Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Universidade BBC

Dica da minha leitora Patrícia: a BBC vai abrir em breve sua universidade virtual. Eu visitei a emissora no ano passado e vi os programas de treinamento (on-line e ao vivo) que eles têm. É de matar de inveja:
Milhares de páginas com dicas de capacitação, vídeos e guias sobre quase todos os aspectos do jornalismo -- desde técnicas de entrevista à reportagem de campo e comentário esportivo -– que anteriormente estavam disponíveis apenas para os 7.500 empregados da BBC estarão agora abertas ao público, escreve em seu blog Darren Waters, da BBC.

A Faculdade Virtual da BBC -- uma rede de pequenos sites que conversam entre si, trocando informações e dicas sobre jornalismo -– será colocada à disposição do público em algumas semanas. A instituição virtual já possui endereço no Facebook, Twitter e no Ning, diz Waters. (O Ning é uma plataforma de criação e gestão de redes sociais.)

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h31

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Um passo além da excomunhão

Num caso cheio de drama como esse da menininha pernambucana, é bom quando os jornais vão além do factual ou declaratório e tentam explicar por que decisões que parecem tão incompreensíveis foram tomadas (e como poderiam ser evitadas).

É o que faz o Estadão de hoje, nesta reportagem de José Maria Mayrink.

Todo o resto que saiu sobre o assunto --falatório do Lula incluído-- eu já tinha ouvido desde a manhã de ontem no rádio. Mas esse texto eu li do começo ao fim e entendi melhor a questão.

Pra lembrar a máxima que copiei aqui outro dia:

It´s time to stop breaking the news and start fixing it (*)

Ou talvez, para não ser tão radical:

It´s time to start fixing the news instead of only breaking it

(*) o slogan faz um trocadilho com a expressão "breaking news", que significa "notícia quente", que acabou de acontecer, mas que literalmente pode ser traduzido por "quebrar as notícias". Na tradução literal, a frase seria "Está na hora de parar de quebrar as notícias e começar a consertá-las", mas a leitura livre ficaria mais parecida com algo como "Está na hora de deixar de lado o factual e começar a dar mais sentido às notícias"


ADENDO: o professor de direito da Folha analisa o caso em seu blog do ponto de vista jurídico

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h16

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Garoto no reino das cobras

Meu leitor Bruno escreve:

Gostei muito do post "16 dicas para achar pautas de política". Sei que a editoria está longe de ser o melhor lugar pra alguém que tá começando, mas essas coisas acontecem. Eu também passei por isso há mais ou menos 6 meses.

Perguntei muito, me apoiei nos meus colegas que já cobrem Brasília há anos e não tive vergonha de ser um editor de texto tão jovem no meio deles. A inexperiência não pode ser barreira pra alguém pelo menos tentar.

Se o blog pudesse aprofundar mais o assunto, seria legal. Será que algum repórter da Folha que está em Brasília não se interessaria em contar a experiência dele até chegar lá? Seria interessante, principalmente se fosse um repórter jovem.

Bruno, vou mandar seu pedido pra eles. Obrigada pela sugestão.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h54

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Conversar e convergir

RODRIGO VIZEU resume para os leitores do blog a primeira aula de "convergência":

COMO ERA

COMO FICOU

Imagens do Webmanario

por RODRIGO VIZEU

O professor universitário ALEC DUARTE, que também é editor-assistente de Esporte da Folha, falou sobre como as mudanças no jornalismo impõem hoje uma maior participação dos leitores na produção de notícias, principalmente na internet.

Segundo o professor Jay Rosen, da New York University, um dos principais estudiosos do assunto, o antigo público é hoje uma "ex-plateia" e cada cidadão tem uma imprensa pessoal.

Alec mostrou que essa voz ao público pode ser dada de várias maneiras: com ou sem mediação do veículo de comunicação, com ou sem alterações de profissionais no produto original dos "amadores" e no mesmo espaço ou em área separada dos sites.

Para ele, a maioria dos veículos brasileiros tem errado na abertura de espaço ao leitor/espectador/internauta, seguindo quase sempre um modelo de conteúdo moderado e segregado.

A informação das pessoas comuns fica assim em partes separadas dos sites, muitas vezes abandonada e sem o devido cuidado de edição dos jornalistas.

O presente também exige a convergência entre os vários modos de fazer jornalismo, que a cada dia amplia as possibilidades de informar as pessoas: texto (impresso ou internet), vídeo, áudio, celular. Mas é preciso pensar em conteúdo realmente multimídia, alerta Alec. "Convergência não é botar o cara do online ao lado do cara do jornal. Isso é, no máximo, integração". É preciso ir além de liberar para o site os textos e fotos que não couberam na edição impressa do jornal.

Para ajudar a achar um caminho, Alec sugere uma olhada em algumas experiências mais ou menos recentes na internet:

  1.  OhmyNews: começou na Coreia do Sul e ganhou fama mundial com o conceito de "repórter-cidadão"; http://english.ohmynews.com/
  2.  Spot.us: sugere pautas e pede doações dos internautas para fazer as matérias; http://www.spot.us/
  3. Newsgaming: a partir de fatos recentes, cria jogos bem-humorados para o leitor. Exemplo: jogue o sapato no Bush; http://bushbash.flashgressive.de/
  4. Twitter do BreakingNewsOn: noticiário que começou em microblog e só agora terá site tradicional; http://twitter.com/BreakingNewsOn
  5. Twitter do Chicago Sun-Times: comunica-se com o leitor e foge de só reproduzir o que já publica o site; http://twitter.com/suntimes
  6. Twitter da Cruz Vermelha americana: dicas e informação sobre desastres. http://twitter.com/redcross

Em meio às novidades, Alec Duarte aponta três regras a serem seguidas:

  1. - Todos os princípios do bom jornalismo estão mantidos e preservados
  2. - Dialogar com seu público (leitor, espectador, ouvinte, internauta, todos eles etc.)
  3. - Pensar em como contar uma história em várias dimensões/plataformas.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h31

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Para saber antes dos outros

Quem conta é meu colega MARCELO PLIGER:

Ana, você conhece o Twitterfall?

É um aplicativo que acompanha ao vivo todos as mensagens que vão sendo publicados no Twitter sobre um determinado assunto que você escolhe. A parte jornalística foi que quando caiu o avião na Holanda na outra semana, a redação do Telegraph colocou o Twitterfall no telão. Consta que as primeiras notícias e fotos sobre o acidente apareceram no Twitter e depois na CNN.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h28

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Exercício: monte uma pauta passo a passo

 
 

Exercício: monte uma pauta passo a passo

Quem quiser pode fazer ao mesmo tempo que os trainees um exercício que eles começaram ontem.

A idéia é produzir uma pauta de serviço (que seja útil ao leitor, dê informação prática e/ou explique como fazer algo).

Vamos começar com esse tipo de pauta porque é mais fácil entender qual o objetivo dela, a justificativa para executá-la. Assim fica mais fácil manter o foco.

Até agora, eles já seguiram estes passos:

1) pensar na pauta: para isso, partiram no noticiário dos últimos dias. Pauta de serviço nem sempre precisa de gancho, mas se tiver tem mais chances de emplacar.  Um exemplo de pauta de serviço com gancho é aquele das piscinas que dei neste post.

2) pesquisar: tendo uma ideia, o segundo passo é ver se já não foi publicado nada do tipo (pelo menos recentemente). Se foi, precisamos achar um enfoque novo. Se a proposta é original, passamos ao passo 3

3) redigir a sugestão: com título e uma proposta bem curta, como a que sugeri neste post.

4) exercício de convergência: hoje os trainees tiveram uma aula de multimídia: várias outras maneiras de contar histórias além da conhecida texto/foto/arte, com meu prof ALEC DUARTE (na semana que vem, vamos repartir com vocês a aula. Amanhã, já publico um resuminho que meu trainee RODRIGO VIZEU prometeu fazer).

Depois da aula, eles voltaram à sugestão de pauta que tinham feito e pensaram em formas diferentes de tratar do assunto. Façam isso vocês também.

Algums exemplos de outras plataformas:

  • celular
  • vídeo
  • som
  • microblog
  • blog
  • fórum
  • enquete
  • joguinhos
  • bate-papo com entrevistado
  • etc. etc. --sejam criativos e ousados!!!!!!!!!! 
  • Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h44

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    O AMOR E O PODER

    Meu professor misterioso envia um adendo para minhas dicas ao repórter paraquedista (aqui).

    Diz ele:

    Faltou um quê de "princípios", algo que possa ajudá-los a focar o trabalho e a evitar linhas ingênuas de apuração e desperdício de energias (como as comissões temáticas do Congresso, estéreis há pelo menos duas legislaturas):

    1) Identifique quem manda;
    2) Descubra quem demanda quem manda; 
    3) Acompanhe as decisões e atos de quem manda e, se possível, tente antecipá-los;
    4) Ligue os pontos entre 1, 2 e 3.
    5) Lembre-se de que todos têm interesses;
    6) Seja humilde/independente para ouvi-los todos _e para desconfiar de todos;
    7) Invista no interesse contrariado.

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h09

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    Qual é a do manual de redação

    Embora muito jornalista seja doido, é bobagem grossa ficar repetindo que o manual é uma camisa-de-força.

    Só quem nunca leu a atual versão do manual da Folha pode acreditar nisso.

    Bem por outro lado, o que ele pede é que haja mais inteligência, mais nexos, mais graça no nosso trabalho cotidiano.

    Quer dizer que vale tudo? Não, claro que não. Há regras tanto de conduta quanto de padronização. Regras claras e por escrito. O que é bom, porque qualquer pessoa que trabalha na Folha sabe exatamente o que deve ou não deve fazer (ou deveria).

    Honestamente, prefiro trabalhar num jornal com manual. Você sabe qual é o "contrato" e ninguém pode te obrigar a fazer nada diferente disso. O manual não "trabalha contra" o jornalista. Trabalha a favor.

    Essa foi a conversa que a gente teve ontem à tarde aqui no treinamento.

     


    TRABALHA NUM JORNAL SEM MANUAL E SEM PROJETO EDITORIAL?

    Mesmo assim, deve haver regras informais. Tente descobrir quais são. Converse com seu editor sobre isso. Descubra, entre outras coisas:

    • • Há uma linha política estabelecida?
    •  • Ele apóia algum partido ou político?
    •  • Há algum assunto que não pode ser abordado sem consulta à direção?
    •  • Qual a liberdade do jornalista para fazer críticas?
    •  • Como são tratadas empresas?
    •  • Há diferença se elas forem anunciantes?
    •  • Quem é o público principal de seu veículo?
    •  • Que assuntos são prioritários?
    •  • Quais as principais preocupações em relação à linguagem adotada?

    Leia aqui o projeto editorial da Folha

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h30

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    A 47ª turma

    Apresento a vocês os garotos que estão fazendo o 47º programa de treinamento.

    Por enquanto eles andam quietinhos, mas logo, logo começarão a escrever aqui também --e, já que pretendemos ser multimídia, a publicar vídeos, áudio, fazer animações, sugerir enquetes e assim por diante.

    Pra começar, uma foto deles todos na conversa que tivemos ontem à tarde sobre o manual de redação da Folha (conto mais depois). Na sequência, um por um em ordem alfabética.

     

    André Monteiro, 22, de Campinas, fez três anos de Sociais na Unicamp e se formou em jornalismo pela Facamp 

     

     Anna Carolina Cardoso, 25, de Arrozal (RJ), formada em jornalismo pela UFF, fez especialização em segurança pública na UFF [

     Danilo Bandeira, 21, santista, formado em relações internacionais pela USP:
     

     Estelita Hass Carazzai, 22, de Curitiba, formada em jornalismo na Universidade Positivo (PR):

    Flavia Martin, 22, carioca, formada em jornalismo pela UFRJ

     

     João Paulo Gondim, 26, carioca, cursou um ano de cinema na UFF e um ano de história na Uerj, fez dois anos de direito na UniRio e se forma em jornalismo na UFF este ano. Foi campeão este ano: não pelo Flamengo, claro, mas pelo Salgueiro, do qual já foi diretor

     José Orenstein de Almeida, 21, carioca (mas paulistano desde os sete anos), é formado em relações internacionais pela PUC, estuda história na USP e é craque no futebol (também adora música erudita)

     Luiza Bandeira, 22, carioca, fez um ano de direito na Uerj e se formou em jornalismo pela UFRJ

     
     Pedro Andrada, 22, paulistano, cursa Ciências Sociais na USP

     Rodrigo Russo, 22, paulistano, formado em direito pela USP, cursa jornalismo na Cásper : 

     Rodrigo Vizeu, 23, de Belém, fez um ano de audiovisual na UnB, depois se formou em jornalismo na mesma escola. Adora "Friends" e quer abrir uma peixaria na praia depois de enfartar no jornalismo

    Vitor Moreno, 28, de Fortaleza, formado em jornalismo pela UFC, fez especialização em TV na Universidade Rey Juan Carlos, em Madri:

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h11

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    Humor no twitter e na foto

    O tweet @avisodepauta recolhe bizarrices dos releases que recebemos todos os dias.

    E esta foto muito fofa quem viu foi o IAGO BOLIVAR:

    (Do Frankfurter Allgemeine)

    Post mais recente sobre humor no jornalismo

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h00

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    14 (+ 3) dicas para achar pautas de política

    Dias atrás, um leitor --repórter novo-- perguntava como achar pautas de política (veja aqui).

    Pra começar eu diria: cobrir política não é para iniciantes.

    É uma área que exige fundamentalmente:

    • experiência
    • malícia
    • conhecimento das fontes
    • conhecimento da administração pública

    Por isso, raramente (para não dizer nunca, já que seu caso me desmentiria) se coloca um iniciante nessa função.

    Não é justo exigir de um repórter iniciante que faça uma boa cobertura política, já que ele não tem praticamente nenhuma daquelas quatro ferramentas acima.

    Dito isso, acho que temos que pensar na sua situação real, e não no mundo ideal.

    Que tipo de "pauta de política" você procura?

    Na Folha, há tipos diferentes:

    • as que mostram os conflitos internos num partido, com vistas a eleições futuras ou mesmo a disputas de poder
    • as que mostram negociações entre partidos para formar blocos nas câmaras de vereadores ou para participar de governos
    • as que acompanham criticamente os trabalhos legislativos (no seu caso, na Câmara), encontram os projetos prioritários em votação, mostram os conchavos para aprová-lo ou sabotá-lo, acompanham comissões parlamentares de inquérito em andamento etc.
    • as que acompanham criticamente os trabalhos do Executivo (prefeitura e suas secretarias), apontando casos de corrupção, mostrando medidas e decretos que afetam a vida das pessoas etc.
    • as que acompanham criticamente o Judiciário, idem ibidem.
    • as que acompanham criticamente a sociedade civil (associações, formadores de opinião, ONGs, mídia)
    • as que acompanham os conflitos e conchavos entre esses agentes todos

     

    Algumas formas de descobrir essas pautas são:

    1) acompanhar o diário oficial do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, para encontrar decisões que afetem os políticos ou os governos daquela cidade

     

    Diz minha leitora Edlayne, de Coronel Fabriciano/MG: "sempre acompanhar os editais e anuncios públicos nos jornais ou imprensa oficial. Fazer comparações de dados, como por exemplo de orçamento ou da quantidade de dinheiro que são destinadas as entidades. Manter aberta relações com o juiz da vara de fazenda pública e perguntar de vez em qdo quais são as ações que envolvem o poder público. O resto é tempo. Ao longo dele, as fontes vão sentir confiança em vc".

    2. marcar conversas com os presidentes dos partidos na sua cidade ou sua região, para começar a ficar conhecido e para começar a entender como eles funcionam.

    Você terá que ser claro: "Fui recém-deslocado para a cobertura de política daqui e, por isso, gostaria de me apresentar e fazer um contato inicial com Fulano".

    Não se trata de uma entrevista, apenas de um contato. Se o político em si não puder, marque um café com o assessor.

    O importante é fazer contatos. Pode ser que seja difícil no começo, mas você deve insistir.

    Pense sempre que está atuando no interesse do seu leitor, ou seja, você não deve nada para eles nem para os assessores. Ao contrário, eles é que devem à opinião pública, a serviço da qual você trabalha.

    Obviamente não é pra dizer isso pra eles nem "exigir" que eles falem com você. Esse pensamento serve para que a gente não caia num erro comum, que é o de achar que as fontes fazem "um favor" ao falar com a gente.

    Diz meu leitor João Eduardo, de Brasília: "Fico com a sugestão fazer contato com pessoas bem informadas para bater um papo e saber como funcionam as coisas. Outro ponto que acho importante é pesquisar os projetos do Legislativo no site da Assembléia. Será que não há algum sobre aumento dos deputados ou algum do interesse da população que está há muito tempo sem ser votado? Se o orçamento ou os gastos do Executivo ou Legislativo estão disponíveis na internet também é uma boa dar uma pesquisada. Por fim é ler os cadernos de política para saber o perfil dos ocupantes do poder".

    E a Melissa, de Canoas, adverte: "Cuidado com os assessores dos políticos - acontece de tentarem te usar para prejudicar outro".

    3. marcar conversas com cada um dos vereadores da sua cidade, na mesma linha do descrito acima. Se o político não topar, marque com o assessor (e leia a ressalva da Melissa ali em cima)

    4. idem para o prefeito e os secretários

    5. nos três casos acima, você está só fazendo contatos. Mas, se já tiver um bom tema para uma entrevista – por exemplo, com alguém que já se sabe que tem pretensões eleitorais em 2010, ou com alguém que está em conflito com outro –, você pode ou pedir uma entrevista direto, ou, durante a conversa de apresentação, sugerir uma entrevista sobre o tema num futuro próximo

    6. marcar conversas com órgãos que fiscalizam os Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo – promotores, OAB, ongs (sem que esquecer de sempre ouvir o outro lado)

    7. dar uma boa pesquisada no site Excelências, que tem muitos dados sobre muitos políticos (deve haver algum da sua região)

    8. associar-se à Abraji (www.abraji.org.br) e pedir dicas e sugestões para os colegas na lista de discussão da associação. Se há repórteres experientes no seu jornal, cole nelas. Peça ajuda se houver espaço. Se não houver, observe-os.

    Diz meu trainee ANDRÉ MONTEIRO: "Como recém-formado, também não tenho experiência e passei por dificuldade parecida no meu último estágio. Uma coisa que me ajudou a driblar a situação foi "colar" nos jornalistas mais velhos que trabalhavam comigo. Não foi preciso ficar amigo de todos, nem gastar horas conversando. Apenas cada vez que uma matéria chamava minha atenção, eu perguntava como tinha sido feita. Além disso, alguns deles, mais bacanas, me repassaram suas agendas (como forma de agradecimento e companheirismo, sempre repassava para eles os novos telefones que tinha conseguido)".

    9. descobrir quem são os professores das maiores universidades da sua região que possam acompanhar ou analisar a política local. Eles podem dar idéias de pauta, podem ter pesquisas que rendam matéria ou podem ser fontes numa matéria futura, explicando algo ou dando opinião sobre algum fato

    10. dar uma pesquisada pela internet em jornais locais de cidades do mesmo porte que a que você cobre, para ver que tipo de matérias eles andam fazendo (grande parte delas pode ser adaptada para sua cidade)

    11. se seu jornal tiver um arquivo, dar uma pesquisada nas edições de cinco anos atrás (ou seis, ou sete, ou três), para encontrar casos que você possa recuperar agora, ou mesmo para ter idéias de pauta que possam ser atualizadas no momento atual

    12. acompanhar a cobertura dos grandes jornais nacionais (Folha, Oesp e Globo) sempre refletindo sobre se você poderia adaptar a mesma pauta para a realidade local da sua cidade. Isso vale para as mais diferentes pautas. Por exemplo: será que algum político anda fazendo plástica, como a Dilma? Seu prefeito foi à reunião de prefeitos em BSB? Tirou a "foto falsa" com Lula e Dilma? Onde ela está? Enquadrou e pôs no gabinete?

    13. Sugestão do meu leitor Fred, de Ribeirão Preto: "Minha dica é acompanhar as sessões da Câmara, que pode te ajudar de várias formas. 1º)vc aprende a reconhecer os políticos da cidade, de que partido são, quem são seus opositores, quem são seus aliados, que projetos defendem ou rejeitam. 2º)vc se intera do que está e, principalmente, do que não está na pauta dos políticos.. 3º)vc vai aos poucos fazendo contato com os assessores e os próprios políticos, e eles começam a te reconhecer".

    14. Dica do meu prof Marcelo Soares: "Precisa fazer fontes de bastidor. Nao e o meu forte, mas conheco a metodologia. Um amigo meu usa muito - ele caiu meio que de paraquedas na cobertura de um estado cheio de turbulencia politica, sendo ele de um estado bem distante de la. Sua primeira providencia foi fazer amizade com os caras que acompanham a politica de la ha tempos - funcionarios publicos de carreira, advogados bem informados, etc. Sao caras que nao necessariamente serao citados como fontes, muitas vezes sequer querem aparecer, mas que podem indicar o caminho das pedras. Sempre que pode, ele da uma ligada pra eles pra jogar conversa fora. Ele e otimo nisso, e esse transito lhe rendeu belos furos. Bob Woodward tambem comecou assim, se voce for ler o livro "O Homem Secreto".

    daqui para baixo, não são dicas para char pautas, mas conselhos para se preparar melhor

    15. Leia e estude como funcionam os poderes. Dica do meu leitor Bruno, do Rio: "Não tem jeito: a solução é ler muito e estudar muito o assunto para não ser pego de surpresa. Mesmo assim, você sempre se depara com algum detalhe ou mesmo uma história grande com a qual não está familiarizado. Mas faz parte da rotina de quem está começando. Para sugerir pautas, o ideal é sempre questionar tudo o que se lê, fazer pesquisas em bancos de dados para encontrar irregularidades etc. E o principal: crie fontes. Pode parecer difícil, mas é essencial. E você consegue ganhar a confiança dos políticos e funcionários quando mostra que faz um trabalho sério - mesmo quando fala mal deles".

    16. Nunca se esqueça de que você está só começando. Pra reforçar a dica da Melissa: vão tentar te enrolar! Vão tentar usar você! Faça como os peixes e durma de olhos abertos. Leia o blog do Fabiano Angélico, para não se deixar jantar pelos políticos

    17. Lembre-se que todos têm interesses. Sobre isso, leia também este post feito para uma estagiária que iria cobrir eleições

    O que ler sobre política
    12 conselhos para um redator

     


     

    Para focar o trabalho e a evitar linhas ingênuas de apuração e desperdício de energias, leia também as dicas do meu professor misterioso

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h10

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    Tropa de choque contra a notícia

     
     

    Tropa de choque contra a notícia

    Dica da CRIS CASTRO:

    Ana, um artigo no Observatório da Imprensa me chamou a atenção, porque tem muito a ver com aquele post sobre os limites da assessoria de imprensa e as fórmulas que a má assessoria usa para coagir os jornalistas. Foi escrito pelo repórter da Gazeta Mercantil que, em dezembro, deu o furo sobre as 4 mil demissões da Embraer. Segundo ele, foi perseguido depois, de várias formas. Ele tb compartilha como foi sua apuração. Enfim, por várias razões, acho que é uma boa leitura para quem frequenta o Novo em Folha.

     

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h53

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    Alguns exemplos de pauta

    Ontem contei que os trainees fizeram, como exercício, sugestões de pautas baseadas no noticiário quente do dia (é só baixar a tela um pouco que você acha).

    No treinamento, a gente procura sempre que possível discutir as propostas em grupo, para que todo mundo se envolva.

    A idéia não é individualizar os comentários nem expor ninguém. A gente trata das propostas e de como melhorá-las, só isso.

    Vejam alguns exemplos de comentários feitos ontem:

    1. o título tem que mostrar a novidade da pauta - o ideal é que seja o título que a matéria terá quando estiver pronta

    Vejam alguns casos em que isso não acontece:

    editoria: Brasil
    título: Fazenda de Dantas é alvo de invasões do MST
    A fazenda Cedro, pertencente à Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, ligada ao Grupo Opportunity, de Daniel Dantas, foi invadida por famílias do MST. As declarações do presidente do STF Gilmar Mendes criticando a forma de ação do movimento atraíram ainda mais atenção para a questão dos conflitos no campo, e levantaram a polêmica da relação entre o MST e o governo, e de Mendes e Dantas. A ideia é ir até a fazenda e traçar o perfil da família de um sem-terra, perguntando se ele conhece Dantas, Mendes, Genro etc.

    (**) veja mais observações sobre essa pauta no adendo, no pé do post

    A invasão na fazenda já é conhecida, certo? O título mais adequado, então, seria algo como "Invasores ignoram quem é Dantas e Gilmar Mendes" (não quer dizer que eu ache que a pauta é oportuna ou viável. Estou discutindo nesse momento só a apresentação dela).

    Título: Moradores e comerciantes contestam desapropriação para obras do metrô
    Editoria: Cotidiano
    Moradores e comerciantes da região da linha 5 do metrô foram surpreendidos pelo anúncio de desapropriação de 114 imóveis na região. A associação de moradores de Campo Belo diz que o bairro vai ser destruído. Vamos checar se há pontos turísticos, históricos, escolas ou áreas de lazer no trajeto e ouvir a opinião de moradores antigos que terão que deixar suas casas.

    A matéria ontem já dizia que os moradores contestavam. A sugestão, se comprovada, teria um título do tipo "Escola mais antiga do bairro vai desaparecer". Mas notem que a proposta é ainda uma pré-pauta. Só vira pauta depois de apuração prévia. É por isso que às vezes a gente fica na dúvida sobre que título dar.

     2. em vez de discutir temas, procure contar casos específicos - muita gente no começo tem impulsos de sugerir discussões de temas amplos. Num jornal diário, casos concretos são prioridade. As discussões de fundo entram, claro, mas como contexto ou análise do fato concreto.

    Por exemplo, uma das sugestões era:

    Editoria: Cotidiano
    Título: Violência põe em xeque universidade como espaço supralegal.
    Pauta: Recentes casos de violência – como trotes, estupros, assaltos e roubos - nas universidades paulistas acendem o debate sobre a universidade como um espaço no limbo do Estado de Direito. Retrataríamos as divisões das demandas dos alunos sobre medidas de segurança nos campi. (enquanto alunos da USP rejeitam a idéia de câmeras e maior controle de entrada e saída, alunos da faculdade Oswaldo Cruz defendem tais soluções).

     O tema é relevante, claro, mas geral demais.

    Poderia ser um artigo, mas dificilmente viraria uma reportagem.

    Na nossa conversa, descobrimos que há casos recentes de estupro em grandes universidades públicas. Se tivermos como documentar isso, teremos uma pauta, cujo título seria "Universidade XYZ teve 5 casos de estupro neste semestre". E, ao contar as histórias, tocaríamos na discussão do espaço da universidade e da atuação da polícia dentro dele.

     


     

    ADENDO EM 4/3: meu leitor Mario faz observações bem pertinentes sobre a proposta que envolve os sem-terra.

    Aqui no blog, eu estava usando o exemplo mais para acertar a mira do qual é, de verdade, nossa sugestão de pauta. Ou seja, a ideia deles tinha sido uma, mas no título eles falavam de outra coisa.

    Como é uma hipótese, o título também é hipotético, mas já revela que a história só viraria notícia se eles ignorassem os personagens famosos dessa história da qual eles também são atores.

    O Mario tem razão quando pergunta: "se os sem-terra ignorarem mesmo quem são Dantas e Mendes, isso não seria fazer o jogo desses personagens"?

    É uma boa questão, que precisa ser sempre feita --e mais ainda em pautas de política: a quem interessa isso? E quem sai perdendo?

    O fato de interessar a uns e prejudicar outros não impede uma reportagem de ser feita ou publicada, mas refletir sobre isso é fundamental.

    Mas repito: o exemplo foi usado ali em cima mais para explicar como afinar nossas propostas. Não quer dizer que ela seja viável nem oportuna. Até porque muito dificilmente um editor mandaria um repórter até o sul do Pará para isso.


    A CRISE E AS PAUTAS

    Já que o assunto é pauta, vale ler este post do Desculpe a Poeira --sobre como a crise mudou o assunto nas revistas de gastronomia

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h53

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    Duas capas diferentes

    Meu leitor Murilo ficou intrigado:

    Ana, hoje eu não entendi. Comecei aquele seu programa para "começar a ler jornal" em meia hora.

    Ok. Peguei a Folha lá na minha faculdade (Cásper Líbero), li todas as matérias da capa. Beleza.

    No caminho para casa (a pé) vim tentando relembrar as chamadas e percebi que havia esquecido algumas. Em uma banca que ficava no caminho fui dar uma olhada e vi que as capas eram diferentes (surgiu uma nova: "Por 5 a 2, TSE cassa mandato de Jackson Lago...".

    Por um motivo que não se explica eu havia olhado o horário de fechamento do jornal (no que li na faculdade) e era algo antes da meia-noite. O do jornal da banca era à 1h58.

    Logo concluí (ó que conclusão fantástica) que houve dois fechamentos. Isso é normal? O que aconteceu?

    Aconteceu o seguinte: a Folha tem dois horários de fechamento (os chamados deadlines) --o da edição nacional, às 20h30, e o da edição SP/Brasília, às 23h30.

    Nesses horários, a gente manda pra gráfica o jornal todo, e eles começam a imprimir as cópias. Mas, se depois do deadline, acontece algo relevante, podemos fazer trocas urgentes.

    Mandamos nova página atualizada para a gráfica, e a partir daí as edições incluirão a nova notícia. Mas as que já estavam impressas continuam seguindo seu destino. Por isso, havia duas capas diferentes.

    Mas é raro. É preciso ter algo relevante pra haver troca numa edição.

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h02

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    Cursos e concurso

     
     

    Curso e concurso

    1. terminam na segunda inscrições para curso (gratuito) de cobertura de desenvolvimento do Instito Ayrton Senna

    2. itaú cultural abriu inscrições para o rumos/jornalismo cultural.

    3. cursos gratuitos on-line do MTI

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h44

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    50 bons amigos é o limite

    Notinha na coluna Toda Mídia, de NELSON DE SÁ:

    O NÚMERO DUNBAR

    Em meio à explosão de sites de relacionamento, depois blogs, agora Twitter, a "Economist" avisa que "o neocórtex é o limite, mesmo on-line". A ideia é que a capacidade de relacionamento social de um ser humano tem teto, um "limite cognitivo teórico": 150 pessoas. É o "número Dunbar", referência ao antropólogo britânico Robin Dunbar, que primeiro apareceu com a estatística, num estudo sobre macacos e tamanho do cérebro. O número exato seria 147,8. Para além daí, sublinha a revista, não se trata de rede de relacionamento, "networking", mas de transmissão, "broadcasting". Em sites dedicados obsessivamente ao tema, chega-se a grupos menores, como o "número Dunbar não-exclusivo" (ilustração acima), observado em games on-line como o World of Warcraft: 50.

    (assinante lê a coluna toda aqui)

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h49

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    lições iniciais de uma caça às pautas

    Algumas coisas que a gente descobriu no exercício da manhã (veja no post logo abaixo):

    1. se a gente não está lendo jornal direito, é muito difícil propor uma pauta, porque não se sabe se é novidade ou se já saiu no jornal
    2. pautas ancoradas em um fato recente sempre têm gancho (já que partem justamente da notícia, que passa a ser o gancho). Um exemplo: se eu propuser fazer uma lista das creches públicas em SP, ninguém vai entender por quê. Já se a idéia for listas as piscinas públicas boas, todo mundo vai saber que é por causa desse calorzinho bom que está fazendo na cidade. Isso é ter gancho.
    3. muita boa idéia que a gente tem é ainda uma pré-pauta. Pode até virar pauta, está no bom caminho, mas ainda exige uma pré-apuração. Por exemplo, temos a idéia de mostrar como está a briga para suceder a AIG como patrocinadora do Manchester, mas ainda é preciso saber se há mesmo uma briga
    4. matérias de serviço derivadas de fato quente quase sempre emplacam como pauta, porque têm gancho e não precisam ver hipóteses comprovadas
    5. notas curtas podem render mais pauta que grandes matérias --porque ali costuma haver histórias malcontadas ou ainda não contadas
    6. dar idéias sem ter medo e palpitar livremente na idéia dos outros é sempre um bom caminho pra encontrar pautas (o velho e bom brainstorm, mas tem que ter liberdade mesmo. Se o chefe acha defeito em qualquer coisinha que a gente fala, é chato e inútil)

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h49

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    Explodindo o treinamento

    Começou ontem a 47ª do programa de treinamento da Folha.

    Este blog foi criado pra explodir  o treinamento --quer dizer, dar mais acesso a ele, ampliar seu alcance. Nem sempre sobra tempo, mas vou tentar registrá-lo mais de perto nesta turma.

    dia 1

    O primeiro dia serve mais pra turma entender como funciona o programa. As linhas mestras são:

    • não há competidores. O curso não premia "melhores" nem faz rankings.
    • portanto, não tenham medo de errar ou perguntar.
    • errar mostra que a) vc tentou, fez algo na prática, não ficou só na ideia; b) vc arriscou
    • quem não erra está perdendo tempo. Ou está fazendo menos do que poderia, ou não se arrisca e, portanto, não evolui
    • o problema não é errar, é repetir sempre o mesmo erro. Erre, mas aprenda algo
    • perguntem sempre. Não há pergunta boba. Ouçam a pergunta dos outros. Ouçam os outros. Ouçam as respostas
    • a turma deve trabalhar em equipe. Todos temos pontos fortes e lacunas. Em grupo, uns aprendem com os outros e todos se ajudam
    • há erros em jornalismo, mas na maior parte das vezes o que existe são julgamentos jornalísticos. Eu acho uma pauta boa; outro editor acha horrenda. O importante é saber quais são os argumentos. Se não te explicarem, pergunte. Se não concordar, retruque.
    • críticas não são pessoais. Na Folha, a crítica é livre, disseminada e incentivada. Ela se dirige ao resultado do trabalho, não à pessoa que o fez. Aprenda com a crítica. Se não concordar, discorde.
    • interesse e envolvimento valem muito --em qualquer profissão, em qualquer área, em qualquer lugar do mundo

    No final da tarde, conversamos um pouco sobre o que é notícia e como ela chega ao jornal (ou seja, que tipo de pautas há):

    • Para um beabá inicial da notícia, leia este post antigo.
    • Para um resumo dos tipos de pauta, leia este. Ele deixa de fora um outro tipo do qual particularmente gosto: pautas de serviço. Para saber mais sobre elas, leia aqui. (este post traz uma descrição mais detalhada das pautas)

    EXERCÍCIO

    Agora pela manhã estamos fazendo dois exercícios muito simples. Qualquer um pode fazer em casa:

    1. refletir sobre em que tipo de pauta se enquadra cada uma das chamadas de primeira página e capas de caderno do jornal (esses "tipos" de pauta, claro, são uma classificação artificial. Na prática, não servem pra nada. Mas pensar neles vai formatando um raciocínio jornalístico sobre os fatos: de onde veio essa informação? Que papel teve o repórter? O que aprender com isso?)
    2. ler o jornal e propor pelo menos três pautas que estejam "ancoradas" num fato quente. Pode ser de comportamento, de serviço, um personagem, uma entrevista etc. Enfim, uma idéia legal de matéria que parta de uma notícia publicada hoje. Por exemplo, com base nessa notícia: Goleiro do Manchester United usa iPod para se dar bem nos pênaltis , você pode pensar numa pauta para Informática sobre os melhores MP4 para assistir futebol, ou noutra sobre os melhores sites para ver gols (com o melhor sistema de busca) --esta pode ser pra Esporte--, ou ainda um levantamento sobre os principais batedores de pênalti dos grandes times, mostranto em que % eles batem para a esquerda ou direita

     


    Não há um formato universal para pautas, mas, no treinamento, vamos tentar fazer assim:

    Editoria:   (é preciso saber para que público você está escrevendo. Um mesmo tema rende um tipo de pauta pra Folhinha e outro para Cotidiano)
    Título: (tente sempre imaginar que título a matéria teria se realmente fosse feita. Se estiver difícil, é porque vc ainda tem só um tema --(Como transformar tema geral em pauta específica)-- ou ainda está na pré-pauta --entenda aqui a diferença e veja aqui como transformar pré-pauta em pauta)
    Pauta: resuma em quatro linhas. Se oeditor quiser saber mais, ele pergunta. Vá direto ao ponto


    FAÇA VOCÊ TAMBÉM

    Tente propor pautas a partir das notícias de hoje. Mais tarde eu conto quais foram as ideias dos trainees.

     

     

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h20

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    Humor no blog de economia

    Trocadilho no nome da nota, em ótimo post ontem do blog do Vinicius, que resume de forma inteligente e superbreve a crise da véspera:

    Dow, desce: O Dow Jones está agora, 14h28, em 6.847 pontos, menor nível desde 1997, pouco depois de Alan Greenspan dizer que os mercados financeiros viviam a “exuberância irracional”, três anos antes do estouro da bolha pontocom, das empresas de internet e correlatas.

    {{Disclosure: VTF é meu marido. O que não torna o blog "menos bom" nem o trocadilho menos divertido.}}

    Post mais recente sobre humor no jornalismo

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h47

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    Tributo a um jornal morto

    Jonathon Berlin, editor de Arte do "Chicago Tribune" e editor da revista da sociedade americana de design, escreve um post bacana sobre dez coisas que aprendeu no "Rocky Mountain News", jornal que morreu na semana passada. (dica do http://blogs.journalism.co.uk).

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h28

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    Não vire aperitivo de político

    Outro dia um leitor perguntou como fazia para encontrar pautas de política (aqui).

    Enquanto eu espero ter tempo para consolidar as sugestões dos nossos leitores às minhas, sugiro que vcs leiam o post de meu amigo Fabiano Angelico: dicas para evitar que os políticos jantem você.

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h59

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    Cultura de graça

    Se você não leu o caderno Mais! de ontem, arrume um. Há dezenas de sugestões de como aproveitar boa cultura de graça.

    Pra dar uma idéia, copio aqui um verbete do JORGE COLI:

    Leitura pela internet

    A presença da internet se amplia cada vez mais. Nela está a mais extraordinária mina cultural de baixo custo que se possa sonhar. Toda a literatura clássica se encontra ali, muitas vezes em excelentes edições. O site da Biblioteca Nacional possui uma grande quantidade de livros digitalizados: www.bn.br/portal/. Coleções inteiras de revistas, como a "Careta" (objdigital.bn.br/acervo-digital/div-periodicos/careta/careta-anos.htm), ou a "Scena Muda" e a "Cinearte" (estas duas na página do museu Lasar Segall, www.bjksdigital.museusegall. org.br/revistas.htm), estão disponíveis. Basta fuçar. Há ainda a disponibilidade de inúmeros jornais do mundo inteiro, como o "The New York Times" (www.nytimes.com), tão generoso que chega a oferecer um dicionário para o leitor: clicando sobre uma palavra, aparece um ponto de interrogação que nos leva para o verbete! Item 4: "leitura pela internet".

    Mas, na verdade, minha favorita é esta, também do Coli:

     Percepção

    Creio que é difícil encontrar algum lugar que não seja fonte de cultura e de informação também. O custo mais baixo que conheço é olhar, ouvir, cheirar. Tudo isso permite aceder a formas diversas de cultura que nos são expostas constantemente: o modo de se vestir e de se comportar das pessoas, o aspecto das ruas, dos edifícios, dos rabiscos nas paredes, dos cartazes; as paisagens "naturais", que se transformam imediatamente pelo olhar cultural de cada um. O item 1 seria portanto "qualquer percepção que esteja ao nosso alcance".

    Termino com uma dica de minha colega TAINÃ NALON: o Domínio Público agora também tem música. De graça.

    (assinante da Folha ou do UOL lê as dicas todas do Mais! aqui)

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h20

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    Até tu, DOU????

    Nem no "Diário Oficial da União" se pode confiar cegamente. Quem conta é minha colega GIULLIANA BIANCONI:

    Para aqueles que costumam acompanhar a publicação do DOU, fica a dica de que o que está escrito lá não é verdade absoluta. É preciso checar, pois pode estar errado.

    Nesta semana tudo levava a crer que eu havia visto uma irregularidade que valeria matéria. O nome de um dos integrantes de uma determinada comissão do Ministério do Esporte me saltou aos olhos: desconfiava que ele não atuava mais naquela comissão, pois tinha sido candidato a prefeito na última eleição.

    Localizei o personagem e ele confirmou: estava fora da comissão desde maio do ano passado. Na hora, pensei: a comissão tem um membro que não atua. Um membro fantasma. E, mesmo que alguém tenha assumido o lugar dele, não foi nomeado oficialmente. Conclui tudo isso porque no Diário Oficial da União ainda estava lá o nome dele, entre os seis componentes da tal comissão.

    Sugeri a pauta, que foi aceita.

    Tentei ouvir o outro lado e soube que só seria possível daqui a alguns dias. OK. É o tipo de pauta que você não pode nem pensar em não ouvir o outro lado.

    Mas, antes mesmo de o outro lado se defender, descobri que não havia pauta. 

    Como leio o DOU diariamente, fui lá ver o que tinha na edição do dia. E lá estava uma nova publicação da tal comissão. Sem o nome do fulano. No lugar dele, havia outro fulano. Na hora, a primeira coisa que pensei foi: eles souberam que eu estava atrás da história e fizeram isso!

    Mas fui pesquisar nas edições anteriores do DOU se em algum momento o novo fulano que agora aparecia na comissão havia sido nomeado. E havia, sim. Desde maio do ano passado.

    Ou seja, realmente o DOU havia errado na publicação... E eu havia passado dois dias correndo atrás de uma história que não existia...

    Pra consolar a Giu, relembro aqui uma frase da "grande" ELVIRA LOBATO: "De cada dez boas pistas de pauta que eu sigo, só uma vira matéria". (para ler todo o resumo da palestra de Elvira, clique aqui).


    JORNAL, FONTE, CONTAS, DADOS, SITES - NÃO BASTA SER OFICIAL PRA ESTAR CERTO

    Fonte oficial também erra
    Contas oficiais também podem ter erro
    Estatísticas oficiais podem estar erradas
    E, pra terminar, sites oficiais (claro, não é?) também enganam você

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h28

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    Na pior em São Paulo

    Bem que eu queria ficar só no humor, mas os tempos e o lugar não contribuem pra isso.

    Este trecho de uma matéria de minha colega JOANA CUNHA (dá para ler na FOL) joga vc direto dentro de "Na Pior em Paris e Londres", de George Orwell, considerado um clássico do jornalismo literário...

    Francisca de Lima, 40, dorme há três semanas no albergue do viaduto Pedroso. Há cinco meses perdeu o emprego onde morava e trabalhava como arrumadeira e foi para uma pensão, pagando R$ 230 por mês. O dinheiro acabou e Francisca pediu vaga no albergue que recebe homens e mulheres sob o viaduto que passa por cima da avenida 23 de Maio.


    ORWELL DE GRAÇA

    Neste site, o "Down and Out" de graça, além de várias informações sobre o autor e suas obras.

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h54

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    Campanha humor no jornalismo

    Troféu do dia para a legenda desta foto, na capa da Ilustrada:

    Richard pega sucuri-amarela e vice-versa, em banhado às marges da rodovia Transpantaneira


    HUMOR NA COLUNA

    A graça é da história, mas é também do colunista (Elio Gaspari) o mérito da edição:

    JÂNIO E COLLOR
    Uma migalha da história, recolhida por um diplomata:
    Em 1990, logo depois de sua eleição, Fernando Collor encontrou-se com o ex-presidente Jânio Quadros na casa de um embaixador brasileiro na Europa. Ao vê-lo, o grande histrião da política nacional disparou: "Cumprimento-o, mas devo dizer-lhe que o senhor é muito moço". Collor: "Presidente, quando o senhor foi eleito tinha 43 anos. Era apenas três anos mais velho que eu". Jânio: "E deu no que deu".

     

    Post mais recente sobre humor: humor nas aspas (no pé do post)

    Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h46

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    PERFIL

    Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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