Peço mil desculpas por ter esquecido de postar o videozinho ontem, dia de nossa série favorita.
Hoje quem fala é a correspondente em Genebra LUCIANA COELHO.
Ela faz dois adendos: "Eu esqueci de recomendar a todos os futuros jornalistas que viajem o máximo que puderem, para os lugares mais diferentes que conseguirem" e, sobre um trecho final do vídeo: "A tal da 'arrogância' no caso não é ser pedante, é só um pouco de altivez e firmeza de opinião para a hora de confrontar quem precisa".
Mais cedo eu conversava com o ANDRÉ MONTEIRO sobre pessoas que conseguem fazer belos perfis jornalísticos. Na hora, falamos de dois: Daniela Pinheiro ("Piauí") e Fred Melo Paiva ("Brasil Econômico").
Também já falamos aqui no blog, em outras ocasiões, dos textos de Eliane Brum ("Época") e LAURA CAPRIGLIONE (Folha).
Cada um tem suas técnicas e suas habilidades. Uns gostam de adjetivos, outros não se importam de usar a ironia, uns são mais prolixos, outros mais contidos.
Uma maneira de aprender a perfilar é justamente observando os textos dos que sabemos bons, tentando descobrir por que escolheram aquele personagem, quais características foram destacadas no texto e o que deve ter sido necessário perguntar para se chegar àquele grau de apuração.
A jornalista Clara Torres traduziu em seu blog um post do "Talk to the Times", com conversa com a repórter Robin Pogrebin. Ela dá dicas de como cobrir cultura e responde a perguntas dos leitores do NYT. Minha favorita foi a seguinte:
Com tantas galerias, eventos, filmes na cidade, como você escolhe qual deles cobrir? Fica mais inclinada para os grandes eventos ou para aqueles que você acredita que sejam culturalmente significantes? Em outras palavras, o que é boa arte? — Alexander P. Lewis
RP – Não decido o que cobrir baseado no que considero "boa arte" já que esta avaliação desafia qualquer critério objetivo. Eu decido o que cobrir baseado em acontecimentos que acredito que sejam genuinamente dignos de serem noticiados de alguma forma — por serem anteriormente desconhecidos, inovadores ou contra-intuitivos. Certamente há tópicos de interesse permanentes, como os desafios econômicos das instituições de cultura ou em que grau a cidade distribui dinheiro para as organizações de cultura. Geralmente, eu procuro por reportagens que se sobressaiam a partir do valor que têm, que eu acredito que os leitores vão achar envolventes.
Faz tempo que não coloco fotos por aqui e não resisto muito. Hoje a dica é do leitor Cleber Arruda, que descobriu um álbum de fotos sobre o Afeganistão montado pelo blog sempre bom The Big Picture, do Boston Globe:
Essas foram minhas favoritas, mas há muito mais AQUI, em alta resolução.
Se você é daqueles que fizeram jornalismo porque detestavam matemática, este exercício vai te provar que estava redondamente enganado.
A matemática nos cerca em qualquer editoria, rotineiramente. Questões de percentual, juros, medidas, estatísticas e rankings baseiam (ou enriquecem) diversas notícias.
O teste abaixo foi formulado pelo professor Marcelo Soares, nas aulas de matemática que alguns jornalistas da Folha estamos tendo com ele. São todas questões envolvendo noticiário.
Desafio os leitores deste blog a resolvê-las também
Você conhece o KLB. Conhece a Caras. Conhece a ONU. E se não conhece ao vivo, sabe exatamente o que é Nova York. A manchete, lida assim, impressiona. A primeira coisa que a gente pensa é: “Puxa! KLB homenageado pela ONU! Em Nova York!"
E a segunda coisa que você pensa é: KLB!?!?!? Homenageado pela ONU!?!?! Em NY?? WTF?
É assim que começa o excelente post em que Rosana Hermann mostra passo a passo como desmascarar uma notícia plantada (aqui). Vale muito a pena ler: além de educativo, é bem divertido.
RODRIGO RUSSO terminou a 47ª turma de Treinamento na primeira semana de julho e foi, em seguida, cobrir férias da repórter de TV na Ilustrada. Quinze dias depois que Daniel Castro saiu da coluna Outro Canal, no final de setembro, ele foi chamado para cobrir a coluna interinamente por dois dias – que acabaram virando mais de um mês.
Conversei com o Russo para saber como driblou a inexperiência e o que aprendeu por lá. Vou dividir o post em duas partes, por causa do tamanho:
Novo em Folha - Como foi o convite?
Rodrigo Russo - Eu estava cobrindo as férias da LÚCIA VALENTIM RODRIGUES, fazendo a página de TV. Umas duas semanas depois de o Daniel sair, a SYLVIA COLOMBO [editora da Ilustrada] falou comigo que eu ia fazer a coluna por dois dias. Eu já tinha sugerido umas pautas para ela, de reportagem. A primeira era de marca de bebida alcoólica produzindo conteúdo para TV. Como calhou, fui atrás dessa história para minha primeira coluna.
NF - Você não ficou com um pouco de receio de encarar algo tão novo?
RR - Sempre dá um medo, fazer algo tão grande com tão pouco tempo de redação, deu um nervosismo, sim, mas foi saudável, porque lembrava a responsabilidade que eu tinha. Ao mesmo tempo, era algo que queria, eu topei, achei que era um desafio legal. É um negócio que tem muita temperatura, é muito quente, mexe com muita coisa.
NF - Recebeu algum tipo de orientação ou dica antes de assumir?
RR - Uma das orientações da Sylvia foi: "Você é a Folha, você é o Outro Canal. É uma coluna importante, uma coluna superlida, então use isso a seu favor".
Depois eu vim falar com a ANA ESTELA e ela falou: "Tome cuidado com os interesses que as pessoas têm". Foi um conselho importante. Sempre se perguntar por que a pessoa está te passando aquilo. E as assessorias sempre vão te passar muita nota exclusiva, é do interesse delas.
NF - O fato de você ser novo no jornalismo pode ter te atrapalhado a ter credibilidade entre os assessores?
RR - No começo atrapalha, claro. "Você está aí na Folha há quanto tempo?" "Estou desde o começo do ano." É um fator. Você nunca cobriu o tema e de repente tem que assumir uma coluna.
Mas você vai se impondo. É óbvio que o assessor vai querer te vender [jargão jornalístico para "oferecer uma sugestão de pauta"] uma coisa, mas você não vai fazer do jeito que o cara quer. Você é novo, então no começo eles devem achar que vai ser simples vender uma coisa e você vai comprar de todo jeito. Mas você vai fazendo do seu jeito e não do jeito que eles te passam.
NF - E teve dificuldade em fazer fontes?
RR - É difícil, porque você está num mercado em que os jornalistas que cobrem TV fazem a mesma coisa há muito tempo. Essas pessoas chegavam num nível que eu não tinha como chegar, e o jornal sabia disso. Porque elas tinham muito contato. E para falar com as pessoas eu tinha sempre que passar pela assessoria – no começo, depois eu consegui fazer algumas boas fontes.
NF - Quantas?
RR - Em um mês, fiz umas cinco fontes muito boas.
NF - Suas principais fontes eram os assessores?
RR - É, principalmente. Pode ser que com as outras pessoas que fazem isso seja diferente, porque já têm o contato direto. Eu não tinha o celular do cara para ligar direto.
NF - Como você fez para se organizar, saber o que tinha que monitorar, fechar a coluna em um dia, sozinho?
RR - Eu sempre tentava deixar a coluna [que ia ser fechada no dia seguinte] pronta, ou pelo menos encaminhada, no fim da tarde. Eu sempre falava com a editora as opções de notas que eu tinha e ela ajudava a avaliar. No dia seguinte, eu só fechava, olhava o tamanho, ouvia alguma coisa que precisasse.
NF - Quantos blogs você monitorava por dia?
RR - Uns seis, que são os agregadores, que buscam de um monte de fontes. Eu também entrava no Twitter de muita gente. A diretora do SBT tem Twitter, os caras do Casseta, o Bonner, o Marcos Mion, os caras do CQC, a equipe do Pânico, todo mundo. Mas o lance era tentar pegar coisas exclusivas, então acessava mais para monitorar, porque não era só daí que saíam as coisas.
E às vezes você tem uma ideia, vai atrás de um palpite. Depende bastante de observação. Por exemplo, dei um abre que era "Fantástico estreou cinco quadros em sete programas", algo assim. Nunca ninguém vai te falar isso, mas aí você compara com o resto do ano e vê que não é normal um movimento desses. Então tem que ficar atento ao que está acontecendo.
NF - Você ficava quanto tempo na redação?
RR - Chegava às 10h30 e saía umas 20h, 21h. Menos na quinta, que eu tinha que fechar domingo, aí ficava mais. Domingo é mais de perfil, uma entrevista maior. Então, além de ter a preocupação do dia, na quarta eu tinha que ter uma proposta de especial e tinha que ir atrás da foto também. Por exemplo, eu fiquei 15, 20 dias para tentar fazer o perfil do Zina e, na semana em que saiu, três dias depois ele foi preso!
NF - Você já gostava de TV, sempre foi de ficar ligado em tudo?
RR - Sempre gostei de TV e sempre fui mais de TV aberta. Mas não tinha um conhecimento. Você vai conversando com as pessoas, entendendo de tempo real do Ibope, de vender pra anunciante, de qual Ibope que vale – você não sabe das coisas no começo. É bem complexo, tem várias pessoas com quem você tem que falar. Tem o aspecto comercial, de produção, uma infinidade de campos numa emissora.
NF - Antes da vaga da Ilustrada imaginava cobrir TV?
RR - Não, nunca. Mas estou gostando. E fazer a coluna foi incrível. Foi uma pressão, é difícil, é complicado quando não tem fonte ainda. Mas durante o trabalho nem dava muito tempo para pensar, tinha que fechar e fazer do melhor jeito.
NF - Sentiu outras dificuldades?
RR - A dificuldade para as notas era selecionar o que era mais interessante. Você não sabe o que o leitor quer, na verdade. Tem coisas que saltam aos olhos: número de Ibope, guerra de audiência, sempre é legal. O abre sempre é mais complicado.
NF - E como se virava para decidir?
RR - A preocupação era de ser exclusivo, não ter saído em lugar nenhum, que era o mais difícil, ainda mais com a internet. Tentava ser crítico. Não só dar que o programa foi líder, mas perguntar por que tal programa foi líder de audiência.
NF - O que você mais gostava de abordar?
RR - Temas mais de política, de comunicação social mesmo, não de programação.
NF - Quais as principais diferenças entre fazer uma coluna e fazer reportagem?
RR - Na coluna é muito claro que tem que ter notícia, mas você pode dar uma cutucada, pode ser crítico, pode brincar com os títulos, fazer duplo sentido, fazer umas graças que não vai poder fazer na reportagem. Mas sem esquecer que tem que ter conteúdo, tem que se sustentar mesmo sem a gracinha.
NF - E para apurar, tem diferença?
RR - Só acho que tem mais conversa. Quando você está apurando alguma coisa para reportagem, vai mais direto ao ponto, sabe o que está apurando. Na coluna você tem que conversar mais, ouvir mais, estar mais aberto a ouvir do que a ter perguntas. Quanto mais a pessoa te falar, mais chance de sair alguma coisa. Tem dia que você não precisa ligar para aquela pessoa, mas se ligar vai ouvir alguma coisa, pode te dar uma ideia. Mesmo que não me ajudasse a escrever, ia me ajudar a entender melhor. Na coluna você não sabe o que é sua matéria. Vai virar, dependendo do que você ler, do que você ouvir.
NF - Como essa experiência vai te ajudar em sua carreira?
RR - Ajudou muito. Lidar com pressão, lidar com interesses muito grandes, esse negócio de ouvir mais, de ter essa visão institucional também. Foi uma correria, mas aprendi a segurar o rojão. E ter calma também, porque não adiantava ficar desesperado. Tinha dia que não acontecia nada mesmo; tive que lidar com o tempo, gerenciá-lo.
NF - Como você avalia seu trabalho?
RR - Pelo pouco tempo que eu tinha de jornal, acho que fui bem. A Sylvia gostou, achou que eu segurei bem a barra. E era para eu ficar por dois dias e fiquei por quase cinco semanas.
O blog Toledol, que sempre indicamos por aqui, traz hoje o making of de uma análise sobre as pesquisas do CNT/Sensus, que José Roberto de Toledo fez no "Estado de S.Paulo".
Ele agora passa a colaborar para o jornal impresso, depois de dez anos na internet. E veremos com mais freqüência posts sobre eleições e pesquisas eleitorais em seu blog. Sempre úteis para este 2010 que se aproxima...
O @newsleader (ou Justin Kings) coletou 20 dicas para tornar as notícias mais originais e destacadas da média. Algumas:
Quais são as questões mais faladas por seus amigos e vizinhos? A vida cotidiana é grande fonte de histórias em potencial.
Visite fóruns online locais para descobrir sobre o que as pessoas estão debatendo ou encontrar contatos úteis.
Use o twitterfall.com – é um feed de tweets baseado em palavras-chave.
Ao ver ou ler outras histórias em outras mídias, procure pelas histórias não-contadas ou ângulos novos que merecem ser investigados.
Com que freqüência você convida seus ouvintes a contribuir com idéias para histórias? Repita o convite regularmente para garantir que o recado foi dado.
Credite os ouvintes no rádio quando suas histórias forem ao ar.
Não faça apenas as perguntas que te levarão aos fatos mais básicos. Procure mais a fundo, pergunte "por quê?" e "e se...?".
Estabeleça uma meta para os repórteres encontrarem uma certa quantidade de histórias originais por mês. Recompense aqueles que atingirem a meta.
Não puna os que não atingirem. Descubra que técnicas eles usaram (ou deixaram de usar) e treine-os.
Converse com as pessoas! Seja no trânsporte público ou no barbeiro, descubra o que interessa as elas.
Perceba que jornalismo original requer tempo. Você consegue tirar um repórter do dia para que ele trabalhe em projetos especiais?
Gente, um apagão em Ipanema fez o lançamento mudar para perto dali. Vai ser na Travessa do Shopping Leblon, na rua Afrânio de Melo Franco. Por favor, ajudem a divulgar!!
DANIEL BERGAMASCO JOEL SILVA ENVIADOS ESPECIAIS A AREIAS (SP)
A cena foi melhor vista dos bancos do asilo São Vicente de Paula, vizinho à praça central de Areias (SP), onde o ex-prefeito João Patinho (PV), ex-policial federal, é acusado de matar a professora Cristiane Guimarães, tentar matar seu sucessor, José Antonio Fernandes (PSDB), e ainda atingir um eletricista de raspão.
[a história toda está na Folha de hoje; assinante lê aqui]
Fazer um lide assim é um risco. Pode funcionar ou ficar horrível. A gente só descobre se arriscar.
O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.
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