Se criassem uma associação dessas, acho que lotaria.
Quem já não se enrolou totalmente num fechamento, sem saber quando é hora de parar de apurar?
RODRIGO VIZEU faz seu testemunho na nossa rodinha:
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Se tem uma coisa que aprendi essa semana é que excesso de apuração é inversamente proporcional à qualidade de matéria. Ou "mais vale um na mão que dois no sutiã", para ficar no verso dos Mamonas. E não aprendi com o erro, porque fiz a mesma coisa em duas matérias em um espaço de três dias.
A última delas acabou de acontecer. A pauta era um estudo da USP que concluiu que o chuveiro elétrico, famoso vilão da conta de luz, é a opção mais barata para tomar banho quente. Fui à universidade pela manhã, voltei às 13h, almocei e sentei para acabar de apurar e escrever às 14h. Deveria entregar o texto às 19h30. Mel na chupeta, certo? Errado. Só fui começar a escrever às 19h10 e o resultado foi óbvio: texto ruim, cheio de erros e sem incluir nem um quarto do que apurei durante a tarde.
Tento explicar. O estudo foi patrocinado pela associação de empresas fabricantes de produtos elétricos, entre elas as de chuveiros elétricos, e achei que valeria explorar essa possível contradição. Além disso, quis me aprofundar em dados no estudo, comparar informações com outras fontes, ouvir um professor de outra universidade crítico ao levantamento da USP e até meu pai, em busca de tirar dúvidas de física.
Não consegui a tal matéria crítica que planejei e sequer fiz um bom relato simples do que aconteceu. Dois dias antes, fiz o mesmo. Em uma matéria sobre dividir apartamento com soropositivos, ouvi um monte de gente, mas acabei com um texto meia-boca.
Mas espero ter aprendido: organizar-me direito para escrever o que tinha planejado ou, pelo menos, baixar a bola na apuração.
Quando a gente decidiu transformar o programa de treinamento em multimídia, eu sabia que daria trabalho, mas não calculei quanto.
Todos estamos aprendendo junto como incorporar à cobertura outras formas de expressão --em todos incluo eu mesma, o povo da FOL que nos dá aulas, outros professores que chamamos para nos ajudar.
Até já filmamos algumas pautas, mas no atropelo de tanta conversa, exercício, atividades x e y, os vídeos nunca ficavam prontos, editados, muito menos publicados.
Mas, finalmente, nasceu nossa primeira matéria "multimídia". Confiram vocês mesmos: nem tem cara de joelho. =)
O orgulhoso papai é PEDRO ANDRADA, este mocinho da foto abaixo:
Afinal, existem pescoções, plantões, viagens. "O jornalista acaba esquecendo a mulher em casa. Alguém tem que dar carinho a ela”.
A frase acima é do presidente da Associação dos Cornos de Rondônia, fundada por jornalistas, como conta texto do Comunique-se mandado por minha leitora Clara como parte de nossa campanha "mais humor no jornalismo".
A de cima foi tratada com Photoshop e a de baixo era a imagem original.
Elas ilustram um excelente post do meu prof ALEC DUARTE sobre um concurso de fotos na Dinamarca, que exigiu que três concorrentes entregassem os arquivos originais de suas imagens porque desconfiaram do uso excessivo de Photoshop (leia aqui).
A discussão é ótima e acho que é ainda mais complicada em jornalismo.
Está errado tratar as cores no Photoshop?
Por quê?
E se ele tivesse usado um filtro, podia?
E se fosse um filme PB?
E se ele esperasse pelo pôr do sol, que alaranjasse tudo?
Se o concurso for de técnica fotográfica, OK. Mas, se é de fotojornalismo, o que importa?
A Andi faz curso on-line gratuito para jornalistas e estudantes de jornalismo.
A turma tem 40 vagas e terá início no dia 23 de abril.
São 40 horas de duração, com encerramento previsto para o dia 22 de maio. Os alunos que concluírem todas as atividades, com bom desempenho, receberão um certificado de participação.
Os interessados devem preencher até HOJE (15 de abril) um formulário de seleção que será avaliado pela ANDI.
Quem discute com uma piada? Só gente doida ou maníaca, certo?
Acho que hoje acordei numa dessas duas classes, porque resolvi invocar com a tirinha que o Ricardo Lombardi colocou no Desculpe a Poeira.
É esta:
Os comentários da doida são:
1) Jornais dão furo. Portanto, muita notícia publicada não é velha, e sim novíssima 2) Jornais não publicam só notícias. Publicam serviço, análise, entrevistas etc. Informação não se limita a notícia 3) Jornais servem também, veja só, para divertir. O que inclui publicar tirinhas, mesmo q elas sejam meio bobas com essa
Pronto, falei.
ADENDO, duas horas depois: não sei o que deu na cabeça da moçada, mas choveu comentário raivoso --e era um post tão inocente...
Nada contra. Neste blog, os comentários são livres --não xingando a minha mãe, podem discordar à vontade. Mas, para evitar perda de tempo, percebam três coisas:
1) não tenho nada contra o excelente Andre Dahnmer (e até publiquei uma outra tirinha ali em cima, muito legal). Uma coisa que a gente precisa aprender na vida é que um comentário sobre um trabalho refere-se àquele trabalho e não a seu autor. Quem leva as coisas sempre para o lado pessoal sobre mais do que precisa
2) em nenhum momento fiz qualquer menção ao jornal on-line nem tentei defender o jornal impresso em oposição ao jornal on-line. Como já escrevi aqui --e bem lembrou um leitor--, não se trata de Fla-Flu. A oposição foi piração de quem leu, não minha
3) tá certo que é ridículo discutir com uma piada, como eu mesma já sabia. É coisa de gente doida. Mas discutir com gente doida é o que, então?
Post mais recente da campanha Mais humor no jornalismo: humor na capa
Um exercício que os trainees fazem durante o programa é acompanhar um repórter do jornal em sua pauta, para observar o trabalho e estreitar relações com os futuros colegas.
Vai da sorte. Pode ser um treino do Corinthians, uma inauguração de posto de saúde pelo prefeito ou uma coletiva na Fiesp.
Ou, como no caso do JOÃO PAULO GONDIM, pode ser uma história que alguns chamariam de fútil ou fria. Engano. Na hora de aprender, não há pautas menores ou maiores. Todas têm suas lições a dar:
P { MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 0px }
Minha primeira saída para fazer uma matéria no jornal aconteceu por tabela, graças à generosidade do meu padrinho (*) RAFAEL BALSEMÃO, repórter da Revista da Folha.
Fui acompanhá-lo numa entrevista com uma "concierge"-espécie de anjo da guarda de prédio de endinheirado- no Brooklin.
Elvira Lobato, na semana de palestras, já havia ensinado que a pauta aparentemente mais prosaica pode resultar na manchete do jornal. Acredito nisso, mas, mesmo assim, titubei: daquele bate-papo sairia matéria?
No táxi, rumo à tarefa, Rafael me desfiou o rosário de capas que havia emplacado em edições anteriores: sambistas nota 10 no carnaval, vítimas de cyberbullying, tribos na balada, evangélicos prafrentex...
O bacana da revista, explicou, além da diversidade de assuntos para cobrir, é o texto elaborado, quase sempre mais agradável do que nas matérias factuais.
Assim que chegamos, vi que o assessor de imprensa da construtora do prédio dos bacanas iria nos acompanhar o tempo todo. A presença de um deles muitas vezes inibe o entrevistado. Mas Rafael tirou o problema de letra. Sorrindo, incentivava a "concierge"a prosseguir, quando ela titubeava ("não sei se devo falar isso"). Por fim, a entrevista saiu ótima, com momentos hilariantes. Se quiserem saber quais, leiam a aqui: http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf1204200910.htm
Na volta à Folha, acompanhei o fechamento do número seguinte. O processo é mais tranquilo do que no jornal. Os repórteres, na maioria do tempo, ocumpam-se em revisar os textos uns dos outros. Trabalho pesado mesmo, quem faz é o pessoal da arte, para produzir aquelas páginas tão incrementadas.
Resumo da ópera: fazer, e no meu caso acompanhar, pautas de grã-finagem pode ser bem divertido!
(*) jornalistas da Redação se voluntariam para ser "padrinhos" dos trainees, ou seja, tirar as dúvidas deles, serem pontos de referência no jornal, ajudá-los com fontes, lides, textos, pautas ou o que mais vier
Estão abertas até 21 de abril as inscrições para o Plano de Capacitação de Jovens Jornalistas Ambientais, promovido pela Rede Brasileira de Informações Ambientais.
Os trabalhos vão ser divulgados gratuitamente em redes ambientalistas, inclusive para pauteiros e editores de vários jornais do país.
O programa de treinamento do "O Globo" também lançou um blog, com dicas para jornalistas e aspirantes: é o Amanhã no Globo.
Começaram bem, com as dicas do Jorge Antonio Barros --que sabe tudo de cobertura policial-- sobre blogs (aqui) e com um musical bem-humorado sobre a crise nos jornais (aqui), entre outros temas.
O jornalista disse ter concordado com muitas das frases, mas resolveu criar uma lista com as frases que ele mais detestava.
Lista com as frases e palavras consideradas mais irritantes pela Oxford:
1 - At the end of the day 2 - Fairly unique 3 - I personally 4 - At this moment in time 5 - With all due respect 6 - Absolutely 7 - It's a nightmare 8 - Shouldn't of 9 - 24/7 10 - It's not rocket science
As 10 frases mais irritantes por Dan Miller:
1 - "To make a long story short" *(when it's too late for that) 2 - "No problem" *(after asking your waiter for something) 3 - "My bad" *(Hey, this 'bad' belongs to me) 4 - "Went missing" *(the opposite of "came found") 5 - "A drug deal gone bad" *(probably a bad idea all along) 6 - "Ran him over" *(Why not just 'ran over him'?) 7 - "Stay on message" *(new political jargon) 8 - "Let's touch base" *(Are we gonna advance on a fly ball?) 9 - "From the get go" *(sounds like instructions for a horse) 10 - "Summering in Spain" *(like, I'll be nighting in my bed)
Bem, a sugestão: por que não criar uma lista de frases e palavras mais irritantes em português no blog (para que possamos evitá-las)?
Que tal? Mandem suas "desfavoritas".
Eu começo: "Para se ter uma ideia..." (só faltava a gente escrever querendo que os outros não tivessem ideias...)
Uma que eu odeio e que aparece muito em releases, em pautas mal feitas e até em textos: "É cada vez maior o número de pessoas que...". Só que, obviamente, não há quaquer dado a respeito. É pura tentativa de esquentar artificialmente a história.
Esta é de rádio --e me dá arrepios toda vez que ouço: "as notícias dão conta de que...". Que "dão conta" é esse?
O manual da Folha tem esta lista de cacoetes de linguagem que devem ser evitados:
¬ abrir com chave de ouro ¬ antes de mais nada ¬ aparar as arestas ¬ ataque fulminante ¬ atirar/lançar farpas ¬ a todo o vapor ¬ a toque de caixa ¬ atuação impecável (irrepreensível, irretocável) ¬ avançada tecnologia ¬ a voz rouca das ruas ¬ bater de frente com alguém ¬ caixinha de surpresas ¬ calorosa recepção ¬ caloroso abraço ¬ calorosos aplausos ¬ caminho já trilhado ¬ cardápio da reunião ¬ carreira brilhante ¬ carreira meteórica ¬ catapultar ¬ causar espécie ¬ chegar a um denominador comum ¬ com direito a ¬ confortável mansão ¬ congestionamento monstro ¬ conseqüências imprevisíveis ¬ consternar-se profundamente ¬ corações e mentes ¬ coroar-se de êxito ¬ correr por fora ¬ debelar as chamas ¬ desabafar (como sinônimo de dizer) ¬ detonar um processo ¬ disparar (como sinônimo de dizer) ¬ dispensar apresentação ¬ do Oiapoque ao Chuí ¬ duras (pesadas) críticas ¬ em nível de ¬ enquanto (quando significar na condição de) ¬ erro gritante ¬ escoriações generalizadas ¬ estrondoso (fulgurante, retumbante) sucesso ¬ extrapolar ¬ familiares inconsoláveis ¬ fazer por merecer ¬ fazer uma colocação ¬ fonte inesgotável ¬ fortuna incalculável ¬ gerar polêmica ¬ importância vital ¬ inflação galopante ¬ inserido no contexto ¬ inundar (quando não se referir a enchente) ¬ jóia da coroa ¬ líder carismático ¬ literalmente tomado ¬ luz no fim do túnel ¬ na vida real ¬ no fundo do poço ¬ óbvio ululante ¬ os quatro cantos do mundo ¬ pavoroso incêndio ¬ perda irreparável ¬ pergunta que não quer calar ¬ preencher uma lacuna ¬ prejuízos incalculáveis ¬ quebrar o protocolo ¬ requintes de crueldade ¬ respirar aliviado ¬ rota de colisão ¬ ruído ensurdecedor ¬ sal da terra ¬ ser o azarão ¬ sonora (estrepitosa) vaia ¬ tirar uma resolução ¬ trair-se pela emoção ¬ trocar figurinhas ¬ usina de idéias ¬ verdadeiro tesouro ¬ via de regra ¬ visivelmente emocionado (nervoso) ¬ vítimas fatais ¬ vitória esmagadora
A Clara trabalha em TV e tem um blog legal no qual ela organiza leituras e ideias sobre mídia eletrônica, redação multimídia e televisão:
Do ano passado, as indicações de leitura de quatro colunistas da Folha --comece aqui pelo Xico Sá, e siga os links para Jânio de Freitas, Elio Gaspari e Ruy Castro.
O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.
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