Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

O que é preciso para ser jornalista, por Rubens Valente

  E acabou mais uma semana de palestras. A webconferência que os pré-trainees tiveram com a JANAINA LAGE na terça-feira acabou pautando o blog no restante da semana, com todos os outros relatos muito legais sobre os bastidores da cobertura no Haiti (ainda estou devendo o do LUÍS KAWAGUTI, mas logo coloco).

Na quarta-feira, eles ouviram dos repórteres EDUARDO SCOLESE e HUDSON CORRÊA como é cobrir os rincões do Brasil (os dois acabam de lançar o livro "Eleições na Estrada").

Ontem, ouviram o repórter RUBENS VALENTE falar sobre jornalismo investigativo. Que é quem vocês ouvem agora neste post Bem humorado

E também tiveram aulas de português, de matemática, de ferramentas da web, de história do Brasil, conversaram com a ELVIRA LOBATO e fecharam a semana com uma webconeferência com a LUCIANA COELHO.

Uma semana cheia, né? E tem muito post sobre o Haiti aí embaixo para vocês lerem no fim de semana Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h43

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Fábio Zanini conta como está sendo a cobertura no Haiti

"A situação não era tão perigosa como aparentava pelos relatos na imprensa"

Fábio Zanini em foto de Alan Marques

  FÁBIO ZANINI chegou ao Haiti junto com o ALAN MARQUES, no dia 19, e os dois vão embora amanhã. Eles tiveram que fazer uma cobertura diferente daquela que o Fabiano, o Caio e a Janaína fizeram, que era mais quente, no calor dos acontecimentos. Como o país começou a entrar, aos poucos, em uma rotina, eles tinham que trazer outro olhar. É sobre isso que ele me falou nas perguntas abaixo, enviadas por e-mail do Haiti:

Novo em Folha - Você já tinha estado no Haiti ou feito coberturas sobre o país à distância?

Fábio Zanini - Nunca tinha estado no Haiti antes. Fui designado pelo jornal para viajar no voo que a FAB disponibilizou para levar jornalistas brasileiros ao Haiti, que saiu de Brasília no dia 18 de janeiro e chegou aqui no dia seguinte. Talvez isso tenha a ver com o fato de que já participei de coberturas internacionais em locais com pouca estrutura, principalmente na África.

NF - Como se deu o convite? Você aceitou de pronto?

FZ - O convite foi feito ao jornal, na verdade, e o jornal me perguntou se eu aceitava. Não tive dúvidas.

NF - Antes de ir, como se preparou? Trocou ideias com os três repórteres que já estavam lá? Eles te deram alguma dica ou orientação?

FZ - Troquei ideias principalmente com o FABIANO MAISONNAVE, que é meu amigo, perguntando basicamente sobre a estrutura para dormir, comer, tomar banho etc., acesso a internet e condição geral de segurança. Já nesses emails dele percebi que a situação não era tão perigosa como aparentava pelos relatos na imprensa. Essa foi uma percepção que só cresceu nos dias seguintes. Mesmo assim, estoquei água, barras de cereal e bolachas. Não precisei usar praticamente nada disso (tudo será doado aos haitianos, aliás).

NF - E o jornal, te deu alguma orientação específica?

FZ - Nada específico além do óbvio: tome cuidado, tenha sempre uma rota de saída se a coisa ficar feia e tente trazer histórias diferentes da concorrência. 

NF - A primeira matéria de lá que você publicou, no dia 20/1, abordava um otimismo em meio ao caos. E foi, naquele momento, a primeira vez que ouvi a palavra "otimismo" na cobertura, que li alguma matéria mais positiva. Como você chegou a essa conclusão? Esperava encontrar otimismo ao chegar a Porto Príncipe? Quais foram suas primeiras impressões ao se deparar com o estrago do terremoto, ao vivo? Era menos ou mais do que você esperava?

FZ - Aquela matéria foi a primeira, e por isso acho que arrisquei um pouco ao falar de otimismo. Vi gente circulando nas ruas, pessoas vendendo comida, gente indo e vindo. Foi uma impressão inicial. Mas em retrospecto, acho que arrisquei e acertei. Pelo que li antes da viagem, parecia que encontraria um cena do videoclipe de "Thriller", e a realidade foi bem outra. Sim, a destruição é inacreditável, as pessoas vivem na imundície, mas o risco para a segurança é infinitamente menor do que eu esperava. Eu cheguei uma semana depois do tremor, e os primeiros quatro ou cinco dias realmente foram caóticos, como me relataram, mas depois a coisa acalmou bem. O maior risco aqui durante o meu período foi morrer no trânsito, já que, para fugir dos engarrafamentos, é preciso pegar motos. E os motoqueiros são simplesmente insanos.

NF - Como tem sido sua rotina de trabalho aí, se é que há uma?

FZ - Sim, há, e eu diria que é uma rotina de quartel, literalmente. Estamos três horas antes do horário de Brasília, o que te obriga a acordar cedo. Você já começa o jogo aqui perdendo de 3 a 0, por causa desse maldito fuso horário. Acordo às 6h, e às 7h ou 8h já estou na rua. Volto pra base do Brasil por volta de 13h ou 14h, para dar tempo de mandar matéria e contar com os inevitáveis problemas de internet. Às 21h já estou num sono profundo.

NF - Como você, o LUÍS KAWAGUTI e o Alan se organizam, para nunca baterem cabeça? O Alan sai para as mesmas pautas que você, ou vocês se separam, como aconteceu com o Caio, Fabiano e Janaina?

FZ - Nesse tipo de cobertura, caótica e imprevisível, conversar e planejar é fundamental. Nós conversamos muito durante a cobertura, várias vezes ao dia, e sempre de maneira meio clandestina. É complicado, porque aqui no mesmo ambiente está também a concorrência. Então, para conversarmos, temos que sair da sala de imprensa do batalhão e ir para debaixo de alguma árvore. E mudar de assunto quando alguém do Globo ou Estado passa por perto. E eles fazem o mesmo com relação a nós, na verdade. Virou até piada. Outro dia coloquei uma camisa um pouco melhor (uma Lacoste que o Alan me emprestou, aliás), para entrevistar o líder da ONU. Ao me verem, os colegas da concorrência já começaram a fazer um bolão para tentar adivinhar quem eu iria entrevistar com uma camisa daquelas (ninguém acertou).

Em geral, o Alan saía comigo ou o Luis Kawaguti, e também saiu uma vez sozinho. Dependia muito da nossa coordenação.

NF - Nesse momento, em que a cobertura começa a esfriar, qual a prioridade de vocês e do jornal? Que tipo de pautas busca? Que tipo de olhar você procura ter ao sair às ruas? Dá para fazer algum planejamento das pautas dos dias seguintes, ou ainda surgem muitas novidades ao longo do dia?

FZ - Nesse momento, planejar é ainda mais importante. As histórias começam a se esgotar, e é preciso ter sacadas e boas idéias, que demandam uma preparação. No começo da cobertura, era só sair à rua e topar com dezenas de histórias sensacionais de mortos, feridos e sobreviventes. Mas uma hora isso cansa, e a demanda do jornal muda. O primeiro saque é um abre de página, o segundo é abaixo da dobra e o terceiro é gaveta. Sair por aí passeando sem rumo é um risco muito grande de voltar de mãos abanando.

NF - O que sentiu quando ocorreu o novo tremor, do dia 20? E o que esperava encontrar em Petit Goave?

FZ - O terremoto aconteceu no meu segundo dia aqui, às 6h. Eu tinha acabado de me levantar do colchão e estava mexendo na mochila quando o chão ondulou por uns três segundos. Na hora, me senti um surfista, tentando me equilibrar, uma imagem que inclusive usei num podcast para a Folha Online. Mas não foi forte o suficiente para dar medo. Logo em seguida, partimos em disparada para Petit Goave, o epicentro, e confesso, de maneira um tanto macabra e egoísta, que me decepcionei ao chegar lá e ver pouca destruição (às vezes o instinto jornalístico faz coisas horríveis conosco). O terremoto foi relativamente leve.

NF - Sua experiência de cobertura da África te ajudou de alguma forma nesta cobertura do "pedaço da África nas Américas", como você disse em seu blog? Se sim, de que forma?

FZ - Sim. Tenho alguma experiência em aguentar sede, fome, sujeira, calor e estresse por dias a fio. Isso quem me deu foi a África.

NF - Esta cobertura é comparável com alguma outra que já tenha feito antes?

FZ - É comparável a alguns lugares em que já fui na África, como Congo, Guiné Bissau ou Serra Leoa. Mas essa foi a mais difícil que já fiz, porque foram muitos dias de trabalho incessante, literalmente dormindo com a concorrência e tentando se destacar. É complicado.

O relato fotográfico do Haiti, por Alan Marques

Alan Marques conta como está sendo a cobertura no Haiti

Janaina Lage conta como foi a cobertura no Haiti

Caio Guatelli conta como foi a cobertura no Haiti

Fabiano Maisonnave conta como foi a cobertura no Haiti

Repórter da New Yorker conta como foi a cobertura no Haiti

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h31

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O relato fotográfico do Haiti, por Alan Marques

  ALAN MARQUES conseguiu capturar cenas do terremoto do Haiti que eu nunca tinha visto em lugar nenhum – e olha que estamos todos saturados de imagens diárias daquela tragédia. São fotos geniais, que ele selecionou especialmente para o blog. Pena que não cabem aqui num tamanho maior, mas já dá para ter uma ideia do relato fotográfico do repórter:

Soldados da força de paz da ONU no Haiti fazem patrulha nas ruas de Citié Soleil, em Porto Príncipe,às 14h.

Haitianos fazem fila, às 7h, para receber 13 toneladas de comida e 18 mil litros de água distribuídos por soldados.

Criança recebe biscoito de soldados.

Mais uma fila, durante a madrugada.

Haitianos acampados na praça em frente ao palácio do governo e sem nenhuma estrutura tentam levar a vida normal.

Haitianos saqueam a loja Store Stuff no boulevard Jacques Jean Dessalines quando a polícia haitiana chega para tentar impedir.

Mulheres servem comida na rua do bairro.

Carole Gedeson, 40, prepara bolacha de barro –barro, água, farinha e manteiga– para sustentar seus sete filhos.

Dezessete corpos dos militares mortos no terremoto que atingiu Porto Principe recebem honras militares e são embarcados para o Brasil em cerimônia na base aérea.

População disputa água a sete dias do terremoto.

Policiais haitianos controlam a distribuição de água. Haitianos esperam homem jogar pacotes com garafas de água.

Novo terremoto atingiu a cidade Petit Goave, a 60 km de Porto Principe. Rodovia que liga  as duas cidade aparesentava rachaduras e pedras.

Fuzileiros navais norte-americanos fazem proteção, com arma sem munição, do perímetro, que fica em um campo na rodovia que liga a cidade de Porto Principe e Petit Goave.

Os militares brasileiros organizaram fila para evitar tumulto na entrega de alimentos e água.

Soldados da força de paz da ONU fazem compras na feira conhecida como "Feira do Brabatt".  Jojo carrega sacolas para quem faz compras na feira.

Alan Marques conta como está sendo cobertura no Haiti

Janaina Lage conta como foi a cobertura no Haiti

Caio Guatelli conta como foi a cobertura no Haiti

Fabiano Maisonnave conta como foi a cobertura no Haiti

Repórter da New Yorker conta como foi a cobertura no Haiti

Relatos fotográficos no Haiti

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h07

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Alan Marques conta como está sendo a cobertura no Haiti

"Pode-se dizer que a cobertura no Haiti é de guerra"

Alan Marques em frente ao palácio do governo haitiano

  Como prometi no post anterior, agora o repórter-fotográfico da Folha ALAN MARQUES, que está no Haiti desde o dia 19, relata para o blog sua experiência na cobertura:

"Um passo fora do lugar e a cobertura aqui no Haiti acaba. Após o terremoto do dia 12 de janeiro, esse é o clima do dia-a-dia dos repórteres em Porto Príncipe, onde a terra não para de tremer, os haitianos vagam pelas ruas procurando alimento e implorando por água, pedaços de prédios bloqueiam o acesso às ruas e, a qualquer momento, um resto de concreto pode soltar de uma estrutura condenada.

É fácil encontrar confusão na cidade em uma caminhada de 30 minutos. Em um desses passeios, uma turma que saqueava a loja Store Stuff na rua Jean Jacques Dessalines virou ponto de atenção para as lentes. Três dezenas de haitianos se equilibravam em tijolos e ferros torcidos para tentar pegar tecidos e produtos da loja, enquanto quatro policiais tentavam organizar o saque (porque era impossível evitá-lo ou prender os saqueadores). Na minha vontade de cobrir o evento, fui me aproximando mais e mais dos escombros, quando o meu guia e tradutor me segurou pelo braço para evitar um próximo passo. Virei para ele para saber qual era o perigo e ele apontou um pedaço de braço em decomposição perto do meu pé.

Tudo ficou caro na cidade. Um litro de água custa US$ 10, sair de carro não sai por menos de US$ 100 e a moto se paga por um pouco menos da metade desse valor por algumas horas de trabalho. Circular por Porto Príncipe de carro é penoso, com o trânsito pesado, sem regra e com cada espaço de pista disputado ao berro. A moto é a maneira mais rápida e mais alucinada de ir de um ponto a outro no caos da cidade, com a desvantagem de, no meio da viagem, poder acabar todo ralado e com equipamento quebrado, como aconteceu com uma fotógrafa brasileira desafortunada.

Estrutura para imprensa é rara e, quando existe, é disputada a tapa. O quartel brasileiro da força de paz da ONU é um dos poucos portos seguros para os jornalistas, com estrutura profissional e aberto para quem precisa transmitir seu material. O maior pesadelo nessa cobertura é trabalhar o dia inteiro e não conseguir enviar o material pelo qual se arriscou o pescoço. Conforme os dias passam, as pautas ficam mais complicadas porque é preciso revelar mais do que o desastre e fugir do que todos estão cobrindo. Passa-se a analisar a pobreza, o trabalho das Forças Armadas Brasileiras no Haiti, a distribuição de comida e o patrulhamento dos bairros pobres. A equipe da Folha que ficou em Porto Príncipe priorizou contar histórias interessantes e exclusivas, mas sem tirar o olho do fato noticioso.

Pode-se dizer que a cobertura do terremoto no Haiti é de guerra. Há risco de morrer em pauta e a pressão e tensão vividas nas ruas de Porto Príncipe durante a reportagem aumentam com a cobrança da redação por material de qualidade. Não dá para sair do saco de dormir sem pensar que o jornal depositou em sua cabeça investimento e confiança."

Nos próximos posts, o relato fotográfico do ALAN MARQUES.

Janaina Lage conta como foi a cobertura no Haiti

Caio Guatelli conta como foi a cobertura no Haiti

Fabiano Maisonnave conta como foi a cobertura no Haiti

Repórter da New Yorker conta como foi a cobertura no Haiti

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h37

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Relatos fotográficos no Haiti

  Enquanto discutimos, em post abaixo, sobre a pertinência de tirar fotos de vítimas, em vez de ajudá-las (ou mesmo se é possível que um repórter as ajude nessa situação, em que precisa trabalhar para mostrar ao mundo o que está acontecendo), sugiro dois belos relatos fotográficos, de momentos distintos da história do Haiti.

O primeiro é dica do ALEC DUARTE, sobre um Haiti pós-golpe contra Aristide, em 1991. São fotos como a que ilustra o post, de Antonio Olmos. Nas atuais circunstâncias, um oásis, como diz o Alec.

O segundo foi dica da leitora Alexandra, de um site que juntou, no mesmo post, vários links para trabalhos feitos por repórteres-fotográficos brasileiros que participaram da cobertura do terremoto. Por exemplo, o Anderson Schneider ("Época"), autor da foto abaixo:

E o CAIO GUATELLI, da Folha, que comentou a experiência AQUI.

Em breve traremos também um relato fotográfico do ALAN MARQUES, que foi render o Caio e está no Haiti neste momento  Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h14

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Mais vagas de empregos, uma na Folha

  Há um concurso em andamento na Folha, para repórter da Revista da Folha. A inscrição deve ser feita até a próxima segunda-feira. CLIQUE AQUI para saber mais.

Outras vagas para jornalistas ao redor do país:

Primeiros passos para entrar em 13 grandes veículos de comunicação de todo o país

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h45

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Fotografo ou ajudo a vítima?

  O jornalista Anderson Cooper, da CNN, descreve em seu blog um momento em que, cobrindo o terremoto no Haiti, ele se despe do papel de jornalista e vai ajudar um garoto haitiano que estava todo ferido e atordoado. (Veja aqui o relato, seguindo uma seqüência bem forte de fotos.)

Isso deu a deixa para que o site Clicio levantasse uma velha (mas sempre pertinente) discussão:

"O recente terremoto no Haiti, considerado pela ONU a maior tragédia desde que a organização foi criada, levanta novamente a questão da função do fotojornalista de guerra e sua não-interferência com o 'assunto'.

Quando os fotógrafos de guerra começam a agir como os paparazzi das revistas de fofoca, e cercam vítimas já estressadas como aves de rapina, as perguntas começam a surgir:

Até onde o profissionalismo, a vaidade, a vontade de ganhar prêmios ou a simples morbidez são defensáveis quando abaixar a câmera e ajudar pode ser mais eficiente? O que é ser profissional em uma situação extrema como essa que o Haiti está vivendo?"

A partir das reflexões que o Clicio faz AQUI, da atitude de Anderson Cooper e da foto que ilustra este post, o que vocês responderiam?

(Boas dicas dos leitores Roberto Mancuzo e Cláudio Rabin Jóia)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h49

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A cobertura multimídia do Haiti

  O blog Web Journalist separou uma série de exemplos de veículos que usam gráficos, fotos, slides e vídeos para cobrir melhor a tragédia no Haiti.

Vale a pena conhecê-los:

Ferramenta do NYT que permite olhar as fotos em superdetalhe

Ferramenta que mostra o antes e depois de alguns lugares do Haiti

Infográfico didático da ABC

E muito mais, AQUI.


Adendo de quinta: o Journalism.co.uk também separou diversos casos de cobertura online do terremoto, inclusive no twitter.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h18

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Caio Guatelli conta como foi a cobertura no Haiti

  Conversei com o repórter-fotográfico CAIO GUATELLI na semana passada, logo depois que ele voltou de seus seis dias no Haiti.

A conversa virou um videozinho, a que os pré-trainees assistiram anteontem – e vocês podem ver agora.

Janaina Lage conta como foi a cobertura no Haiti

Fabiano Maisonnave conta como foi a cobertura no Haiti

Repórter da New Yorker conta como foi a cobertura no Haiti

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 00h13

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Janaina Lage conta como foi a cobertura no Haiti

  A correspondente em Nova York JANAINA LAGE acabou de participar de uma webconferência, em que respondeu a várias perguntas dos pré-trainees sobre a cobertura no Haiti.

Aqui no blog vocês vêem um resuminho Bem humorado

Fabiano Maisonnave conta como foi a cobertura no Haiti

Caio Guatelli conta como foi a cobertura no Haiti

Repórter da New Yorker conta como foi a cobertura no Haiti

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h18

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Fabiano Maisonnave conta como foi a cobertura no Haiti

Menino resgatado 66 horas após terremoto espera atendimento (Fabiano Maisonnave/Folha Imagem)

  O repórter FABIANO MAISONNAVE foi enviado para o Haiti, junto com o repórter-fotográfico CAIO GUATELLI, no dia 13 de janeiro, horas depois de o terremoto ter atingido o país.

Ele ficou lá até o dia 23, quando respondeu a estas perguntas que mandei por e-mail, e que os pré-trainees acabaram de ler:

Novo em Folha - Como foi o convite para você ir praí?

Fabiano Maisonnave - Não sei se convite é a palavra certa. A Editoria de Mundo e a Secretaria do jornal me ligaram na noite da terça-feira do terremoto para me consultar sobre ir para lá. Como era o repórter mais próximo do Haiti e já havia estado três vezes, fui enviado.

NF - Teve dificuldades para entrar no país? Como foi esse ingresso?

FM - Nós chegamos cerca de 24 horas depois do terremoto vindo de Santo Domingo, por avião. Antes, havíamos cogitado barco, helicóptero e carro. Foi mais fácil do que eu esperava, mas acho que tivemos sorte, muitos colegas tiveram de viajar por terra.

NF - Quais foram suas primeiras impressões? Algo te chocou ou surpreendeu ou extrapolou suas expectativas?

FM - A quantidade de mortos e de feridos pelas ruas. É muito triste, principalmente bebês e crianças. 

NF - Você já tinha feito uma cobertura parecida ou comparável com esta? Teve alguma experiência anterior que tenha sido útil para essa experiência atual? Em que sentido?

FM - Não, nunca. Mas me ajudou muito o fato de que já havia ido ao Haiti. Foi muito mais fácil entender o que o terremoto provocou e o que já era crítico. Por isso, vi muito exagero na cobertura de vários colegas que estavam lá pela primeira vez, principalmente no que toca a segurança pública. Pode soar chapa-branca, mas concordo com a avaliação do chefe da missão da ONU de que vários meios de comunicação agiram de forma irreponsável ao exagerar o problema dos saques e da violência. Mesmo depois do terremoto, a segurança pública em geral estava muito melhor do que entre 2004 e 2006, quando visitei o país.

NF - Quais as maiores dificuldades dessa cobertura?

FM - Saí do Haiti no sábado, dia 23, depois de dez dias. O ambiente era muito emotivo, dificultando o convívio com os colegas, havia muito nervosismo. O deslocamento era difícil, tinha de ser por moto, se não o dia não era suficiente. Mas ajudou muito o fato que quase todos os jornalistas brasileiros nos hospedamos na base militar brasileira. Não nos preocupamos com água, comida e internet, itens bastante críticos. Por outro lado, talvez essa aproximação com os militares brasileiros tenha sido excessiva, mas essa é uma análise para o médio prazo.

NF - Neste momento, há veículos do mundo inteiro e do Brasil inteiro aí. Como driblar a concorrência e conseguir trazer histórias novas, trazer um novo olhar para o noticiário?

FM - Acho que, na tragédia haitiana, o primordial não é driblar a concorrência nem conseguir histórias novas. A prioridade é tentar entender o que está acontecendo, identificar o que é o mais importante e interpretar da melhor forma possível ao leitor. Primordialmente, num primeiro momento, eu buscava entender qual era a dimensão da tragédia.

NF - Que tipo de preparo alguém precisa ter para cobrir uma tragédia dessas proporções?

FM - Ter estômago para estar em meio a tanta gente morta. Ter uma mínima noção de onde está, no caso, a história do Haiti. Tentar entender o "outro": não "racializar" a tragédia, ou seja, não infantilizar, não demonizar, não culpar os haitianos. Saber avaliar situações de risco potencial.

NF - Você tem alguma história específica dessa cobertura que gostaria de comentar? Algum caso?

FM - Em Leogane, a uns 50 km de Porto Príncipe, a ajuda chegou ainda mais tarde. Fui a um hospital em que as pessoas recebiam os primeiros cuidados depois de cinco, seis dias. Era pior do que os cadáveres: essas pessoas estavam vivas, mas com partes do corpo completamente podres. Muitas iriam morrer, outras teriam de sofrer amputação.


  • Daqui alguns minutinhos, vou colocar também os relatos do CAIO GUATELLI e da JANAINA LAGE. É só o tempo de os vídeos entrarem, ok?

Caio Guatelli conta como foi a cobertura no Haiti

Janaina Lage conta como foi a cobertura no Haiti

Repórter da New Yoker conta como foi a cobertura no Haiti

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h12

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O repórteres levaram a própria comida para o Haiti?

Haitianos se arriscam para tentar recuperar comida em destroços de um mercado (Caio Guatelli/Folha Imagem)

  Continuando a acompanhar os pré-trainees em sua semana de palestras, vamos agora falar do que ocupa as páginas dos jornais há duas semanas: o terremoto no Haiti.

É que hoje à tarde eles vão ouvir relatos de enviados especiais da Folha àquele país – que vou colocar no blog também, em breve.

Enquanto isso, vejam que legal a pauta da Slate, que achei no Desculpe a Poeira: naquele cenário caótico, de milhões de haitianos sem casa e sem comida, como os jornalistas arrumam um teto e água e alimentos?

Levando em conta uma coisa: não sei quantos são, mas há jornalistas do mundo inteiro naquele país, de diversos veículos (a Folha, por exemplo, sempre manteve três lá). Então é gente até falar chega!

Cliquem aqui para ler a matéria da Slate. E aguardem um pouquinho, que os repórteres da Folha vão contar como fizeram no caso deles  Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h49

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O que é preciso para ser jornalista, por Catia Seabra

  A repórter especial CATIA SEABRA fala sobre a relação com as fontes, complementando o que o MARCIO AITH disse, sob novo aspecto.

Na sexta-feira, uma correspondente internacional continua a série. E, na terça-feira que vem, postarei o último videozinho Muito triste

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h32

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Enquanto não somos como Ruy Castro

  Amanhã de manhã os pré-trainees vão ouvir uma bela palestra do RUY CASTRO, que vai, entre outras coisas, dar dicas para se fazer uma boa entrevista.

Aproveitando o tema, seguem três textos bem legais sobre isso:

20 dicas para entrevistar bem

Dicas para conseguir uma grande entrevista

10 dicas para entrevistar políticos

Selecionei alguns trechos que achei mais importantes:

  • Não informe ao seu entrevistado, antes da entrevista, que perguntas pretende fazer. Isso vai te limitar.
  • Cheque bem seus equipamentos, se há pilhas suficientes etc. Chegue/ligue na hora marcada.
  • Você não é o centro de atenção. Pare de ficar dando seus palpites e ouça o que o entrevistado tem a dizer.
  • Pergunte as questões mais importantes logo de cara.
  • Entrevista é uma conversação, não um confronto.
  • Questões curtas e diretas são melhores e obtêm respostas mais completas.
  • Escute.
  • Sempre cheque se a gravação deu certo antes de o entrevistado ir embora/desligar.
  • AQUI, várias razões para que alguém queira falar com algum jornalista, ou com um repórter específico. Bem legal pra refletir.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h38

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Nova turma de pré-trainees

  Hoje começa mais uma semana de palestras. Os 40 pré-trainees, de tudo que é canto do país, estão neste momento conversando com a Ana e conhecendo uns aos outros.

Vou tentar atualizar o blog com todas as atividades da semana, ok? Bem humorado

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h56

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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