Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Um ratinho jornalista

  Leitores com filhos pequenos – ou aqueles que são eternas crianças, como eu – já podem ler as aventuras traduzidas de Geronimo Stilton, um rato que é dono do maior jornal de sua cidade e se envolve em mil peripécias Bem humorado

Quem conta é o MARCELO COELHO, aqui.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h20

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Pílula do dia seguinte - vida por trás do fato

Boa sacada de reportagem que conta mais sobre a vida de quem foi só uma linha no noticiário do dia anterior:

ONTEM (fato)


HOJE (vida)

(Clique aqui para ler o texto)

 

Na semana passada o Estadão havia feito coisa semelhante:

FATO (na sexta)

VIDA (no sábado)

O texto está aqui, mas fechado para assinantes

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h50

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A arte de fazer uma boa capa

  Vejam que bela sacada do "Extra" na edição de hoje, que ironiza as celebrações olímpicas no Rio com a quebradeira que ocorreu nos trens (e as dificuldades do transporte e segurança em geral). Um tom crítico muito saudável para qualquer jornal:

Dica do Desculpe a Poeira Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h43

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Glossário eleitoral do TSE

Está chegando a hora em que esse glossário poderá ser muito útil aos jornalistas Jóia

CLIQUE AQUI para ler.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h45

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3º seminário internacional de jornalismo online

 
 

3º seminário internacional de jornalismo online

  • Dias dias 27 a 29 de outubro.
  • Tema: "Futuro incerto e a revolução permanente na mídia"
  • Gratuito, aberto a todos, mas com vagas limitadas. Basta comparecer 30 minutos antes de cada painel para garantir a vaga.
  • São diversos participantes legais: Américo Martins (BBC Londres), Beth Saad (USP), Danilo Gentili (CQC), Mariante (Folha/Esporte), José Roberto Toledo (Abraji), Milton Jung (CBN), Pedro Dória (Estado), dentre vários outros. Muita gente boa mesmo.
  • Mais informações AQUI.

Dica do leitor Cleber Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h39

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Fórum de jovens da Unesco

  A leitora Renata Summa foi selecionada para representar a América Latina no 6º Fórum da Juventude da Unesco. O grupo criou um blog. Ela e outros quatro jornalistas pretendem fazer entrevistas, contar histórias e apresentar os projetos relacionados aos jovens e à crise econômica.

Como são dois assuntos de interesse dos leitores deste blog, achei que gostariam de visitar. É em inglês.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h32

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Printoxafin - a cura para o jornalismo

Já que é dia de humor, veja este vídeo, que alardeia:

“Jornalismo é uma doença séria e incapacitante. Dados revelam que 9 entre 10 repórteres sofrem de jornalismo, e pesquisas mostram que 97% dos que contraem jornalismo acabam morrendo... mas você não precisa sofrer em silêncio. Printoxafin está aqui para ajudá-lo."

(O vídeo está em inglês)

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h11

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Humor no jornalismo cotidiano

Humor no jornalismo não é só em quadrinhos, charges ou quando a notícia é hilária.

Pode --deve, até-- ser na abordagem, numa forma criativa e potente de escrever, na escolha das informações.

Bom exemplo no jornal de hoje é este lide de uma entrevista com o cineasta Steven Soderbergh, na capa da Ilustrada:

 

FERNANDA EZABELLA
DA REPORTAGEM LOCAL

Steven Soderbergh não tem medo
da mentira. Ele a filma. E, frequentemente,
também a utiliza, se isso significa
promover a paz mundial ou
fazer seus filmes acontecerem.

Aliás, a entrevista toda é bem-humorada, ágil, bem editada com perguntas e respostas concisas e interessantes [quem assina FSP ou UOL pode ler aqui].

 


 

Por falar em entrevistas, costuma ser bom exercício assistir a uma, prestando anteção na estratégia dos entrevistadores, no tipo de pergunta, na ordem em que elas são feitas, nas saias justas etc.

Na semana que vem quem estiver em São Paulo tem a chance de fazer esse exercício: vai haver uma sabatina com o presidente da Petrobrás, aberta a quem quiser participar (veja aqui). Petrobras, como sabemos, sempre rende assunto quente.

Se quiser ter ideia de quanto rende "estudar" uma sabatina como essa, assista à que foi feita com Ronaldo (Fenômeno) (aqui).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h00

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Todos os jornais num só monitor

  Esta coisinha aí em cima, futuro produto da Apple, aparentemente vai concentrar conteúdo midiático de vários veículos, a começar pelo New York Times. Também poderá reproduzir livros e estudos inteiros, o que vai baratear (pelo menos a médio prazo) os custos de quem gasta muito com materiais de estudos.

A dica foi do leitor Francisco, que exemplificou:

"Meu filho cursa computação aqui e a cada semestre pelo menos $500 dólares são gastos em livros, então se os textos estiverem disponíveis em formato eletrônico deve baratear muito e com isso a plataforma ficaria bastante viável. Hoje em dia também é possível acesso a vários cursos de boas universidades americanas gratuitamente no iTunes-U (eu ainda não busquei nada na área de jornalismo, ano que vem eu devo olhar isso com mais carinho Alegre), aí teríamos um único dispositivo móvel concentrando todo o material de estudo: aulas, livros, e o compartilhamento através de aplicações sociais."

Segundo a notícia que ele me enviou, o aparelho deve ser lançado em janeiro.

É, o futuro já chegou! surpreso

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h26

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As mentiras contadas pelo pão

  A charge sensacional que ilustra este post faz uma crítica à freqüência com que caímos – como patos – em gráficos, taxas e estatísticas que não querem dizer absolutamente nada.

O pior é que os jornalistas (muitas vezes nada afeitos a matemática) reproduzem acriticamente muita numeralha vazia.

Alguns repórteres da Folha estão tendo aulas de estatística e matemática com o professor Marcelo Soares, justamente para aprender a olhar mais atentamente para o significado real dos números.

E hoje o professor nos encaminhou um texto bem interessante de João Ubaldo Ribeiro, publicado em agosto, que ironiza o problema usando, como exemplo fictício, as várias estatísticas "incontestáveis" sobre o pão.

Tipo: "98,3% dos presidiários que cumprem pena por crimes violentos são usuários de pão" ou "O pão é assado em fornos cujas temperaturas são mantidas acima de 200º Celsius. Essa temperatura pode matar um ser humano adulto em menos de um minuto"  Muito feliz

Como ele bem diz, números não mentem mesmo, mas muitas pessoas mentirosas usam os números à vontade.

Cabe a nós, jornalistas, desconfiar dessas pessoas antes que o estrago seja feito.

CLIQUE AQUI para ler o texto sobre o pão.

"Mil campos de futebol" é quanto?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h13

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Primeiros passos: para entrar nos Diários Associados em Minas

  Dando continuidade à nossa série de como dar os primeiros passos no mercado de trabalho, coloco agora o guia que vale para os jornais "Estado de Minas" e "Aqui", para a TV Alterosa, a rádio Guarani FM, o portal UAI e o teatro Alterosa. Busquei as informações com Karina Sampaio, Consultora Interna de RH:

Para fazer estágio: 
  • É preciso estar no 6º ou 7º períodos da faculdade de Comunicação Social.
  • Há 20 vagas para estagiários na área de jornalismo em todo o grupo – dez delas reservadas para alunos da PUC Minas, que tem parceria com o veículo.
  • Os alunos da PUC Minas passam por uma seleção interna dentro da faculdade; os 20 melhores são indicados ao jornal, que seleciona os dez que atendam ao perfil desejado.
  • As outras dez vagas surgem conforme a demanda das editorias dos veículos e são sempre divulgadas diretamente nas coordenações dos cursos de jornalismo das principais faculdades de Belo Horizonte (principalmente UFMG, Uni-BH, Fumec, Newton Paiva e Estácio de Sá).
  • Na divulgação, é informado um e-mail específico para enviar o currículo.
  • É feita uma triagem nos currículos e os selecionados passam por um processo de seleção, que inclui redação, PI (uma metodologia usada por recursos humanos para ver o perfil dos candidatos) e dinâmica de grupo.
  • Em até uma semana, os selecionados são chamados para as vagas.
  • Estagiários que são alunos da PUC ficam até seis meses no jornal e, a cada seis meses, abrem novas dez vagas para alunos daquela instituição.
  • Os outros estagiários podem ficar até 1 ano e 11 meses.
  • Muitos são contratados em seguida, sem necessidade de novo processo seletivo.
  • Mas não há garantia de vaga para estagiário, apenas os melhores permanecem.
  • Os estagiários são remunerados.
  • Durante todo o ano, interessados também podem enviar currículos para cadastro.talento@uai.com.br: mesmo sem vagas abertas, os currículos são analisados quando há oportunidades.

Para fazer o Programa de Trainee (suspenso):

  • Houve uma edição do programa de treinamento em 2008, mas ele está suspenso. Mesmo assim, vale a pena ver como foi, porque há grandes chances de ele voltar a ser implementado nos mesmos moldes.
  • Em 2008, o programa de treinamento foi divulgado entre as principais universidades de Minas e em todos os veículos do Grupo, pedindo o envio de currículo para um e-mail criado especialmente para o programa.
  • Os requisitos: estar cursando o último semestre do curso de Comunicação Social, ter conhecimentos de inglês e domínio de informática.
  • Dos 1.300 currículos que chegaram, 300 foram chamados para a segunda etapa, das provas (conhecimentos gerais, informática, inglês, gramática e redação). No mesmo dia, preencheram o PI, que foi usado como critério de desempate.
  • Destes, 40 foram para a última etapa: uma banca com o RH e editores de cada um dos segmentos (impresso, online, rádio e TV). A idéia é que os trainees fossem multimídia.
  • Dez trainees foram selecionados ao final.
  • A seleção ocorreu em agosto e o programa de treinamento foi de setembro a dezembro de 2008.
  • Durante o programa, eles tiveram, por 5h/dia, seminários e aulas com os principais jornalistas de todo o grupo, além de produção de reportagem.
  • Durante os três meses, não há remuneração.
  • Dos dez trainees, cinco foram contratados em seguida. 
Para tentar vaga de contratado:
  • No Grupo sempre é feito um processo seletivo. O RH busca os candidatos no banco de currículos, faz uma triagem e escolhe a partir de entrevista e do PI.
  • Existem os candidatos indicados que precisam passar pela entrevista com RH e preencher o PI. Caso sejam contraindicados pelo RH, não entram.
  • Um portal recentemente criado pelos Diários Associados, www.admite-se.com.br, em breve centralizará todos os currículos e vagas que abrirem no grupo, de estagiários, frilas e contratados.

Para entrar na Folha

Para entrar no Grupo Abril

Para entrar no "O Globo"

Para entrar no Grupo Estado

Para entrar na Rede Globo e G1

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h55

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Um repórter na crise de Honduras

 
 

Um repórter na crise de Honduras

Fotos: Fabiano Maisonnave/Folha Imagem

  O repórter FABIANO MAISONNAVE acompanha a crise em Honduras desde quando ela estourou, com a expulsão de Manuel Zelaya em 28 de junho. E já está na Embaixada Brasileira desde o dia 25 de setembro, ou quatro dias após a chegada do presidente deposto ao território brasileiro.

A cobertura da crise em Honduras é de matar de inveja qualquer jornalista, porque reúne todos os principais ingredientes de uma boa notícia: surpresa, imprevisbilidade, tensão, disputas políticas, acirramento, desentendimentos diplomáticos, um golpe que remonta a acontecimentos históricos recentes no continente e a inusitada participação do Brasil no caso.

Por tudo isso, achei que uma entrevista com o repórter da Folha seria ótimo para este blog. Bem humorado Ele está lá com outros nove jornalistas, mas apenas mais um de veículo brasileiro (Grupo RBS). E me respondeu às seguintes perguntas por e-mail:

Novo em Folha - Você mencionou em matérias e no blog que bloqueadores de celular te impedem de acessar a internet e fazer ligações normalmente. Além disso, sofreu furtos e passa por diversas dificuldades técnicas e de conforto no trabalho. Já havia trabalhado em situação parecida? Como está fazendo para driblar essas dificuldades e seguir enviando pelo menos dois textos diários da embaixada?

Fabiano Maisonnave - A situação é inédita para todo mundo que está aqui dentro. O confinamento proporciona duas vantagens incríveis: neste momento, Zelaya, obviamente, está no centro da notícia. Em geral, isso o tornaria quase inacessível, mas o fato de estar encerrado na casa com apenas dez jornalistas facilita muito. 

Além disso, o ambiente é de uma grande riqueza jornalística: uma embaixada brasileira sitiada militarmente há vários dias com um presidente deposto acompanhado por dezenas de pessoas. 

A riqueza de material deixa em segundo plano as dificuldades do dia, como comer e dormir bem ou conseguir uma boa conexão de internet. Sem contar o fuso horário, com três horas a menos que o Brasil. Há um pouco de sacrifício, mas não é o importante.

NF - Você disse no blog que poderia sair da  embaixada quando quisesse, mas, se saísse, conseguiria retornar sem problemas? Já havia passado por cobertura com esse grau de tensão?

FM - Se saísse, não teria garantias de voltar, por isso decidimos ficar. Algumas vezes é tenso, mas já vivi momentos piores. Entre 2002 e 2003, sofri duas ameaças de morte, quando era correspondente em Campo Grande (MS).

NF - Você toma alguma medida de segurança? Chegou a ter medo de uma possível invasão da  embaixada?

FM - A minha avaliação é que a embaixada nunca esteve a ponto de ser invadida. O cerco visa mais uma pressão psicológica, mas acabou favorecendo Zelaya – concordo com o chavão de que, em política, o melhor papel é o da vítima. Com tantopoliciais e militares, acho que estou num dos lugares mais seguros do mundo.

NF - Como conseguiu entrar na embaixada? Foi fácil? Havia quantos jornalistas lá quando entrou?

FM - Entrei por meio de contatos no governo interino, realizados quando vim aqui pela primeira vez e fiquei por 40 dias. Havia dez jornalistas, dois da AP, um da Reuters, um da AFP, uma repórter de uma TV salvadorenha, três da Telesur, um da rádio Globo hondurenha e um do site "Democracy Now".

 

NF - Os dez jornalistas que estão na  embaixada se ajudam de algum modo? Como evitar que os concorrentes da RBS e da Globo interfiram em seu trabalho, ou que vocês formem um "pool" involuntário? 

FM - Há uma clara divisão aqui: os jornalistas da rádio Globo e do "Democracy Now" acabaram se transformando em assessores de Zelaya, são engajados e inclusive dormem separados de nós. O outro grupo faz tudo junto: come, dorme, conversa e joga Monopoly. A minha grande ajuda tem sido via Telesur, via Adriana Sivori. E a ANA FLOR me mandou tanta coisa no sábado que posso ficar aqui por mais um mês!

A casa é grande o suficiente para que eu não tenha de trabalhar ao lado do Rodrigo, da RBS. A Globo só ficou umas poucas horas aqui. 

NF - Como é o contato dos jornalistas com as outras pessoas da casa? E com o Zelaya? Você também sente dificuldades de conseguir informações importantes para sua matéria, apesar da proximidade com os personagens-chave?

FM - O contato é às vezes muito tenso. Uma vez, a mulher de Zelaya, Xiomara, quis a minha saída da casa, mas isso é uma longa história. Zelaya, apesar de três anos e meio como presidente, entende muito pouco qual é o papel da imprensa, e os seus assessores, menos ainda. Num dia, reclamou de uma foto da AP e pediu "apoio e colaboração" aos que estávamos na casa. Mas ele fala conosco sempre quando pedimos.

CLIQUE AQUI para ver um relato de tensão vivida pelo Fabiano hoje.

NF - Como fazia para apurar as outras questões de Honduras, estando confinado dentro da  embaixada e antes de a ANA FLOR chegar? Vocês dois conseguem se comunicar satisfatoriamente para combinar pautas e trocar informações?

FM - A apuração era muito difícil, ligava para colegas do lado de fora e algumas fontes, mas a ligação quase sempre se cortava. Um recurso importante era o envio de despachos de agências desde a Redação. Não temos TVrádio, só ouvi uma vez. 

Com a chegada da Ana Flor, a cobertura melhorou muito, estamos sempre em contato por telefone ou e-mail.

NF - Você está há vários dias confinado com um grupo que representa apenas um dos lados da crise. Como fazer para se manter isento e não deixar que a política contamine seu olhar sobre os fatos?

FM - Dá para acompanhar razoavelmente o que acontece dos dois lados. A proximidade aumenta o grau de intimidação, mas não de empatia, pelo menos no meu caso. Zelaya e seus seguidores acham que jornalismo é uma forma de propaganda partidária, tem de ser abertamente a favor ou contra. Mas a imprensa hondurenha é mais ou menos assim mesmo.

Por isso, é uma vantagem cobrir dentro de uma embaixada do Brasil. Se Zelaya estivesse na embaixada de outro país, seria muito mais complicado, acho que eu já teria sido expulso. Ou nem teria entrado.

 

NF - Você também já escreveu sobre a rotina dos visitantes da embaixada. Como é a sua rotina? Você também precisa colaborar com a organização da casa?

FM - A minha rotina é: acordar (ser acordado é mais correto) lá pelas 5h30, ouvir um pouco de música para relaxar, depois guardar os colchões com os colegas, tomar café da manhã (geralmente, café e Gatorade quente com biscoito) e trabalhar. A comida vem uma vez por dia para nós, de forma que o almoço vira janta. Ou, quando atrasa, a janta vira almoço. Nós, jornalistas, procuramos cuidar da nossa sala, mas é impossível, é meio que um corredor.

Uma das minhas funções informais é de "assistente de chancelaria": muitas vezes, sou a ponte entre os hondurenhos e os jornalistas e o Lineu de Paula, o diplomata brasileiro de plantão aqui. Isso inclui até pedir o banheiro emprestado.

NF - E como você se organiza para pensar nas pautas e executá-las? Recebeu orientação do jornal para trazer o máximo de observação para os textos? Como é se colocar como personagem de um texto (por exemplo, ao dizer que teve a toalha furtada)? 

FM - As pautas dependem muito do dia, principalmente no começo, havia muita imprevisibilidade. Claro, uma das prioridades é contar como se vive aqui dentro, havia muita curiosidade no início, principalmente sobre a situação da embaixada.

Sobre ser personagem, não estou gostando, mas foi inevitável nesta cobertura. Costumo dizer que prefiro ficar atrás, e não na frente das câmeras. "Virar notícia" é bastante incômodo para um jornalista e, quase sempre, não é um bom sinal.

NF - Você disse no blog que não gosta de blogs nem de blogueiros e ainda está tateando nesse novo mundo virtual. Ficou surpreso com a quantidade e o teor dos comentários? Os leitores te ajudaram de alguma forma – com o feedback, as críticas, sugestões de pautas etc? O que está achando desse novo mundo, em que você recebe toda a repercussão de seu trabalho em cima da hora?

FM - Fiquei surpreendido com o feedback. Acho que tive mais comentários nestes dias do que recebi cartas em oito anos de Folha. Há muitos comentários excelentes, que ajudam muito, muito a nortear a cobertura, e também tem gente bastante raivosa. Não sabia que era assim, confesso que nunca enviei nenhum comentário sequer a um blog. 

Mas estou gostando deste bravo mundo novo, está sendo bastante pedagógico. Infelizmente, a minha conexão é muito precária, e o ritmo de trabalho não ajuda.

E admito que leio dois blogs frequentemente: o do Sergio Leo e o do Juca Kfouri.

NF - Você pensa em seguir com o blog quando voltar para Caracas, ou em outras coberturas? Acha possível conciliar as reportagens para o jornal e os complementos (com textos, fotos e vídeos) no blog?

FM - Ainda não decidi, mas acho que não. O problema em Caracas é que tudo é muito polarizado, e o blog é basicamente opinativo.

Estou perdendo muito tempo para um post, mas acho que é por causa da conexão precária e da inexperiência. 

NF - O que você acha melhor nesta cobertura? Que tipo de preparação algum repórter tem que ter para estar no seu lugar?

FM - O melhor é a história, uma situação inédita que, de quebra, envolve o Brasil. Sobre a preparação, não sei dizer. Curiosidade e sorte, talvez. E falar espanhol.

NF - Pode dividir com a gente alguma história inusitada ou engraçada ou curiosa que tenha acontecido com você aí?

FM - Há muitas histórias, como a da menina que está guardando seu tênis estropiado para doar ao futuro Museu da Resistência. Outro dia, fomos acordados às 6h por um grupo de mariachis escoltado por soldados, uma cena felliniana (era a comemoração do Dia do Soldado). Mas acho que muita história morrerá aqui dentro da casa, já foi criada uma ética interna difícil de explicar para quem está fora.

Bom, e descobri que o Zelaya pinta o bigode. Proximidade demais dá nisso.

Bastidores da cobertura

No meio da novela dos reféns

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h20

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Um dia na coluna da Mônica Bergamo

 

O jornalista teve que aprender a separar tietagem de cobertura (Mastrangelo Reino/Folha Imagem)


O trainee IURI TÔRRES divide tudo o que aprendeu enquanto esteve com a equipe da colunista da Ilustrada:

  Um dos nossos dias de escala na redação tem o angustiante nome de "escolha", ou seja, o trainee pode ir para qualquer parte do jornal. Escolher onde trabalhar neste dia pode ser desesperador. Minhas opções eram: coluna Mônica Bergamo, caderno Equilíbrio ou Ilustrada. A "repórter dos furos" me deixou acompanhar um dia na rotina da coluna. Bem, o expediente durou 18 horas.

Na última quinta-feira, cheguei ao jornal às 10h, para entender como funciona o fechamento da coluna. Grudei na ex-trainee FLÁVIA MARTIN e vi como são escolhidas as fotos "sociais" e as legendas. A partir de meio-dia tentei apurar alguma nota, tarefa que se provou mais difícil do que a demanda: a informação tem de ser exclusivíssima. A falta de fontes é um empecilho nesse momento.

O telefone é o melhor amigo dos repórteres de uma coluna como a da MÔNICA BERGAMO. Muita coisa já foi apurada no dia anterior, mas é importante o frescor da notícia, então há muito a ser checado novamente e, claro, descobrir novos furos. É impressionante a quantidade de informações exclusivas em uma página de jornal.

Após o fechamento, almocei com os repórteres da coluna MATHEUS PICHONELLI, FLÁVIA MARTIN e DIÓGENES CAMPANHA. Deu para sacar um pouco a rotina da coluna. O mais importante é manter contato com as fontes. Ir a eventos é ótimo para isso. Por mais que a noite não renda, o jornalista conversa com várias pessoas e "arranca" notinhas exclusivas para uma coluna futura.

À tarde ajudei na preparação da cobertura daquela noite: VMB (Video Music Brasil), premiação da MTV com o "quem é quem" na música brasileira. Mais do que cobrir o evento (vencedores, apresentadores etc.), a coluna precisa de um olhar diferenciado, uma crônica sobre a noite. Precisávamos construir uma história. Elegemos possíveis temas: Ronaldo Fenômeno, lei antifumo, Erasmo Carlos e "outsiders". Elas acabaram misturadas.

No Credicard Hall, fiquei com o MATHEUS PICHONELLI na plateia, enquanto a FLÁVIA MARTIN foi nossa infiltrada na área VIP. O fotógrafo MASTRANGELO REINO cuidou dos cliques. Observar foi o exercício principal; as conversas ficariam para a festa de depois. É legal, nesses eventos, repercutir e tentar descobrir informações de bastidores com seguranças, faxineiras e outras pessoas que passam longe dos holofotes.

A mega-festa promovida pela MTV pós-VMB foi o ponto alto da noite. Conversamos com todos os artistas que poderiam render alguma informação interessante. Tive meu momento fã e fiquei batendo papo com Alex Kapranos, vocalista da banda Franz Ferdinand. É preciso cuidado para a tietagem não atrapalhar o trabalho jornalístico em uma pauta assim.

Tudo apurado, fomos embora às 3h30. No dia seguinte, pontualmente às 10h, estávamos todos na redação, escrevendo sobre a noite anterior... Foi ótimo! Alegre

Sabatina com o Ronaldo (entrevista com a Mônica)

Sempre pedir licença, mas nunca deixar entrar

Jornalismo naja

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 23h17

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Curso de jornalismo político online

 
 

Curso de jornalismo político online

  • Em espanhol
  • Duração: 3 meses
  • Custa US$ 300
  • Está começando hoje
  • Mais informações AQUI.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h17

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Mapas proporcionais

  Esse aí é o mapa do Brasil ajustado pelo tamanho da população. A ferramenta WorldMapper permite construir este e vários outros mapas, ajustados de acordo com alguma variável, como população, território, idioma, idade da população, mortes, religiões, desastres, pobreza, educação etc etc. Bacana demais da conta Jóia

Vejam como o Brasil murcha quando se compara os gastos públicos em Saúde (África nem se fala):

O mapa de ateus mostra como a China cultiva descrentes (interessantíssimo, né?):

O dos piores emissores de gases do efeito estufa deve ser bastante estudado com a aproximação da Conferência de Copenhague:

E o das mortes violentas infelizmente destaca a África pela primeira vez (para não falar do Brasil):

Enfim, eu poderia passar horas só criando esses mapinhas! Muito feliz

(Ah, a dica foi do blog do GJol!)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h09

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Crise e criatividade através da imprensa

 
 

Crise e criatividade através da imprensa

  • Segundo Colóquio Internacional, organizado pela Universidade de Coimbra.
  • Dias 7 a 9 de outubro.
  • Informações e inscrições: www.ceis20.uc.pt e inscricoes.ceis20@gmail.com.
  • Nosso leitor Ramiro vai ser um dos palestrantes e vai falar do pós-crise.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h51

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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