Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

O Diário Oficial contra a 'politização' das pautas

Que o texto é chato, o garimpo toma tempo e a maioria do que sobra na peneira é cascalho a gente já sabia.

Que o calhamaço oficial, apesar de todo enfado, rende histórias de ouro, o Evandro também já contou no post "O feio que satisfaz".

Mas hoje há um interessante benefício colateral do "Diário Oficial" retratado no Painel do Leitor da Folha. Vou contar:

Meus colegas JOSÉ ERNESTO CREDENDIO e MARIO CESAR CARVALHO publicaram ontem que "SP tem prisão de concreto "oco" e muro frágil". (neste link para quem assina FSP ou UOL)

O texto conta que foram erguidos durante o governo Alckmin presídios de segurança máxima cuja segurança, de máxima, não tem nada.

Reportagem crítica a um candidato às vésperas das eleições? Não há repórter ou editor experiente que não pare um pouco pra pensar sobre isso.

Em tudo, mas em política mais ainda, duas perguntas inescapáveis a todo jornalista são "a quem interessa?" e "quem sai prejudicado?".

Respondê-las, no entanto, não implica esconder a notícia do leitor. Principalmente quando se tem um motivo muito claro e isento para fazer a reportagem --neste caso, nosso velho e bom amigo, o "Diário Oficial".

Leiam a carta da campanha do Alckmin --que questiona os motivos da publicação-- e a resposta dos repórteres, que vocês vão entender:

Prisões
"A publicação da reportagem "SP tem prisão de concreto "oco" e muro frágil" (Cotidiano, ontem) a quatro dias das eleições municipais é, no mínimo, sintomática. Afinal, a reportagem menciona uma fuga de presos em dezembro de 2006 em uma penitenciária do interior do Estado -há quase dois anos, portanto. Qual é o "gancho" jornalístico para publicá-la agora? Em se tratando de um jornal diário, onde, com o passar dos dias, os fatos "envelhecem" com muito mais rapidez, estamos falando de 640 dias! Houve algum fato novo de lá para cá? Alguma sindicância da Secretaria de Assuntos Penitenciários que apontasse irregularidades na obra de construção do prédio foi concluída ontem ou nesta semana para justificar a publicação do texto agora? A reportagem cita "relatório oficial" sem precisar a data de sua conclusão e documentos entregues pelo atual titular da SAP ao Tribunal de Contas do Estado em agosto do ano passado. Há 390 dias! De novo: onde está o motivo para publicar a reportagem agora? O eleitor paulistano sabe."
EDSON APARECIDO, deputado federal (PSDB-SP), coordenador da coligação "São Paulo na Melhor Direção" -PSDB-PTB-PSDC-PSL-PHS (São Paulo, SP)

Resposta dos jornalistas José Ernesto Credendio e Mario Cesar Carvalho - O motivo para a publicação da reportagem é que o "Diário Oficial" do último sábado trouxe despacho do Tribunal de Contas do Estado com as irregularidades nos dois presídios feitos no governo Alckmin.

Não nem o que acrescentar, não é?

Arquivos do Diário Oficial entram no ar na internet 

[a ilustração deste post usa uma linda foto do álbum de vascoorlando no picasa]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h03

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Fazendo os números falarem

Meu professor José Roberto de Toledo vai manter até o final das eleições um blog que dá sentido aos números envolvidos na disputa.

Não percam.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h47

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Aquecimento global

Aquecimento global

 
Minha leitora Natalia é quem dá o presente da vez:
 
Descobri uma ferramenta muito legal fazendo uma matéria sobre Mudanças Climáticas e resolvi compartilhar. Não sei se você já conhece, mas aí vai. É o site Climate  Analysis Indicators Tools do  World Resources Institute.
 
Para navegar é muito fácil basta se cadastrar gratuitamente que dá para acessar todos os levantamentos feitos pelo Insituto sobre emissões de gases do efeito estufa, gerando gráficos e tabelas de acordo com o que você necessita. Dá para fazer projeções também. É ótimo para quem trabalha com infografia.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h35

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Diário Oficial on-line

Diário Oficial on-line

Os arquivos de 117 anos de história do Diário Oficial do Estado de São Paulo foram abertos para consulta gratuita na internet.

O Diário da Justiça também pode ser pesquisado on-line.

O feio que satisfaz - como o Diário Oficial rende boas histórias

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h36

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Inglês em BH

Leitores de Belo Horizonte, vejam se vocês têm dicas para ajudar à Karine, que é de Jequitinhonha, mas está morando na capital mineira para cursar a faculdade:

Estou no primeiro ano de jornalismo. Sempre gostei de escrever e sempre quis ser jornalista. Preciso de uma sugestão. Nunca fiz curso de inglês e nenhum outro idioma, e sei que é indispensável para um jornalista. Atualmente eu não tenho condição de pagar um curso. Abriu um curso aqui na minha faculdade que é gratuito, mas é preciso ter algum conhecimento. Eu não tenho noção alguma e ainda por cima tenho muitaaaaaa dificuldade com o idioma. Nunca tive aula na escola, nunca tive nenhum contato com a língua. Queria dicas pra aprender, pra treinar, pra estudar inglês..Não sei se jornalista tem alguma técnica pra isso.

A primeira coisa que eu diria é: sim, inglês é importante, será pré-requisito indispensável para um redator de Mundo. Mas desconhecer inglês não necessariamente exclui o candidato em qualquer seleção (escrevi um pouco sobre o assunto neste post).

De qualquer forma, acho que a Karine está certa em querer estudar e aprender o idioma. Não conheço uma técnica específica para jornalistas. Algumas coisas que ela poderia tentar:

  • informar-se direito na faculdade sobre se é preciso realmente ter alguma noção para fazer este curso gratuito
  • se for necessário, verificar se eles não têm um outro curso gratuito para quem é realmente iniciante
  • se não houver, uma idéia é tentar uma troca com um aluno de letras: ele daria aulas de inglês em troca de, por exemplo, aulas de redação
  • tentar achar outros cursos gratuitos em BH --e é aí que vocês, leitores mineiros, entram, com suas dicas e sugestões

Há algumas práticas "gratuitas" que ajudam a melhorar o idioma --ler os jornais estrangeiros da biblioteca da faculdade, assistir a filmes em inglês com legenda em inglês, participar de chats etc.--, mas elas não servem para quem está começando do zero.

No caso da Karine, e de qualquer pessoa que queira realmente aprender algo novo, não há fórmula mágica. O que funciona mesmo é o velho e bom estudo: ter aulas, praticar, ser corrigido, tentar de novo. De preferência com um bom professor. Até dá para ser autodidata, mas leva muito mais tempo.

Quem tiver uma história parecida com a da Karine e tenha seguido algum bom caminho para sair do zero e aprender inglês também pode contar aqui. Bons exemplos sempre ajudam!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h50

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Vocação parnasiana

Achei curioso o texto que minha trainee SOFIA FERNANDES escreveu sobre as agruras do fechamento porque ela usa uma imagem à qual recorro quando falo sobre títulos --o da métrica dos poemas.
 
Cada tipo de matéria no jornal tem seu tamanho de título: uma linha de 60 toques, duas linhas de 36 toques, três de 14 toques.
 
Alguns são mais fáceis. Como este da capa de Coti de hoje: são quatro colunas, duas linhas de título, dá para contar muita coisa.
 
 
Há dois tipos mais difíceis:
  1. quando a largura deles é estreita, como este, que ocupa só uma coluna: . O problema deles é que há palavras grandes que não cabem numa linha, como "desenvolvimentista", por exemplo. A escassez de espaço também impede colocar na mesma linha um trecho como "impede intervenção" ou "interdita ambulatório".
  2. quanto a largura nem é tão estreita, mas o título tem só uma linha, como este:

Mais difíceis ou mais fáceis, eles têm sempre o mesmo tamanho: em cada uma de suas linhas cabe sempre o mesmo número de letras.

Isso quer dizer que cada tipo de título é como um verso de poema: tem sua métrica, seu número de sílabas, seu ritmo.

E o redator, quanto mais fecha, mais incorpora essa musicalidade dos formatos e mais rapidamente encontra as palavras que vão caber naquele padrão de matéria.

E agora, sabendo que o trabalho do fechador de alguma forma se aproxima do do poeta, fica muito mais divertido trabalhar, não fica?

Mas fiz uma baita introdução e acabei atrasando a entrada do texto da Sofia:

Fechamento do jornal. Ajuste de texto, legenda, linha fina, tudo a gosto da retranca -espaço da folha do jornal reservado para a matéria. Durante o treinamento, simulamos os apertos da redação e aprendemos rapidamente a detestar essa megera de tamanhos sempre injustos.

 

Não há negociação tranqüila, a retranca é dura na queda. Sempre estamos a quatro caracteres de distância do bom título. Na tela, nem faz tanta diferença. No papel, é um buraco abandonado, gritando para todos que a redatora não deixou a rotativa lá em Barueri jogar tinta naquele espaço de papel.

 

Coloco só a sigla, tiro um artigo, digo o cargo do entrevistado. Nada feito, agora o título estourou. O fechamento segue a mesma lógica dos dias de frio e cobertor curto. Puxo pra cima e deixo os pés descobertos; arrasto pra baixo, e já viu...

 

Enquanto vou me encolhendo para "caber no cobertor", penso na poesia parnasiana de métrica perfeita, nos haikais curtos e profundos, nas adoráveis canções de duas frases e três acordes. O complicado é ser simples nessa vida de poucas linhas. Mas eu penso mesmo é no fim das rotativas. 

 

Uma das primeiras conversas que tivemos no treinamento foi com Alec Duarte, editor-assistente de Esportes. Ele é um entusiasta do jornalismo on-line e foi logo falando que o meio impresso na Europa perde cada vez mais espaço para a internet.

 

Em 2005, o The Guardian comprou novas rotativas e revelou que essas serão as últimas. O jornal britânico está se preparando para viver sem o papel, realidade ainda bem distante do que acontece no Brasil.

 

Vai demorar, talvez não aconteça. Mas com o desligamento das rotativas e o fim da impressão de jornal, meu pequeno espaço em branco nem será notado. E quando eu falar para as novas gerações sobre os tempos de linhas contadas e títulos bem martelados, vão rir desse jornalismo rudimentar.

 

Por enquanto, minha preferência é o papel, e vou tratando de me entrosar com as retrancas. Mas não nego que escrever aqui no blog deixa a métrica realmente bem mais chata.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h51

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Suando o bloquinho

Pautas boas não caem do céu. Foi a primeira regra que a repórter especial da Folha Elvira Lobato expôs em conversa, ontem, com a turma, relata CHICO FELITTI: "Adepta da fórmula '10% inspiração e 90% transpiração', Elvira contou como nasceram alguns dos furos que deu –-onze deles narrados no livro 'Instinto de Repórter'.

 

Um furo, não: um poço

Em 8 de agosto de 86, Elvira emplacou um furo do tamanho de um poço de 320 m de profundidade. Dias antes, recebeu de um geólogo que tinha sido sua fonte em outros veículos a dica de que alguns amigos seus tinham voltado do Pará e que a Aeronáutica poderia estar envolvida com construções nucleares na área. “Poderia”, bem no condicional. Considerando que o Brasil tinha assinado um tratado de não-proliferação nuclear com a Argentina, poderia _condicional de novo_ ser uma notícia e tanto.

 

Depois de conversar com o editor, a repórter tocou para o Norte do país. Apurou, apurou, apurou –-suou bastante se embrenhando na umidade da floresta-– e acabou por descobrir que a conjugação do verbo podia sair do condicional. Era verdade. Encontrou um poço para testes nucleares com 320 m de profundidade e custo de U$ 5 milhões na Base Aérea da Serra do Cachimbo. O assunto rendeu manchetes para mais de um mês na Folha e trouxe muita dor de cabeça José Sarney.

 

Outro jornal que também recebeu a dica achou que não valia a pena transpirar pelo boato. Devem ter suado frio de desgosto por ter perdido a deixa.

 

Perna é feita para bater

Dezessete anos depois, em 2003, ela entrevistou uma rua inteira na periferia do Rio para retratar como o desemprego crescente afetava a cidade. Encontrou uma casa em que se cozinhava em fogão à lenha por falta de dinheiro para o gás; um pai de família que não conseguia mais nem buscar emprego, tamanha a dureza, e um grupo de senhores que jogava dominó apostando... copos d’água.

 

Mais suor na andança pela vizinhança, mais qualidade na matéria, que fugiu dos números frios e mostrou de fato o que era o desemprego.

 

Como nesse caso, a boa matéria não deixa pergunta sem resposta, ensinou a veterana. Existia desemprego e ele estava mudando a vida de um grupo de pessoas. “Minhas melhores matérias vieram de esforço”, contou, fazendo a ressalva de que ralação sozinha não basta. “De cada dez pautas muito boas que começamos a apurar, só uma sai.” Mesmo assim, não se deve deixar desanimar. Ela que o diga.

 

Sangue de foca

Se parece lógico que uma repórter especial com 36 anos de fechamento nas costas estivesse em busca de conforto, Lobato nega o fluxo natural. Contou que está morrendo de vontade de mudar de área. Disse já ter aprendido demais sobre telecomunicação –-setor que cobre há 16 anos-– e que não está afim de virar fonte sobre o assunto. Quer mais é pular para um galho novo e começar o aprendizado praticamente do zero.

 

“Eu acho que nossa profissão é melhor que as outras”, arriscou logo depois de narrar a vez em que perdeu a festa de aniversário do filho para cobrir um acidente de trem.  Depois de duas horas com Elvira, impossível não concordar _e voltar para o trabalho admirando seu ânimo de foca.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h47

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Do Oriente Médio

Meu ex-trainee GUSTAVO CHACRA inaugurou na semana passada seu blog sobre a região de que sempre gostou e onde mora agora: o Oriente Médio.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h33

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Antes que chegue a eleição

Preciso publicar logo o resumo que minha colega NATALIE CONSANI fez do curso da Abraji sobre cobertura de eleições, antes que ele seja inútil!

Eleição fora do comum

Cobrir eleições é muito mais que declarações, pesquisa eleitoral e horário eleitoral gratuito. Descobri isso no "Seminário sobre cobertura de eleições municipais", da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) , realizado no final de agosto, em São Paulo.

Para fazer uma boa matéria, crítica e analítica, desde a pauta, e fugir do lugar comum, algumas dicas:

Do mundo virtual...
Uma boa ferramenta que o jornalista tem para cobrir as eleições é --sempre "ela"-- a internet. Para os primeiros passos da apuração, como levantamento e sistematização/documentação de dados, uma boa navegada nos sites certos é essencial.

José Roberto de Toledo deu dicas certeiras, recomendando visita a sites como:

  • TSE (www.tse.gov.br), onde é possível ter a ficha completa de todos os candidatos, com nome, número, foto, partido e declaração de patrimônio. Dá para ver, também, as prestações de contas declaradas pelas campanhas.
  • Políticos do Brasil (http://noticias.uol.com.br/fernandorodrigues/politicosdobrasil/), para achar CPF de vários candidatos e patrimônio declarado em eleições anteriores
  • Excelências (www.excelencias.org.br), projeto da Transparência Brasil que compila dados sobre os legislativos federais, estaduais e municipais. Dá para saber, por exemplo, o percentual de falta de um vereador carioca e quais vereadores paulistanos respondem a processos na justiça.
  • A Transparência (www.transparencia.org.br), aliás, tem outros projetos muito úteis, como o Às Claras, que elenca as empresas - e os CNPJs - que financiaram campanhas de políticos. Com espírito crítico, só aí se conseguem centenas de pautas. Exemplo hipotético: empresas que doaram algumas centenas de milhares de reais para um candidato de uma cidade pequena e muito menos ao de uma capital. Com um pouco de curiosidade, descobre-se que aquela dita cidadezinha abriga uma super obra ou um pólo industrial que podem ser fontes de negócio à doadora.
  • Florida Department of State (www.sunbiz.org) e www.miamidade.org para descobrir empresas brasileiras registradas na Flórida e imóveis de brasileiros por lá.
  • Sem contar os sites "oficiais", como o Portal da Transparência da CGU (Controladoria Geral da União - www.transparencia.gov.br) e o da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br). Com CPFs e CNPJs em mãos, dá para se divertir.

... pro real
Mas nada disso vai ajudar muito sem espírito crítico, informação (leitura de notícias em dia, claro!) e sola de sapato. O ideal é pegar esses dados, organizá-los e ir à rua conforntar essas informações com a realidade; depois, ouvir especialistas, contextualiza, analisar.

Não adianta "mastigar números" ou simplesmente empilhar dados.

Um exemplo que Toledo deu: uma matéria que saiu no "Globo" em 2005 foi baseada na evolução do patrimônio declarado, em três eleições, pelos deputados da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Os repórteres levantaram os dados declarados nessas três ocasiões, criaram um banco de dados no Excel, extraíram disso estatísticas e variação patrimonial e foram à rua ver os imóveis declarados, ao cartório saber quanto eles valiam de fato, falar com especialistas de imobiliárias.

Mesmo só com dados em mãos, se sistematizados, é possível estabelecer comparações e, delas, análises a partir de boas fontes.

Cobrindo direito
Além disso, ficou claro também que é preciso ter noção de direito eleitoral. Primeiro para saber os procedimentos para se candidatar, quem pode e quem não pode, documentos que a Justiça Eleitoral exigem dos candidatos, o que é permitido ou não aos candidatos e o cronograma eleitoral. Só aqui, já é possível ter muitas idéias de pautas e fazer boas reportagens para além do "candidato-disse-isso; concorrente-disse-aquilo".

Vale uma visita ao cartório eleitoral da sua cidade. Lá, dá para olhar um processo de registro de candidatura, folhear, ver os documentos dos postulantes e ter um uma idéia --vaga que seja-- de como uma eleição funciona "burocraticamente".


É preciso também cuidado com o que se diz e se escreve. Em TV e rádio, concessões públicas, as regras são super-rígidas. Não é possível, por exemplo, emitir opinião (ainda que de algum comentarista ou convidado) sobre algum candidato, ter programas apresentados ou comentados por candidatos, criticar partidos ou postulantes.

Já no impresso, há mais liberdade. Um articulista pode emitir opinião, elogiar ou criticar, por exemplo. Mas é preciso dar tratamento equânime a todos, ou seja, não privilegiar  ninguém. E, importante, esquecer que os adjetivos existentes na hora de reportar um fato que envolva candidatos. É que dizer que um candidato agrediu a mulher, por exemplo, não tem problema --se você puder provar, claro. Mas chamá-lo de "agressor" ou de "violento", pode render um processo, explicou o professor Renato Ventura Ribeiro, especialista na área.

Como é um tema complicado, o ideal é ter um bom "manual" à mão. Sugiro o livro "Direito Eleitoral", de Celso Spitzcovsky e Fábio N. Soares de Moraes, Ed. Saraiva. É a lei resumida para quem vai prestar concurso. Fácil de entender e consultar, me ajudou à beça.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h50

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Para quem gosta de foto

Para quem gosta de foto

Dica do Leonardo, de Londrina:

Para quem gosta de foto, dois blogs dos fotógrafos dos jornais O Globo e Extra: http://oglobo.globo.com/blogs/fotoglobo/ http://extra.globo.com/blogs/fotografia/

O do Extra, tem algumas fotos dos fotógrafos na frente das lentes --uma espécie de making of, que mostra as condições que o profissonal teve para fazer o trabalho. Curioso.

No do Globo, os leitores mandam suas fotos que recebem comentários impagáveis, mas não menos didáticos, dos fotógrafos do jornal.

Quem gosta de foto mas fotografa mal (meu caso), acaba se reconhecendo no erro alheio e aprendendo com as dicas. Divertido.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h32

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Duplo sentido

Títulos com duplo sentido são uma armadilha bem comum --e muito fáceis de resolver.

A Larissa, de BH, mostra este, que saiu na própria Folha Online:

Investidores agressivos buscam soluções para crise no Orkut

"Ficou parecendo que a crise era no Orkut, fiquei imaginando se as ações da Google também estavam caindo, hehe.

Quando se lê a primeira frase do texto a gente entende, mas e quem lê só as manchetes?"

Geralmente um título ruim é resultado de pouco espaço ou pouco tempo. Mas, no caso acima, dá pra ajeitar no mesmo espaço, né? É só puxar "no Google" pra depois do verbo!

De qualquer forma, a Larissa aproveita pra achar o lado bom da história: "É também um exemplo do uso das redes sociais em reportagens, no sentido mais direto possível."

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h13

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Você conhece bons cursos de TV em SP?

Você conhece bons cursos de TV em SP?

Vejam se vocês têm alguma sugestão a dar para a Luciana:

Estou me formando aqui no Recife e tenho bastante experiência em TV. Todos os meus estágios foram em grandes emissoras, em produtoras etc. Agora estou tentada a ir a São Paulo fazer uma especialização em jornalismo econômico. Mas tenho um temor: vou deixar para trás um trabalho que já (quase) domino para fazer um curso sobre o qual não tenho nenhuma informação substancial. Então, fica outro pedido: se eu optasse por continuar me especializando em TV... o que você indica de pós e cursos aí em São Paulo??

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h22

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Jornalismo econômico on-line

Jornalismo econômico on-line

A dica é de minha leitora Luciana, de Recife: 

Para quem se interessa por jornalismo econômico: estou fazendo um curso on-line para ter certeza de que consigo entender as discussões e de que poderia mesmo me dedicar à área. O curso é o www.periodismo.net com um jornalista do El Clarin chamado Pablo Maas. Mas atención, porque é importante ter domínio de espanhol senão se perde muita coisa.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h00

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Unidos contra a maldição

RENATA do AMARAL ouviu da experiente ALESSANDRA BALLES --que foi minha trainee há algum tempinho (Alê, não vou entregar sua idade!! ) e hoje edita a "Folha Corrida": "É como uma maldição. O que você não checar vai estar errado".

Foi numa conversa sobre o trabalho do redator: o jornalista que corta, aumenta, corrige, arruma e dá título aos textos antes que eles tomem seu lugar na página.

No resumo, Renata aponta onde o cuidado precisa ser redobrado:

Toda atenção é pouca para o redator
 
Qual o papel do redator no jornal? A dúvida ainda ecoava na cabeça dos trainees até terça, quando tivemos uma conversa com a editora da Folha Corrida e ex-redatora de cotidiano ALESSANDRA BALLES. "O redator tem uma visão muito privilegiada da edição, que nenhum repórter tem", disse. Todos os textos passam por ele, que tem a função de cortar, aumentar, revisar, escrever títulos, organizar infográficos, escrever textos de apoio para matérias (baseados em dossiês feitos pelo pessoal do Banco de Dados) e (ufa!) produzir matérias especiais, dependendo da editoria.
 
Como o redator pode ser o último filtro da informação, todo cuidado é pouco. Ele deve ser como um leitor bem cricri - afinal, é melhor que o texto seja criticado antes do que publicar informação errada e merecer puxão de orelha do leitor ou do ombudsman. Então, tem que checar tudo. "É quase uma maldição: o que você não checa é o que está errado!", afirmou. É preciso tomar cuidado também com textos burocráticos e chatos, como tabelas de classificação do futebol ou resultado da loteria, porque são muito importantes para o leitor e não podem sair inexatos.

Balles avisa que, muitas vezes, o leitor só lê a arte, o título, a linha-fina e a lupa --daí a necessidade de dar atenção especial a esses itens.

Outra dica que ela dá é redobrar o cuidado quando um repórter apura o texto principal e outro prepara o "outro lado", pois o conhecimento parcial do assunto pode levar a enganos.

Por fim, a editora contou que há dois tipos de texto que são difíceis de cortar: texto ruim e texto bom! Enquanto um peca pela falta de informação e coesão, o outro chega a dar pena de editar.

A função exige boa dose de responsabilidade.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h41

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Ponto de vista

Observação da minha leitora Luiza sobre as capas idênticas, embora opostas, de "Veja" e "Carta Capital" na semana que passou (*): "Não tinham uma imagem menos clichê??".

(*) ADENDO: vários dos meus professores me escreveram pra dizer que a capa da "Carta" saiu depois daquela da "Veja" e que é intencionalmente uma resposta à primeira. Ou seja, só uma delas é clichê. A outra é só provocação . (como as revistas começam a circular antes das suas datas de capa, a confusão é grande)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h30

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Lost in translation

Minha leitora Lanna contou num comentário uma trapalhada que cometeu quando começou numa rádio de Brasília:

Entrada ao vivo, nas primeiras vezes, é horrivel (rsrs). Uma vez fiz uma entrada ao vivo, do Palácio do Buriti. Meu editor ligou e disse: 'Lanna, eu te dou o retorno'. Bom, pra mim, retorno era ligar de novo. Aí desliguei o celular. O locutor me chamou e não tinha ninguém na linha. Meu chefe, mesmo atolado de trabalho, estressadíssimo, riu da situação. Mico todo mundo passa. Imagine jornalista.

A história dela fez com que eu me lembrasse de outra: ia haver um debate ou um evento político qualquer e eu pedi a um trainee o seguinte exercício: "Vai lá e faz uma matéria de clima". Ele foi, voltou e escreveu: "Fez muito calor durante todo o evento. Embora o céu estivesse nublado, não choveu".

O garoto não é obrigado a conhecer o jargão do jornal, não é? Eu é que deveria ter explicado direito que "clima" não se refere à meteorologia, mas ao ambiente: se as pessoas discutiram, se a platéia aplaudiu, se houve fofocas, quem conversou com quem etc.

Ainda bem que era no treinamento! Imaginem se acontecesse na correria de um fechamento real.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h57

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Os smurfs vão ao metrô

Fotos Matheus Magenta

Caminhando pelo túnel que liga a estação Paulista
à Higienópolis, em direção ao "megatatuzão"

Sexta, sábado e domingo todos nós fomos conhecer etapas diferentes da construção do metrô aqui em São Paulo e no Rio.

A visita é parte do acordo de patrocínio que o treinamento da Folha tem com a Odebrecht: uma das contrapartidas é justamente que a gente conheça o que eles fazem --e convém a um jornalista conhecer algo novo.

Já escrevi no blog sobre por que o curso passou a ser patrocinado (está neste post), mas vale lembrar: não há qualquer compromisso de "falar bem" dos patrocinadores, muito menos de deixar de fazer uma reportagem crítica sobre eles. Melhor que essa minha declaração é o próprio jornal dos últimos dias, que não deixava de abordar a crise entre o governo do Equador e a construtora enquanto nós nos enfiávamos pelas escavações.

Abaixo estão alguns retratos feitos por MATHEUS MAGENTA durante as visitas:


Desireê no trenzinho que nos levou ao tatuzão


Sofia: ("será que vai cair?")


Catharina: ("não, fica tranquila, está bem escorado, olha só")


O nome que o Matheus para esta foto da Nancy foi "crise nas Bolsas"


Leo na estação Pinheiros, onde assistimos
a uma detonação

Sofia Fernandes

O fotógrafo só larga a câmera para vestir sua capa


Renata lê folheto dos protetores de ouvido e
acha graça das instruções: "Abra a boca antes de usar"


Natalia, Tai, Sofia e Catharina, minutos antes de entrar no tatuzão


Vanessa olha para o local que "explodimos"


Chico explica a Fabio que tipo de escavação está sendo feito aqui

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h35

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Trainee pinga colírio alucinógeno e escreve ficção para o blog

O texto abaixo foi escrito pelo LEONARDO FEDER --imagino que num momento de "descompressão", depois de a turma passar mais de 24 horas junta, sem desgrudar um do outro:

“O Trainee”, com Ana Estela “Justus”

O número de horas que passamos juntos (pelo menos nove horas por dia) agrega a turma intensamente. Adquirimos intimidade e liberdade para debater argumentos e relatar dúvidas/ angústias sobre temas mais profundos, que nos preocupam no nosso envolvimento jornalístico, fundamentado nas lições éticas aprendidas na faculdade e na experiência de cada um.

Discutimos a necessidade no jornalismo de melhor e maior cobertura de questões com viés social e de histórias mais bem contadas.

Vejo convicção no pessoal de manter o pensamento e a imaginação sempre em movimento fervilhante, combatendo ferozmente possíveis receios inconscientes de virarmos burocratas e conformados.

Há, na televisão, muitos programas que fazem pessoas que não se conhecem conviverem, como “Big Brother”, da Globo, e “O Aprendiz”, da Record. Mas, nestes casos, do que poderia resultar em experiências frutíferas de encontro entre pessoas das mais diversas vira puro entretenimento, com a participação de pessoas bobas e superficiais (já que o critério de escolha é a beleza ou o falso empreendedorismo) e com a exploração do humano degradado, deslealmente competitivo.

Imaginem se estivéssemos nesta situação...

Pinguei o “colírio alucinógeno” do Macaco Simão e esbocei como seria:

Ana Estela “Justus” convoca os trainee à sala de reunião na Editoria.

-- Bom dia. Dividi vocês em duas equipes: a dos “Desfolhados”, composta por Léo, Tai, Caty, Chico, Matheus e Nati; e a dos “Folhas-secas”, que tem Sofi, Desireê, Gi, Vanessa, Renata e Nancy. A tarefa dos grupos é descobrir um “furo” jornalístico, apurar, redigir e entregar a matéria diagramada em página inteira, num prazo de cinco horas. Ao trabalho!!!

Os grupos saem alucinada e tresloucadamente à rua para cumprir a proposta. Com olhar estroboscópico, vasculham pormenores da realidade.

Destrambelhados, passam duas horas em andanças e telefonemas.

Sem notícias quentes, desesperam-se. Ninguém quer ser eliminado da competição de “O Trainee”.

E como a falta de reflexão envenena a ética... Trabalho apressado-apresentado, tempo esgotado, hora da decisão.

Como ambos os grupos têm performances pífias, são chamados à sala pela editora Ana Estela “Justus”, aconselhada por Fábio “Longo”:

-- Vocês apanharam na apuração e malograram na diagramação. O grupo dos “Desfolhados” contou uma história que presenciou: dez pessoas passando mal num restaurante. Maravilha! Trabalho digno de um prêmio Pulitzer, se vocês não tivessem sido flagrados colocando uma “substância suspeita”, para usar um eufemismo, nos pratos oferecidos aos clientes. E, como se não bastasse tamanho faro jornalístico, fotografaram uma barata no estabelecimento... que cataram na rua e jogaram lá! Parabéns, vocês inventaram o Jornalismo “infiel aos fatos”!

--Já o grupo dos “Folhas-secas” --continua-- não foi menos brilhante e levou a idéia do “furo” ao pé da letra: escreveu uma matéria sobre coisas que as pessoas deixam cair em bolsos furados! Fiquei abismada ao ler essa matéria bombástica de primor investigativo e relevância social, que vai mudar os rumos do país e estremecer o mundo!

Os grupos sentiram-se focas desfocados e, com as provocações afiadas da editora, começaram a esbravejar sobre os culpados de tamanhas trapalhadas.

Brigas não foram incentivadas, exceto socos e pontapés.

No fim, chegou-se ao esperado veredicto de Ana Estela “Justus”:

- Léo, inventor dessas “grandes” idéias, eu te admiro e admito.

Oba!, exclamei, aliviado. Mas a chefe continuou:

- Eu te admiro como ficcionista e admito... que você está DEMITIDO!

Os outros trainees acharam graça e também acabaram demitidos.

Matheus Magenta

Leo na visita a obras do metrô de SP


Um dos fundamentos do programa de treinamento é que as pessoas trabalhem realmente em grupo, que formem uma equipe em que uns possam ajudar aos outros e na qual ninguém tenha medo de expor dificuldades e pedir ajuda.

É por isso que tento formar uma turma heterogênea: para que as qualidades se complementem e o trabalho seja mais rico e mais divertido.

Há quem defenda a competitividade como forma de melhorar o desempenho.

Não penso assim, pelo menos em relação ao treinamento, que é baseado na possibilidade de errar e aprender com os erros. Se os trainees estiverem competindo entre si, tudo o que não vão querer é mostrar suas dificuldades ou expor suas dúvidas. E, se for assim, para que treinamento?


E por falar em humilhação, um ex-trainee meu que hoje é repórter da Folha me mandou este link para um vídeo do YouTube no qual um repórter é humilhado ao vivo por um apresentador de TV.

Copio aqui não para espalhar o absurdo, mas porque acho importante que quem está entrando agora na profissão saiba que pode ter que enfrentar esse tipo de situação --e, na minha opinião, não deve aceitar desrespeitos dessa monta.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h36

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