
bem lá atrás: Jean-Philipe, Renan (?), Bruno, Fábio e Rodrigo (?)
em pé: Alan, Vitor, João Paulo, Pedro, Bruno, Danilo (?), Ricardo, Anna, Martha, Leticia, Mariana, Bruna, Rodrigo e Bernardo
ajoelhados: André, Adriana, Estelita, Talita, Rodrigo e Juliana
sentados no palco: Rafael, Felipe, Charles, Luiza, Flávia, Zé, Juliana, Marta e Mariana
bem à frente: Jean, Tiago, Yssy, Tiago, Elton e Paula
(*) nota sobre as legendas
Eis os pré-trainees da 47ª turma, de que eu falei lááá atrás, neste post.
A esta altura o gelo já está mais que quebrado, todos têm os contatos de todos e acredito que bons amigos vão surgir daí de cima.
Semana que vem conheceremos os participantes do programa de treinamento. Até lá!
(CRIS)
(*) nota da Ana: o Danilo tirou os óculos na hora da foto, por isso estou em dúvida em três das identificações. Se estiverem erradas, me corrijam!! Por enquanto, fica sendo assim... 
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h17

Raphael Gomide, repórter da sucursal do Rio, falou com os trainees sobre sua cobertura de uma semana na faixa de Gaza, logo depois dos conflitos (cobertos pelo Marcelo Ninio, correspondente na Suíça), durante um período de "trégua".
Como ele dividiu a palestra em vários tópicos, bem organizados, vou tentar fazer o mesmo com este post.
SURPRESA
Ele conta que nunca imaginava ir para Gaza, nem era um assunto que ele acompanhava tão de perto.
Mas sua experiência anterior, cobrindo segurança pública no Rio de Janeiro e a missão de paz no Haiti, pode ter qualificado ele para essa "aventura".
Ele também tinha feito um curso de dois dias de jornalismo em situações de risco, do INSI (International News Safety Institute).
PREPAREM-SE!
Com essas qualificações, que o levaram a Gaza, ele nos deixou a dica: estejam sempre preparados, nunca percam oportunidades.
Façam cursos de idiomas, cursos de segurança, tenham passaporte em dia, vacinem-se, façam pesquisas na área de interesse.
"Ou, quando surgir a oportunidade, alguém estará pronto e vai no seu lugar".
OS PREPARATIVOS
A partir do momento que ele soube que estava escalado para ir a Gaza (quase certo...), Gomide fez uma preparação básica: desde a vacina contra febre amarela, as pesquisas sobre o conflito em livros e no noticiário, até a conversa com embaixadas e militares conhecidos e com os colegas mais experientes que poderiam aconselhá-lo.
GUIA DE SEGURANÇA
Os doidos (como eu) que querem cobrir zonas de conflitos armados têm que ter um mínimo de prevenção.
Há guias práticos no www.cpj.org e no www.newssafety.com.
Também é bom usar colete, andar em carros blindados (se po$$ível), ter feito o curso do INSI ou similar, ter um seguro de vida.
E algo que não custa muito: levar camisetas da seleção brasileira e broches do Brasil: "Abre portas!" 
PROFISSÃO DE RISCO
Por que tanta precaução?
- 731 jornalistas morreram entre 1992 e 2009, nove só neste ano.
- O Brasil está em 12º lugar no ranking de países com mais jornalistas mortos (16).
- 33% morrem cobrindo guerras (72% assassinados e 17% em fogo cruzado).
- O exemplo mais concreto nosso é o de Tim Lopes e, no ano passado, dos repórteres de "O Dia" que se infiltraram numa favela de milícia e foram torturados.
Ele complementa esta questão com duas frases: "Não há matéria pela qual valha a pena morrer" e, de uma redação colombiana: "Nesta redação todos são jornalistas. Aqui não há heróis".
O grande problema de jornalistas que vão cobrir guerras é se confundir com soldados, ou ter o fetiche (bizarro) de morrer fazendo uma cobertura...
DIFICULDADES
- complexidade do tema
- assunto sensível
- idioma e cultura muito diferentes
- dificuldade de entrevistar civis, por causa da repressão que sofrem
- povo desconfiado com jornalista
(no caso específico enfrentado pelo Gomide)
- fronteiras estavam fechadas
- viagem foi na correria, com uma série de infortúnios
CHEGANDO LÁ, O "FIXER"
"Fixer" é geralmente um repórter local, que sabe falar inglês ou português (no caso do fixer do Gomide), que serve de intérprete, leva aos lugares, ajuda a encontrar pessoas e entender a realidade local.
PAUTAS
O confronto em si já tinha acabado, a redação poderia fazer, de São Paulo, as questões de números de mortos, repercussões diplomáticas etc.
As agências de notícias, que também estavam lá e mandavam material para cá, se ocupariam do "hard news".
Assim, Gomide avaliou que o que cabia a ele era dar o olhar pessoal, de um dos poucos jornalistas que continuavam no local (do Brasil, só mais dois além dele e nenhum por uma semana).
Sua pauta era, então, mostrar o lado humano do conflito. "Gente gosta de gente".
CONSEGUIU
Em sete dias de reportagens mais livres, com lide mais pessoal, com o objetivo de aproximar o leitor dos fatos, com experiências próprias do repórter e constante lapidação do texto escrito, Gomide contou (links para assinantes):
- Descrição da destruição aparente, dificuldade de entrada da ajuda humanitária; desconfiança em Israel.
- Impressão de apoio ao Hamas; oposição sem voz.
- Impacto da destruição nas vidas dos civis.
- Economia arruinada pelo bloqueio.
- Crianças retratando a guerra.
- Uso de fósforo branco.
- Hamas oprime a oposição.
- Túneis "invisíveis" para quem não quer ver.
OUTRAS TRÊS FICARAM DE FORA:
(provavelmente por questão de espaço)
- Sobre uma região chamada "Brasil" que foi atingida
- Sobre um casal de palestino com israelense que deu em seis filhos, separação e morte
- A vida das mulheres lá
PROJETO PESSOAL
Por fim ele fala que algumas reportagens têm que ter um investimento maior de tempo e outros sacrifícios porque se tornam as reportagens de nossas vidas, nosso diferencial. No caso dele, esta cobertura e a "Infiltrado" são as mais marcantes.
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h09
Para os abnegados e esquisitos como eu que se debruçaram sobre as questões de matemática que propus num post ontem (veja aqui), publiquei neste link o mesmo gabarito que distribuí para os trainees.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h32

Parte da turma depois da palestra
Na palestra da manhã de hoje o multicomunicador Marcelo Tas conversou com a turma sobre a mudança do mundo analógico para o digital e tudo o que isso implica em termos de usuário.
Lá para o meio da conversa, ele provocou com uma tese de um professor da New York University que perguntava:
Qual a invenção que mais acelerou o conhecimento humano?
Entre livro, eletricidade, roda e computador estavam os números.
E a hipótese do professor é que a prensa de Guttenberg mudou o mundo, possibilitando a DIFUSÃO do conhecimento que era restrito aos manuscritos da igreja e de outros "depósitos" de conhecimento.
Mas a partir do momento que os livros passaram a possuir números de páginas – o que só foi ocorrer pouco depois – é que o conhecimento e a informação passaram a ser passíveis de INTERAÇÃO, já que as páginas de livros se tornaram "telas" fixas e identificáveis.
Não é à toa que a junção da difusão de conhecimento com a interatividade entre aqueles que o produziam levaram ao período de idéias efervescentes conhecido como Renascença...
De poucos anos pra cá vivemos um outro período de efervescência, pós-mídia de massa, que saiu daquele modelo onde o conteúdo era maior que o indivíduo e passou para um modelo de indivíduo maior que o conteúdo.
A informação deixou de ser apenas engolida, quando chegava até nós – via rádio, TV, telefone, jornal –, para ser produzida, compartilhada, amplificada e reproduzida em milhares de redes – via internet, games, celular, MSN, MP3, comunidades do orkut.......
E o Marcelo pergunta: o que muda?
O aumento de três palavras-chave: interatividade, quantidade e velocidade.
O que ele pretendia, ao meu ver, era nos fazer entender esse processo em que vivemos – como usuários, mas também como produtores de informação. Estar atentos às mudanças, participar delas e aproveitar de todas as ferramentas da melhor forma possível.
Um exemplo dele: usar o Twitter para descobrir o que os telespectadores acham de determinado programa do CQC que foi ao ar naquele dia.
Assim, ele deu o exemplo de uma foto que ele tirou, transformou em notícia em seu blog, tentou ser desmentida pelo assessor de imprensa, mas já era tarde, porque trocentos leitores já haviam reforçado aquela foto-pauta com suas próprias fotos e transformado a notícia em algo muito maior do que era inicialmente, graças à interatividade.
"Um assessor de imprensa que agir como se estivesse no mundo analógico vai se dar mal. A nota da assessoria foi desmentida pelo leitor, pela própria realidade, não pelo jornalista", disse Tas.
PITACOS
Marcelo Tas ainda deu quatro pitacos do que considera importante mantermos em foco:
- Colaboração: como já ocorre na Wikipedia e em blogs e que tende a ser melhorado cada vez mais;
- Transparência: uma forma de ficar vulnerável à opinião e ao "controle de qualidade" de quem te consome;
- Adaptação: os grandes jornais estão sempre experimentando o aumento da interação, até para contornar suas crises; Ohmy News, jornal coreano nascido na internet, é uma forma de adaptação ao novo mundo da comunicação que está fazendo sucesso e é baseado no modelo de colaboração;
- Presente: "Não percam de vista o que se processa ao nosso lado. E quando vocês ficarem em dúvida, observem o comportamento das crianças", disse.
Depois de falar tanto de mudanças, Tas responde à pergunta de alguém: o que se mantém?
"A curiosidade por uma boa história e os bons contadores de história. Isso nunca mudou nem vai mudar, mesmo que mude a mídia."
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h41
A DW Akademie, instituto de formação profissional da Deutsche Welle (emissora internacional da Alemanha) oferece 15 bolsas integrais para o curso de pós-graduação em "International Media Studie".
O curso é bilíngue – é preciso saber inglês e alemão – e seu primeiro ano letivo começa em setembro, em Bonn.
A duração é de quatro semestres em período integral.
Os candidatos têm que possuir bacharelado, além de pelo menos um ano de experiência profissional como jornalista, gestor de veículo de comunicação ou assessor de comunicação.
O candidato deve mandar e-mail (ims@dw-world.de) para a DW Akademie até 31 DE MAIO.
Mais informações: www.ims-master.de e www.dw-akademie.de.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h14

Matuiti Mayezo/Folha Imagem
O atual ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, deu a palestra da tarde de hoje para os trainees.
Ainda no começo, disse que muita gente acha que ombudsman não serve para nada, mas que ele prefere se ver como o Grilo Falante, que era a consciência do boneco Pinóquio: ele tenta despertar a consciência na Redação, mesmo que não seja atendido. "Pelo menos o grilo avisa", disse.
Talvez por isso, dentre outras razões, às vezes seja difícil encontrar alguém que queira exercer o papel de "advogado dos leitores" (segundo Silva, a Folha demorou quatro anos – entre 1985 e 1989 – até encontrar alguém que quisesse exercer esse cargo pioneiro na imprensa brasileira).
Mas no fim da palestra, Silva disse que seu relacionamento com a Redação, do começo da sua atuação no cargo (abril/08) até hoje, sempre foi boa – para sua surpresa, já que esperava mais problemas – e que vários dos pontos que defendeu em sua coluna diária ou semanal acabaram sendo atendidos pelo jornal no dia seguinte.
Mesmo assim, ainda há algumas questões de que ele reclama diariamente e que ainda não viu realizadas pela Folha. Doze delas ele considera prioritárias e decidiu usar como meta de cobrança para este 2009.
Elas foram listadas na última coluna semanal de 2008 e destrinchadas na palestra de hoje. [Para ler a coluna na íntegra, clique aqui] São elas:
- Que o painel do leitor não publique cartas de assessores de imprensa e demais personagens do noticiário da véspera. "Quanto mais a seção é ocupada por eles, menos a Redação está cumprindo sua função de ouvir o 'outro lado'", disse Silva hoje.
- Que as edições nacional e São Paulo sejam idênticas, com todos os suplementos, ou que pelo menos as do restante do país sejam mais baratas.
- Que todas as mensagens de leitores sejam respondidas pelos jornalistas da Folha.
- Que o jornal tenha cuidado com informações de grampos e vazamentos, principalmente se a apuração foi feita por outro veículo (ex.: caso Gilmar-Demóstenes).
- Que o jornalismo seja mais preventivo, em vez de reativo, antecipando-se aos fatos.
- Que o tratamento a celebridades seja mais moderado e que figuras públicas não sejam transformadas em celebridades.
- Que se invista mais em noticiário de educação.
- Que os números do noticiário sejam dimensionados para facilitar a compreensão do leitor (ex.: o que significam US$ 2 trilhões?).
- Que o conteúdo e formato da Folha Online melhore.
- Que os anúncios não interfiram na legibilidade do texto jornalístico.
- Que o jornal seja mais ousado e extrapole o noticiário eletrônico da véspera, pelo fim da previsibilidade.
- Que os erros de português diminuam.
Outras ideias do ombudsman:
- Seu cargo não serve para humilhar ou xingar os jornalistas, embora muitos leitores cobrem isso. O ombudsman deve conciliar os interesses dos leitores e do jornal – que são aliados, mas possuem divergências.
- As três principais funções do ombudsman: mediar desentendimentos entre leitor e jornal, estimular o aperfeiçoamento técnico da Redação e expandir na sociedade a consciência do papel da mídia.
- O jornal impresso sempre vai existir e é importantíssimo para a sociedade, mas tem que se diferenciar do jornalismo eletrônico, sendo mais preventivo e analítico, já que dispõe de mais tempo e estrutura para isso.
- O grande inimigo da qualidade do jornalismo é a preguiça.
- Os jornais tradicionalmente são arrogantes e acham que não precisam de ombudsman, nem de corrigir seus erros ('Erramos'). O leitor perde com isso.
Rotina do Carlos Eduardo:
Cada ombudsman tem seus métodos, sua rotina, seu jeito de fazer as críticas diárias.
O atual ombudsman da Folha disse que levanta às 6h todos os dias; às 7h começa a ler, em sua casa, a Folha, o "Estado de S.Paulo", "O Globo", "Valor Econômico" e as versões eletrônicas de jornais estrangeiros.
Sua crítica diária sai por volta de meio-dia.
À tarde, ele responde pessoalmente a todas as cerca de 70 mensagens de leitores que recebe todos os dias, além de às vezes se reunir com assessores de imprensa e quaisquer leitores que o procurem.
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h49

Marcelo Justo/Folha Imagem
Em sua segunda aula da semana de palestras, Marcelo Soares nos contou a proposta que o guia desde os 20 anos de idade, talvez a maior responsável por ele ter chegado onde chegou hoje:
Tentar descobrir:
- onde está a informação pública – que fica dispersa
- como ele a alcança
- e o que faz com ela
Foi com esse objetivo que ele se tornou um fuçador de alto nível e descobriu as ferramentas que a internet tem e que podem ser usadas a favor da apuração jornalística:
IGoogle
Esta é uma das várias ferramentas do Google que ele esmiuçou na aula de hoje.
O IGoogle faz conversão de moedas, mostra as horas pelo mundo, caminhos entre dois lugares, traduz textos, converte medidas, dentre várias outras coisas.
Google Reader
É um grande banco de dados de feeds, que permite que, na mesma página, a gente possa receber e ler todos os links cadastrados lá: o que pode incluir as notícias, releases de órgãos públicos, diversas informações de qualquer site que possua o sistema de RSS (pelo menos governos, bancos – inclusive o banco mundial – órgãos da Justiça e sites noticiosos sempre têm).
O bom do Google Reader é que você pode dividir as notícias por "tags" (marcações por temas), que facilitam a navegação. Assim, você pode buscar só as notícias relacionadas à indústria farmacêutica ou ao Barack Obama e encontrá-las mais facilmente se tiver separado por tags com essas especificações. E, ao acumular essas notícias e se informar cotidianamente sobre elas, os jornalistas podem pensar em pautas.
Não há limitação de espaço, já que não há armazenamento (o Google puxa os arquivos pelos links) e é possível pesquisar tudo depois, quando quiser.
Google Notícias
É o Google voltado exclusivamente para buscas em sites de notícias. O bom é que, além de restringir as pesquisas, você pode usá-lo junto com o Google Reader e acompanhar um assunto do seu interesse, toda vez que o Google atualizar suas informações: basta cadastrar o feed da sua busca no Google Reader.
Por exemplo: você faz uma busca sobre "blues". O Google News te fornece todas as notícias de blues que saíram hoje.
No canto da tela, haverá um feed para essa busca. Você cadastra esse feed no Google Reader e, todos os dias, vê novas notícias sobre blues sendo atualizadas no seu leitor!
Pipes
Antes que vocês pensem que o Marcelo trabalha para o Google, ele deu a dica do Pipes, um site que filtra os feeds, para poupar nosso tempo durante a leitura do Google Reader.
Com o aumento de feeds cadastrados, tudo o que poupe nosso tempo será bem-vindo, até para tornar nosso monitoramento viável e possível...
Google Maps
O que a princípio todo mundo usa para descobrir como se locomover de um lugar para o outro, os jornalistas podem usar como banco de dados, criando grandes mapas temáticos sobre os assuntos de sua cobertura rotineira.
Assim, o repórter de polícia pode criar um mapa, com base em dados oficiais ou do noticiário, com a localização dos homicídios de sua cidade.
Depois, pode criar um mapa sobre a localização dos bairros mais ricos e das favelas, por exemplo.
Por fim, pode sobrepôr os dois mapas (basta clicar nos dois, no campo "meus mapas") e ver se há alguma relação entre distribuição de riqueza e violência urbana. E pode criar uma pauta!
Linked in
Este é um grande banco de dados de currículos das pessoas, com uma ótima ferramenta de buscas, que pode ajudar o jornalista a encontrar fontes ou personagens para suas matérias.
Por exemplo, digite "Opportunity" lá e descubra 16 pessoas que trabalham ou já trabalharam para esse banco.
***
O importante disso tudo e que acho que é a moral da história, é que existem várias ferramentas à nossa disposição na internet – algumas extremamente populares, como as do Google – e elas podem ajudar os jornalistas a encontrarem as informações públicas e inventarem uma utilidade (ou pauta) para elas.
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h44
Acho as porcentagens uma coisa linda.
Quando você está num lodaçal de números, são elas que ajudam a clarear, a entender o peso de cada coisa.
E são injustiçadas! Todo jornalista concorda que pôr informação em contexto é crucial. Mas poucos dão bola para as porcentagens, que fazem justamente isto: mostram qual o peso da parte em relação ao todo; apontam qual de vários fenômenos foi mais relevante; estabelecem as devidas proporções.
E não é só em economia. Vale para poder dizer que o Palmeiras está 100% --nova moda dos cadernos de esporte-- ou para descobrir em que cidade a chance de ter seu carro furtado é maior. (E até para saber se Kelly Key está gorda, como diziam em outros carnavais.)
É por isso --e não por maldade-- que a prova do programa de treinamento sempre tem questões de matemática: porque matemática é informação mais correta, mais completa e com mais sentido.
Um convite, então: tente responder às da prova mais recente (neste link, a partir do número 62), como fizeram os participantes da semana de palestras. Amanhã eu dou o gabarito.
Não é por nada, não, mas alguns exercícios da lição de casa da minha filha --que está na sexta série (7º ano)-- são mais difíceis que as questões da prova...
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h05

O professor Alec Duarte dá a dica: no blog "Teaching Online Journalism" alguns posts ensinam como aproveitar o gravador digital para fazer boas entrevistas, sem interferências de som e que possam ser editadas e aproveitadas como recurso multimídia.
Primeiro ele dá umas dicas de como escolher o melhor equipamento, preço, marca etc.
No outro post, ensina como conduzir suas entrevistas com o gravador digital, o que leva em conta até onde colocar o aparelho, como controlar o microfone, como se portar, como conduzir as perguntas de modo a facilitar a edição etc.
O inglês está bem didático.
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h44
A Rádio ONU em Português está selecionando voluntários para trabalhar em sua redação, em Nova York.
O trabalho não é remunerado, mas é uma experiência de um mês produzindo trabalhos jornalísticos para rádio e internet para uma audiência que eles dizem ser de 36 milhões de pessoas.
Interessados devem enviar currículo e carta de apresentação, em português, para o e-mail: radioonuemportugues@un.org até 20 de fevereiro.
Mais informações: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/150123.html
(CRIS, com dica do Jean)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h48
Hoje tivemos uma primeira aula de história com a professora da USP Maria Lígia do Prado, que vai falar um pouco da América Latina em três palestras.
A principal preocupação dela era em quebrar estereótipos e nos fazer enxergar a história da América espanhola com um novo olhar.
Ela destaca nosso [brasileiros] imaginário cristalizado sobre a América Latina, cheio de preconceitos e ignorância.
Exemplo de preconceito: pensar que a Europa conseguiu se consolidar economicamente num processo pacífico e natural (como se não tivesse passado por trocentas guerras civis, além das mundiais).
Exemplo de ignorância: desconhecemos a história de formação dos Estados vizinhos. O exemplo da professora: quantos presidentes latino-americanos nós conhecemos – tirando Perón, Allende, Chávez...? Se restringirmos a pergunta, piora: quantos presidentes argentinos? Chilenos? Bolivianos?
[Por outro lado, conhecemos dezenas de presidentes dos Estados Unidos...]
SUBALTERNO
Prado destaca que o processo de independência das colônias latino-americanas foi lento, complicado, com guerras que duraram até 15 anos e dividiam os patriotas e os exércitos realistas (a favor das metrópoles).
As economias ficaram desestruturadas, até porque as relações comerciais das colônias, que se davam apenas com suas metrópoles, foram cortadas de imediato e demorou até que a América Latina conseguisse entrar de novo no eixo comercial internacional.
Quando entrou, o lugar que encontrou foi subalterno, comparado ao da Inglaterra industrializada: tinha que vender produtos primários, como o café brasileiro e o trigo argentino.
Aqui não havia capital acumulado – como em Londres – para se investir em indústria. Pelo contrário: havia dívidas. E essa situação foi determinante para a posição da América Latina no mundo do século 19 e 20.
"As dificuldades posteriores das formações de Estados Nacionais têm a ver com as guerras e o empobrecimento dessa época no século XIX", disse Prado.
DISCURSO DE NAÇÃO
Porque esta também foi a época de discussão das identidades nacionais, ao mesmo tempo que que o aparato estatal se estruturava. Livros, pinturas e discursos da época não deixavam de abordar esse tema, que passava, por exemplo, pelas línguas. Nessa época foi discutido, por exemplo, se nosso idioma nacional deveria ser o português ou o tupi (Policarpo Quaresma gostaria disso!).
Havia grandes dificuldades e o discurso que reinava para falar dessas dificuldades era maquiavélico: o povo (pobres, escravos, índios) era culpado pelos problemas, não as elites.
Discurso conservador, autoritário e racista, que se mantém, de forma camuflada, até hoje. (A professora registra que havia um grande pé atrás em relação a Evo Morales não por qualquer problema da política dele, mas simplesmente por ser índio).
E que, de novo, só contribui para arraigar os nossos estereótipos: "A coisa mais fácil é o estereótipo; como ele é simples, gruda na gente", disse Prado.
A professora também falou das mulheres que eram relegadas a segundo plano, da origem da expressão "América Latina", da nossa idéia errada de paz associada ao período monárquico, das batalhas nos vice-reinos da Espanha, da oposição campo-cidade, de como alguns temas políticos eram devidamente debatidos no século 19 e da importância desse século para a História...
Mas, sabem como é: post não pode ser comprido demais. Paro aqui com a reflexão: é aceitável fazer jornalismo usando uma visão estereotipada das coisas?
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h24
(Calouro entra em coma alcoólico após trote violento em Leme (SP))
Esse tipo de absurdo só vai mudar quando todo mundo que tem bom senso deixar de fingir que está tudo bem.
Todo mundo inclui:
- quem não pratica trote, mas também não faz nada contra
- quem não quer sofrer trote, mas se submete por medo (só para lembrar, é preciso dois para dançar o tango)
- os diretores das universidades, que fingem que está acontecendo só da porta pra fora e, assim, não tem nada a ver com eles
Forçar alguém a fazer qualquer coisa é violência.
Andar em bandos pelo meio da rua, mesmo que voluntariamente, é irresponsabilidade com a própria vida e a dos outros.
Há milhares de outras coisas legais pra fazer, e nem precisam ser úteis. Pode ser simplesmente ir pro bar ou pra balada e dançar o dia e a noite todos.
DIGA NÃO AO TROTE VOCÊ TAMBÉM.
PARABÉNS, MACKENZIE
Para animar a gente: as coisas podem melhorar.
Quem passa perto do Mackenzie sabe que, neste ano, a barbárie foi mínima.
Muito legal. Parabéns!!!
Meus argumentos contra o trote
A professora Doralice Araújo, leitora assídua deste blog, comenta o trote que viveu em seus tempos de universitária e faz várias perguntas chamando os leitores para o debate, em seu blog. Por exemplo: "Qual o tipo de punição que merece um veterano violento?"
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h13
Na palestra de hoje, Clóvis Rossi falou da necessidade de se reinventar os jornais impressos – seu texto, estrutura, edição... – frente ao hard news da internet e da TV.
A mesma discussão está sendo travada, neste momento, pelo "The New York Times".
O jornal cita como exemplo um diário de Minneapolis que pediu falência, dois de Detroit que vão parar de distribuir os jornais em casa e outro grupo que vai pedir que seus 31 mil empregados folguem por uma semana sem remuneração.
O problema da competição com a internet foi agravado pela crise econômica, diz o NYT.
Para tentar buscar soluções a esse problema, oito "especialistas" em jornais (reitor de Escola de Jornalismo, dono de jornal virtual, professor, editor etc) respondem às seguintes perguntas: "Quais estratégias de sobrevivência deveriam ser adotadas pelos diários em crise?
Se alguns impressos não sobreviverem, como seus leitores irão obter notícias sobre o conselho escolar local ou o poder municipal?"
As respostas variam desde "cobre pelo conteúdo online" a "aumente o preço de seu jornal impresso, garantindo qualidade proporcional" a "peça doações para seu site diretamente dos leitores, como já fazem os museus" etc.
No fórum do NYT, o debate já rendeu 160 comentários.
E o debate do Novo em Folha? 
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h38
Na palestra de hoje, Clóvis Rossi também disse que a curiosidade é elemento importante para os jornalistas e que ele próprio não se vê como colunista, mas como um repórter – curioso – com uma coluna.
Mas, além da curiosidade, ele apontou outra regra que considera importante para os jornalistas: desconfiar sempre. Ser cético em relação a tudo, ao bom ou ao ruim.
Assim, quando todos estavam alarmistas em relação à crise econômica, ele procurava "não seguir a manada" e ponderar as contradições da crise, como as compras crescentes em grifes francesas caríssimas, sobre as quais ele escreveu em artigo.
Quando todos viam Obama como herói e salvador da pátria, ele procurava olhar para o candidato de maneira crítica.
E assim por diante.
Além disso, ele falou de outras questões:
FONTES
- Ele prefere buscar as informações diretamente de quem as detém: no caso das providências contra a crise, os governos, os ministérios etc, em vez de analistas.
- A mesma desconfiança em relação às notícias ele demonstra em relação a supostas fontes. Assim, ele não leva muito a sério economistas que fazem previsões e fica atento aos interesses por trás delas. Diz que se fosse editor de economia, proibiria a divulgação dessas previsões, a menos que viessem acompanhadas de um alerta: "Cuidado, leitor, previsões podem fazer mal à saúde"

- Ele prefere manter distância das fontes, não se tornando amigo pessoal de nenhuma delas, nem participando de confraternizações pessoais de suas fontes.
REINVENÇÃO DO IMPRESSO
Com a TV e a internet, ele acha que os jornais impressos têm que deixar de ser escravos do "realizou-se ontem".
Mas o arroz-com-feijão protege dos erros, então só quem tem mais experiência ousa arriscar nos textos.
Por isso, ele acha que uma mudança na estrutura do texto e do impresso teria que partir de "decisão editorial do mais alto nível".
FOCAS DEVEM...
- ler muito, especialmente jornais e revistas
- se concentrar naqueles assuntos de que gostam, mas tendo em vista que "raramente alguém consegue entrar na profissão pela porta que quer", então é preciso ler de tudo.
POR QUE JORNALISMO?
Assim como a Elvira Lobato, Rossi também teve que responder como consegue se manter tanto tempo apaixonado pela profissão, curioso e eterno repórter. A resposta dele foi um pouco diferente:
"É bom ter a chance de aprender permanentemente".
Segundo ele, o cachorro do dono do hotel em que se hospeda em Davos já o recebe à porta, depois de 18 anos de cobertura de Fórum Econômico Mundial. Então ele se pergunta, de vez em quando, se não seria a hora de voltar para seu próprio cachorro...
"Mas a compulsão por aprender nos joga para frente", conclui.
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h41
O Marcelo Soares, que vira-e-mexe dá dicas sobre ferramentas de busca na internet – tanto aqui no Novo em Folha como em seu blog – deu uma primeira palestra hoje sobre o assunto. Hoje ele falou de bancos de dados e ferramentas de busca que podem ser usados para informação, principalmente de órgãos públicos. Na quinta-feira, ele vai continuar falando sobre ferramentas gratuitas que podem ajudar a cruzar informações.
Seguem as dicas que ele nos deu.
Sobre o Google:
1. Quanto mais específicas as palavras que colocamos no campo de buscas, mais preciso será o resultado.
Podemos ampliar essa especificidade na busca avançada,
- escolhendo a "frase exata" (basta colocar a expressão entre aspas),
- eliminando as palavras que não nos interessam (basta colocar um sinal de menos antes das palavras a serem eliminadas),
- ou ampliando a busca (basta colocar "ou" entre os termos; dica útil quando uma mesma palavra é grafada de várias formas pela web, como Mogi e Moji, Luís e Luiz etc).
- Também é possível buscar por idioma, região, domínio (.gov.br) e extensão do arquivo (.pdf)
2. O Google mostra primeiro os resultados mais relevantes ou mais conhecidos, mas ninguém conhece totalmente seus critérios e eles mudam constantemente.
3. Alguns metabuscadores fazem a busca em vários buscadores de uma só vez. É o caso do www.srchr.com e www.sputtr.com
4. O Google salva suas páginas em cache, o que garante que alguns sites, que já saíram do ar há algum tempo, possam ser acessados se estiverem guardados na memória do Google. Outro site faz o mesmo: www.archive.org (conseguimos, por exemplo, acessar o Novo Jornal, site mineiro que foi tirado do ar pela Justiça há alguns meses e teve que mudar de domínio.
Wikipédia:
É útil, democrática e pode servir até de ponto de partida para a busca de uma informação relevante, mas informação da Wikipédia – assim como de qualquer outro site – deve ser tri-checada.
Soares deu exemplos de como alguns textos são publicados lá para atender aos interesses de alguém ou alguma empresa sem que os moderadores do site possam fiscalizar ou intervir. Falou também de um garoto de 14 anos que teve seu perfil publicado na Piauí por ser colaborador assíduo da enciclopédia livre...
Copernic:
Este programa pode ser baixado de graça pelo site www.copernic.com. Ele é capaz de buscar de tudo dentro do próprio computador, inclusive nos e-mails do Outlook Express. Faz o que o Google Desktop faz, mas com mais segurança de que a sua privacidade não vai vazar na rede.
Além disso, funciona muito bem como um grande banco de dados, para quem – como o Soares se definiu – não tem disciplina de colocar todos os textos no Access, dia a dia, como o Elio Gaspari já nos ensinou a fazer.
Direito de acesso às informações públicas:
Esta foi a parte mais importante da palestra.
Soares nos mostrou como o mundo ainda caminha lentamente para o acesso universal às informações públicas.
Como no caso do ombudsman, foi a Suécia que iniciou esse processo. Hoje, lá, até os e-mails pessoais de autoridades são de domínio público.
No entanto, o Brasil não está entre os 86 países que têm leis de acesso [como o Foia americano]. Há alguma pressão no sentido de abrir arquivos da ditadura, mas pouco se fala dos arquivos da democracia que deveriam ser públicos e não são.
Além disso, aqui tampouco há uma política clara em relação ao acesso de informações públicas na internet. Vários sites de TJs ainda não colocam os relatórios de processos na web.
E foi só em 2006, muito por mérito do jornalista Fernando Rodrigues, que os candidatos tiveram sua declaração de bens disponível no site do TSE para qualquer eleitor. O mínimo...
Soares listou alguns sites que diminuem esse problema:
Temos poucos sites com informações públicas completas e poucos órgãos que se preocupam com isso, então não podemos desperdiçá-los, né...
Até porque, segundo Soares, "dá pra fazer um jornalismo hoje totalmente impensável há cinco ou dez anos atrás", muito graças à internet e a todas as ferramentas que ela nos oferece.
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h10

Shizuo Kambayashi/AP Photo
Elvira Lobato tem 35 anos de carreira, várias histórias construindo sua experiência profissional, mas, tal qual uma "foca" (jornalista iniciante), ela ainda se empolga com suas pautas. Foi o que ela nos contou em sua palestra hoje.
Talvez graças a essa paixão pelo jornalismo ela consegue "trabalhar como formiguinha" em apurações que às vezes levam anos para terminar, exigem buscas em várias frentes – para garantir a segurança da publicação sem erros – e estudos inesgotáveis de assuntos técnicos que ela se sente na obrigação de dominar.
A empolgação tem a ver com uma característica que ela acha que os jornalistas precisam desenvolver antes de qualquer outra: a CURIOSIDADE.
O curioso está atento, desconfiado e se exige um acompanhamento rotineiro das informações.
É fácil distinguir um curioso de um não-curioso em entrevistas coletivas, por exemplo. O primeiro pergunta e só sai de lá quando tiver todas as suas dúvidas esclarecidas. "Nossa tarefa é não sair com dúvida nenhuma", diz Elvira.
O jornalista que não entendeu direito o assunto não consegue escrever um texto compreensível. Por outro lado, é só com o entendimento completo da linguagem e do tema que o jornalista pode entender a dimensão do problema que ele resolveu abordar. Daí ser capaz de cavar pautas que ninguém mais enxerga.
Essa postura de curioso e perguntador impede a ACOMODAÇÃO, que levaria à ESTAGNAÇÃO e, finalmente, à REGRESSÃO.
O curioso dá furos. E o furo, para a Elvira, é o diferencial de um jornal, que, quando constante, só aumenta sua credibilidade.
A curiosidade leva o jornalista a buscar informações técnicas que vão além da pesquisa no Google – disponível para todos os colegas, afinal de contas.
E, nesse amontoado de idéias, ficamos com o seguinte mapa:
- bom jornalista = curioso // perguntador // estudioso de sua pauta // detentor de conhecimento técnico ––> furos!!
Apesar de empolgada com a profissão, Elvira Lobato conhece os ossos do ofício. Por exemplo:
- o trabalho investigativo pode ser longo e solitário
- de cada dez informações que chegam, uma rende alguma pauta; a busca é permanente
- é preciso falar com o "outro lado" desde o início da apuração, mesmo que ele derrube sua matéria
Se a matéria for derrubada ou a pré-apuração não render em nove de cada dez vezes, o importante é "nunca esmorecer". EMPOLGAR sempre com a possibilidade de INFORMAR algo relevante e de interesse público.
Mas sem empolgar demais. Ela já ganhou vários prêmios, mas alerta: "o jornalista nunca pode deitar na glória, cada dia é um dia". O risco é de que esse jornalista comece a desaprender. E aí, que será da curiosidade?
A Ana acabou de dizer que esse segundo "osso do ofício" listado pela Elvira foi o que chamou a atenção da maioria dos trainees.
Como exercício, eles tinham que dizer três informações que aprenderam na palestra, que desconheciam até então. A rotina do repórter, de aproveitar um décimo das pautas que chegam, foi a mais registrada no exercício.
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h32
Hoje começou a semana de palestras e já aconteceu aquele momento mágico em que todos se levantam, se apresentam, os extrovertidos falam um bocado, os tímidos mal olham para ninguém, e o gelo começa, aos pouquinhos, a se quebrar.
Os 40 selecionados, desta vez, são, em maioria, paranaenses, fãs de samba, com pouco mais de 20, estudantes de jornalismo. Mas também tem um monte de fluminenses (muitos de Niterói!), tem estudantes de direito e alguns de história.
E as exceções: o de Belém do Pará, o que cursou filosofia, o que já trabalha há vários anos em outra área no grupo Folha, a que só gosta de rock alternativo.
O que se nota é que todos parecem ser talentosos e a Ana vai ter o maior trabalho para escolher dez entre eles. (Ela diz que sempre tem enxaqueca nesta época do ano...
)
Na última semana de palestras, só seis meses depois da semana em que eu estive, tentei dar o conselho que esteve ao meu alcance, levando em conta que, com pouca experiência, não posso sair distribuindo conselhos a rodo. Escrevi, à época:
A única dica que pude dar a eles foi para que tentassem esquecer que aquilo é uma seleção e aproveitassem cada minuto.
A situação se mantém agora e o conselho é o mesmo: aproveitem toda a semana como se não fosse um período de seleção, mas uma experiência única, parte do treinamento, que nos apresenta a vários amigos e futuros colegas e nos faz entender um pouco melhor como é o funcionamento do jornal em que queremos trabalhar.
Conhecer os relatos da Elvira Lobato, Clóvis Rossi, Marcelo Tas e todos os outros que vão participar da semana já terá valido a pena de qualquer jeito. Mas, se no fim da semana já houver uma porção de amigos trocando telefones e emails, a semana terá cumprido um papel ainda mais importante.
Eu já ia me esquecendo da maior das exceções: o trainee formado em física! 
(CRIS)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h11
Começa hoje e vai até sexta a semana de palestras do 47º programa de treinamento da Folha.
Essa semana é a terceira (e última) etapa de seleção do curso, mas é concebida para ser já uma fase do treinamento.
Durante os cinco dias, 40 "pré-trainees" ouvem jornalistas sobre temas variados, conhecem o jornal e alguns de seus futuros colegas, fazem exercícios. Eles também vão assistir à primeira aula de um curso de história da América Latina, que foi organizado para os jornalistas que já trabalham por aqui.
Minha colega (e ex-trainee) CRISTINA MORENO de CASTRO, que será minha ajudante especial até o final de fevereiro, vai contar para os leitores do blog tudo o que rolar por aqui nesta semana.
CRIS NO BLOG
Neste mês de fevereiro, a Cris vai me ajudar também com o blog (um dos hobbies preferidos dela), inclusive respondendo aos comentários. Quando a resposta for dela, virá sempre assinada, pra que vocês saibam de quem é.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h11
[Esse resumo vem das discussões em dois posts recentes ("é muito otimismo?" e "provocação, pergunta e exercício"), sobre os quais ainda vou comentar especificamente, mais tarde]
NAS EMPRESAS
No Brasil, empresas costumam contratar assessores para:
- centralizar os pedidos dos jornalistas
- decidir quem é a melhor pessoa para dar cada entrevista
- acompanhar o que sai na mídia sobre a empresa e pedir que sejam corrigidos erros, se houver
- garantir que a versão da empresa seja veiculada se houver noticiário que a envolve
- divulgar seus produtos
Todas essas funções envolvem discernimento jornalístico --quanto mais o assessor entende o que um repórter ou editor valoriza, melhor será seu trabalho.
Mas isso não quer dizer que o trabalho de assessoria seja jornalístico. Não é, porque em jornalismo a meta é publicar tudo o que seja importante ou interessante. O assessor não tem essa missão. Se souber de uma falcatrua em sua empresa que tenha lesado consumidores, não vai divulgá-la, e sim começar a preparar um bom esquema de defesa para a eventualidade de a história vir à tona.
Meu ex-trainee Rui Santos, hoje assessor da FGV, deu excelentes dicas para assessores (e repórteres), que vale conferir neste post.
ÓRGÃOS PÚBLICOS
Órgãos públicos deveriam ter os mesmos motivos para manter uma equipe de assessoria de imprensa:
- facilitar os contatos
- zelar pela correção da informação
- divulgar informação útil
E deveriam ter uma obrigação a mais: fornecer a informação pedida, sempre que ela for pública. No caso de empresas privadas, não é obrigação delas ser transparente. No de órgão públicos, é. Todos ali --gestores, empregados, os próprios assessores-- são pagos com nosso dinheiro e têm obrigação de prestar conta dele.
Assessores de imprensa passam do limite quando:
- Barram um pedido de entrevista sem nem consultar o profissional da empresa que poderia falar sobre o tema
- Fornecem informações incompletas, desatualizadas, distorcidas
- Impõem condições para fornecer informações
- Inundam jornalistas de releases não solicitados e ficam telefonando para saber se foram recebidos, se serão publicados etc.
Um jornalista espera de um assessor de imprensa de empresas que:
- Forneça informações públicas
- O ajude a encontrar informações relevantes sobre a empresa ou órgão em questão
- Coloque-o em contato com profissionais que possam falar sobre o tema de sua reportagem
- Passe pautas que sejam realmente relevantes (e não mera promoção)
O repórter passa dos limites quando:
- Faz ameaças ou barganhas para conseguir informação
- Mente sobre sua pauta
- Publica releases sem checar
- Escreve uma reportagem sem tentar ouvir a empresa
- Não corrige eventuais erros comprovados
- Relega ao assessor suas tarefas de apuração (é obrigação do repórter fazer uma boa pesquisa prévia antes de pedir informação, saber o que quer perguntar aos entrevistados, checar informação e, claro, escrever o texto)
Como contornar as "desassessorias"
Há uma dezena de posts no blog com dicas sobre isso. A principal é: fortaleça sua capacidade de apuração própria.
Como?
- mantenha um bom arquivo e/ou banco de dados (leia aqui o mais recente post sobre o tema)
- mantenha sua agenda telefônica atualizada --inclusive com celulares das principais fontes (aqui, o post mais recente sobre agendas)
- cultive direito suas fontes para ter acesso direto a elas
- quando for possível, vá lá, veja, comprove e conquiste o direito de publicar fatos, em vez de versões (um exemplo prático disso)
OUTROS POSTS SOBRE A RELAÇÃO COM AS ASSESSORIAS
Para não depender da boa vontade da assessoria
Evandro Spinelli dá dicas para obter informações
Paulo Totti caça um ministro
Marcos Côrtes explica como age o assessor de órgão público
Sandra Muraki fala sobre assessoria de empresas privadas
Duelo freqüente: como não passar pela assessoria
O caso do assessor que também é concorrente e pode furar a pauta
Promessas fiscalizadas, sem depender da assessoria
Brigar não resolve - o que fazer quando há conflito
Dicas coletivas para contornar assessoria
Labirinto telefônico - assessores que te jogam de lá para cá
Assessores também têm queixas - críticas que eles fazem aos repórteres
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h03
Como entrevistar
Thais Oyama, que foi minha colega na Folha, hoje é editora da "Veja" e escreveu um livro sobre como entrevistar (texto do Observatório da Imprensa aqui), dá curso sobre o assunto no dia 9/3.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h37
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