Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Assim como você

 

(Dan Habib tem um site sobre seu vídeo e sua procura por respostas)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h30

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Ritmo de feriado

O blog talvez fique mais lento até segunda, mas eu continuo por aqui, liberando os comentários.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h45

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O dia em que Veríssimo foi repórter

Bem legal a coluna do Veríssimo hoje, no Globo e no Estadão, sobre o dia em que ele foi repórter (com direito a uma única pergunta). O Comunique-se publica o texto.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h32

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Mesmo sem diploma, quem fez faculdade não será preferido?

A pergunta é de minha leitora Luisa:

Estou acompanhando nesses últimos dias as manifestaçãoes no blog sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo que está sendo votado no STF [Nota da Ana - se vc não acompanhou a discussão, o post mais recente está aqui].

Gostaria de saber: será que mesmo que, caso não haja mais obrigação de ter o diploma de jornalismo, ainda assim os diplomados não estarão em primeiro lugar para conquistar uma vaga no mercado de trabalho?

Digo isso porque acredito que a maioria das grandes empresas de comunicação são a favor do diploma e mesmo que passem a aceitar aqueles que não o possuam, com certeza vão querer alguma experiência na área e como conseguir essa primeira oportunidade?

Eu sei que a Folha, por exemplo, tem o programa de treinamento, porém apenas alguns conseguem ingressá-lo. Eu mesma já me inscrevi duas vezes e nunca passei nem para realizar a prova, e não tenho certeza se passaria nela.

Então, como fazer para trabalhar na área? Estou no meu último ano de economia e pretendo cursar jornalismo assim que acabar. Será que existe um meio para trabalhar na área enquanto estudante de economia? Acredito que não, pelas tentativas que já fiz. A resposta sempre a mesma: "Só contratamos estudantes de jornalismo".

Gostaria de saber sua opinião e de seus leitores.

Com a palavra, os meus leitores (depois eu dou a minha).

 


 

A Luisa, da pergunta acima, fez um blog para os que, como ela, cursam uma faculdade mas sonham com outra profissão. Chama-se No Caminho Certo.


Meu comentário

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h19

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Dicas para cobrir a Flip

Minha leitora Sabrina vai cobrir a Flip pela primeira vez e pediu dicas.

Pedi ajuda a minha colega SYLVIA COLOMBO, que já cobriu várias:

Não existe uma fórmula pronta para cobrir um festival de literatura como o de Paraty, cuja programação é ampla e permite várias abordagens. A primeira coisa a decidir, portanto, é qual a linha editorial que o veículo para o qual você está trabalhando pretende adotar.

Como exemplos, vocês podem optar por entrevistar os autores mais importantes ou que estão lançando livros no Brasil, ou ainda agrupar por temas políticos ou estilos literários. São orientações que você deveria obter do seu editor antes de mais nada e a partir delas traçar suas prioridades.

Minha recomendação é que, escolhidos os autores que vocês vão destacar, você entre em contato com as editoras para agendar com antecedência entrevistas de fôlego. É muito difícil e até incômodo tentar parar os autores no meio da rua, em Paraty, para uma entrevista mais longa e profunda. Você pode conseguir abordá-los, mas as declarações nessas condições tendem a ser mais leves. Por outro lado, vale para essas ocasiões preparar perguntas mais divertidas ou relacionadas a questões mais momentosas, enquetes temáticas. Isso funciona bem nessas entrevistas rápidas.

Acho importante você fazer para si mesma uma agenda com os destaques de cada dia e escolher as palestras que irá assistir. É legal ter em mente que você está cobrindo a festa, e não os autores. Ou seja, vale sempre ficar de olho e descrever a recepção do público, do que se falou antes e depois das leituras, quem é o mais assediado e por que etc.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h55

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Aula gratuita

Dá pra aprender bastante --e de graça-- estudando o trabalho dos outros.

E minha colega CRISTINA MORENO de CASTRO dá uma boa dica pra estudar entrevista:

Uma excelente entrevista, que, para mim, teve muita técnica, foi a que Fernanda Odilla fez com a Dilma Rousseff. Lendo na íntegra, na FOL, dá para ver que a repórter conseguiu ir soltando a memória e a língua da ministra aos poucos, desarmando a entrevistada, até conseguir aquele resultado fantástico.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h15

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A reportagem por trás do filme

Meu leitor Thiago achou na internet a reportagem que deu origem ao filme "O Resgate de um Campeão".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h32

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Carro na frente dos bois (ou "pra que tanto trabalho fazendo um lide diferente?")

Vejam este lide:

A âncora principal dele é o suspense, certo?

Agora rolem um pouco a página e vejam com que título saiu esse texto:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tanto trabalho pensando num lide diferente, pra entregar logo o jogo no título?

...

De qualquer forma --alguém vai dizer--, numa matéria sobre o que acha a Miss Universo, o que importa, mesmo é a foto.

 


 

No ano passado coloquei aqui no blog um caso bem parecido, do sujeito que se apaixonou por uma mulher e depois descobriu que ela era uma assassina (aqui).

Lá a gente discutiu como e quando usar a primeira pessoa, e, num outro post (aqui), que opções de título teriam resolvido o problema.

E a história terminou neste, sobre como casar título e lide.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h03

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Cada macaco no seu galho

"Jornalista não é aquele que toca na banda; é o que vê a banda passar"

Joel Silveira, repórter

(de minha leitora Clara)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h39

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Sem comentários

Nem vou falar nada sobre esta foto de meu colega RUBENS CAVALLARI.

Não precisa, né?

(Meu ex-aluno Charles, que me chamou a atenção pra ela, fez um post sobre "algumas coisas que só acontecem com a Lusa".)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h10

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Humor na capa

Esta é antiga, mas eu não conhecia.

Olha que divertido e inteligente: num dia de vários acidentes sem vítimas, juntaram tudo e decretaram: ONTEM A MORTE TIROU FÉRIAS

Para ver a página em tamanho maior, clique aqui.


No Desculpe a Poeira, uma seleção de charges da "New Yorker"


De ontem: humor na tragédia da vida jornalística

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h25

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Gay Talese no Brasil

Minha leitora Clara, que andava desaparecida, volta pra avisar:

O jornalista americano Gay Talese confirmou presença na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que acontece entre 01 e 05/07.

 

Ele vai lançar o livro "Vida de Escritor".

 

Talese foi repórter do New York Times e escreveu para grandes revistas americanas, como Times, The New Yorker e Harper´s Magazine.

Na Esquire, foi autor da melhor matéria já publicada pela revista: Frank Sinatra Has a Cold, considerada por Tom Wolfe como a criação do New Journalism.

 

“Frank Sinatra Has a Cold" foi publicada em Abril de 1966 e foi considerada como uma das mais célebres reportagens do jornalismo norte-americano: um exemplo pioneiro do que viria a ser conhecido como “New Journalism” (“Novo Jornalismo”) – caracterizado por um trabalho de apuração de fatos rigorosa aliado a uma forma de narrativa anteriormente reservada a ficção.

 

Link para a reportagem na íntegra:

http://www.esquire.com/features/ESQ1003-OCT_SINATRA_rev_

 

Link para as 7 reportagens mais célebres já publicadas pela Esquire:

http://www.esquire.com/features/page-75/greatest-stories

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h38

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Humor na tragédia cotidiana

O nome do blog é uma brincadeira com o clássico "Ilusões Perdidas", de Balzac.

Seu autor, Duda Rangel, um jornalista desempregado, um homem abandonado pela mulher, é um personagem de ficção.

Por trás dele estão dois jornalistas gêmeos, que transformam experiências cotidianas do jornalismo em uma mistura de crônica e conto.

Só faltou o link para o blog, né? Com vergonhaaqui.

De hoje: uma charge

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h45

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Antártida

 
 

Antártida

Para completar a entrevista que meu leitor Fred fez com MARCELO LEITE, segue a lista de livros que ele leu imediatamente antes e depois da viagem:
 
- Abaixo da Convergência, de Alan Gurney;
- The Coldest March, de Susan Solomon;
- Antarctica, de Kim Stanley Robinson (romance de ficção científica);
- Lonely Planet/Antarctica, deJeff Rubin.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h23

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Entrevista é arte, técnica ou sorte?

Não percam o ótimo post de Mauricio Stycer comentando duas entrevistas que ele fez, com o escritor Sérgio Rodrigues e com o documentarista Eduardo Coutinho.

Um aspecto sobre o qual eu não havia pensado ainda:

Primeiro, quero fazer uma defesa da entrevista por e-mail. Técnica relativamente nova, usada há não mais que 15 anos, a entrevista por e-mail não substitui, evidentemente, a entrevista cara a cara, mas pode ser muito útil. Primeiro, em situações nas quais o entrevistado mostra-se reticente em conversar com o jornalista. Para quebrar o gelo, eventualmente, aceito enviar as minhas perguntas por e-mail, desde que eu tenha o direito de fazer novas perguntas depois que as respostas forem enviadas.

Também recorro a entrevistas por e-mail quando o tema central é uma discussão de ideias, o que ocorre, com frequência, na área cultural. A entrevista por e-mail deixa o entrevistado à vontade para pensar com calma antes de responder e, normalmente, produz reflexões ricas – eventualmente mais ricas do que na situação cara a cara. Perde-se o contato com a fonte, importante fonte de informações, mas ganha-se em densidade.

Um post neste blog sobre entrevistas por e-mail


UM BLOG SOBRE COLETIVAS

Bem divertido este blog, que conta os bastidores das coletivas. Fiquei sabendo sobre ele nesta matéria do Comunique-se.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h59

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Competição tem limite

Um colega de Fortaleza me mostra este vídeo, em que dois repórteres que trabalham em emissoras concorrentes  --um na TV Verdes Mares (Globo) e a outra na TV Jangadeiro (SBT)-- batem boca na rua, na frente de uma entrevistada com quem os dois querem falar ao mesmo tempo.

Dá pra ver a cara de assustada da moça lá atrás. Típico contra-exemplo de como se comportar.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h30

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Homens no gelo

 
 

Homens no gelo

 

Toni Pires/Folha Imagem

Mar de gelo na Antártida

 

 

"Inevitável não se surpreender com a edição exclusiva da revista sobre a Antártida. Dado seu exótico conteúdo -não é todo o dia que jornalistas brasileiros têm oportunidade de trabalhar sob condições tão excepcionais de temperatura-, a publicação pode resultar em um post interessante para o blog", escreveu meu leitor Fred há algumas semanas.
 
Ele propunha uma "entrevistinha" com MARCELO LEITE contando os bastidores da apuração, como a que eu havia feito com meu colega RAPHAEL GOMIDE  após a publicação da reportagem "O Infiltrado".

-- Ótima ideia, Fred! Você não quer fazer a entrevista e eu publico?

Proposta aceita, segue um relato detalhado e abrangente, que vai das técnicas jornalísticas usadas pelo repórter às dificuldades e curiosidades da viagem. (Fred recomenda também o site da expedição é muito legal. É possível navegar pelas terras geladas de Patriot Hills por meio de um joguinho, com fotos e informações, conduzido pelo líder da expedição, Jefferson Simões. Ainda por cima é educativo).

 

por FRED RAPOSO, para o Novo em Folha

Como surgiu a idéia de fazer a reportagem?

Marcelo Leite: Em outubro (do ano passado), aconteceu em São Paulo uma reunião do Proantar (Programa Antártico Brasileiro) para jornalistas, promovida pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT). Fui meio de curioso, mais para pegar material para a coluna no Caderno Mais. Lá conheci o Jefferson Cardia Simões, acho que o primeiro glaciólogo brasileiro, da UFRGS. Fiquei sabendo que ele estava organizando expedição para o interior da Antártida, onde já tinha larga experiência. Imediatamente percebi que tinha oportunidade jornalística para reportagem. Me apresentei e, meio que de brincadeira, falei: “E aí, você toparia levar um velhinho jornalista nesta história?” (risos). Deu uma louca e propus (a viagem para o jornal).

(continua abaixo)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h30

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Homens no gelo - parte 2

(continuação)

Mesmo sabendo que o investimento seria grande?

ML: Sabia que custava caro, porque peguei as informações básicas ali com ele. A passagem de avião de Punta Arenas, no Chile, para Patriot Hills, na Antártida, é muito cara. Eles iriam no fim de novembro e só voltariam no início de janeiro. Propus para a direção do jornal que fossemos por duas semanas. Era uma das possibilidades, pois havia janelas nos vôos da ALE que a gente podia se encaixar. Para a minha surpresa, (o projeto) foi orçado e aprovado. Eu achava que era caro demais e que o jornal não toparia. Acho que todo mundo que se envolveu na decisão percebeu que tinha uma oportunidade única ali, por ser a primeira expedição brasileira, autônoma, para o interior do continente. Em geral, o Brasil faz pesquisa na península Antártica, que é na periferia.

 

Qual era o diferencial de fazer a viagem, em termos jornalísticos?

ML: Faltam mais matérias narrativas no jornalismo científico, contando como é feita a ciência na prática. A gente fala muito dos resultados e pouco de como ela é feita. Expedições e trabalho de campo são um excelente filão de reportagem para jornalismo científico, que é mal aproveitado. Principalmente se você vai a uma reunião dessa e fica sabendo que tem uma primeira expedição brasileira, pioneira desse gênero, que vai acampar no gelo durante dois meses.

Ou seja, era uma oportunidade única.

ML: Para se ter idéia, a empresa ALE leva no máximo 270 pessoas por temporada para a Antártida. Percebi no ato que (a viagem) tinha enorme apelo jornalístico e resolvi apostar nisso, mesmo sabendo que a chance era pequena (de aprovação da pauta). Para nós, jornalistas, às vezes falta um pouco essa ousadia de propôr. A gente parte do princípio que “isso aí não vai rolar” ou que “não vai dar pé”. Você tem que confiar no seu taco. Você propõe 20 (pautas) e aprova uma.

Como foi a negociação da viagem com os pesquisadores? Teve algum impedimento?

ML: Foi supertranquila. O Jefferson tem uma boa percepção e é bem sensível quanto à divulgação científica. Ele mesmo investe em blogs e o grupo dele tinha um esquema montado de divulgação. Ele só me avisou que a Globo também tinha interesse. Ficamos um pouquinho preocupados com a Globo fazer algum material forte antes. A gente sabia que ia demorar para circular a revista. Do início das férias até o fim do Carnaval era ruim de sair com esse material, pois pode não ter a mesma leitura de uma situação normal. Mas não preocupou tanto porque não era concorrente direto.

Então a Folha não tinha exclusividade na matéria?

ML: A exclusividade para a imprensa escrita estava mais ou menos garantida. Ele disse que tinha um pessoal da Globo pensando em ir, mas que depois acabou desistindo. Ele não me deu exclusividade. Não é que ele tenha dito para mim: “Se você for, vai só você”. Ele falou: “Olha, ninguém me procurou”. Mas obviamente pedi que me avisasse se alguém mais o procurasse, porque isso mudava toda a equação.

Que argumentos você usou para convencer a Folha?

ML: Na Folha não teve nem negociação, eles aprovaram de cara. Acho que demorou uma semana. Foi uma questão de entrar na pauta da reunião da direção. O gasto mais pesado era o investimento na passagem, e a empresa deu desconto por ser parte de uma expedição científica. Mesmo assim era um orçamento caro. A partir daí, o que precisou gastar se gastou. Foi uma decisão estratégica.

Qual conhecimento sobre a Antártida já tinha antes de viajar?

ML: Fazia talvez uns dez anos desde que li o último livro. Mas já tinha lido relatos do (Roald) Amundsen e do (Ernest) Shackleton, coisas históricas. Também escrevi uma matéria sobre dois malucos que atravessaram a Antártida a pé, na década de 90.

como se preparou para a viagem?

ML: Tive que providenciar uma série de exames médicos. Isso tomou bastante tempo. Em paralelo, ainda sem conseguir ler muito, fui montando uma pequena biblioteca para levar comigo. Comecei a procurar uns livros em casa, encomendei outros pela Amazon, importei um guia Lonely Plantet da Antártida, pedi emprestado para o Claudio Angelo (editor de Ciência) o livro “The Coldest March”, da Susan Solomon.

Além da consulta nos livros, pesquisou outras fontes, conduziu entrevistas?

ML: A primeira coisa que fiz foi pedir para o próprio Jefferson mandar sugestões de leitura. Ele enviou relatórios de pesquisas, artigos, material de divulgação de comitês científico sobre a Antártida, coisas dele mesmo. Fui imprimindo e guardando tudo dentro de uma pasta que comprei. Organizei toda a parte burocrática, como e-mails que troquei com ele, com o pessoal da empresa, os contratos da empresa.

Por que tomou essas precauções?

ML: Sabia que tinha que estar com tudo isso a mão pois não tinha garantia que estaria on-line lá. Para piorar, em novembro, estava finalizando o manuscrito de um livro que tinha que entregar, além de outras coisas pendentes, como deixar colunas prontas. Estava juntando material, mas lendo pouco. Conversei com o Jefferson preocupado em coordenar essa parte logísitca. O investimento maior inicial foi nisso, embora tivesse planos de fazer mil entrevistas.

Antes de sair do Brasil você tinha uma hipótese sobre o que focaria na reportagem?

ML: Há muita discusssão no meio científico sobre papel da Antártida na mudança climática global, como o derretimento de geleiras. Sabia que seria por aí e também que o forte seria contar como é a vida lá. O que é estar em um acampamento, fazer pesquisas. Por ser (assunto) desconhecido, a curiosidade do leitor inevitavelmente colaria em torno disso.

 

Você já saiu do Brasil sabendo mais ou menos o tamanho que a revista teria?

ML: O tamanho exato (68 páginas), não, só que seria uma revista e não caderno especial. Havia uma proposta genérica de fazer algo com um padrão de qualidade "Natural Geographic", não muito mais que isso.
 

Na matéria de abertura (“No Coração da Antártida”), você faz um relato em primeira pessoa, quase como se fosse em um diário. Por que optou por relatar a experiência dessa maneira?

ML: Essa é uma coisa curiosa. Sabia que o relato seria desse tipo, mas não necessariamente em primeira pessoa. Na primeira versão da matéria, eu usava um pouco a primeira (pessoa) do plural, porque a idéia era contar a narrativa do ponto de vista meu e do Toni (repórter fotográfico). Fiz umas três ou quatro versões da matéria, que passaram pelas sugestões e comentários do Claudio Angelo e da Marília Scalzo, que foram os editores principais. Uma das sugestões foi abandonar a primeira do plural, que não estava funcionando, pois enfraquecia de alguma maneira o testemunho, e partir para a primeira do singular. Era um relato mais pessoal. O processo de edição foi minucioso. Tem que mexer muito no texto, coisa que jornalista não gosta muito de fazer. Você reduz um pouco o amor próprio e aceita ponderações de gente inteligente, como são esses editores.

O que foi mais trabalhoso nessa edição?

ML: Foi lidar com a quantidade de material. Eu tinha um caderno espiral de 100 folhas quase cheio de entrevistas feitas lá. Além de uma caderneta de bolso, que levei pois sabia que não seria muito simples fazer anotações em campo, também com mais 100 páginas preenchidas. Juntei isso aos e-mails no computador, à pasta com papéis, aos mapas e livros que comprei, aos artigos científicos que o Claudio Angelo me passou e aos sites de internet.

Quanto tempo demorou a edição?

 ML: Em meados de janeiro, comecei a trabalhar nisso. E comecei a escrever no começo de fevereiro. Então, por pelo menos três semanas li esse material, fiz outras anotações e tentei esquematizar uma proposta de matérias, enquanto participava de reuniões na Folha. A gente teve umas três reuniões com o grupo que se envolveria ali, da arte final, da fotografia e do texto e os editores. Essa preparação tomou quase um mês, isso depois da viagem. Escrever deu muito trabalho.

- Houve uma preocupação em "traduzir" os termos científicos?
ML - Sempre há.
 
- Você se comunicou com a redação da Antártida, seja para passar informações ou para receber instruções?

ML;Sim. Tínhamos comprado 500 minutos de telefone de satélite (Iridium), com a idéia de enviar matérias, posts para blog, podcasts e fotos. Na prática, gastamos muito tempo enviando fotos, porque a taxa de transmissão era baixa. Mandei menos matérias e posts do que gostaria, as quais você pode ver aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2008/nocoracaodaantartida/.

 (continua abaixo)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h19

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Homens no gelo - parte 3

(continuação)

Como você esquematizou o texto?

ML: As reportagens típicas que faço para a Folha raramente ultrapassam 5 mil, 6 mil caracteres. Com o hábito, você escreve meio sem pensar conscientemente em estrutura, que já tem mais ou menos uma cara. Numa matéria maior, de 30 mil, 40 mil caracteres, se não esquematizar antes de onde você quer sair, por onde quer passar e aonde quer chegar, fica difícil chegar a uma coisa que tenha pé e cabeça. A escrita é mais lenta, a narrativa dá muito mais trabalho de fazer e refazer. Entreguei umas três ou quatro versões para os editores. Só que eu fiz mais de uma versão minha, caseira. Fazia, não gostrava, refazia, mostrava para a minha mulher. Ela dava uns palpites, eu refazia.

Durante esse tempo não corria risco de o jornal levar um furo?

ML: Risco de furo no sentido estrito do termo não, pois só eu tinha ido e a expedição já havia terminado. Eu saí de Patriot dia 9 de janeiro e o Jefferson e sua equipe, no dia 14. Alguém podia entrevistá-lo, fazer uma matéria longuíssima. Havia esse risco. Mas o testemunho em primeira pessoa e a exclusividade da presença no local, só a gente tinha e ninguém tirava. Mas havia esse receio sim, então tomei muitos cuidados.

Que tipo de cuidados?

ML: Não falava com ninguém sobre o que planejávamos fazer. Eu não falei com ninguém fora da Folha. Talvez só para a minha mulher. Não queria que a coisa circulasse por aí. Poderia dar ideia de algum concorrente sair na frente com uma revista, ainda que inferior a nossa em extensão, profundidade ou proximidade com o evento jornalistico. Mas tira o brilho: “Ah, a nossa está melhor, mas a deles saiu antes”. Mas não cheguei a ficar muito preocupado, só tomei esses cuidados. O acesso que a gente teve ninguém mais poderia ter.

Como era a apuração no dia-a-dia na Antártida?

ML: De início me preocupei em registrar tudo, aquela avalanche de impressões e de sensações corporais e o registro do cotidiano propriamente dito, especialmente das conversas que rolavam entre os pesquisadores. Daí a importância desse diariozinho na caderneta. Você fica quase o tempo todo com alguém, então tinha sempre uma conversa rolando em volta, seja na cozinha ou no módulo azul, os dois pontos de encontros principais. Comecei a fazer algumas entrevistas, principalmente, com o Jefferson. Mas nos primeiros dias nada muito intrusivo. Estava funcionando mais como uma esponja do que como microfone. Ou seja, absorvendo os elementos novos, desde as sensações fisiológicas, como frio e fome, até anotações sobre paisagem, aspectos da neve, do gelo, do céu, do sol que não se põe. Até porque eu estava muito ocupado em me adaptar, não ficar doente.

Passado o baque inicial, como era sua rotina?

 ML: A partir de um certo ponto a gente começou a participar das atividades, sair com os pesquisadores. Mais ou menos no meio da minha estada, comecei a marcar entrevistas particulares com os oito membros da expedição. Ficava até duas horas conversando em profundidade tanto sobre o estudo como sobre a biografia de cada um. À exceção de uma coisinha aqui e outra ali, acabei usando pouco disso, porque na hora de redigir vi que não tinha espaço. A rotina era essa, sair a campo quando o tempo permitia.

 Vocês chegaram com alguns dias de atraso a Antártida.

 ML: Ficamos dez dias em Punta Arenas, aguardando as condições meteorológicas melhorarem para o vôo, e perdemos alguns dos trabalhos de campo lá. Na principal escavação, a 250 quilômetros dali, numa região chamada Monte Johns, os pesquisadores voltaram dois dias antes de a gente chegar. Essa parte nós perdemos. É um pouco das contingências antárticas, você está o tempo todo à mercê da tecnologia.

 Mas mesmo assim a Folha noticiou essa expedição ao Monte Johns.

 ML: Estava com dificuldades para falar com eles de Punta Arenas por telefone de satélite, mas mesmo assim procurei acompanhar. Na volta, me socorri de um relato escrito que o próprio Jefferson fez do período em Monte Johns, de revistas, entrevistas e do material que fui coletando. A segunda reportagem, que fala do “Maior deserto do mundo”, é quase toda caucada nessa expedição em Monte Johns na qual eu não estava presente. Aí já não é mais um relato em primeira pessoa, mas em terceira, porque não tinha mais caráter de testemunho. Ele mandou um texto que falava dia por dia o que tinha acontecido, como temperaturas, dificuldades com equipamento de perfuração.

  Por se tratar de relatos de terceiros, surgiram dúvidas?

 ML: À medida que fui escrevendo, surgiram discrepâncias. Coisas que achava que tinha entendido de um jeito, eu lia de outro no relato dele. Aí mandava um e-mail: “Olha, Jefferson, não estou entendendo. Afinal, no quarto dia teve nevasca ou não teve?”. Verificação de informação o tempo todo. Até fiz uma coisa que muito jornalista não gosta, e que eu não tenho problema nenhum. Enviei e-mail final, quando ficaram prontas as matérias, com trechos que achava que podia ter incompreensão ou mal-entendido da minha parte, especialmente em questões técnicas, de ciência, de pesquisa, com dados de temperatura, densidade de gelo. Foram uns dez parágrafos, dizendo: “Olha, dá uma olhada, veja se não cometi nenhuma impropriedade”. É grande a chance de um mal-entendido especialmente quando você está morrendo de frio, anotando com a mão dura, com o raciocínio lento.

 Em que momentos sentiu maior dificuldade?

 ML: Na hora de anotar as entrevistas era meio penoso. A escrita não fluía com a mesma rapidez que em condições normais de temperatura e pressão. Eu não confiava inteiramente nas minhas anotações, especialmente quando eles descreviam coisas complexas. Abusei muito da paciência do Jefferson e do Francisco Eliseu Aquino, o Chico Geleira. Devo ter mandado dezenas de e-mails para checar informações.

 O que o motivava a voltar aos pesquisadores para rechecar informação?

 ML: Não tem condição de fazer uma revista dessa e depois publicar meia dúzia de erratas. Aliás, podem surgir erros, não vou dizer que não tem erro. Saiu até um pequeno erro, que nem era de uma matéria minha, que a gente comete. Certamente deve ter um ou outro nas minhas matérias apesar de todo o esforço de verificação e de checagem. Sempre acaba passando alguma coisinha.

 Mas este método reduz bastante a chance de saírem erros.

 ML: Tem que fazer isso. Especialmente em jornalismo científico. Eu não glaciologista, não sou meteorologista, não sou climatologista. Posso ter ganho alguma familiaridade (com o assunto) ao longo dessas três décadas de jornalismo científico. Mas não é o bastante para impedir que cometa erros, eventualmente até graves. Tem que ter checagem, checagem, checagem. Não tem segredo.

  Mas você não mandava o texto inteiro.

 ML: Não, até porque não queria criar oportunidade para o cara interferir na interpretação e na formulação do estilo da reportagem. Eu confio no próprio taco, mas não vou até o ponto de confiar em tudo que eu faço. Depois de muitos anos de jornalismo científico, foi enorme a quantidade de vezes que entendi errado alguma coisa. E, várias vezes, ao tomar precaução de verificar a informação antes de publicá-la, me salvou de uma série de deslizes. Sempre que percebo que tem uma pequena dúvida que possa pairar na minha compreensão da coisa, tomo cuidade de verificar de alguma maneira. Seja entrando em contato com a fonte ou por meio de uma pesquisa.

E os pesquisadores recomendaram alguma mudança em termos de informação?

ML: Sim. As datas, por exemplo. Sempre que você conversa com as pessoas, durante uma entrevista, o cara fala uma data, mas pode estar enganado. O Chico Geleira, que era um pouco braço direito do Jefferson, tinha uma caderneta onde anotava tudo, diariamente e várias vezes ao dia. Era uma espécie de diário de bordo. Chequei dados com ele e descobri que anotara uma série de informações erradas, como o dia em que eles saíram de Punta Arenas para Antártida ou o dia em que voltaram. Umas coisas de precisão eu mudei, sim, na matéria, graças a esse trabalho de checagem com eles.

(continua abaixo)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h16

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Homens no gelo - parte final

(continuação)

Você teve que se adaptar ao horário dos pesquisadores?

 ML: Por uma questão de disciplina e organização pessoal, mantive meus horários de sono. Raramente deitei depois de meia-noite ou acordei depois de 10h, embora aqui no Brasil acorde muito mais cedo que isso. Seguia o horário chileno, como todo mundo. Sou uma pessoa que funciona com rotina, que é um elemento estruturante importante da minha vida.

 Como foi trabalhar o tempo todo com sol, dormir com luz?

 ML: Por dentro da barraca de dormir era bem claro. Não fazia mais nada lá, porque era apertada e desconfortávfel, não tinha onde encostar. Ficava mais no módulo azul, que era onde tinha o computador e o telefone de satélite, na cozinha, que era o ponto de encontro social, ou estava em campo, onde não ficava muito tempo por causa do frio. O período mais longo que a gente ficou em campo deve ter dado umas cinco ou seis horas, no máximo.

 Quanto tempo demorou para se adaptar ao clima e como isso influiu no seu trabalho?

 ML: Eu diria que os dois primeiros dias. Mas, longe de serem perdidos, pois absorvi muita coisa neste período, de sensações mais intensas. Me ocorreram um monte de idéias, escrevi  muito, mas o esforço físico era grande. Achei que ia pegar uma dor de garganta, tomei remédios, dormi mal, senti frio. Também não me adaptei ao casaco de penas de ganso, que era muito volumoso e quente. Resolvi experimentar um outro casaco, de GoreTex, impermeável, bom para barrar o vento, menos quente e acolchoado. Mas essa adaptação demora um pouco e os dois primeiros dias foram consumidos com esse tipo de coisa.

 Você comentou no seu blog que, apesar de toda a preparação, "nenhum dos referenciais que carregava tinha muito uso". Isto ocorreu com frequência? Pode citar um exemplo e explicar como contornou o problema?

 ML: Nada deu muito errado. Eu já tinha uma série de informações que ajudaram a me prevenir. Quando me referi a não estar preparado, era mais do ponto de vista subjetivo. Após ler sobre as dificuldades, o frio, a neve e a paisagem, você forma uma imagem mental, que é pobre demais perto do que encontra lá. Percebe que não está preparado para a quantidade de novidade e de informação, sensorial e intelectual, que recebe. Você pode ler “n” descrições, mas quando chega lá é outra coisa. É concreto, enquanto a descrição que você leu, por mais que seja bem feita, é abstrata, diferente da experiência vivida. Como jornalista, você se esforça para, ao descrever, dar vida e concretude a essas coisas. Mas tenho noção, até porque vivi a experiência oposta, de que a descrição e o relato sempre ficam aquém da experiência real.

 Você sentiu essa supresa também da parte dos cientistas brasileiros?

 ML: Eles ficavam horas discutindo os assuntos na cozinha, durante a confecção e o consumo da comida, e depois também em campo. Às vezes não chegavam a nenhuma grande conclusão. Mas o importante é o simples fato de presenciar esse debate, como é a cabeça dos cientistas. Eles são, como os jornalistas, apaixonados pela surpresa, pelo novo, por aquilo que falta explicar. Ser o primeiro a relatar e o primeiro a explicar. Essa é a paixão do cientista e de certo modo do jornalista também, com as devidas diferenças e guardadas as devidas proporções. Há uma empatia muito forte. Às vezes há problema e atrito também, mas não foi o caso.

 Como era, para eles, ter um jornalista por perto?

 ML: Evidentemente eles estavam muito contentes de ter, em primeiro lugar, um órgão de imprensa interessado o bastante para fazer um investimento em dinheiro, e de tempo e interesse da parte minha e do Toni. Afinal, nessa brincadeira foi um mês de distanciamento da minha vida familiar e profissional normal. Ficou tudo parado. O blog ficou parado, faltei o natal e o ano novo da minha família.

 Quais equipamentos levou consigo? Tinha acesso a internet?

 ML: Levei livros, um computador da Folha, uma bateria sobressalente, que nem cheguei a usar, um gravador digital pessoal, um gravador de pilha cassete da Folha e um óculos reserva. Levei papelada da burocracia, e-mails trocados, tirei cópia de tudo, embora tivesse no computador. Tinha uma pasta no computador do escritório em casa onde guardei um monte de coisa, de imagens a documentos. Aí fiz o espelho disso tudo no computador da Folha. Estava bem calçado também em termos de medicamento. Levei uma pequena farmácia da qual usei só os anti-inflamatórios por causa da dor de garganta.

 Usou gravador?

ML: Usei só o digital para gravar as entrevistas pessoais com os oito pesquisadores. Normalmente uso pouco gravador, pois acho que dá uma esfriada na conversa. Procuro anotar tão discretamente quanto possível para ter menos interferência na fala.

  A ida a campo alterou de alguma forma sua percepção sobre a ameaça do aquecimento global e seus efeitos no derretimento das calotas polares ?

 ML: Não muito, pois estava no interior. Este efeito é melhor percebido em plataformas de gelo em fragmentação. Não conheci o litoral da Antártida. Só vi icebergs e o mar congelado do alto do avião. Na verdade, teve uma questão que só depois se tornou mais clara para mim. O mau tempo que experimentamos durante três dias de nevasca, na Antártida, e que nos impediu de chegar lá, quando estávamos em Punta Arenas, aparentemente pode ter relação com mudanças de padrões climáticos. Estão ocorrendo algumas transformações nos mares de Bellinghausen e Amundsen, sob cuja influência aquela região para onde fui está. Foi a única experiência mais direta com essa questão.

 Em maio do ano passado, o ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) classificou a pesquisa feita pelo Brasil na Antártida, até aquele momento, de "superficial". Não pensou em ouvi-lo para a reportagem?

 ML: Não me lembrava dessa declaração e dessa entrevista, embora tivesse informação da superficialidade por outras fontes. De alguma maneira isto está presente nas nossas matérias. Não me ocorreu que seria necessário fazer entrevista com o ministro para fazer essa avaliação. Até porque, naquela reunião de outubro, alguma coisa foi comentada neste sentido e estava presente ali o secretário executivo do MCT.

 Como surgiu a pauta de turismo?

 ML: Sabia que iam turistas para Antártida, mas achei que só de navio. Fui tomando conhecimento ao cruzar com pessoas que iam para lá de Punta Arenas. Era uma turma de quase 50 pessoas que estava há dez dias ilhada, esperando a hora de ir para a Antártida. Tinha de tudo, desde montanhista e aventureiro até o prefeito de Praga. Vi oportunidade de escrever sobre isso, do ponto de vista do serviço. Logo nas primeiras reuniões de pauta, já sugeri a matéria de turismo. Voltei com essa ideia de contar que existe esse modo de chegar lá, ao menos para pessoas ricas, com vontade de investir dinheiro em turismo de aventura.

 O fato de o Toni já ter ido ao continente facilitou de alguma forma o trabalho?

 ML: Ele já tinha experiência de fotografar no frio. Certamente é sempre melhor estar com pessoas que já têm experiência. Funcionou muito bem a química entre a gente. Ele é um jornalista excepcional e um grande companheiro. O Toni fez um trabalho de captar não só paisagem ou o cotidiano dos pesquisadores, mas elementos e detalhes (da paisagem) que, numa foto panorâmica, não se revelam de imediato.


Para assinantes, dá para ler o que saiu no dia 22/3 na Folha, mas sem as fotos e infográficos: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/antartida/inde22032009.htm.
 
A Folha Online montou uma página especial com o material prévio: http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2008/nocoracaodaantartida/

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h13

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Humor para começar a semana

 

Angeli, na Folha de hoje (para assinantes)

Post mais recente da campanha "mais humor no jornalismo"

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h33

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Na tela

Dica de cinema do meu leitor Thiago:

Hoje assisti ao filme "O Resgate de um Campeão", com Samuel L. Jackson. E resolvi recomedar pq ele fala de jornalismo. De como é importante checar as histórias. Não falarei mais para não estragar a surpresa. Posso dizer que achei o filme muito bom. E importante para quem trabalha com jornalismo.
 
Aqui, o link da página do filme no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0416185/
 
Mas cuidado para não ler os "spoilers" sobre o filme.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 06h17

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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