Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Não existe esse tal de "jornalismo literário"

Jornalismo é jornalismo.
Se não contiver informação original e acurada,
o "literário" não conseguirá salvá-lo.

Ruy Castro, na Folha de hoje [íntegra aqui, para assinantes]

"Concordo muito" com ele.

Texto é apuração. Um bom texto jornalístico é resultado de informação relevante, bem apurada e bem contada.

Bem contar não é usar um monte de palavra bonita e vazia.

É relacionar os fatos, mostrar por que eles importam, dar a eles a vida que realmente têm.

É não esquecer que quem escreve e quem lê somos gente, e por isso é fundamental "humanizar" as matérias (como ensina meu prof MARCELO COELHO). (Humanizar não é botar o infalível e artificial recurso do "personagem". É mostrar que aquela notícia tem a ver com a nossa vida.)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h34

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Humor do twitter

Já que é sexta à noite, vamos tratar de amenidades: Mauricio Stycer faz uma compilação de piadas sobre Barrichelo que surgiram no twitter (aqui).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 23h05

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Manual para assessores de comunicação

  O jornalista @pedrofernandes disparou dicas para assessores de comunicação ao longo do dia de hoje no Twitter. A tag era #ascomfordummies.

Aí estão:

  1. Tenha fotos com foco e em alta resolução dos seus clientes.
  2. Se o cliente quiser fritar o maior acarajé do mundo, convença-o do contrário. Se não demovê-lo, não envie as fotos.
  3. Faça um mailing objetivo. Envie release e sugestão de pauta para quem possa se interessar. Spam queima seu trabalho.
  4. Leia jornal. Assim você descobre quem são os repórteres que têm afinidade com o tema com que seu cliente trabalha.  
  5. Follow up é muito chato. Não ligue pra saber se recebeu e-mail. Se não voltou é porque o repórter recebeu.
  6. Não ligue para perguntar se e quando a matéria vai sair. Vai sair se tiver interesse. E quando? Ver dica 4 Convencido
  7. Não escreva no corpo ou no assunto do e-mail: "Dá notinha?".
  8. Se não pode colocar o repórter em contato com a fonte naquele momento, seja logo sincero. Não deixe para a última hora.
  9. Enrolar o repórter atrapalha o dealine, que às vezes é estendido diante de uma promessa que não será cumprida.
  10. Não escreva releases que são odes ao cliente. É irritante e pega mal. Seja breve e atenha-se às informações relevantes.
  11. Na hora da entrevista não responda pelo cliente, nem pergunte pelo repórter.
  12. Não mande a mesma pauta 1 mol de vezes. Isso só enche o saco e a caixa de email.
  13. Seja simpático, mas não faz o íntimo, que não cola. É meio constrangedor. A pauta vai sair se for interessante.
  14. Não liga para agradecer, depois que a matéria sair. Fica parecendo que o repórter fez um favor.
  15. Enviar erratas do mesmo release, uma atrás da outra, é feio e pega mal.
  16. Para aumentar as chances de seu cliente aparecer em uma matéria, sugira uma pauta de interesse público e aponte seu cliente ou um pesquisador da empresa dele, por exemplo, como fonte. Parece oportunismo, mas é mais inteligente que apenas falar que o cliente está lançando uma nova linha de produtos.
  17. Tenha bom senso.

Achei muito boas porque facilitam a relação entre assessor e jornalista, que é necessária.


Outras dicas de Twitter:

Tomara que essa moda pegue!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h58

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Congresso da Abraji

  Restam apenas poucas horas para que você faça sua inscrição no Congresso da Abraji e possa ouvir, dentre outros:

  • Marcelo Beraba
  • Evandro Spinelli
  • Claudio Weber Abramo
  • Paulo Totti
  • Elvira Lobato
  • Eliane Brum
  • Fausto De Sanctis
  • Fernando Rodrigues
  • Rubens Valente
  • Matinas Suzuki Jr.
  • Bob Fernandes
  • Carlos Minc

Eu disse "dentre outros". A programação toda está AQUI.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h23

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Teste de concisão em seis palavras

  Outro dia alguém pediu dicas de exercício para treinar a concisão. A Ana sugeriu o uso constante do Twitter, que permite textos completos em até 140 caracteres.

Eu vou sugerir uma coisa mais difícil, inspirada pelo post abaixo: que tal tentar escrever uma história inteira com ATÉ seis palavras? Ela deve ter começo, meio e fim – tem que fazer sentido.

O Roberto Takata sugere a leitura de vários exemplos, divulgados pela Wired em 2006.

Alguns que achei bem legais (e mantive seis palavras na tradução Muito feliz):

Thought I was right. I wasn't. (Pensei que estivesse certo. Não estava.)
- Graeme Gibson

Three to Iraq. One came back. (Três foram ao Iraque. Um voltou.)
- Graeme Gibson

H-bombs dropped; we all died. (Bombas de hidrogênio caíram. Todos morremos.)
- Howard Waldrop

There were only six words left. (E restavam apenas seis palavras sobrando.)
- Gregory Maguire

Longed for him. Got him. Shit. (Ansiava por ele. Conseguiu ele. Droga.)
- Margaret Atwood

Aguardo pelas histórias brilhantes de seis palavras nos comentários Bem humorado

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h16

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Receita de Ernest Hemingway para escrever bem

  Quando um sujeito que ganhou o prêmio Pulitzer e o Nobel de Literatura dá dicas de como escrever bem, é bom prestar atenção e anotar.

Eis as cinco dicas de Ernest Hemingway:

1. Use frases curtas

Ele já foi desafiado a contar uma história completa usando apenas seis palavras. Conseguiu:

"For sale: baby shoes, never used." (Em português são sete: "À venda: sapatos de bebês, nunca usados.")

2. Comece com parágrafos curtos

3. Use um inglês [português, no nosso caso] vigoroso

(forte, com intenção, paixão, foco)

4. Seja positivo, não negativo

Não exatamente no sentido "alegre" da palavra positivo. O que ele quer dizer é que dizer uma coisa por meio de seu oposto faz com que o leitor tenha que dar voltas para entender o que você realmente quer dizer. Assim, se você disser que tal coisa "não é cara", a palavra "cara" ainda vai martelar na cabeça do leitor, até ele chegar ao significado pretendido, que é "barata".

Em inglês essa dica faz ainda mais sentido, já que vários antônimos são ditos usando a palavra mais o sufixo "less". Assim, "painless" ainda tem a palavra "pain" (dor) distraindo o leitor do verdadeiro significado do texto.

5. Nunca tenha apenas quatro regras Alegre

O blogueiro que divulgou as quatro dicas de Hemingway achou que "quatro" não chamaria a atenção. Assim, buscou outro ensinamento do escritor, este confidenciado para F. Scott Fitzgerald:

"Eu escrevo uma página de obra de arte e 91 páginas de lixo. Tento pôr o lixo na lixeira".

A quinta foi a melhor, né? Bem humorado


Outros posts para escrever bem:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h34

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O que vem primeiro e o que interessa mais

  Agora um monte de figuras públicas tem seu próprio twitter, blog, orkut, facebook etc. São pelo menos 33 deputados federais, seis estaduais, 16 senadores e um governador, segundo o Politweets. O Vanderlei Luxemburgo anunciou sua demissão primeiro no twitter e no blog. Ministérios, secretarias e times de futebol criaram seu canal na rede.

Por um lado, isso é ótimo: é um caminho direto entre a figura pública e o público. Um canal de comunicação sem intermediários.

Por outro lado, e essa é a questão, esses canais divulgam o que é de SEU interesse, não necessariamente coincidindo com o interesse público.

Não fazem, portanto, jornalismo, porque o interesse público é a premissa do jornalismo.

Quem reflete sobre isso é o colunista da Folha Online Eduardo Vieira da Costa e vale a pena ler AQUI.

(Dica do leitor Roberto Takata Jóia).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h55

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Cobrindo memórias de um passado distante

"Seja cético.

Perscrute as declarações da vítima da mesma forma como faria com as do acusado.

Confronte suas memórias com outras fontes.

Encontre outras fontes."

  É essa a dica de repórteres que cobriram um crime ocorrido muito antes da apuração – muito antes de eles terem nascido, a bem da verdade.

O Poynter fez o making of de um trabalho de seis meses de apuração para uma reportagem de seis páginas do St. Petersburg Times – que também rendeu um vídeo e uma galeria de fotos para o site do jornal.

O crime ocorreu há 50 anos e os repórteres tiveram que contar com a memória das vítimas. Mas puderam se respaldar em clippings de jornais da época, documentos jurídicos, fotografias de arquivo, mapas – qualquer coisa que emprestasse credibilidade às lembranças.

Vale a pena ler tudo, porque há muito o que aprender com esse pessoal persistente.

[E, por falar em persistência, aguardem alguns posts sobre um trabalho de grande persistência que rendeu um belo furo jornalístico. Devo postar amanhã ou depois (às vezes é bom fazer suspense Convencido).]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h28

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Dicas para entrevistar celebridades

 
 

Dicas para entrevistar celebridades

  Há pouco mais de um mês o @newsleader ficou o dia inteiro dando dicas de como entrevistar melhor, que a Ana traduziu em seu Twitter e eu resumi no blog (aliás, há algumas preciosas, vale reler).

Hoje, ainda no embalo da morte de Michael Jackson, o mesmo Justin Kings está dando só dicas para quem cobre entretenimento e celebridades, que ele juntou no marcador #celebtips.

Para acompanhar, não é preciso ter conta no Twitter, basta clicar AQUI. A crítica de cinemas @krizanovich também está dando dicas, mas o Twitter dela é protegido.

Como ele já soltou MUITA coisa, sugiro que os interessados leiam lá.

Vou colocar só algumas:

  • Não faça seu entrevistado perder tempo perguntando "Conte-me de que se trata o filme". Todo mundo que leu a sinopse pode responder isso.
  • Evite perguntar "Como foi trabalhar com fulano?". Há um grande risco de se obter respostas insossas e previsíveis.
  • Fale como se estivesse falando com qualquer mortal e seja um pouco atrevido. Eles vão relaxar e te dar respostas surpreendentes (tenho minhas dúvidas).
  • Leia o jornal e as últimas entrevistas online, talvez haja histórias para as quais você precise colher a reação da celebridade (essa vale pra qualquer entrevista, né?).
  • Humores mudam, mas assista a entrevistas anteriores com a celebridade (YouTube!) para ter uma idéia da personalidade dela, do melhor tom a adotar.
  • Não deixe o assessor de imprensa te dizer o que não pode ser perguntado.
  • Veja com seus colegas se eles estão perguntando a "questão proibida" (e tendo sucesso).
  • SE você gostou do livro/filme/álbum, diga isso ao entrevistado antes da entrevista. Pode ajudar a quebrar o gelo.
  • Arranje tempo para ler o livro, ver o filme ou ouvir o álbum, além de fazer sua pesquisa, antes da entrevista (básica, né).
  • Ouse ser diferente, seja criativo em suas perguntas (serve pra tudo também).

Enfim, há muito mais dicas e parece que ele vai continuar por algumas horas ainda. Acompanhe aqui.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h06

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Como vender bem seu peixe

  Uma amiga minha descobriu uma história fantástica, um personagem sensacional, investigou, teve acesso a informações exclusivas, trabalhou durante várias semanas e fez uma grande reportagem do assunto.

Apesar de ter resultado num trabalho muito bem realizado, ela teve enormes dificuldades de encontrar um lugar para publicar. Enviou para uma grande revista semanal, que não deu nenhum retorno. Depois mandou para uma revista local e, para sua surpresa (e indignação), a editora disse que "adorou tudo, mas que ia mandar um repórter apurar tudo de novo e fazer a mesma matéria" (surpreso).

Deixando um pouco de lado a atitude totalmente irregular dessa editora, que já discutimos em um post recente, quero trazer para este blog uma questão: o que minha amiga pode ter feito de errado?

Se tinha uma grande história e fez uma grande reportagem, por que não conseguiu vender seu peixe?

A freelancer Joanne Mallon dá dicas para jornalistas que, como minha amiga, querem ter seu trabalho frila reconhecido – e publicado com sucesso.

Achei muito boas e coloco uns trechos:

  • Nunca venda a reportagem já pronta; venda primeiro a idéia. "O editor vai ter suas próprias idéias do que quer para a matéria. Ele também saberá quanto espaço vai ter disponível e quantos caracteres você poderá escrever" (Talvez esse tenha sido o grande erro da minha amiga).
  • Leia vários exemplos de matérias do veículo/editoria em que pretende publicar sua reportagem. "Se você quer atingir um alvo, não basta mirar e atirar – faça uma pesquisa primeiro".
  • Ligue para o veículo e descubra quem é a pessoa ideal para você enviar sua idéia. Não adianta abordar a pessoa errada.
  • Mande a idéia por e-mail. Descreva sua idéia em poucos parágrafos (uns 600 caracteres) e depois dê alguns detalhes de sua experiência profissional, para eles saberem por que deveriam te contratar para escrever sobre aquele assunto.
  • Talvez você receba uma resposta em um dia, ou pode receber em semanas, dependendo do veículo e do interesse despertado. Se não receber um retorno, você pode telefonar ou mandar outro email.
  • Esse trabalho de lançar iscas de pautas se parece com o de enviar releases, porque você precisa enviar constantemente para construir um relacionamento e, de vez em quando, ter uma idéia aceita. Escritores experientes dizem que conseguem vender uma a cada dez sugestões de pautas, então não se desespere se não conseguir emplacar nunca. É normal. É importante insistir.
  • Siga editores pelo Twitter, para ver o que os interessa e, quem sabe, construir uma relação. É um bom modo de acessar pessoas inacessíveis. Mas evite enviar suas sugestões de pauta pelo Twitter, já que outros poderão lê-las.

Leia tudo AQUI.

Quais outras dicas vocês dão para os frilas que querem vender bem seu peixe?

Por favor, aceite esta pauta

Vida de um frila da New Yorker

Várias dicas para frilas

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h58

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"Raqueando" ainda

  Seguindo com o post abaixo, recomendo a leitura de entrevista com Colin Meek, jornalista que vai dar curso de RAC na Inglaterra organizado pelo Journalism.co.uk.

Trechos:

"Jornalistas recorrem ao Google com muita freqüência. E há dúzias e talvez centenas de ferramentas de busca que são melhores para tarefas específicas. Por exemplo, o Collecta e o Scoopler.

Mesmo quando os jornalistas só se fiam no Google, eles não exploram todo seu potencial. É preciso usar a opção avançada e dar um foco à sua busca. Usadas de forma criativa, essas ferramentas podem ser extremamente poderosas. Com a prática, podem abrir portas na web que a maioria das pessoas nem sabe que existem. 

Mas há muito além das ferramentas de busca. Você pode configurar seu RSS Reader, por exemplo, para receber posts que só tenham termos que te interessem. Pode usar o Yahoo Pipes para filtrar conteúdos de várias fontes. [O Marcelo Soares já falou disso].

Muitos jornalistas falham em explorar completamente o potencial do Firefox. Esse navegador é, de longe, o melhor. Ele te permite escolher uma porção de plug-ins que podem literalmente transformar seu trabalho online."

Leia tudo AQUI.


Outros posts sobre RAC:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h16

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RAC (Reportagem com Auxílio do Computador)

 
 

RAC (Reportagem com Auxílio do Computador)

  A leitora Rosangela deu uma bela dica aí embaixo: o Knight Center for Journalism promoverá um curso online gratuito e em português de RAC, ministrado pelo José Roberto de Toledo.

Vai acontecer entre 27 de julho e 23 de agosto.

"Os alunos selecionados devem ser jornalistas brasileiros que trabalham em período integral em meios de comunicação impressos, eletrônicos ou online, com no mínimo três anos de experiência jornalística."

Inscrições até 12 de julho.

Mais informações AQUI.


A propósito: também haverá curso de RAC, com duração de SEIS HORAS, lá no Congresso da Abraji. Já se inscreveu?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h44

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Transforme os números em conhecimento

  Por falar em números, o site 10.000 Words traz vários exemplos de jornais que conseguiram transformar uma tabela insossa em uma arte brilhante – e, mais importante: bastante clara para o leitor.

"Criar um banco de dados bem feito exige um bocado de tempo e esforço, mas, no final, você terá oferecido um serviço incomparável".

Se o post abaixo dizia que o texto deve saber divulgar números de forma compreensível e didática para facilitar o entendimento do leitor, a idéia deste post é que, dependendo do assunto, não basta enfiar mil números num texto corrido, ou divulgar uma tabela indecifrável para o leitor: é preciso apresentá-los de forma inteligente.

Um exemplo, do Las Vegas Sun, ilustra este post.

Veja todos os exemplos AQUI.

Outro post sobre infográficos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h06

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Use os números a seu favor

  Jornalista tem que usar números o tempo todo: só nas matérias de hoje, da Folha, temos números dizendo qual o apoio necessário para manter Sarney em seu cargo, números calculando o reajuste da Bolsa Família, trocentos números no caderno Dinheiro, outros tantos na cobertura da greve da USP, números percentuais regendo a gorjeta dos garçons, um número de ônibus comum a cada oito de ônibus fretados, e assim vai.

Números são informação. Tanto para Dinheiro, como para Brasil, Cotidiano, Esporte, Saúde, Ilustrada, Mundo...

Mas deixam de ser informação se embaralham a leitura, distorcem os fatos, trazem mais confusão do que esclarecimento.

É sobre isso que falamos num post recente sobre estatísticas da África.

E sobre isso fala o professor de jornalismo da Universidade de Liverpool Steve Harrison: ele dá dois exemplos de como o mau uso de proporções, porcentagens e médias podem atrapalhar o trabalho de uma reportagem.

Trechos:

"Para comparar semelhanças entre eventos de localidades diferentes, você sempre deve olhar o número de vezes em que o evento ocorre (quantidade) dividido pelo número de pessoas afetadas pelo evento (população). [Ou seja: não adianta o número absoluto, mas sua proporção dentro de um contexto comparável]

Quando escrevemos a história, queremos apresentar os números de forma mais intuitiva. Melhor do que apresentar o número como 0,01 por cento, é dizer que ele representa cerca de nove pessoas em mil. Assim, os leitores conseguem comparar melhor duas razões.

Sempre é bom trazer os números dentro de um contexto histórico.

Não se enterre nas opiniões preguiçosas: sempre esmiuce as médias até que você saiba o que elas incluem e (tão importante quanto) o que excluem.

Tudo é uma questão de decidir que perguntas fazer aos números e como reportar suas respostas aos leitores."

Leia tudo AQUI.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h53

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Pegue um ônibus e crie uma pauta

Foto: Danilo Verpa/Folha Imagem

  A capa de Cotidiano hoje foi sobre decisão da prefeitura de limitar circulação dos ônibus fretados em São Paulo. Ontem, o repórter ALENCAR IZIDORO contou que São paulo ganha passageiros, mas perde frota de ônibus.

É o tipo do assunto que afeta diretamente a vida dos leitores e que pode contar com a ajuda do jornalismo-cidadão para ser incrementado.

Uma forma de se fazer isso, agora, é por meio do Blog do Ônibus, criado pelo Ministério Público Estadual.

É uma ferramenta de investigação do ministério, mas também de apuração do jornalista que acompanha a área.

A reportagem de ontem tinha uma retranca sobre o blog: "Nas queixas, que passam de 500, usuários citam linhas em que a oferta de veículos diminuiu e a lotação aumentou."

O blog coleciona relatos como o seguinte:

"Gostaria de chamar a atenção para a linha 177-Y/10, Casa Verde/Pinheiros. Esta linha é servida apenas por microônibus. Nos horários de pico, a linha é muito utilizada por aqueles que vêm do terminal Barra Funda e vão para Pinheiros (pela manhã, principalmente) e vice-versa (entre as 16:00h e 20:00h). Nesses horários, apesar do intervalo de cerca de 7 minutos, os micro-ônibus ficam lotados, muito acima de sua capacidade. Muitas vezes os motoristas e/ou cobradores mandam as pessoas embarcarem pela porta traseira, devido à superlotação, que faz com que a área anterior à catraca fica instransponível. Pior ainda quando os referidos micro-ônibus têm uma única porta dianteira para embarque e desembarque. Sou usuário desta linha há 5 anos; já registrei reclamações com a SPTrans, mas nada se alterou."

Ou seja, é um verdadeiro amontoado de pautas e personagens, para jornalista nenhum botar defeito!

A dica foi do leitor Elton Jóia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h28

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Jornalistas experientes no YouTube

   O vídeo acima traz dicas do colunista do New York Times Nicholas Kristof para se preparar e realizar coberturas internacionais de crises humanitárias.

Algumas são imperdíveis:

  • a primeira regra da reportagem é assegurar que você vai voltar... vivo
  • não fique circulando nas comunidades sozinho, especialmente se for novo na região
  • faça contatos com grupos de ajuda humanitária que estejam trabalhando lá
  • nunca discuta com pessoas com armas enormes nas mãos Jóia
  • sempre escute os moradores da comunidade
  • cuide bem de seu intérprete, que pode ser a primeira vítima de uma apuração incômoda
  • use uma carteira falsa para enganar possíveis ladrões e esconda bem a verdadeira (numa costura da calça, por exemplo)
  • encontre uma história específica para descrever o problema geral
  • 90% das entrevistas nunca serão usadas, mas são todas úteis
  • fale com vários especialistas de todos os lados, mas cheque o que eles dizem com o que está acontecendo no lugar mesmo
  • não tem problema em ser cético, mesmo com boas pessoas

Assim como Kristof (que escolhi por me interessar por esse tipo de jornalismo), o YouTube colocou uma porção de "videoaulas" no ar – com dicas, por exemplo, de Bob Woodward sobre jornalismo investigativo, de Arianna Huffington sobre jornalismo cidadão, e outros sobre como conduzir uma boa entrevista, como contar bem uma história, sobre a privacidade dos noticiados, sobre como não soar como um idiota Muito feliz, e mais uma porção de dicas fantásticas.  

Isso tudo faz parte do novo projeto do YouTube, o site Reporter's Center, que pretende desenvolver a colaboração (já existente) entre os jornalistas-cidadãos (que pegam o celular e filmam protestos no Irã, embasbacando o mundo) e grandes empresas de notícias, que dão alcance a esses vídeos.

Para nós, jornalistas, é ótima oportunidade de aprender as lições de colegas tão mais experientes de grandes veículos como o NYT, o Washington Post e a Associated Press.

Aliás, aproveitando o assunto, vocês só têm até esta sexta para fazer a inscrição para o Congresso da Abraji e ouvir relatos de grandes jornalistas brasileiros sobre toda sorte de assuntos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h35

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Você tem todas as habilidades que deveria?

  O blog Teaching Online Journalism postou as oito habilidades que todos os jornalistas deveriam ter, de acordo com uma professora australiana.

Ficam como dica para aqueles que ainda não aprenderam todas elas e tinham dúvidas sobre se deveriam investir nesse aprendizado. Não vou numerar, porque não há um ranking de prioridade aí:

  • Saber blogar e interagir por meio de vários blogs
  • Ter um entendimento e uso ativo das redes sociais (twitter, rss etc)
  • Habilidade de contar uma história atraente usando imagens de slide e áudio
  • Habilidade de filmar, editar e contar histórias em vídeo
  • Habilidade básica de produzir histórias interativas com Flash
  • Editar áudios e produzir podcasts
  • Enviar arquivos com últimas notícias a partir de qualquer lugar
  • Habilidade de moderar discussões online

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h40

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100 melhores blogs para estudantes de jornalismo

 
 

100 melhores blogs para estudantes de jornalismo

  O Alec Duarte deu uma dica muito boa de site que lista os cem melhores blogs para estudantes de jornalismo.

A relação está dividida em oito categorias:

  1. informações em geral
  2. blogs de educadores/professores de jornalismo
  3. blogs de outros estudantes
  4. blogs sobre as novas mídias
  5. blogs com making-of das coberturas dos noticiários
  6. blogs de jornalistas
  7. fotojornalismo
  8. jornalismo investigativo

São todos em inglês, por isso não puseram o Novo em Folha Bem humorado


Adendo das 15h: o Journalism.co.uk fez sua própria lista, com outros 49 sites que recomendam para jornalistas e estudantes.

Quais blogs em português (sobre jornalismo, né) vocês indicam?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h59

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Vida de repórter no Japão

  A repórter Luciana Ribeiro conta em seu blog como foi a viagem que fez ao Japão.

Um post bem legal, de 30 de março, mostra o dia-a-dia dos jornalistas no jornal Nikkei, um dos cinco mais importantes do país, com 4,6 milhões de exemplares diários (surpreso), em edições matutina e vespertina.

Para se ter uma idéia:

"Trabalhar como repórter na empresa é uma loucura. Dos 1,8 mil jornalistas do Nikkei espalhados pelo mundo, alguns cumprem um horário peculiar: em um dia, trabalham das 20h às 8h da manhã seguinte; em seguida, dormem por duas horas na própria empresa, levantam às 10h e continuam no batente até as 17h, quando vão para casa. No dia seguinte, horário de trabalho normal – das 10h às 18h. No quarto dia, folga e, no quinto, voltarão ao trabalho às 20h. (...)

Tudo isso para fazer um jornal que não para. A edição do final do dia é impressa em três horários – às 12h, às 13h e às 14h. A edição matutina, em quatro – às 23h, às 24h, à 1h e às 2h. Nos intervalos, as outras publicações da empresa são impressas. Os repórteres podem entregar o texto até uma hora antes da rodagem começar. A reunião entre os editores é feita um pouco antes, através de videoconferência entre Osaka e Tóquio."

Leia o relato todo CLICANDO AQUI.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h45

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Entendendo a crise econômica

 
 

Entendendo a crise econômica

  O leitor Ramiro Gonçalez convidou os leitores deste blog para uma palestra que vai dar hoje, às 19h30, na Livraria Cultura, sobre as causas da crise econômica mundial. É uma palestra gratuita e pode ser interessante a todos que trabalham com jornalismo econômico.

O livro que ele vai lançar e as informações sobre a palestra estão NESTE LINK.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h08

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Fotojornalismo diferenciado

  O Fabiano Angélico deu uma dica de fotojornalismo que, de forma original, contribuiu para uma cobertura diferenciada.

Foi para o site da NPR (National Public Radio), uma rádio pública americana.

"Quando 22 senadores começaram a trabalhar, em 17 de junho, no primeiro projeto de lei que vai revisar o sistema de saúde, todas as câmeras de veículos de notícia estavam apontadas para eles – menos a do fotógrafo da NPR, que virou sua câmera em direção aos lobistas. Qualquer lei que sair do Congresso vai afetar 1/6 da economia e os investidores se mobilizaram. Nós começamos a identificar os rostos presentes na audiência e queremos continuar fazendo isso."

Uma das fotos é esta que usei para ilustrar o post. Colocando o mouse sobre a cabeça de algumas pessoas, é possível saber quem elas são. Essa moça aí em cima, por exemplo, tem nome, sobrenome, trabalha para a Sociedade Americana de Câncer e gastou US$ 4 milhões no lobby de 2008. Como esta, há outras três fotos e dez rostos já identificados.

Outra coisa legal da iniciativa é que a NPR pede que seus leitores que conseguirem reconhecer mais alguém enviem as informações por e-mail para eles. O famoso "jornalismo colaborativo".

Apesar de a atividade de lobistas não ser regularizada no Brasil (embora exista, por vias tortas), é possível fazer algo semelhante por aqui.


Adendo de terça-feira: o Poynter entrevistou os repórteres responsáveis.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h50

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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