Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Vou estar com pouco acesso à internet nos próximos dias, mas não abandonei o blog, OK?

Comente, escrevam, sugiram, que eu publico sempre que der.

Inté!!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h40

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Dor de barriga

 
 

Dor de barriga

Dar barriga dói.

Pra quem não sabe, dar barriga é publicar uma informação errada. Como fez uma das principais revistas esportivas do país, a Placar, nesta edição de seu jornal:

Um dia antes de Ronaldo assinar com o Corinthians, eles cravaram que  o acordo não sairia. E ainda tiraram sarro de quem levava a sério a possibilidade.

Exposto o engano, fizeram o certo. Pediram desculpas no site:

Como o objetivo do Novo em Folha não é jogar pedra nos outros e sim tirar lições das experiências --da minha, da nossa, da deles--, o que me interessava mesmo era saber o que aconteceu e o que aprender dali.

Uma revista como a Placar não nasceu ontem. Cansou de dar furos e sabe cobrir futebol. Conhece suas fontes e não cai fácil em ciladas. O que nos leva a crer que, por trás dessa barriga, há uma ótima lição.

Eu pedi, então, ao diretor da revista, Sérgio Xavier, que nos contasse o que aconteceu. Vamos ter que esperar até janeiro para ter mais detalhes, mas divido com vocês a resposta dele:

Vamos lá, Ana. Falaremos sobre um dos episódios mais dolorosos dos últimos tempos aqui. Brincamos com a possibilidade de Ronaldo ir parar no parque São Jorge. E ele foi contratado mesmo.

Bom, aí é importante dividir essa discussão em dois eixos. O primeiro é do resultado da matéria em si. Um desastre completo, uma barrigada. Dissemos uma coisa e aconteceu exatamente o contrário. Contra isso, não há argumentos. Assim que a notícia foi confirmada pelo Corinthians na terça-feira passada, colocamos no site um pedido de desculpas e sugerimos aos internautas que fizessem piada da Placar da mesma forma que brincamos com a possibilidade da contratação. Assumir erros é princípio na Placar. Dói errar, a dor aumenta quando falta humildade para reconhecer a falha.

O segundo eixo da discussão passa pela qualidade da informação. Por que cometemos a barrigada? Onde foi que erramos? Tínhamos segurança quando falamos do Ronaldo na primeira manchete do jornal Placar. Tínhamos  fontes confiáveis entre patrocinadores e staff do Ronaldo. Ele ficaria no Flamengo. O Ronaldo estava acertado com o Flamengo. Tínhamos três fontes (Flamengo, Corinthians, um patrocinador e o próprio staff do Ronaldo). O problema foi que o quadro mudou do momento que publicamos a primeira matéria. O certo ficou duvidoso e aí quebramos a cara.

A explicação do que mudou será dada na Placar de janeiro.

 Erramos, ajoelhamos no milho e nos desculpamos. Acho que o nosso retrospecto não é dos piores...

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h41

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Ajude quem te ajuda

A IJNet, rede internacional de jornalistas, pede que jornalistas brasileiros preencham a pesquisa de avaliação que está no site deles.

Se você ainda não conhece a rede, é uma boa chance agora. Consulte os recursos que eles têm e, de quebra, responda à pesquisa! Leva cinco minutos, só.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h07

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Gráficos que ajudam o leitor

Meu leitor Renato manda este exemplo de gráfico para mostrar quem dançou na fraude do Madoff.

Eu adorei. Achei lindo. E, como o programa de treinamento vai entrar numa fase multimídia, estou superinteressada nesse tipo de coisa.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h52

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Se está no google, deve estar certo

Casca da banana pra derrubar muito repórter que nasceu depois de 1980 --tá, e uns mais velhinhos também.

Quem conta é o Marcelo Soares: o google errou, os outros copiaram sem pensar, e tá lá o erro estendido no chão.

Detalhe: o erro do google é sobre ele mesmo. Fonte insuspeita, que dispensa crítica ou reflexão, como se vê, não existe.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h44

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Rindo da desgraça alheia

Meu colega do blogmundo Ricardo Lombardi e meu professor Marcelo Soares me avisam que o site "Regret the Error" {lembram-se dele? Foi de lá que eu tirei aquele erro absurdo do post "No jornal dos outros não dói"} está com seu resumo anual!

Como os erros dos outros é inevitavelmente engraçado, vocês podem checar aqui.

O prêmio do ano foi para Dave Barry  --covardia, já que ele é humorista!!.

Vejam como ele corrigiu um erro de grafia que cometera em coluna publicada pelo Miami Herald:

"In yesterday's column about badminton, I misspelled the name of Guatemalan player Kevin Cordon. I apologize. In my defense, I want to note that in the same column I correctly spelled Prapawadee Jaroenrattanatarak, Poompat Sapkulchananart and Porntip Buranapraseatsuk. So by the time I got to Kevin Cordon, my fingers were exhausted."

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h13

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Para rir da crise

Do meu leitor Davi, mais uma contribuição para a seção Mais Humor no Jornalismo:

Tava navegando pelo uol e descobri q o brilhante Marcelo Tas começou uma série de programas sobre a crise. Já que não é todo mundo que entende essa crise, o Tas dá uma ajuda. É bem engraçado. Vale perder alguns minutos. Como dica para os leitores do blog.   http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/12/16/ult6893u1.jhtm

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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h59

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Quer ficar ''informadinha''?

Leiam a inacreditável história de uma leitora e me digam: como vocês sairiam desta?

Sou estagiária de um jornal e passei por uma situação diferente de tudo que já passei nesse quase um ano de estágio.
 
Um atropelamento aconteceu numa rodovia na entrada da cidade. Dois jovens morreram, um ficou gravemente ferido e o outro assistiu tudo. Um repórter nosso passava na hora e fez fotos. Se limitou a isso. Não apurou mais nada.

No dia seguinte, fiquei sabendo do ocorrido e descobri que um dos meninos é meu vizinho. Não deu outra: a pauta caiu na minha mão.
 
Apurei tudo, fui à casa dos dois que morreram, no hospital ver o que sobreviveu, acompanhei velório enterro, tudo!

Revirei o Orkut, achei o motorista. Revirei os fãs, os amigos... descobri uma amiga de um amigo de uma amiga e consegui o telefone do cara. Descobri que ele ia pra delegacia, mas nos desencontramos: eu descia da moto quando ele saía de carro. Perdi de vista e não tive como ir atrás. 

Na delegacia um cara reclamava muito, falava do motorista. Observei tudo, esperei o cara se acalmar, conversei com ele e descobri tudo sobre motorista.

Só faltava falar com ele.
 
Liguei para casa dele centenas de vezes e com muito custo consegui.
 
Fiz diversas perguntas, ele (lindamente) respondeu tudo, até que perguntei sobre uma garrafa de cerveja fotografada perto do carro (detalhe: ele não foi preso, nem passou por exame para ver se estava embrigado). Nesse momento ele se alterou. Comecei a perguntar se ele tem o hábito de beber etc., começou a falar que ia me processar e que era pra eu ter cuidado.

A esposa dele começou a gritar do lado dele. Em seguida ele disse que, se eu quisesse entrevista, era pra ir à casa dele que ia me falar tudo, mas que nao era para eu colocar nada do que ele disse por telefone (isso depois de ter falado mais de 10 minutos comigo). Ele desligou o telefone.
 
Liguei novamente. A mulher dele me atendeu e disse "eu que mandei ele calar a boca. Já que você é tão boa e já descobriu tudo sobre nossa vida, sabe de coisas que nem a gente sabe, vem aqui em casa. Vou te deixar informadinha.. Você nao sai daqui sem estar muito bem informada"..

Depois que passei isso para meu editor ele não permitiu que eu fosse na casa do cidadão. Queria muito ir, só que ponderei e, como não tinha a autorização do jornal, preferi não ir.
 
Aqui, não tem como gravar conversar por telefone; não gravei a conversa com o cara.

Na sua opinião, nesse caso, eu deveria correr o risco de ir até a casa do cara pra ficar "informadinha" e colocar a versão dele? Deveria arriscar colocar a versão dele mesmo não tendo gravado? Limitar-me a escrever na matéria "Por motivo de horário, a reportagem não consegui se encontrar pessoalmente com o motorista. Por telefone Antonio Carlos se defendeu em alguns aspectos, deu sua versão para os fatos, mas pediu que nada dito fosse publicado"? Omitir que conseguimos achar o cara?

Consegui a foto dele também. Acha que deveria ser publicada?
 
No meu caso, me limitei a colocar que ele foi encontrado, mas pediu pra que nada fosse divulgado. Na edição, isso ficou de fora do texto. A foto também não saiu.

Meu comentário

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h33

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O novo novo jornalismo

 
 

O novo novo jornalismo

Excelente dica do meu leitor Dalmo:

Estava olhando a seção Como foi feito do blog e lembrei do livro "The New New Journalism", do professor Robert Boynton, que já trabalhou para a The New Yorker e é coordenador do programa de jornalismo em revistas da New York University.

O Ricardo Lombardi até colocou um post sobre o ssunto no blog dele.

Comprei o livro quando estava fazendo meu TCC e achei muito bom, pois são entrevistas com 19 "novos-jornalistas" norte-americanos, desde Talese até Jon Kracauer (que são agrupados num conceito de novo-novo jornalismo por Boynton). Eu achei extremamente útil porque eles falam sobre todo o processo de concepção de uma reportagem (no caso, livros de não-ficção), desde como surgem as idéias, como fazem as pesquisas, se usam gravador ou nao, como fazem para as fontes confiarem neles e falaram sobre assuntos tão íntimos, se têm manias e rotinas na hora de escrever o texto etc.

O professor Boynton até fez um site sobre o assunto: www.newnewjournalism.com, que dá mais possibilidades sobre o tema.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h18

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Nos trilhos (ou fora deles?)

Meu leitor André manda este artigo da New Yorker que trata da velha e boa discussão sobre o futuro dos jornais impressos:

Seu argumento é que os jornais têm uma influência muito maior hoje do que tiveram no passado, e as pessoas fazem muito mais uso deles agora do que antes. O problema é que com o advento da internet ninguém mais quer pagar, colocando o modelo do negócio em risco.

Ele arrisca alguns caminhos que podem resolver esse impasse, mas o que ele acha fundamental é que as empresas entendam que estão no negócio de informação, não de impressão. Ele cita o exemplo das companhias de estradas de ferro, que não entenderam que trabalhavam com transporte -- e não com trilhos -- e acabaram deixando outras empresas mais modernas dominarem esse mercado. 

Minhas frases favoritas:

Papers' attempts to deal with the new environment by cutting costs haven't helped: trimming staff and reducing coverage make newspapers less appealing to readers and advertisers. It may be no coincidence that papers that have avoided the steepest cutbacks, like the Wall Street Journal and USA Today, have done a better job of holding onto readers.

(...)

And while the flood of online information has made the job of aggregation and filtering tremendously valuable, none of the important aggregation sites, to say nothing of Google News, are run by a paper. Even now, papers often display a "not invented here" mentality, treating their sites as walled gardens, devoid of links to other news outlets.

(...)

But it would not be shocking if, sometime soon, there were big American cities that had no local newspaper; more important, we're almost sure to see a sharp decline in the volume and variety of content that newspapers collectively produce. For a while now, readers have had the best of both worlds: all the benefits of the old, high-profit regime-intensive reporting, experienced editors, and so on-and the low costs of the new one. But that situation can't last. Soon enough, we're going to start getting what we pay for, and we may find out just how little that is.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h40

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Para amantes de história

O Café História é uma rede com 5.700 membros --estudantes, professores, pesquisadores e amantes de história.  Como jornalistas também amam (ou deveriam amar) o assunto, pode ser uma boa idéia passar por lá.

DICA DA CRIS MORENO: Então vale a pena divulgar o site do professor Ricardo Moura Faria, que atualiza desde 2005 o Boletim Mineiro de História. Apesar do nome, o site não se restringe às questões de Minas e sempre divulga textos atualizados sobre história brasileira, que deveriam ser lidos por todos que se interessam pelo assunto.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h58

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Jogue os sapatos

[este post é uma continuação do post abaixo]

Claro, já inventaram um joguinho: "jogue os sapatos no Bush" [obrigada, Alec., Marcelo e André!]

Meu prof ALEC DUARTE também sugere uma visita a esta página divertíssima indicando que o fato será um dos memes do ano (uma cena repetida à exaustão com o acréscimo de ingredientes é MUITO internet...)

E a CRIS manda os links das charges:

http://www.acharge.com.br/php/charges/tiago.jpg
http://www.acharge.com.br/php/charges/AUTO_cleriston.jpg
http://www.acharge.com.br/php/charges/AUTO_amorim.jpg}
http://www.acharge.com.br/php/charges/AUTO_son.jpg
http://www.acharge.com.br/php/charges/AUTO_sinfronio.jpg
http://www.acharge.com.br/php/charges/AUTO_frank.jpg.

A charge do Glauco:


O Blog do Vinicius pergunta:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h46

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Eu não sou cachorro nããããão....

Leitores, proponho um mutirão pelo humor no jornalismo.  Explico:

Poucas vezes há notícia (mesmo, sem ser coisa pequena) tão engraçada quanto os sapatos que jogaram no Bush.

É notícia grande: atacaram o presidente americano.

Se fosse com uma faca, o mais aguerrido adversário do Bush ficaria constrangido em dar risada. Mas com sapatos!...

E a frase do arremessador de sapatos?

--Foi o beijo do adeus, seu cachorro

Até o Bush teve presença de espírito:

--Só posso dizer que era tamanho 41.

Hoje, no final do jornal da manhã, a CBN atacou de Waldick Soriano, na versão Falcão: I am not dog no.

Minha proposta de mutirão é a seguinte: você viu alguma outra piada, charge, vídeo, qualquer coisa que engraçada e jornalística sobre o caso? Se viu, mande-me, por favor, para engordar este post.

A letra de "Eu Não Sou Cachorro Não" (para ouvir na voz de Waldick, na rádio UOL)

A letra de "I am not dog no"

Para ver o vídeo do ataque

Para se divertir mudando as legendas da foto, no blog do meu colega Luiz Antonio Ryff [obrigada, Marcelo]

Algumas charges começam a aparecer.

Do Christian Science Monitor:

Post mais recente sobre humor em jornalismo

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h06

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Erramos? Quase.

[Sabe-se lá por que mistério este post, publicado ontem, sumiu do blog e volta só agora]

por CHICO FELITTI

Quase caí na fossa do jornal: o Erramos. Foi ontem à tarde, fechando as matérias do Novo em Folha. Sorte que, antes de cair no temido canto direito inferior da página 3, fui salvo por uma colega de quebrar a cara por causa de uma imprudência de nada. Mas que teria causado um tremendo vexame.

Tinha acabado de dar por finalizada a arte da matéria sobre o humor feito com o AI-5 na semana que o ato entrou em vigor. Coisa simples: um compilado de piadas e histórias em quadrinhos fazendo choça da ditadura.

Uma das HQs, publicada na manhã seguinte ao anúncio do ato, tinha um quê de profecia. Nela, o Cascão pede para um adivinho dizer como será seu futuro. O oráculo diz que a previsão não sai naquele dia porque uma nuvem negra entrou na bola-de-cristal.

 O crédito do trabalho ia para o Maurício de SouZa, claro. Pelo menos na minha cabeça - e no papel até esse momento.

Checadinha

Já estava voltando para a redação do Treinamento quando a Alessandra Balles, ex-trainee, conterrânea jundiaiense e editora do Folha Corrida, chegou na bancada da arte e falou, delicada: "Querido, Maurício de SouSa se escreve com ésse. Quer dizer, tenho 99% de certeza, mas vale dar uma checadinha". Ela tinha ouvido eu ditar a legenda, com zê, para o diagramador.

Os 99% de certeza se comprovaram com a checadinha. Era Sousa mesmo. O toque me safou de QUATRO menções de um nome crassamente errado. E o sobrenome de alguém que conheço desde os três anos de idade, ainda por cima!

O diabo definitivamente mora na pretensão do conhecimento. Se fosse um piadista grego ou um clown russo, aposto que ia ter batido a informação 18 vezes. Mas, por ser o cara que desenhou os gibis da infância toda, a tendência de "fazer o íntimo" foi mais forte que a regra de ouro.  

Será que, não fosse pela gentileza alheia, eu teria dado o primeiro Erramos logo no caderno de fechamento do Treinamento? Que ótimo jeito de começar no jornal, seu tapir.

De agora em diante, faço da minha culpa as palavras em letras garrafais dos quadros pendurados pela redação: "Não chute, cheque". Virou mantra.

Obs: Todos os nomes deste post foram checados antes de sua entrega. 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h36

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Pergunta é notícia?

Naquele post sobre quanta dúvida um repórter pode ter a gente falou de uma questão da Gabriela, que sempre termina suas entrevistas perguntando: "Quer dizer mais alguma coisa?". Com variações, é um método usado por muito repórter experiente para:

  • dar liberdade à fonte de falar de algo que considera relevante
  • entender o que é mais importante na visão do entrevistado --muitas vezes, a esta pergunta, eles respondem algo do tipo "Só acho importante deixar bem claro que..."
  • descobrir algo novo que surge num momento mais descontraído, em que a entrevista "oficial" terminou e a fonte pode se desarmar

Nos comentários, me perguntaram: mas essa pergunta deve ser publicada no jornal?

Boa questão.

Em princípio, a pergunta em si é bem fraca, porque vaga, aberta demais. Como temos sempre que editar nossas entrevistas e jogar muita coisa fora, dificilmente essa se salvaria.

Já nas que faço aqui no blog, como não tenho limitação de espaço, eu sempre deixo, por um motivo didático: para que os leitores possam saber que perguntas eu fiz e em que ordem.


Já que o assunto é perguntas publicadas, vai aí mais uma sugestão de comparação sobre os efeitos diferentes entre entrevistas pingue-pongue e aquelas publicadas em texto corrido.

No trabalho final da 46ª turma, minhas recém-trainees VANESSA COSTA e NANCY DUTRA entrevistaram, como o repórter CLÁUDIO DANTAS, dois ex-ministros do período militar: Ivo Arzua e Jarbas Passarinho. e SOFIA FERNANDES entrevistou com a repórter FERNANDA ODILLA outro ex-ministro, Rondon Pacheco.

Clicando nos nomes deles acima, você lê os pingue-pongues. Já na versão impressa da Folha, saíram em texto corrido (a de Rondon pode ser lida aqui, e a dos dois outros seguem abaixo):

Pressão levou Costa e Silva ao AI-5, afirmam ex-ministros

Versão de Jarbas Passarinho e Ivo Arzua contrasta com a afirmação de general e vice de que foi o próprio presidente que redigiu o ato

CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
NANCY DUTRA
VANESSA CORREA

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A reconstituição dos eventos que culminaram na reunião do dia 13 de dezembro de 1968 envolve contradições. Sobreviventes da assinatura do Ato Institucional n.º 5, os ex-ministros Jarbas Passarinho (Trabalho) e Ivo Arzua (Agricultura) dizem que o presidente Arthur da Costa e Silva foi pressionado a editar a medida. Essa versão difere dos registros deixados pelo general Jayme Portella (gabinete militar) e pelo vice-presidente Pedro Aleixo.
Em entrevista à Folha, Passarinho diz que Costa e Silva correu o risco de ser derrubado do governo pelos membros mais radicais na véspera da reunião. "Queriam forçar o presidente a fazer aquele ato", afirma. O ex-ministro diz que fazia parte da ala mais liberal do gabinete afim ao presidente. "Se você pegar a vida do Costa e Silva, vai ver que como presidente ele não teve nada de linha dura", diz.

Ivo Arzua também defende que o presidente assinou o ato a contragosto. "Foi levado pela unanimidade dos órgãos de segurança", afirma. Segundo o ex-ministro da Agricultura, o presidente era "um liberal".
"O presidente me disse: "É ministro, infelizmente tivemos que tomar essas medidas'".

O chefe do gabinete militar Jayme Portella escreveu, em seu livro de memórias, que o presidente redigiu de próprio punho o rascunho do AI-5, antes mesmo do fim da votação que negaria a licença para processar o deputado Márcio Moreira Alves. "Conversamos sobre o que estava ocorrendo em Brasília, ele tirou de sua pasta um talão de memorando e passou a escrever. Leu o que havia escrito, que nada mais era do que os pontos principais de um ato institucional", disse.

Segundo o general, Costa e Silva revisou o documento ainda na noite do dia 12. "Ele havia reformulado os itens que me mostrara no avião e acrescentou mais um, "recesso do Congresso'", contou. Na prática, Costa e Silva redigiu 8 dos 12 artigos do AI-5. Dentre eles, a suspensão dos direitos políticos e cassação de mandatos, a intervenção nos Estados ou Municípios e a suspensão de habeas corpus.

A decisão do presidente de só assinar o ato no dia seguinte foi um teste de força, segundo Portella. Costa e Silva não queria que sua decisão fosse vista como resultante da pressão de ministros e comandantes militares. O fato é que não houve improviso na elaboração do AI-5, segundo José Carlos Brandi Aleixo, filho do então vice-presidente, Pedro Aleixo, o único que votou contra o ato.

"Meu pai lutou contra o Ato Institucional muitas semanas antes", afirmou José Aleixo.

Ele diz que a imprensa publicou no início de novembro críticas de Pedro Aleixo a articulações da linha-dura. "Chamou de subversivos as mesmas autoridades que tramavam contra a Constituição."

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h04

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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