Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Uma profissão de responsabilidade

  Os textos desta sexta estão longos, mas, com a contribuição valiosa da JANAINA FIDALGO e agora da ESTELITA CARAZZAI, acho que vale a pena vocês aproveitarem o começo de fim de semana (ou um plantão mais tranquilo) para lê-los Jóia

Como eu tinha dito ontem, pedi aos trainees para contarem como foi esse primeiro mês na redação. Até para que os próximos trainees, que começam o curso nesta segunda, já entrem psicologicamente preparados Bem humorado

E a Estelita toca agora num ponto muito importante: a responsabilidade que cada jornalista carrega pelo texto que publica. Ela aprendeu na prática:

  "As últimas semanas do treinamento, com caderno especial, escalas na redação e o futuro incerto logo em frente, pareciam o que podia haver de 'pior' em termos de pressão e trabalho na Folha. Era o que diziam alguns ex-trainees, que nos animavam a prosseguir: 'O treinamento é a pior parte; depois, na redação, a coisa melhora'. Hoje, desconfio que nos omitiram a verdade. Pouco mais de um mês depois de terminado o treinamento, percebi que é muito mais difícil suportar a responsabilidade de ser um 'repórter de Folha de S.Paulo' do que viver sob a confortável tutela da Ana Estela.

 

A carga de responsabilidade é, na minha opinião, a grande diferença entre o treinamento e o dia-a-dia como repórter na Folha. Como trainee, você não tem a obrigação de acertar – aliás, a intenção é justamente aprender com os erros – e nem sempre vai ter seu material publicado, o que diminui bastante a pressão. Já como repórter, ainda que foca, ninguém vai te tratar com a benevolência de um professor, como acontece no treinamento (ainda que a Ana seja uma professora bem severa! Bem humorado).

 

Senti o peso de ser um 'repórter da Folha de S.Paulo' logo na publicação da matéria especial do treinamento, no dia 12 de julho. Ela deixou insatisfeitas muitas das fontes que consultamos, e uma das principais delas mandou um e-mail ao ombudsman criticando a reportagem. A carta foi repassada a outras dezenas de internautas e foi parar em blogs – e vocês podem imaginar a enxurrada de críticas que se originaram daí pra frente.

 

O episódio poderia render um capítulo próprio neste post, mas, erros e acertos à parte, senti o peso (e que peso!) de escrever em nome da Folha de S.Paulo. Se você corta algo por falta de espaço, você pode estar sendo "omissa em nome de interesses escusos"; uma determinada palavra que você usa pode ser entendida como uma ofensa; um anunciante ou patrocinador pode ser o pivô de um conflito imaginário de interesses. Faço a ressalva: sei que receber esse tipo de crítica não é exclusividade da Folha, e que, infelizmente, em alguns jornais isso de fato acontece – mas obviamente não era o caso da nossa matéria.

 

Receber esse tipo de crítica é importante para perceber o poder que você tem em mãos – sem querer parecer megalomaníaca, mas é por aí. Na Folha, que é um jornal nacional e que tem a importância que tem, esse poder é elevado a uma altíssima potência. Ou seja, o que você escreve pode ser destrutivo – e, por isso, se policiar o tempo inteiro e observar cada palavra ou informação que você coloca (ou não) no texto é um dever do jornalista, o que pode ser extremamente cansativo.

 

Parece lição básica de aula de ética do primeiro período da faculdade, mas nunca compreendi tão bem o que é "o quarto poder" depois dessa experiência. É essa carga de responsabilidade que nos faz ficar tão tensos e estressados – e, pelo menos no meu caso, muito mais do que no igualmente exaustivo treinamento.

 

Portanto, meus amigos, eis o que aprendi até então: no jornalismo, ninguém te poupa – nem leitor, nem chefe, nem editor. Para sobreviver, só acionando a nossa responsabilidade à máxima potência. Por mais exaustivo que seja."

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h03

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Gripe suína mata (escolha um nº) em SP

  Apesar do título, este post não tem muito a ver com aquele do Iraque, mas achei que o paralelismo carrega algum sentido. É que, quando as notícias passam a sempre repetir as mesmas fórmulas, os números – mesmo quando se referem a dramáticas baixas humanas – se tornam automáticos, burocráticos, desprovidos de conteúdo.

Desde março de 2003, quantas vezes lemos matérias em todos os tipos de veículos repetindo o lide "Um atentado de homem-bomba matou X pessoas e feriu outras Y na madrugada desta sexta-feira em Bagdá"? Ou a contabilidade de corpos do avião caído encontrados, ou a de mortos por gripe suína etc?

É claro que um assunto vai, aos poucos, perdendo a força do interesse dos leitores e dos próprios jornalistas, até chegar a esse nível banalizado. Mas também é claro que sempre é possível encontrar novas pautas e formas de abordagem mais criativas, instigantes, problematizantes e informativas para qualquer assunto.

Um exemplo é o do post de ontem: em vez de passar o balanço burocrático de quantos estabelecimentos foram multados pela blitze antifumo em São Paulo, o repórter da Folha encontrou um personagem curioso que exemplifica a situação vivida neste momento por vários leitores.

Mas não é fácil. No caso da gripe suína há ainda um agravante: a gente depende muito mais dos dados oficiais que em situações normais.

Tudo isso para introduzir uma pergunta da leitora Fernanda, de São Bernardo:

"Venho cobrindo a gripe suína aqui na redação. Todos os dias faço o balanço da região, vejo se foi confirmada novas mortes. Enfim... Já faz um mês e vejo que minhas matérias têm sido praticamente iguais. As minhas e as de todos os outros onlines no ABC.

A situação piorou depois que as prefeituras deixaram de informar maiores detalhes sobre os casos. Para proteger os familiares, eles só informam o sexo, as idades e a data do óbito. Enfim, essa é a questão. Como ousar mais quando as informações são insuficientes? De repente formas de mudar o lead, o título. Já estou ficando aborrecida com a situação."

O que vocês sugerem a ela?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h35

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Fotos excepcionais

  Este blog postou uma porção de fotos em homenagem ao premiado repórter fotográfico Emilio Morenatti, da AP, que recentemente perdeu um pé depois que seu jipe passou por cima de uma bomba no Afeganistão. Ele estava embutido no exército americano.

As fotos são excepcionais:

Uma criança paquistanesa ao redor de mulheres com burca que esperam para se registrar num campo de refugiados.

Mulheres paquistanesas lutando para conseguir comida, durante inflação no preço de alimentos e combustíveis no país.

Advogado paquistanês correndo de bomba de gás lacrimogênio lançada por policial.

Garoto solta pomba em ensaio para cerimônica de recebimento da tocha olímpica.

AQUI tem outras fotos impressionantes e em tamanho bem maior.

A dica foi do Desculpe a Poeira, que também escaneou as páginas do livro da Ana com as sugestões de livros que ela dá Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h14

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Dicas para cobrir um festival de gastronomia

Janaina Fidalgo/Folha Imagem

  JANAINA FIDALGO é a repórter especialista em gastronomia aqui na Folha (recentemente ela me deu a maior alegria ao ler uma matéria sobre pão de queijo Muito feliz). E ninguém melhor do que ela para responder à dúvida da leitora Mariana, de BH, que pedia dicas para cobrir melhor o Festival de Gastronomia de Tiradentes.

A JANAINA criou um verdadeiro manual, supercompleto, com dicas que servem não apenas para a cobertura de festivais gastronômicos, mas de qualquer festival. A bem da verdade, ela relacionou oito princípios úteis para qualquer cobertura jornalística:

"1) SE INFORME

O princípio mais básico de uma boa cobertura jornalística – saber exatamente quem são os personagens e conhecer bem a biografia dos possíveis entrevistados – tem ainda mais peso na cobertura de um festival de gastronomia. Isso porque, em geral, a programação é extensa e tem participantes de formação díspar – alguns chefs ótimos, outros... nem tanto. É preciso ter em mente, desde o início, quem vale acompanhar.

2) TENHA FOCO

Antes de dar início à apuração, defina a estratégia da sua cobertura. Vai focar nos chefs internacionais? Ou prefere falar sobre as novas tendências? Ou será que o veículo em que trabalho prefere uma cobertura mais pop? Talvez sob o olhar do público?

3) ORGANIZE-SE

Quando estiver decidido sobre o foco da sua cobertura, faça a sua própria programação e se organize. Saiba desde o início quem quer entrevistar – em geral, é necessário agendar as entrevistas; nem todo chef é acessível o tempo inteiro. Defina quais jantares vai acompanhar, porque quase sempre há mais de um acontecendo ao mesmo tempo. E tenha em mente que tipo de personagem será interessante para sua reportagem.

4) O BLOCO DO EU SOZINHO

Nesses festivais, existe uma certa tendência de os jornalistas que estão cobrindo acabarem formando grupinhos, o que é muito legal pelo lado social, mas terrível jornalisticamente. Quase sempre todos escrevem sobre as mesmas pessoas, os mesmos jantares... E a possibilidade de conseguir uma abordagem original e alguma informação exclusiva vai por água abaixo quando está "todo-mundo-junto-o-tempo-todo". Faça amizade sim, não seja antipático, mas tente se manter livre e solto. Em voo solo.

5) REPÓRTER EM TEMPO INTEGRAL

Não caia na arapuca de achar que seu trabalho será "light". Basta fazer algumas entrevistas e acompanhar os jantares? Não! Nos momentos "livres", aproveite para descobrir pautas inusitadas e escapar da programação oficial. Vá às aulas, às oficinas de gastronomia, converse, troque ideias. Ande pela cidade com os olhos abertos e curiosos.

6) SEJA MAIS QUE UM JORNALISTA

Tenho sentido que, cada vez mais, não basta ser "só" um jornalista "de texto". Não importa se você trabalha num grande veículo ou se escreve num blog. Algumas vezes fui cobrir festivais ou viajar para fazer reportagens e tive também de fotografar ou gravar vídeos. Nem sempre o jornal consegue mandar um fotógrafo e/ou um cinegrafista. E, aí, cabe a você fazer também esses registros visuais. Portanto, sairá melhor o jornalista que tiver também outras habilidades e a agilidade e organização para anotar/fotografar/filmar.

7) OLHO NOS BASTIDORES

Sim, é uma delícia ir a um jantar, sentar-se à mesa e ficar esperando seu prato chegar. Provar aquela (espera-se) comida gostosa e tal. Mas lembre-se: você não é um convidado, mas um jornalista. Muitas vezes é nos bastidores que acontece a melhor parte do show. Nem sempre o acesso é permitido, ainda mais a jornalistas. Ponto para você se conseguir acompanhar de perto e, quem sabe, fazer uma cobertura diferente da que faria no salão.

8) SEJA ISENTO 

Não importa se você é um crítico de gastronomia, se você é um repórter ou se escreve num blog. O que vai diferenciar você dos demais é o seu senso crítico. Seja isento e honesto! E jamais se deslumbre!"

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h17

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O personagem perfeito

Letícia Moreira/Folha Imagem

  Todo jornalista quer encontrar o personagem perfeito, aquele que vai ilustrar com precisão o que é narrado em sua matéria – confirmando a veracidade da história, dando mais credibilidade à narrativa, incrementando os argumentos.

Antes disso, no entanto, é preciso ter um olhar diferenciado. O próprio jornalista precisa saber enxergar ganchos que permitam que sua pauta seja bem emplacada e emoldurada na história real de uma pessoa.

O gol de placa de hoje foi do repórter VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO, que encontrou o personagem perfeito, dentro de um gancho ideal: conheçam a história de Marcelo Taboada, que ganhou praticamente um perfil na página C8 de Cotidiano hoje, na matéria "Minha vida virou um inferno". E por que ele mereceu tanto espaço?

 

"Está mudando tudo na minha vida. Não posso mais fumar, não posso andar de fretado, não posso dirigir depois de beber um copinho e ainda por cima o Corinthians perdendo. Só falta agora pegar a gripe suína".

Seria ainda melhor se ele fosse jornalista, agora que o diploma caiu Muito feliz

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h51

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Você é um jornalista marcante?

  Esta é dica da Lanna: o site Teaching Online Journalism dá dicas de como um jornalista pode construir sua marca pessoal – algo que, na opinião deles, é fundamental:

  1. As pessoas que trabalham em sua área devem saber quem você é;
  2. Quem digitar no Google seu primeiro e último nome tem que conseguir te encontrar;
  3. Você tem que aparecer na internet como uma pessoa séria e ética;
  4. Amostras de seus melhores trabalhos devem ser linkadas à sua home page, ou currículo online;
  5. Sua experiência de trabalho deve ser facilmente encontrada. As pessoas vão querer confirmar se os trabalhos existiram mesmo, então as datas devem estar à vista;
  6. Suas páginas onlines têm que ser facilmente lidas por vários tipos de celulares, inclusive iPhone;
  7. Seu currículo não pode estar só em PDF, coloque também uma versão em HTML simples. Em vez de Word, Google Docs;
  8. Coloque todos os seus contatos à vista e cheque seus emails com freqüência;
  9. Você precisa estar à vista também: seu nome deve ser visto nos comentários, tweets etc;
  10. As pessoas devem te indicar na internet de vez em quando; isso confere autoridade e reconhecimento a você.

Atenção: a idéia não é que você seja um "aparecido" gratuito, falso e vazio. Mas que demonstre seu valor, compartilhe seus trabalhos e seus conhecimentos e seja, aos poucos, reconhecido de forma autêntica desde o mundo virtual.

Vocês têm outras sugestões?


O mundo é dos que têm "it"

Paixão e mediocridade

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h20

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"Vaza pra mim?"

Fabiana Beltramin/Folha Imagem

  Pedi aos recém-trainees* para escreverem contando o que estão fazendo agora, se já passaram por algum apuro na editoria em que estão, se se surpreenderam muito com a vida pós-treinamento. Não sei se vão escrever, mas, enquanto isso, trago uma dificuldade bem prática vivida pela ESTELITA CARAZZAI, a colaboradora mais assídua da 47ª turma: Bem humorado

"Estou sentindo uma dificuldade imeeensa pra fazer reportagens políticas de bastidores, com base em off e afins.

Queria sugerir um post com algum repórter experiente da área que contasse quais as maneiras de fazer isso. Como interpelar o entrevistado? "Você pode dizer algo em off?" "Você pode vazar esse documento pra mim?" Que argumentos usar pra ele soltar esse tipo de informação?? Me parece impossível! =P

E ainda sobre política, tem outra coisa que pra mim é uma dificuldade enorme: falar com os poderosos. Que argumentos eu posso usar pra fazer a Yeda, por exemplo, falar comigo num momento delicado? Que sou um jornal nacional? Que é importante pra ela mostrar o seu lado da história? E se ela/seus assessores simplesmente não me retornam as ligações, há alguma outra coisa a fazer?"

Pedi ajuda a alguns repórteres bem experientes do jornal.
 
O Fábio Zanini deu uma resposta bem legal:
 
"Depende muito da relação com o entrevistado. Não adianta pedir para uma pessoa com a qual você está conversando pela primeira vez, por telefone, para vazar um documento. É o velho conceito de fonte: quem vaza documento é fonte com a qual você estabeleceu uma relação. Se ela tiver um interesse político em vazar, é muito mais fácil.
 
Sobre off: na faculdade, aprendemos que nunca o repórter sugere off, e que sempre tem que deixar claro que a conversa é em off para ser em off (entendeu?). Na prática, funciona um pouco diferente. É comum partir do repórter a sugestão de "vamos falar em off?". O entrevistado às vezes espera isso. Há também casos de fontes antigas e muito próximas, em que você já sabe que a conversa é em off (porque sempre é em off) e por isso não precisa explicitar. É um pouco polêmico isso, mas não vejo como um problema ético sério. Falta de ética é quebrar off.
 
Claro que há sempre o risco de uma confusão. No cafezinho da Câmara, é muito comum uma conversa amigável com um deputado, presenciada por mais de um repórter, gerar problemas. Alguns entendem como off, outros como não...
 
Dizer que é um jornal nacional sempre ajuda, porque a imprensa nacional geralmente é vista com mais credibilidade. O argumento de que "vamos dar espaço para a sra. se defender, é democrático isso etc." também é bom. Se os assessores não atendem, vale tentar aparecer de surpresa, pessoalmente no gabinete (ou até na casa). Depois de um momento inicial de desconforto, a fonte às vezes topa falar (às vezes fica louca da vida também). Mas sempre vale a tentativa. Agora, se o cara está decidido a não falar de jeito nenhum, esquece e vai atrás de outra fonte."

* E na segunda-feira começa o programa da 48ª turma. Vou tentar fazer uma apresentação diferente dos trainees desta vez, aguardem Muito feliz

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h49

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De foca para foca

  Só hoje, dois leitores sugeriram a leitura de dois blogs com relatos de jornalistas que estão começando na profissão ("focas", pra quem não é da área Muito feliz).

É sempre possível aprender com os erros e os acertos dos nossos colegas e os iniciantes costumam ser os mais dispostos a dividir esses relatos com os outros. Então vale a pena acompanhar.

O primeiro é o Manual dos Focas, dica da leitora Alexandra, que sempre aparece quando falamos de fotografia (olha o post abaixo, Alexandra!).

Ela é uma das colunistas do blog e ontem narrou como conseguiu emplacar a capa do jornal em que estagia por ter dado a devida atenção aos detalhes:

O outro blog é o Por dentro da Notícia, voltado para estudantes de jornalismo, e escrito por dois estagiários do grupo Alô Brasília (o leitor Arlison, que deu a dica, é um deles).

Conhece outros blogs feitos de foca para foca? Coloque aí nos comentários! Bem humorado


E a Lanna relembra que já foram listados os 100 melhores blogs para estudantes de jornalismo. Seis deles são feitos por estudantes  Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h39

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Desbravando o Velho Chico

  A bela foto acima foi tirada pelo repórter fotográfico Léo Drumond, que foi trainee da 39ª turma.

Ele e o jornalista Gustavo Nolasco vão percorrer os 2.700 km do rio São Francisco, em 50 dias, e documentar a cultura das comunidades ribeirinhas.

E nós poderemos acompanhar todo o projeto pelo site Os Chicos, que já tem uma porção de posts e fotos Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h59

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Frilas, negociem seu valor

  Outro dia o leitor Everton escreveu um desabafo em seu blog: tinha encontrado pautas quentes numa região inóspita do Mato Grosso, estava superdisposto a apurá-las, mas não tinha dinheiro para bancar o custo da apuração.

Ele temia oferecer a pauta a algum jornal e, em vez de ser contratado como frila para o trabalho, ser passado pra trás.

Daí ele veio com uma idéia interessante: por que alguém não cria uma agência especializada em fazer a ponte entre repórteres frilas e grandes veículos?

Bem, enquanto isso não acontece, sugiro ao Everton ler dois posts do blog, que trouxeram dicas da freelancer Joanne Mallon:

Imagine que o Everton já ligou para um jornal e soube atrair o editor para as pautas. Agora ele precisa colocar as contas na ponta do lápis – transporte, alimentação, gastos diversos durante a apuração – e oferecer um valor ao veículo: que ele não vai querer que seja caro demais, a ponto de desistirem da pauta, nem barato demais, porque tem que pagar o feijão.

Como (bem) diz Joanne:

"O valor vai depender de vários fatores. Como você se comunica e a confiança com a qual discute valores também vão pesar em seu pagamento final.

Sempre haverá alguém que fará o trabalho por menos do que você pede. No entanto, talvez não haja ninguém que faça o trabalho melhor que você. E as pessoas pagarão mais se acreditarem no valor do seu trabalho."


Vamos às dicas:

1. ANTES DE NEGOCIAR O VALOR

  • Faça as contas de quanto você precisa ganhar em um ano, para calcular seu preço por dia. Tenha ciência de qual é seu mínimo possível.
  • Pequise seu cliente e quanto estão os valores atuais médios para esse tipo de trabalho.
  • Um site com seu portifólio vai ajudar a te dar credibilidade para suas negociações. 
  • Pedir um determinado valor deve ser algo feito da forma mais neutra possível, como se você estivesse dizendo seu nome.

2. DURANTE AS NEGOCIAÇÕES

  • Pergunte tudo sobre o trabalho antes de chegar ao valor. Demonstre que está mais interessado na qualidade do projeto, não se foque só nos custos. Descubra o que seu cliente precisa para sentir que está fazendo um bom investimento ao te contratar.
  • Não suponha qual será o valor: pergunte. Caso contrário, sempre ganhará o mínimo.
  • Se pressionado por um valor, dê uma margem razoavelmente grande.
  • Se acreditar que o trabalho merece maior pagamento, diga isso e se mantenha firme. Se o que for oferecido for justo e dentro de suas expectativas, aceite.
  • Não tenha medo de dizer não, se não oferecerem mais do que considera justo. Às vezes terá que dizer não, para ter espaço para tentar um trabalho que pague melhor.

3. SE TE OFERECEREM UM VALOR BAIXO

  • Não precisa necessariamente recusar, se o trabalho tiver outros atrativos. Mas não se sinta obrigado a aceitar, tampouco.

4. COMO OUTROS FREELANCERS AUMENTAM SEU PREÇO COM ÊXITO

  • Eles guardam evidências concretas de que merecem um aumento (feedback positivo, aumento de circulação, prêmios, recomendações etc)
  • Se o cliente é constante, eles simplesmente estabelecem que o preço vai aumentar em tanto a partir de tal data.
  • Eles não aceitam necessariamente o primeiro valor oferecido.
  • Eles não têm medo de recusar trabalhos que pagam muito mal.

Leia tudo CLICANDO AQUI.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h59

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Programa pra daqui a dez dias

Como eu digo nos agradecimentos, este livro não seria possível sem:

  • os leitores do meu blog, com suas perguntas e sugestões cotidianas
  • colegas da Folha, atuais e do passado, com os quais aprendo todos os dias
  • meus trainees, que me ensinam muito mais do que imaginam

Adoraria vê-los por lá:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h37

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Só más notícias vendem jornal

  Aproveitando que falei do Ricardo Kotscho em dois posts desde ontem, coloco uma polêmica que ele levantou em seu blog Balaio do Kotscho.

"Boa notícia não dá Ibope. Povo gosta de pão e circo" é o título do post. Um trecho:

"Será verdade o que está no título deste post? Você concorda? O tema foi levantado pelo leitor Humberto, que se identifica aqui como Eureka, em comentário enviado às 18:16 de sexta-feira, a respeito de um texto que escrevi sobre o crescimento da produção de borracha no sul da Bahia e a mudança na vida de pequenos lavradores.

Escreveu ele: 'Kotscho, boa notícia não dá ibope. O povo é cruel, gosta de pão e circo, leões comendo gente, gladiadores se matando, disso o povo gosta'.

(...) No mesmo dia, outros comentaristas aqui do blog fizeram críticas à imprensa por não publicar as chamadas boas notícias, que também existem, limitando-se a encher suas páginas e telejornais com coisa ruim, que não falta.

De fato, tenho notado que a quantidade de comentários enviados quando trato em minhas viagens de temas mais amenos, falando de pessoas anônimas ou lugares ainda pouco explorados, que estão fazendo alguma coisa nova e boa, costuma ficar bem abaixo da média. 

Acho que isto é próprio da natureza humana, tanto aqui como em qualquer outro lugar do mundo, onde os jornais populares, como os tablóides ingleses, sempre vendem mais do que os chamados jornais de prestígio.

(...) Basta colocar no título do post o nome de alguma celebridade global que causa polêmica, como Faustão, Bial ou Galvão, que logo vem uma chuva de comentários, um dos indicadores de audiência na blogosfera. Meter o pau em políticos e governantes ou tratar da eterna guerra entre tucanos e petistas é outra receita que não tem erro.  

(...) Claro que ninguém sobrevive sem bilheteria e nós precisamos atender ao gosto da freguesia, mas eu me acostumei a dar murro em ponta de faca e tratar de assuntos que não estão na mídia. Caso contrário, ficaria tudo sempre muito igual, quer dizer, muito chato. Basta ver os destaques nos diferentes portais: são sempre os mesmos."

Para ler tudo, CLIQUE AQUI.

E vocês: concordam que só más notícias vendem jornal?

P.S. Tenho certeza que a Ana já tratou disso aqui no blog, mas não consigo encontrar os posts para incrementarem nosso debate Triste

(Adendo: achei pelo menos um post muito bom a respeito, VEJAM AQUI)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h07

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Cursos e treinamento

 
 

Cursos e treinamento

  Boas opções fora de São Paulo:

Curso de vídeo digital integrado, em Belo Horizonte (MG), de 17 a 28 de agosto.

Curso Judiciário para Jornalistas, em Pelotas (RS), em 11 de setembro.

Inscrições para treinamento na SporTV, até 17 de agosto (dica da leitora Nancyelle Jóia)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h35

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Antes era mais difícil, mas dava tempo

Foto: Tuca Vieira/Folha Imagem

  Assim como até hoje o Ricardo Kotscho é averso ao laptop e faz suas reportagens sem recorrer às novas tecnologias, há quase vinte anos, todos os jornalistas não tinham mesmo alternativa. Sem celular, usavam orelhão; sem internet, gastavam o pé no chão.

É o que conta ALEC DUARTE em um post superlegal publicado hoje no Webmanário:

"Na entrada da redação tinha um pote forrado de fichas telefônicas _claro, não havia celular, e contato entre base e repórter só era possível se este último fosse a um orelhão dar sinal de vida.

Muitas vezes, esta ligação servia como modo de transmissão da matéria. Explico: muitas das coisas que fazíamos na rua tinham de ser simplesmente ditadas, porque não havia outro modo de passar a informação à redação.

Ficávamos mais tempo na rua, disparado."

A única coisa que não mudou, de 1990 para cá, foi o horário do fechamento – ou o "maldito deadline", como define Alec. CLIQUE AQUI para ler tudo (a novidade do fax, cola Pritt e estilete etc).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h26

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Kotscho, a reportagem, a plenitude e a tecnologia

  Discutíamos há uma semana se jornalista que nunca foi repórter viveu a profissão em sua plenitude.

(A polêmica ainda está no ar e todos os comentários serão muito bem-vindos Jóia)

Este post é para indicar a entrevista com um repórter que viveu (e vive) a reportagem em sua plenitude e é considerado por muitos um dos melhores jornalistas do país: Ricardo Kotscho.

Um trecho da entrevista que ele deu ao Jornalistas&Cia:

O que você acha da dupla telefone-internet, usual no Jornalismo de hoje?

– Eu falava pros caras, nas últimas redações em que trabalhei: "Meu filho... Isso que está aí já foi publicado, é velho. Nós temos que alimentar esse troço com coisa nova. Se a gente ficar pegando o que está aí, não estamos contando novidade nenhuma. A nossa função é justamente o contrário, ir pra rua e descobrir o que está acontecendo. E o que está acontecendo muitas vezes são coisas que você menos espera". (...)

Kotscho sempre falou que não gosta dessas "coisas eletrônicas". Celular? Nem pensar! Numa das viagens de sua história, Augusto Nunes, então diretor da revista Época, tentou explicar as vantagens da tecnologia que se colocava à disposição do repórter, especialmente em viagens longas, como a que ele faria para o Nordeste.

Ele foi, ficou muito bravo com o chefe que o fez levar um laptop. Na volta à redação, cadê a matéria? Todos foram mobilizados para encontrá-la. Ele havia salvado a matéria, mas ninguém conseguia localizá-la "naquela máquina maldita". Brigou com o laptop, com o diretor de Redação e até hoje tem suas restrições.

Quem deu a dica da entrevista foi o ALEC DUARTE, para quem Kotscho "é o maior" repórter. E o melhor é que um leitor dele, o Demétrio, levantou ainda outra polêmica:

"Prefiro pensar que nunca existiu jornalismo sem tecnologia, e que compreender isso é aceitar que ela desde há muito reconfigura formas, sistemas e processos; é, portanto, parte integrante do jornalismo. Então, aos meus olhos, não se trata de gostar ou não de tecnologia, mas de entender que as máquinas são parte fundamental do fazer jornalístico. Uma postura antes simbiótica que excludente, eu diria, sobretudo necessária nos dias que se seguem se considerarmos que, não osbtante suas especificidades em termos de campo, jornalismo é comunicação, à revelia do suporte que se utilize para dar seu recado."

E vocês, o que acham? (Podem escolher a polêmica que mais lhes apetecer Bem humorado)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h22

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Conferência sobre jornalismo investigativo

 
 

Conferência sobre jornalismo investigativo

  Vai ser de 15 a 18 de agosto, em Lima.

Organizado pela Transparência Internacional e pelo Instituto Prensa y Sociedad (IPYS). Com palestrantes de 19 países.

Qualquer jornalista da América Latina pode se inscrever, gratuitamente, para assistir à conferência em tempo real pelo site oficial.

Inscrições até esta quinta-feira.

As inscrições são limitadas, mas, se você não conseguir, pdoerá acompanhar as oficinas e seminários pelo Twitter, Facebook e blog  Jóia

Dica do Knight Center.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h03

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Para achar as leis

 
 

Para achar as leis

  O recém-trainee ANDRÉ MONTEIRO, que hoje é repórter da Folha Online Cotidiano, escreveu um post sobre o sistema de buscas de leis, bastante útil para quem precisa delas para construir as notícias (ou seja, todos os jornalistas):

O Lexml é uma iniciativa de um grupo do Senado que pretende reunir informações jurídicas e legislativas, como leis, decretos, acórdãos, súmulas, projetos de leis e outros documentos das esferas federal, estadual e municipal dos três Poderes. É para ser uma espécie de Google da legislação brasileira, mas ainda não é tão eficiente assim.
 
Para testar o site, pesquisei uma Medida Provisória bem recente, a 466. O site só encontrou outra Medida 466, de 1994, que não está mais em vigor.
 
Em sua apresentação, eles dizem que o principal objetivo do site é relacionar as informações por meio de padronização e links persistentes (para não acontecer aquela mensagem chata de "Erro HTTP 404", quando um link está quebrado). Isso é ótimo, mas eles precisam manter as informações sempre atualizadas, ou, pelo menos, comunicar a situação da lei.
 
Outro problema é que para informar o conteúdo das leis eles fornecem os links da Câmara e do Senado, que não atualizam os artigos modificados ou revogados. Por exemplo, o §4º do 3º artigo da Lei de Imprensa, que diz quais empresas são consideradas jornalísticas, foi modificado após a aprovação, mas permanece inalterado no texto da Câmara e do Senado. Por enquanto, o melhor domínio para pesquisar leis federais continua sendo o do Planalto.


E o leitor EVERTON dá uma dica muito boa para os gaúchos: o TJ do Rio Grande do Sul vai promover um curso "Judiciário para Jornalistas" em Pelotas, no dia 11 de setembro. As inscrições vão até esta sexta-feira. Mais detalhes AQUI.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h23

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