"It" é do século passado. Talvez do retrasado.
Minha avó usava esse termo para significar algo nebuloso entre charme e sex-appeal.
É uma coisa a mais, que torna a pessoa especial. Sabe aquela garota ou aquele cara que nem têm uma beleza especial, mas são extremamente atraentes? Então, "it" é isso.
Há um correspondente na vida profissional: envolvimento.
Para ter sucesso num jornal, é preciso ter algumas destas qualidades:
- inteligência
- domínio da escrita
- agilidade
- senso de notícia
- sorte
- capacidade de relacionamento com as fontes
Mas todos nós conhecemos gente que, embora seja cheia dessas qualidades, patina, patina e não vai pra frente.
E outras que não são especialmente brilhantes, mas seguem sempre ladeira acima.
Para mim, esses casos paradoxais se explicam pelo envolvimento (ou falta dele).
Quando a pessoa está a fim de fazer direito, quando acha que é com ela, se importa com o resultado, se interessa pelo que faz, as portas se abrem muito mais rapidamente.
(noutro dia saiu uma matéria de empregos sobre isso, pra quem quiser ler mais - aqui)
Sobre paixão e mediocridade
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h09

Daqui a pouquiinho começa no Brasil a "hora de planeta": um pedido para que todos apaguem as luzes por uma hora, das 20h30 às 21h30.
Já pensaram no dilema dos fotojornalistas?
Se você trabalha em TV, é fácil! Tudo estava aceso e de repente tudo se apaga.
Mas e o fotógrafo, o que faz?
O G1 tem uma galeria de fotos no ar no momento (não consigo linkar, porque é um java script), que mostra que a tarefa não é tão simples assim... [ADENDO, algumas horas mais tarde: agora, sim, tem link pra galeria]
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h10
De Casagrande, recolhida por meu prof ALEC DUARTE:
"Caí para a segunda divisão da vida, mas voltei"
Esta, sim, é daquelas frases que merecem estar entre aspas.
Aspas que valem
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h01
Na quarta, a missão dos trainees era acompanhar os trabalhos em algum setor do jornal --no Cotidiano, na Agência, em Dinheiro, na Folha Online, em Brasil, no Esporte.
Minha trainee ESTELITA CARAZZAI acompanhou a repórter DENYSE GODOY em duas coletivas, e conta o que aprendeu com essa experiência:
1) O repórter vai para a coletiva com um foco. A Denyse sabia exatamente o que iria perguntar a cada um dos entrevistados. Era a "aposta" dela, o que ela julgava ser importante noticiar.
2) O repórter já sai do evento com o lide na cabeça. A Denyse, em especial, anota no verso do bloco, no meio da coletiva, o que ela acha que se destaca para o lide.
3) Ainda sobre bloquinhos: ela separa as anotações, conforme dá, por temas, pra ficar mais fácil de visualizar depois o que o cara falou e construir a matéria. Ela diz que, quando trabalhou no online, tinha que ditar a matéria por telefone pra ir pro ar, e que hierarquizava as anotações ainda no bloquinho (colocava 1, 2 e 3 para lide, sublide e assim por diante; e fazia o texto na hora).
4) Vender a pauta é uma missão para o repórter. Ele tem que achar a coisa mais bacana e atual de um evento que pode ser superburocrático, sem novidades, só jogação de confete etc. etc. Esse exercício intelectual, de achar o que é noticiável, é bastante interessante - embora eu ache que se corre o risco de forçar a barra e transformar em notícia algo que nem é.
5) Cada repórter pensa em um lide diferente. Eu consigo perceber que uns são melhores que outros - por causa principalmente da factualidade da informação escolhida (lide com coisa velha/repetida não dá, e tem de monte) -, mas há alguns que mudam conforme o público (se a matéria é voltada para o consumidor em geral, ou para o empresariado, muda o lide), ou outros que destacam igualmente coisas interessantes - nessas situações, não dá pra dizer qual é o melhor ou o pior. Fiz o exercício de procurar depois, nos sites de notícias, as matérias que cada repórter fez. Houve "consenso" em bem poucos casos, especialmente na coletiva em que o entrevistado não falou nenhuma frase de impacto (que, descobri hoje, é a preferida pelos repórteres - houve repetição à exaustão da frase "o protecionismo é um veneno"!).
6) Às vezes você trabalha um dia inteiro e não sai nada. Nenhuma das matérias que acompanhei com a Denyse foi publicada. Nem o evento a que ela tinha estado no dia anterior, durante a manhã inteira, sobre os 15 anos do Plano Real, com 2 repórteres da Folha lá, foi publicado - saiu só uma notinha com aspas do FHC em Brasil (5 linhas!).
7) Cada jornal tem um foco, um público e um objetivo. Desse evento que a Denyse cobriu ontem, sobre o Plano Real, só quem publicou outra coisa foi o Valor - duas retrancas com a análise dos economistas presentes sobre o plano real. Como ela disse, isso era interessante, e certamente noticiável - mas não para a Folha, não com o espaço da Folha. O Valor tem um jornal inteiro só pra falar de economia. A Folha não pode se dar a esse luxo.
8) O trabalho do repórter não acaba com a matéria publicada: depois disso, ainda é preciso olhar o que a concorrência deu e ver se você levou algum furo, ou se alguém deu um enfoque diferente do seu e por quê. Fazer essa avaliação é fundamental para melhorar o trabalho do jornalista, para verificar onde você perdeu informação, qual era a coisa mais importante da notícia de fato etc. Acho que muitos jornais deixam de ser bons jornais, apesar de terem bons profissionais, pela falta de avaliação do que fazem. É muito fácil se acomodar desse jeito.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h13
Investigação jornalística
Site tem dicas e exercícios em diversas áreas de jornalismo. O link para investigação é este.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 06h34
Sobre a pergunta ali de baixo, acho que não há muito dissenso, não é?
- o ideal é que, se a notícia for relevante, útil, importante, ou ainda muito interessante, o jornal tem que ir atrás e recuperar, mesmo que o concorrente tenha dado
- já que vai recuperar, que tal tentar fazer melhor ainda?
- há muito jornalista que descarta de imediato uma cobertura porque já saiu em algum lugar. O problema não é descartar --há coisas menores que só valem a pena quando são novidade, e deixam de merecer o investimento quando já reperticuram. O problema é o motivo do descarte. Ele prioriza um aspecto interno ao jornalismo, o da concorrência, e não o que realmente interessa, que é: "Nosso leitor deveria saber isso? Gostaria de ler sobre isso?"
Meu trainee JOÃO PAULO GONDIM lembra de um exemplo que está no jornal de hoje:
Na terça, foi lançado o "maior apartamento de uma laje" de são paulo, com 1.200 metros quadrados. O Estadão deu na quarta, a Folha, não.Mas aí o editor disse: "Não há problema em publicarmos amanhã [nesta quinta], pois o leitor da Folha não lê o Estadão". No que o pauteiro concluiu: "E eles enviaram um cara (da editoria) de tecnologia. Nós vamos publicar com o paulo sampaio".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h08
Minha trainee ESTELITA CARAZZAI conta como teve que chegar ao fim de um exercício para perceber o que seria bom desde o começo (*):
Um dos exercícios mais interessantes – e também sacrificantes – que fazemos aqui no treinamento é o exercício de síntese. Temos que preencher uma página de jornal com oito retrancas (matérias) de tamanhos diferentes, tudo com o mesmo texto – que nos vemos obrigados a reduzir cada vez mais, para caber em todos os espaços, até chegarmos a uma notinha de míseras 12 linhas (quatro centímetros)!
Além do óbvio desafio de escrever bons títulos, linhas finas e lupas, que sintetizem o conteúdo da matéria e que abarquem um bom número de informações distintas (inclusive o outro lado), escolher o que é prioritário para se manter na matéria cada vez que ela diminui um pouquinho é torturante! Da primeira vez que fiz o exercício, percebi, lá pela quarta retranca, quando o tamanho do texto já havia diminuído de 109 para 58 linhas (ou seja, quase pela metade!), que havia escolhido o lide errado até então. Ou seja: na hora em que me vi obrigada a escolher quais informações ficariam, pela sua relevância, percebi que o que havia colocado no lide inicialmente era puro nariz-de-cera, um parágrafo introdutório que não acrescentava nenhuma informação ao leitor.
É engraçado como temos essa tentação de introduzir o leitor no tema – o que se presta, ressalve-se, para vários tipos de texto, mas não para o jornalístico. Da quarta retranca para frente, quando defini o que de fato era a notícia daquele material, consegui inclusive desenvolver títulos bem melhores, com mais foco, para o texto.
Sim, é torturante ter que fazer essas escolhas, mas elas te ajudam a perceber o que realmente importa numa notícia. Talvez uma boa estratégia para pensar um lide seja: “se eu tivesse uma linha para contar essa notícia, como faria?”. Isso iria ter me poupado muito trabalho no início do exercício.
(*) É justamente esse o valor da prática, do exercício. Eu até poderia ter sugerido "comece pelo mais curto, porque isso afia seu foco". Mas quando a gente aprende "com as nossas próprias mãos", o efeito é muito mais duradouro.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h46
Informações sobre Castelo de Areia e centenas de outras operações realizadas pela Polícia Federal, podem ser encontradas no banco de dados organizado pela ABRAJI. Ele guarda informações de pessoas investigadas e acusadas de cometer crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, tráfico de drogas, entre outros. São disponibilizados os nomes, e por vezes contato, de suspeitos, juízes, advogados e delegados envolvidos. O acesso ao site é restrito aos sócios da ABRAJI.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h28
Um dos meus trainees fez a seguinte pergunta hoje:
O fato de uma pauta já ter sido publicada por outro veículo inviabiliza totalmente a publicação da matéria na Folha? Por exemplo, se o JT der uma matéria sobre radares, a Folha perdeu a oportunidade de publicar também?
A resposta pode até ser óbvia, mas às vezes acho que não publicar é um pouco de vaidade demasiada.
Afinal, o leitor da Folha acompanha o JT? Provavelmente, não. Ele vai continuar achando interessante o assunto dos radares, mesmo que ele tenha sido noticiado em outro veículo.
Às vezes penso que essa coisa de "só nós demos", "só nós temos que dar", "que losers, a Folha está dando uma matéria igualzinha à nossa hoje" etc. é meio corporativista/narcisista, e esquece o interesse do público.
O que vocês acham? Como é no jornal de vocês?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h00
O repórter/editor/produtor de web (essas fronteiras vão ficando mais borradas) Paulo Fehlauer mostrou na lista da Abraji um trabalho multimídia e de fonte aberta que fez com André Deak para a Revista Fórum.
"Crônica de uma catástrofe ambiental" - http://www.revistaforum.com.br/casoservatis/ - é um site-reportagem multimídia que investiga a trágica história de um acidente ambiental ocorrido no estado do RJ no final de 2008.
O site, baseado em Wordpress, traz textos, fotos, áudios, vídeos e um mapa interativo, formatos que se entrecruzam nas diversas peças que compõem o quebra-cabeças.
Além do lado "multimídia", o trabalho se aproxima do conceito de Jornalismo Open Source ao disponibilizar, quase na íntegra, todo o material que o compõe. O conteúdo está disponível para download, remixagem e republicação, sob licença Creative Commons. Acreditamos trazer assim mais transparência ao processo de produção de conteúdo jornalístico.
O making of da reportagem especial está sendo produzido pelo André e publicado em seu blog: http://www.andredeak.com.br/2009/03/21/making-of-cronica-de-uma-catastrofe-ambiental/
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h55
A pergunta é de meu leitor Wallison, de Minas:
Durante um ano fui estagiário do jornal interno de um hospital. Saí e agora estou atualizando (com textos e fotos) o site de um banco (mas sem a mínima chance de ser contratado).
Me interessei pela área e comecei a fazer curso de Webdesign e também já estou me programando para fazer Photoshop, Corel, programação... Enfim, decidi me especializar nessa área.
Gostaria que você falasse um pouco sobre jornalismo digital. Por exemplo, para trabalhar na Folha Online basta ser repórter ou também precisa conhecer as ferramentas de construção de sites (pacote Macromedia, Adobe)?
Eu sei que o mercado está crescendo, mas eu não sei por onde começar... Faço bem em investir nessa área ou é melhor buscar outras coisas?
E a resposta é de minha colega LIVIA MARRA, editora de cidades da Folha Online:
Além de boa formação cultural, o repórter que busca uma vaga em internet deve ter disposição para buscar pautas e levar reportagens com qualidade e de fácil entendimento aos leitores.
Aqui na Folha Online, o redator/repórter não precisa conhecer ferramentas de construção de sites, por exemplo. Os programas para publicação dos textos e atualização das páginas, desenvolvidos pela equipe de tecnologia, são de fácil uso e didáticos.
Por isso, sem a obrigação de ser um expert em informática, o candidato a repórter deve se especializar, se inteirar sobre o assunto que vai cobrir, ler muito (e sobre todos os assuntos) e ser dinâmico (porque precisa escrever rapidamente o que apurou, contextualizar e ainda ficar de olho em outras possíveis pautas --tanto factuais como para especiais). Deixo essas como algumas das principais dicas. Espero ter ajudado.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h22
Meu leitor Willian responde ao Tiago, que está em dúvida sobre largar ou não o banco em que trabalha:
A resposta é: Depende. Digo isso porque neste período da faculdade o máximo que ele vai conseguir é um estágio mal remunerado e com um monte de gente o encarando como rival, pelo fato de ainda não ter se formado. [Muitos profissionais encaram os estagiários como mão de obra barata e começam a persegui-los, pelo fato de acreditarem que os patrões deveriam abrir menos vagas de estágio e contratarem mais profissionais].
Por este motivo as empresas costumam relegar aos estagiários tarefas que não têm muito a ver com o trabalho do jornalista, então é bem capaz da pessoa não aprender nada, mesmo que fique um bom tempo na empresa. É comum ver o estagiário servido de boy, pegando café, comprando coisas, fazendo ou recebendo telefonemas, carregando fitas, ou fazendo pesquisa em banco de imagens...
Fora que fazer amizades que lhe garantam empregabilidade não é algo muito fácil em uma Redação, já que existe esse preconceito contra os estagiários. Fiz estágio por três anos e neste período foi o que vi. Todo mundo vai tomar café, mas ninguém chama o estagiário, vão almoçar e o estagiário fica de fora. Enfim, há muita coisa que faz o estágio não compensar.
Minha experiência foi em grandes empresas e não vou dizer que saí sem aprender nada ou que não consegui amigos, mas foi complicado. Hoje acredito que o melhor lugar para começar [mesmo para quem acabou de se formar] é em jornais do interior ou mesmo na Grande São Paulo, e mesmo assim é difícil.
Segue abaixo as algumas dicas para quem não possui experiência e pretende entrar no mercado.
- Defina seus objetivos, em qual área você pretende trabalhar.
- A rede relacionamentos e a credibilidade começam na faculdade.
- Mesmo antes de fazer estágio, dedique algum tempo à produção de textos.
- Jornais e revistas de pequeno e médio porte geralmente precisam de gente e dão oportunidades para o estagiário escrever.
- Tente conversar com os professores e com outras pessoas que passaram pelo lugar onde você pretende estagiar, pois, alguns lugares abusam do estagiário e isso atrapalha nos estudos.
- Para chegar à grande mídia procure se adaptar ao currículo que eles pedem fazendo cursos, uma futura pós-graduação, e estudando bastante.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h26
Meu prof Marcelo Soares havia escrito sobre isso outro dia (aqui) e hoje fiquei sabendo deste projeto do instituto Knight.
Atenção, povo que ama informática: eles têm bolsas para estudo de um ano no Idea Lab!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h53
Bolsas para estudar na Espanha
A Rede Internacional de Jornalistas (IJNet) anuncia um programa de bolsas de estudo da Fundación Carolina, destinado a jornalistas, comunicadores e estudantes da América Latina para o ano acadêmico de 2009-2010.
Mais informações no www.fundacioncarolina.es.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h35
Minha leitora Juliana cobre Judiciário e pediu indicações de livros que ajudem a entender o jargão. Minha colega CRIS MORENO DE CASTRO pesquisou estas dicas:
Tem um livreto que pode ser bastante útil, feito pela (Associação dos Magistrados Brasileiros).
Pode ler pela internet: http://www.amb.com.br/portal/juridiques/livro.pdf (atenção para páginas 45 a 58).
A campanha da AMB contra o juridiquês: http://www.amb.com.br/?secao=campanha_juridiques&
Um blog que ajuda muito, porque pega casos concretos de notícias sobre crime e judiciário e as corrige/comenta: http://paraentenderdireito.blogspot.com/ (do Gustavo Romano, que faz o treinamento jurídico da Folha).
Blog bom como exemplo, por cobrir judiciário: http://blogdofred.folha.blog.uol.com.br/
E mais duas dicas de meu leitor Thiago:
O Tribunal Regional Federal da 3a. Região (SP/MS) editou o livro "Direito para Jornalistas", e o disponibilizou no site. Só é meio chatinho que tem que baixar capítulo por capítulo em PDF http://www.trf3.gov.br/manualacom/index.htm
O Ministério Público do Paraná edita as "Pílulas de Direito para Jornalistas", uma pequena newsletter semanal esclarecendo o uso correto de vários termos jurídicos. É só se cadastrar e você recebe no seu email. E ainda tem todas as edições anteriores disponíveis para consulta
http://www.mp.pr.gov.br/imprensa/pilulas.html
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h15
Gráfico muito legal descoberto por minha colega NATALIA PAIVA mostra os diferentes critérios de sindicatos e da polícia para estimar participantes de passeatas ou outras aglomerações (aqui).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h02
Ontem os trainees participaram de uma conversa com a repórter Ana Alana e o fotojornalista Steven Salisbury, que estão no Brasil para seminários sobre cobertura de violência --em SP e no Rio.
Os dois --Ana e Steven-- já cobriram vários conflitos, em diversos países. Abaixo, os trainees dividem com os leitores do blog o que aprenderam na conversa:
Uma coisa interessante dita durante o seminário foi o fato de que, em países muito violentos, como Brasil e Colômbia, os jornalistas que cobrem crime têm de ser mais experientes. É o oposto do que acontece nos EUA, onde a cobertura policial em jornais locais serve de laboratório para muitos jornalistas iniciantes.
Nem a polícia nem os criminosos entendem que o jornalista 'está apenas fazendo seu trabalho'. Credencial de imprensa não é colete à prova de balas.
Não é preciso necessariamente entrevistar criminosos. Pode haver boas fontes e informações conversando com a comunidade em geral
Você sempre tem que conhecer ao máximo o território onde está pisando, com quem está lidando, o que já aconteceu a jornalistas que entraram ali antes.
Quando você entra em um território em que as regras são outras, é melhor que você as conheça, pois as pessoas estarão esperando que você aja de acordo com elas.- Um ponto fraco da cobertura de violência é que os problemas são mostrados, mas não mostramos os responsáveis por eles ou como poderiam ser resolvidos.
Quando você é repórter e está cobrindo crime, não pode ter fontes particulares. Alguém _ que pode ser seu editor ou um repórter em quem você confia_ precisa saber com quem você está conversando para fazer aquela investigação, os contatos dessa pessoa e saber quais são seus planos para a semana. Isso é uma forma de prevenção: se você desaparecer ao sair para encontrar uma fonte, as chances de ser encontrado aumentam consideravelmente.
Na hora de escrever a matéria investigativa, o ideal é que você tenha contato com os fechadores para saber como vai ficar a matéria final (título e textos). Se for impossível acompanhar o fechamento, você deve deixar claro, no texto, as partes que não devem ser alteradas. Nunca esqueça que o assunto é delicado e que pequenas mudanças podem alterar o significado do contexto. E, no fim das contas, é seu nome que aparece na matéria.
- As chamadas feitas pelos editores costumam ser um dos principais motivos de reclamação das fontes, normalmente por simplificarem e até alterarem o sentido da notícia. O alerta faz sentido, porque no caso de bandidos, uma mudança de sentido pode ser fatal para quem assinou a matéria.
Os criminosos são parecidos nos diferentes países. Nas palavras da Ana, "eles aprendem com os criminosos de outros países". Ou seja, vale a pena procurar informações sobre como as máfias e organizações operam nos diferentes lugares.IN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 0px }
Não se deve usar joias quando se entrevista pessoas ligadas ao crime
O melhor é escolher um local aberto com bastantes pessoas por perto quando for entrevistar criminosos.
Embaixadas são uma boa fonte quando vamos cobrir crimes em um país estrangeiro. Descobrir a embaixada mais influente em determinado local é uma forma de conseguir contatos, informações, números e também proteção.
o repórter deve ter em mente tudo o que ele ou o veículo para o qual trabalha já escreveram de desfavorável em relação ao entrevistado (e estar ciente das possíveis consequências disso na hora do encontro);
não deixar o entrevistado paranoico (para isso, evitar usar o celular no meio do papo ou ao final da entrevista. Pode ser um telefonema para seus editores, mas o sujeito pode achar que você está ligando para a polícia, revelando o paradeiro dele etc.).
Não se contentar com uma negativa oficial para ter acesso a uma organização. Mesmo no caso do Exército, é possível usar a hierarquia para repetir o pedido para outros níveis e até mesmo se aproveitar de eventuais divergências entre soldados e oficiais para obter informações internas.P { MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 0px }
"Vá atrás do dinheiro." Achei muito interessante essa recomendação/provocação da Ana Arana, porque nos faz pensar no poder econômico que têm as organizações criminosas, e de onde vem o dinheiro, afinal, que move várias das coisas que fazem parte do nosso cotidiano e sobre as quais nem nos damos conta. Também traz à tona que o crime não é só morte, é dinheiro - como ela mesma falou.
Entender o macro para ir ao micro. Me chamou a atenção a necessidade de contextualizar/situar o crime na sociedade. Isso pode elucidar vários pontos importantes a serem abordados pelo jornalista.
Confie nos seus instintos em situações de risco: para Ana, os criminosos seguem a lógica de "cheiro e estômago", portanto não podemos transparecer medo (o criminoso sente o cheiro) nem arriscar uma cobertura quando algo em você diz que alguma coisa está errada.
Meu leitor Mário lembra: é bom também sempre pensar nas consequências da matéria para personagens da notícia.
Testemunhas, por exemplo, se expostas desnecessariamente, podem correr risco. Vale o mesmo para vítimas entrevistadas.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h29
Crise e jornalismo
Vinicius Torres Freire fala sobre a crise econômica amanhã de manhã na Fiam da Liberdade.
A aula é aberta, só é preciso se inscrever: veja aqui.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h22

E por falar em exercício de entrevista (veja minha proposta ali embaixo), aproveite o domingão e siga a dica de minha colega NATÁLIA PAIVA:
"Frost/Nixon" é uma superaula de entrevista. O filme é de Ron Howard (mesmo de "Mente Brilhante"), sobre a entrevista de 1977 do Richard Nixon, na qual ele admite os "erros" da sua administração _dentre eles, o acobertamento de Watergate.
Como o entrevistador era um apresentador de talk show, o britânico David Frost, que trazia a seu programa de Bee Gees a coelhinhas da Playboy, a "luta de box" entre Frost e Nixon fica ainda mais curiosa. Quer dizer, não foi um "jornalista político" convencional quem conseguiu a tão desejada confissão de Nixon.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h42
Diretores de jornais brasileiros participam no próximo dia 30, das 9h às 12h, na Fundação Getúlio Vargas, do seminário “O jornal de amanhã”. O objetivo do encontro é debater o futuro do jornalismo impresso diante do avanço dos meios eletrônicos de disseminação de informações.
A mesa será formada por Ricardo Gandour (diretor de Conteúdo do Grupo Estado), Rodolfo Fernandes (diretor de Redação de O Globo), Alexandre Freeland (diretor de Redação de O Dia) e o cientista político e sociólogo Fernando Lattman-Weltman (CPDOC). A mediação será do jornalista Fernando Molica (colunista de O Dia e coordenador do MBA em Jornalismo Investigativo e Realidade Brasileira da FGV).
O seminário é promovido pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas e será realizado no auditório do 5º andar da sede da FGV, na Praia de Botafogo, 190.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail: maria.toledo@fgv.br
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h09
Dois exercícios para fazer com os trainees
1. ENTREVISTA
Não é toda hora que se tem a chance de entrevistar o presidente do Supremo, certo?
E ele vai estar numa "entrevista aberta", na sabatina da Folha, nesta terça (veja aqui).
Dá para fazer dois tipos de exercício num evento como este (e é o que os trainees vão fazer):
- estudar as perguntas feitas pelos entrevistadores: como elas são feitas? em que ordem? com que objetivo? como eles reagem à reação do entrevistado?
- qual é o lide da entrevista? (ou seja, se tivessem que escrever um texto sobre o evento, o que seria o destaque?) --depois dá para comparar com o que for publicado no dia seguinte no jornal.
(no cinema, também, uma
aula de entrevista)
2. MATEMÁTICA
Pergunta lançada no twitter por @tmeller, que desafiou: "Quero ver os trainees da @anaestela resolverem esta".
Um carro americano anda 25 milhas com um galão de gasolina. Um carro brasileiro anda 13 km com 1 litro. Quem gasta mais pra andar 200 km?
1 galão = 3,78 L // 1 milha = 1609 m // US$ 1 = R$ 2,30 // 1 galão nos EUA = US$ 2 // 1 litro aqui = R$ 2,60
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h02
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