Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

De olho no futuro

Uma diversão para o final de semana:

O jornalista recém-contratado

Escuta Stevie Wonder
(É o primeiro dia de trabalho e tudo é maravilhoso)

 

 

Depois de 3 meses...

Escuta música HOUSE
(Está tão empenhado no trabalho que não sabe se está chegando ou indo embora)

 

 

Depois de 6 meses...

Escuta Heavy Metal
(O seu dia de trabalho começa às 8h e acaba às 20h)

 

 


Depois de 1 ano...

Escuta Hip Hop
(Engordou por culpa do stress e tem problemas com a mobilidade)

 


 
 
Depois de 2 anos...

Escuta GANGSTA RAP
(Tem dor de cabeça, esqueceu o significado de “bom dia”, sente-se como se tivesse acabado de cair da cama e vive somente de cafeína!!) 

 


 
Depois do terceiro ano ...

Escuta Techno
e está se tornando irremediavalmente maluco!!!! 

[Agradeço à Juju, que me mandou os gifs, e à b3ta.hnldesign.nl, que parece os ter produzido]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h12

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Para entender a crise

Um dos meus professores aqui do jornal me indicou este texto do NYT para quem quer entender a crise. É bem completo e didático.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h34

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Sorte sorri mais para quem é bom

Sorte sorri mais para quem é bom

Minhas trainees SOFIA FERNANDES e VANESSA CORRÊA acharam uma história sensacional na quinta-feira passada: um homem que havia morrido em abril estava sendo julgado, naquela tarde, no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Publicada sábado na Folha e na Folha Online, a matéria das meninas ficou na lista das mais lidas daquele dia e ganhou uma ótima versão --ampliada-- hoje no "Bom Dia Brasil".

Como foi que elas descobriram isso?

Fontes no TJ?

O tio de uma delas é juiz?

Levantaram a hipótese de que defuntos vão a julgamento e foram checar?

Não. Ia escrever que foi "pura" sorte, mas seria mentira. Elas tiveram sorte, sim, mas só porque foram boas repórteres.

Eu conto: em todo programa de treinamento, vamos verificar na Justiça como estão alguns casos que o jornal publicou na época do crime, mas do qual nunca mais falou.

Para que fazemos isso?

  • para entender como se acompanha um caso na Justiça
  • para pôr em prática o que acabamos de aprender no curso de direito para jornalistas
  • para saber, afinal, que fim levou a história: o suspeito era mesmo culpado? Foi julgado? Condenado?

Nesse exercício, já descobrimos as coisas mais espantosas --inclusive que aquele garoto cujo nome publicamos como possível criminoso tinha na verdade ajudado as vítimas a escapar do crime.

Sofia e Vanessa tinham dois casos na mão, mas a tarefa de levantar apenas um. O outro era "reserva", para o caso de o processo estar em segredo de Justiça ou inacessível por outro motivo.

Na tarde de quinta, o maníaco estava no banco e o titular era uma babá acusada de envenenar um bebê. No TJ, apuraram tudo sobre a babá --que foi absolvida!

Poderiam simplesmente ter dado por cumprida a missão e voltar pro jornal, não é? Mas resolveram saber também qual havia sido o destino judicial do maníaco. Bingo! Sofia disse tudo, no telefonema que me deu:

--Ana, acho que mudou o lide!

Mudou o lide, deu alto de página, mais lidas na FOL e emplacou na Globo.

"Pura" sorte? Que nada. Foi curiosidade, interesse, persistência, vontade de trabalhar.

Outros dois casos de "sorte": inconfidências de um técnico de futebol e de um ministro do STF
Como a disciplina ajuda a sorte


ENCONTRE OS ERROS DA EDITORA DE TREINAMENTO

A matéria das meninas tem todas as informações principais, mas há vários dados que, se presentes, melhorariam muito a qualidade final.

Estão ausentes por falha da editora --eu, no caso. Quando o repórter é novo, cabe ao editor checar se apuramos tudo o que era preciso.

Leiam o texto (versão integral na Folha ou versão editada na FOL) e me digam que informações estão faltando.

A comparação com a reportagem da Globo também ajuda a responder.

[PS - podem comentar à vontade! Não tenham medo de me "criticar". Estou mais que acostumada! Não que eu goste, claro... mas tento aprender com isso.]

Volto ao assunto noutro dia.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h26

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O mais difícil nem é ouvi-lo...

... é fazer ele te ouvir!

 

 

MATHEUS MAGENTA dá dicas para coberturas tumultuadas:

 

A eleição do último domingo foi um prato cheio para os trainees que gostam de cobertura política.

 

Isso não significa que deu para entrevistar o Lula ou arrancar um off do Kassab, muito pelo contrário.

 

Fui acompanhar a LILIAN CHRISTOFOLETTI, repórter de Brasil, durante a votação do presidente em São Bernardo. Como foi a segunda vez que participei da cobertura do Lula, e dessa vez como repórter de texto mesmo, já deu para perceber que alguns jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos devem estar sempre na cola do Lula em SP. Aos poucos as figuras vão se tornando familiares, desmistificadas e quem sabe um dia eu consiga tirar a placa de neon escrita “Foca” da minha testa.

 

Pelo que vocês viram na foto, foi impossível ouvir qualquer coisa que o Lula tenha falado durante a coletiva. Ainda mais porque, segundo comentário de um jornalista, o presidente fica muito isolado em Brasília, longe do contato com a população, e em São Bernardo, a história é diferente: Lula segue o protocolo básico de aproximação do político com o cidadão bem ao estilo do presidente Jânio Quadros.

 

Foto com o presidente segurando criança aqui, "dona" Marisa dando beijos e abraços ali, risadas, piadas e por aí vai.

 

Isso dificulta muito chegar perto do presidente enquanto ele se movimenta pelo local.

 

Alguns jornalistas até conseguem ficar na frente durante a coletiva e ouvir o que o presidente fala, mas o mais importante no momento é fazer com que o entrevistado te ouça e responda a sua pergunta.

 

Uns dois minutos antes de o presidente chegar, o assessor recolheu todos os gravadores e os colocou no púlpito, logo abaixo dos microfones. Desse jeito, parecia até que ia ser fácil “degravar” ou “transcrever”.

 

Enquanto o carro da reportagem ia sacudindo a caminho do apartamento do Lula, eu lutava com o gravador para entender a fala embolada do presidente e com a caneta e o papel tremendo.

 

A primeira coisa interessante que eu reparei é que você não consegue ouvir as perguntas feitas, apenas as respostas. Ou seja, é preciso, por vezes, inventar uma tecnologia reversa de descobrir, a partir da resposta, o que foi perguntado e se aquilo deu o resultado esperado. Se o entrevistado não for objetivo e aproveitar o microfone para soltar o verbo, aí é outra história.

 

De qualquer forma, talvez seja mais difícil para quem está começando, porque as perguntas variam pouco. Até o presidente brincou antes de começar a coletiva: “Será que vocês têm alguma coisa nova para perguntar?”.

 

A segunda coisa que percebi foi como é importante ir pensando na construção da matéria durante o processo de passar a fita para o papel. Enquanto a Lilian degravava, ela já ia anotando as informações importantes em tópicos, construindo o lide e falando por telefone com o pessoal na redação para “vender a matéria” com o que foi obtido.

 

Segundo a Lilian, é essencial numa entrevista coletiva que a transcrição seja literal e fiel à fala do presidente, já que todos os jornais dão as mesmas falas.

 

A cobertura teve um segundo tempo nem um pouco divertido. Na porta da casa do Lula, os jornalistas ficaram de plantão esperando ele dar sinal de vida ou descer para falar alguma coisa. Isso é muito raro, mas como me disse Ricardo Galhardo, do jornal "O Globo", “é preciso ficar de olho na bola e esperar que algo aconteça, senão depois você toma um furo e não vai conseguir explicar para o seu editor por que um jornal concorrente conseguiu a informação e você não”.

 

Infelizmente, nada aconteceu.

 

Uma hora de chá de cadeira só para conseguir a informação de que “o presidente visitou um parente”. Faz parte.


HISTÓRIA DO CERCO DE LISBOA

No domingo da eleição, encontrei o Matheus na calçada da Folha, na hora do almoço.

Eu chegava para dar plantão e ele voltava da votação do Lula. Contou as aventuras, animado. Mas quando me disse:

--E até ajudei um pouco a transcrever a fita...

meu sangue gelou.

Transcrever gravações parece algo relativamente simples, mecânico até, não parece?

Mas o diabo mora nessas tarefinhas. Vai que o Matheus deixou passar uma frase bombástica, não avisou a Lilian de algo que deveria ser o lide? Ou, pior, e se ele não entendeu bem uma palavra e trocou por outra?

Na calçada, eu e Matheus nos lembramos de um famoso "não" que muda tudo: está no livro do Saramago, "História do Cerco de Lisboa".

Quem não conhece o livro deve lê-lo (Saramago é controverso, mas sou das que gostam dele). Mas, em resumo: no cerco de Lisboa, os cruzados ajudaram os "portugueses" a retomar a cidade. No livro, Raimundo, revisor, está corrigindo um livro de história de Portugal e resolve colocar de propósito um "não": os cruzados não vão ajudar no cerco.

Nunca é demais lembrar que na guerra (e política é uma batalha) uma palavra a mais ou a menos pode fazer toda a diferença.

Dicas práticas de como usar o gravador

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h15

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Livre para ser ignorante

Completando nosso pequeno "Manual para o Repórter Estrangeiro", escrito a quatro mãos para meu leitor Robson, que quer mudar de cidades, vem em socorro meu ex-trainee RICARDO SANGIOVANNI, baiano, repórter de Cotidiano:

Robson, para mim, que sou de Salvador, cada matéria é uma aventura em dobro: além de apurar bem o que está acontecendo agora, é preciso recuperar o que aconteceu antes, para saber o que há mesmo de novo. Faz falta não dominar a geografia da cidade, demora até você se situar quando fica sabendo que um acidente aconteceu em tal-lugar, que faltou luz não-sei-aonde, que o trânsito deu um nó na marginal-não-sei-das-quantas.
 
Acompanhar o noticiário de todos os temas, ainda que minimamente, ajuda? Ajuda. Ajuda a se assustar menos com a pauta que lhe cai no colo, e às vezes a ver que algumas "novidades" aparentes, na verdade, não são tão "novidade" assim. Leituras e uma boa pesquisa ajudam? Ajudam. Mas acho que não adianta: conhecer um lugar ou um assunto, de verdade, só com o tempo mesmo.
 
E, por isso, para mim a pergunta é: como sobreviver até que o tempo lhe torne, um dia, um repórter experiente? Óbvio, não sei ainda. Minha aposta tem sido fazer uma boa apuração do factual, contar com os arquivos de notícias e os colegas mais experientes para achar a melhor maneira de informar e contextualizar o leitor. E, de quebra, tentar trazer duas notícias de onde parece haver apenas uma, juntar as informações do dia às matérias que você fez antes daquela... enfim, não tem ciência, cada um tem que inventar seus próprios truques.
 
Em Salvador, trabalhei em jornal, mas não no noticiário diário. E, embora lá eu conheça a cidade, fico me perguntando se faria tanta diferença assim. Talvez fizesse um pouco, mas há um prazer em trabalhar no noticiário de cidades na cidade de São Paulo: me sinto absolutamente livre para ser ignorante. Ter que partir do zero absoluto é um desafio para muitos colegas: aqui, todo mundo é um pouco estrangeiro, até quem é daqui. Estou aproveitando ao máximo, porque ignorância é coisa que passa rápido e o repórter sempre precisa de uma boa dose dela...

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h58

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'Palmtop'

Veja aqui, na mão de um trainee, mais um motivo para ter sempre papel e caneta por perto:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h47

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O incrível caso do terrível cacófato contra o jornalismo ao vivo

Da série "humor no jornalismo", mas pelos motivos errados, um vídeo que nos lembra de tomar cuidado com cacófatos no jornalismo "falado" (rádio e TV) --e de como é grande o risco de pagar mico quando se está ao vivo...

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h21

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'Estrangeiros'

Meu leitor Robson, de Coronel Fabriciano (MG), depois de ler o relato da Bruna, pede:

Se for possível você poderia aprofundar seu comentário sobre o desafio de atuar em uma cidade que não conhece tão bem? Sou estudante ainda, mas já faço estágio em jornal impresso e pretendo ir para Brasília quando me formar.

Nunca passei por tal situação. Assim, pedi a duas mineiras --a própria Bruna e a CRISTINA MORENO de CASTRO--, que me ajudassem com a resposta.

Diz a Bruna:

Acho que a maior dificuldade é também aquela que deixa o trabalho mais interessante. "Descobrir" uma cidade é muito mais do que saber qual a região com os bairros mais ricos ou mais pobres, é conhecer o que pensam e o que querem as pessoas da cidade.

Posso dizer que tive uma ajudinha nesse pouco tempo de Coti que veio muito a calhar: o caderno especial DNA Paulistano, que virou um ótimo instrumento de consulta.

Mas um livro com a história da cidade, guia turístico, uma boa pesquisa na internet ajudam

Outra forma de aprender um pouco mais  é perguntando para os motoristas. Acho que eles foram meus principais professores. 

Eu fico igual a uma criança perguntando "que rua é essa?", "que bairro é esse?", "aqui é zona leste ou zona sul?". Assim acabo entendendo um pouco mais a questão geográfica.

A falta de vergonha também é uma aliada:p. 

Sempre que preciso, digo para as minhas fontes: "Eu não sou aqui de São Paulo, será que você poderia me falar mais sobre isso, não estou entendendo onde é" ou " não sou daqui; você podia me dizer por que isso é importante?". 

É só dizer isso que as pessoas reconhecem meu sotaque carregado de mineira e se tornam muito mais solícitas.

Quem vem de fora tem uma grande vantagem sobre os nativos. Muitas vezes nós achamos nos surpreendemos com coisas que eles acham corriqueiras, mas que ninguém parou para dar uma especial atenção. E esse olhar é muito importante, dele surgem muitas pautas novas.

Então sugiro duas coisas a quem quiser se aventurar cobrindo cidades em uma outra cidade:

  1.  Entenda a nova cidade. Leia, estude, pergunte, pegue o ônibus ou metrô e saia sozinha. Preste atenção em tudo. Converse com as pessoas na rua, no bar, no café. Converse com todo mundo. Facilita não só o trabalho, mas a vida também. Assim, além de possíveis fontes, você faz novos amigos. Descubra o que todo mundo já conhece.
  2. Não deixe de lado o que te chamar atenção. Você viu alguma coisa e se surpreendeu? Provavelmente outra pessoa também se surpreenderá. Não deixe de lado aquele jeitinho que é só seu, que é um pedaço da cidade que você nasceu, dos amigos que você têm e da sua formação. É esse jeito que vai permitir um olhar diferenciado. E novos olhares significam ótimas pautas.  

A Cris acrescenta:

Oi, Robson. Sou mineira como você, de Beagá, e vim morar em São Paulo sem conhecer praticamente nada da cidade (tinha vindo aqui, antes, só por dois dias).

Acho que, sob alguns aspectos, é muito difícil cobrir uma cidade totalmente desconhecida. Mas são aspectos mais simples e remediáveis. Por exemplo: não temos muita noção de regiões, se determinada rua é muito importante para a cidade, se é comum casos de roubo em certo bairro etc. Ficamos sem muita noção de espaço e realidade, pouco situados.

Mas perguntando o tempo todo para os moradores do local, visitando o Google Maps e andando bastante pela cidade, é possível descobrir essas coisas aos poucos.

Outra dificuldade é saber quais são os problemas crônicos de determinado local. Mas isso a gente desconhece até em nossas próprias cidades, por serem muito locais e específicos, e também só vamos descobrindo aos poucos, na cobertura e acompanhamento diários para o jornal.

Por outro lado, temos uma vantagem: nosso olhar é virgem para situações que podem passar batido pelos moradores nativos, que às vezes não percebem o inusitado em algum lugar, graças à vista viciada pelo cotidiano. Pelo menos, diz a lenda que é assim ;)


É um desafio, mas pode ser ainda mais empolgante que a cobertura de temas com os quais somos muito familiarizados :)


Meu prof EVANDRO SPINELLI também ajuda:

Nasci em São Paulo, mas vivi praticamente minha vida no interior (saí da "capitarrr" com menos de um ano, morei aqui mais alguns meses quando criança e, depois disso, só voltava para passear).

Quando vim para trabalhar, na Folha, cobrindo a prefeitura, apanhei um pouco, mas tive três sortes.

A primeira: odeio o trânsito de São Paulo. A segunda: fui morar longe do jornal, no Tatuapé, zona leste. Isso significa que precisei usar transporte público. E recomendo sempre: jornalista que vai cobrir cidades precisa morar longe do jornal e andar de transporte público. Jornalista que mora perto e anda de carro não conhece a cidade, só o caminho de casa. A terceira sorte foi justamente cobrir a prefeitura e, no início, acompanhar diariamente a agenda do prefeito.

Assim, conheci praticamente todos os cantos de São Paulo, de Lajeado a Parelheiros, do Jardim Europa à Brasilândia. E o que faltou conhecer, depois do DNA Paulistano já não falta mais...

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h27

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Coisas simples que podem ajudar aos iniciantes

Como pode uma pessoa sem experiência alguma começar de cara num jornal como a Folha?

Essa foi a pergunta que alguns leitores fizeram quando publiquei o post da Bruna, ontem.

A dúvida é pertinente, mas a resposta é simples: há num jornal grande todos os tipos de vagas. Desde as mais breves e simples, como ajudar nas artes de um caderno especial durante duas semanas, até as especializadas, do tipo "procura-se repórter com experiência na cobertura de mercado financeiro".

Obviamente, a Bruna entrou na primeira categoria. Mas da história dela é possível tirar alguns passos que podem ajudar a quem está começando:

  • se puder, arrisque. Tudo o que se oferecia para a Bruna eram 15 dias de trabalho numa cidade que não era a dela e onde ela não conhecia ninguém. Ela arriscou. Largou a segurança da cidade natal e se mandou pra cá. Ficou de favor na casa de amigos por dois dias, até achar outro lugar, que acertou sem nem saber se passaria das duas semanas.
  • interesse-se. É algo que não dá para forçar. Tem que ser genuíno, como quando a Bruna pensou em vir ao jornal no final de semana para ver como era. O editor percebe quando um novato está realmente interessado no trabalho e valoriza isso (mas percebe também quando é algo ensaiado, só para fazer número. Por isso, não tente "representar", pois o tiro pode sair pela culatra).
  • se tiver dúvidas, pergunte. Você entrou numa vaga para novatos. Todos sabem que você é um novato. Aproveite, pois essa é a sua chance de perguntar tudo o que precisar. Não tenha medo de parecer inexperiente. Isso é muito melhor que fingir que sabe tudo e acabar fazendo besteira (fiz aqui um passo-a-passo para os primeiros dias de trabalho)
  • observe os colegas. Dá para aprender muito só ouvindo um repórter entrevistar alguém ao telefone.
  • "estude" sua experiência. Insegurança é a principal fraqueza de um iniciante. A melhor forma de reduzi-la é pensar sobre o trabalho ao final de cada dia. O que deu errado? O que deu certo? Mexeram no meu texto? Por quê? O que eu posso tomar como lição de tudo o que fiz hoje? Outra coisa imprescindível é olhar os jornais no dia seguinte, para ver como os concorrentes fizeram a cobertura (e aprender com isso)

O segredo do sucesso (ou a falta dele)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h31

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Programa nos EUA para estudantes

Programa nos EUA para estudantes

Minha leitora Luana, de Natal, avisa: a embaixada americana recebe até 17/10 inscrições para programa nos EUA voltado a estudantes universitários "líderes".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h17

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A estabilidade da corda bamba


(“Níquel Náusea”, de Fernando Gonsales, publicado em 23 de setembro de 2008,
no caderno Ilustrada - dá para ver melhor no arquivo da Folha)
 
Numa pausa filosófica do programa de treinamento, LEONARDO FEDER pergunta: é melhor ser otimista ou pessimista?

E procura respostas em Armando Nogueira, Millôr Fernandes, Edgar Morin, Jean Rouch, Roger Bastide, Clarice Lispector e Nelson Rodrigues. Você pode achar que é pura reflexão existencial, mas, no final, verá que as dúvidas se referem a tarefas comuns do jornalismo --principalmente nas entrevistas:

É melhor ser otimista ou pessimista em relação à vida e ao ser humano?

Bem-humorado, Armando Nogueira enaltece a primeira opção: “Até que tudo dê errado, o otimista sofreu menos”.

Já Millôr Fernandes prefere o contrário: “O pessimista fica feliz quando acerta e quando erra”.

Na minha carreira “moral”, já experimentei muitos estágios, desde um otimismo desbragado até um pessimismo depressivo. Hoje, oscilo meus humores: vivo na estabilidade da corda bamba. Por quê?

Por opção.

Sou tomado pelo espírito jornalístico (e também judaico) de questionamento permanente: quero sentir as coisas de forma muito intensa –-conseguir me comunicar com as pessoas, ouvir o silêncio e exercitar o olhar criativo (antes que as coisas se cristalizem em clichê). 

Imaginação, desconforto, conhecimento e crítica são fundamentais à procura de momentos epifânicos.  

Mas cada pessoa terá seu olhar sobre a sociedade, que pode mudar em diferentes momentos, e cabe ao jornalista, ao se deparar com uma pessoa em dada situação e tempo, respeitar e compreender sua singularidade existencial, que se aflora em instantes de felicidade ou infortúnio.

A alegria e a melancolia podem ser belas e encantadoras. Esse pensamento é poeticamente muito bem expresso por Hadj Garm’ Oren, citado por Edgar Morin, em “A cabeça bem-feita”:

Todo indivíduo, mesmo o mais restrito à mais banal das vidas, constitui, em si mesmo, um cosmo. Traz em si multiplicidades internas, suas personalidades virtuais, uma infinidade de personagens quiméricos, uma poliexistência no real e no imaginário, o sono e a vigília, a obediência e a transgressão, o ostensivo e o secreto, pululâncias larvares em suas cavernas e grutas insondáveis. Cada um contém em si galáxias de sonhos e de fantasias, de ímpetos insatisfeitos de desejos e de amores, abismos de infelicidade, vastidões de fria indiferença, ardores de astro em chamas, ímpetos de ódio, débeis anomalias, relâmpagos de lucidez, tempestades furiosas...

Em entrevistas confessionais, em que não precisa apenas extrair informações, mas revelações do personagem, o jornalista deve procurar ser objetivo, mas sem ser neutro, que é condição impossível de realizar.

Jean Rouch, documentarista francês do “cinema-verdade”, ensinou que um jornalista pode ser uma espécie de psicanalista, que, instigando as pessoas sem desrespeitá-las, faz emergir situações que não existiriam sem sua intervenção e expressões humanas espontâneas e ricas.

Construindo realidades, reflete nas suas obras o entrelaçamento da verdade e ficção no espaço social, a partir do método de observação, presente no jornalismo literário, chamado “antropologia compartilhada” ou “poesia sociológica”.

Roger Bastide exemplifica-o, desenvolvendo um diálogo fictício entre “o crítico”, opositor de suas idéias, e “eu”, ele próprio:

- O Crítico – (...) [Émile] Durkheim nos ensinou que devemos desconfiar dos pensamentos subjetivos, rejeitar as idéias que fazemos das coisas e examinar as realidades de fora, olhar os fatos sociais do mesmo modo como se observam os fenômenos da natureza. Repele a introspecção e, com mais razão, a intuição. (...) Se o sociólogo passa a fazer poesia, será também obrigado a permanecer na superfície pitoresca das realidades sociais, não se esforçará por analisá-las, compreendê-las, gozará somente de sua beleza. (...).

- Eu – (...) O senhor se esquece, uma vez que falou em Durkheim, de que com a simples reunião de homens pensantes aparecem fenômenos novos, originais? (...) ou a sociologia se limita à descrição do que é racional na sociedade, formando um todo harmonioso, mas cheio de lacunas, ou então resolverá ser uma ciência total e terá de reproduzir uma imagem desses elementos irracionais, desses fundos perturbadores e sentimentais, desses movimentos de massa, dos ditames do inconsciente coletivo. (...) A expressão poética me parece mais apropriada que qualquer outra para forçar o leitor a viver na experiência comunitária, juntando assim à compreensão lógica, que alcança sua inteligência, um sentimento direto, uma compreensão mais íntima.

Por isso, gosto muito do livro de entrevistas de Clarice Lispector, em que ela torna a conversa com as personalidades tão intimista, que, às vezes, parece que a hierarquia de poder entre jornalista e personagem que tende a afastá-los desaparece, produzindo diálogos comoventes:

[Clarice Lispector] – Nelson, você se referiu à solidão. Você se sente um homem só?

[Nelson Rodrigues] – Do ponto de vista amoroso eu encontrei Lúcia. E é preciso especificar: a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal.

– Ah, Nelson, isto é tão verdadeiro.

– Mas, diante do resto do mundo, eu sou um homem maravilhosamente só. Uma vez fiquei gravemente doente, doente para morrer. Recebi um três meses de agonia três visitas, uma por mês. Note-se que minha doença foi promovida em primeiras páginas. Aí, eu sofri na carne e na alma esta verdade intolerável: o amigo não existe.

– Nelson, como conseqüência de meu incêndio, passei quase três meses no hospital. E recebia visitas até de estranhos. Eu não sou simpática. Mas o que é que eu dei aos outros para que viessem me fazer companhia? Não acredito que não se tenham amigos. É que são raros.

– Ou eu dou muito pouco ou os outros não aceitam o que eu tenho para dar;

Depois dessa franqueza inquietante, Clarice pergunta se todas as entrevistas que Nelson dera nos últimos tempos se pareciam com aquela, ao que ele responde: “Não, eu estou fazendo um esforço, um abnegado esforço, para não trapacear nem com você nem com o leitor”. Com isso, a escritora comenta: “É preciso dizer que, durante a entrevista toda, ele não sorriu nenhuma vez. Com a verdade grave não se sorri”.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h59

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Oooooooommmmmmm

Meu ex-trainee PH Rodrigues, hoje repórter da TV Brasil no Rio, conta como "praticou ioga" em sua primeira coletiva --entrevistando Fernando Gabeira:

Sabe aquela posição da Ioga que tonifica a panturrilha? Foi assim que entrevistei o candidato a prefeito do Rio de Janeiro Fernando Gabeira (PV) domingo. Era minha primeira vez numa coletiva como repórter de TV. E, claro, foi inesquecível.

A assessoria do candidato trabalhou para que o momento marcasse a vida dos jornalistas empenhados em colher a sonora mais noticiosa do primeiro turno no Rio. Faltou tudo: água, banheiro, disposição do candidato –Gabeira só falou ao vivo para a TV Globo e passou a maior parte do tempo entocado num camarim (artista?)-, e, principalmente, espaço.

A coletiva foi feita num canto de parede do mezanino da casa de uma produtora de TV em Botafogo.  A van lotada que tomo para voltar para casa é mais confortável.

O empurra-empurra era constante e virou tumulto quando o deputado federal resolveu falar, confirmada a sua participação no segundo turno. Eu, de microfone numa mão e tripé na outra (o operador de áudio ficou para trás), seguia o cinegrafista rumo ao mezanino.

Fomos empurrados escada acima, remando entre os colegas até que consegui me livrar do tripé, plugar o microfone na câmera, furar a barreira de repórteres e... dar de cara com o Gabeira em pé, atrás de uma mesa.

Como não havia mais lugar ao lado do candidato, fiquei de frente para ele e de costas para todas as câmeras. O jeito foi me agachar e permanecer com os joelhos flexionados e o braço estendido para aproximar o microfone da boca dele por mais de 30 minutos.

Se fosse uma sessão de ioga, bastavam cinco respirações e pronto, já podia desfazer a posição. Mas era uma coletiva, além de respirar, eu tinha que pensar e fazer perguntas "inteligentes" para levar o entrevistado a dar uma sonora olhando para a minha câmera.  Além disso, tinha que ficar cabisbaixo para evitar os xingamento dos cinegrafistas.

Depois de suportar tantas perguntas e cãibras, resolvi encaminhar o encerramento daquela tortura. Eu não aguentava mais! Tinha que acabar. Era preciso deixar o candidado desconfortável. 

Então, lá de baixo, alfinetei o político: temia ele ser chamado de anti-Lula com a provável nacionalização do segundo turno? Gabeira não gosta de falar disso. Depois de bufar de enfado, foi pouco misericordioso o olhar do candidato para a mim, aquele repórter de tamanha insignificância física, intelectual e posicional.

Mas ele respondeu -o óbvio e esperado: disse que não era e nunca fora contra ninguém-, mas respondeu.

Era o fim, a assessoria acudiu para terminar a coletiva e eu pude desfazer a posição, fechar meu texto e relaxar: Oooooooommmmmm.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h54

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Síndrome da cigarra

CHICO FELITTI atendeu meu pedido (neste post logo abaixo): 

“Canja de galinha não faz mal a ninguém”, martelou minha avó desde o berço. “Todo mundo vê as pingas que tomo, mas ninguém olha pros tombos que levo”, resmungou meu pai até torrar a paciência durante a adolescência. “Quem guarda, tem”, me ensinou minha mãe desde pivete. Talvez seja por essas frases (e pela filosofia atrás delas) que hoje em dia eu mantenha o arquivo pessoal de pautas que a Ana viu por cima do ombro e comentou. Puro pavor de não ter o que oferecer um dia e ficar sem trabalho. Neura de cigarra calvinista com medo do inverno severo.

 

Dentre os 52 itens do arquivo “Toró de idéias.doc” tem de um tudo. Desde pautas bem incipientes que, um dia quem sabe, podem virar uma matéria interessante –-uns óvulos que podem ser fecundados, por assim dizer-– até coisas bem quentes que não dá tempo de apurar –-as filhas negligenciadas que acabam virando adolescentes rebeldes, espero.

 

A maior parte delas nasceu de observações rotineiras: seja um estabelecimento muito surreal que ninguém percebe numa rua do Butantã, uma anedota da professora de francês que revela um segredão de São Paulo ou ainda uma pessoa fantástica que seguraria um perfil.

 

Está tudo no dia-a-dia. Mas é tudo tão rotineiro que, sem anotar, é muito fácil de esquecer.

 

A quebra da Bolsa de Pautas

 

Assim como a Bolsa, a conta corrente de pautas também está sujeito a oscilações do mercado. No caso, do mercado jornalístico. Melhor dizendo: há sempre o risco de algum colega ter a mesmíssima idéia antes que você deixe a sovinice de lado e tente vender sua pauta

 

Foi o que aconteceu este fim de semana: abri o Vitrine de sábado e dei de cara com uma pauta idêntica a uma "minha": deram um guia de produtos com estampa ou temática de caveira. Eventualmente, eu ia propor uma seleção de produtos feitos de osso ou com design inspirado no esqueleto humano _com o infame nome de "É osso!", podendo sempre ser substituído por um tão engraçadinho quanto "Ossos do ofício". E eles nem usaram o gancho de “Hamlet”, do Wagner Moura, em temporada no teatro da Faap.

 

Foi triste ver que idéias _e notícias_ podem ter data de expiração e não podem ser armazenadas por tempo indeterminado. Fica a dica, então: não adianta juntar todas as pautas do mundo só para ter segurança e colocá-las na caixa-forte do Tio Patinhas. Vá dando à luz conforme puder _elas são do mundo, e não suas. Desprendimento.  

 

Sempre à mão

 

Outra coisa útil que aprendi nas aulas do treinamento: de nada vale ter economias se não puder acessá-las quando precisar. É mais seguro manter seus arquivos em um disco rígido virtual, para poder abrir seu trabalho de qualquer canto. Promessa de começo de semana: ainda tomo coragem, abandono o medonho vício de Word (de onde, admito, escrevo agora) e jogo a despensa toda no GoogleDocs.

 

E que venha o inverno, que aqui o frio pode bater que a camada de gordura noticiosa não deixa entrar!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h41

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Um dia após o outro

Acharam o Matheus tentando ouvir o presidente?

Sim, ele são aqueles óculos espremidos atrás do CQC:

O repórter ainda nos deve um texto sobre o que dava para escutar, como foi possível gravar --e como transcrever a fita depois.

Mas hoje ele anda muito ocupado no curso de investigação e na análise da cobertura das eleições. Vejam a foto tirada agora há pouco, num intervalo para o café:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h54

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Invista no banco certo

Esqueça a crise.

Não se trata de fundos de investimento, embora as ações sugeridas pela DESIREÊ ANTONIO possam garantir uma renda fixa no médio prazo:

Em tempos de crise financeira, são poucas as certezas sobre quais aplicações seguras e rentáveis. No entanto, para nós jornalistas, há um investimento que sempre vale a pena: o banco de pautas. Vocês devem ter lido no post do ex-trainee Breno Costa como as pautas podem surgir e transformar-se numa matéria, após uma apuração bem-sucedida.

Mas é possível que você tenha uma idéia que te empolgue e que seu editor diga: "não tem ganho" ou "ainda está muito verde. É uma pré-pauta". 

Caso ouça isso ou outro comentário parecido, você pode:

a) tentar trabalhar mais pauta ( ou pré-pauta) recolhendo dados, sondando com especialistas ou com colegas;

b) "depositar" sua pauta no banco de pautas, que seria o lugar (pode ser um arquivo de excel, word ou seu e-mail mesmo) onde guarda as pautas que foram descartadas por algum motivo e a "resgatadas" quando o cenário for favorável. Aqui vão algumas dicas para saber quando fazer "saque":

  1. pensar se a pauta tem gancho ou pode ser relacionada a acontecimentos cíclicos como mudanças de estações, datas comemorativas como Natal e Dia das Crianças. No ano seguinte, uma pauta sua pode resultar numa matéria.
  2. observar, sistematica e organizadamente (grande desafio, né?) os temas ligados àquela pauta. Algo novo pode atualizá-la e a apuração que possivelmente tenha sido feita pode te ajudar a contextualizar ou mesmo ser sua pesquisa para entender o que está ocorrendo.
  3. aceite investimentos de terceiros. Converse com todo tipo de pessoa e tente ir guardando sua queixas, dicas e críticas. Uma sugestão é bater papo com taxistas. Como escutam rádio a maior parte do tempo e deslocam-se pela cidade, eles são pessoas muito bem informadas.
  4. tente pensar em pautas para todo tipo de caderno, de economia a cultura. É bom como exercício, faz com que você perceba novos enfoques para um assunto ou mesmo encontre uma pauta derivada.


Na semana passada, olhando por cima do ombro do CHICO FELITTI ( jornalista é um bicho intrometido, né não?), vi que ele tem um enorme banco de pautas. Havia bem umas 30 naquele arquivo de (argh!!!!) Word. Vou ver se ele conta para vocês de onde veio a idéia, o que ele joga ali dentro e o quanto rende seu pezinho de meia.


O que é uma pauta? Dúvidas básicas
Quem não tem pauta é pautado - tipos de pauta
Passo-a-passo para propor uma pauta
Como transformar tema geral em pauta específica
Construindo uma pauta fria
Avalie sua idéia de pauta
Algumas dicas para encontrar pautas
A classificação do Breno para pautas e orientações para transformá-las em boas reportagens

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h12

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Dicas da Noruega

Dicas da Noruega

Já tinha contado aqui que a Abraji pôs no site o resumo de um seminário sobre jornalismo investigativo na Noruega, mas chamo vocês de novo para o assunto porque estão penduradas lá algumas dicas que seu eu fosse vocês não deixaria de ler:

1. palestra ´"Como fazer as pessoas falarem", John Nicol, CBC, Canada.
2. palestra "O ABC do jornalismo investigativo", Nils
Hansson, da Swedish Television
3. palestra ´Como saber se os outros estão mentindo"", por Drew Sullivan e Geoff Kay

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h58

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O primeiro mês de uma paraquedista

Acompanhe aqui as aventuras de BRUNA SANIELE, que até agosto nunca tinha feito um estágio em jornal e se viu repórter da editoria mais agitada do maior jornal do país.

[o capítulo 1, publicado em sua primeira semana de trabalho, está nest post]

Olá, amigos do blog. Quando escrevi o post sobre minha primeira semana como repórter do caderno Cotidiano, falei para a Ana que escreveria outro quando completasse um mês. Tem um pouquinho mais que isso que estou em Coti, mas não deu para escrever antes. Lá é sempre uma correria. Para mim, uma correria muito legal...

Nesse mês fiquei matutando como eu poderia explicar de uma maneira bem eficiente como foi entrar de pára-quedas numa editoria como Coti. Acabei buscando uma lembrança que me pareceu perfeita, que me lembra demais esse comecinho no jornal. Faz oito anos que passei pelas aulas de auto-escola, mas ainda me lembro de todos os acidentes que quase causei...rs

Depois de aprender o “básico” (trocar marcha, olhar no retrovisor, fazer controle de embreagem), tinha dias em que tudo dava certo, o controle de embreagem era perfeito, eu subia com tranqüilidade todos os morros de BH e ninguém dizia que eu nunca iria tirar carteira... Em outros, vocês podem imaginar o que acontecia:P

Bom, depois que entendi melhor o “básico” da Folha, que nesse caso seria o famoso SDE, percebi que a vida de repórter de Cotidiano tal como as aulas de auto-escola também é sempre uma surpresa. E a vida de repórter foca é uma surpresa ainda maior. Enquanto o repórter experiente cobre uma área (educação, transportes, saúde, segurança, administração pública), a foca faz um pouco de tudo. E é claro que no começo são coisas mais simples, porque imagino que ninguém quer que a pobre novata mineira desista e não volte para trabalhar no dia seguinte.

É bom começar assim. Pautas mais simples também ensinam muito e dão um tempo para conhecer melhor a dinâmica da redação.

E foi assim, com as pautas pequenas, que me tornei a “Mulher do Tempo”, como apelidou meu amigo trainee Matheus Magenta. No começo fiz muitas pautas de clima; temperaturas altas, umidade baixa, frente-fria. E não é que uma matéria de clima garantiu a minha primeira capa no caderno, edição São Paulo? Quando vocês começarem na redação torçam para que a temperatura mais alta do ano ocorra em pleno inverno e aí podem ter sua primeira capa .

Por mais simples que pareça essa pauta, tive um problema com ela. Entrevistei uma meteorologista e perguntei: essa é a temperatura mais alta do ano? “Não, não é. A maior temperatura do ano ocorreu no dia tal.” E foi esse o retorno que dei para a editora. Só que a Folha Online já dava que era a maior temperatura do ano. E lá fui eu ligar para a meteorologista de novo. E dessa vez ela confirmou a informação da Folha Online. Nossa, fiquei morrendo de raiva. É por isso que jornalista tem que gravar tudo, como a Ana fala aqui. E mais do que gravar, tem que checar, checar e checar. Imagina se eu dou uma mancada dessas? Nem jornal do interior ia me querer. Agora nas minhas pautas de tempo sempre falo em dois locais, só para garantir.

A primeira vez que sai da redação, fui cobrir uma tragédia. Um menino de três anos caiu do sexto andar de um prédio, no centro de São Paulo. Lá fui eu para a porta do prédio, tentar entrevistar alguém da família.

É o tipo de cobertura que incomoda. Primeiro porque a gente tem que fazer perguntas e ninguém quer falar. Abordar a família nessa situação é muito difícil. Incomoda também porque é inevitável fazer uma série de suposições. Depois do caso Isabela, a questão do menino ter caído ou ter sido jogado passou pela minha cabeça e imagino que pela cabeça de todos os repórteres que estavam por lá.

E outra coisa que incomoda é que nós temos que fazer o que os outros fazem. Ninguém quer ver o jornalista do veículo concorrente sair com um furo e você com nada. Então eu acabei colando na família do menino como todos os outros repórteres. E nessa hora fiquei com muita pena da mãe, de não deixá-la chorar a morte do filho em paz.

É muito difícil sair do comum nesse tipo de cobertura, quando todos os repórteres estão atrás da história e ninguém quer falar nada.

Na cobertura dos meninos esquartejados em Ribeirão Pires eu e todos os repórteres estávamos tentando conseguir um depoimento da conselheira que levou os meninos de volta para casa. E nesse caso levamos um furo. A conselheira só falou com um repórter que conhecia alguém que a conhecia e fez o intercâmbio entre eles. Ele teve sorte. Os outros não.

Mas nesse mês eu também tive meu dia de sorte. Eu e o senhor Dalmir.

Fiquei três dias visitando delegacias de São Paulo para verificar se estavam ou não em greve. Parece fácil, né? Por medo de retaliação, a maioria dos funcionários não queria dizer se a delegacia não estava funcionando. Então eu me identificava, perguntava, geralmente ouvia “não sei de nada”, agradecia e saia. E ficava do lado de fora esperando até alguém aparecer para fazer um boletim de ocorrência. Depois que essa pessoa saia da delegacia eu perguntava se ela tinha conseguido ou não e qual era o motivo.

No meu terceiro dia fui a uma delegacia e segui esse procedimento padrão. Quando o senhor Dalmir saiu, perguntei se ele tinha conseguido fazer o BO. Ele me disse que teve o caminhão roubado e ficou em cativeiro durante três horas até ser libertado. E depois disso estava tentando fazer o BO; aquela era a terceira delegacia que ele procurava.

Depois de ouvir isso resolvi perguntar ao delegado porque ele não fez o BO. Ele me respondeu que iria fazer sim, logo após o almoço. Então eu saí feliz de poder contar uma história importante, que poderia fazer alguma diferença, e o seu Dalmir saiu feliz porque finalmente conseguiu ser atendido. Essa foi a reportagem que mais mexeu comigo até agora.

Acho que vocês já se cansaram de mim. Escrevi demais, estou precisando ser editada .

Ainda tenho outras coisas para contar, mas fica para um próximo post.

No mais, só queria dizer que um dos conselhos que ouvi do editor e que funciona muito é não deixar de perguntar. As pessoas geralmente são muito solícitas e mesmo quem não tem uma cara tão boa ajuda quando vê que a foca precisa.

E checar é fundamental.  Mil vezes se for necessário.

Outra coisa que recomendo muito é observar os colegas. É ótimo ver como eles se relacionam com as fontes e como dão conta de mil coisas ao mesmo tempo. E como acham pautas superinteressantes em qualquer lugar. Acho que eles já conseguiram refinar o olhar, coisa que eu espero conseguir ter um dia. No mais, repórter tem que se desdobrar. Ler tudo o tempo todo, cuidar das pautas em andamento e das fontes, prestar atenção em tudo. Só assim é possível sair das pautas do dia e emplacar alguma pauta especial.

Para terminar (ufa!) leia de tudo, cultive fontes, seja organizado (estou devendo nesse quesito) e preste atenção nas entrelinhas. Basta dar um pouco mais de atenção às fontes para descobrir outras pautas interessantes e exclusivas.

 Abraços, e até o segundo mês...rs


Por que não passar numa seleção não é motivo para desistir
Há preconceito contra quem é de TV?
Dicas
para quem cai do céu num trabalho que nunca fez antes
Um
repórter premiado conta como começou na carreira
Devo arriscar e tentar uma vaga em outra cidade?
Como começar a trabalhar
Como driblar a
falta de experiência
E experiência demais? Atrapalha?
Quem persevera alcança - relato de um candidato insistente
Fui demitido
Sites que avisam sobre vagas e estágios (mais, neste outro post)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h45

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Encontre o trainee

Vários dos garotos estão hoje na rua acompanhando a cobertura das eleições.

É pra passar aperto agora, durante o treinamento. Assim, quando estiverem mesmo na pauta, já saberão como é difícil.

Querem ter uma idéia?

Achem o MATHEUS MAGENTA na foto abaixo (e depois imaginem o que ele conseguiu ouvir da entrevista do Lula --e como se virou pra escrever alguma coisa depois).

A carinha do moço, pra ajudá-los na procura:

Amanhã o Matheus conta como foi e eu publico outra foto que mostra onde ele está.

Para ficar no jogo "Onde está o trainee", procurem a VANESSA CORRÊA neste vídeo sobre a votação da Marta Suplicy (e aproveitem pra ver, desta vez em movimento, o apuro por que passam os repórteres). "Taqui" o rostinho da moça, pra ajudá-los a procurá-la:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h24

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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