
Tem gente que diz que os jornais "estão ficando chatos". Sei não. Acho que eles são tão chatos quanto sempre foram. São uma mistura de diversão e chatice, de assunto interessante com informações relevantes. O que parece ter mudado mesmo é a vontade das pessoas de encarar o que é chato, mas importante. Os jornais não ficaram "mais" chatos. O império da diversão é que se alastrou.
PS - Sou a favor de mais humor, textos melhores, mais bem escritos. Até criei aqui no blog a campanha mais humor no jornalismo. Não tenho nada contra a leveza, muito menos com a diversão. Como diz meu prof MATINAS SUZUKI JR., o jornal tem que ser uma "experiência total". Tem que ter um pouco de tudo. Mas sempre haverá temas em que elas não cabem, ou não fazem sentido. Achar que o jornalismo está em crise porque está ficando "mais" chato é errar o alvo. Se os jornalistas desistirem de abordar o que é "chato", todo mundo vai perder no final.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h21
Hoje fiz o curso "Investigando gastos públicos", com o Gil Castello Branco (Contas Abertas) e o José Roberto Toledo, no 4º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
Ao longo do curso, postei diversas dicas no Twitter, com a tag #Abraji. Várias outras pessoas também usaram essa tag, postando de outras palestras/cursos. Ainda vou organizar todas as informações de forma mais didática, mas eu queria pegar mais o jeito da busca no Siafi antes de colocar aqui no blog num post mais completo. Enquanto isso, fica a dica do Twitter. Os pré-trainees também tiveram aulas sobre as várias possibilidades do uso de bancos de dados para a produção de uma reportagem. Com o Marcelo Soares, claro  Depois, conversaram com o RAPHAEL GOMIDE, desta vez sobre sua reportagem "O Infiltrado". Ontem conheceram o centro gráfico da Folha e tiveram aula de português. Amanhã também irão ao Congresso da Abraji. De lá, nos cursos "Investigando o judiciário", "Amazônia: problemas, políticas públicas e fontes de informação" e "Por dentro da cobertura política em Brasília", vou tentar mandar mais flashes do Congresso via Twitter – e, mais tarde, aqui no blog.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h38
Outro dia publicamos no blog uma lista de 30 coisas que aspirantes a jornalista (e jornalistas) podem fazer nas férias.
Mas um leitor me lembrou de outra: o programa de leitura de jornais. Se você é daqueles que não lê jornal porque não tem tempo, comece agora (siga o passo a passo a partir deste post). É como qualquer outra coisa: no começo leva mais tempo, mas depois engrena e fica fácil. Por isso uma ótima época pra começar é quando temos mais tempo livre.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h37

Amanhã começa o 4º Congresso Internacional da Abraji e estarei lá. Como dura quase o dia todo, vou postar menos por aqui. Em compensação, tudo o que eu aprender lá vai virar post  Enquanto isso, leiam as lições do Araguaia, nos dois posts aí embaixo 
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 23h11

Finalmente vou cumprir a promessa que fiz no post de quinta. Em vez de falar do trabalho dos colegas do St. Peterburg Times que cobriram um crime de 50 anos atrás, vou falar do trabalho do colega do Estado de S.Paulo que cobriu um crime de 36 anos atrás.
No dia 21 de junho, uma reportagem de Leonêncio Nossa, "Curió abre arquivo e revela que Exército executou 41 no Araguaia", trouxe à tona arquivos secretos do major Sebastião Curió que jornalistas e historiadores tentavam obter há mais de vintes anos, sem sucesso. Não foi apenas um grande furo jornalístico, mas uma contribuição à história e à política, já que os documentos detalharam a terceira e mais sangrenta campanha do Exército contra a guerrilha do Araguaia e preencheram lacunas que reportagens e pesquisas anteriores não tinham conseguido ocupar. Por exemplo: a quantidade exata de guerrilheiros executados fora de combate (41) e os nomes de todos os mortos. Além dos mistérios históricos do Araguaia, essa reportagem também nos rende várias curiosidades jornalísticas. A primeira pergunta que vem à mente de qualquer repórter envolvido com esse assunto: como Leonêncio Nossa conseguiu os documentos que eram desejados por todo mundo há tanto tempo? Além do mérito do repórter, a resposta é uma só: persistência. A reportagem diz que Nossa levou sete anos para convencer Curió a abrir seus arquivos secretos. Ele se encontrou com o major 45 vezes. Foi paciente e esforçado, para dizer o mínimo. Além do furo inicial do fim de junho, é muito provável que os documentos rendam ao repórter outra porção de matérias, idéias para pautas, futuras reportagens e, muito possivelmente, a publicação de livros com todos os detalhes que faltavam na biografia da guerrilha do Araguaia. Ou seja: a persistência dele não foi em vão. Mas o mais importante talvez tenha sido a contribuição histórica em si, com a descoberta de fatos até então conhecidos apenas por uma rodinha de oficiais da reseva que não estavam dispostos a falar mais nada. Foi possível mapear uma lista definitiva de identidades, como o infográfico feito pelo Estado de S.Paulo ilustrou: 
Vamos pensar nas lições do trabalho de Leonêncio Nossa: O resultado da persistência costuma ser gratificante Mesmo quando vários concorrentes tentam o mesmo que você e a fonte parece irredutível, não desanime: tenha paciência e empenho Na mesma linha: não entre no jogo do "ah, isso é impossível de conseguir". Nada é Apoie-se no maior guia do repórter: a vontade de conseguir chegar aos fatos. Vontade é a palavra-chave Toda reportagem, por mais simples que seja, exige algum tipo de pesquisa. Quanto mais você pesquisar, melhor ficará o resultado final Para cobrir fatos de tantos anos atrás, é essencial debruçar-se sobre vários documentos, entrevistas da época, livros, reportagens Também é fundamental entrevistar as pessoas envolvidas -- quanto mais melhor -- para formar o quebra-cabeças Em sete anos de trabalho e fazendo tudo isso, Nossa já devia ser quase um especialista em Araguaia, mas agia como repórter, não historiador Mesmo assim, há que se ter algum cuidado com a história. Saber se o que você divulga é inédito mesmo, ou não, para não vender alho por bugalho e atrapalhar os pesquisadores O trabalho jornalístico tira dúvidas e levanta outras tantas (e aí voltamos para o item 4) Se você se interessa por um tema, encontre um espaço na sua rotina para acompanhá-lo e estudá-lo sempre. Nossa continuou na cobertura de política diária enquanto, paralelamente, trabalhava na reportagem de sua vida
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h03

Vários outros jornalistas se debruçaram sobre a história da Guerrilha do Araguaia e fizeram reportagens e livros acrescentando informações ao mistério que pairava sobre um dos episódios mais ricos da história do Brasil.
Um deles foi Hugo Studart, que começou a se interessar pelo assunto em 1991, quando era repórter da Folha e cobria a abertura dos arquivos do governo de São Paulo. Foi no evento oficial que ele conheceu João Carlos Grabois, neto de Maurício Grabois (codinome Velho Mário), comandante-chefe das forças guerrilheiras. João Carlos queria ver uma imagem de seu pai, André Grabois, já que a família se livrara de todas as fotos dele quando resolveu entrar para a clandestinidade. A matéria rendeu a Hugo Studart uma capa na Folha e o instigou a saber mais sobre aquela história cheia de lacunas. Em 2002, "largou" de vez o jornalismo para se dedicar à dissertação de mestrado em História Cultural, que lhe rendeu o livro "A Lei da Selva", finalista do Prêmio Jabuti. Hoje ele trabalha em sua tese de doutorado que vai contar como era o cotidiano dos guerrilheiros a partir do diário secreto de Maurício Grabois, ainda inédito. Será a persistência dos últimos 11 anos rendendo a segunda fornada de trabalhos jornalísticos com informações relevantes e inéditas (também conhecidas como furos). Conversei com Hugo para entender melhor o contexto do Araguaia e as implicações da reportagem do Leonêncio Nossa. Ele contou que, nesse tipo de apuração de um evento histórico importante, os jornalistas e pesquisadores revelam os fatos pouco a pouco e as referências e o trabalho conjunto ao longo dos anos são fundamentais para fechar o quebra-cabeças: "Foi uma longa construção. A primeira revelação foi do Henrique Goulart Gonzaga, o Gougon, do “Estadão”, que se infiltrou entre o pessoal do Incra que ajudava os milicos e revelou a segunda campanha, de setembro de 72. Assim que teve a anistia, em 79/80, apareceram livros e reportagens sobre o assunto Araguaia. Mais o relatório Arroyo, que era do Ângelo Arroyo. Mais o relatório Pomar, que era outro militante do PCdoB. Em 96, a filha do general Antonio Bandeira, depois que ele morre, deu um monte de documentos que ele tinha para uma série de reportagens de uma equipe do “O Globo”. Em paralelo, teve o livro do professor Romualdo Pessoa, da Universidade Federal de Goiás, que fez uma tese de mestrado, e pela primeira vez entrevistou os camponeses e descreveu a guerra do ponto de vista deles, no qual revela que havia decapitações. Entre 2001 e 2004 houve outra série de reportagens e de livros – entre eles o livro do Elio Gaspari, três de milicos diferentes, e o mais importante: o livro-depoimento do coronel Lício Maciel, que esteve lá na selva em todas as três campanhas. É o depoimento pessoal mais importante antes do Curió. Mas eram documentos fragmentados, como cacos de cerâmica. Eram soltos, mas eram importantes. A história é construída um tijolo após o outro. Eu ergui uma parede importante. O Curió trouxe a argamassa, ele fechou todas as paredes. Só falta que o Exército busque os corpos e os entregue às famílias." Para quem se interessa pelo assunto, aí vão outras dicas de livros, estas do RUBENS VALENTE: "Operação Araguaia", de Taís Morais e Eumano Silva "Sem Vestígio", de Taís Morais "Coronel rompe o silêncio", de Luiz Maklouf de Carvalho
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h42
Curso intensivo de jornalismo científico Curso de 40 horas, em Bariloche (Argentina), entre 24 e 28 de setembro.
Inscrições até 16 de agosto. São 24 bolsas, que pagam inclusive despesas de transporte e hospedagem. Mais informações AQUI ou AQUI. Esqueci de dizer que a dica foi do EVANDRO SPINELLI.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h41
Dica para quem faz TCC
Quem está fazendo graduação ou pós em comunicação e quer idéias para fechar o trabalho de conclusão de curso, vale a pena acessar este blog, que agrega vários TCCs, teses e dissertações: http://www.tcccomunicacao.blogspot.com/.
Pelo que vi lá, eles já têm 81 trabalhos cadastrados. (Peço desculpas a quem me deu essa dica, esqueci de anotar e agora não encontro )
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h35
Nesta semana de palestras os pré-trainees já tiveram três seminários.
Ontem foi com a MONICA BERGAMO, que contou um pouco de seu trabalho para eles. A Ana pediu que assistissem ao vídeo da sabatina com o Ronaldo e a entrevista que fizemos com a colunista, antes de irem à conversa. Fica como exercício para quem ainda não tiver feito isso por aqui  Hoje de manhã eles conversaram com o Américo Martins, ex-trainee (da segunda turma!), que hoje é editor-executivo da BBC para Américas e Europa. Ele falou como é o funcionamento da BBC, como é seu trabalho e um pouco sobre jornalismo multimídia, dentre outras coisas. Vou colocar um post sobre a conversa com ele logo-logo. À tarde, conversaram com a repórter especial CLAUDIA ANTUNES, que até recentemente era editora de Mundo, e ela mostrou exemplos de reportagens com bastante contextualização – também prometo um post a respeito em breve. O fim de tarde foi a maior moleza: eles ficaram livres para tentar ir ao Masp ouvir o Gay Talese, ou conhecerem outras exposições e eventos que estivessem em cartaz em São Paulo (afinal, grande parte dos candidatos vem de fora). Amanhã tem mais!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h26

A recém-trainee ESTELITA CARAZZAI conta o que aprendeu durante a apuração de sua última reportagem no treinamento. O método que ela adotou é muito valioso, vale a pena imitar. A propósito, o treinamento da 47ª turma acabou na sexta e hoje já começou a semana de palestras para a próxima turma. Ao longo destes dias, vou tentar colocar um resumo das palestras aqui. Durante a feitura da reportagem especial que encerrou o programa de treinamento, nas últimas três semanas, aprendi, na marra, a utilizar de maneira mais inteligente o bloquinho de anotações. Pode parecer uma dica tola, mas quem já passou pelo sufoco de não encontrar uma informação num bloquinho caótico sabe de sua utilidade.
Adotei o seguinte método: usei apenas uma das faces do bloquinho para anotar, durante as entrevistas, as principais aspas daquela pessoa. Quando saía alguma frase bacana, eu dava uma espiada na tela do gravador para anotar, ao lado, em que minuto da gravação a frase havia sido dita (isso me poupou muuuuito tempo depois). Na outra das faces do bloquinho, eu destacava o que precisava ser checado/apurado depois, declarações que precisavam ser rebatidas com outras fontes, dados de que eu precisava para contextualizar aquilo que a fonte estava falando etc. Se o entrevistado me falasse que 800 pessoas foram à manifestação, mas que ele tinha o número exato num papel em casa, eu anotava na parte de cima do bloco, pra cobrar no final da entrevista. Se ele acusasse alguém, isso também ia para a parte de cima: "Fulano: rebater acusação tal". Se ele me dissesse que o Ministério Público estava fazendo uma investigação, eu anotava: "Ver com MP andamento da investigação". Isso me foi muito útil pra organizar os roteiros de entrevistas com o outro lado depois (era só olhar as anotações da face superior do bloco), e também pra saber o que eu ainda precisava apurar/checar. No final do dia, uma olhadinha rápida naquelas anotações me faziam organizar com muito mais facilidade o que precisava fazer no dia seguinte.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h26

É o LEONARDO FEDER quem escreve: "A Editoria de Treinamento recebeu cerca de 400 inscrições para o concurso "Folha Memória – Programa de Orientação em Pesquisa em História do Jornalismo Brasileiro", que reembolsará as despesas de três pesquisadores até o limite de R$ 2.300/mês, mediante apresentação de nota fiscal, durante seis meses, e publicará ao menos um trabalho. Os projetos resgatavam a história de nossa bicentenária imprensa, existencialmente singular e complexa, marcada por acertos e erros; censuras e resistências; realizações e condutas éticas de jornalistas; trajetórias de veículos em variadas mídias e contextos políticos, ao longo de mudanças tecnológicas e editoriais pelas quais passaram as redações Temas Os temas dos projetos de pesquisa refletiam, ao menos indiretamente, a essência inalterável do jornalismo, de, com espírito público, buscar a verdade mais exata dos fatos, ser um fórum pluralista de debates e lutar por uma sociedade mais justa. Os cerca de 400 projetos do concurso englobavam esses dez temas: História de uma especificidade de jornalismo em certo período e local – político, esportivo, cultural, científico, policial, econômico, de cidades, de serviços, fait-divers; História de uma modalidade de jornalismo em certo período e local – literário, investigativo, participativo, social; História de um gênero de jornalismo em certo período e local - crônica, matéria, (grande) reportagem, ilustração, charge, infográfico, fotografia, crítica, editorial; História de uma plataforma de jornalismo em certo período e local – televisão, jornal, revista, rádio, online, fotografia, cinema (documentário), quadrinho, cordel; História de um método de apuração, artifício ou técnica de jornalismo em coberturas – entrevista, observação, pirâmide invertida, editorial na capa, fontes off the records; História de um jornalista ou empresário de comunicação e suas realizações; História de um veículo ou de um caderno/ seção jornalística em certo período e local; História de um momento ou fenômeno do jornalismo – cobertura de guerras ou eventos políticos, conexão com a literatura, censura durante governos autoritários, imprensa alternativa, greves, mudanças tecnológicas, vigência do diploma de jornalismo; História de uma segmentação de jornalismo em certo período e local – imprensa homossexual, negra, feminina, imigrante, religiosa, partidária; História relativa ao ensino de jornalismo – escolas de jornalismo, jornais-laboratório.
Curiosamente, um assunto apareceu cinco vezes: a história da reportagem no Brasil. Neste caso, os candidatos apontaram a insuficiência de pesquisas que tratem desse tema. Avaliação Se surgiam assuntos parecidos, o candidato escolhido era o que melhor desenvolvera o tema e/ou o mais experiente – portanto, mais apto e maduro – em pesquisa. Os itens que deviam constar no projeto segundo o regulamento indicavam: "tema" - se o projeto estava focado, com objetivos claros; "justificativa" - se o projeto era embasado, original e interessante; "método de pesquisa" e "cronograma" - se o projeto era factível; "apresentação" - se o projeto tinha interesse editorial para publicação.
Bons projetos têm os quatro "cês": concisão, conhecimento, criatividade e capricho. A relação dos três pesquisadores selecionados sairá em 9 de agosto de 2009."
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h42
Curso de jornalismo literário
Aproveitando a discussão gerada pelo último post da Ana, segue a dica do curso de Jornalismo Literário do Senac.
A proposta deles é discutir se existe espaço para esse tipo de jornalismo no mercado. Quem for, poderá discutir inclusive se existe esse tipo de jornalismo mesmo, e em que ele se diferente de qualquer outra forma de apuração e narrativa jornalística. Informações e inscrições AQUI.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h53
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