Para começar o fim-de-semana com bom humor, vale a pena ver o vídeo acima, sobre uma TV que veiculou imagens do seriado "Lost" como se fossem do acidente da Air France.
O responsável por levar essas imagens ao telejornal deve ter caído num spam virótico que circulava pelos e-mails recentemente. Dizia: "Fotos exclusivas do avião 447!" (quando nada tinha sido encontrado ainda). Uma das fotos exclusivíssimas mostrava um avião em pelo chão, cercado de pessoinhas em volta
Incrível, risível, sofrível e outros íveis para fechar esta sexta-feira
Adendo de segunda-feira (22): hoje eles pediram desculpas por essa barriga horrorível.
Desculpem o título incrivelmente original deste post, mas a Lanna falou do Drummond no post abaixo e me inspirou
E é ela quem pede nossa opinião para o seguinte:
o diploma não é mais indispensável para que alguém consiga trabalhar como jornalista, fato.
Agora que isso mudou, o que é mais indicado para quem quer ser jornalista?
a) Continuar buscando bons cursos de jornalismo e formar-se nessa área
b) Fazer jornalismo, mas investir mais em especializações, para ter um diferencial
c) Formar-se em outro curso e fazer uma especialização em jornalismo, para ter um diferencial
d) Formar-se em outro curso, sem se preocupar com uma graduação na área do jornalismo
Nas palavras da Lanna: "O que fazer um recém-formado em jornalismo: faz outro curso superior? Engata numa pós? Ou não faz nada e ignora que o diploma não vale mais?"
É claro que, como a mudança é recente, tudo o que falarmos será apenas um pitaco. Mas acho que cada caso é um caso e os investimentos em uma graduação/especialização, mesmo antes da decisão do STF, sempre dependeram de vários fatores, do que a pessoa quer de fato, de onde essa pessoa pretende trabalhar etc etc. Sobre tudo isso, a Ana já escreveu vários posts.
Quer dizer, vou tomar a liberdade de mudar a pergunta da Lanna: alguma coisa realmente mudou, na prática, em relação à validade de um diploma para um aspirante ao jornalismo?
Sintam-se à vontade para opinarem (cordialmente) aí na parte de comentários
Uma das primeiras coisas que descobri ao chegar em São Paulo (além de que é difícil encontrar pão de queijo bom por aqui ), foi que os mineiros temos dificuldades para conjugar verbos pronominais.
Foi a Ana quem percebeu que a gente diz "eu formei na faculdade tal", em vez de "eu me formei...", mas peço desculpas adiantadas aos conterrâneos que acharem que quem não sabe falar direito sou só eu e é um absurdo generalizar.
Botar a culpa no regionalismo é minha única escapatória para todos os vários erros que eu já devo ter cometido aqui no blog
Mas o que eu pretendo com este post é falar dos vícios de linguagem, aqueles cacoetes que a gente tem – seja por questões culturais, regionais, ou o que for – e que, se não redobrarmos nossa atenção, inundarão nossos textos jornalísticos.
Nas aulas que deu para os jornalistas da Folha, o professor Pasquale citou algumas "palavrinhas malditas" que costumam causar vários erros: também, além de, somente, exceto, sem, com (com sentido de conforme), então...
Hoje, no almoço, alguns trainees lembravam de muletas lingüísticas regionais que enfeiam a fala: então, né, tipo, aí, enfim...
Quando escrevemos, é mais fácil percebermos esse tipo de problema e corrigirmos a tempo. Para os jornalistas de rádio e televisão, a atenção para isso (assim como para cacófatos) deve ser bem maior. Por outro lado, no texto escrito esses vícios de linguagem se destacam muito mais, parecem muito mais feios aos leitores.
É preciso tocar um apito, acender uma luz vermelha, piscar um holofote mental toda vez que usarmos aquelas estruturas de texto que nos parecem mais difíceis, seja por qual razão for.
Afinal, trabalhamos com textos. Eles são nossas ferramentas profissionais.
A Ana me indicou dois links sobre meu ponto fraco, que repasso aos eventuais mineiros que lêem este blog:
Que possam ser úteis, para que nos orgulhemos de falar mineirês, os outros se apaixonem por nossos textos e não se arrependam de terem lido nossas matérias
Entre os projetos (nove) ganhadores, nota-se claramente uma crescente preocupação com a mescla entre apuração, armazenamento e interpretação de dados (sim, dados são jornalismo).
O Journalism.co.uk entrevistou o ex-editor no jornal Daily Express Stephen Kahn sobre jornalismo econômico. Para quem se interessa pelo assunto, vale ler AQUI, é bem curta.
Trechos:
Um dos maiores desafios da atual cobertura de jornalismo econômico é tentar determinar o momento da recuperação da economia.
Desde o início da crise financeira, os jornalistas tiveram que ampliar sua cobertura e seus conhecimentos na área, em vez de se especializarem demais, como antes.
As velhas necessidades de exatidão e clareza nunca foram tão importantes.
A leitora Lanna pergunta: "Vocês sabem de curso bom de jornalismo econômico aqui em São Paulo?"
O congresso da Abraji tem esse nome formal, mas, na verdade, é um megacurso condensado em três dias. São mais de 60 opções de aulas, em todas as áreas de cobertura --política, economia, ambiente, Justiça, esporte--, com alguns dos mais experientes repórteres do Brasil e de fora.
OK, é no meio das férias, mas, para quem estiver em SP --ou pra quem é de fora e quiser aproveitar a cidade em julho, quando ela fica mais vazia e com menos trânsito--, é uma oportunidade única.
Se você se associar --custa R$ 60 por ano para estudantes e R$ 100 por ano para profissionais--, o preço do congresso cai bastante.
"Quando não tiver mais ninguém de fora para ver, o que será de nós?".
Ana falando:
A frase foi dita por um iraniano a meu colega RAUL JUSTE LORES, que relata num texto excelente como foi obrigado --assim como todos os jornalistas estrangeiros-- a deixar aquele país. Há um resumo aberto a todos na Folha Online, mas recomendo muito a leitura do texto na íntegra, no original (se você não assina a Folha, pegue emprestado com alguém ).
Outra coisa magistral que ele faz é usar uma visita ao museu para dar um pouco de contexto à situação do país.
Folha - Por que, em entrevistas, você restringe os assuntos que os jornalistas podem abordar?
Gisele - Acredito muito em liberdade de expressão. Só não gosto muito de falar da minha vida pessoal. Alguma coisa você tem que manter reservado. Se não, você fica muito exposta. As pessoas falam muito sobre a minha vida.
Hoje, a mídia não tem o mesmo jeito de antes de falar sobre as pessoas. Infelizmente, 90% das notícias que saem por aí não têm validade nenhuma. Quando você fala alguma coisa, os jornalistas colocam aquilo de forma sensacionalista, do jeito deles e não do jeito como você falou. Às vezes, pegam um pedacinho de uma coisa que você disse, tiram totalmente do contexto. Não estão querendo falar a verdade. Hoje o lema é: "Como é que eu vou fazer para o meu jornal vender?".
Ana falando:
A gente já falou aqui no blog sobre o que fazer quando a fonte quer restringir perguntas antes de aceitar dar entrevistas.
Meu colega GUSTAVO FIORATTI mostra nesse trecho acima mais uma coisa que é possível fazer. Na apresentação da entrevista com Gisele (na íntegra aqui) ele conta para o leitor que foram feitas restrições, e, durante a entrevista, aproveita para discutir esse assunto.
Outro dia fiquei sabendo de um curso sobre "como emplacar" pautas para assessores de imprensa e comentei no twitter que, provavelmente, as dicas seriam úteis para jornalistas.
Minha leitora Isadora, que já havia feito o curso, concordou. E aceitou o convite pra dividir com os colegas do blog o que aprendeu:
Em Florianópolis, onde moro, fiz um curso do Comunique-se chamado “Relações com a Mídia – Técnicas para emplacar uma pauta”, com o assessor da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, Marco Siqueira. O curso é voltado para quem trabalha com assessoria de imprensa, mas tem dicas que valem para os dois lados do balcão. Por exemplo:
- Agir com ética e transparência para não perder a credibilidade;
- Trabalhar com a novidade/ineditismo. Esse é um dos princípios básicos do jornalismo;
- Ficar ligado no noticiário. Desinformação é uma palavra que não combina com jornalismo. Não tem nada pior do que sugerir pautas velhas, seja você assessor ou repórter;
- Agilidade e "feeling" para propor pautas interessantes de acordo com cada veículo e editoria;
- Ir ao encontro do público-alvo. É essencial ter em mente para quem você escreve;
- Decidir em qual editoria você quer emplacar a sua pauta. Um texto sobre uma exposição escrito para o Guia da Folha será diferente de um para o Ilustrada, por exemplo;
- Conhecer as particularidades de cada veículo. O jornalista não pode saber apenas o que foi publicado no seu jornal, é necessário acompanhar a cobertura dos seus concorrentes, da mídia internacional etc.
Mais do que as dicas, o curso foi interessante porque discutiu a relação entre os assessores de imprensa e os jornalistas. Qual o perfil do assessor ideal, quais os principais erros cometidos por eles, quando é necessário fazer o follow up (que é ligar para a Redação para checar se eles receberam o release), foram alguns dos tópicos debatidos. Essas questões fazem parte das preocupações do dia a dia do assessor e, de alguma maneira, podem influenciar no trabalho do jornalista (não há nada mais inconveniente do que um assessor ligando na hora do fechamento para saber se a sugestão de pauta chegou).
A relação entre jornalistas e assessores é um assunto que vira e mexe aparece aqui no blog. Vale a pena dar uma olhada no que já foi escrito, especialmente nos posts sobre como não depender tanto da boa vontade das assessorias...
Bibliografia fornecida pelo curso: - Assessoria de Imprensa – Relacionamento com a mídia, Jorge Duarte (Ed. Atlas) - Você na Telinha – Como usar a mídia a seu favor, Heródoto Barbeiro (Ed. Futura) - 20 anos de Boas Notícias: Práticas de assessoria de imprensa, de Ângela Cassiano e Suze Smaniotto (Sá Editora) - Comunicação Empresarial – Comunicação Institucional, Francisco Gaudêncio Torquato do Rego (Ed. Summus) - ReleaseMania – Estudo do press-release no Brasil, Gerson Moreira Lima (Ed. Summus Editorial)
Aproveitando o embalo, publico o relato do colega LEONARDO FEDER sobre um jornal israelense que decidiu, num belo dia, há uma semana, sair só com textos produzidos por romancistas – nenhum deles graduado em jornalismo:
O jornal israelense Haaretz promoveu uma experiência ousada na edição do dia 10 último, uma quarta-feira.
Seu chefe-de-reportagem, Dov Alfon, dispensou por um dia a maioria dos jornalistas e chamou 31 dos maiores ficcionistas do país para cobrir os eventos das editorias, exceto a de esportes. A única precaução de Alfon foi manter cinco jornalistas na redação para o caso, que não aconteceu, de estourar uma notícia grande de última hora.
A ideia do Haaretz, o jornal mais antigo de Israel e com menor circulação que seus concorrentes – 50 mil exemplares em dias úteis (um sexto da tiragem da Folha) –, surgiu para coroar a Semana do Livro Hebraico, evento anual iniciado em 1926.
A versão on-line do jornal pode ser vista neste link; os textos traduzidos para o inglês, em haaretz.com.
Mudanças
Daniel Estrin, do jornal judaico "Forward", observa que, nesta edição do Haaretz, "todas as regras ensinadas na escola de jornalismo foram atiradas pela janela".
Isso porque, explica, os autores escreviam na primeira pessoa do singular e apareciam em quase todas as fotos com o entrevistado, mesmo este sendo o ministro da Defesa Ehud Barak ou o presidente Shimon Peres.
Estrin exemplifica com a crítica de televisão feita pelo escritor Eshkol Nevo, introduzida assim: "Eu não assisti à TV ontem". Ou o relato do tempo de Roni Somek em forma de poesia: "O verão é o lápis/ que é menos apontado/ no estojo das estações". (tradução livre)
Reportagens
O jornalista do "Forward" destaca também o texto do romancista David Grossman, que passou a noite num centro infantil de reabilitação de drogas em Jerusalém e descreveu a relação afetuosa entre os pacientes.
E também o de Yoram Kaniuk, que descreveu os casais no pátio de um hospital do câncer, doença que ele próprio tem. "Eu penso o que aconteceria se eu melhorasse... como eu viveria sem a delicadeza humana da qual sou testemunha?" (tradução livre).
Resultado
Para o jornalista e poeta brasileiro Moacir Amâncio, que ministra literatura hebraica na USP, a experiência do Haaretz é muito oportuna, pois lembra que no passado os escritores estavam dentro dos jornais e muitas publicações eram resultado de aventuras literárias.
Israel mesmo, comenta, pode ser visto como resultado da obra de escritores, ficcionistas e poetas que também eram publicistas, ideólogos, a partir do próprio Theodor Herzl, criador do Sionismo contemporâneo.
Amâncio define a experiência como um "choque, pequeno, mas muito interessante, na tecnicização do texto jornalístico".
Isso porque, explica, ela traz à tona o questionamento, existente na tensão diária das redações, de que, no limite, os jornalistas seriam peças que poderiam ser substituídas a qualquer momento.
"Acho que alguém por lá, felizmente, deve ter ouvido um eco das reclamações de Nelson Rodrigues quando dizia que os repórteres precisavam usar a imaginação..."
E vocês, leitores-escritores: o que pensam dessa polêmica do diploma? Os jornalistas são "peças substituíveis"? Podemos voltar ao tempo de Rubem Braga nas redações? E o que acharam da experiência do Haaretz?
"As pessoas esquecem que os jornais vão e vêm. O jornalismo, não. As pessoas vão sempre precisar de notícia e informação. Sem informação não se administra um negócio, não se vende ingresso para o teatro, não se divulga uma política externa. Todos os dias, nos jornais das cidades grandes ou pequenas, repórteres vão à rua para fazer o que não é feito por mais ninguém.
De todas as profissões, se um jovem estiver interessado em honestidade e não estiver interessado em ganhar muito dinheiro, eu aconselharia o jornalismo, que lida com a verdade e tenta disseminar a verdade.
Há mentirosos em todas as profissões, inclusive no jornalismo, mas nós não os protegemos. Os militares acobertam mentirosos. Os políticos, os partidos, o governo, todos fazem isso. O escândalo do Watergate é uma crônica de acobertamento. Os jornalistas não agem assim, não toleram o mentiroso entre eles. Acho uma profissão honrosa, honesta. Tenho orgulho de ser jornalista."
Também tenho orgulho de ser jornalista
Outros trechos sensacionais:
"Os repórteres que estavam em Washington em 2002 não tinham o ceticismo, o estranhamento necessário. Foram educados nas mesmas escolas que o pessoal do governo. Eles vão às mesmas festas que o pessoal do governo. Seus filhos frequentam as mesmas escolas. Todos nadam na mesma piscina, pertencem ao mesmo clube de golfe, vão aos mesmos coquetéis. São repórteres prontos para acreditar no governo. (...) Eram como um bando de pombos para os quais o governo jogava milho. Os repórteres de hoje cobrem a guerra dentro dos tanques das tropas americanas. É ridículo. Um repórter deve prestar contas ao seu jornal, e não ao coronel que está protegendo a sua vida."
"Quem está interessado em saber sobre o presidente do Paquistão vai à internet, fica sabendo que ele andou visitando Washington, quem é o seu principal oponente, essas coisas. Quem lê um jornal impresso lê sobre tudo isso e depois, ao virar a página, lê sobre a mulher do Silvio Berlusconi, depois sobre as chinesas que perderam seus filhos naquele terremoto, depois sobre o desastre do Air France que saiu do Rio para Paris. Enfim, lê histórias que não procurou e, por isso, acaba adquirindo um sentido mais amplo do mundo. Claro que você também pode fazer isso na internet, mas o apelo da internet é o oposto. É oferecer informação rápida. A internet é o fast-food da informação. (...) Para piorar, surgiram esses blogs com blogueiros desqualificados, que apenas divulgam fofoca. São como uma torcida num jogo de futebol que fica o tempo todo gritando para os jogadores, para o juiz. É gente que não apura nada, só faz barulho."
"O jornalismo tem de ser vigilante, justo, realista, disciplinado, e não se preocupar em ser ou parecer politicamente correto."
O texto é do BeatBlogging.org, um site que pretende "examinar como os jornalistas podem usar as redes sociais, blogs e outras ferramentas da Web para melhorar" seu trabalho.
"Temos que dar aos nossos leitores o máximo de informações que temos ao alcance das mãos."
"Se você é um jornalista, uma grande parte do seu trabalho é filtrar toda a informação relevante para sua comunidade e repassar as partes mais importantes aos seus leitores. Pense em todos os releases que você recebe por fax ou e-mail, todos os telefonemas, mensagens eletrônicas, bilhetes deixados na sua mesa, e pense em como você funciona como um filtro para esse fluxo de informações. Faça o mesmo em relação à Web.
Traga a seus leitores os melhores links relacionados com sua história e eles te agradecerão. Eles vão te tratar como cidadão de primeira-classe da Internet e voltarão ao seu site de notícias."
"Linkando para suas fontes de notícias você se torna um cidadão da Web, e não apenas um produto na Web."
"É o melhor jeito de se conectar diretamente com a comunidade online de sua cidade. Sempre que mencionar uma pessoa (fonte ou personagem de sua matéria) ou organização, linke para eles."
"Você não sabe de tudo, mas, como jornalista, sabe como e onde descobrir o que você não sabe."
Para quem gosta de infográficos e acha que eles facilitam muito a vida da gente com seu didatismo, vale a pena conhecer o site Transparency, da Good Magazine, que faz uma "exploração gráfica das informações ao nosso redor".
Eles têm gráficos multimídia com todos os nomeados para a Suprema Corte dos Estados Unidos, com as maiores falências de bancos da História, mostrando quem são os imigrantes que vão para os EUA, medindo os primeiros cem dias de governo Obama e um dos que achei mais legais: contando a história de vários grandes viajantes aventureiros do mundo (ou de percursos famosos), como Colombo e Jack Kerouac. Esse é o que ilustra o post.
Hoje bem cedo ouvi na CBN Max Gehringer falar sobre dez itens de "marketing pessoal". Segundo ele, quem tem 7 dos 10 pontos listados abaixo dificilmente fracassa.
Acho que alguns são redundantes (solidariedade e espírito de equipe, por exemplo), mas vou transcrevê-los todos, pra que vocês possam contar quantos possuem. [Comigo, o que faz mais sucesso é o 9! =) ]
O blog de fotografia do New York Times traz as sete lições de Michael Kamber, repórter fotográfico que já esteve seis vezes na Somália, país que pode ser considerado um "cemitério de jornalistas", onde pelo menos oito repórteres locais foram assassinados desde 2007 – em completa anarquia, o lugar é cenário de clãs, subclãs e sub-subclãs em guerra em todos os quarteirões.
Para quem gosta de fotografias de guerra e outras situações desafiadoras para repórteres, vale ler:
Lição 1: Mantenha o essencial em sua mochila
Sua mala poderá extraviar-se. Roupas e escova de dentes podem ser encontradas em qualquer lugar, mas tente achar um carregador de bateria para a última Canon SLR num país sem um governo central. Enfim: leve suas câmeras, o laptop, o carregador e as baterias em sua mochila.
Lição 2: Tire a foto que puder, quando puder
Em várias ocasiões, pensei "Depois eu volto e consigo essa foto". Isso quase nunca é possível, então aprendi a não perder o que eu tenho, mesmo que as condições não sejam perfeitas.
Lição 3: Prepare-se para as piores situações
Preparação é tudo. Comunicação é uma das coisas mais importantes: celulares que funcionam podem salvar sua vida. Além das minhas câmeras, descobri que não posso viver sem as baterias, uma tela de proteção contra mosquitos, um repelente para insetos, remédios bactericidas e barras de proteínas. E água, é claro.
Lição 4: Deixe seu flash em casa
Em vez de usar flash, invista em lentes rápidas e em aprender como segurar firmemente com as mãos sua câmera.
Lição 5: Às vezes os detalhes contam as histórias
Somália é uma surpreendente mistureba de antigo e moderno, ocidente e oriente. Nômades com celulares guiam camelos pelo deserto. Tirar fotos dos detalhes pode ser significativo para mostrar a dicotomia da vida naquele lugar.
Lição 6: Encontre os momentos tranqüilos
Leva algum tempo até conhecer as pessoas com quem você está trabalhando – no meu caso, os guerrilheiros. Eles falam pouco inglês e eu não falo a língua deles, então é basicamente gestos, sorrisos e poucas frases. Mesmo isso pode quebrar o gelo. Um vez feito isso, eu procuro pelos momentos tranqüilos, longe de onde está a multidão. Você pode conseguir cenas boas e, com um zoom, tirar fotos de momentos de intimidade (como uma oração) sem incomodar as pessoas fotografadas.
Lição 7: Segurança acima de tudo
Se algo não cheira bem, não vá adiante. Vários jornalistas foram assassinados ou seqüestrados na Somália. Um dos maiores erros é contratar um fixer que você não conhece num país onde nunca esteve. Os fixers são aqueles que te ajudam na tradução e te guiam quando você trabalha num outro país. Nós trabalhamos com um time de Somalis que nós conhecíamos e em que confiávamos. Seja discreto. Tente andar em carros com janelas escuras. Mangas compridas, barbas, chapéus e vestuário local podem ajudar. Não fique envergonhado de amarrar um cachecol ao redor da sua cabeça: olhando de longe, isso te tornará menos visível. Poderá salvar sua vida.
Gostou? A dica estava no twitter FrontlineBlog, que fala do "mundo dos correspondentes estrangeiros, repórteres de guerra, vida na linha de frente e o trabalho do jornalista". Vale seguir.
O correspondente da BBC News Rory Cellan-Jones pergunta:
"Como a tecnologia móvel mudou a vida dos repórteres da BBC?"
E responde, num post bem amigável, apontando os prós e contras dessa nova rotina dos repórteres.
Adaptação
E ele conta que, nos últimos dois anos, se tornou um "jornalista de tecnologia multimídia" e se tornou indispensável para ele ter cada vez mais engenhocas ao seu redor.
"Para mim, os dispositivos mais importantes são aqueles que me permitem ficar online em qualquer lugar e em todos os lugares."
É por isso que sua mala contém tanta coisa:
Dois celulares, um laptop, uma videocâmera bem pequena e simples, um gravador digital e uma caneta digital que grava conversas e compara as gravações com os rabiscos no bloco de notas (!).
Ele também usa e abusa de diversos aplicativos (como o banalizado Flickr, para dividir as imagens com a central da BBC).
Prós
"O resultado de toda essa tecnologias é que eu posso, em teoria, fazer grande parte do meu trabalho longe do escritório, sem a cooperação dos colegas."
Contras
Mas tudo tem um "mas":
"Mas de algum modo isso não funciona exatamente assim. Eu ainda acho que é preciso olhar para seu chefe nos olhos de vez em quando – e fofocar com o resto do escritório."
Além do mais, "gasto um tempão lendo e deletando emails ou verificando todas as minhas redes sociais. Às vezes eu pondero se não seria melhor desligar todos os telefones e buscar um livro".
A dica de leitura de hoje é de Jon Lee Anderson, grande repórter --publica regularmente na "New Yorker"-- e escritor:
Queridos amigos:
Perdoname la intrusion con un circular dos veces en un solo dia, pero es que no quiero dejar de compartir mi "enhorabuena" a Francisco Goldman -- gran escritor -- gran amigo -- por el lanzamiento de su aclamado libro "El Arte de Asesinato Politico: Quien Mato al Obispo?" en el idioma espanol, por Anagrama .
Este trabajo, el primer libro de no-ficcion del gran novelista Goldman, es resultado de 8 anos de investigacion en el horripilante asesinato del obispo guatemalteco Juan Gerardi en 1998, y su encubrimiento posterior, a manos de un grupo de militares y civiles intimamente ligados al poder. Una critica en The New York Times califico de "heroico" la investigacion; Daniel Alarcon, escribiendo en The San Francisco Chronicle, lo llamo "lectura compulsiva."
Hay mucho mas. Pero leanlo Uds. A mi juicio es un ejemplar "maestro" de la cronica literaria moderna, y no solo vale la pena leer, da gusto. Ya esta. Acaba de salir en librerias en Espana y toda America Latina.
O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.
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