A pergunta é de meu leitor Rafael, por causa de um estudante que tem um blog
de futebol e é acusado de difamação pela Gaviões da Fiel.
O caso foi comentado
pelo Juca Kfouri e pelo Comunique-se (para
cadastrados) [leia aqui um
dos posts que levaram ao boletim de ocorrência, segundo o C-SE].
Se entendi bem, a dúvida do Rafael é se um estudante --não formado,
portanto-- pode escrever o que escreveu o Paulinho. Querem comentar?
DÍVIDAS PENDENTES
Não me esqueci, não, e voltarei ao assunto em duas outras perguntas que
dividi com vocês:
Você
entrevistaria Lindemberg?
e
É possível ser repórter
de cultura e crítico ao mesmo tempo?
Enquanto não escrevo, saiam da toca e
dêem sua opinião!!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h43
Fotógrafo 30 horas
Não é propaganda de banco, não, embora até tenha um banquinho nesta história: foi emprestado por uma boa alma e, sentado sobre ele, Fernando Donasci passou 30 horas para conseguir fazer A foto da cobertura do caso Eloá.
Ele conta:
Quarta-feira, dia 15 de outubro, estava a caminho do jornal já com uma pauta em mãos --era uma pauta na Bolsa de valores sobre a crise.
Quando cheguei, o pauteiro avisou que gostaria de me mandar para Santo André, porque a coisa estava esquentando e a previsão era de acontecer uma desgraça. Foi logo após a entrevista do Lindemberg ao vivo para a Sonia Abrão.
Fui então para Santo André às 14h30. Cheguei às 16h e me posicionei no limite de segurança da polícia, onde estavam os links de TV e todos os jornalistas que cobriam o caso, fora alguns fotógrafos e cinegrafistas que estavam nos prédios ao redor.
Percebi que, de onde eu estava, poderia ser difícil conseguir uma imagem boa, porque não tinha visão do prédio onde acontecia o fato.
Fui conversando com as pessoas que moravam na região para descobrir um local mais próximo, em que pudesse ter uma visão da janela ou da porta do apartamento em que estavam as vítimas. Mas era uma missão quase impossível devido à obstrução da polícia, que não autorizava nem a entrada dos próprios moradores.
O tempo passava e os rumores de que o seqüestrador iria se entregar à policia reapareciam a todo minuto.
Às 19h40 falei com um vendedor de uma bombonière, que me apresentou ao segurança do conjunto habitacional.
Após uma longa conversa, consegui convencê-lo a me levar. Próximo ao local, ele pediu para guardar o equipamento, para não chamar a atenção.
Fui seguindo até o conjunto de prédios. Passamos pelo cerco policial numa boa, porque ele conhecia os PMs que estavam por ali. Os policiais não imaginavam que eu fosse jornalista, estava com uma camiseta calça jeans mochila nas costas.
Chegamos a um prédio bem em frente ao local em que estavam as reféns. Pensei comigo: “Aqui eu faço a grande foto". Fiquei realmente muito próximo do local, nas escadas, meio escondido com alguns moradores curiosos que observavam a movimentação dos policiais.
Estava a cerca de 15 metros da porta de entrada do apartamento onde estava o seqüestrador com a menina Eloá --a outra vítima, Nayara tinha sido liberada no dia anterior.
Após uma hora e meia no mesmo local, o frio era muito, baixou um nevoeiro e eu não poderia sair do local, senão seria difícil retornar. Sem blusa de frio sem comida, bati na porta de um apartamento para ver se poderia ficar lá por alguns minutos.
Fui muito bem recebido por uma família que autorizou minha entrada, me deu café e emprestou duas blusas e um banco para ficar do lado de fora, que era o melhor ângulo. Assim meu plantão se estendeu até as 20h do dia seguinte, totalizando 24 horas no mesmo local sem tirar os olhos da porta do apartamento.
Avisei a Redação que estava em um local privilegiado que não poderia sair de lá. Também disse que não adiantava eles mandarem uma rendição, porque correríamos o risco de ser expulsos e não ficar ninguém.
A noite foi passando. Observava o trabalho do Gate de camarote. Às 22h, chegou a comida dos policiais no marmitex e foi entregue a eles por uma corda. Eram cerca de 12 policiais que ocupavam o prédio, seis no andar inferior, 3 no andar de cima e os outros estavam dentro dos apartamentos vizinhos.
À meia noite, trocou o turno. A imagem que eu assistia era ótima, os policiais escalando o prédio com escadas e cordas, parecia filme de ação.
Houve alguns lances hilários: o policial que estava no ultimo andar teve dificuldades para descer porque a escada era menor do que deveria e ele não achava o topo da escada com os pés. Eu não podia fotografar a cena porque não havia luz suficiente e eu teria que usar um flash: me descobririam.
De qualquer forma, fiquei preparado para caso ocorresse de ele cair da escada e causar um “barulhão” e acabar com todo o esquema montado.
Mas deu certo, ele conseguiu descer sem trapalhada.
A policia conversava através de código e gestos com as mãos entre eles, Fiquei tentando decifrar o tempo todo o que eles estavam querendo dizer.
A cena mais engraçada que vi foi uma mulher que saiu na janela do prédio onde eu estava e gritou: - “Ô Anderson, sobe já, não quero você na rua até essa hora”, falando com seu filho que observava os policiais no prédio de frente. Gritou em alto é bom som, assustando os policiais do Gate que mantinham o silêncio total.
A noite passou sem mais novidades, a não ser o frio que era muito. Graças às duas blusas que peguei emprestadas, consegui suportar. Com o capuz da blusa, cobri a cabeça. Só apareciam meus olhos.
A vizinha me ofereceu um cobertor, mas optei por não aceitar, com medo de dormir.
Por volta das 6h, o negociador subiu uma das escadas para falar com os policiais. Foi uma das primeiras fotos que fiz no local. A família que deixou eu colocar minha mochila dentro da casa me chamou pra tomar café da manhã com eles. Disse que aceitava, mas não gostaria de abandonar o local.
Uma senhora me trouxe uns pães e uma xícara de café. Foi ótimo! Nessa hora, não estava mais agüentando o cansaço. Comecei a tomar o café e, de repente, avistei a menina Nayara subindo as escadas do prédio acompanhada de um rapaz (irmão de Eloá).
A garota passou tranqüila pelos policiais do Gate. Os vizinhos que estavam do meu lado no corredor falaram: “É a Nayara, é a Nayara".
Totalmente concentrado com minha câmera acompanhei o momento até Nayara entrar no apartamento e fiz a imagem da mão de Eloá estendida para fora convidando a amiga a entrar. Após o ocorrido, percebi que tinha feito uma grande foto. Ao redor ficou aquele clima de tensão. Diziam que o seqüestrador iria se entregar, e eu torcia como nunca para isso acontecer logo.

Passou o horário do almoço. Eu já conhecia todos moradores do prédio que ajudaram a me manter escondido da policia. A Rede Globo entrou pelo portão do prédio em que eu estava. Fiquei torcendo para que a polícia a retirasse de lá. Dito e feito. Eles ficaram dando bandeira, passou um tempo e a PM os expulsou.
Eu, que estava no mesmo local no corredor, fui confundido com um simples morador do prédio. Consegui almoçar devido à caridade da vizinhança que estava com pena, por eu ter passado a noite inteira lá sentado no banco emprestado.
Os editores do jornal começaram a ligar elogiando a imagem da menina entrando no apartamento e me aconselhando a ir embora. Tinha medo de trocar com algum colega e ser descoberto pela polícia, mas, às 20h, eu entreguei os pontos e fui substituído por outro fotógrafo, o Eduardo Anizelli.
[Na semana que vem eu conto a história do Anizelli]
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h21
Vale a pena ler este guia
completo feito por Kate Parr, do jornal americano "St. Paul Pioneer Press"
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h01
O blog do GUSTAVO ROMANO, professor de direito da Folha, tem um post hoje
sobre cuidados
que é bom tomar com advogados nas horas confusas (tragédias, acidentes,
emergências).
Tem utilidade pessoal e também profissional.
Nesses momentos caóticos, surge todo tipo de informação. Todo mundo quer ter
respostas, explicações. É bom sempre desconfiar.
Uma pergunta que ajuda, nessas horas, é "Como é que você sabe?". Não basta um
sujeito ser importante pra que sua informação seja confiável.
Se um avião cair e o presidente da República disser que só o piloto morreu,
não dá pra cravar a informação no título só porque ele é presidente. É preciso
saber de onde ele tirou isso. O co-piloto ligou direto para ele, do local do
acidente? Aí pode ser. Se não, é caso de "diz presidente".
O caso do avião que não havia caído Perguntas sobre um acidente Erros de fontes oficiais
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h35
Philip Meyer escreve sobre que saída ele vê para os jornais impressos.
[Não custa lembrar que o que está acontecendo nos EUA não está acontecendo no
resto do mundo. Se quiser saber por quê, leia este post]
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h02
Alguém já se viu na situação de ser ao mesmo tempo crítico de arte e repórter daquele mesmo assunto?
Como conciliar essas duas funções?
A dúvida é de minha leitora Emanuella, de Curitiba:
Sou jornalista recém-formada na UFPR, em Curitiba, e formanda do curso de dança da Faculdade de Artes do Paraná.
Tenho trabalhado com jornalismo cultural e gostaria de trocar idéias com você e os leitores do blog sobre um aspecto da crítica de arte.
Em um contexto nacional, em que quase não se tem mais críticos no jornais --mas repórteres especializados--, como um jornalista que um dia faz uma entrevista com uma fonte para reportagem, produz uma crítica negativa do trabalho dessa mesma fonte em outra situação?
Como fica a política da boa vizinhança para manter um bom relacionamento com a fonte nesse caso?
Quem já esteve no mesmo dilema quer contar como o resolveu?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h58

Meus amigos super-heróis me contam a verdadeira história do surfista prateado.
Ele era mesmo um solitário, mas não queria salvar o mundo coisa nenhuma. Sua missão --enquanto era malvado-- era indicar a seu chefe qual seria um bom mundo a ser devorado.
"Muito mais parecido com a vida do correspondente", brinca um dos meus amigos, "que tem que escolher sozinho em que vai 'atirar' naquele dia".
=)

Por que fui mexer com o surfista prateado?
Bem, vai aqui a ressalva sobre o que já escrevi de errado sobre o herói solitário:
"Pelo que eu me lembro, o Surfista nunca foi malvado!
Ele escolhia os mundos que mereciam ser destruídos (ou não fariam falta se o fossem).
Eu suas escolhas, se a memória adolescente não me trai, havia sempre uma mistura de compaixão e culpa.
Inicialmente, escolheu a Terra para ser vaporizada porque lhe pareceu um planeta dominado por vícios e erros.
Mas, quando se aproximou e conheceu o ser humano de perto, concluiu que ela tinha salvação e merecia outra chance.
Por isso se insurgiu contra seu mestre devorador-de-mundos e passou a defender o planeta."
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h15
A idéia é abrir diálogos, especialmente com quem está diretamente ligado à atividade de reportagem nas redações paulistanas.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h58

Meu prof Marcelo Soares que me corrija se eu estiver errada, mas o surfista prateado para mim sempre representou um sujeito solitário, que precisa salvar o mundo sozinho. [ADENDO: eu estava errada. Veja a correção ali em cima]
E, mesmo que eu me engane sobre o personagem, é a figura que me veio à cabeça quando li a mensagem de M., leitor do blog que trabalha na sucursal de um jornal regional.
Ele está baseado numa cidade pequena, a mais de 500 km da capital, onde fica a sede do jornal. A equipe de reportagem (ele, um fotógrafo e um motorista) é responsável por cobrir toda a sua região.
M. recebe muita orientação dos editores e colegas da sede, mas mesmo assim sente o peso de trabalhar tão isolado:
Quem trabalha em sucursal escreve para todas editorias. Claro que tem sempre as que demandam mais trabalho --no nosso caso aqui é a que trata de assuntos do Estado e a de política. Também fazemos muitas matérias para o suplemento rural. Para as demais editorias e suplementos escrevemos pouco.
Comecei em fevereiro deste ano, cobrindo férias. Pouco menos de um mês desse período, a repórter que trabalhava aqui pediu demissão e surgiu a vaga.
Não encontrei muitas dificuldades para desenvolver meu trabalho aqui, mesmo não conhecendo ninguém e, portanto, não tendo fontes. Mas não é por isso que deixarei de perguntar (rs): quais conselhos vc dá para um jovem jornalista, como eu, que está iniciando na profissão, e já está com essa missão de ser responsável por uma sucursal? Como vc vê essa distância entre o repórter e o editor? Em que isso pode interferir no trabalho? De que forma isso pode ser benéfico? Como vc acha que deve ser a organização do trabalho?
Em vez de ficar palpitando, pedi ajuda a meu ex-trainee JOÃO CARLOS MAGALHÃES, outro surfista prateado, hoje correspondente da Folha em Belém. João também chegou ao Pará com a cara, a coragem e o talento, sem nunca ter vivido por lá. E já teve que enfrentar, como M., a questão da distância dos editores e a responsabilidade de cobrir, sozinho, uma área enorme e todos os assuntos --de polícia a política, de carnaval a gastronomia:
1 - O primeiro baque de trabalhar sozinho, para mim, foi bem simples: não ter ninguém com quem trocar idéias, pedir opiniões, formular pautas em conjunto. Parece um detalhe, mas fez uma diferença grande no meu cotidiano. É preciso muito mais força de vontade para tocar reportagens complexas, que envolvem a análise de muitos dados e o contato com muitas pessoas. Compenso isso ligando constantemente para meus colegas em SP, mesmo que seja para jogar conversa fora. Tento não esquecer que ainda faço parte de uma equipe, apesar da solidão. Até porque é importante saber o que os outros jornalistas e editorias estão produzindo. 2 - Outra consequência imediata é poder se concentrar muito mais no trabalho, já que não existe gritaria, risadas, conversas, televisões ligadas etc. Hoje eu apuro e escrevo mais rápido. Com isso, também sobra mais tempo livre. Mas, como não estou em um ambiente corporativo, sempre surge a sensação de que o trabalho acabou quando fechei o texto _mesmo que isso aconteça às 16h. Por isso, é essencial ter auto-disciplina e aprender a lidar com a ampla liberdade que trabalhar sozinho proporciona, para não se perder nela. Tento aqui estabelecer horários para diferentes tarefas, emulando os códigos que trabalhar em grupo exige. 3 - Quando se é o único responsável por uma área muito grande, quase todos os dias há algo a ser feito. A tendência é se acomodar com as reportagens ditas "do dia", que podem exigir quase todo o seu tempo e energia, e esquecer as "especiais", para o final de semana. Tento manter uma rotina de contato com fontes que raramente são ligadas ao cotidiano da reportagem, e que podem trazer matérias exclusivas ou olhares abrangentes sobre a realidade da minha área de cobertura. 4 - A relação com a chefia também muda, já que é mais fácil vender uma pauta pessoalmente do que por telefone. Ou seja: a pré-apuração, sempre essencial, deve ser ainda mais completa. Isso aumenta seu poder de convencimento. Houve situações em que falei com mais pessoas antes de propor a estória do que no dia de produzir o texto. 5 - Manter contato com outros jornalistas da cidade é importante. Eles não são fontes, mas fazem uma baita companhia quando você perde boa parte dos seus referenciais. 6 - Se a pessoa, como eu, viaja sozinha para locais onde a infra-estrutura muitas vezes é precária, toma-se algumas porradas e aprende-se a tomar certas precauções. Uma coisa é estar protegido pela Redação, com seus computadores, banda-larga, ar-condicionado e colegas para ajudar. Outra é estar em uma cidade onde não há telefone, internet, às vezes nem energia elétrica. Costumo ligar antes e saber se pega celular, se o hotel onde eu estarei tem conexão. Uma vez no local, logo procuro uma "base". Pode ser um bar, o hotel ou mesmo a casa de uma pessoa com quem conversei e fiz uma rápida amizade. Depende do grau de precariedade. O importante é que, ali, eu possa trabalhar e me comunicar com alguma calma. 7 - Uma vez sozinho, ganha-se, subitamente, toda uma vida burocrática também. Além de simplesmente apurar, como antes, agora eu também presto contas ao jornal dos meus gastos e lido com os pequenos problemas práticos do meu ambiente de trabalho. Não há um funcionário que venha todos os dias limpar meu escritório, assim como ninguém me dá fitas ou pilhas para meu gravador etc. Faço isso sozinho, e confesso que ainda estou patinando um pouco para me adaptar completamente. O ponto aqui, claro, é ser organizado e tentar fazer com que essas tarefas não interfiram com a reportagem. 8 - Por último, mas não menos importante, o impacto pessoal da solidão constante. Se a pessoa trabalha sozinha em sua cidade de origem, é muito mais fácil lidar com ela _existem os amigos e a família logo ali. Mas se, como eu, ela se transplantou para um lugar até então desconhecido, esse se torna um fator brutal. E não há nem colegas de trabalho! Ele afeta sua vida afetiva e terá reflexos diretos no rendimento profissional. Acho que não existe segredo: algumas pessoas suportam bem estar o tempo todo sós, outras não. É importante saber disso antes de fazer a escolha pelo cargo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h43
O Lucas avisa: "O Observatório da Imprensa de hoje vai falar da polêmica Copa do Mundo de 78. Um ótimo exemplo de investigação jornalística".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h36

Quem conta é minha ex-trainee GIULLIANA BIANCONI, hoje repórter de Esporte:
Já li algumas vezes no blog a discussão da importância do inglês na nossa profissão. No final de semana passado, aconteceu um episódio, durante a cobertura de um evento de hipismo, que me fez lembrar dessa discussão. Achei que valeria a pena contar. Durante a semana passada, acontecia em São Paulo o maior evento de hipismo realizado no país. E, apesar da grandiosidade da competição, que tinha prêmios recordes e alguns dos melhores cavaleiros e amazonas do mundo participando, um caso extra-pista roubou a cena.
O principal cavaleiro do país, Rodrigo Pessoa, que estava suspenso por doping do seu cavalo, conseguiu liminar na Justiça comum para saltar no evento. A cobertura da Folha passou a ser voltada para Rodrigo Pessoa, que terminou desistindo de competir.
Mas no evento havia uma amazona irlandesa com história semelhante. Ela estava enfrentando problemas de doping e também havia sido suspensa pela FEI (Federação Internacional de Hipismo). Essa amazona havia me deixado falando sozinha no dia em que fui tentar conversar com ela sobre o assunto.
E a organização do evento, percebendo que a atleta não aceitava bem o assunto, tentou blindá-la. Na grande final, no sábado, a irlandesa venceu a competição milionária, e foi, assim como o segundo e o terceiro colocados, para a coletiva. Lá, tinha uma intérprete. E, como a maior parte dos repórteres brasileiros estava se reportando à intérprete, eu fiz o mesmo e pedi que ela perguntasse ao vice e ao terceiro lugar se eles se importavam de ter perdido o prêmio para uma atleta envolvida com problemas de doping, que, por vontade da FEI, não estaria ali competindo.
A intérprete me olhou com uma cara assustada. Mordeu os lábios. Ela não queria entrar naquele mérito, porque a irlandesa estava ali. E aí ela fez a pergunta e omitiu a parte mais importante. Talvez tenha pensado que eu não entenderia. Ela perguntou apenas se eles se importavam em ter sido 2º e 3º lugares.
O pior é que, quando ela traduziu a resposta dele, deu a entender que ele havia respondido sobre o doping. Disse que ele afirmara que o mais importante era estar ali, numa competição daquele nível, e que os atletas estavam unidos pelo esporte.... e foi por aí. Só que eu havia entendido tanto a pergunta quanto a resposta.
Pedi o microfone, expliquei a eles (atletas) que a pergunta havia sido diferente e eu mesma fiz a pergunta, do jeito que eu queria.
Afinal, se eles dissessem, por exemplo, que iriam contestar o resultado da competição pela história do doping, aquilo seria o meu lide.
Não foi o que aconteceu, mas eu tinha o direito de perguntar, por mais constrangedor que pudesse ser à vecedora. A intérprete ficou toda sem graça e os jornalistas que entenderam o que se passou ficaram revoltados com a situação.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h31
Vietcongues do jornalismo
Em qualquer cobertura, eles se sentem os "inimigos". Por isso, se chamam
internamente de vietcongues (*). Mas a guerra que eles fazem é no
campo do humor.
Pra gente morrer de inveja, meu ex-trainee Marcelo Salinas, integrante
da tropa do CQC, conta como é trabalhar num programa que não deixa de ser
jornalístico, mas cuja principal missão é fazer piadas.
(O Marcelo é produtor, se esconde por trás das câmeras, mas já foi "forçado" a aparecer num programa sobre imigração
japonesa).
Novo em Folha - Como e quando você foi parar no
CQC? Marcelo Salinas - Foi em janeiro, quando a Cuatro
Cabezas, a produtora argentina que produz todo o conteúdo do CQC, começou a
funcionar no Brasil. NF - Eu sempre te disse que você tem
muito senso de humor. O programa tem tudo a ver com você. Mas como foi que eles
descobriram isso? MS - Descobriram isso
numa entrevista, em setembro de 2007 NF - Como é que você
foi parar na entrevista? MS - Cheguei
aqui por indicação de uma amiga que trabalhou na Cuatro Cabezas da Argentina.
Estavam procurando alguém que, segundo ela, tivesse o meu perfil e gostasse de
cobrir política NF - Seu perfil quer dizer ser o quê? Ser
divertido? (risos) MS - Não sabia bem o
que ela quis dizer com aquilo... Mas estavam procurando alguém com senso crítico, senso de humor mordaz e que
conhecesse mais ou menos bem a política brasileira. Só soube depois que o
perfil era esse. NF - E a entrevista foi diferente das
outras? Como eles avaliaram se você era
mordaz? MS - A entrevista foi muito leve,
descontraída... O diretor do programa e a coordenadora de produção, que me
entrevistaram, são jovens também, eles têm a mesma idade que eu... Acho que foi muito mais uma empatia que um
método preciso, sabe... Nós conversamos, eles gostaram da conversa e me
chamaram dois meses depois... NF - Que ótimo! Pra eles e
pra você, né? MS - É, mais pra mim do que
pra eles, eu acho... hahaha NF - Você trabalhou bastante no
jornalismo "sério" antes de ir para o CQC. o que é mais difícil?
MS - o jornalismo sério é mais difícil, eu acho,
porque geralmente você tem que se preocupar em abordar todas as particularidades
de cada assunto. Tem que cuidar muito pra não ser parcial, pra ser sempre
isento.
A gente se preocupa com isso, mas não é uma
"obrigação" NF - de zero a 100, você diria que o que vocês
fazem é quanto % jornalismo? É uma pergunta subjetiva,
claro. MS- acho que é 100% jornalismo. Mas é um
"jornalismo moleque", digamos. Nosso compromisso é retratar a realidade, fazer perguntas pertinentes sobre o que está
acontecendo, mas sob a ótica do humor. NF - Faz o
maior sucesso, né!? Você trabalha mais ou menos horas que
antes? MS - Mais, porque, dependendo da
pauta, são dois, três pescoções por semana (risos) [pescoção é um jargão
jornalístico para quando o trabalho avança madrugada adentro, depois de você já
ter trabalhado o dia todo]. São dois finais de semana por mês, viagens. Trabalho
mais, mas me divirto mais também. NF - Me conta o que você
faz aí, exatamente. Qual é seu cargo? MS
- Sou produtor de conteúdo. Meu trabalho, basicamente, é pensar no que vamos
fazer em cada pauta. Qual será o foco que daremos pra matéria? Será mais crítico
ou mais ameno? Ou as duas coisas? Quais perguntas precisamos fazer? Como vamos
formular essa pergunta? Quais respostas podemos esperar do entrevistado? Quais
respostas vamos dar à resposta do entrevistado? Em resumo, como vamos contar
essa história. Vamos dar presentes? Vamos fazer humor físico? Feito
isso, saio pra rua com a equipe e dirijo a matéria... Escolho a ordem em que as
perguntas vão ser feitas, como vai ser o tom da pergunta, se inocente, se
sarcásitco...
NF - Você é como um roteirista, então, não
é? MS - É... É como um roteirista que vai pra
rua. NF - E como é isso de dirigir a entrevista? achei que
fosse uma coisa mais espontânea, improvisada. Dá para escolher a ordem das
perguntas durante a gravação da entrevista?
MS - Tem muito, muito mesmo, espaço pra improvisar.
Principalmente porque nem tudo sai como planejamos.
Às vezes, saímos para a externa com poucas idéias sobre o que vai acontecer,
sobre como vão ser as coisas, e tomamos uma atitude mais livre. A pauta vai
acontecendo no improviso, as perguntas e as tiradas vão surgindo na hora. Aí vai da presença de espírito, da
sensibilidade da equipe mas, principalmente, do repórter. Existe muito espaço
pra improviso. E os repórteres improvisam bastante, assim como os
próprios produtores.
Um exemplo? O CQC Investiga com o Inri Cristo foi assim. Tínhamos uma vaga
idéia de como as coisas aconteceriam e as perguntas foram aparecendo. Foi
freestyle total
Dirigir a entrevista é, entre outras coisas, correr atrás do personagem,
escolher o melhor posicionamento do repórter, soprar idéias, discutir como vamos
abordar o cara, se vai ser de sopetão, se vamos conversar com o cara antes...
Quase sempre é de sopetão. A ordem das perguntas tem mais a ver com a reação que
esperamos do entrevistado... NF - Essa coisa de não sair
como planejado, num programa como o CQC, pode ser até melhor, não
é? MS - Acontece de monte isso. Tem vezes
que fica muito legal, outras em que não dá certo. Mas sempre tentamos voltar com
uma matéria. contamos ou tentamos inventar outra
história. NF - É um trabalho em equipe? Ou faz tudo
sozinho? MS - Sempre que possível, criamos a pauta em
conjunto. Os produtores, os roteiristas, os repórteres, o diretor... Esse
é o ideal, e é o que acontece na maioria das vezes, mas nem sempre dá tempo de
reunir todo mundo...
É fundamentalmente um trabalho em equipe. Geralmente as pautas são pensadas
em grupo, com os outros produtores e roteiristas... O repórter participa
às vezes, mas geralmente as pautas são discutidas com ele pouco antes de sairmos
pra rua. Eles ajudam bastante na
construção das piadas, das perguntas... Na cobertura das
eleições, por exemplo, todos os repórteres participaram da reunião geral de
produção.
O trabalho é muito dinâmico, a gente viaja muito, algumas pautas surgem de
repente. As equipes de produtores, roteiristas e repórteres, ainda que estejam
desfalcadas de alguns, sempre dão idéias
para as matérias. De perguntas, de ações, de abordagens. Os roteiristas,
principalmente, dão idéias incríveis. Eles são muito criativos. A função de
criar a pauta é do produtor, mas todo mundo dá idéias. A pauta fica mais
rica.
Até os fãs dão boas idéias. Em
várias matérias a gente usou idéias dos fãs que estão por perto. E várias vezes
eles deram dicas do paradeiro de algum personagem, por que porta eles entraram
etc. Eles são cúmplices...
NF - As reuniões de pauta devem ser superengraçadas, não é? Ou na
verdade são chatíssimas e entediantes?
MS - São muito engraçadas... Muito. A gente fala muita merda
e filtra depois. Sem freios, é um
brainstorm mesmo. NF - Quantas pessoas participam?
Imagino que não seja só jornalista,
né? MS - Quando a pauta é muito
importante participam umas oito, nove pessoas. Todos os produtores de conteúdo
são jornalistas. NF - Jura? Tem tanto jornalista
bem-humorado assim? Caramba, onde é que eles se
escondem? MS - A gente se esconde no CQC
(risos). NF - E não há dias em que você está "sem graça"?
Em que a piada não sai? Fazer humor cansa?
MS - Tem, sim. Principalmente durante as
manhãs. Os produtores e os repórteres têm humor muito parecido e hábitos
parecidos também. Geralmente os
entrevistados se ferram mais quando a pauta é de manhã, e tá todo mundo de
mau-humor. Hahahaha. Brincadeira. Mas sair pra rua é sempre engraçado,
a gente acaba se animando quando sai, com piadas internas, com besteiras,
brincadeiras, música. É meio lúdico, haha. NF - Que
inveja!... Tem vaga pra mim? (risos) Como é que a gente aprende a ser engraçado?
Será que dá? (risos) MS - Não tem como
aprender a ser engraçado. Eu não sou um cara engraçado. Não precisar ser
engraçado, eu acho... Basta saber pensar coisas engraçadas, criar perguntas
engenhosas. Mas acho que dá pra treinar
isso... as piadas têm vários formatos, digamos,
"prontos". NF - Mas isso se estuda? estes modelos?
Aposto que nos EUA deve ter até curso,
né? MS - Não sei, mas quase tudo do que
aprendemos hoje foi transmitido pelos argentinos da 4K. Eles já testaram o
formato em vários países, sabem o que costuma funcionar e o que geralmente não
funciona. Por exemplo, um modelo meio clássico é frustrar a expectativa do
entrevistado. NF - Como
assim? MS - Por exemplo: uma pergunta que
a gente pensou pro Kassab: "Um democrata jovem e até há pouco
desconhecido, que desbancou lideranças importantes e hoje tem grandes chances de
vencer a eleição (...)" "Kassab, fale sobre Barack
Obama". NF - (risos)
Ótima! MS - Mas como não deu pra fazer
com ele, fizemos essa perguntao ao Walter Feldman, aliado
dele. NF - Que pena. Seria muito mais engraçado com o
Kassab, né? MS - Muito. Quando não
conseguimos fazer com o alvo principal, fazemos com o segundo mais importante
depois dele. Quando não conseguimos com o segundo, com o terceiro. Quando não
conseguimos com o terceiro, guardamos a piada pra usar outro dia em que não
estivermos inspirados pra pensar em outra coisa melhor. Mas não dá pra ficar
revelando os nossos segredos... vaiu perder a graça, e essa é a commodity mais
valiosa pra gente. (...) Isso foi uma piada, viu? É
brincadeira. NF - (risos). Péra aí, então. Só pra ter
certeza, posso contar o truque, né? (risos) Não, sério: posso contar, certo? É
duro entrevistar humorista por MSN. Vai saber quando é brincadeira e quando não
é...
Conta do Marcelo Tas. Ele participa? O que você aprendeu com
ele? MS - O Tas participa mais do roteiro
do programa ao vivo, da fala dele, do Marco Luque e do Rafinha Bastos. Ele
trabalha mais com os roteiristas. Mas, claro, ele é nosso grande líder, o
general dos vietcongues --a gente costuma se chamar de vietcongues porque,
dependo das pautas, somos sempre considerados "inimigos". Ele dá peso, suporte
moral pra gente. O Tas é um dos que mais se divertem vendo as matérias, ele
adora o programa. NF - Pelo que ouço, todo mundo
adora o programa... É tão bom ter chefe divertido,
né? MS - Muito, faz toda diferença. O
clima aqui é muito bom, é quase uma família. Todo mundo tem a mesma idade,
praticamente. As referências são as mesmas... NF - E vocês
ficam com remorso quando pegam pesado? Chegam a pensar se vão chatear alguém, ou
têm remorsos depois? MS - É em off, né?
(risos) NF - Faz assim: me dá a resposta verdadeira e
depois a que pode publicar (risos). MS -
(risos) A gente pensa muito antes de fazer e não temos remorsos quando fazemos o
que achamos realmente certo. NF - E os outros repórteres,
de outros veículos? Como tratam vocês? Há
discriminação? MS - A maioria elogia o
programa. A grande maioria. Comentam as matérias, dão risada, perguntam
detalhes... Alguns ficam bravos com o
nosso tipo de abordagem. Por exemplo: a gente sempre quer "pegar" o personagem
e, pra isso, passamos por cima de algumas "regras" de convivência... Como
por exemplo burlar a segurança, entrar ou sair por outra entrada, tentar ficar
do lado do entrevistado no meio de uma multidão de
jornalistas...... NF - Ou seja, vocês agem como repórter
(risos). MS - Às vezes a gente faz uma pergunta da nossa
pauta, que é a mesma dos outros repórteres, antes deles, e o entrevistado fica
puto e vai embora. Aí eu acho que eles têm motivo pra reclamar... Quando dá, a
gente espera os outros jornalistas fazerem a coletiva e pegamos o personagem
depois. NF - E você já fez entrevistas também? Tem
vontade? Além daquele vídeo que eu pus no blog, você já apareceu em
outros? MS - Não, eu nunca fiz
entrevistas... Até da vontade, mas eu nunca vou ter o talento e a cara-de-pau
dos caras. Tem vezes que eu fico com vergonha no lugar deles. O Danilo, por
exemplo, não tá nem aí pra nada. Tá tomando porrada e rindo, adorando. Eu falo
do Danilo porque eu costumo sair mais com ele, mas todos eles são muito, mas
muito talentosos e inteligentes.
NF - (risos). Até que seria engraçado. um repórter com
vergonha. MS - (risos) É.
(*) vietcongue era como os vietnamitas do sul --aliados aos
americanos-- chamavam seus inimigos comunistas da Frente Nacional de
Libertação, organização ligada ao então governo de Hanói, na Guerra do
Vietnã
Os vídeos favoritos do Marcelo:
Cobertura
das eleições 2008 em São Paulo (parte 1)
Cobertura das
eleições em São Paulo (parte 2)
Cobertura das
eleições em São Paulo (parte 3)
Sabatina Folha
Ciro Gomes
Cumbre no Peru (parte 1)
Cumbre no Peru
(parte 2)
2º debate Bandeirantes 1º turno em SP
Tinku, festival
de porrada na Bolívia (parte 1)
Tinku, festival
de porrada na Bolívia (parte 2)
Exposição SP
Arte
Lançamento da biografia de Maluf
CQC expulso do
Congresso
Campanha mais humor no
jornalismo Na seção "Como foi feito",
jornalistas falam sobre seu trabalho
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h56
Blog e livros sobre jornalismo on-line
Dicas de minha colega LUIZA GOULART, recolhidas a partir do Webmanario, de ALEC DUARTE:
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h03
Quando estiverem escrevendo
matéria de polícia ou Justiça --ou descendo o texto de outro--, passem pelos
pontos abaixo e vejam se está tudo direito antes de mandar pra
página!
- Houve condenação?
- Até que haja condenação em
última instância, trate o suposto criminoso como suspeito, acusado ou
réu
- Escreva “Fulano foi preso sob suspeita de
seqüestro” e não “Foi preso por seqüestrar”
- Se a pessoa já foi condenada, sempre informe se cabe
recurso
- Mesmo que o réu tenha sido condenado em última
instância, informe qual é a sua versão: ele se diz inocente ou culpado? Mesmo
criminosos condenados têm direto a ter sua versão publicada
- Se a pessoa não foi condenada, avalie se é mesmo o
caso de publicar sua foto
- Onde está o outro lado?
- Sempre que pegar um texto com
acusação, procure imediatamente o outro lado.
- Se o texto não tem outro lado, avise imediatamente
seu editor
- Se o outro lado está no pé, puxe-o mais para
cima
- Se não tiver acesso ao acusado ou a seus advogados,
deixe isso claro no texto (e discuta com seu editor se é o caso de publicar ou
de esperar até encontrar a defesa)
- A polícia ou o Ministério Público dizendo que o
suspeito confessou não são “outro lado”
- Em casos envolvendo policiais, a Corregedoria não é
outro lado. A função da corregedoria é investigar o policial, não
defendê-lo
- Nunca corte o outro lado de um texto. Cuidado com
textos cujo outro lado pode estar no pé
- De preferência, dê destaque ao outro lado num texto
à parte ou na linha fina
- Não use o condicional
- Se não for possível checar uma afirmação, não use o condicional. Atribua a afirmação à
fonte: em vez de “Fulano teria roubado” diga “Segundo a polícia, Fulano
roubou”.
- Não engula qualquer afirmação. Sempre que
possível, tente checar, já que não ajuda muito ao leitor escrever Fulano
diz a, Sicrano diz b. Se a polícia diz que ele confessou, peça pra falar
com ele. Se o promotor diz que ele admitiu o crime em juízo, confira nos
autos
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h48
Jornalismo investigativo
Para meus leitores que vivem na Europa (ou que vão estar por lá no mês que vem):
Acontece em Bruxelas, na Bélgica, dias 21 e 22/11, a Conferência Européia
de Jornalismo Investigativo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h43

Meu leitor Caio me pede para avisar que está no ar, desde ontem, o blog de VINICIUS TORRES
FREIRE, colunista da Folha.
Quem quer acompanhar melhor a economia não pode deixar de ler (e estou sendo
absolutamente isenta. Juro! )
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h29

Uma pergunta curta e direta.
Foi o que colocou o italiano Riccardo Ehrman na história como o jornalista que derrubou o muro de Berlim [leiam aqui o caso, contado pela Deutsche Welle].
Por que estou falando disso agora? Primeiro porque é muito bacana ver qual foi a pergunta, e como ele teve espírito jornalístico para entender o significado da resposta.
Segundo porque meu colega LUIS FERRARI me conta que Ehrman ganhou uma das principais condecorações do governo alemão.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h56
Um texto feito por NATALIA PAIVA e MATHEUS MAGENTA no sábado é bom para mostrar com um exemplo concreto uma das diferenças do jornalismo impresso diário para o on-line.
Naquela tarde, dizia-se que Eloá estava num certo "nível 3 da escala de Glasgow". Explicar exatamente o que significava isso e que diferença havia entre nível 3, estado vegetativo e morte cerebral ajudaria tanto o leitor --naquele momento do noticiário-- que a Folha Online colocou o texto na capa:


Já para o jornal impresso, para quem havíamos pensado originalmente em fazer o texto, na hora do fechamento, ele já não fazia sentido algum, pois já se sabia que à meia-noite seria decretada a morte cerebral. No dia seguinte, quando o leitor recebesse sua edição impressa, não haveria mais interesse na escala de Glasgow.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h20
O que não pode faltar?

Este é para quem acompanhou a final da Copa do Mundo de futebol de salão.
Chegou esta foto, com a legenda abaixo. Que informação fundamental está faltando?
Texto: BRA481. R O DE JANEIRO (BRASIL), 19/10/08.- El arquero Frankilin, de Brasil, detiene un penalti de Espaæa durante el partido por la final del Mundial de Fœtbol Sala que disputaron hoy, 19 de octubre de 2008, en el GimnÆsio de Maracananzinho, en Róo de Janeiro (Brasil). Brasil ganú 4 - 3 en los penales. EFE/MARCELO SAYA
COMENTÁRIO NA SEGUNDA-FEIRA - Parabéns. Vocês sugeriram várias coisas que tornariam a legenda mais completa: que o goleiro entrou só para a decisão por pênaltis, por exemplo, e que foi Marcelo, nascido no Brasil e naturalizado espanhol, quem chutou e teve a bola defendida.
Era informação crucial dizer que esta era a segunda defesa de Franklin, ou seja, aquela que deu ao Brasil a Copa do Mundo. Como ele rebateu duas bolas, era importante saber a qual das duas se referia esta foto, já que a segunda é mais jornalística que a primeira. Não acham?
E um PS para quem ficar achando que "errou" na resposta: o que realmente importa for ter se interessado pelo assunto, refletido e arriscado uma resposta. Foi ter tido vontade de aprender e dado um passo adiante. É isso que faz a gente crescer na profissão.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h29

Pergunta minha trainee NATALIA PAIVA, que ontem passou o dia "perdendo coletivas":
Hoje, quando estava na Folha, comecei a futricar na internet e achei o nome da mãe da Eloá no site da Telefônica.
Quer dizer, esse contato era fácil de conseguir.
Se fosse há alguns dias, você, como repórter, teria ligado para a casa do seqüestro, para ver se o Lindemberg atendia?
O que vocês teriam feito?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h28
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