Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Para quem já rodou alguns quilômetros

Harvard e Stanford abrem inscrições para bolsas de jornalismo http://cli.gs/nv4Ja

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h12

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O que é preciso para ser jornalista, por Fabiano Maisonnave

  FABIANO MAISONNAVE, correspondente da Folha na Venezuela, ainda estava dentro da embaixada brasileira em Honduras quando gravou o vídeo para nossa série.

Foi um dos meus favoritos (e vocês vão descobrir por que no final Muito feliz)!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Quatro livros para estudar reportagem

Estou preparando uma conversa que terei amanhã com os garotos do curso da Oboré - Cruz Vermelha, sobre reportagem.

Incumbi a mim mesma da dura missão de tentar repetir pra eles o que aprendi com meu "mextre" Marcelo Beraba: reportagem se apóia em quatro pés, como uma poltrona. Não é só entrevista. Tem que ter pesquisa, observação e documentação. Sem as quatro pernas, fica uma poltrona manca.

Mas o destino deste post é outro: nessa preparação, separei quatro livros excelentes para quem quer estudar reportagens e achei que valia compartilhar com vocês.

Todos seguem uma fórmula que acho excelente pra quem está começando esta aventura: traz várias reportagens e, em cada uma delas, os autores contam em detalhes o que fizeram, que obstáculos superaram, que técnicas usaram.

Além de tudo, o texto é bom de ler.

Vamos a eles:

Anatomia de Uma Reportagem, de Frederico Vasconcelos

Institno de Repórter, de Elvira Lobato

10 Reportagens que Abalaram a Ditadura, organizado por Fernando Molica

50 Anos de Crimes, organizado pro Fernando Molica

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Curso de Economia do Ipea

 
 

Curso de Economia do Ipea

  • Inscrições terminam hoje.
  • Pelo email adelina.lapa@ipea.gov.br ou 61-3315-5249.
  • Vai ser em São Paulo, entre 16 e 19/11.
  • Mais informações AQUI.
  • Dica da Hulda, que já participou e gostou Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cursos | PermalinkPermalink #

Banco Mundial no Google

Meu professor Ricardo Meirelles avisa: estatísticas do Banco Mundial agora estão no Google

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h47

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Pós em jornalismo esportivo

A Faap lança curso de jornalismo esportivo que tem vários cobras da profissão como professores, entre eles meu amigo e colega ALEC DUARTE, Flavio Gomes, Rodolfo Martino (coordenador de Jornalismo da Metodista), SÉRGIO RIZZO e Edson Rossi (diretor de conteúdo do Terra).

O curso é coordenado por meu colega de Folha e de blog FÁBIO SEIXAS.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h18

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Mais making of da cobertura sobre o apagão

  Acabei de acrescentar o relato do editor de Homepage da Folha Online, MÁRCIO DINIZ, no post sobre a cobertura do apagão, logo mais embaixo.

Ainda vamos entrevistar mais pessoas para enriquecer esse registro histórico. Acompanhem! Bem humorado

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h53

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Meu dia com o presidente

Para quem, como eu, sentia falta dos textos dos trainees da 48ª, JEAN-PHILIP STRUCK vem para nos alegrar. Alegre Ele conta o que aprendeu em sua primeira cobertura do presidente Lula:

  Na segunda-feira tive meu "dia de Lula". Eu acompanhei uma homenagem ao vice-presidente, José Alencar, na sede da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo). A entidade entregou a Alencar o título de presidente honorário.

Fiquei observando o trabalho da ANA FLOR, repórter de Brasil, que estava cobrindo o evento para o jornal.

  • Perguntei para a Ana qual é um bom método para guardar o nome e rosto de tantos políticos e empresários. (O evento estava cheio deles, parecendo um "Who‘s Who" da República.) Ela disse que a melhor maneira mesmo é ler bastante jornal, observar as fotos e estabelecer os contatos. A coisa vem com o tempo. Não há nenhuma fórmula mágica.
  • Sei que nas redações as roupas são, digamos, um pouco mais descontraídas, mas é bom colocar algo um pouquinho mais formal para esse tipo de evento. Fui avisado que estava escalado para essa homenagem quando já estava na Folha. Sorte que eu estava com as minhas roupas caxias de sempre. Tinha muito jornalista de camiseta na Fiesp. Não é preciso sair vestindo um smoking, mas, se for para falar com os figurões vestindo ternos de R$ 3.000 num evento empresarial, é melhor estar um pouco mais arrumado.
  • O Lula e outros políticos já tinham avisado que não falariam com a imprensa, já que tinham dado uma coletiva horas antes. A maior parte dos jornalistas estava lá esperando que algo acontecesse. A Ana Flor disse que esse tipo de evento também é importante para que os políticos vejam os repórteres, para lembrar quem eles são. Pode ser que dê na telha de algum desses políticos contar algo. Você não pode só falar com esses políticos quando precisa de algo, é preciso jogar alguma conversa fora, cultivar o relacionamento.
  • A segurança de um evento que envolve o presidente é bem mais rígida. É bom chegar um pouco antes – mesmo com os atrasos típicos desses encontros. Uma fila enorme de repórteres esperando o credenciamento se formou na entrada. Outros jornalistas até sofreram mais: sem credencial não entraram.
  • O vice é um personagem importante, mas o evento em si era um tanto banal. Uma matéria com esse tipo de homenagem pode facilmente ficar com cara de coluna social, se distanciando do caráter político. As reportagens que citaram o evento mal falaram da homenagem. Se concentraram em trechos do discurso improvisado do presidente. Lula afirmar que Alencar é um bom companheiro que ajudou na eleição de 2002 não é lá muito relevante. Mas afirmar que seu vice foi o grande responsável pela vitória em 2002 e é um de seus poucos companheiros é algo que pode render um texto.
  • Foi curioso observar pessoalmente que alguns pequenos gestos desses políticos demonstram temperamentos diferentes. Antes da cerimônia, notei que Serra revisava metodicamente seu discurso. Já Lula nem olhava para seu papel. Foi interessante uma alfinetada que Lula deu em José Serra. Quando discursou, o governador de São Paulo agradeceu e citou um número enorme de autoridades presentes. Coisa corriqueira nesse típico de discurso. Só que Lula, que discursou em seguida, não perdeu a oportunidade e disse: "Como não sou candidato a nada, não preciso agradecer ninguém."

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h17

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Tecnologia da emergência

 

  Fui daquelas crianças que desmontavam brinquedo de corda pra ver como eram por dentro (e conseguia remontar depois Sorriso). Hoje, quando vejo um trabalho bem feito, tenho o impulso de fazer o mesmo.

Até já falamos disso aqui no blog: dissecar um texto, uma apuração, uma edição é um ótimo exercício –e tem a vantagem de ser gratuito.

Quem assistiu ao vídeo do editor de Cotidiano, ROGÉRIO GENTILE, no post aqui abaixo, ouviu a frase "Nossa equipe já tem experiência de coberturas de emergência como estas [ataques do PCC, acidentes aéreos, cratera do metrô]".

Experiência ajuda muito quando é preciso decidir rapidamente, porque já temos repertório –o que Gentile chama apropriadamente de "tecnologia", em seu depoimento.

Quando a gente pega os cadernos de ontem e de hoje, dá para ver claramente como essa tecnologia virou notícia. Basta fazer uma lista de tudo o que entrou na cobertura (na lista abaixo, acrescentei também outras ideias que fui tendo no caminho):

  • uma capa diferente, de impacto, cuja imagem tenha também informação, seja simbólica
  • um "lidão" na capa que resuma o que leitor encontrará no caderno (podem ser também pequenas chamadas)
  • relato factual - tem tudo para render uma reportagem com texto mais de crônica, bem descritivo, visual, que construa o cenário e faça os atores andarem por ele
  • factual mais duro - como foram afetados hospitais, escolas, polícia/segurança, trânsito, abastecimento de água, de energia, de alimentos, impacto nas empresas (prejuízos), na agricultura, número de afetados etc.
  • a investigação sobre as causas
  • lista de perguntas ainda sem respostas
  • análise política - como o episódio pode repercutir no panorama político/eleitoral
  • análise técnica - qual o contexto técnico do episódio, o que ele pode revelar
  • análise econômica - que efeito pode ter na economia/que causas econômicas podem ter
  • bastidores - como agiram os principais atores, ou como pretendem agir
  • notas - pequenas histórias que ficam melhor se editadas em notas curtas, uma separada das outras
  • serviço - como o acidente afeta o serviço público, o que funciona e não funciona, onde se informar, como ajudar, como pedir ajuda, como ser indenizado se sofrer danos, onde ler mais sobre o assunto, como prevenir problemas
  • depoimentos - boas histórias podem ser contadas em primeira pessoa
  • entrevistas pingue-pongue com personagens relevantes (responsáveis, "heróis" do episódio, únicos sobreviventes, principais especialistas)
  • mapa - quase sempre obrigatório quando há acidentes ou incidentes concretos
  • infográfico didático mostrando o que, como, onde, quando aconteceu
  • "scores", ou seja, os principais números, bem ressaltados
  • arte com memória de casos semelhantes, cronologia, ranking dos principais acidentes semelhantes
  • principais frases, em corpo maior, para arejar a edição e facilitar a leitura
  • arte com as versões para o caso
  • fotos expressivas, informativas e bem abertas
  • fotos de detalhes relevantes
  • se o evento envolver clima, fotos de satélite
  • fotos de antes e depois, para mostrar o impacto
  • repercussão (na mídia internacional, nas redes sociais, na rua)

Quem tiver mais ideias do que incluir numa megacobertura como essa, mande!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Como foi a cobertura do apagão na Folha

 
 

    Como prometido, vamos publicar agora uma série de vídeos com jornalistas que participaram da cobertura do apagão, ontem à noite. Editores, repórteres e produtores de Cotidiano, Fotografia, Arte, Agência Folha mostram como experiência, entusiasmo agilidade e trabalho em equipe dão resultado.

 


 

O editor de Cotidiano, ROGÉRIO GENTILE, conta que já estava em casa, dando a edição do dia por encerrada, quando foi avisado e voltou às pressas para a Redação, para ajudar a produzir e editar o caderno de hoje – que foi quase um especial sobre o blecaute.

Ele conta que a participação da editoria de fotografia foi fundamental para o resultado final: "Os fotógrafos funcionaram como um radar, e nos informaram rapidamente que o problema tinha uma dimensão muito maior do que a que imaginávamos".

Ele fala ainda do que achou que poderia ter sido melhor e de sua sensação ao sair do jornal só às 2h40:

O secretário-assistente de Redação da Folha, RICARDO MELO, conta como foi a decisão de trocar a manchete do jornal, já na edição nacional, enquanto ainda estava na impressora. A manchete antiga, que era "Avanço social é menor em áreas desmatadas", virou "Apagão atinge 7 Estados e DF" – que, na edição São Paulo, fechada mais tarde, foi ampliada para "Apagão atinge 9 Estados e DF": 

FÁBIO MARRA, editor de Arte, conta que não deu tempo nem de criar rascunhos para as infografias, tamanha a correria:

"Capitã da equipe de radares" (na boa definição de Rogério Gentile, logo acima), a editora de Fotografia da Folha, CARLA ROMERO, conta que a foto escolhida para a capa não era sua favorita, mas, no geral, achou que as escolhas foram boas e o trabalho da equipe foi bem feito.

Exceto por uma coisa, que ela relata no meio do vídeo: Bem humorado 

O coordenador da Agência Folha já tinha ido embora e MAURO ALBANO, editor-assistente, estava com apenas dois repórteres quando o apagão ocorreu. Acordou os correspondentes pelo Brasil afora e, junta, a equipe relatou os episódios fora de São Paulo. Descobriram, inclusive, que o número de Estados afetados pelo blecaute era bem maior que o que o governo divulgava naquele momento:

JULIA MONTEIRO estava fechando as artes e teve que tomar a decisão, com a equipe, de fazer a capa preta, impactante (e bonita) como saiu:

O redator de Cotidiano RODRIGO FIUME ajudou a coordenar a produção e edição e teve que cortar e diminuir textos do dia para caber o novo material sobre o apagão:

A repórter especial LAURA CAPRIGLIONE, que foi à Paulista ver como estava lá, diz que encontrou muita gente se divertindo com o blecaute:

O repórter GUSTAVO HENNEMANN, da Agência Folha, acha que o melhor lugar em que poderia estar durante o apagão era apurando, na Redação – apesar da fome!  surpreso

MÁRCIO DINIZ, editor de Homepage da Folha Online, conta que os repórteres online tiveram que trabalhar no escuro. Convencido E mesmo assim a equipe conseguiu dar a notícia antes dos concorrentes:

[A música que abre os vídeos é "Black Night", do Deep Purple.]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Como foi feito | PermalinkPermalink #

Você investiga, a bolsa paga

Estão abertas as inscrições para o 5° Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística
 
Os vencedores recebem bolsas que variam entre R$ 10.500 e R$ 16.000, para ajudar a financiar investigação jornalística sobre o abuso e a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes (pra quem não se lembra, Tim Lopes foi assassinado quando fazia reportagem que envolvia exploração de menores em bailes funks).

Após a publicação do trabalho, o jornalista recebe também um prêmio de R$ 3.000,00.

Podem participar repórteres, editores e chefes de reportagem de diferentes tipos de veículos (impresso, rádio, televisão, web e veículos comunitários ou alternativos), além de estudantes e professores de cursos de comunicação.

Interessados deverão inscrever suas propostas até o dia 29 de janeiro de 2010. Você encontra o formulário de inscrições aqui.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h32

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Noite escura, manhã brilhante

E pouco depois das 22h São Paulo escureceu.

Olhei pela janela e só vi breu. Vinte e dois anos de Redação nas veias me fizeram achar aquilo meio estranho. Liguei no ato para meu chefe RICARDO MELO, que já atendeu assim:

-- Faltou luz aí também?

A suspeita ficou com mais cara de certeza: vinha notícia grande pela frente. Deu pra ouvir alguém lá no jornal comentar, com aquela excitação dessas horas: "No Rio também está escuro!"

Achei a lanterna, liguei o rádio de pilha pra tentar acompanhar. A estação estava funcionando e transmitia uma entrevista com o ministro Minc. Deve ser algo local, pensei, e o sono encerrou logo ali minha participação nessa cobertura. Infelizmente. Porque agora às 5h40 quando peguei o jornal me deu uma vontade enorme de ter trocado de roupa  e voado para a Redação.

Quem puder não deve deixar de olhar o caderno Cotidiano de hoje e pensar sobre tudo o que envolve uma grande cobertura na correria. Na tensão do prazo, na frieza e experiência do editor, no encaixe de todas a equipe, como engrenagens, para que o jornal hoje pareça tão completo. E, principalmente, tão vivo.

É nessas horas que a gente relembra por que é sensacional ser jornalista. É daqueles momentos em que a gente vira a noite e nem percebe, dá quase pra ficar feliz de ter trabalhando tanto.

Por enquanto, vou deixar vocês só pensando. Mais tarde eu e a Cris voltamos pra contar pra vocês como foi mesmo a madrugrada de ontem aqui na Redação.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 06h26

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O que é preciso para ser jornalista, por Frederico Vasconcelos

  Continuando nossa série, agora publicada às terças e sextas, vejam o que o repórter especial FREDERICO VASCONCELOS nos aconselha. E ele sabe do que está falando!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h01

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Curso de jornalismo popular e alternativo da USP

 
 

Curso de jornalismo popular e alternativo da USP

  • Há 50 vagas.
  • As inscrições vão até dia 19 de novembro e devem ser feitas pessoalmente, na ECA.
  • Para se inscrever, tem que levar CPF, RG, comprovante de escolaridade e currículo, que será analisado.
  • É gratuito.
  • Vai ser de 7 a 11 de dezembro, das 14h às 18h.
  • CLIQUE AQUI para mais informações.

(Dica do Takata Jóia)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h56

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cursos | PermalinkPermalink #

Oficina de pauta e produção de reportagem para TV

 
 

Oficina de pauta e produção de reportagem para TV

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h34

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cursos | PermalinkPermalink #

A cobertura dos 20 anos de queda do Muro de Berlim

 
 

A cobertura dos 20 anos de queda do Muro de Berlim

Leonardo Wen/Folha Imagem

  A correspondente da Folha em Genebra, LUCIANA COELHO, que foi enviada especial à Alemanha para fazer a cobertura dos 20 anos de queda do Muro de Berlim, divide com a gente como foram os preparativos para o especial. As dicas que ela dá são úteis para vários outros tipos de coberturas:

"Acabo hoje, meio exausta porém empolgada, 11 dias de cobertura na Alemanha para mostrar como está o país 20 anos após a queda do Muro de Berlim. A Ana sabe que eu sou fã do blog, então é aqui no Novo em Folha que eu queria encerrar minha "missão" com uma contribuiçãozinha.
 
Jornalista não é fã de efeméride, embora algumas sejam inevitáveis. No meu caso, havia um porquê pessoal: eu tinha 11 anos em 1989. A Queda do Muro é a minha primeira lembrança de um evento que eu percebi importante (é claro que eu não entendia conceitos como "multipolaridade", mas, filha de professora de história, eu tinha uma vaga ideia de que aquela festa que eu via na TV ia mudar o mundo de algum jeito, e acho que foi mais ou menos aí que eu comecei a achar que jornalismo era uma profissão bacana). Era natural que 20 anos depois, eu já jornalista, quisesse ver no que aquela festa tinha dado.
 
Mas como fazer uma cobertura de um tema óbvio, que você sabe que todo mundo vai dar, mas que não tem uma pauta clara? Eu não falo alemão. Eu nunca havia ido a Berlim nem ao lado oriental do país, só ao sul da Alemanha. E os colegas mais experientes, que vivenciaram a Guerra Fria com consciência, sairiam na vantagem.
 
Só ia dar certo se eu me planejasse.
 
1) Escolha um foco
Como eu sou interessada pelo assunto e consumo muita notícia, tinha uma noção desde o início da história que queria contar: que a Alemanha, passados 20 anos, continuava dividida. Mas no começo era mais uma impressão, e sair com teses apressadas nunca é saudável. Eu precisava saber mais.
 
2) Estude e consulte quem sabe mais
Reli capítulos do "Pós-Guerra" do Tony Judt e procurei material da imprensa europeia, pois a profundidade da cobertura deles é maior (até por estarem diretamente envolvidos). Faltava ainda eu saber se minha impressão estava correta (imagine chegar lá e descobrir que não, ia dar muito mais trabalho!). Então, uns dois meses antes, comecei a conversar com amigos que vivem ou viveram na Alemanha e a telefonar para alguns historiadores que conhecia. Também conversei com um jornalista da Reuters que cobriu a transição econômica no Leste Europeu.
 
Sabia que para contar a história que eu queria, precisava ir à "Alemanha Oriental". Mas aonde? Das leituras e breves conversas com os editores, achava que dois casos interessantes eram os de Leipzig e Dresden, pela importância secular das cidades; por elas terem tido papel na abertura e por serem pólos econômicos no Leste. Dresden também me interessava pelas turbulências econômicas recentes. Os historiadores me detalharam episódios, os amigos me disseram que minha impressão se confirmava _embora eu tenha ouvido que o ângulo não era exatamente novo na Alemanha, o que me deixou esperta para tentar tratar do tema com o máximo de dados atuais possível. Pronto, eu tinha um roteiro de viagem.
 
3) Defina a abordagem
O tempo não me permitiria fazer uma cobertura ao mesmo tempo ampla e profunda. Optei pela amplitude do que seria minha "fotografia" da Alemanha reunificada em vez de mergulhar nos aspectos históricos. Eu queria olhar para frente, não para trás. Minha experiência de dedição ajudou a definir os temas principais dentro da proposta mais ampla: efeitos das divergências econômicas; falta de representação política do Leste; nostalgia pela antiga Alemanha Oriental; o destino da antiga Stasi e as histórias de Dresden e Leipzig.
 
4) Marque tudo com antecedência, mas não lote sua agenda
Resolvido isso, propus a pauta à Folha. O jornal acabou aprovando apenas uma semana antes da viagem. Como correspondente, minha rotina é apertada, mas me forcei a abrir um espaço para marcar o máximo de entrevistas possível de antemão. Algumas foram confirmadas logo, outras, eu viajei sem ter a certeza. Tomei o cuidado de deixar tempo livre e não fazer uma "agenda de dentista" (um compromisso por hora, sabe?) para poder caçar coisas por lá e criar planos B para o que desse errado. E não dá para fazer a pauta toda a distância. Você precisa ter um esqueleto, mas boa parte da cobertura será de ideias que você só terá em campo. (Surgiu assim, por exemplo, a matéria da falta de ensino sobre a Alemanha Oriental na escola). E, se puder fazer contato com gente do lugar antes, faça.
 
5) Invista no seu ponto forte
Precisava dar um sabor especial a algo que estaria em todos os jornais, considerando minhas limitações. O negócio era investir no que eu sei fazer melhor _talvez algum editor meu discorde, mas eu acho que meu forte é ouvir gente e dar uma cara "humana" para a reportagem. E, claro, caprichar no texto. Numa cobertura comum, em que dificilmente haverá furos, a qualidade da narrativa é essencial.
 
6) Cubra seus pontos fracos
Já disse como fiz para suprir minhas defasagens de conhecimento histórico e de visitas ao país. Para o alemão, contatei em Berlim um amigo que fala a língua para o caso de eu precisar ouvir alguém que não falasse inglês. Às vezes, mesmo em um país "fácil" como a Alemanha, falar a língua faz diferença para se virar na rua. No fim, a maioria dos meus entrevistados falava inglês (para conversar com um ex-líder de protestos em Dresden, meio em inglês meio em alemão, contei com a ajuda de um estudante brasileiro (!) que encontrei no saguão do hotel. Para entrevistar um curador de museu em Dresden, com a de um colega que contara antes).
 
7) Não tenha preguiça e mantenha a antena ativa
Mesmo com todo o planejamento, nesse tipo de cobertura não dá para fechar os ouvidos mesmo quando você acha que uma pauta já está apurada. Quando você está em campo, a ideia é absorver tudo para processar no texto. E conversar muito, andar muito, prestar muita atenção em tudo. Ainda mais em casos como o meu, que estava produzindo um material que não tinha deadlines diários. O negócio era acordar cedo, dormir tarde e usar todo o "dia útil" para ouvir gente. Escrevia e lia só à noite.
 
8) Diga por que veio
Sempre tenho em mente uma pergunta que o Vaguinaldo Marinheiro, o secretário de redação da Folha, me fazia toda vez que eu ia sugerir uma viagem de um repórter nos três anos em que fui editora-adjunta de Mundo: por que mandar alguém, o que vamos fazer de diferente das agências de notícias? No começo, confesso, achava  a pergunta besta. Oras, um repórter nosso em cena faz diferença sempre. Com o tempo, vi que responder isso nos distancia de um texto pasteurizado de hard news. Por isso, sempre tento trazer o leitor para o meu lado, fazer ele se sentir lá e criar uma identificação. Como? Descrevendo detalhes. É claro que não é para perder a mão nem o foco. Mas algo interessante sobre o local que você notou, um gesto inesperado do entrevistado, uma descrição do que você está vendo, tudo isso deixa o texto mais caloroso.
 
9) Saiba ouvir e observar
Muitas vezes nesta cobertura eu fui entrevistar uma pessoa porque ela podia me falar de um assunto X. No fim, acabava conversando sobre outras coisas, a entrevista ampliava minha visão do assuntou ou rendia falas para outros textos que não aquele em que eu havia encaixado o interessando inicialmente. Acho que isso foi uma sacada legal desta vez, permear os textos com alguns entrevistados iguais. Deu coesão ao material. Também foi observando frases banais na conversa que cheguei à conclusão para o texto principal: comecei a notar que os estereótipos de Leste/Oeste estavam embutidos demais nos meus entrevistados, que vira e mexe soltavam uma frase um pouquinho preconceituosa sobre o outro lado. Não tem nada de animosidade, mas ficou claro que a diferença que eu via não estava só na economia ou na política. Estava na cabeça das pessoas.
 
10) Cuidado com a redundância
Onze dias falando de Muro de Berlim, 13 textos, 2 infográficos. Era fácil eu me repetir. Ou repetir os outros. Tive o cuidado de conversar com os editores dos dois cadernos em que saiu o material, Mundo e o Mais!, sobre o que mais eles publicariam. Depois, com tudo pronto, reli tudo na sequência. Não satisfeita, pedi para uma amiga que vive na Alemanha fazer o mesmo. E, obviamente, esperei a opinião dos editores. Além disso, porque a geração posterior à minha não vivenciou esse racha no mundo e porque a anterior experimentou isso muito mais que eu, eu não podia ser didática demais nem de menos (batata, ouvi de algumas pessoas que fui demais e de outras que fui de menos). Ah, confesso que teve uma hora em que eu parei de ler a cobertura dos jornais europeus e da concorrência. Olhava só as manchetes para ver se não estava perdendo nada importante ou se não ia dar nada repetido. Algumas pessoas podem reprovar, mas pessoalmente achei que era o único jeito de não perder o foco."

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h58

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Como foi feito | PermalinkPermalink #

O caso Uniban e making of de uma notícia

  O que é que o vestido rosa-choque da Geisy tem a ver com o senador Cristovam Buarque?

Nunca saberíamos, não fosse a curiosidade do FERNANDO RODRIGUES e a habilidade do amigo Fabiano Angélico.

O primeiro perguntou: será que a Uniban, faculdade que expulsou (e agora recuou) a Geisy, já doou para algum político?

O segundo relata em seu blog como fez para encontrar o CNPJ da faculdade e cruzá-lo com os dados do TSE, que o guiaram até o ex-ministro da Educação em sua campanha à presidência da República.

Resultado: R$ 40 mil ligam um ao outro (e nada mais, ao que nos conste, segundo o post de Rodrigues).

Leia como foi a apuração do Fabiano.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h42

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

22 ideias para melhorar a produção de notícias

  Dan Gillmour é professor da faculdade de jornalismo Walter Cronkite (que tem cursos de multimídia sensacionais, como me mostrou recentemente o leitor Francisco Jóia) e acha que os jornalistas estão falhando em cumprir seu papel. Ele pensou em 22 ideias que adotaria caso tivesse seu próprio jornal. Eu não concordo com um monte delas, mas todas nos fazem pensar:

  1. Não faria matérias de efemérides, exceto em casos raros. Elas são o refúgio dos jornalistas preguiçosos e sem imaginação.
  2. Convidaria meu público a participar do processo jornalístico e criaria um sistema de reconhecimento aos colaboradores.
  3. Transparência seria o centro do nosso jornalismo. Um exemplo: cada matéria teria um box com uma lista de questões que os repórteres não conseguiram responder em sua apuração.
  4. Os leitores teriam a opção de assinar um boletim com todos os nossos erros descobertos, inclusive os mais banais.
  5. A conversa seria um elemento central. Um exemplo: os editoriais e cartas aos leitores apareceriam em um blog.
  6. Evitaria apenas reproduzir falas, sem fazer jornalismo. Se é verificável que alguém está mentindo, nós registraríamos isso na matéria, com a devida prova.
  7. Trocaria as palavras de assessor de imprensa ou outras expressões Orwellianas por uma linguagem mais neutra e precisa.
  8. Abraçaria o hyperlink de todas as formas possíveis.
  9. Nosso arquivo seria aberto, até a data mais remota possível.
  10. Ajudaria as pessoas da comunidade a se informarem sobre a mídia, em vez de serem consumidores passivos de notícias. Trabalharia em escolas e outras instituições que reconheçam a necessidade do pensamento crítico.
  11. Jamais publicaria listas dos dez melhores. Isso é coisa de gente preguiçosa e sem imaginação.
  12. Exceto em alguns casos, não publicaria aspas de fontes anônimas.
  13. Se a fonte anônima tiver mentido, divulgaríamos sua identidade.
  14. O verbo "dever" seria banido do jornal.
  15. Rotineiramente apontaria para os bons trabalhos dos concorrentes, inclusive com links, para que os leitores se informassem de maneira ampla sobre um assunto.
  16. Além disso, tentaria correr atrás e reportar os assuntos dados pelos concorrentes, em vez de apenas fingir que eles não existem.
  17. Se acreditasse que uma política está errada, faria uma verdadeira campanha para que seu rumo fosse mudado.
  18. Para qualquer assunto que cobrimos constantemente, haveria uma remissão ao final, voltada para os leitores pouco familiarizados com o tema. Tipo: "Clique aqui para entender o beabá".
  19. Algumas notícias teriam um box informando às pessoas o que elas podem fazer a respeito daquele assunto.
  20. Tentaria de todo modo possível informar quem são as pessoas ou órgãos por trás de cada informação.
  21. Evitaria fazer com que as pessoas tivessem pânico de uma suposta ameaça que não é tão perigosa assim.
  22. Nenhuma opinião ou comentário de políticos ou executivos de empresas. Eles nunca realmente escrevem o que aparece com sua assinatura.

CLIQUE AQUI para ler tudo.

(Dica do RODOLFO LUCENA Jóia)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Lembrando: tudo será publicado, tá?"

  Imagine que seu entrevistado, alteradíssimo, solta uma bomba. Xinga alguém de tudo que é nome e faz uma acusação grave.

Qual a primeira reação do repórter, geralmente? Ficar quieto, para o cara não perceber que soltou a bomba, e depois publicá-la com o respaldo do gravador.

Só que o sujeito, alteradíssimo, pode ter dito aquilo por ato falho, sem perceber em que estava se metendo.

Foi provavelmente isso que o repórter Thiago Salata, do "Lance!", pensou ao entrevistar o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, logo depois da derrota para o Fluminense. Depois de ouvir o entrevistado falar que o juiz é comprado, que roubou para beneficiar alguém (e que é um vigarista-sem vergonha-crápula-vagabundo surpreso), o repórter falou duas vezes: "Tudo o que foi dito será publicado".

Maurício Stycer pergunta: Salata fez bem?

O que vocês acham?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h03

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

BUSCA NO BLOG


Treinamento Folha
RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.