Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Para achar as pessoas

 
 

Para achar as pessoas

  Estou em uma saga, tentando encontrar todos os mais de 500 ex-trainees que já passaram pelo jornal (faltam uns cem).

Uma dica que o Toledo postou já está me ajudando na missão: o buscador Pipl, especializado em fuçar todas as redes sociais públicas e encontrar pessoas.

Imagina como isso não pode ser útil para os jornalistas! Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h52

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Repórter na lista negra

"Diante das respostas positivas, a assessoria mudou de estratégia. Disse que, a partir dali, a Folha "poderia" não ser mais convidada para os eventos da empresa.
Quando foi pedida uma posição da empresa, a Universal voltou atrás -disse que o jornal continuará a ter acesso às rodas de imprensa, mas que a repórter Fernanda Ezabella agora faz parte do "black book" (livro negro) de todos os assessores presentes na ocasião. Seu nome poderá ser vetado no futuro."

 

  O trecho aí em cima é de uma reportagem emblemática que está hoje na Ilustrada (íntegra aqui, para assinantes).

Em resumo, a repórter foi a uma coletiva com o "rei da comédia", como vem sendo chamado o diretor e produtor Judd Apatow ("O Virgem de 40 Anos").

Num sábado, jornalistas estrangeiros foram ver o longa. Na saguão do cinema, distribuíam o kit de imprensa e, no meio, veio por engano o recibo da limusine que levaria o diretor, às 7h15 do dia seguinte, ao hotel onde aconteceriam as entrevistas. Preço (US$ 1.375, cerca de R$ 2.750) e endereço de sua casa estavam no recibo do carro, que percorreria 12 milhas ida e volta (20km). Um táxi daria US$ 40.

No domingo, na entrevista, ela solta a pergunta:

"Tem sido um período difícil com a crise financeira, os estúdios têm cortado empregos e orçamentos. É uma pergunta desagradável, mas como você justifica ter uma limusine com esse preço te pegando em casa, numa distância tão curta como seis milhas, como nos mostra aqui no material de imprensa?"

Apatow não entende. "O quê? Onde?" O ator Seth Rogen brinca: "Uma limo foi te buscar! Mas seis milhas é longe!"

Os jornalistas riem na sala, mas não os assessores. Um deles tira o microfone da mão da repórter. O diretor ameniza: "Mas eu não ligo de responder", diz. "É que, após trabalhar 12, 14 horas por dia, é perigoso dirigir [...] por isso os estúdios querem assim [...]. Mas você pode me buscar se quiser, eu não ligo."

Sem microfone, a repórter retruca: "Se você me pagar esse valor, eu também não me importo, ficaria feliz em fazê-lo. Mas é uma soma muito alta, não?"

O diálogo segue atrapalhado, e dois assessores interrompem novamente.

A repórter desiste e tenta sair à francesa, mas é abordada por uma assessora, que tira o kit de sua mão, enquanto os outros assessores arrancam a página "maldita" dos demais jornalistas.

O que fazer numa situação dessa? O que a Ilustrada fez: transformar toda a intimidação e chantagem em notícia. E abrir a página mostrando como as entrevistas entram no esquema de marketing dos filmes (aqui).

Pode ser que a repórter nunca mais seja chamada pra uma coletiva? Pode. E claro que isso é chato. Todo mundo gosta de ser levado aos EUA ou a qualquer outro lugar bacana para fazer uma entrevista. Mas a viagem é o meio, não o fim. O repórter que deixar de fazer seu trabalho com medo de perder a viagem estará comentendo um erro.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h12

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Semelhanças?

Da série "mais humor no jornalismo" uma tira do mestre Laerte:

(se não estiver muito nítido, os letreiros sobre os pratos servidos são, respectivamente, opinião, informação e diversão)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h09

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Lições de Sérgio Dávila - parte 2

A consulta aos colegas

  Ele já tem 20 anos de estrada e fez todas essas coberturas que eu listei no post de baixo. Mesmo assim, adota um hábito que, em sua opinião, deveria ser usado com muito mais freqüência, não só por focas, mas também por repórteres experientes: consulta seus colegas para aprender com eles.

SÉRGIO DÁVILA atribui à vergonha ou ao orgulho o fato de ser tão pouco consultado pelos colegas, mesmo tendo sido o único correspondente brasileiro no Iraque, por exemplo.

Antes de ele ir para lá, buscou conselhos de outros colegas que já tinham estado em situações de conflito, inclusive alguns que não estavam mais na Folha. Citou exemplos: o IGOR GIELOW, que esteve no Afeganistão, e o KENNEDY ALENCAR, que foi para o Kosovo. Além dos veteraníssimos José Hamilton Ribeiro e Joel Silveira.

Antes de cobrir o furacão Rita, ele consultou os colegas PEDRO DIAS LEITE e Iuri Dantas, que tinham trabalhado durante o furacão Katrina, pouco antes. Os dois eram mais novos e tinham menos experiência do que ele, mas já tinham vivenciado um tipo de cobertura que ele nunca tinha feito e puderam ajudá-lo muito.

Ele também não tem vergonha ou orgulho de consultar jornalistas de jornais concorrentes (sem entregar a pauta, claro), se puderem enriquecer a produção de seu trabalho.

É preciso partir do princípio de que jornalistas que passaram por grandes experiências também são boas fontes, pelo menos para o momento de preparação de um trabalho. E, quanto mais bem preparada, melhor será a cobertura do enviado especial a tal lugar.

Raphael Gomide fez o mesmo antes de ir a Gaza

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h20

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Lições de Sérgio Dávila - parte 1

  Hoje a Redação teve uma conversa com SÉRGIO DÁVILA sobre as lições do trabalho no exterior – como cobrir tragédias e como separar detalhes importantes de entulho.

Foi uma palestra tão legal que acho que terei pano para costurar vááários posts Alegre

Para quem não sabe (?), hoje ele é correspondente em Washington e, além de ter participado da cobertura sobre as eleições de Obama, também foi o único brasileiro na guerra do Iraque, cobriu o 11 de Setembro, esteve nas eleições de Bush e em vários outros eventos de importância internacional.

Ainda encontra tempo para, vez por outra, fazer reportagens para Ciência, Mais!, Folhateen, Revista da Folha e, claro, Ilustrada.

Esse link para a Ilustrada é de uma matéria que ele fez sobre um show do João Gilberto no Carnegie Hall, escrita há mais de um ano atrás. Me marcou tanto a forma como ele descreveu o show, minutando cada acontecimento, explicitando com essa contagem do tempo a personalidade [escolha um adjetivo] do músico, fazendo o leitor (eu) me sentir dentro do show, que lembro direitinho dela até hoje.

E foi para isso que DÁVILA conversou conosco hoje: para que entendêssemos que é possível fazer matérias marcantes, diferenciadas, que ficarão na memória do leitor por vários anos. Mesmo que – como nos eventos de importância mundial cobertos pelo repórter – haja uma concorrência feroz disputando o mesmo assunto e dando a sensação de que todas as abordagens já foram esgotadas.

"Um assunto nunca se esgota", foi a lição número um.

Nos próximos posts, pretendo trazer para cá o que aprendi com esse grande jornalista.


Outros posts sobre o SÉRGIO DÁVILA:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h08

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Os crimes da sua rua online

  Na mesma linha de um post recente, em que mostrei a ferramenta do Globo Online que deixa os leitores mapearem os problemas de  infra-estrutura de seu bairro, deixo agora a dica da ESTELITA CARAZZAI para que conheçam o WikiCrimes.

A idéia é a mesma: que o leitor seja capaz de relatar qualquer crime que tenha ocorrido com ele e mapeá-lo num grande banco de dados. Por enquanto está com muito poucas ocorrências registradas, mas acho que, quando estiver com vários relatos, esse mapa poderá ser fonte de muitas pautas policiais e de segurança pública:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h44

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Por que economia não fala de ecologia?

  Na era da interdisciplinaridade, buscada pelo Enem e outras formas de avaliação escolar, cabe perguntar por que os jornais são tão pouco "intereditorializados".

Há poucas remissões de um caderno para o outro, mesmo que os dois tratem, cada um à sua maneira, de um mesmo tema.

Por exemplo, no domingo passado a Folha tratou da lei antifumo em três cadernos: Cotidiano, Ilustrada e na Revista da Folha. Essa remissão lógica esteve na capa:

Também estava ao pé da capa de Cotidiano, mas só remetia à matéria da Revista:

E não havia qualquer remissão na matéria de Ilustrada.

Essa é uma das críticas do ombudsman em sua coluna interna: a falta de diálogo entre as editorias do mesmo jornal.

Mas essa falta de diálogo também acontece de outras formas. Quando uma matéria de Dinheiro aborda o aquecimento da produção de automóveis e uma matéria de Ciência aborda, no mesmo dia, a relação entre o aumento da poluição e o aquecimento global, um leitor mais crítico pode se perguntar: por que não ampliar o foco, juntar as duas especialidades e fazer uma matéria que agregue, em economia, um pouco de ecologia?

É uma reflexão interessante e quem faz é o pessoal do blog MidiaEducação, indicado pela recém-trainee ESTELITA CARAZZAI. O blog é escrito por professores do colégio onde ela estudou em Curitiba.

Mas o que vocês acham? É possível, na prática, haver mais diálogo entre as editorias para que o jornal tenha matérias que conversem mais entre si?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h47

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Jornalista não tem férias

 "Fomos achacados duas vezes.

Na primeira, o carro foi parado e o policial veio, já sorrindo, perguntando o destino e origem. Em seguida, sem demora, tascou a frase: "No hay una plata para a gaseosa?". Gaseosa é o refrigerante daqui e a prática para mim é conhecida com extorsão."

Este texto está no blog do leitor Roberto Mancuzo, mestre em fotografia, jornalista e professor da Faculdade de Comunicação Social de Presidente Prudente, que relatou sua aventura de mais de 10 mil quilômetros pela América do Sul.

Ele estava de férias, mas aproveitou as facilidades tecnológicas, mesmo nos rincões da Amazônia, para postar diariamente em seu blog, com direito a várias fotografias. Afinal, defende: "Jornalista é jornalista 24 horas e toda hora é hora para contar uma boa história."

Para ler o blog dele, CLIQUE AQUI. (Quer acompanhá-lo e não sabe como? CLIQUE AQUI.)

Outros posts sobre aventureiros do jornalismo:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h48

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Atenção ao personagem

   A recém-trainee FLÁVIA MARTIN relata o que aconteceu com ela e pede dicas a vocês:

 "Em uma reportagem que precisa de personagem, acabamos ouvindo mais gente do que efetivamente vamos publicar. Chegamos até a pautar fotógrafos para registrarem nossos entrevistados. Algumas histórias pessoais, no entanto, acabam sendo mais interessantes do que outras. Natural que sejam. Como responder de forma educada e polida que o cara perdeu seu tempo conversando conosco, posando pra fotos etc., e sua história foi "arquivada"?"

 
Complemento que a mesma coisa acontece quando estamos apurando um fato e temos que conversar com várias fontes, mas, ao final, apenas uma resposta caberá na reportagem.
 
Como vocês lidam com isso nas duas situações?
 
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h31

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Plenitude do jornalismo?

  Outro dia discutíamos se, para ser um editor, era preciso ter muitos anos de experiência.

A leitora Lanna levantou outra bola, que acho que pode render uma boa polêmica:

"Vocês acham que todo jornalista que trabalha em jornal precisa passar pela reportagem?

Um editor/redator que nunca foi para a rua também vivenciou o jornalismo em plenitude?"

O que vocês acham?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h59

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Painel da ANJ: liberdade de expressão e o futuro

 
 

Painel da ANJ: liberdade de expressão e o futuro

  Bem legal esta dica da leitora Nancyelle: a ANJ está organizando um painel sobre liberdade de imprensa e o futuro do jornalismo e convidou um monte de jornalista fera para falar a respeito:

Iason Athanasiadis (repórter do "Washington Times" que esteve preso 20 dias no Irã por causa da cobertura das manifestações políticas), Alon Feuerwerker (Correio Braziliense), CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA (ombudsman da Folha), Daniel Piza ("Estado"), Marcelo Rech ("RBS"), Merval Pereira ("OGlobo" e "CBN") e FERNANDO RODRIGUES (Folha).

Inscrições gratuitas, até 13 de agosto, pelo painel@anj.org.br (nome, RG, cargo, empresa/universidade, email).

Vai ser no dia 18 de agosto, em Brasília.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h36

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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