Aventuras de um repórter fotográfico
Quando conversei com meu colega FERNANDO DONASCI sobre a
cobertura do caso Eloá, perguntei se ele já tinha feito outras coberturas
com grau de tensão semelhante. Ele ficou de me responder depois, com exemplos,
que aqui estão:
Cada pauta tem suas diferenças. Seqüestro eu não me recordo de outro tão
tenso como esse. Mas já vivi diversas situações que foi muito difícil conseguir
uma foto boa pelo nervosismo do momento.

O caso Isabela foi uma correria atrás dos pais da menina entra e sai de
delegacia, plantão na frente da casa e sempre buscando um ângulo diferenciado
dos outros veículos de comunicação.
Nesse caso fiz uma imagem bem legal, o pai, Alexandre Nardoni, fazendo
exame de corpo delito no IML. Foi uma foto exclusiva que eu estava batalhando
para conseguir. Já tinha visto a janela aberta da sala. Depois que ele entrou,
meus colegas ficaram na frente do lugar. Eu fui até a lateral escondido deles e
pulei o muro. Havia cinco janelas, olhei em todas e de repente encontrei o homem
sem camisa sendo analisado por um perito.
Outra pauta interessantes foi uma semana em que eu fiquei em cima de um
prédio no centro de SP, procurando algum assalto ou furto.
Acompanhei o dia-a-dia dos meninos que ficam cheirando cola na região. Eles
não conseguiam me ver, eu estava no décimo quinto andar do edifício. Estava lá
das 7h às 19h. Tinha almoço e café, porque a síndica me dava.
Certo dia dois guardas municipais chegaram com suas motos no local e quase
todos os meninos correram, menos dois que não abalaram com a presença de
autoridades na ladeira da Memória, onde tomavam banho.
Os guardas conversaram com as crianças, aparentando 12 anos cada. Um deles
saiu da água e foi pegar uma garrafa com cola embaixo do banco, e começou a
cheirar. A cola estava petrificada no fundo do vasilhame, o menino tirou um
isqueiro e começou a esquentar pela boca da garrafa, mas não deu certo. O
policial tirou a garrafa da mão dele virou e esquentou o fundo, a cola
derreteu um pouco e o menino saiu cheirando pela rua com o outro atrás.
Na hora não tinha percebido a importância da foto que tinha feito, liguei
para a editoria e comuniquei o fato. Mandaram que eu ficasse mais um pouco no
local para ver se não acontecia nada mais.
Às 19h30 cheguei ao jornal com a imagem, mostrei para o editor (Toni Pires),
ele percebeu a importância da foto e foi mostrar à Primeira Página.
Foi uma correria, viram que a foto era de um policial esquentando droga para
um menor de idade, escrevi a matéria.



Publicamos duas fotos na capa do jornal, três fotos na capa do Cotidiano e
outras mais dentro.
No outro dia, cheguei cedo à Redação. Os programas de TV mostravam a capa da
Folha em todos os canais e comentavam as fotos feitas. A maioria deles ligou na
Folha para fazer uma entrevista comigo. O jornal não me autorizou, nem eu
queria. Estava com medo de ser perseguido ou qualquer coisa do gênero.
Já cobri diversos conflitos entre tropa de choque e camelô, com bombas e
tiros de borracha.
Digo sempre que, nessa hora, os jornalistas são os alvos preferidos dos
combatentes, porque sempre é o mais fácil e estamos na mira deles na
luta por conseguir uma boa imagem.
Já ganhei uma pedrada na mão, por pouco não pegou no meu rosto. Foi em um
confronto entre policiais e sem-teto no bairro do Glicério.
Os sem-teto invadiram o quartel general da PM abandonado na região, e a tropa
de choque veio retirar as pessoas do local. Aí começou o combate. Fiquei embaixo
do carro da Rede Globo, que estava no meio do confronto, junto com um
cinegrafista. Tive de sair quando começou o gás lacrimogêneo.
Nesse dia um colega tomou um tiro de bala de borracha na perna, tivemos que
levá-lo ao hospital.
Outro caso foi em Brasília, a matéria era sobre febre amarela e a
repórter, Laura Capriglione. Tinha que fazer uma foto sobre a doença, era uma
missão difícil.
Depois de tentar fotografar macacos e diversas outras coisas para tentar
representar o surto de febre amarela, descobrimos que a primeira pessoa que
adquiriu a doença estava internada no hospital da região. Nenhum meio de
comunicação havia conseguido a imagem.
Consegui uma senha de acesso para o hospital, passei pelos seguranças, achei
o quarto, abri a porta com a câmera nas mãos, fiz dois cliques e rapaz começou a
gritar. Conversei com ele explicando que era da Folha, ele se acalmou e eu
consegui sair do hospital sem ninguém perceber.


Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h31
Um depoimento de meu leitor Vinicius sobre o curso
de web 2.0 do Knight Center:
Concluí recentemente o curso do Knight Center sobre Jornalismo 2.0 em
português (fiz parte da segunda turma). Apesar de ser um curso online, posso
garantir que é muito bom. O conteúdo, o formato utilizado e a atenção dos meus
instrutores (Carlos Castilho e Vanessa Higgins) merecem aplausos!!! Vale a pena
fazer se você consegue se dedicar ao menos um pouquinho para participar dos
chats, discussões e tentar fazer os exercícios. Acredito que este novo curso
será ainda melhor visto que terá a participação do Mark Briggs.
Recomendo!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h57
Estava comentando hoje cedo com meus trainees que o jornalismo cobra um preço
alto de nós e que paga mais leve o sacrifício quem tem vocação, quem se envolve
com o que faz.
Como diz um dos meus mestres, em algumas pessoas a gente vê "a fagulha". Dá
pra ver nos olhos o interesse, a vontade de fazer direito.
Mas a nossa fatura não é nada perto da chinesa. Não que seja consolo, mas não
dá pra não pensar nisso quando a gente lê a
história de Hu Jia, no blog de meu colega RAUL JUSTE LORES, ou a de Li
Changquing, encarcerado
por noticiar uma epidemia de dengue.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h26
Na semana passada, meu leitor Rafael perguntou "até onde pode ir um estudante?", referindo-se a um blog que
prova a ira de dirigentes corintianos, a ponto do caso ir parar na
delegacia.
Como vários de vocês escreveram no comentário, acho que a questão aqui não é
ter ou deixar de ter terminado a faculdade.
Ou seja, supondo que tenha havido erro ou exagero no blog que justifique a
queixa à polícia, a causa principal disso não está na condição de estudante do
dono do blog, nem o diploma teria garantido que ele fizesse textos
diferentes.
Não vou entrar no mérito da disputa, porque não entendo nada de Corinthians
(meu negócio é a Lusa) e não conheço o que embasa os textos do
Paulinho.
Pensando em tese, então:
- Fazer um bom blog, com qualidade jornalística, não requer diploma do curso
de jornalismo
- Ter terminado a faculdade não impede ninguém de cometer erros
- Todo mundo tem direito a opinião, mas, se for acusar alguém, é bom ter como
provar
- Quem se sente injustamente agredido tem direito de reclamar
- Há vias legais para essa reclamação. Qualquer intimidação além delas é
absurda (sobre isso, leia notícia no site
da Abraji)
Um leitor escreveu: blog é leitura ativa, ninguém é obrigado a ir lá ler.
Como diria o Didi, "mais ou menas", né, gente? Se você xinga o presidente do
seu clube no seu diário e o cara vai bisbilhotar e se ofende, o errado é ele.
Mas se você abre seu blog na rede, é tão público quanto um jornal on-line,
e aí é preciso prestar contas do que se escreve.
Ou não?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h45
Só hoje conheci o blog de meu ex-trainee Renato Essenfelder, Midialogismo,
muito legal para quem se interessa por jornalismo.
E lá encontrei este post
que fala de matéria de uma leitora minha, a Ivy, sobre um assunto que já
comentamos aqui, o jabá. Vale a pena ler.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h30

É de minha colega AFRA BALAZINA a reportagem "População
de jararaca-ilhoa despenca", que pode ser lida na Folha Online e é um ótimo
exemplo de texto informativo e divertido ao mesmo tempo, sem ser boboca, forçado
ou piegas.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h36
Meu leitor Everton, do Rio Grande Sul, manda um outro exemplo daqueles efeitos tragicômicos provocados por erro de redação ou revisão. Diz ele:
Os assessores de imprensa são os campeões mundiais em pedradas no próprio dedão. Invictos! Ninguém ganha deles! Quando estamos falando de uma assessoria de imprensa de um órgão público e em uma cidade do interior, essas gafes são catapultadas à décima potência. No caso estampado aqui não poderia ser diferente: no site da Prefeitura Municipal de Santo Cristo (http://www.santocristo.rs.gov.br/), no Noroeste do Rio Grande do Sul, a prefeitura se propõe até a melhorar a “qualidade da população”.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h17
Ministério Público Federal para imprimir
Está na rede a terceira edição do guia "Por Dentro do Ministério Público
Federal". Basta
clicar e imprimir.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h40
...é só um charuto
Meu leitor Thiago perguntou sobre esta foto, na capa da Folha de segunda:



Acima da cabeça do Kassab, uma propaganda do TSE: “(...)Perder 4 anos. E 4
anos é muito (...)” A minha pergunta é: foi
proposital?
Fui perguntar à Editoria de
Fotografia, que respondeu:
Também notamos e falamos com o
fotógrafo. Resposta dele " Claro que não...a correria era tanta que só via a
placa depois do clic".
É curioso como isso é comum com fotos. Há
bastante tempo, aqui no blog, fiz um
post com o mesmo título, sobre um caso bem semelhante.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h57
Meu leitor Breno manda esta notícia de mais um jornal diário
americano virando semanal e comenta: "Em algum lugar, Phillip Meyer
deve estar com um leve sorriso no rosto" (clique
aqui para saber por quê).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h38

É a opinião do repórter Lucio Vaz, que já foi meu colega na Folha e hoje está no Correio Braziliense.
Lucio acaba de fechar seu blog. A discussão vale a pena.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h27
Jornalismo, fotojornalismo
Em São Paulo: o Senac abriu uma graduação em jornalismo.
Em Brasília: fórum de fotojornalismo. Inscrições e informações pelo ebfoto@ebfoto ou (61) 3327-0238/9994-7293.
Em Porto Alegre: terminam dia 30/10 inscrições para oficina de jornalismo da rádio Guaíba (oficina@radioguaiba.com.br), para estudantes de jornalismo de qualquer semestre.
Na internet: a TV Cultura transmite a entrega do prêmio Jabuti, na sexta - www.tvcultura.com.br/premiojabuti.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h24
Muita coisa concorre para o erro no jornalismo. Por isso, se a gente puder
não contribuir, melhor.
Por exemplo, não pode mandar recado pro chefe ou pro colega no meio do texto
ou na página pronta.
Toda Redação tem um caso pra contar de repórter que escreveu a certa altura
"os 345.768 eleitores [favor checar esta m...] que vão amanhã às urnas em ...".
Na correria, com um editor bufando "Desce, desce, desce", o texto passou sem ler
e a m... estava feita.
Abaixo estão dois exemplos recentes, mandados por meu leitor Edgar.

´
Há no blog outros exemplos
de erro no meio do texto e de gráficos, mas o meu preferido foi o sujeito
que deixou o seguinte recado no meio de uma legenda: "colocar só a véia". Juro!
E não só saiu assim, como eles ainda pioraram no dia seguinte...
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h19

CHICO FELITTI e a cobertura do debate da Globo:

Sem querer vir com papo chato de dissuadir o primo mais novo que sonha em fazer jornalismo. Mas vale saber que nem tudo –-na real, nada-– na vida de repórter é glamour. Ou, como diria um tio chulo que só, tem dias que a noite é...
Enclausurados
Eu e a NATALIA PAIVA fomos acompanhar a cobertura do debate final entre os candidatos à prefeitura paulistana na noite da última sexta. Por livre e espontânea vontade, que fique claro _pra ninguém ficar pensando que a Ana põe a gente pra construir pirâmides. Além de querer assistir aos momentos finais da disputa, é sempre bacana comparar a estrutura de debate em diferentes emissoras. Como esse era na toda-poderosa Globo, logo pensamos que o circo prometia.
Ledo engano. Fomos obrigados a chegar com duas horas de antecedência ao império do Projac paulistano _a sucursal daqui também é um Projac?_, esperar numa jaula até que a imprensa pudesse entrar e... ser escoltado por seguranças até a “sala de imprensa”. As aspas se justificam. O espaço reservado para a mídia era ótimo, não fosse um detalhe: estava completamente isolado do auditório onde aconteceria o arranca-rabo Marta-Kassab. Era uma “cela de imprensa”.
Pela noite, seríamos animais encarcerados. Animais encarcerados tratados a pão de mel coberto de chocolate e uma torta de pecã de morrer. Mas, ainda assim, freirinhas presas em seus claustros, sem direito a ter com Eles, os políticos. Ficamos nós, bichos jornalistas acuados, assistindo à novela do nosso cativeirinho. Depois de muito lanche de carpaccio, café e Coca-Cola, às 22h finalmente começa o debate. Foi bom. Quer dizer, a versão que vimos pela televisão foi ok.
Finda a discussão, a imprensa ganhou 10 minutos com cada candidato. Eles se postavam, um de cada vez, num púlpito no canto da nossa área e, durante exatos 600 segundos, respondiam às dúvidas acumuladas em quatro horas de espera. Nem precisa dizer que, feito um bando de leões famintos disputando uma gazela, não sobrou petista nem democrata para ninguém. Mal consegui levantar a voz para perguntar para a candidata Marta se ela rezaria nas duas noites que faltavam para o pleito. Desnecessário contar também que, no meio do furdûncio, ela não ouviu. (*) Fomos embora com a cauda no meio das pernas.
Quando enfim chegamos ao nosso bairro, lá pela uma e pouco da manhã, eu e trainee-vizinha demos uma passada em casa para ela pegar a Folha do dia --tinha saído uma matéria excelente sua e de mais colegas de treinamento sobre locais para deficientes praticarem esportes na cidade.
No elevador, subimos com uma vizinha com quem sempre cruzo e troco “ois” tímidos. Suada, de regata largona com top de biquíni listrado por baixo e cara de feliz. Ela olhou para os nossos pulsos e soltou um animado “Ah, vocês também tavam lá?! Foi óóótimo, né?!”. Foi aí que nos demos conta que a pulseira laranja com a inscrição “Debate” com que nos haviam encoleirado era idêntica à dela. Só que na dela se lia “Tim Festival”.
Ela tinha acabado de voltar do show do Gogo Bordello, uma banda de uns doidões de lugares tipo Romênia, Etiópia e Rússia que se radicaram em Nova York e fazem um som cigano loucaço. Dizem que foi uma das melhores apresentações do ano.
E a gente comendo pão de mel e lutando por um pedaço de candidato. É preciso muito querer, viu...
(*) MATHEUS MAGENTA contou outro dia que, na hora do tumulto, o problema nem é ouvir o que o entrevistado fala, mas conseguir que ele escute o que você quer perguntar
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h30
Meu colega DANIEL BERGAMASCO sugere a leitura de artigo da "Economist" sobre a obrigatoriedade do diploma no
Brasil.
Como dois outros professores meus haviam mandando o mesmo artigo, acho que
está mais que na hora de aplicar a "regra
do dois".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h14
Sandrinha, minha secretária, é mesária nas eleições. Que tédio, né? Nada disso. Olha só a história que foi bater na porta da zona eleitoral dela:



Após 26 anos, irmãs se conhecem no ABC
FILHAS DA MESMA MÃE, AS DUAS ESTAVAM SEPARADAS HÁ MAIS DE 20 ANOS. A CAÇULA LOCALIZOU A MAIS VELHA NODO SITE DO TSE, E ELAS SE ENCONTRARAM EM LOCAL DE VOTAÇÃO
DO AGORA
O Jardim Santo André, mesmo bairro da cidade do ABC onde no último dia 18 ocorreu a tragédia envolvendo a adolescente Eloá Pimentel, ontem foi palco de um momento inusitado e feliz: o encontro de duas irmãs de 26 e 29 anos que não se conheciam.
¦Por conta das eleições municipais, a operadora de caixa Paloma Sena da Silva, 26 anos, e a doméstica Alexsandra de Sena Vasconcelos, 29, se encontraram na sala na qual Alexsandra foi votar, na Escola Estadual Edevaldo Perassi, a poucas quadras do prédio onde Eloá foi baleada pelo ex-namorado.
¦Disposta a encontrar a irmã, Paloma pesquisou o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e descobriu o lugar onde alguém com nome idêntico ao de Alexsandra votava, em Santo André. Mesmo sem a certeza de que fosse realmente sua irmã, ela então viajou de avião de Fortaleza, no Ceará, onde nasceu e mora com os pais, para conhecer a irmã.
¦“Preenchendo o nome dela, a data de nascimento e o nome da nossa mãe, localizei a zona e a seção eleitorais pela internet. Um conhecido usou o mesmo método para achar um parente. Desembarquei em Guarulhos no sábado e, desde as 8h de hoje [ontem], fiquei aguardando em frente à sala onde minha irmã deveria votar”, contou Paloma.
¦Às 14h30 de ontem, após uma longa e angustiante espera de Paloma, Alexsandra finalmente foi votar, acompanhada dos seus três filhos e de dois amigos. Mesários ajudaram Paloma a identificar a irmã, que nem sabia da existência da parente. Em meio à emoção, as duas mulheres não contiveram as lágrimas.
¦“Ela é minha irmã? Vocês estão de brincadeira?”, disse, surpresa, Alexsandra. “Foi difícil demais encontrar você”, respondeu Paloma, com voz embargada, momentos antes de as duas se abraçarem e caírem de vez no choro.
¦Alexsandra é fruto do primeiro casamento da comerciante Francisca Sena de Vasconcelos, 48 anos, que se separou quando a primeira filha tinha pouco mais de um ano de idade. Alexsandra ficou com a mãe em Morada Nova, no interior do Ceará, mas o pai _o tratorista Antônio Teixeira de Vasconcelos, 58 anos_ levou embora a filha, então com dois anos, ao final de uma visita. Sem contato com a mãe, Alexsandra nem sabia que tinha irmãs por parte materna. Paloma tem outras duas irmãs no Ceará, e uma delas também é irmã por parte de mãe de Alexsandra.
¦A doméstica foi criada pelo tio paterno no Nordeste até os 12 anos. Com essa idade, mudou-se para o Jardim Santo André, onde seu pai mora e constituiu outra família. Hoje, ela reside sozinha no mesmo bairro com seus três filhos _o pai das duas crianças mais velhas foi assassinado na região há cerca de quatro anos e, recentemente, ela se separou de outro companheiro, com quem teve a filha mais nova. “Atualmente, tenho uma relação amigável com meu pai, mas nem o chamo desta forma. Para mim, que vivo só, é uma alegria muito grande saber que tenho mais duas irmãs e posso contar com elas” _ela possui dois irmãos e uma irmã por parte de pai.
¦Durante o encontro das duas irmãs, a reportagem emprestou um celular para que Paloma avisasse a mãe sobre a descoberta e Alexsandra conversasse com Francisca pela primeira vez em quase 30 anos. “Fica calma, não consigo me conter com você chorando tanto. Você não quer falar comigo?”, disse a doméstica à mãe, avisando que ela tem mais três netos. De acordo com Paloma, Francisca não viajou porque temia não agüentar a emoção
¦Após a reunião, as irmãs combinaram de se reencontrarem hoje, em Suzano, horas antes de Paloma embarcar de volta para o Ceará. “Pretendo levar minha irmã a Fortaleza para que conheça a mãe”, afirma Paloma.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h15
Análise de Balanço
O Instituto dos Auditores Independentes do Brasil faz um curso gratuito para jornalistas sobre análise de balanço em instituições financeiras.
Será nos dias 4 e 5 de novembro, das 9h às 13h, na sede do instituto: av. Paulista, 2421, 2° andar.
Inscrições: peça a ficha de inscrição para o e-mail valter@tamer.com.br
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h55
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