O coordenador-assistente da Agência Folha, JAIRO MARQUES, continua nossa série hoje. Muitos também o conhecem por seu blog "Assim como você", muito bom
Na terça-feira que vem, uma repórter especial de peso vem falar com a gente!
Uma empresa obscura, de segurança em informática, divulgou uma nota em seu blog, na última sexta, falando de uma mudança no sistema operacional da Microsoft que afetaria milhões de computadores, que ficariam com o bug da "tela preta".
Na segunda-feira, o PCWorld, que é bem conhecido nesse meio informático, reproduziu a "notícia". Detalhe: sem falar com ninguém da Microsoft a respeito.
Em uma hora, dúzias de outros sites reproduzem a história, às vezes dando o próprio PCWorld como fonte. Mais tarde, ao dar a notícia, o ComputerWorld diz que falou com um representante da Microsoft, que "investiga o relato". E, mais adiante, "Microsoft nega".
Em questão de dois dias, cerca de 500 sites reproduziram a história, com base exclusivamente no post da tal empresa obscura e o boato cria vida própria e vira um monstro.
Como diz Ed Bott: "É o jornalismo diz-que-diz em sua melhor forma. Uma empresa de segurança diz que a Microsoft causa panes fatais e a Microsoft nega! Quem está certo? Ah, nós somos só a imprensa, nós não sabemos. Você decide!"
Fim da história: a tal empresa que começou tudo escreveu uma retratação, o PCWorld não entendeu que havia cometido um erro e todas as outras 500 postagens a respeito ficaram por isso mesmo. Quem se prejudicou: os leitores (e a Microsoft também, no caso).
Trata-se de um bom desexemplo para nos fazer pensar.
CLIQUE AQUI para ler toda a história, vale a pena.
(Dica do RODOLFO LUCENA, editor de Informática da Folha)
O ótimo site Media Helping Media fez um guia com dez dicas para cobertura em áreas de conflito – como o Congo, que ilustra este post, mas também como o Rio. Quem escreveu foi Jaldeep Katwala, que atuou como jornalista e em operações de paz da ONU naquele país:
Evite clichês sobre o país que você cobre;
Não acredite em tudo o que te dizem;
Não busque a "verdade definitiva" das coisas;
Não tire os fatos de contexto;
Não aceite as informações sem questioná-las;
Não se esqueça, nunca, do lado humano dos sofrimentos;
Não seja descuidado com as palavras;
Não se deixe manipular pelas agendas dos interessados;
Não ignore as pressões locais;
Não ignore a história (a mais importante, talvez).
CLIQUE AQUI para ler em detalhes cada uma dessas orientações.
Pensando bem, essas dicas são úteis para qualquer tipo de cobertura jornalística. Mas, em zonas de conflito, a maneira como você cobre traz implicações muito mais graves para o país, os personagens envolvidos e para sua própria segurança.
Outros posts sobre cobertura em áreas de conflito:
Uma dica da leitora Fernanda: o Tribunal de Justiça do Distrito Federal fez um guia com explicações sobre termos jurídicos e até termos em latim muito usados no meio (tipo data venia, apud, habeas data, in continenti, modus operandi, sine qua non, sub judice, sursis...).
O NYT acaba de lançar uma nova página que permite ler todo o jornal, virtualmente, de forma mais fácil, mais limpa, e em formatos personalizados pelo leitor.
As fotos acima foram tiradas no mesmo lugar, com o mesmo objeto fotografado, mas com velocidades diferentes. A primeira foi tirada com velocidade de 1/1250 segundos e a segunda, 1/25. Como a primeira é muito mais veloz, ou tirada em uma fração de segundo muito menor, ela congela mais a imagem em movimento – é possível ver as gotas bem delineadas. A segunda, com velocidade menor, transforma a corrente d'água numa massa contínua.
O site MAKE USE OF preparou um guia prático sobre velocidades e obturador voltado para iniciantes em fotografia. CLIQUE AQUI para ver.
Ele começa o post com um conselho muito bom:
"Quando você tem uma câmera digital de 35 mm, a única forma de aproveitar ao máximo suas ferramentas avançadas é praticando as fotografias além do modo automático da câmera.
Quando você tira foto no modo automático, você está dizendo à sua câmera que quer que ela decida tudo por você. E, na maioria das vezes, se você está fotografando no modo automático, a câmera bloqueia a maioria dos controles e ferramentas e toma todas as decisões por você.
Mas, em fotografia digital, não há absolutamente nenhuma razão para tirar fotos no modo automático. Você pode tirar e deletar quantas imagens quiser e isso não custará nenhum centavo a mais."
Ao que eu acrescento, seguindo a mesma lógica do terceiro parágrafo: FUCE à vontade!
O Poynter postou um texto sobre como são os melhores professores de redação e como os estudantes podem aprender com eles.
Começou bem o post: "Você tem melhores chances de conseguir um bom professor de redação no primário, menos chance no ensino fundamental, ainda menos no ensino médio e o mínimo de chance na universidade" (não é à toa que minha melhor professora foi a Beth Gressi, do Barão do Rio Branco ).
Depois ele lista as qualidades dos melhores professores de redação:
Estimulam os estudantes a escreverem todos os dias
Não dão nota para todos os exercícios
Escrevem, às vezes, com e para os estudantes
Ensinam que a redação é um processo
Debatem com os estudantes durante esse processo
Relacionam a leitura à escrita
Fazem com que os estudantes falem, falem e falem sobre leitura e redação
Oferecem elogios e incentivos apropriados – assim como correções
Dão oportunidade de fazer revisões
Nunca usam a redação como forma de punição
Ensinam técnicas, como ortografia e gramática, dentro do contexto da redação
Acreditam que todos os estudantes, não apenas as "estrelas", podem melhorar sua redação (acho isso muito!)
Continuando nossa série, o editor de Mundo da Folha, RODRIGO ROTZSCH, fala o que é preciso para tornar a profissão "compensadora" a quem quiser segui-la.
Na sexta-feira, traremos para a série um jornalista da Folha que também é superblogueiro
O site "Memória Viva" tem uma seção só para divulgar textos, charges, imagens e até anúncios (como esse sensacional que ilustra o post) da revista "Cruzeiro", de 1928 a 1975.
Vale a pena rememorar (ou conhecer, para quem, como eu, não é daquele tempo). O arquivo deles é bem fornido, por exemplo, de textos da Rachel de Queiroz e ilustrações do Millôr Fernandes.
Além de Evo Morales, que ilustra o post, tem foto do Lula, do Obama, do Ahmadinejad, Óscar Arias, Berlusconi, Chávez, Fernando Lugo, Uribe, Zapatero, Jacob Zuma...
Mais um para nos inspirar: ele diz quanto foi emitido de CO2 em cada país, quantas pessoas nasceram e quantas morreram, desde o momento em que você começa a "assistir" ao infográfico.
Um exemplo de reportagem multimídia, com trocentas fotos, vídeos, áudios, gráficos, e muita informação, além de possibilidades de os leitores interagirem com o projeto.
A dica foi da leitora Maria Clara: conheçam o Reportaje 360, do El País, com duas edições já. Vale muito a pena e é grande inspiração para nós.
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