Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Um olho no cravo, outro na ferradura

Quando um redator pega um texto para fechar em poucos minutos, tem que se preocupar com tamanho, título, mas não pode deixar de prestar atenção nas informações.

Se o texto envolver um caso judicial, como era o do nosso exercício do dia 16, aí é preciso arregalar bem os olhos.

Por isso, dos três títulos que usei nos exemplos, o 1 é ruim, já que presume que os acusados realmente seqüestraram e extorquiram:

TÍTULO 1
Policiais são presos por seqüestro
e extorsão
de traficante de drogas
¦

Os outros dois tomam o cuidado de dizer que eles são só acusados, mas prefiro o 3 é porque dá uma informação a mais (foram presos).

Um leitor comentou que prefere o 2 por dizer quem eles supostamente extorquiam (um traficante). OK. É questão mesmo de preferência.

TÍTULO 2
Três policiais civis são acusados de
seqüestrar e extorquir traficante

TÍTULO 3
Policiais de Campinas são presos
acusados de seqüestro e extorsão

Quanto aos textos dos exemplos (se você ainda não viu, pode ler aqui), o primeiro sofreu um "corte pelo pé": é uma prática comum em jornal diário escrever o texto no que se chama "pirâmide invertida" --do mais importante para o menos importante--, para que, na emergência, fique fácil cortar. [o blog fala um pouco sobre isso neste post, e sobre efeitos de diferentes lides neste outro].

O grande problema é que no nosso texto havia algo muito importante no pé: o outro lado. Um redator aflito e um pouco mais desatento, ao cortar pelo pé, tiraria informação indispensável.

Os outros dois textos editam as informações mantendo o outro lado. Pessoalmente, prefiro o 2, porque tira o outro lado do pé e explica melhor o que aconteceu. 

Três leitores arriscaram suas versões. Copiei no site do treinamento os comentários que fiz para eles.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h45

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Façam junto comigo

Façam junto comigo

Um exercício pra quem está à toa neste sábado nublado --em SP, pelo menos.

E é em tempo real, porque este é um problema que acabei de precisar resolver, no fechamento da primeira página.

É o seguinte: havia redigido a chamada abaixo. Ela precisa ter três bloquinhos de exatamente sete linhas, como está ali. Isso porque o texto sairia em três colunas, portanto precisa de três partes com o mesmo tamanho.

Meus problemas: 1) não explico direito que apartamento é aquele do terceiro bloco e 2) preciso incluir duas informações: a) que fim levou Lindemberg e b) o governador defendeu a ação policial.

Como reescrever pra dar conta de tudo? No meu caso, pra complicar, tenho dez minutos pra fazer isso sem atrasar o fechamento...

 Piorou o estado de saúde
da estudante Eloá Pimentel,
15, baleada na cabeça an­-
teontem após ter ficado qua-­
tro dias refém do ex-namo­-
rado Lindemberg Alves, 22,
em Santo André (SP).

O funcionamento neuro­-
lógico caiu para o nível mais
crítico e ela ainda corria ris-­
co de vida na tarde de on­-
tem. Nayara Silva, 15, amiga
de Eloá que levou um tiro no
rosto, está fora de perigo.

Responsável pela opera­
ção, o coronel da PM Eduar-­
do José Félix disse que não
houve erro da polícia na vol­-
ta de Nayara ao apartamen­-
to e que colocaria seu filho
no lugar dela.

COMENTÁRIO NO DOMINGO - Achei bem legal que houvesse cinco pessoas a fim de fazer exercício de edição em pleno sábado!! Vou comentar depois as opções de vocês, mas deixa eu mostrar como eu fiz:

Caiu para o nível mais crí­  aqui eu fui direto ao estado
tico o estado neurológico da de saúde dela, sem primeiro dizer

estudante Eloá Pimentel
, 15, que piorou pra só depois explicar
baleada na cabeça anteon­
tem após ter ficado quatro
dias refém do ex-namorado
Lindemberg Alves, 22.

Nayara Silva, 15, amiga de aqui eu tento ligar o
Eloá que estava no aparta­    apartamento ao tiro, para
mento e levou um tiro no     que o leitor entenda que era
rosto
, está fora de perigo.      o cativeiro
Lindemberg foi transferido
para cela isolada em centro
de detenção em Pinheiros.

A ação da polícia foi defen­
dida pelo governador de SP, para incluir o governador,
José Serra. Responsável pe­ correi a parte do filho
la operação, o coronel da do comandante
PM Eduardo José Félix ne­
gou erro na volta de Nayara
ao cativeiro
.Págs. C1, C3 e C4

Este texto ainda tinha um defeito: quando o jornal chegasse às mãos do leitor, havia uma possibilidade enorme que Eloá já estivesse morta. Por isso, era importante dizer de quando eram essas notícias.

Por isso, reescrevi de novo o primeiro bloquinho:

Estava no nível mais críti­
co, na tarde de ontem
, o es­
tado neurológico de Eloá Pi­
mentel, 15, baleada na cabe­
ça após ter ficado quatro
dias refém do ex-namorado
Lindemberg Alves, 22.

Mais tarde, com notícias mais quentes, houve um outro bom exemplo de edição. Eu havia esboçado a chamada abaixo, agora já com quatro colunas de texto, mas não estava nada contente com ela:

Como havia possibilidade grande de Eloá já estar morta na manhã seguinte, quando o leitor recebesse o jornal, era preciso avisá-lo da provável morte cerebral. Mas meu texto estava defeituoso. As falhas que me incomodavam: a divisão do segundo bloquinho entre dois assuntos diferentes (Eloá e Nayara) e o fato de haver dois bloquinhos inteiros para o Lindemberg, o que me parecia exagerado.

Passei-o então a minha colega VERA GUIMARÃES, que em pouco tempo melhorou-o muito:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h39

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Cursos de TV no Rio

Cursos de TV no Rio

O Instituto de Estudos de Televisão dá o último curso do ano --sobre TV digital-- na semana que vem.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h46

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Lições de uma cobertura

Minha trainee NATÁLIA PAIVA escreve sobre o desfecho do caso Eloá:

Agora [ontem] à noite, enquanto conferia o noticiário online nos computadores da sala IG de Cinema, fiquei emocionada. "Jovens reféns são baleadas." Não pude deixar de me afetar ao saber que Eloá e Nayara, as meninas mantidas em cárcere privado desde segunda-feira, foram gravemente feridas.

Quando eu e Tainã chegamos ao Cotidiano na quinta-feira pela manhã, o chefe de reportagem informou que pretendia nos mandar para Santo André, "fazer campana" ao lado do repórter que já estava lá. Beleza. Previa-se que o drama terminaria naquele mesmo dia. No entanto, se não quiséssemos ir, a alternativa seria acompanhar uma "entediante" [ãhan!] passeata de policiais grevistas.

Passamos o dia como Tainã já descreveu: o mais "emocionante" foi a libertação de dois poodles de Eloá, no comecinho da tarde.

Mas as lacunas, a monotonia, me fizeram refletir bastante sobre minha postura como repórter.

Nós tivemos idéias de pauta: subs sobre como o caso afetou o comércio do entorno, sobre como centenas de jovens estavam sem aula, sobre como a ação de um único indivíduo mobilizou um aparato estatal tão grande, sobre o cenário daquele drama (conjunto habitacional que é pano de fundo da tragédia).

Mas não fizemos nada, nos limitamos a acompanhar _com os olhos_ o repórter, que disse, educadamente, que não havia no que a gente ajudar.

Como aprendizado, creio que, da próxima vez, devo "meter as caras" mesmo e tentar cavar subs que possam complementar um olhar sobre o episódio, para além do essencial núcleo duro da informação. Se o editor achar interessante, ótimo; se não achar, pelo menos eu vou ter me movimentado, feito alguma coisa.

Quando outra repórter de Cotidiano chegou ao cenário, nos propusemos a ajudá-la. Ela queria o endereço da família de Nayara. Pensamos: que tal ir ao 6° DP, onde a menina havia prestado depoimento no dia anterior? Fomos lá, mas nada feito: o delegado não deixou nenhum repórter entrar. E aí, a Ana nos liga e nos manda ir embora.

Outra observação, que fiz a mim mesma só agora, quando cheguei em casa após um trajeto de ônibus no qual a imagem das meninas ensangüentadas não saía da minha cabeça, é que não tem como não se deixar afetar, no newsmaking de dramas humanos.

Não tem como não se importar.

Será fragilidade ou bobeira demais? Será que a carapaça vem com o tempo? Será que isso é "normal"?

Sei lá. Só sei que espero, demais, que as meninas fiquem bem.

O relato de um repórter e de uma fotógrafa que presenciaram um assassinato
Simone Iglesias fala sobre como tragédias emocionam um jornalista

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h33

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Símbolo é tudo

 

Fernando Donasci/Folha Imagem

Nayara, 15, é recebida por Eloá de volta ao apartamento onde a amiga é mantida refém

Há fotos que condensam num instante todo o drama de uma história. Esta é uma.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h34

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Mostra, de graça

O site do Dimenstein tem a lista de sessões gratuitas da mostra de cinema de SP e outros cursos e eventos gratuitos ligados a áudio-visual.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h13

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Como editar este texto?

Como editar este texto?

No começo desta semana os trainees tiveram que editar uma reportagem, como exercício de fechamento.

Editar, no caso, significa cortar, corrigir, reescrever --se for o caso-- e dar título.

Quem quiser treinar também pode fazer o seguinte: ler o texto na íntegra, aqui no site do treinamento, e escolher entre uma das opções abaixo, ou as duas:

a) tentar reduzir o texto a quatro parágrafos de no máximo cinco linhas cada e fazer um título com duas linhas de 36 toques

b) comparar as três versões e título e texto que estão nesta página do site do treinamento (adaptadas por mim a partir de versões feitas pelos trainees) e responder qual delas, na sua opinião, é a melhor --e por quê. [quem tiver arriscado sua própria edição pode também compará-la com as versões].

Nunca é demais lembrar:

  • exercitar-se é imprescindível para aprender. Ler explicações é legal, mas não basta. Enquanto você mesmo não tentar, o conhecimento será quase inútil
  • neste blog, não há certos e errados. A idéia é arriscar, mesmo, a refletir sobre as escolhas feitas

Meu comentário

Outros exercícios do blog
Quatro passos do aprendizado

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h31

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Atirou no que viu, acertou no que não viu

A pedido da Cris, CHICO FELITTI conta como ele, SOFIA FERNANDES e LEONARDO FEDER encontraram os personagens que foram parar no abre de Ciência desta segunda:

 

Ponto cego

 A essa altura, minha primeira matéria na Folha já embrulhou um robalão na feira ou foi devidamente transformado em papel machê pelos fluídos líquidos de um gato. Saiu ontem. Mas a alegria - e os exemplares sequestrados da editoria de treinamento - permanecem vivos. Por mais que a pauta tenha nascido torta e tido um parto a fórceps; ela é linda. Porque é minha.

Visão de pauta turva

O primeiro exercício do treinamento, há quase um mês, consistia em propôr uma pauta de serviço para qualquer caderno da Folha. Qualquer um. Pode parecer tarefa fácil, mas uma missão muito aberta pode cair no vaguismo e te deixar na mão. Foi exatamente isso que aconteceu: um branco.

Assolado pelo "bloqueio pautativo", meu grupo, completado pelo Léo Feder e pela Sofia Fernandes, ficou um tempo olhando pro horizonte e tentando fazer cara de conteúdo para ver se a lâmpada acendia. Nada. Já que jornal fecha com ou sem epifania, surgiu a idéia de ligar a estréia do longa "Ensaio Sobre a Cegueira" com alguma mazela que afetasse bastante gente e pudesse ser previnida.

A primeira idéia (completamente batida), foi falar de catarata, contrapondo a cegueira repentina e branca do filme ao blecaute lento da doença que torna opaco o cristalino - espécie de "lente" do olho. Levamos a filhinha débil para a reunião de pauta e, como era de se esperar, ela cumpriu seu destino natimorto. Era um lixo. Ainda bem que teve uma madrinha. A colega Tai Nalon deu um toque que já tinha feito uma matéria sobre cegueria repentina faz um tempinho e na hora a pauta mudou: falaríamos de uma cegueira idêntica à do Saramago, que existia no mundo "real" e fazendo um gancho inédito. Valeu, Tai!

Se Saulo Cego não vai à montanha...

No correr da apuração, demos a sorte de cruzar com dois personagens excelentes que seguraram a teoria. Um deles era um caminhoneiro que cegou duma hora para a outra enquanto...cruzava uma ponte com sua jamanta! O outro, um empresário carioca que abusou de ilicitagens quando jovem, perdeu a visão numa noite de carnaval, recobrou com um tratamento caríssimo na Espanha e perdeu a vista de novo _e para sempre_ praticando a atividade física mais prazerosa de todas. Essa mesma. Esqueceram de avisar que o sangue não podia ir para a cabeça...

Terminada a matéria no dia seguinte, entregamos para a Ana. Apesar de precisar de alguns (muitos!) ajustes, ela até elogiou. Gostou o suficiente para oferecer para o povo do jornal "de verdade". E Cotidiano comprou a idéia. Na semana seguinte, fizeram foto com o caminhoneiro do Espírito Santo e estimaram a publicação para o domingo seguinte.

Olha eu na Ciência, mãe!

Não saiu. Por problemas de tamanho (leia-se "anúncios" e agradeça em seguida), ficou para depois. Numa quinta-feira seguinte, quase saiu de novo. Mas não foi. Há uma semana, depois de ter jogado a toalha, ficamos sabendo que o editor de Ciência estava fazendo uma matéria sobre a síndrome que vendou o caminhoneiro e tinha interesse por nosso material. Depois de algumas frustrações, nem dei trela.

Qual foi a surpresa ao abrir o jornar de ontem e ver, em caixa alta, a assinatura:

 

Em Ciência ainda por cima! Com chamada de capa ainda mais por cima! Acho que agora até minha família vai me levar a sério _ao menos por um dia.

Tudo graças a esse ponto cego que marcamos tateando no escuro.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h54

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Jornalismo ambiental

Jornalismo ambiental

Indicação de minha leitora Sara, de Curitiba: clássico do Jornalismo Ambiental finalmente traduzido para o português.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h45

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Como esticar o braço sem ser o Homem-Elástico

--ou Homem-Borracha, como preferem alguns.

Independentemente do nome escolhido, dá vontade de ser ele quando a gente está naquela situação grotesca de coletivas improvisadas --como a dos dias de votação--, em que fica um enxame de repórter em volta do sujeito [como nesta foto do Matheus com Lula].

Pois meu ex-trainee LUIS FERRARI, hoje repórter de Mundo, tem a solução --desenvolvida quando ele precisava cobrir coletivas de F-1 ("uma zona", segundo ele):

A idéia é ótima: um microfone de lapela preso na ponta de uma antena de carro.

Ele prende a outra ponta da antena ao gravador, com fita crepe, e pronto!


Como estes microfones são unidirecionais, eles captam muito bem a voz do entrevistado. Melhor que o próprio gravador.

Por outro lado, eles não registram as perguntas --cabe ao repórter ficar atento a elas, para entender depois a que se refere cada resposta.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h41

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O catador de notícias

Adriano Choque/Folha Imagem

Enildo segura o celular no qual acompanha diariamente a cotação do dólar

Sobre a história do catador que acompanha o mercado financeiro eu já falei um pouco nesta semana, mas minha trainee GISELE LOBATO conta para vocês como encontrou o personagem:

Último dia de setembro, véspera da data em que tínhamos que entregar à Ana um nome para perfil. Até o início daquela noite, eu não tinha a mínima idéia do que ia sugerir.

Lembrei, então, de uma aula da faculdade, quando um grupo apresentou um seminário sobre o livro "O Ladrão de Orquídeas", de Susan Orlean. A inspiração para escrever uma obra explorando o mundo dos orquidófilos, segundo o próprio livro, havia saído de uma pequena nota de jornal. Foi por causa dessa lembrança que abri o Agora.

Quando peguei o jornal para caçar notas que pudessem gerar uma pauta, tinha plena consciência de que poderia não encontrar nada. Tentar, no entanto, não tomaria mais do que alguns minutos.

Com a sorte a meu favor, achei o que procurava. No pé da página A4, uma imagem me chamou a atenção.

A foto não era bonita, não estava em destaque. Meu interesse por ela surgiu devido àquilo que ela não trazia. Se ele era um morador de rua, como dizia o texto, onde morava? Como havia conseguido a bandeira e a bóia? Seu ato havia sido premeditado? Para mim, ninguém acorda em uma manhã comum e diz: hoje vou protestar contra a pobreza. Sendo assim, qual havia sido o estopim de sua revolta?

Após avaliação inicial, julguei que o personagem da notícia tinha algo de particular. Não é novidade que muitas pessoas são pobres neste país. Por esse ponto de vista, ele não seria notícia. Mas, ao contrário de tantos outros anônimos que também enfrentam problemas, aquele homem entrou no rio Tietê para "alfinetar a imprensa".

Comecei, então, a buscar mais informações sobre o ato. Na legenda da foto do Agora havia a primeira pista: a imagem era uma reprodução da televisão. O Google me levou a um vídeo com mais dados.

Agora sabia que o manifestante se chamava Enildo Paulino, que morava em uma favela à margem do córrego João Alves, em Osasco, e que havia sido levado para a Santa Casa, onde passaria por exames psiquiátricos.

Julguei que as informações eram suficientes para encontrá-lo e propus o personagem à Ana. A resposta, apesar de positiva, veio com uma ressalva: a pauta valia como exercício, mas, na vida real, o gancho era muito fraco para convencer um editor a soltar um repórter atrás do cara. (A menos, é claro, que a repórter fosse a Laura Capriglione, o que não era o meu caso).

Tinha como desafios encontrar o Enildo e extrair dele uma boa história, ainda que ele fosse menos interessante do que minha fértil imaginação supunha.

A primeira parte foi relativamente fácil. A própria Santa Casa me passou o telefone do paciente, após seu consentimento. Já para tirar boas histórias, conhecê-lo pessoalmente, em sua casa, foi fundamental. O tal do córrego João Alves passava colado na parede de madeira do barraco. Por causa dele, meu entrevistado dizia ter "anticorpos contra os dejetos do Tietê".

O aspecto mais interessante sobre ele que pude apurar foi a quantidade de informação de que dispunha. Havia um contraste entre sua condição de catador de latinhas e as coisas de que falava. Enildo comentava as eleições nos Estados Unidos, o desmatamento da Amazônia, retomava o escândalo dos Anões do Orçamento e passava pela crise financeira. Estava aí o gancho que faltava para convencer alguém a publicar sua história. Se o protesto no Tietê já havia ficado velho, a crise é manchete todos os dias.

Refletindo sobre o trabalho, sei que provavelmente a matéria não existiria se eu não fosse trainee. Como a Ana havia adiantado, eu não tinha informações a priori que justificavam uma saída da redação.

Quando vou adiando eternamente matérias que gostaria de fazer porque não arranjo tempo para investigar minhas pré-pautas, às vezes fico meio brava com a profissão, achando que o jornalismo é meio madrasta. Mas também sei que muitos grandes personagens estão passeando pela rua, é só dar uma de velhinha no ônibus e ficar puxando papo.

Assim descobri que o segurança da Folha é filho de nigerianos e que o motorista do circular que leva os jornalistas ao metrô foi torneiro mecânico. Já fiz amizades com flanelinhas, bati papo com o mendigo da minha rua. Nunca usei nenhum para matéria, mas não perco a esperança de encontrar um outro Enildo dando sopa por aí.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h55

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Como o Excel rende pautas

Um dos cursos obrigatórios do programa de treinamento é Excel, um programa assustador para jornalistas a começar do nome --planilha de dados-- e do que ele é capaz de fazer --cálculos, estatísticas, manipulação de dados.

Horrendo ou não, ele é hiper-super-megá-útil, e a CRISTINA MORENO de CASTRO está aqui para dar mais um exemplo de como isso é verdade:

Descobrimos recentemente aqui no blog que o Diário Oficial é um feio que satisfaz. E que os bancos de pautas –-e, conseqüentemente, bancos de dados de um modo geral-– quebram o maior galho do jornalista.
 
Hoje quero demonstrar que o Excel, apesar de ser um programa feio, satisfaz e é um dos melhores amigos dos repórteres à caça de novas pautas.
 
Quando acabaram as eleições, tive uma idéia. Queria traçar o panorama das mulheres na política, a partir do resultado das urnas deste ano.
 
Nos dois últimos dias, passei todas as tabelas de gênero e cargo, disponíveis no site do TSE desde o fim das eleições, para tabelas do meu Excel. Graças a isso, pude cruzar informações sobre as candidatas eleitas em câmaras municipais e prefeituras brasileiras e tirar conclusões noticiáveis:
 
- Menos de um décimo das prefeituras são ocupadas por mulheres;
- Mas houve aumento de 23% do número de mulheres eleitas para os executivos municipais de 2004 pra cá;
- No Nordeste as proporções femininas são mais significativas e a câmara municipal mais feminina é a de Maceió;
- Não houve diferenças significativas entre as vereadoras eleitas em 2004 e neste ano. Etc.
 
Os números, sozinhos, dizem um pouco, mas, com a ajuda de uma boa cientista política como a Marlise Matos, da UFMG, ganharam nova dimensão para mim.
 
E a pré-pauta se tornou pauta.
 
Mais tarde, com as tabulações no Excel e a análise da entrevista, a pauta rendeu uma matéria, que acabou indo para o blog Campanha no Ar.

Sempre achei o Excel um programa feio, pouco amigável, que ainda não havia me ajudado em nada.
 
Durante o treinamento, descobrimos parte do mundo mágico do Excel em algumas aulas práticas.
 
Depois, segui minha fé de que, em programas do pacote Office, o melhor é fuçar. E ir descobrindo suas funções aos poucos.
 
Pela primeira vez, pude transformar uma idéia em uma radiografia, graças ao programa.
 
Sem ele, seria possível fazer esses cruzamentos? Sim, claro. De preferência com a ajuda de uma calculadora e um bloquinho. Aliás, parte do meu trabalho começou a ser feita assim, desse modo rudimentar, porque eu estava com dificuldades de transportar algumas tabelas para minha versão do Excel. Mas, uma vez resolvido o problema, descobri, logo de cara, um erro pequeno que ia me causar um grande transtorno, se eu não tivesse feito a checagem ainda na fase de pré-pauta.
 
Errar é humano e a maior vantagem do Excel é justamente que ele não erra. Abusemos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h15

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Para quem você revelaria um pecado?

(Participaram deste post a Tetê, de Belo Horizonte, o Joãozinho, de Brasília, e Marcelo, Carik, Cris e Lanna, de São Paulo. Para ler as sugestões detalhadas deles, abra os comentários deste post)

Ontem a Fabiana pediu ajuda aos leitores do blog: ela vai fazer um trabalho para a faculdade sobre aborto e queria saber como achar médicos (ou não) que executam o aborto e como convencê-los a falar.

São duas coisas distintas, embora complementares.

Como achar personagens

  • no Orkut e outros sites de relacionamento (não deixe de ler este ótimo post de minha colega FLAVIA MANTOVANI)
  • em ONGs e outras entidades da área (leitores sugeriram Rede Saúde , Andi e Católicas pelo Direito de Decidir
  • no boca a boca com amigos, perguntando quem já fez aborto ou conhece quem fez, pedindo indicações
  • com médicos que já tenham sido sua fonte, confiem em você e possam indicar colegas (vale para outras fontes que possam conhecer personagens)
  • tente identificar processos judiciais sobre o tema e levantar sentenças e depoimentos em tribunal. Por exemplo: pesquisando no novo site do Diário Oficial pela palavra "aborto", vêm 2.436 citações desde 2003, conta o Marcelo Soares (leia mais nos comentários).

Como convencê-los a falar

Esta é parte mais difícil, porque envolve uma relação de confiança, principalmente se o entrevistado está praticando um crime. Imagine-se no lugar dele: você falaria com um repórter desconhecido? Em que circunstâncias? Não há fórmula infalível, mas algumas coisas podem ajudar:

  • procure conhecidos em comum e peça para ser apresentado --com um "avalista", a confiança do médico pode ser maior
  • lembre-se de que é direito da fonte desconfiar de você. Não se irrite nem aja como se fosse obrigação dele dar entrevista. Tente compreendê-lo e dê a ele todas as informações necessárias sobre seu trabalho --qual a pauta, onde seria publicado, quando, qual a circulação etc.
  • uma carta de apresentação da faculdade pode ajudar a dar segurança ao entrevistado. Se tiver, leve também exemplos de outros trabalhos seus
  • tente ouvir as pessoas não para publicar, mas para conhecer melhor o assunto. Isso também é tarefa do repórter, embora não resolva seu problema de conseguir personagens. Mas, se o médico topar conversar com você, já é meio caminho andado. Ao final da conversa, você pode pedir a ele que, se mudar de idéia, dê declarações sem se identificar
  • em casos extremos, é possível oferecer-se para ler para a fonte os trechos da matéria em que ela vai aparecer, antes de publicá-la (leia neste post o que leva algumas fontes a pedir para ver o texto e o que é possível fazer nesta ocasião)
  • se não conseguir, você pode falar dos médicos por meio de outras pessoas. ONGs ou conselhos de medicina podem comentar o que leva os médicos a praticar abortos, por exemplo. Podem falar, sem identificá-los, de conhecidos que realizam aborto.

Há reportagens em que podemos levantar informações simplesmente indo ao lugar e observando, sem pedir entrevistas. É uma boa prática jornalística verificar por si mesmo.

Mas é preciso avaliar se realmente vale a pena. Por exemplo, será que um trabalho de faculdade compensa o risco de se fazer passar por paciente em uma clínica clandestina? Talvez não, né?


CUIDADO COM MENORES DE IDADE

Sempre é bom tomar cuidado com matérias que envolvem menores de idade, principalmente se o assunto for delicado.

De preferência, não os identifique, mesmo que eles falem com você "on the records".

Eles são protegidos pelo ECA (estatuto da criança e do adolescente) e, por lei, os pais ou um promotor podem entender que você os colocou em situação constrangedora.

Mesmo que eles tenham falado de livre vontade, o responsável é você.

Uma saída é pedir autorização por escrito dos pais para publicar as declarações, mas, mesmo assim reflita sobre se realmente é preciso expô-los e se vale a pena.

Pega-pega: atrás de fontes que se recusam a falar
Mais dicas para
tentar obter declarações de fontes arredias
Um entrevistado explica
por que não quer falar com repórteres
Raphael Gomide fala sobre os limites de trabalhar como "infiltrado"
O direito de ter medo - jornalistas e as pautas arriscadas

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h38

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Curso desvenda o jargão jurídico

Curso desvenda o jargão jurídico

Esfera criminal, jargão jurídico, lei da mordaça e princípios do direito serão alguns dos aspectos abordados no curso Introdução ao Direito para Jornalistas, realizado pela Abraji e pelo MPD (Ministério Público Democrático).

As inscrições vão até 28/10, pela internet. Vagas são limitadas.

Meu leitor Tiago e minha colega Natalie indicam um site muito útil, do Ministério Público do Paraná: o Pílulas.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h22

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Caça-buracos

O editor é o "repórter do repórter".

É missão do repórter entrevistar as fontes ou os dados (é isso mesmo, "entrevistar os dados", ou seja, pensar sobre eles e não simplesmente reproduzi-los) para tornar a informação correta, completa e compreensível. Da mesma forma, é função do editor "entrevistar" o repórter enquanto ele lhe conta o que apurou, atrás de lacunas que possam ser preenchidas, de pontas soltas, de possíveis enganos ou omissões que levem ao erro.

Isso é mais importante quando o repórter é novo, inexperiente. Se faltar algo importante no texto dele, pode ser que a maior parte da responsabilidade seja do chefe, que não lhe prestou a devida atenção (pra não deixar a vida dos novatos fácil demais, pode ser também que o repórter tenha sido orientado, mas não tenha dado conta do que lhe foi pedido).

É mais fácil perceber os buracos quando o texto está escrito, por isso uma recomendação --bem difícil de cumprir em jornal diário-- é: antecipe seu texto. Escreva logo, imprima e releia com atenção. Passe logo pra alguém mais experiente ler. Assim ainda dá tempo de completá-lo.

Na história do maníaco de Higienópolis, não deu tempo [se não tiver acompanhado o caso no blog, confira aqui].

Quando as fichas começaram a cair, já era sexta à noite, quase ninguém mais estava acessível. Por sorte, o fundamental, o crucial para a reportagem, estava apurado, documentado, gravado e checado dezenas de vezes (sem exagero). Não fosse assim, a matéria teria destino inglório: gaveta, até que os problemas fossem resolvidos.


O GERAL E O PARTICULAR

Mas o que, afinal, ficou faltando?

Vários de vocês nos comentários apontaram muito corretamente que a versão televisiva do caso tem dados gerais que poderiam estar na nossa matéria (e, buááááá, alguns a gente até tinha apurado, mas chegaram tarde demais).

Concordo com vocês: não se trata de mudar o enfoque. Que a Justiça é lenta e sobrecarregada, já sabemos. Que um preso específico foi julgado pelo menos três vezes depois de morto é que é novidade. E, em jornal diário, o particular, o concreto, costuma ter muito mais força e temperatura que o geral ou o abstrato.

Mas os dados gerais enriquecem a matéria. Quando alguém diz que a Defensoria Pública não tem gente suficiente, é importante dizer quantos eles são e de quantos casos cuidam --algo que nossa matéria não faz.

Nesse ponto, a reportagem da TV dá um passo além: começa com o maníaco, mas chega ao problema maior.

Até mesmo a falta de informação é notícia. Por exemplo, quando o presidente da associação de magistrados diz que é comum enganos como julgar defuntos, seria relevante escrever que "Justiça, Ministério Público, OAB e Defensoria não tem dados oficiais, porém, sobre quantos desses casos ocorrem".


ENILDO E O UNIVERSO DA SUCATA

Um exemplo de como dados gerais podem ajudar a construir uma história restrita está na Folha e na Folha Online hoje: a reportagem da GISELE LOBATO sobre o catador de latinhas que acompanha a cotação do dólar pelo celular. Leia na íntegra, que é interessante, mas reproduzo abaixo os trechos em que o geral é usado para dar mais força ao particular:

Morador de uma favela em Osasco (Grande São Paulo), Paulino usa as informações para negociar melhor com os ferros-velhos, a quem vende pessoalmente seu produto --como 85% dos catadores de São Paulo (estimados em 20 mil), ele não faz parte de cooperativas.

(...)

Com isso, o valor que diz obter chega a superar o das cooperativas, que negociam volumes maiores. Três entidades ouvidas pela Folha chegaram a vender o quilo da latinha por R$ 2,90 no ano passado e viram o preço subir. Mas, nos três casos, o máximo pago pelos intermediários foi de R$ 3,50/kg.

(...)

"Tenho um papel nessa cadeia", diz o mineiro de Divino das Laranjeiras (a 383 quilômetros de Belo Horizonte), que comemora o alto índice de reciclagem de alumínio no Brasil, país que detém o recorde mundial desde 2001 --no ano passado, foram reaproveitadas 96,7% das latinhas.

(...)

A alta deve-se não só ao câmbio, mas ao desempenho do alumínio na crise das commodities (cujo preço é cotado em dólar), dizem cooperativas, revendedores e processadoras de sucata de alumínio. Enquanto o valor do níquel desabou 28% no último mês e o do cobre, 21%, o do alumínio desceu 12%.


REPORTAGEM É PONTA DE ICEBERG

Para entender melhor do assunto, recolher dados de contexto, falamos com muita gente e levantamos muita informação que não cabe na matéria. Fica sobrando.

Só para dar uma idéia, o último paráfrafo que usei nos exemplos acima é do texto que saiu na versão impressa.

Na versão on-line, ele traz um link para uma outra matéria inteira que foi feita com as "sobras":

A alta deve-se não só ao câmbio, mas ao desempenho do alumínio na crise das commodities (cujo preço é cotado em dólar), dizem cooperativas, revendedores e processadoras de sucata de alumínio.

É uma maravilha quando seu jornal tem um site e você pode dar vazão à maior parte do que apurou. Seu tempo, como repórter, e o das fontes que lhe deram entrevista não ficam esquecidos pra sempre num bloquinho velho...


AS PONTAS SOLTAS

Mas voltando, então, aos buracos da reportagem do maníaco, há pelo menos duas fontes que, se ouvidas, tornariam a história mais rica: o TJ e o STJ.

Não era caso de "outro lado", já que não houve erro dos tribunais. Eles não sabiam --nem tinham como saber-- que estavam julgando um morto.

Ao TJ, pedimos um comentário já ao pôr do sol da sexta, mas ele não chegou. Quanto ao STJ, só descobrimos que o engano tinha chegado a Brasília às 21h.

De todas, acho que minha principal falha, no entanto, foi não ter perguntado: "Mas como alguns juízes da primeira instância sabiam que ele estava morto"?

Esse "buraco" estava presente, como se vê, desde o momento em que apareceu o queijo: as meninas, Sofia e Vanessa, sabiam que ele havia morrido porque isso está escrito em pelo menos 2 dos 10 processos que corriam em primeira instância. Como é que a informação chegou lá? Por quem? E por que não foi transmitida aos outros juízes que se debruçaram sobre o caso?

Nossa matéria não explica isso, porque a dúvida só me ocorreu tarde demais.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h31

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Fotojornalismo: como começar?

O Novo em Folha tardA mas não falha (*), hehe .

Meu leitor Willian havia pedido dicas para quem quer ser fotojornalista em agosto. [ADENDO: Credo! Que frase mal feita! Parece que as dicas são só pra fotógrafos supersticiosos, que só querem saber o que fazer em agosto! Meu leitor Lauro, que me avisou do erro, sugere redação muito melhor: Lááááá em agosto, meu leitor Willian havia pedido dicas para quem quer ser fotógrafo.] Passaram-se dois meses, mas elas chegaram bem lapidadas por minha colega CARLA ROMERO, editora-assistente de Fotografia e professora universitária de fotojornalismo:


Na nota "Sorte sorri mais para quem é bom", as palavras curiosidade, interesse, persistência e vontade de trabalhar aparecem grifadas. Elas servem de base para explicar por que algumas pessoas conseguem ir além do previsível na profissão, nesse caso o jornalismo. A receita também vale para os que querem se destacar no fotojornalismo. Sem curiosidade, interesse, persistência e vontade de trabalhar, não adianta nem começar.

Mas como começar? Sobram incertezas e ansiedades no início da carreira:

  • qual equipamento devo comprar?
  • vale a pena fazer faculdade de fotografia?
  • os fotógrafos viajam muito à trabalho?
  • quantas pautas um fotógrafo faz por dia?
  • é preciso ter um site?
  • precisar falar inglês?

É claro que não há uma receita mágica para se dar bem na profissão, mas algumas dicas podem ajudar. A principal delas é ter um bom portfólio.

Para começar a frilar no mercado editorial é importante ter uma boa amostra do seu trabalho. Reúna suas melhores fotografias em um formato bem cuidado. Pode ser em papel ou digital, tanto faz. O importante são as imagens que você está mostrando.

Se a sua opção é mostrar as imagens em papel, não há necessidade de levar páginas de jornais e revistas que você já tenha publicado. É melhor que você apresente suas fotografias ampliadas.

Não há um número ideal de fotografias para compor um portifólio, mas tente reunir no máximo 25 e no mínimo 10 imagens.

Conhecer bem a linha editorial do lugar em que você vai apresentar o seu portifólio é fundamental. Demonstra seu interesse pelo veículo e pode lhe abrir portas.

Com o portfólio pronto, procure os editores de fotografia dos lugares que você tem vontade de trabalhar e marque um horário para apresentar seu material.

Durante os encontros, aproveite para pedir opinião sobre o seu trabalho. Nessas horas, vale mais ouvir do que falar.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h50

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Como convencer a fonte de guardarei sigilo?

Como convencer a fonte de guardarei sigilo?

Vejam a boa pergunta da Fabiana, de São Paulo. Como vocês fariam?

Estou fazendo um trabalho para a faculdade sobre aborto, e gostaria de conversar com profissionais que já fizeram, ou fazem isso em meninas. Claro que a confidencialidade seria de 100%, mas como encontrar esse tipo de fonte? E como fazer ela crer na confidencialidade?

Meu comentário 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h22

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É bom pra você também?

Minha colega e ex-trainee JOHANNA NUBLAT, repórter da Sucursal de Brasília em pausa para estudos na França, conta como até o que é bom jornalismo é relativo:

O meu bom, o seu bom

  Uma das aulas de jornalismo que tive essa semana me deixou um tanto chocada e impressionada com a diferença de visões sobre a prática da nossa profissão.

  O professor da disciplina "gestão de imprensa" fez a seguinte pergunta à turma: quais são os critérios de avaliação da qualidade de um jornal? Eu logo pensei: furos, matérias exclusivas, poucos erros de informação e ortografia.

  O susto. Primeira resposta (anotada no quadro depois de aceita pelo professor): total de vendas do jornal. Segunda: audiência. Outras: taxas de leitura, aceitação visual do jornal pelo leitor, erros de ortografia. Uma essencial, disse o professor: respeito da linha editorial escolhida.

  Eu levantei o braço e disse: "matérias exclusivas?". O professor: "Matérias exclusivas? Hum, nunca tinha pensado nisso como medidor de qualidade", para minha grande surpresa (e, então, ele anotou no quadro). Ainda adicionei um "erros de informação", que ele aceitou sem muita convicção.

  Na saída da aula, encostei numa colega e comentei como era diferente a importância dada aos furos e matérias exclusivas no Brasil e na França (apesar de ser uma aula com tom mais de administração, a questão era clara, avaliar a qualidade de um jornal). E minha colega disse que sim, que eles têm uma relaçao diferente com essas questões (que, sim, são importantes, mas num grau diferente).

  E isso eu já tinha notado antes. Quando cheguei, vi uma manchete de domingo de "Le Monde" que me fez rir: "Entenda o conflito no Cáucaso". Não ri da opção deles, ri do pensamento que tive: não me parece que o verbo "entender" cabe na manchete de um grande jornal brasileiro. Principalmente de domingo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h24

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Donos da mídia

Meu colega ALEC DUARTE tira umas férias das férias para recomendar um site que reúne dados sobre os conglomerados de comunicação brasileiros.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h11

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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