Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Fora do centro

Vocês devem ter visto esta foto na segunda passada, ou pelo menos ter acompanhado este caso.

É uma imagem dramática e o primeiro olhar vai sempre para a informação principal: o pobre torcedor atormentado, pendurado entre vida e morte.

Mas o que eu adoro nesse tipo de foto é a quantidade de vida escondida nos detalhes.

Vejam só:

 

 

 

 

 

 

 

 


Me lembrou um outro plantão na Primeira Página, em que nós publicamos, mais ou menos do tamanho abaixo, esta foto _de uma ponte que havia ruído em Bertioga durante uma festa:

Na época, pensei em fazer um post sobre os detalhes, mas acabei me perdendo em outras tarefas e ele ficou para trás. Agora eles voltam à cena, então:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h38

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No Rio - se eu pudesse, não perdia

Vai acontecer um curso de reportagem no Rio com meus mestres Angelina Nunes _cujo cargo é editora-assistente da editoria Rio de "O Globo", mas que na verdade é uma multipremiada repórter_ e Marcelo Soares _que desde o século passado, quando foi meu trainee, já entendia tudo de pesquisa na rede e jornalismo de precisão.

São 16 aulas. Queria ter 20 e poucos anos e passar um semestre no Rio pra fazer esse curso! (Só por isso, claro!)

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h15

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Susana e Marcelo - compare e escolha

Não é coincidência, claro, que as duas principais revistas tratem do mesmo assunto neste fim de semana.

Mas as diferenças de estilo, hierarquia, enfoque e "moral da história" são tão expressivas que acabou virando um bom exercício: quem puder leia os textos de Veja e Época e pense sobre como cada um foi feito e aonde cada um leva.


É um comentário só correlato, mas não soa mal colocar tal matéria numa seção chamada "diversão"?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h56

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No ar! Iupi!

Problemas técnicos resolvidos: nosso site está no ar. Ainda tem vários problemas técnicos, mas já dá para ter uma idéia.

Estou agora de plantão, mas assim que der eu conto nossa história desse site --incluindo o dissabor de termos levado um furo no sábado passado.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h18

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Internet também prega peças

Eu adoraria mostrar para vocês logo cedo o trabalho maravilhoso que meus trainees fizeram durante os últimos dois meses.

É um site multimídia, com animação, vídeo, áudio, páginas interativas. Ficou completo e lindo.

Saiu uma chamada enorme na Folha impressa de hoje. Mas, infelizmente, por essas peças que a internet nos prega, não entrou no ar ainda.

Assim que eu conseguir entender o problema, eu ponho o link aqui para vocês.

Enquanto isso, dá para, pelo menos, ler o caderno especial --sim, a mídia tradicional...

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h51

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Em Brasília

Curso de introdução ao direito no IDP - Instituto Brasiliense de Direito Público.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h37

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Nem fim nem começo

Hoje é o último dia da 46ª turma. Mas isso não quer dizer nada além de que eles vão continuar aprendendo, porque jornalismo a gente aprende fazendo e nunca pára de continuar aprendendo.

Aqui estão eles em seus "momentos finais":

Fotos: Eduardo Anizelli/Folha Imagem

Na sacada do oitavo andar


Nas antigas rotativas


No elevador: sobe!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h18

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Jornais no Brasil

Para quem gosta de acompanhar o panorama da mídia, artigo do Huffington Post sobre mídia no Brasil. [obrigada, Dani].


Meu leitor Bruno sugere um artigo sobre o lançamento do primeiro "canal nacional" da CNN na América Latina:

A rede americana vai abrir um canal de notícias 24 horas no Chile. A empresa diz que escolheu o país pela qualidade de seu jornalismo, mas esse blogueiro questiona a afirmação e mostra que a atividade no Chile está sob ameaça por causa de monopólios da mídia e da existência de veículos comprometidos com interesses do governo.   Sei que é só uma análise de um blogueiro, mas pode ser interessante para relfetir. Lembrei desse texto quando vi no blog a dica sobre o artigo do Huffington Post que diz que a imprensa brasileira está "bombando" (sic).   O link é http://www.cebec.cl/blogs/senen/?p=116

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h09

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Só na internet

Pra não parecer que eu condeno a pesquisa na internet ou acho que nada de bom vem dali, relato algo que acaba de se passar com meu trainee MATHEUS MAGENTA.

Estamos terminando nossas matérias especiais de final de curso, e ele precisa falar com alguns historiadores --especializados num assunto específico.

Fez algumas tentativas de combinações de palavras no Google, com os resultados esperados: dezenas de sites dos mais variados e zero informação útil.

Numa delas, clicou num site a esmo. Abriu uma página de index (aquelas que só têm uma lista de pastas) de um encontro acadêmico. E, olha a sorte: uma delas era um diretório com telefones e e-mails de centenas de pesquisadores daquela área específica, em vários Estados do país.


O CAMINHO DIRETO

Meus professores EVANDRO SPINELLI e Marcelo Soares (que acaba de lançar um ótimo blog só sobre dicas de investigação) lembram, nos comentários, que uma boa fonte para especialistas é a base Lattes (http://lattes.cnpq.br), onde se pode pesquisar por assunto estudado --a maior parte dos pesquisadores cadastra os títulos de todos os trabalhos que faz ou orienta.

Eles, como sempre, estão certos. Conhecer a base Lattes é um daqueles caminhos "certiros" da Web, em que você sabe onde procurar e com isso ganha tempo.


AS CURVAS DA ESTRADA DE SANTOS

O Matheus, no entanto, conta por que a Lattes não serviu:

Em resposta aos professores Marcelo Soares e Evandro Spinelli, eu digo que pesquisei no Lattes e entrei em contato com todos os pesquisadores das primeiras páginas do resultado da pesquisa.

O problema é que esses especialistas não respondiam aos emails ou as instituições não passavam os telefones deles. E esses especialistas eram da USP, PUC, UFF, essas universidades mais tradicionais, instituições que sou constantemente incentivado a evitar justamente para não ouvir sempre as mesmas fontes.

 Enfim, a lista que eu encontrei no google trouxe TODOS os pesquisadores na área (com seus respectivos endereços, instituições, telefones e e-mails) que participaram de um encontro acadêmico.

Tinha gente de Sergipe, interior de Minas Gerais, Bahia etc.

Tive de voltar ao Lattes para conferir os currículos e os títulos, um por um em ordem alfabética. Só assim eu descobri que, para uma área de pesquisa, os especialistas podem vir das mais diversas palavras-chaves numa busca.

Valeu!


VALEU DIGO EU

Essa troca de idéias, dicas e palpites, perguntas e respostas é a verdadeira riqueza deste blog. Eu adoro os meus leitores! Sorriso

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h00

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Jeito e hora para tudo

Se no meio da tarde você tem a idéia de ir ao cinema com seu namorado à noite, faz o quê?

Manda um e-mail?

Ou telefona?

Mil entre mil vão dizer que ligam.

Mas bem uns 500 desses 1.000, se tiverem que entrevistar uma fonte, vão longo escrevendo uma mensagem --mesmo se o fechamento for pra esta noite.

Tá na cara que escolheu a arma errada para atingir o alvo. Telefone é muito mais rápido, mais imediato, resolve o problema na hora --até para saber, por exemplo, que o fulano viajou ou não quer dar entrevista.

E-mail é errado, então? Obviamente não. Vamos dizer que você telefonou e ele não está --mande um e-mail, que pode pegá-lo em outro lugar, quem sabe até no blackberry.

Outro momento em que o e-mail é bom: são 23h e amanhã na sua pauta cabe bem aquela fonte. Adiante o assunto por escrito e avise que vai ligar amanhã.

A mensagem escrita também ajuda a reforçar o pedido, explicar melhor a pauta, adiantar perguntas.

Ou seja, tem jeito e hora pra tudo. Só precisa usar o jeito certo na hora certa.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h58

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O caminho do meio

É mais ou menos assim o valor da dúvida na vida de uma reportagem.

É de máxima utilidade na hora da pauta. Da curiosidade e do interesse pelo mundo surgem as melhores idéias de matéria.

O ideal é que, tendo a idéia, a gente faça uma pesquisa básica, para entendermos um pouco mais do quadro geral dentro do qual nossa reportagem entra.

Na entrevista, se já chegamos sabendo o suficiente, a dúvida continua tendo um bom valor. Não só porque fazemos (claro) perguntas, mas porque é bom manter-se em permanente estado curioso: muita notícia sai de onde não esperávamos, se prestarmos atenção ao que a fonte diz.

A curva cai rapidamente na hora de escrever o texto. Sim, ainda é possível ter incertezas, mas é preciso checá-las até reduzi-las a zero.


Posso não saber?

Foi o que perguntou a Natalia, há "décadas" atrás Sorriso. Ou, para ser mais precisa, ela queria saber o quão preparada precisaria chegar a uma entrevista. Se poderia mostrar para a fonte que não dominava totalmente o assunto.

A resposta, acho, está no caminho do meio. Há dois extremos que não pegam bem:

  • o do repórter que não se deu ao trabalho nem de pesquisar o básico (do tipo que pergunta "o seu cargo é qual, mesmo?")
  • o que quer mostrar que sabe tudo e está mais apaixonado por suas "brilhantes" perguntas que pelas respostas

Cada fonte tem sua personalidade --há as pacientes, apressadas, entediadas, interesseiras, intolerantes, benevolentes.

Mas, correndo pela pista do meio, dificilmente pegará mal se você disser: "Eu li tal e tal coisa sobre o assunto, mas ainda tenho dúvidas. Você, que é um especialista no assunto, poderia me ajudar a traduzir numa linguagem que o leitor entenda?".


Pesquisa: uma chave para cada fechadura

 A Natalia bem que tentou pesquisar antes, mas o tiro saiu pela culatra: "Eu fiz o que todo mundo faz, "dei um google". Achei algumas coisas, mas muita informação diferente, então fiquei mais confusa ainda".

É que ela deve ser da mesma geração que a maioria de vocês, leitores, em que googlar é verbo e sinônimo de pesquisar. Bom momento para saber que não é bem assim: há várias outras fontes de pesquisa, tão boas ou melhores que a internet, dependendo do caso.

Um exemplo (fictício): você tem que escrever sobre o aumento de produtividade agrícola dos Estados do Centro Oeste.

  • o google é ótimo se: você já sabe que a Embrapa tem os principais pesquisadores de plantas que produzem bem no cerrado e a Unicamp, os melhores economistas agrícolas (use-o para conseguir o telefone da Embrapa e da faculdade e economia agrícola da Unicamp)
  •  mas não te ajuda em nada se: você não tem a menor idéia de quem entende de agricultura no cerrado. O Google trará um monte de informação que você não sabe julgar

Ou seja, a internet é sensacional quando você conhece bem o seu alvo, mas um presente de grego para quem ainda não tem pista alguma.


Existe inteligência fora da internet

Como fazer, então, quando a gente desconhece um assunto? Há várias fontes mais seguras e mais rápidas:

  • peça ajuda a um colega mais experiente
  • procure nas listas de especialistas das faculdades
  • leia veículos especilizados e veja quem eles ouviram
  • use o método do novelo: assim que achar uma fonte que entenda do assunto, peça que ela te indique outras

Feita a lição de casa, não se acanhe: pergunte tudo o que quiser na entrevista. Não tenha vergonha de não saber. O principal é contar direito a história para o leitor. [Para quem não leu, este post dá um bom exemplo em que um repórter experiente não teve vergonha de perguntar]


Mais alguma coisa?

Pra terminar com esta conversa, aproveito a pergunta da Gabriela, que foi criticada por um colega porque, ao final de uma entrevista, perguntou se a fonte queria acrescentar alguma coisa.

Eu sou adepta dessa última pergunta --que aprendi com vários mestres que sabem muito mais que eu.

Pode acontecer do sujeito responder: "Não. Você tem mais alguma pergunta?"? Pode, claro. A Gabriela passou por isso.

Mas, na minha experiência, não é o mais comum. Quase sempre essa abertura final é usada pelo entrevistado para dizer algo interessante ou relevante.

Só um porém: parto do pressuposto de que você se preparou para a entrevista e já fez várias e ótimas perguntas, certo? Não vale chegar na frente da fonte e lascar um "O que o senhor gostaria de dizer sobre o assunto?". Se puder, evite também a terrível variação "Como o senhor vê tal assunto?" ("Com os olhos!!").


Ufa!

 

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h48

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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