Na Mira - Qual é a dica que você dá para quem está iniciando no jornalismo?
PVC - Não tem outra dica. A única é: trabalhar, trabalhar, trabalhar. A questão é nunca esquecer que você, como jornalista, nunca vai ser notícia. Por isso, nunca esquecer de apurar.
Para ler a entrevisa na íntegra, clique aqui.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h41

Cris falando:
Dia dos namorados. Um telejornal local mostra reportagem sobre simpatias para conseguir casar (Santo Antônio de cabeça pra baixo etc), outra sobre namoros longuíssimos que nunca dão em casamento ("ah, não me aperta contra a parede, repórter"), outra sobre presentes ou comemorações a baixo custo.
Isso me lembra sexta-feira da paixão, com as matérias sobre diferença no preço do bacalhau.
Que me lembra Páscoa, com as dicas de ovos de chocolate caseiros.
Que me remete ao Natal e os shoppings lotados etc.
Como jornalista, já tive que fazer essas matérias típicas de datas comemorativas – e detestei a obviedade de todas elas.
Como leitora e consumidora de notícias, acho infeliz poder prever tudo o que será veiculado no dia, acho terrível a sensação de dejá vù a cada notícia.
É inevitável que os jornais tragam matérias com referência a essas datas comemorativas. Mas será que não é possível pensar em pautas criativas, diferentes, minimamente inusitadas?
Para não fechar sem exemplo, lembrei de uma do amigo RICARDO SANGIOVANNI, sobre namoros selados em meio ao trânsito caótico de São Paulo (para assinantes, AQUI). Começa assim:
"Tinha tudo para ser só mais uma volta do trabalho para casa, mais uma segunda-feira comum, mais um dia de trânsito infernal na cidade de São Paulo. Mas ao parar no sinal vermelho na noite de 28 de julho do ano passado, a publicitária Juliane Bezerra, 40, mal sabia que estava prestes a cair em uma cilada.
Armadilha do cupido: montado numa Harley-Davidson, em sua direção, acabava de aparecer o seu "príncipe encantado"."
Eu achei legal.
Coloquem mais exemplos de boas fugas do óbvio nos comentários! 
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h28
Cris falando:
Hoje é dia da língua portuguesa e acabei de assassiná-la ao escrever "sacodindo" no post anterior. Felizmente percebi e corrigi em alguns segundos. (Da UTI, ela me acena resignada
).
Mas às vezes acontece de, na correria do fechamento, a gente cometer erros crassos como esse, eles passarem batido pelo redator e chegarem ao café-da-manhã do leitor.
Às vezes não são tão crassos – noutras nem são erros, mas textos feios, pouco fluidos, sem coesão, com sentido ambíguo, sem muita lógica.
Enfim, textos de difícil compreensão. E o objetivo do texto jornalístico é ser o mais claro possível.
Aprendemos algumas dicas para melhorar nossos textos com o professor PASQUALE CIPRO NETO. Repasso para vocês:
QUESTÃO DE ORDEM
A ordem dos termos altera o produto, na língua portuguesa. Pode mudar o sentido, a informação, a ênfase, a neutralidade.
Exemplos:
- "Frustrados, os deputados deixaram o plenário" é diferente de
- "Os deputados frustrados deixaram o plenário" que é diferente de
- "Os deputados, frustrados, deixaram o plenário" e ainda de
- "Os deputados deixaram o plenário frustrados".
PALAVRAS QUE PEDEM ATENÇÃO
Algumas palavras são banais, frequentemente usadas, mas capciosas. Acionem a sirene toda vez que vocês escreverem:
- TAMBÉM
- ENTÃO
- SOMENTE
- EXCETO
- ALÉM DE
- COMO, com sentido de CONFORME
Exemplos de confusão:
"Depósitos somente neste equipamento" é diferente de "Somente depósitos neste equipamento".
"O DETRAN não voltou a emitir CNHs ontem, como estava previsto". O que estava prevista, a emissão ou não emissão??
"Treinaram todos os jogadores do Palmeiras, exceto o Ronaldo". Exceto pressupõe que Ronaldo é do Palmeiras.
PREZAR PELA COESÃO
Usar o sobrenome de algum personagem desconhecido citado na matéria faz com que o leitor tenha que voltar alguns parágrafos na leitura para entender de quem se trata. Ou seja, fere a fluidez.
Em vez de dizer, no quinto parágrafo, "Guimarães suspeita que o crime tenha sido cometido pelo PCC", tente "O delegado suspeita que...".
Não há problema em repetir termos já usados ("delegado"). Sempre repetir é enfadonho, mas repetir ao longo do texto, quando necessário para relocalizar o leitor, é bom.
E é claro que sobrenomes de pessoas conhecidas (Alencar, Haddad, Jobim etc) já informam por si só.
GUERRA AO FUTURO DO PRETÉRITO
Futuro do pretérito tira a credibilidade de uma fala, enfraquece uma declaração.
Atribuam a fala, no tempo correto, a quem falou.
Assim, o delegado não disse que o ladrão teria fugido.
O delegado DISSE que o ladrão FUGIU!
VAMOS ESTAR DIZENDO NÃO AO GERUNDISMO
Gerúndio não é incorreto e deve ser usado quando tiver que ser.
O problema é o gerundismo, a mania de usá-lo pra tudo.
Inclusive pra colar termos que não têm nada a ver um com o outro, como abaixo:
"Ficar muito rico é um dos objetivos dessa geração, pouco ou nada esperando do poder público".
O que o redator dessa frase quis dizer é: "Ficar muito rico é um dos objetivos dessa geração, que pouco ou nada espera do poder público".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h29

Cris falando:
A Press Gazette entrevistou o editor-assistente do Daily Telegraph para saber como os repórteres estão investigando as denúncias sobre os gastos dos parlamentares britânicos, nesta crise – muito parecida com a do nosso Congresso – que coloca sob risco o cargo de Gordon Brown.
"É o próprio jornalismo à moda antiga, em sua forma mais sofisticada".
Leia AQUI.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h56



Para ver na horizontal, clique aqui
Laerte é demais!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h50

Cris falando:
Durante a primeira semana da cobertura do avião que caiu, este blog trouxe vários relatos de jornalistas envolvidos com o trabalho.
Acho que o resultado virou um manual interessante para esse tipo de cobertura, principalmente para quem nunca participou de uma.
Decidi agrupar os nove posts neste aqui para facilitar a leitura de vocês, seguindo uma idéia que a Ana teve há algum tempo:
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h55

Cris falando:
A leitora Alana, que tem dificuldades de escrever textos curtos, pediu que os jornalistas dessem dicas ou contassem macetes para ser conciso.
Eu, que não sou nenhum exemplo de concisão (
), soltei a pergunta no Twitter e aguardei a voz dos mais experientes:
"Vocês têm técnicas para serem concisos? Alguma manha? Dica? Sugestão?"
Um amigo engraçadinho respondeu: "Sim". 
Mas teve gente que deu dicas mais prolixas. O Marcelo Soares, por exemplo:
"Simples: corta-se palavras. Da minha parte, se eu tenho tempo, deixo o texto dormir e no dia seguinte trago a tesoura nos dedos.
Outra coisa legal é pensar antes de escrever. Se a gente vai escrevendo enquanto pensa, vai empilhando as idéias. E com as idéias vêm as informações, e com as informações vêm as palavras, e aí o texto vai se encompridando.
Mas não tem professor de concisão melhor que o limite técnico. Veja o Twitter. Pra caber nos 140, precisa pensar e cortar bem. (Por isso que eu sempre gostei muito de escrever já com o texto diagramado.)"
O PABLO SOLANO:
"Minha técnica de concisão é um tanto braçal: reler, reler, reler, reler e reler."
O Thiago e a Rachel deram dica parecida com a da ANA:
"Use o Twitter! A capacidade de síntese é aplicada ao limite por aqui."
"Uso o Twitter ao menos 3x ao dia."
A Clara tinha dito o seguinte:
"É exercitar, ler as frases em voz alta é tiro e queda; quando você se cansa, naturalmente vai conseguindo identificar palavras desnecessárias."
Eu acho que o hábito ajuda mesmo. Teve um época que eu tinha que escrever críticas de cinema com até 3.000 caracateres. Mais do que isso, não podia. Um dia, de tanto escrever, percebi que meu cérebro já planejava toda a estrutura do texto, com começo-meio-e-fim em no máximo 3.000, nunca passava. Até que teve um dia que tive que escrever à mão e, ao passar a limpo no computador, me surpreendi ao perceber que tinha feito, automaticamente, um texto de 3.000!
A mesma coisa aconteceu com o Twitter. No começo eu achava difícil me expressar em um espaço tão curto sem ser confusa. Hoje já penso nas frases com aquele tamanho exato de 140 caracteres. Já saem inteiras e completas.
Os textos do jornal costumam ter tamanhos padronizados, dependendo da diagramação. Um texto médio tem lá seus 30 centímetros. Um grande vai para os 50 cm. Se você sempre escreve para o seu veículo, acaba se adaptando ao tamanho que sai mais freqüentemente nele.
Uma dica, que nunca é demais, é planejar. Se o hábito não tiver sido suficiente e o tempo de fechamento permitir, faça o exercício de estruturar na sua cabeça o que, exatamente, você quer dizer. O que precisa estar na sua matéria, o que é apenas um acessório ou tempero. Comece pelo essencial e vá adicionando os ossinhos desse esqueleto. Burile.
Mas vamos agora às dicas dos leitores deste post! Qual a técnica de vocês?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h28

Cris falando:
Alexandra Rampy, uma entusiasta do jornalismo que quer "encorajar os estudantes e espalhar esperança" entre os jornalistas, escreveu uma carta com 40 motivos para estudar jornalismo. Não vou pôr todos, que vocês podem ler AQUI, mas os 15 que achei mais legais:
- A sociedade precisa de jornalismo, e de um bom jornalismo
- Precisa também de espírito jornalístico
- Jornalismo te ensina a ser um bom escritor
- Te ensina a aprender constantemente
- Te ensina a fazer perguntas, inclusive as duras
- Te ensina a olhar para as questões em múltiplas perspectivas
- Te ensina a ser um bom pesquisador
- Te ensina a ter confiança
- Há um punhado de histórias que ainda precisam ser contadas
- As pessoas no jornalismo são diversificadas, ecléticas e interessantes
- É mais fácil de trabalhar como frila
- Você saberá mediar uma conversa
- Aprenderá a dominar múltiplas tarefas
- Não cairá na rotina
- Você vai cobrir acontecimentos históricos e será parte deles
Leia toda a lista (inclusive os acréscimos que ela recebeu no Twitter) AQUI.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h45
Programa Estagiar 2010
Para universitários que queiram conhecer a Rede Globo.
Inscrições abertas.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h16
A Petrobras decidiu tornar públicos em um blog os e-mails enviados por jornalistas que procuram a assessoria de comunicação da empresa, no Rio, para obter informações e esclarecimentos para reportagens que ainda estão em andamento.(leia aqui a matéria da FOL)
E houve jornalista que defendeu a manobra, como o Nassif, em seu blog.
Eu já penso como Sergio Leo (aqui): se a empresa não gostar da edição, julgar que houve parcialidade ou deturpação, que divulgue a íntegra das perguntas e respostas, mas DEPOIS da matéria publicada.
Não consigo ver nenhum argumento razoável pra divulgar antes. E você, o que acha?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h25
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