equipe para Atlanta, EUA. Eu estava bem na Reuters, mas achei que era uma chance interessante demais para deixar passar. Fiquei um ano e meio (inclusive no 11/9, que foi interessantíssimo de ver do ponto de vista de uma empresa americana), mas nesse interim o projeto murchou por conta da compra da empresa pela America Online (AOL). Guardo boas lembranças e fiz parte de uma equipe excelente, cheguei a passar uns poucos meses em Atlanta. Mas depois de um ano e meio, decidi que era hora de sair, mesmo sendo "A" CNN.
     
    Havia uma vaga na Folha Online, em Dinheiro, com salário bem menor. Mas eles gostaram de mim e eu deles. Como eu era nova (quase 24), embora totalmente independente da minha família e com responsabilidades financeiras, achei que devia arriscar. Ainda bem! Um ano depois o site da CNN fechou, e eu estava já na Redação da Folha. Após um ano e pouco na Redação, eu era correspondente em Nova York.
     
    Engraçado é que eu nunca tracei um plano, mas quase todas as optativas que eu fiz na faculdade tinham a ver com ser correspondente: História Contemporânea, Política, Direito da Integração Econômica, Correntes Políticas e Globalização e daí por diante. E me tornei fluente em inglês e espanhol relativamente cedo. Claro que, quando você é novo e não tem muita experiência, ter uma grade coerente e focada na faculdade acaba sendo um diferencial. Outro diferencial que eu acho que conta até hoje? Entusiasmo.
     
    De novo vão dizer que sou genérica, mas não tem cartilha. Um pouco foi mesmo instinto, um pouco foi estar atenta e agarrar chances que surgiram. O mercado de trabalho para jornalistas estava legal na época, e acho que está bom de novo agora. Quando a gente é mais novo, penso eu, a principal coisa em que temos de investir é em trabalhar com gente boa, que possa nos ensinar. É isso que vai fazer diferença depois. Para falar a verdade, eu ainda sigo essa regra bastante (embora, claro, outras coisas tenham entrado na conta)."

    Aproveitem que ela é tão prestativa e façam perguntas para ela no Formspring! Não é todo dia que a gente tem essa facilidade de questionar a aprender com quem tem mais experiência Bem humorado

    O que é preciso para ser jornalista, por LUCIANA COELHO

    Mais dicas da Luciana para ser correspondente

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h05

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    Drummond nos ensina a escrever

      Na Ilustrada de sábado saiu uma matéria bem legal, do repórter FABIO VICTOR, sobre as cartas que Carlos Drummond de Andrade trocava com "anônimos", ao longo de vários anos (ótima matéria, assinantes lêem AQUI).

    Em uma das cartas, o poeta dava conselhos para uma aspirante a romancista.

    Conselhos estes que caem como uma luva também no texto jornalístico, até porque são dicas válidas para qualquer boa narrativa.

    Com a palavra, Drummond:

    "Dizer por exemplo que uma sucessão de mortes "é incrível", está bem quando é a pessoa imaginária quem fala, mas para o escritor nada é incrível, inenarrável, assombroso".

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h52

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    Fórum para jornalistas do "Guardian"

     

    • "Como mudar do jornalismo impresso para telejornalismo?"
    • "Devo me especializar mais ou trabalhar para ganhar experiência?"
    • "Como me tornar jornalista?"
    • "Que curso fazer?"
    • "Como começar um blog?"
    • "Vale a pena ser frila?"

    As dúvidas acima poderiam perfeitamente ter sido feitas para o Novo em Folha – como já foram, várias vezes, sempre relacionadas com histórias específicas de cada um.

    Mas estão também no fórum de carreiras do "Guardian", que, como é voltado só para jornalistas, tem dicas úteis para todos nós.

    Afinal, apesar das diferenças que existem entre o mercado de trabalho da Inglaterra e do Brasil, alguns conselhos são universais. Vejam lá!

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h39

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    Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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