A Mostra de Cinema de São Paulo tem filme para jornalistas, que CAMILA BRAGA diz ser muito bom:
"O filme é O Abraço Corporativo. Ele é despretensioso ao criticar o jornalismo hoje e mostra um exemplo real, e por isso mesmo consegue apontar 'nossos' problemas –de todos nós mesmo– sem ser preconceituoso, ou moralista, ou fora da realidade.
É muito, muito bacana mesmo. Tenho certeza que muito estudante aprende mais na uma hora de filme do que em meses e meses na faculdade. Um exemplo do que tanto pregamos checar, rechecar, duvidar, cavar, até ver se o que temos em mãos se sustenta mesmo. Ainda mais hoje, com a internet para acelerar o processo natural de algumas coisas (e que eu amo!), mas que nos força a comer algumas coisas cruas.
Enfim, eu acho que, pra quem começa, pode ser mais produtivo ainda. Tenho certeza que nunca mais nenhum esquece "
O gráfico acima é um dos sensacionais feitos pelo site PagoDados, que transforma letras de músicas de pagode em "arte". Dica do professor Marcelo Soares
Ele provavelmente se inspirou em outro site incrível, o GraphJam, que transforma quase TUDO em gráficos. Por exemplo:
Confesso que demorei a me render ao gravador digital. Tinha o meu pré-histórico de fitona desde o primeiro período de faculdade e com ele fiquei até este mês, quando decidiu parar de funcionar de vez (a tecla de rebobinar já saltava fora quando eu apertava o Play há vários anos ).
Quer dizer, se ele ainda estivesse funcionando, talvez eu ainda estivesse armazenando fitas na minha caixa aqui do lado...
Mas minha última pauta foi feita com o gravador digital que comprei pela internet (este aí que ilustra o post – longe de ser um dos melhores, mas valeu o custo-benefício). E queria dividir as impressões de uma recém-convertida, até para ajudar os (raros) que ainda se apegam à K7:
Minha bolsa ficou cinco vezes mais leve;
Ainda demorei algum tempo para me acostumar aos botões, mas depois de dois dias entrevistando as pessoas, peguei o jeito;
Mesmo assim, perco alguns segundos para colocar para gravar: quando antes eu só tinha que apertar play-rec e pronto, agora tenho que ligar, colocar em modo de espera e dar o rec. Meu gravador não é rapidíssimo, então lá se vão uns 7s. Mas nada que vá fazer tanta falta no dia a dia;
Esqueci de desligar a gravação em certo momento, deixando o gravador ligado dentro da bolsa por três horas. Serviu pra gastar pilha à toa, mas também para ver que a qualidade do áudio é excelente, porque eu consegui ouvir tudo o que as pessoas disseram no período em que ele esteve embaralhado entre minhas chaves, celular, papéis, canetas, bloquinho, e todas as coisas que dizem que existem em bolsas femininas
Não sei se é burrice minha ou do gravador, mas estou com dificuldades de cortar as gravações antes de passar para o computador e demoro anos pra dar FF;
A qualidade da gravação pelo telefone também é bem melhor e com bem menos cortes que sofria com meu gravadorzão (mas talvez porque o fio seja mais firme também);
AMEI poder passar meus áudios pro computador em poucos segundos, via USB! Uma grande vantagem disso, além da organização, é que dá para editar áudios em programas como o Soundforge e tirar ruídos ou aumentar bastante o volume – o que muitas vezes é o único jeito de ouvir uma gravação sofrível;
Uma vez no computador, coloquei minhas entrevistas em pastinhas organizadinhas, com nome de cada entrevistado e data, dentro de outras subpastas. Definitivamente mais fácil de encontrar o trecho que eu quero na hora de fazer a transcrição ou de checar alguma informação do texto;
É possível separar as falas dos entrevistados durante a gravação, bastando apertar stop e rec de novo. Em uma entrevista longa, sobre vários temas diferentes, essa separação funciona como pré-edição e facilita muito na hora de escrever;
Achei menos assustador para os entrevistados do que o gravadorzão.
Enfim, essas são as primeiras impressões. Claro que podem mudar à medida que eu for conhecendo melhor meu novo parceiro de pautas. Mas, no geral, recomendo!
O diabo aí em cima habita um livro pra crianças de um de meus autores preferidos (Hans Magnus Enzensberger), mas sei que também aterroriza muitos jornalistas.
No fundo, o bicho é manso; difícil é convencer quem está traumatizado. Não custa tentar:
Se quiser começar pianinho, o livro infantil (por que não??) está em PDF na internet (aqui).
Enquanto não tem segurança nem pras contas mais básicas, aproveite que há várias calculadoras muito didáticas na internet. Clque aqui pra ver um exemplo.
Fazer as contas é até menos relevante. O principal mesmo é saber tratar números como uma informação igual às outras. Não basta jogá-los no texto, é preciso fazer sentido. Vai aqui, então, uma lista de perguntas pra gente fazer quando nossa matéria está "endemoniada":
quanto representa do total? (nem precisa ser porcentagem; basta dizer "foram 20, de um total de 150". Mas com as calculadoras sugeridas acima fica fácil dar a porcentagem também)
quanto representa por habitante? (isso ajuda em comparações com outras cidades, desde que tenham portes parecidos)
é o maior ou menor do país?
é o maior ou menor da região?
qual foi a metodologia da pesquisa? Ou seja, o que os dados revelam exatamente? É sempre bom explicar na matéria: "o índice se refere ao preço de tal e tal coisa, coletado em tal e tal lugar no período tal"]
houve mudança recente de metodologia? Isso é importante para saber se dá para estabelecer COMPARAÇÕES NO TEMPO:
está aumentando ou diminuindo em relação ao mês anterior?
está aumentando ou diminuindo em relação ao mesmo período do ano anterior? (há dados que são sazonais: sorvete, por exemplo, vende mais no verão. Então, para dizer se dezembro foi bom para os fabricantes, é preciso comparar com dezembro do ano anterior).[
é recorde (positivo ou negativo)? é o maior ou o menor desde quando? (neste caso, convém dizer quando os dados começaram a ser computados)
a participação no total está aumentando ou diminuindo?
só faça as comparações, claro, se a metodologia for a mesma. Se não for, esclareça: "não dá pra dizer se piorou ou melhorou porque a metodologia mudou".
Para fazer um texto menos chato, siga as dicas deste post.
Se você tivesse um único conselho para dar aos jovens jornalistas, qual seria?, perguntou a "Time" ao escritor Malcolm Gladwell, da "New Yorker". Olha o que ele respondeu:
"A questão não é escrever. É sobre o que escrever. (...) Aspirantes a jornalistas deveriam parar de ir a cursos de jornalismo e fazer outro tipo de graduação. Se eu estivesse estudando hoje, eu me especializaria em estatística, e talvez em uma porção de cursos de contabilidade – e escreveria sob esta perspectiva. Acho que esta é a saída para sobreviver. O papel dos generalistas está perdendo força. O jornalismo tem que ficar mais esperto."
Dicas muito boas, que resumo em dois posts, como ela fez.
Escreva ao máximo - pode ser para os exercícios da faculdade, um blog, um jornal local. Exercite sua redação.
Produza multimídia - aprenda tudo sobre a web, aprenda a filmar e fotografar, a editar vídeos, áudios, fotos, aprenda os principais códigos da web.
Respeite os deadlines - comece a fazer o trabalho assim que o receber, não fique adiando para o último minuto.
Crie coragem - o mundo precisa de mais pessoas que queiram e saibam fazer perguntas difíceis. Pesquise, aprofunde-se e seja capaz de fazê-las.
Procure por melhores histórias por baixo da superfície - seja relevante para seu leitor. Traga histórias mais profundas, ângulos diferentes e contextos para os textos.
Aprenda a escrever - é fundamental não só conhecer as regras gramaticais, a correta ortografia do seu idioma (e ferramenta de trabalho), como também as padronizações e estilos dos veículos em que pretende trabalhar.
Seja 100% ético - lembre-se que sua reputação e credibilidade são tudo.
Trate todos os seus trabalhos de faculdade como o próximo passaporte para um emprego - porque são, mesmo, seu cartão de visitas.
Candidate-se às vagas - porque elas não caem do céu.
Converse com seus professores - eles têm várias histórias para contar, coisas para ensinar e contatos a oferecer.
Comece a enviar pautas para publicações - faça deste o ano em que você conseguiu publicar algo e ainda recebeu por isso!
Faça aulas de como montar seu próprio negócio.
Seja empreendedor.
Aprenda mais - a faculdade não vai te ensinar tudo. Busque informações grátis na internet, leia sobre assuntos que te interessem, especialize-se em sua paixão.
Leia - de tudo, vorazmente, mas foque em textos de qualidade.
Ensine - você pode saber o que seus colegas não sabem. Que tal compartilhar o que aprendeu em um blog, por exemplo?
Seja uniforme na forma de escrever, nos acompanhamentos de suas fontes, no respeito aos prazos e em sua presença nas redes sociais.
Seja profissional, mas não chato - melhore o email borboletinhaazul@gmail.com, tire as fotos comprometedoras da internet, mas não anule sua personalidade.
Compre um domínio na internet com seu nome (custa uns R$ 30 por ano).
Colecione potenciais fontes.
Crie uma conta no Twitter.
Leia e siga os blogs e twitters de outros jornalistas.
Espalhe/compartilhe os links legais que encontrar.
Participe de redes online, como o Linkedin.
Participe de associações, como a Abraji.
Faça e distribua cartões de apresentação.
Afie seu "papo de elevador".
Não subestime o poder de um almoço.
Mantenha contato com colegas, fontes, com aquele que te deu o cartão, com o que retuitou o que você escreveu.
Imagine um repórter especialista em cobrir execuções.
Pois Michael Graczyk, da Associated Press, já fez histórias sobre mais de trezentas. Ele trabalha no Texas, o Estado americano com mais casos de execuções. E provavelmente é o sujeito que mais assistiu às penas capitais em todo o país.
Ele precisa contar a história dos executados, das vítimas de seus supostos crimes, das famílias envolvidas. É como se tivesse de fazer um obiturário e uma reportagem policial freqüentemente – até porque hoje todos os jornais do Texas usam seus relatos em vez de enviar repórteres próprios para acompanhar as penas de morte.
A história dele foi contada pelo New York Times da terça passada. CLIQUE AQUI para ler.
O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.
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