Dando continuidade à nossa série sobre como entrar nos principais veículos de jornalismo do país, hoje nosso guia vale para o jornal Correio Braziliense, dos Diários Associados.
Para fazer estágio:
Você precisa estar cursando o 6º semestre de graduação em jornalismo.
As vagas surgem de acordo com as demandas e são divulgadas em anúncios no Correio Braziliense e em consultorias de RH.
Você deve enviar seu currículo para anuncio.df@diariosassociados.com.br, a qualquer época do ano. Eles possuem um banco de currículos permanente.
Seu currículo é analisado por uma instituição de RH (CIEE) e encaminhado para a Redação.
Se você tiver os requisitos desejados para a vaga aberta no momento, passa por testes de conhecimentos específicos, dinâmicas de grupo e entrevista com o RH e com o gestor da área.
Em alguns casos, funcionários podem indicar estagiários para uma vaga também.
O estagiário recebe uma bolsa, um auxílio para transporte e um tíquete-refeição.
Não há garantia de que seja contratado em seguida: depende de seu desempenho e da existência de vagas.
Para tentar vaga de frila:
Geralmente os estagiários são os primeiros aproveitados para as vagas de colaborador.
Nos demais casos, não há processo seletivo formal, os editores contratam diretamente os frilas que irão trabalhar em suas áreas.
Para tentar vaga de contratado:
É preciso ser formado em jornalismo.
O grupo abre, primeiro, seleções internas. Eles entendem que a busca por talentos internos (sejam estagiários ou efetivos de outros setores) é prioritária.
Em seguida, caso não tenham encontrado o perifl, abrem recrutamentos externos.
A mãe que esqueceu o bebê no carro cometeu um crime, de homicídio, mas de homicídio culposo (sem intenção).
E pode inclusive ser liberada da pena, pelo fato de já ser uma pena suficiente para ela conviver até o resto da vida com a responsabilidade pela morte de seu filho.
É o que se chama de perdão judicial, que cabe em casos bem específicos, como este.
(Afinal, quem nunca foi esquecido pelos pais? Eu já fui, e não acho que meu pai foi relapso ou queria me abandonar, por causa disso).
Essas notícias rendem não apenas boas reflexões jornalísticas, como a análise de Hélio Schwartsman hoje, mas boas lições de direito, sempre úteis aos jornalistas.
A Ana fez a mesma pergunta aí de baixo lá na lista da Abraji. Vale o risco de subir nos morros em momentos de conflito para contar uma história?
A pergunta suscitou um belo debate, como não se via há algum tempo.
E o jornalista mineiro Thiago Herdy deu uma dica de leitura muito boa para quem se interessa pela discussão: "Mídia e Violência: Novas Tendêndias na Cobertura de Criminalidade e Segurança no Brasil", de Silvia Ramos e Anabela Paiva.
Na tentativa de buscar maneiras inovadoras de melhorar os jornais impressos, um holandês teve a ideia de fazer um jornal vertical, como mostra o vídeo acima.
Cinquenta anos depois que um massacre no Kansas inspirou Truman Capote a escrever seu clássico do "novo jornalismo", o Guardian decidiu ir lá ver como estava o lugar.
"Tiros, mortes, riscos e o necessário debate: isso está certo? É papel do jornalista subir o morro para contar melhor aquela história? Como falar de alguma coisa se você não estava lá para ver?"
A pergunta é do blog "Amanhã no Globo", e algumas respostas possíveis estão lá também. Vale a pena ler.
"Meu nome é Hector Vilar, sou jornalista e apresentador do programa "Canadá Direto", da Rádio Canadá Internacional, em Montréal. A história [do falso Lula] vem ganhando peso e importância, agora com a entrada da PF na apuração. Trata-se de falsidade ideológica ou é só um trote de um programa de humor?
Mas a questão mais interessante é, pelo menos para mim, o papel dos jornalistas. Afinal, aceita-se uma entrevista com o presidente do Brasil, o excelentíssimo senhor Lula da Silva, tão avesso a jornalistas, por email? Sem checar, sem nada, assim, fácil-fácil?
Nós, do serviço brasileiro da RCI, também recebemos a mesma oferta. Na terça-feira, dia 3 de novembro, recebemos um email de um tal de Caio Martins (nome de estádio de futebol no Rio ou parente do Franklin Martins?) oferecendo a entrevista exclusiva com o Lula. Isso é estranho. Como somos uma rádio canadense, todos nossos contatos com o governo brasileiro são feitos via Itamaraty, consulados ou embaixada em Ottawa, com que temos excelente relação. O email era mal escrito e tinha erros de português. Pior: o email não vinha do planalto.gov.br, mas sim de um sitezinho chinfrim chamado "diplomats.com". Na hora descartamos o email. Era trote na certa.
Achei que a história morreria aí, mas na segunda, dia 9 de novembro, o tal do Caio Martins ligou para a RCI. A ligação foi transferida para mim e do outro lado da linha, num inglês muito ruim mesmo, o Caio começou a ofereceu a entrevista. Pedi então para ele falar português, que seria melhor. Aliviado por poder falar na língua dele, Caio explicou a história, disse que Lula queria dar entrevistas a rádio internacionais para falar sobre o Rio 2016, "já que falou-se muito mal da violência no Rio nos últimos dias".
Eu quis então ver até onde ele ia com a farsa... e comecei a fazer perguntas mais concretas sobre "a tal da entrevista". Seria por telefone, disse o Caio, de preferência "ao vivo"... Eu disse que, ao vivo, só se o Lula falasse em inglês ou francês. Ele disse que então poderia ser gravada em português mesmo. Depois, eu pedi um email de contato e ele me deu o email caiomartins@diplomats.com. Perguntei se ele não tinha uma conta planalto.gov.br e ele disse que, por questões de segurança, essa era a conta dele. Pedi um telefone de contato e ele me passou um número de um celular de São Paulo (11 9580-3221). Quando eu perguntei por que não era um número de Brasília, ele veio com a história de que a central telefônica era em São Paulo, blá, blá, blá.
E só para ter certeza de que era mesmo um trote mal feito, perguntei quando a entrevista poderia ser feita. Ele disse, "amanhã, terça, dia 10, pois o presidente estaria em Brasília". Na terça, contudo, Lula estaria em Londres. Eu tinha acabado de ler essa informação na coluna do Clóvis Rossi na Folha Online. Agradeci a ligação dele. Disse que falaria com o meu editor e que ligaria de volta. Não liguei, claro.
Liguei na verdade para a assessoria de imprensa do planalto só para me certificar que nenhum Caio Martins trabalhava por lá. A informação foi confirmada. Rimos, a mulher do outro lado da linha e eu, só com o simples fato de o Lula "oferecer uma entrevista" e ponto final.
Repito, desde o início o trote foi mal feito. Três rádio africanas morderam a isca. Assim como uma rádio australiana, que agora, depois de cair no trote, afirma que desmascarou o "falso Lula". Para mim, eles simplesmente esqueceram a regra número um do jornalismo, que é checar a fonte. Se tivessem ligado para o Planalto antes de fazer a entrevista, e não depois, nada disso teria acontecido."
É isso aí. Tudo é checável. Ou seria muito fácil fazer jornalismo.
A Renata Amaral nos falou a respeito () e o Webmanário também comentou: o pessoal do JC Online criou uma reportagem em forma de tirinhas, bem bacana, sobre bicicletas e ciclovias. Além da forma inusitada de contar a história, eles também colocaram vídeos, áudios com os relatos dos entrevistados, enquete, infográficos e formas de interação com os leitores (tipo "conte sua história" ou "reclame aqui").
Vale a pena ver AQUI. É uma boa inspiração pra gente.
Dando continuidade à nossa série de posts sobre como entrar nos principais veículos de comunicação do país, coloco agora as informações do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (Jornal do Commercio, TV Jornal, Rádio Jornal, Rádio JC/CBN e JC Online):
Para fazer estágio:
Você precisa estar no curso de jornalismo (ou também radialismo, se for para TV ou rádio), faltando seis meses para sua formatura;
Cadastre-se no campo "Trabalhe conosco" do portal www.jc.com.br;
Você pode se inscrever a qualquer época do ano, mas a seleção costuma ocorrer em junho;
Todos os inscritos são chamados para a primeira etapa de seleção, que é uma prova de conhecimentos gerais, atualidades e língua portuguesa e uma redação sobre tema atual. A prova tem questões abertas e fechadas;
Apenas os candidatos que acertaram 60% das questões de conhecimentos gerais têm suas redações lidas;
Quem fizer 60% na prova e na redação passa para a segunda etapa, que é uma dinâmica de grupo organizada pelo RH e por jornalistas de cada veículo do grupo;
Os candidatos com maior potencial são selecionados para a terceira etapa, que é de prova prática. Sempre dois candidatos por vaga;
Os candidatos não aproveitados naquele momento, mas que têm potencial, são registrados em um banco de talentos e podem ser convocados para testes em outra oportunidade;
Cerca de 30 estagiários são contratados por ano, mas sempre ocorre de outras vagas abrirem ao longo do ano. Nesse caso, a empresa aproveita o banco de talentos ou faz nova seleção com os inscritos no "trabalhe conosco";
Os estagiários ganham bolsa de R$ 500;
Não há garantia de contratação, mas o grupo costuma contratar os bons estagiários.
Para trabalhar como frila:
Quem nunca estagiou no grupo pode tentar vagas de substituição de férias ou de outros jornalistas afastados;
Você pode contatar diretamente o editor para tentar essas vagas.
Para tentar ser contratado:
A principal porta de entrada é o cadastro no "Trabalhe conosco" do portal www.jc.com.br;
Você precisa ser graduado em jornalismo ou radialismo (no caso de rádio/TV);
Seu currículo é avaliado e você passa por todas as etapas que o estagiário passa (prova, redação, dinâmica e prática);
Se você não for aproveitado, mas virem que possui potencial, seus dados ficam registrados no "banco de talentos" e você tem preferência quando surgirem novas vagas;
Não há limitações de idade para ser contratado ou promovido. Nas promoções, no entanto, o tempo de experiência em cada função é levado em conta.
Estágio multimídia:
No ano passado a empresa criou o estágio multimídia, em que quatro estagiários circulam por todos os veículos e depois passam a atuar no JC OnLine.
Ao longo dos primeiros seis meses, os selecionados passam dois no impresso, dois nas rádios e dois na TV. Depois, ficam no online, onde são responsáveis por produzir conteúdos exclusivos para o portal.
A seleção é interna: todos os que já estão estagiando no sistema podem se inscrever e o teste consiste em escolher uma pauta e produzi-la para todos os veículos.
Há uma apresentação para o comitê que coordena o estágio e este comitê escolhe quem vai se tornar multimídia.
Os selecionados recebem noções de produção e edição de vídeo na TV, aperfeiçoam o texto no impresso, aprendem um pouco de locução na rádio e depois juntam tudo isso no online.
Acabei de assistir ao filme "O Solista", com dois dos meus atores favoritos: Robert Downey Junior e Jamie Foxx.
O filme é sobre a história real de Steve Lopez (Downey Jr), jornalista do Los Angeles Times que conhece Nathaniel Ayers (Foxx), músico genial que mora nas ruas.
Nathaniel é o personagem dos sonhos de qualquer jornalista que goste de contar boas histórias sobre pessoas. Não vou entrar em detalhes, para não estragar o filme, mas ele reúne várias características muito ricas e tem uma personalidade fascinante.
E como Lopez encontrou um cara desses? Sorte?
Pode até ter sido sorte, mas nenhum acaso seria possível se Lopez não fosse curioso, observador e atento às boas histórias que pululam ao seu redor.
Se não tivesse ouvido um som de violino em apenas duas cordas e tivesse tido a curiosidade de descobrir de onde ele vem e falar com o instrumentista abrigado debaixo de uma estátua.
Enfim, se não tivesse tido o faro de um bom repórter, pra fechar com um clichê verdadeiro.
[O filme também nos faz pensar sobre o envolvimento que podemos ter com as fontes e sobre outra porção de coisas maravilhosas, mas estas eu deixo para comentar quando vocês também tiverem assistido ]
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