Sobre o caso abaixo, três perguntas de leitores:
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Casos como estes podem abalar a confiança entre editores e repórteres? Fico com medo que todos os editores passem a desconfiar de seus repórteres. Ao mesmo tempo, os editores têm que nos policiar mais? Casos como estes também representam a culpa da chefia, que agiu de boa fé e confiou no repórter?
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Publicar o erro não afeta a credibilidade do jornal?
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O jornal precisava expor o repórter? Não poderia ter só pedido desculpas, retificado a informação, e cuidado da demissão do jornalista internamente?
O que vocês acham?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h09
Há um tempo a gente conversou no blog sobre quando se pode reciclar entrevistas antigas, e que cuidados tomar (se quiser ler a discussão e as conclusões, clique aqui).
Uma matéria publicada hoje no "Jornal da Tarde" me faz adicionar uma nova recomendação: se for usar trechos (ou a íntegra) de entrevistas antigas, deixe isto claro para seu editor.
Mentir sobre sua apuração, mesmo que pareça inocente, é pecado grave --e leva à demissão, como mostra a matéria.
(Post no Webmanario tem um link para a entrevista que levou à demissão).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h03
Dois dos meus professores escreveram esta semana sobre o twitter: ALEC DUARTE e Marcelo Soares.
E agora eu acabo de descobrir que daqui a instantes (às 16h) vai ao ar uma aula pública da Universidade Columbia sobre como jornalistas podem usar o twitter.
Se puder, acompanhe!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h46
História da indústria cinematográfica
Curso em quatro aulas dado por Ana Maria Bahiana.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h24

Equipe do jornal A Tarde é ameaçada e fica presa por meia hora em hospital na Bahia
A repórter Marjorie Moura e o fotógrafo Eduardo Martins, do jornal A Tarde, foram impedidos de sair do estacionamento do Hospital Municipal de Simões Filho, interior da Bahia, durante mais de 30 minutos por dois vigilantes a serviço da Secretaria de Saúde de Simões Filho. A equipe apurava denúncia sobre más condições de funcionamento da unidade.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h27
Uma leitora me escreve:
Sou jornalista, me formei há dois anos e, quando ainda estava na faculdade, trabalhei em redação.
Contudo, depois de formada, exceto alguns frilas que fiz para revistas, só trabalhei em assessorias de imprensa.
Decidi que, neste ano, quero voltar a ser repórter. Sinto que aqui em São Paulo há uma grande resistência por parte de editores em contratar quem trabalha em AIs. O que posso fazer para voltar a atuar como repórter?
Até pode ser que haja mesmo algum preconceito contra quem foi assessor.
Mas minha impressão é que o problema principal não é esse.
É que há poucas vagas pra muita gente, mesmo. Para encontrar a sua, os caminhos são os de sempre: mandar currículo quando souber de uma vaga, oferecer pautas, fazer contatos.
- se você tem amigos ou gente que conheça seu trabalho e que está trabalhando em SP, comece por eles.
- avise que está aqui, pergunte se sabe de alguma vaga no veículo dele etc.
- caso contrário, o jeito é pôr a criatividade pra funcionar e oferecer pautas como frila, para começar a mostrar trabalho. As revistas costumam trabalhar muito com frilas. Nos jornais, é mais comum em suplementos.
Eu tinha escrito um post para uma sitação bem semelhante (clique aqui).
O QUE OS ASSESSORES DIZEM
Aproveito a deixa pra fazer de uma matéria que li no final do ano passado, na revista "Negócios da Comunicação".
Nós jornalistas vira e mexe nos queixamos dos assessores --e temos motivos, claro, embora não se possa generalizar.
Mas eles também se queixam de nós e têm até histórias cabeludas pra contar. Veja algumas abaixo (a matéria completa está aqui):
"Os processos de redução dos custos dos veículos de comunicação atingiram especialmente aquilo que poderia ser qualificado com 'classe média' dos jornalistas", destaca uma assessora experiente nos temas relacionados a negócios e economia. "Ficaram alguns figurões capazes de conferir certa grife aos veículos, e um monte de gente inexperiente, que entende muito pouco dos assuntos com os quais trabalha".
(...)
"O mercado tem jornalistas novos muito talentosos", ele diz. Mas, acrescenta Agostinho Gaspar, presidente da G&A - Gaspar & Associados Comunicação Empresarial - não há talento que resista à postura arrogante. Para Gaspar, a quantidade jornalistas menos experientes, e com menos vontade de aprender, é maior. "Um profissional pouco habituado a um assunto deve assumir o pouco conhecimento, em vez de adotar uma atitude contrária, que é enganadora e induz ao erro", aconselha.
(...)
"Me incomoda muito a atual mania de respostas de entrevistas por e-mail. Isso empobrece muito o trabalho", comenta uma profissional de agência. A gerente de conta de uma grande empresa reforça a crítica: "Acho os jornalistas atualmente muito preguiçosos. Muitas vezes, quando um deles vem entrevistar um de nossos diretores, lhe enviamos informações sobre a empresa e sua carreira. Mas percebemos que não leu o material, pois várias das respostas que ele pede já estavam ali."
(...)
Sem identificar-se, uma assessora de comunicação aponta que a falta de critério e de checagem das informações on line pode gerar erros dramáticos. E cita o exemplo ocorrido em maio desse ano: "apareceu na web uma informação relativa à queda de um avião nas proximidades do aeroporto de Congonhas (palco, um ano antes, do mais trágico acidente da aviação aérea brasileira). A informação não tinha fundamento, já que ocorreu apenas um incêndio sem vítimas em um prédio da região. Entretanto, a falsa notícia foi veiculada por vários dos maiores portais da internet brasileira, como UOL, Globo.com e iG", descreve em off.
(...)
Uma das queixas das assessorias de imprensa diz respeito aos releases que, em vez de cumprirem sua função de dar suporte ao trabalho do repórter, não raro são reproduzidos na íntegra. "Acontece muito, especialmente na internet, de copiarem nossas informações, sem checá-las nem mudarem nada no texto. Lembro-me que, uma vez, enviamos um release com o nome de uma grande empresa escrito incorretamente; logo, esse nome errado estava em inúmeros sites; não tiveram nem o trabalho de corrigi-lo", observa uma assessora.
(...)
"Hoje, talvez seja mais difícil emplacar uma pauta em um veículo. Mas quando conseguimos, basta fazer um bom release, que ele será quase integralmente utilizado."
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h32
É melhor ouvir que ler?
Ainda tenho que comentar aqui aquele exercício sobre que meios (texto, arte, áudio, vídeo?) funcionam melhor em cada tipo de história. Mas hoje na FOL há um bom exemplo que pode nos ajudar a pensar no assunto:
Brasileiro descreve rotina em Israel
Ouçam tentem pensar em como seria se fosse só texto e me digam: vocês concordam que o público sai ganhando com áudio? Por quê?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h41
...e o que encontram: está neste vídeo, mais centrado no chamado "primeiro mundo", mas que não deixa de ser revelador. [obrigada, Marcelo Soares, pela dica.]
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h16

[obra de Richard Serra]
Talvez seja óbvia pra gente, que já trabalha em jornal, mas um comentário neste blog me fez ver que não é tão evidente assim para os leitores.
Ele se queixou do teor da "reportagem" de João Pereira Coutinho (assinante lê aqui), que usa uma história fictícia em que o Brasil é atacado por terroristas uruguaios.
Coutinho claramente defende que Israel tem o direito de se defender e que a morte de civis é em parte culpa do Hamas: " os terroristas têm por hábito usar as populações civis do Uruguai como escudos humanos, o que provoca baixas civis".
Mas Coutinho não é um repórter. É colunista do jornal. E colunistas podem, se quiserem, expressar suas opiniões --alguns preferem a análise.
Já o repórter também terá opinião, mas deve evitar ao máximo que ela o afete quando está levantando informações e quando as está escolhendo para compor seu texto. Isso envolve:]
- quem ouvir,
- o que incluir no texto e
- em que ordem.
"ARMA" DE DOIS GUMES
Meu professor Matinas Suzuki Jr. tem um conceito ótimo: o jornal deve ser uma experiência total. A discussão sobre "notícia séria X futilidade", "notícias políticas X serviço" é bobagem. Um jornal é como feira ou supermercado: tanto melhor quanto mais variedade tiver: humor, quadrinhos, análise, coluna social, reportagem, esporte, economia, guias e tudo o que a criatividade e o objetivo de servir ao leitor puderem imaginar.
E a diversidade também atinge os artigos.
Só na edição de hoje da Folha, por exemplo, há um colunista (quem escreve periodicamente) e um articulista (quem escreve eventualmente) com posições muito diferentes da do Coutinho.
O articulista é Paulo Sérgio Pinheiro, no artigo "Guerra total: massacre de civis " (assinante lê aqui):
(...)
Em pouco mais de uma semana, 512 palestinos foram mortos. Um quarto das vitimas, segundo a ONU, é de civis, mulheres e crianças. Os feridos já são mais de 2.000 -e os hospitais não dão conta das amputações.
Trinta e um soldados israelenses foram feridos nos ataques por terra e quatro civis israelenses foram mortos por foguetes de grupos do Hamas.
A desproporcionalidade entre a guerra total de Israel e os ataques de foguetes do Hamas ou a resistência à ocupação israelense -dos dois lados crimes de guerra sendo cometidos contra civis- fica patente, apesar do bloqueio à entrada de qualquer jornalista ocidental: o ocupante não quer testemunhas do massacre.
O colunista é Marcos Nobre, na coluna "Por um pacifismo radical" (para assinantes):
(...)
Em um quadro como esse, a única maneira de resistir à guerra é defender um pacifismo radical, sem tomar posição prévia por nenhum lado. Toda e qualquer ação que tenha consequências bélicas deve ser condenada, independentemente de que lado venha.
Se Israel impede o funcionamento do governo do Hamas em Gaza, se o Hamas se nega a reconhecer o direito de existência a Israel, se Israel se recusa a reconhecer o governo do Hamas como legítimo, se o Hamas ataca militarmente Israel, em todos esses casos, ambos os lados devem ser condenados da mesma maneira.
Isso não significa dizer que há equilíbrio entre as forças. É patente a superioridade de Israel em termos de aparato estatal e de poderio militar. Um ato bélico praticado por Israel é certamente mais destrutivo do que um praticado pelo Hamas. Mas, em um estado de guerra, a pior ilusão é a de achar que a paz só pode ser buscada depois de alcançado um equilíbrio de forças. É o ingrediente mais poderoso para a continuidade da própria guerra.
Outro lugar do jornal em que há opinião são os editorias.
Ontem, por exemplo, a Folha expressou uma opinião sobre o conflito, que começa assim:
A invasão de Gaza
Tentativa do governo de Israel de destronar o Hamas à força tem eficácia incerta e custos humanos intoleráveis
A CRISE humanitária na faixa de Gaza, deflagrada pela reação brutal das Forças de Defesa de Israel a ataques com foguetes feitos pela milícia extremista Hamas, só vai piorar com a ofensiva terrestre sobre o pequeno e populoso território palestino.
A invasão israelense, iniciada na noite de sábado, intensifica o ambiente de privações e ameaças à integridade física em que vivem os habitantes de Gaza. Além dos intensos bombardeios aéreos, que mataram mais de 450 palestinos -entre eles várias mulheres e crianças-, faltam víveres e medicamentos, e os cortes no fornecimento de água e luz são constantes.
Ao que consta, pois Israel impede a entrada da imprensa no território invadido, o objetivo inicial da ação terrestre é isolar o norte da faixa litorânea, de onde parte a maioria dos ataques com foguetes contra o sul israelense, do restante do território palestino. A cidade de Gaza, com mais de 400 mil habitantes, foi sitiada.
Isso não quer dizer que as reportagens do jornal devam ser pautadas pela posição que ele adotou. Há uma barreira clara, na Folha, entre editoriais e cobertura. Tanto que a equipe que escreve os editoriais fica em outro andar. Sei que está repetitivo, mas acho que é o caso de repetir: na cobertura, a recomendação é não ser contaminado por afinidades ou opiniões, sejam as nossas, sejam as do jornal.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h28
Duas coisas me intrigaram neste episódio mais recente de guerra:
a) a lista de matérias mais lidas da Folha Online quando a ofensiva pegava fogo, na tarde de domingo

b) Como os julgamentos de valor podem ser os mais variados possíveis.
Por exemplo, uma foto de crianças massacradas em Gaza, para você, seria pró-palestinos ou pró-Israel?
Eu acho que é pró-palestinos, por mostrar o sofrimento deles. Mas um leitor deste blog muito nidentificado com a causa palestina acha que isso é passar recibo do poder israelense.
Ele reclamava destaque para a foto e a notícia do primeiro soldado israelense morto, o que, para mim, poderia ser considerado pró-Israel --tanto que foi destaque nos jornais israelenses.
Mais uma mostra de como é duro fazer julgamentos...
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h29
Achei, com a ajuda de meu fiel escudeiro FABIO CHIOSSI, a melodia de meu alce musical.
Está aqui, numa versão bem aproximada (embora meu alce seja bem mais animado, mas este sax também está bacana).
Quem preferir a versão em piano também encontra.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h36
Meu colega ALEC DUARTE conta que o "New York Times", pela primeira vez em sua história, publica um anúncio de primeira página.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h27

Perguntei neste final de semana se dava para ser isento na cobertura do Oriente Médio e se os jornais deveriam tomar partido ou não.
Há uma divisão interessante nas respostas à enquete feita pela Folha Online.
Quando a pergunta é "dá pra ser isento?", há um certo equilíbrio entre quem se interessou em responder: 44% acham possível, 56% acham que não.
Mas há diferença é clara quando a questão é "deveríamos ser isentos?": 85% dizem sim; só 15% acham que os jornais deveriam tomar partido no conflito.

Eu acho que é impossível ser totalmente isento, mas que é preciso lutar por isso.
No entanto, os vários comentários do final de semana me mostraram que é preciso deixar mais claro: falo principalmente dos julgamentos que os jornalistas fazem todos os dias, quando definem uma pauta, escolhem entrevistados, hierarquizam informação, redigem a abertura dos textos, fazem os títulos.
Minha questão é quanto o envolvimento (ideológico, pessoal, sentimental) pode afetar esses julgamentos --não só na guerra, mas em qualquer cobertura que nos atinja. Aquela história do motorista supostamente bêbado suspeito de atropelar um garoto, por exemplo, é outra prova disso.
Não estou pensando no resultado final, no produto final. Isenção, neste caso, não é dividir milimetricamente o espaço entre os dois lados nem publicar obrigatoriamente todos o mesmo número de opiniões pró e contra cada lado.
É não deixar que nossas opiniões (e duvido que alguém não tenha as suas neste caso) nos impeçam de estar abertos a todos os pontos de vista, todas as informações, todos os argumentos.
O PROBLEMA É MAIS PROFUNDO
Na verdade um dos principais problemas de uma cobertura como a deste conflito é muito mais nossa desinformação que qualquer intenção de favorecer A ou B ou de torcer os fatos por má-fé.
Nestas horas, um dos principais papéis do jornal seria o de explicar o que está acontecendo, analisar causas e conseqüências. Interpretar. Mas isso tem que ser feito com base em fatos, em informação, em contexto, e não em opiniões.
Eu, por exemplo, não me considero suficientemente ilustrada sobre o tema para arriscar qualquer conclusão.
É como diz minha colega CLAUDIA ANTUNES, editora de Mundo: cobrir bem um assunto não é para qualquer um. Tem que comer muito feijão pra conseguir fazer uma boa análise.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h06
Jornalista da BBC relata o ataque (como sabemos, Israel não deixa jornalistas entrarem em Gaza, portanto são raros relatos em primeira mão).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h43
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