Só agora reparei que o FABIANO MAISONNAVE, correspondente na Venezuela enviado especial a Honduras, criou um blog.
Passo aqui para registrar que vale muito a pena visitar. Afinal, ele está no olho do furacão (quem diria, a Embaixada do Brasil), fazendo a cobertura que é o sonho de todos os jornalistas, com todos os elementos mais interessantes que compõem uma boa notícia. E o blog traz os complementos do que lemos no jornal, os bastidores do trabalho jornalístico – algo que muito nos interessa neste blog.
Sabemos, por exemplo, das dificuldades técnicas enfrentadas pelos jornalistas:
"O principal problema é o celular e a internet via cartão. Os militares instalaram em volta bloqueadores que atrapalham a chamada. Há momentos do dia em que é praticamente impossível falar ao telefone ou acessar a web."
Ou de sua rotina, nada ociosa:
"Dormir no quarto ao lado da notícia tem um alto custo: há dias em que os jornalistas acordamos trabalhando. No aniversário de Xiomara Castro, na quarta-feira, uns 20 militantes despertaram toda a casa, inclusive o primeiro casal, com uma cantoria às 5h50 da madrugada."
CLIQUE AQUI para visitar e colocar em seu Google Reader.
Boa hora pra montar um projeto de especialização --sempre útil, mas beneficiado pela expectativa de longo prazo.
Em cinco, seis anos, dá para montar um bom arquivo, fazer fontes e contatos e estudar o suficiente para se credenciar (no sentido metafórico e talvez no concreto também) para cobrir muito bem a Olimpíada.
Escolha o tema (vôlei, natação, turismo, corrupção) e mãos à obra:
crie um bom banco de dados e comece a alimentá-lo com tudo o que aparecer sobre o assunto a partir de agora (neste post há uma indicação sobre como fazer isso)
faça uma lista de boas fontes sobre o assunto --pode começar, por exemplo, pelas que aparecem nas matérias, mas vá ampliando o leque a partir delas: cada vez que conversar com alguém, peça indicações de outras pessoas que entendem do tema
agende-se para manter contato com as fontes. Vire uma referência para ela ao longo do tempo
dependendo da área que escolher, estude, faça cursos. Aprenda a acompanhar gastos públicos, entenda como funcionam licitações, onde a corrupção acontece e como investigá-la
O legal de um projeto como esse é que só requer disciplina e persistência. E só há o que ganhar nesse jogo.
Pergunta importante (pra quem tem menos de 28 anos):
Você chega ao jornal de manhã --digamos às 10h-- para mais um dia rotineiro. Estoura um escândalo qualquer --tsunami, ataques do PCC, enchente recorde-- que mobiliza um monte de gente do jornal, e você é engolido pela onda. São mais de 22h e a Redação continua fervendo, você não tem a menor ideia de a que horas vai poder voltar para casa.
Você se sente:
( ) exausto. Reza pra que não aconteça nada no dia seguinte e não vê a hora de chegar o final de semana
( ) animado. Torce pra que amanhã te coloquem de novo na cobertura especial
( ) dividido. Você adorou a agitação do dia, mas está cansado e daria tudo por uma folga no dia seguinte
O furo mais importante de ontem _pela repercussão que gerou (cancelamento do Enem) e por afetar a vida de trocentas pessoas do país inteiro_ caiu no colo da repórter do "Estado de S.Paulo" por meio de um telefonema.
Depois, só deu certo, porque ela e a direção de redação articularam a melhor forma de lidar com a bomba que tinham em mãos: tentariam ter acesso ao conteúdo da prova, memorizá-lo e, só depois de confirmar a veracidade do documento, divulgá-lo.
Se a repórter Renata Cafardo tivesse atendido ao telefone sem dar qualquer crédito ao informante, se tivesse desistido de cara de encontrá-lo pessoalmente (por medo, ou porque ele cobrava R$ 500 mil), se não tivesse memorizado o maior número possível de questões (já que o jornal não compraria o documento) e se não tivesse entrado em contato com o Inep para confirmá-las, o furo não teria acontecido. O Enem ocorreria amanhã e domingo.
A história é bem legal e vale ser lida pelos leitores do blog: CLIQUE AQUI (dica da Nancyelle ).
Também teve o comentário do diretor do "Estado" AQUI.
A gente aprende bastante sobre o que faz quando se põe no lugar do leitor ou no lugar da fonte (ou do personagem da notícia).
Dois exemplos:
1) No lugar do leitor
A New Yorker publicou recentemente uma extensa reportagem sobre traficantes no morro do Dendê, no Rio.
Mas logo na segunda página a gente se depara com uma imprecisão:
Não é nada que mude a vida de ninguém, claro. Mas imediatamente o leitor pensa: se erraram algo tão básico, como confiar no resto?
E olha que a New Yorker é conhecida por ter uma checagem rigorosa das informações...
Por isso, quando aquele seu editor chato implicar com uma pequena imprecisão, não lhe tire a razão. No papel de cobaia a gente sabe bem: um leitor que entende do assunto tratado se incomoda muito com erros --mesmo que banais-- e passa a suspeitar de conjunto da obra.
2. No papel da fonte (ou, neste caso, do personagem da notícia)
Uma jornalista minha amiga estava no prédio do Rio que foi assaltado ontem. Ela e sua família foram feitos reféns.
Acompanhem comigo o saldo da experiência:
Ana, lembrando do que você diz sobre o que aprendemos na prática, achei que devia contar pra você uma coisa que reparei na cobertura desse caso todo.
É claro que a notícia do crime em si é muito importante, quais são as vítimas, a reação etc. Mas faltou uma coisa, uma falta de malícia dos repórteres, acho.
Ninguém questionou a ação da polícia. Quem falou dela, não deu destaque. E, no caso de uma cobertura do Rio de Janeiro, talvez fosse esse o ponto mais importante.
Eu cheguei a falar com um repórter que a polícia foi o que mais deu medo. Eles chegaram fazendo alarde quando ainda não se sabia se os assaltantes estavam no prédio ou já tinham fugido, se mostraram preconceituosos racialmente e ainda deram, em rede nacional, o seguinte depoimento: "A polícia demorou a ser acionada". No mínimo risível.
É claro que sou parte interessada no assunto e me falta isenção para avaliar o caso. Mas uma cobertura policial no Rio tem sempre que lembrar da falta de eficiência da polícia, da briga entre a Polícia Civil e a Militar e essas coisas.
O problema está, sim, na violência, mas na falta de preparo pra coibi-la também.
Outra coisa muito importante: um jornal publicou foto da minha irmã, na capa, com zoom, sem usar blur (todos os outros veículos utilizaram). A quadrilha é enorme, toda de favelas no entorno da zona sul, onde moramos; aqui só vieram três.
Minha irmã ficou identificável e os assaltantes não foram presos. Durante o assalto, nós sofremos ameaças caso algum deles fosse identificado (e já foram, já saiu foto nos jornais etc).
Publicar a foto nesse caso é colocar em risco a vida de uma pessoa. Vale a pena?
Achei um post do blog 100,000 Words tão bacana que vou traduzi-lo quase todo para cá. Acho que vale a pena repensarmos sobre o assunto:
"Em meio ao twitter, facebook, myspace, linkedin, flickr, as centenas de milhares de redes sociais online, skype, IMs, emails, e, claro, o Google, é fácil obter uma fotografia clara de quem uma pessoa é, quais são seus interesses e ter um vislumbre sobre sua personalidade.
Ou não.
Há tantas formas de se conectar online com uma pessoa que o encontro face-a-face, na vida real, está se tornando uma opção pouco atraente para se usar só em último caso.
Mesmo com todas as vantagens modernas, existem algumas informações visuais que só podem ser percebidas em uma conversa pessoal.
É um brilho nos olhos ou uma sobrancelha arqueada. Uma gaguejada ou as bochechas que ficam coradas. Desculpe os floreios, mas isto é o que torna os humanos tão interessantes: as pequenas coisas que não podem ser pinçadas em uma interação virtual. (...)
Para jornalistas, é especialmente interessante sair de trás do computador e se encontrar com fontes e se lembrar de quem são as pessoas que compõem a comunidade que você cobre.
(...) Não estou encorajando ninguém a se livrar de seus blackberrys, iPhones e laptops, mas considere quais informações ou aprendizados você pode estar perdendo ao não interagir com uma pessoa, em pessoa."
Dando continuidade à nossa série de como dar os primeiros passos no mercado de trabalho, coloco agora o guia que vale para quem quer entrar na Rede Globo e no G1. Os esclarecimentos sobre os processos foram passados pela Central Globo de Comunicação:
Você precisar estar cursando faculdade de Comunicação Social, com previsão de formatura exigida no site.
Não há requisito de idade.
O processo seletivo começa em agosto e passa pelas seguintes etapas: triagem curricular, provas online, dinâmica de grupo, painel para os cursos de jornalismo e entrevistas individuais.
As vagas variam a cada ano, de acordo com as necessidades da empresa.
Os estagiários são remunerados.
Você pode se inscrever fora do período de inscrição no site www.redeglobo.com.br/bancodetalentos, que fica aberto para cadastro durante todo o ano. Mas é importante que você fique atento aos períodos das etapas para que possa realizar as atualizações necessárias no cadastro.
Não há garantia de que o estagiário continue na empresa, embora eles queiram aumentar esse aproveitamento a cada ano. Em 2008, houve um aproveitamento de cerca de 50% dos estagiários de jornalismo.
Para participar das oficinas:
Elas surgem conforme demanda/oportunidades/necessidades. Geralmente estão atreladas a uma necessidade de formação de mão de obra especifica de médio a longo prazo.
Por exemplo, agora há uma oficina para repórter cinematográfico em andamento, com pré-requisitos específicos.
Há processo seletivo para as vagas em aberto, mas as etapas variam de acordo com o perfil que buscam: eles verificam quais são as melhores formas de avaliar e identificar o profissional solicitado pelas áreas.
Em geral os candidatos passam por triagem curricular, entrevistas, dinâmicas ou provas.
Para as vagas que são ocupadas via convite ou indicação o processo seletivo é o mesmo.
A falta do diploma de jornalismo não é impedimento para a contratação; as vagas e os candidatos são avaliados caso a caso.
Dando continuidade à nossa série de como dar os primeiros passos no mercado de trabalho, coloco agora o guia que vale para os jornais "Estado de S.Paulo", "Jornal da Tarde", os portais estadao.com.br e limao.com.br, a Agência Estado, a Rádio Eldorado, os projetos especiais e as áreas de apoio (por exemplo, o centro de documentação).
Busquei as informações com a responsável pelo RH da Redação, Denise Almeida, e com o responsável pelo Curso Estado de Jornalismo, Francisco Ornellas.
Para fazer estágio:
Fique atento para a divulgação das vagas de estágios no caderno de Empregos do jornal e em sites voltados para jornalistas, como o Comunique-se e o Jornalistas&Companhia.
Você precisa estar cursando o 3º ou 4º ano de jornalismo, ter inglês fluente e excelente português.
As vagas surgem conforme a demanda das redações. Há 25 estagiários fixos e, sempre que algum se forma ou é efetivado, é imediatamente substituído.
Sendo assim, seu currículo será avaliado quando houver vaga disponível. Eles possuem um banco de currículos permanente e você pode enviar a qualquer época do ano.
Se for selecionado, você será entrevistado pelo setor de Recrutamento&Seleção, fará provas de inglês, conhecimentos gerais e português e será entrevistado pelo editor da vaga.
O estágio é remunerado e os estagiários costumam ser aproveitados depois, embora não haja garantia de que sejam efetivados.
Todos os inscritos são chamados para uma prova escrita de conhecimentos gerais e texto jornalístico.
60 pré-classificados são chamados para as entrevistas, que definem os participantes do programa.
O curso é anual e oferece 30 vagas para brasileiros e até três para estrangeiros.
É gratuito e não oferece remuneração.
Até 2009, os candidatos tinham que ter diploma de jornalismo; a partir de agora, a questão ainda não foi decidida.
Mas você precisa ter se formado em até dois anos ou ter previsão de formatura para o fim do ano de realização do programa.
O curso não pretende ser uma seleção para as redações do Grupo Estado, mas 45% dos participantes estiveram ou ainda estão trabalhando no veículo.
Para tentar vaga de frila/contratação:
Os editores podem contratar alguém que tenha referências boas ou tenha sido indicado.
Além disso, há vagas para recrutamento interno e há seleções externas feitas pelo RH.
Essas vagas atendem a demandas pontuais das Redações e também são divulgadas no caderno de Empregos do jornal e em sites voltados para jornalistas.
Para concorrer, é preciso enviar o currículo e exemplo de matérias para o email do RH.
As etapas do processo seletivo variam de acordo com a complexidade e os requisitos das vagas.
Os requisitos variam de acordo com a especificidade de cada vaga, mas é exigida a formação superior (não necessariamente em jornalismo), boa formação cultural e experiência na função.
No dia 7 de outubro, três fotógrafos – Cristiano Mascaro, Cláudio Edinger e Egberto Nogueira – vão conversar sobre os medos, tensões, alegrias e dúvidas diante de uma "primeira vez" na carreira do repórter fotográfico.
Antes disso, haverá uma homanagem ao repórter fotográfico da Folha ANTÔNIO GAUDÉRIO, com a projeção dos destaques de sua carreira e de suas novas produções.
Quem acompanhava o blog em maio do ano passado deve se lembrar que a Ana comentou aqui que ele havia sofrido um grave acidente. Hoje ele está se recuperando e retomando as atividades
Se você gostou dos posts anteriores sobre uso do HTML e modos de escrever para a web, talvez goste do fórum que o "Guardian" organizou, em seu site de carreiras, para responder às principais dúvidas sobre o que é necessário para ser um bom jornalista online e como migrar do impresso para a web.
Vou reproduzir só estas duas questões, com trechos de várias respostas:
Para ser bom jornalista online
Demonstre paixão pelo digital – ou seja, seja ativo no mundo online, use a internet, tenha um perfil online, entenda comunidades, entusiasme-se com a capacidade de alcançar as pessoas pela rede, descubra as últimas atualizações.
Conheça recursos de SEO (otimização de sites) e a importância de linkar para outros lugares: dê aos leitores história, mas também um link para vídeo, para um documento online, para uma página do Facebook etc. Notícias vêm em pacotes agora.
Entenda como o RSS funciona e como isso pode melhorar sua obtenção, produção e distribuição de notícias.
Relacione-se com as comunidades online de sua área de cobertura.
Tente experimentar e errar em todos os tipos de mídia.
Para migrar para o jornalismo online
Construa sua reputação e seus contatos a partir do que você escreve; tente mostrar credibilidade.
Ofereça trabalhos de graça: cartas ao editor, críticas a shows de bandas locais, poesia, qualquer coisa; a exposição de seu trabalho vai agregar à diversidade e às escolhas.
Tente aprender conhecimentos técnicos, como o básico de HTML; isso vai te ajudar a se comunicar melhor com os programadores de sua empresa.
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