Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Tiros n´água - como não encontrar um personagem

Tiros n´água - como não encontrar um personagem


Fabio Schivartche/Folha Imagem

Esta seção "Como foi feito", como o próprio nome diz, serve para meus colegas contarem como fizeram isso ou aquilo.

Mas hoje ela será uma anti-seção em que a CRISTINA MORENO de CASTRO relata como não conseguiu cumprir sua pauta (embora tenha tentado vários caminhos possíveis):

"Às vezes uma pauta surge de um caso inusitado que aconteceu com aquele nosso amigo e ele nos contou na mesa do bar.

Às vezes uma pessoa qualquer vive algo que merece um foco nela, que faz com que ela mereça um perfil, ou que seja ponto de partida para uma reportagem de fôlego.
 
Por exemplo, quando eu estava no comecinho do treinamento, descobri o Vagaroso, primo de ex-piloto de fórmula 1 que mereceu um foco em Cotidiano só pelo sobrenome diferente.
 
Mas também tem o inverso: a pauta bacana, surgida de outros lugares, que fica melhor ilustrada com um personagem. Aí o jornalista tem que fazer o caminho contrário: tentar descobrir alguém que já tenha passado por aquilo que é descrito na reportagem, para mostrar ao leitor que, olha só, isso acontece mesmo, e Fulano vai nos contar como foi com ele.
 
Eu nunca tive muita dificuldade de encontrar personagens.

Às vezes, dependendo da matéria, até uma boa vasculhada no Orkut nos faz esbarrar com figuras interessantíssimas, com muita história para contar. Geralmente o amigo do tio do colega também já passou por aquilo que queremos descrever. Se você coleciona amigos "de bar", já está a meio caminho de ter sempre um personagem à disposição para algumas matérias.
 
É por isso que, ontem, ajudando o pessoal de Cotidiano, fiquei tranqüila quando o pauteiro me pediu para encontrar personagens que ilustrassem uma reportagem que foi feita em Brasília.
 
Três horas de tentativa malsucedida depois, comecei a ficar preocupada. Sugiro que leiam a matéria para entender por que essa personagem era mais difícil que a média.

Não é em toda esquina que encontramos grávidas com doenças sexualmente transmissíveis. Até porque uma DST não é como um chapéu desengonçado, em que todo mundo repara: a gente só fica sabendo se alguém se dispuser a nos contar. E é uma dessas coisas íntimas que nem todos se dispõem a contar para um jornalista, se é que me entendem.
 
O resultado é que liguei para:

  • nove ONGs que trabalham com gestantes e com saúde da mulher,
  • para três centros de atendimento a aidéticos,
  • três postos de saúde,
  • a Federação Nacional dos Ginecologistas e Obstetras,
  • outros quatro ginecologistas,
  • uns cinco hospitais com maternidade,
  • a Secretaria Muncipal de Saúde (que me ajudaria via hospitais, clínicas e postos públicos),
  • amigos que talvez conhecessem alguém,
  • pastorais
  • etc.

Também conversei com um repórter de saúde de Cotidiano, para pedir contatos a ele, que foram todos usados. Tudo em vão.
 
E, nesse caso específico, todos me disseram que não valia a pena ir diretamente para os postos de saúde porque, por se tratar de uma questão delicada, eu dificilmente encontraria alguém disposto a me receber.
 
Terminei meu dia bastante frustrada por não ter conseguido nem sequer uma personagem. Contei isso para minha editora em Cotidiano. E ela perguntou: "Cris, se você fosse uma grávida com DST, toparia dar uma entrevista sobre isso?". Definitivamente, não. (Apesar de que o pessoal da sucursal de Brasília encontrou alguém que topou).

Mas, então, não seria o caso de deixar certas matérias sem essa figura ilustrativa do personagem?

Quais matérias comportam personagens e em quais eles não fazem nenhuma diferença para a compreensão de um assunto pelo leitor? Haveria três tipos de situações:

  • em que o personagem é a figura central,
  • em que ele é um acessório ilustrativo
  • e uma terceira, em que ele não deveria existir?

Voltei para casa com essas dúvidas. E, ao ler hoje a matéria pronta, fiquei com a impressão de que saber que C.S., 27, nunca teve nenhum homem em sua vida além do marido e contraiu sífilis não mudou em nada o meu dia."

Vou ver se o pessoal de Brasília pode fazer a continuação desse post e contar como eles conseguiram. 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h27

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Da zootecnia ao programa de treinamento

Minha leitora Monica, que faz biologia, mas é apaixonada por jornalismo, ficou curiosa em saber como a zootecnista VANESSA CORRÊA veio parar no programa de treinamento.

E ela mesmo responde:

Eu fiz zootecnia pensando em trabalhar com o meu pai, no sítio da família, pra onde íamos aos fins de semana. Eu adorava a vida rural e escolhi a profissão pensando em criar búfalas leiteiras.

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

Quando me formei, o Brasil passava por uma crise brava. Não dava mais pra brincar de criar búfalos, mas também não havia empregos.

Como muitos colegas, busquei refúgio na pós-graduação. Eu tinha interesse por ecologia e fui fazer o mestrado em agroecossistemas na Federal de Santa Catarina. Amei o curso, fiz algumas matérias de humanas e percebi como zootecnia era um curso técnico demais pra mim.

Enquanto escrevia meu projeto de tese, recebi a notícia de que tinha conseguido uma bolsa de estudos do Rotary Club para a qual me inscrevi no final da graduação. Tentei trancar a matrícula do mestrado, mas não deixaram. Teria que escrever o projeto e fazer a pesquisa na Universidade de Queensland, Austrália.

Pra não me estender demais: não consegui terminar no prazo, mas voltei com o inglês fluente. Passei a viver de aulas de inglês, traduções e assessorias variadas para estrangeiros.

Eu não tinha planejado isso e não gostava do que fazia. Foi tenso --crise dos trinta, sem profissão definida, e sem um sonho pra correr atrás.

Fiquei tocando a vida, tentando relaxar um pouco, pra ver se conseguia encontrar o caminho mais certo. Aos poucos ficou claro que eu precisaria buscar algo bastante multidisciplinar, com relevância social, com um componente prático e certo desafio intelectual. Adoro estudar, conhecer de tudo um pouco.

As peças foram se juntando e percebi que jornalismo era a carreira com mais chances de me fazer feliz. Estranho foi eu não ter percebido isso antes! Comprei livros sobre redação jornalística, pesquisei sobre cursos, pós etc. Conversei com pessoas da área e descobri que não era necessário fazer outra faculdade.  Mesmo assim, eu não sabia por onde começar.

No ano passado, trabalhei como intérprete para um escritor inglês que estava divulgando o livro dele em São Paulo. Na primeira entrevista, apareceu um jornalista que trabalhava então para a Folha, Leandro Beguoci. Aproveitei pra fazer mil perguntas, falei sobre meu interesse na profissão, e ele me perguntou: "Por que você não faz o treinamento da Folha?".

Eu me inscrevi, estudei muito redação, português, história, atualidades e passei a ler jornal todos os dias. Deu certo até agora!

[conheça aqui os outros participantes da turma]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h47

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Imprensa no Google

Minha leitora Valéria, de Maringá, avisa desta nota do Observatório da Imprensa sobre nova ferramenta do Google

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h53

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Chico-rei e o exu (re)tranca rua

(*)

Vida de trainee pode até ser divertida, mas não é fácil.

A dificuldade é que a gente precisa ver o máximo possível no menor tempo viável --que, no programa da Folha, já está oscilando entre três e quatro meses, dependendo dos feriados daquele semestre.

E aí às vezes dá nó, como a gente pode ver na história de CHICO FELITTI e sua luta contra os misteriosos códigos do fechamento:

Sexta do Exu Retranca Rua

Quarto dia de treinamento. Todo mundo ainda se habituando à planta dos prédios da Folha, ao ambiente da redação e – no caso dos cinco trainees de outros Estados – à cidade e casa novas. Como se não fosse novidade suficiente para assimilar, hoje à tarde colocaram mais uma meia no nosso malabarismo jornalístico: um curso sobre o sistema de edição de texto usado na folha. O temível SDE.

De primeira, o software mostra uma carinha bem simpática. Parece muito com o Bloco de Notas. A primeira instrução, inclusive, foi de abandonar de vez o próprio Bloco e seu primo rico Word, para escrever, editar e salvar direto no programa recém-apresentado. A partir de agora, nossos textos pertencem ao SDE. E nossas almas, às retrancas.

Retrancados

Para quem não sabe, como eu até as 14h de hoje, a retranca é o número usado para distinguir cada matéria contida no jornal. Um código de barras feito de 11 letras e números que parecem não dizer nada. Mas que sintetizam o dia de publicação da matéria, a editoria que a abrigará e a página em que será alocada. Ou seja, são o DNA da notícia.

Para achar seu texto no servidor da Folha, é preciso dominar essa linguagem de hieróglifos, ou nada feito. A retranca é tão importante que virou sinônimo do espaço que uma matéria ocupa no espelho (página a ser montada) do jornal. É com o SDE, inclusive, que se diagrama o texto para o formato em que ele chega às bancas.

Passadas três horas de aula, incontáveis códigos como TR105120M03 e FS068110M11, FX07512M02, e nada de a gente ver os textos na página final. Até que, faltando cinco minutos para o recreio, o professor Daniel nos instruiu para finalmente jogarmos o texto com que testamos todas as funções do SDE numa página riscada virtual . Seguidos à risca, os passos não levaram a nada. Os textos simplesmente tomaram chá de sumiço e ninguém pôde conferir o resultado do trabalho. Uma dessas coisas inexplicáveis que acontecem com máquinas. Ficou um gostinho de incompetência na boca e aquele ar de desespero “não vou aprender jamais.”

Minha primeira manchete

Meia hora de recreio depois, a Ana propôs um exercício. Consistia em resgatar uma notícia pré-existente no sistema e lhe dar título, linha fina (“bigode”, em Minas e “sutiã”, no Rio) e lupa (acho que “olho”, na maior parte do país). Feito o trabalho de redator, era “só” transferir a notícia para a ripa que lhe pertencia na página. Depois de todos os erros, bugs e infinitas coisas novas a digerir, a tarefa bobinha parecia trabalho para Hércules.

Mas não é que, penando um pouquinho com as janelas de busca, o código da retranca e morrendo de medo de ficar na mão de novo, a coisa deu certo?! Às seis e pouco da tarde, estava lá o título que tinha acabado de escrever, em tamanho garrafal e fonte Folha, estampando o flanco superior esquerdo de uma página. Ficou até parecendo coisa de profissional. Emocionante.


Os desafios do Chico na sexta-feira: a tela do SDE (à esq.) com o número de retranca (circulado em vermelho) e a página feita por ele (à dir.)

Um pouco mais de ânimo para o fim de semana. Que segunda vêm mais retrancas para a gente encarar.

(*) a ilustração usa um desenho encontrado no site artefolk.wordpress.com/2008/05/08/sobre-exus/

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h39

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Dicas para cobrir um debate (ou eventos do gênero)

Ontem à noite as trainees NANCY DUTRA e DESIREÊ ANTONIO [conheça aqui a turma de trainees] acompanharam a equipe da Folha na cobertura do segundo debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, na Band.

Elas contam para os colegas do blog o que aprenderam:

Para nós, que nunca cobrimos política, a experiência foi um baque e um grande aprendizado sobre bastidores, atenção e paciência.

Pela conversa com os repórteres CÁTIA SEABRA e JOSÉ ALBERTO BOMBIG, de Brasil, e pela nossa observação, deixamos estas dicas:

1 – Se quiser fazer perguntas mais embaraçosas a políticos, faça em frente às câmeras de tevê. Eles não têm como fugir da resposta.

2 – Cobertura é trabalho em equipe. A todo momento, os jornalistas que estão no local trocam informações entre si e repassam material para a redação.

3 – Em geral, repórteres com mais experiência são solidários com aqueles que estão começando. Não fique com vergonha, por exemplo, de pedir para alguém segurar seu gravador na hora do aglomero.

4- Para quem é de fora –no nosso caso, uma mineira e uma catarinense–, vale a pena ir atrás dos principais envolvidos com as campanhas, como marqueteiros, presidentes de partido e políticos simpatizantes. As fotos deles não costumam aparecer com tanta freqüência nos jornais.

5 – Concentre-se. Tem muita coisa acontecendo e, durante as entrevistas coletivas, os políticos falam extremamente baixo. Não seja tímido, você pode gritar: “Seu Paulo, fala mais alto”. Esta é uma boa hora para repercutir alguma informação, já que a maioria dos repórteres fica calada.

6 – Circule. É uma oportunidade para presenciar situações que podem render notinhas, como uma troca de olhares tortos, e ampliar sua compreensão do tema.

7 – Acompanhe sempre (e com atenção) o noticiário. Antes do evento, para se informar melhor e não ficar perdido nas questões que estão na ordem do dia. E depois, para comparar as coberturas dos veículos e ver o que você teria feito de diferente.

A foto não ficou lá muito boa, deixamos a função para o nosso colega Matheus:

Nancy Dutra/Folha Imagem
 
Sala de imprensa improvisada (com direito a lanchinho) na Band; em primeiro plano à esquerda, fotógrafo envia fotos sentado sobre escadinha que usa para conseguir melhores ângulos na hora da confusão

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h55

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Uma visão dos morros do Rio

O que uma ONG que atua em favelas do Rio tem a dizer a jornalistas de São Paulo?

Foi o que descobriram ontem os trainees e os jornalistas da Folha que assistiram ao seminário de José Júnior, coordenador do AfroReggae.

A palestra faz parte de um programa que a Folha tem desde 1985: todos os anos, as editorias escolhem temas sobre os quais gostariam de saber mais e convidam fontes ou especialistas para vir ao jornal conversar.

Não são entrevistas e o que é discutido ali não tem como objetivo virar reportagem, embora possam aparecer pautas.

Com a concordância de José Júnior, CRISTINA MORENO de CASTRO fez para o blog um resumo do que ele disse --e emendou várias perguntas sobre como devem agir os jornalistas:

"Ontem assistimos a uma palestra do coordenador-executivo do AfroReggae, ONG que desenvolve projetos sociais e culturais em favelas do Rio [o projeto é mais amplo, suas idéias já estão sendo levadas a outros países; vale a pena entrar no site e conhecer melhor].
 
José Júnior nos mostrou um pouco como funciona o AfroReggae, o que eles já conseguiram fazer, quem trabalha no grupo etc. Mas também contou um pouco da vida na favela, de como o tráfico seduz parte da população (deixando claro, aqui, que a maioria dos moradores de favela odeia o tráfico) e outros temas espinhosos de criminalidade, política e sociedade.
 
Achei tudo muito bacana e a vontade que tenho é de transcrever tudo o que ouvi lá para o blog. Mas, como isso é inviável, coloco abaixo, em tópicos, algumas afirmações dele sobre as quais vale a pena pensar:
 
- Os traficantes são muito empreendedores e têm muito respeito à hierarquia. Isso os fortalece. Por outro lado, não são um poder tão "organizado" como a gente supõe.
- A Nike não faz idéia da dimensão de jovens que cometem crimes por causa de sua imagem. Da sensação de falso poder gerada pelas campanhas publicitárias. "Ou você tem Nike ou você não é nada". Muitos jovens roubam só para ter um tênis dessa marca.
- Alguns ex-traficantes trabalham para o AfroReggae hoje. E com seus mais de dez anos de experiência no tráfico, conseguem atingir jovens e fazê-los sair dessa vida melhor do que ninguém. É um tipo de experiência e habilidade que não se consegue em cursos.
- Pior que o traficante é o simpatizante do tráfico, que está sempre cortejando a violência.
- O tráfico no Rio hoje não é mais tão bem sucedido. Muitos traficantes de favelas não vivem mais de drogas, mas de roubo.
- As grandes conexões com o exterior, os grandes traficantes, nunca puseram um pé na favela. Beira-Mar virou um mito porque foi o primeiro morador de favela a estabelecer essas conexões, mas não porque foi o mais poderoso ou importante.
- O tráfico usa algumas armas simples para conquistar a comunidade: bailes funk, festas, datas comemorativas... A polícia já usou dessas armas antes e foi bem-sucedida.
- É muito mais importante usar o aparato social que o policial.
- Antes o bandido dava dinheiro para as campanhas políticas, as financiava. Agora isso se inverteu. São os políticos que pagam para os traficantes em troca de apoio.
- Duas razões principais fizeram com que a venda de drogas diminuísse no Rio: a atuação policial e, incoerentemente, também a extorsão policial.
- O poder do tráfico nas favelas não é paralelo, é o oficial.
- As favelas têm um potencial cutlural riquíssimo - vide carnaval, samba, funk etc -, mas é subaproveitado. As favelas são coadjuvantes do protagonismo. Se houvesse investimento em cultura, a violência seria reduzida.
 
 
É claro que, dentro de um contexto e de uma discussão, essas frases acima ganham uma dimensão muito maior. Mas, para começo de reflexão, já valem alguma coisa.
 
Agora eu quero aprofundar em algo que nos interessa mais diretamente: a cobertura da imprensa nas favelas.
 
Ele citou três aspectos relacionados à imprensa. Para nossa discussão:
 
1) "A imprensa não mostra comunidade se relacionando com policiais nas favelas".
"Acho que tem que mostrar as coisas que dão certo também".
"Quando policial morre, ninguém protesta".
"Metade das vezes que a polícia entra numa favela ela é recebida com tiros, mas nunca se fala que foi o traficante que começou os tiroteiros, ou que deu a bala perdida".
 
Fiquei pensando se seria verdade: se a imprensa, ao dar destaque às ações de policiais corruptos, ignorando as boas atuações policiais, está invertendo valores importantes. Ou se não seria um papel mesmo da imprensa dar um destaque maior a quem teoricamente deveria impor a ordem e, por uma distorção causada por diversos fatores, traz problemas a pessoas inocentes. E, falando em critérios de noticiabilidade: tiroteio na favela é mais noticiável que projetos bacanas desenvolvidos por PMs na favela? Mesmo quando o tiroteio se banalizou e os projetos tornaram-se raríssimos?
 
2) Quando ele diz que as favelas são coadjuvantes do protagonismo, pensei qual a parcela de responsabilidade da mídia como um todo para que isso aconteça. Fiquei me perguntando se as iniciativas culturais que partem das favelas são tão bem noticiadas quanto os tiroteios, a dominação por facções do tráfico etc. Se não forem, isso não poderia agravar ainda mais o preconceito que existe contra os "favelados"?
 
3) "Vocês [jornais paulistas] não cobrem bem as suas comunidades, mas cobrem melhor as do Rio que os jornais de lá". "Vocês, que vêm de fora, têm menos medo que quem é do Rio".
 
Essa é boa! Realmente, os problemas nas favelas do Rio são muito melhor noticiados que os problemas das favelas de São Paulo. Por que será? Porque lá há problemas mais graves e, portanto, mais noticiáveis? Porque a cidade do Rio já está estigmatizada com a idéia de "guerra civil" e, portanto, abre-se mais espaço para tratar disso no nosso noticiário? Isso, aliás, faz com que aumente um preconceito em relação ao Rio e com que somente as coisas negativas sobre aquela cidade apareçam em noticiário paulista (voltando à questão 1)? E tudo isso justificaria um descaso maior em relação às comunidades de São Paulo (segundo visão do palestrante)?
 
Uma das justificativas que ele encontrou para a melhor cobertura é que os repórteres daqui têm menos medo que os de lá. O que acho normal: quando você vem de fora, e não conhece a fundo os problemas de uma comunidade, você tende a se sentir muito mais seguro. (Já aconteceu comigo, inúmeras vezes, aqui em São Paulo). O que nos leva a uma questão final, não abordada durante a palestra: vale a pena arriscar a vida por uma reportagem?
 
Para não perder o costume, termino com a pergunta de sempre: o que vocês acham?" 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h41

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Nossa culpa pelo suicídio

Calma, há uma grande licença no "nossa" do título acima.

Estou colocando no mesmo saco todo e qualquer jornalista do planeta. E não vou cair no exagero de achar que um caso na Índia seja motivo de apontar o dedo para a mídia em geral.

Mas chamar de caso isolado esse episódio da menina indiana que se matou com medo do fim do mundo seria perder a chance de usá-lo para reflexão.

Porque, como conta meu ex-trainee FELIPE MODENESE, físico de formação, há elementos nessa história que põem em xeque a responsabilidade de certa imprensa indiana. Indiana, é verdade. Mas deve haver ciscos nos nossos olhos também, não é? 

A notícia da BBC traz alguns desses elementos:

- Bihari Lal [o pai da garota] disse que Chaya --a mais velha de seus seis filhos-- estava aterrorizada depois de assistir a reportagens de TV sobre a hipótese de o acelerador "fazer a Terra rachar e matar todo mundo na cidade".

- "Tentamos distraí-la e explicar que não havia com que se preocupar, mas sem resultado", disse o pai.

- "Ela disse que não conseguia suporatr a idéia de destruição de tudo o que amava e que, por isso, preferia dar fim a sua vida", disse o policial que a acudiu.
 
- O correspondente da BBC diz que recentemente canais de TV indianos fizeram vários programas discutindo as profecias de apocalipse e que isso provocou uma onda de preocupação no país. Muita gente correu aos templos em várias partes do país na terça, com medo do fim do mundo, depois de assistir aos programas.

- "Programas como este podem ter efeito desastroso numa pessoa emocionalmente abalada", disse uma psicóloga ouvida pela reportagem.

Algo que salta aos olhos é o sensacionalismo endógeno da cobertura da TV indiana. Tal característica parece ter sido potencializada quando o assunto foi a cobertura do início do LHC, "designed to smash protons together along a 27km-long tunnel with cataclysmic force" ( note-se a terminologia apocalíptica da própria BBC).

O status adquirido pela ciência - especialmente pela física e biologia - de reveladora da verdade absoluta e incontestável está intrincado aí também.

A ciência como tóten parece ter sido elevada a um degrau absurdo pela cobertura midiática do gigantesco experimento do LHC, a ponto de deturpar uma mente sensível e, talvez, colonizada pela incontestabilidade da cobertura midiática atual sobre temas científicos.

Isso tudo, claro, confiando na incontestabilidade das fontes/apuração/matéria da BBC...

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h07

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Congresso na Argentina

Congresso na Argentina

A Fopea, associação de jornalistas investigativos da Argentina, faz seu 3º congresso internacional em Buenos Aires, dias 21 e 22 de novembro.

O tema central é “Os desafios do jornalismo na era digital”

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h00

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Dia de pesquisa

Enquanto os trainees continuam com vergonha de escrever no blog eu mesma conto o que eles fizeram.

O dia hoje foi para aprender a usar o banco de dados do jornal.

Pesquisa é muito útil em várias etapas do jornalismo. Serve para:

  • ver se nossa idéia de pauta já não foi publicada
  • entender melhor do assunto que vamos cobrir
  • recolher contexto para melhorar nossa cobertura
  • encontrar boas fontes de referência para dar informação em nossa reportagem
  • achar boas fotos, novas ou antigas
  • fazer um texto de apoio com a memória do caso ou do tema
  • checar se nossas informações estão todas certas

Além desse primeiro mergulho no banco de dados, eles assistiram de manhã com a editoria de Cotidiano a uma palestra (essa a CRISTINA MORENO DE CASTRO já me prometeu resumir para o blog) e, à tarde, conversaram com meu amigo e colega SÉRGIO DÁVILA, correspondente da Folha em Washington.

Algumas das histórias do Sérgio vocês podem ler aqui mesmo:

* como foi ser o único correspondente brasileiro em Bagdá quando os EUA atacaram o Iraque
* como os correspondentes se informam
* três histórias da vida do jornalista

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h22

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Nosso enviado especial à Flórida

Enquanto a gente rala por aqui, o FABIO CHIOSSI (meu assistente) está na Flórida para participar de um encontro de editores de treinamento no Poynter [se você não conhece o site deles, clique aqui. É ótimo, cheio de boas idéias, casos, dicas, cursos etc.]

Como fiquei morrendo de inveja, impus a ele o "castigo" de ter que mandar milhares de posts para o Novo em Folha, contando todas as novidades que ouvir.

E isso explica a ilustração acima.

[Eu fui ao congresso no ano passado e trouxe para o blog o que ouvi. Quem quiser recuperar pode clicar aqui e ir descendo pelas páginas]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h53

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A 46ª turma

Normalmente eu apresento os trainees em ordem alfabética, mas vou começar com o Matheus porque ele é o autor das fotos (ótimo trabalho, diga-se), com a exceção da dele mesmo, que foi feita pela Sofia:


Matheus Magenta, 22, formado em jornalismo pela UFBA


Sofia Fernandes, 23, nesta tarde está colando grau em jornalismo na UnB


Catharina Nakashima, 24, de Jundiaí, formada em relações internacionais pela USP


Chico Felitti, 22, formado em ciências sociais pela USP e em jornalismo pela PUC


Desireê Larissa Antônio, 23, de Nova Lima (MG), estuda jornalismo na UFMG


Gisele Lobato, 24, paulistana, formada em jornalismo pela USP


Leonardo Feder, 23, paulistano, formado em jornalismo pela USP


Nancy Dutra, 22, de Blumenau, se forma este ano em jornalismo pela UFSC


Natália Paiva, 24, de Fortaleza, fez jornalismo na UFC, faz mestrado na PUC-SP


Renata do Amaral, 29, estudou jornalismo na UFPE


Tainã Nalon, 22, carioca, formada em jornalismo pela Uerj


Vanessa Correa, 32, formada em zootecnia pela USP


Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h21

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Notícia velha derruba Bolsas

É verdade que o jornalismo on-line permite corrigir rapidinho uma bobagem, o que é ótimo.

Mas há uma outra face disso que é o fato de que, antes da correção, o erro já pode ter sido encaminhado pra milhares de pessoas e feito um estrago danado.

Meu colega e professor EVANDRO SPINELLI conta um caso que ilustra bem porque todo cuidado é pouco:

Uma notícia de seis anos atrás derrubou, na segunda-feira, as ações da United Airlines em 75,6%, de US$ 12,30 para US$ 3. Em um único dia. E sem nenhum motivo.
 
A notícia era de dezembro de 2002 e falava do pedido de concordata da United Airlines. Foi localizada pelo sistema Google News no arquivo do jornal "Sun Sentinel", do grupo Tribune Company, o mesmo que edita o "Chicago Tribune".
 
Distribuída pelo Google News, a notícia foi lida pelo pessoal de uma empresa de investimentos na Florida, que repassou para a Bloomberg, que colocou no ar. E causou a confusão toda.
 
O "Sun Sentinel" publicou uma nota explicando o caso: http://www.sun-sentinel.com/business/sfl-flzunited0909sbsep09,0,7405794.story
 
É mais uma coisa que a internet precisa aprender como lidar. Para nós, é engraçado. Para os investidores da United Airlines, é trágico.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h27

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cobertura de conflitos

cobertura de conflitos

Vão até dia 19 incrições para o curso de "Jornalismo em Situações de Conflito Armado" do Projeto Repórter do Futuro.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h24

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Caçadores de pautas

A tarde de hoje no programa de treinamento foi para discutir as pautas --propostas de matéria. De onde elas surgem? O que faz de um assunto uma pauta jornalística?

Passamos a tarde toda falando sobre isso, porque um exercício que eles terão que fazer praticamente todos os dias é sugerir uma pauta.

Nas três horas de conversa, eu fiz uma divisão das pautas em alguns grupos, para explicá-las melhor.

É uma classificação bem arbitrária, que só serve para organizar o raciocínio. No jornal, ninguém pára pra pensar que essa pauta é do tipo A ou do tipo B. Para vocês acompanharem, segue um resuminho:

Dá pra dividir as possíveis pautas em diferentes categorias:
 
DE ACORDO COM A AMPLITUDE
 
1) casos concretos - o acidente que matou 30; a ex-viciada que venceu a maratona; a professora que prendeu um aluno na geladeira. São notícias em si mesmos. Se vão ou não ser publicados depende de que outras notícias há naquele dia: vencem as mais importantes ou mais impactantes (ou os dois) [Para entender quais os critérios na hora de julgar uma notícia, clique aqui]
 
2) casos gerais - a situação das estradas, o problema das drogas, a avaliação da educação no país. Só viram notícia se houver um dado novo: buracos provocam 500 acidentes por ano; cientistas brasileiros criam vacina contra vício; maiores universidades têm pior avaliação
 
tema X pauta
 
É um engano comum que jornalistas novatos pensem em temas em vez de pautas. "A situação dos moradores de rua no centro de SP", por exemplo, é um tema. A história excepcional do morador que montou uma biblioteca com 5.000 livros é uma pauta. O novo projeto da prefeitura de construir albergues high-tech é uma outra. Uma entrevista com o prefeito que resolveu o problema da população de rua de uma cidade africana é outra ainda.
 
Ou seja, não desanime se sua proposta foi recusada pelo editor por ser ampla demais, sem foco ou sem novidade. Se o tema o interessa, com certeza vai interessar aos leitores. Todo tema tem pautas escondidas dentro dele. Procure as suas.
 
DE ACORDO COM O GANCHO
 
1. independente - é a pauta que tem notícia em si mesma. Pode ser um fato concreto ou um estudo novo, como nos exemplos acima. Elas se dividem em:

  • algo que aconteceu (o tsunami)
  • o resultado da apuração do repórter:
    • algo que você observou (uma nova moda entre os adolescentes, as belas da tarde na liberdade),
    • uma informação passada por uma fonte (o grampo do STF) [quando a pauta é passada por uma fonte, pense sempre em que interesse ela tem. Tal interesse não impede a matéria de sair. Mas é importante conhecê-lo]
    • algo que você investigou (um esquema de compra de votos, um levantamento de quantas infrações ocorrem nas principais avenidas) . 
       

2. suíte - como diz o nome, é a continuação. Se a notícia de ontem foi o plano americano de socorro às financeira, a suíte hoje será ver como a medida afetou as Bolsas em todo o mundo. Se a notícia hoje cedo foi a morte de Tom Jobim, a suíte à noite será o velório.
 
3. pautas derivadas - são as que se aproveitam de uma notícia recente e importante para tratar de um fato ou assunto diretamente ligado a ela.

A notícia pode ser, por exemplo, que a Europa decide que metade de sua frota será a álcool em dez anos. A pauta derivada será mostrar que o preço da terra nas regiões canavieiras brasileiras dobrou desde que o anúncio foi feito.

Um exemplo recente: a Justiça soltou Daniel Dantas em dois dias e LILIAN CHRISTOFOLETTI fez uma reportagem mostrando que há 9.000 presos com penas já cumpridas que não são soltos falta de análise dos seus casos.

Outro exemplo: o LHC (grande colisor de hadrons) começa a funcionar e Coti mostra que os livros de física usados no Brasil estão parados na divisão eletron, neutron e proton.
 
hipótese fácil, pauta difícil
Um problema dessas pautas derivadas é que é fácil ter uma hipótese: o que dizem os livros de física sobre a divisão dos átomos? O quão desatualizados estão? Mas isso ainda não é pauta. É o que a gente chama de pré-pauta. Para virar pauta, temos que ver os livros mais usados e constatar que estão desatualizados.
 
4. perfil - pode ou não ter gancho. Se uma manifestação de mulheres faz ministros de vários países se esconderem na cozinha durante um evento, a líder desse grupo renderá um bom perfil tendo como gancho o episódio. Mas uma pessoa muito especial ou que tenha passado por um momento muito especial pode, por si só, render um ótimo perfil --é o caso do estudante deficiente que ganhou medalha do governo federal, contado por ITALO NOGUEIRA). Há casos em que uma seção fixa "cria" o gancho para o personagem - obituário, por exemplo
 
5. pautas construídas - é uma história inventada pela reportagem para pôr um assunto em discussão. Um exemplo famoso é o do violinista na estação de metrô
 
6. serviço - também pode ou não ter gancho. O governo lança o PAC e empregos faz matéria sobre vagas de trabalho na construção civil. Surge o assunto dos grampos e Cotidiano explica como saber se seu telefone está grampeado. Serra proíbe o fumo em todo lugar e equilíbrio faz serviço sobre como parar de fumar. Os ingressos de Madonna se esgotam e o Guia conta em que lugares assistir no telão, sentado, sem tomar chuva e tomando um chopp gelado.

Pautas de serviço são patinhos feios: desprezadas pelos repórteres, mas amadas pelos leitores (uma matéria dos trainees sobre como desbloquear celulares, feita como exercício, ficou no topo do ranking no dia em que foi para a FOL -veja aqui).


Depois dessa conversa toda, o exercício dos trainees foi pensar em uma sugestão de pauta de serviço, que pode ou não estar relacionada com um assunto do noticiário recente (ou seja, pode ou não ter gancho). É um exercício para ser feito em trios.

Mostrei a eles dois exemplos recentes de pauta que foram indicados ao prêmio Folha:

"Contran aprova uso da cadeirinha; multa só começa em 2010"
autor:
Alencar Isidoro
data de publicação: 5/6/2008
veículo: Cotidiano/Folha de S.Paulo

"Guia do Primeiro Imóvel"
autores: Patricia Trudes da Veiga, Bruna Martins Fontes, Renata de Gaspari Valdejão, Eduardo Campos Lima e Antonio José Barbosa
data de publicação: 15/6/2008
veículo: Caderno Especial/Folha de S.Paulo


Os passos que eles vão seguir nesse exercício são:

  • conversar bastante pra chegar a uma proposta
  • discutir a proposta com seus "padrinhos" (jornalistas experientes que se ofereceram para orientá-los)
  • pesquisar para ver o que já saiu sobre o assunto
  • fazer a proposta final
  • realizar a reportagem

Leitores que quiserem tentar podem fazer o mesmo exercício: o que daria uma boa reportagem de serviço? Há alguma relação com o noticiário? Qual?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h46

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Snagglepuss contra a fonte que foge

Snagglepuss é o nome original do velho e bom leão da montanha, desenho da infância de quem tem hoje 40 anos.

A tirada mais famosa do personagem eram suas "saídas estratégicas", pela esquerda ou pela direita, tanto faz, desde que ele fugisse rapidinho da encrenca. (leitores mais novos podem ver como era divertido neste "clip romântico")

E saída estratégica, bem útil para o leitor, foi o que a Folha de hoje encontrou para um daqueles casos frustrantes e enervantes em que o outro lado não atende, não se encontra ou não responde. O que o jornal fez? Publicou as perguntas das quais a fonte se esquivara:

(quem assina UOL ou FSP pode ler a íntegra aqui)

Outras dicas para momentos em que a fonte não quer falar
Mas por que a fonte não quer falar? E o que fazer?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h00

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Contra o jornalismo declaratório

Bom trabalho do editor de Informática da Folha Online, DIÓGENES MUNIZ, fez o cabe realmente a um repórter: em vez de ficar reproduzindo declarações para lá e para cá sobre se a maleta da Abin só detecta grampos ou é capaz de grampear, ele resolveu checar.

Consultou, portanto, o fabricante.

Simples, não é?

Muitas vezes, fazer bom jornalismo não implica mais tempo ou mais trabalho. Apenas discernimento e vontade.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h36

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Internet na Holanda

Internet na Holanda

O Radio Netherlands Training Center vai selecionar jornalistas de países em desenvolvimento para um curso de seis semanas na Holanda, de 11/5 a 19/6 do ano que vem.

Os custos são cobertos pelo governo holandês.

Candidatos devem ter entre três e quatro anos de experiência e bom domínio do inglês.

Inscrições até 1º/10 em www.rnw.nl/rntc/courses/NFPprocedure.php

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h03

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99% de fracassos

Acaba de dizer Michael Rosenblum:

"É isso que é a evolução: 99% de fracassos. Você fracassa, fracassa, fracassa e de repente aprende e evolui. Quem ficar sempre com medo de fracassar não vai sair do lugar."

Copio aqui porque é exatamente no que se baseia o programa de treinamento: na possibilidade de arriscar, perguntar e errar sem medo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h50

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Quer ver e ouvir o mesmo que os trainees?

É que eles estão agora (terça, 20h40) assistindo à palestra do Michael Rosenblum (videojornalista e fundador da NYT Television) no MediaOn, e dá para assistir ao vivo (com tradução) pela internet, na TV Terra.

Além do palestrante, há a diversão que é ouvir Marcelo Tas, o mediador da conversa. (Pra lembrar, Tas comanda o CQC, um dos mais estridentes exemplos de humor no jornalismo.)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h47

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Repórter porco-espinho


Reprodução do site http://cabio.wordpress.com/2006/11/29/filhotinhos-de-porco-espinho/

É aquele que parece fofinho, como os bichinhos aí de cima, mas só quer mesmo é espetar a fonte pra ver se ela chora no ar.

Acontece muito em TV. Até queria colocar um exemplo deste domingo, mas o programa que adotou tal técnica não incluiu essa parte da matéria no seu site.

A primeira resposta à dúvida do Paulo --"o que fazer com a fonte que desatou no choro durante uma entrevista?"-- é: não provoque intencionalmente essa reação. Não seja um repórter porco-espinho. Não fique cutucando a fonte com aquelas perguntas óbvias cujo único objetivo é fazê-la chorar: "E agora, o que você vai fazer sem seus três filhos, assassinados?"; "Você sente muita falta dos seus pais, que morreram ontem?" e coisas do tipo.

Não é exagero --lembram-se da reclamação da Jade sobre as eternas perguntas sobre o fato de ela ser órfã?

O Paulo, claro, não fez nada disso. Mas a fonte se emocionou mesmo assim. Fazer o quê?

Esperar, tomar nota do tempo que levou, do que ele disse (ou não) e, se for relevante para a matéria, descrever a cena da forma mais concreta e menos melodramática possível: "a lembrança daquele jogo fez Fulano chorar em silêncio durante quatro minutos".

Se é no meio de uma entrevista, se as lágrimas são resposta a uma pergunta que não era porco-espinho, o choro é informação. Não acho que o repórter precise ficar aflito, se sentir culpado, nem tentar consolá-lo.

Estamos falando de texto, em que é possível "matizar" a emoção do entrevistado, usar o recurso da sobriedade para não transformar a tristeza dele em "espetáculo".

No rádio ou TV, a coisa é mais difícil. A minha escolha é sempre contra a redundância. Continua sendo importante que o público saiba que ele chorou, mas ele percebe em dois segundos de áudio ou vídeo. Não precisa ser dois minutos. Não precisa de zoom. Todo exagero desequilibra.

E quando a gente se emociona junto e tem vontade de chorar?

Essa é difícil, né?  Aqui o repórter de texto também leva vantagem, pois pode excluir sua reação da matéria. No rádio e na TV, fica meio ridículo o entrevistador chorar junto.

Do ponto de vista da atitude, não vejo falta de profissionalismo. Cada caso é um caso, cada pessoa tem seu jeito. Minha colega SIMONE IGLESIAS, excelente repórter da Sucursal de Brasília, já contou aqui no blog momentos em que chorou numa cobertura. Jornalista também é ser humano (como diria o Magri ). (*)

O que não pode é se envolver com o caso, tentar resolver o problema dos outros ou comprar a briga deles.

(*) aos leitores novos demais para entender a referência, eu explico: em 1991, flagrado ao utilizar um carro oficial para levar sua cadela ao veterinário, o então ministro do Trabalho, Antonio Rogério Magri, defendeu-se dizendo "Cachorro também é ser humano".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h09

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Música e censura

Música e censura

A Casa Mário de Andrade promove, em parceria com o site Censura Musical (www.censuramusical.com.br), o ciclo de debates “A censura na produção cultural brasileira”.

É gratuito.

Será nos dias 10, 17 e 24 de setembro (quartas-feiras), às 19h, na Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546 - Barra Funda).

Inscrições: (11) 3666-5803 / 3826-4085 casamariodeandrade@assaoc.org.br

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h41

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Como usar o gravador digital para se organizar

Meu colega e professor EVANDRO SPINELLI, repórter de Cotidiano, leu as dúvidas da Larissa (neste post) e nos conta como usa o gravador digital nas entrevistas:

Praticamente aposentei a fita.

Só uso gravador de fita quando vou fazer um pingue-pongue que sei que vai ficar muito longo. Neste caso, uso dois gravadores (a fita fica só como backup).

No gravador digital, tem uma coisa que ajuda muitíssimo na hora de editar a entrevista. Cada vez que o entrevistado fala alguma coisa importante, eu anoto o tempo da entrevista (1min36seg, 4min54seg, 23min43seg etc.).

Se não der tempo de anotar o que o entrevistado falou, não vou ter dificuldade alguma em localizar a informação na gravação.

Gravador digital também permite que você "corte" a entrevista no meio. É um botãozinho chamado "divide". Se é uma coletiva, por exemplo, não dá para anotar. Então, cada vez que o entrevistado muda de assunto (com prefeito e governador acontece toda hora) eu aperto o botão "divide". Assim, cada arquivo digital fica com um assunto e eu acho tudo facinho.

Como conectar o gravador ao telefone

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h34

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Primeiro dia (+ o que ler sobre jornalismo digital)

Primeiro dia (+ o que ler sobre jornalismo digital)

Começou hoje cedo o 46º programa de treinamento.

Já pedi ao Matheus que tire fotos da turma, para poder apresentá-los no blog.

Vamos tentar contar aqui, todos os dias, o que estamos fazendo no curso.

Hoje cedo conversamos um pouco sobre os exercícios do programa e os trainees almoçaram com seus "padrinhos" --jornalistas que se voluntariaram para acompanhá-los, tirar dúvidas, analisar textos etc.

Neste exato momento (14h30) a turma está conversando com ALEC DUARTE, editor-assistente de Esporte e professor de webjornalismo, sobre as novas possibilidades trazidas pelo jornalismo digital.

Amanhã, eles devem acompanhar as discussões do MediaOn. Para quem se interessar pelo assunto, vão abaixo as indicações de leitura feitas pelo Alex:

Textos
 
ALTERMAN, Eric. "Out of print: life and death of the american newspaper". The New Yorker, 2008
http://www.newyorker.com/reporting/2008/03/31/080331fa_fact_alterman
 
BRADSHAW, Paul. "Basic principles of online journalism"
http://onlinejournalismblog.com/tag/basic-principles/
 
JARVIS, Jeff. "The press becames the press-sphere"
http://www.buzzmachine.com/2008/04/14/the-press-becomes-the-press-sphere/
 
JARVIS, Jeff. "No jornalismo, as boas idéias são do público". Entrevista ao jornal português "Público", 21.04.2008
http://ultimahora.publico.clix.pt:80/noticia.aspx?id=1326487&idCanal=61
 
KOBLIN, John. "What's News? Who knows! Welcome to print 2.0". The New York Observer,2008
http://www.observer.com/2008/what-s-news-who-knows-welcome-print-2-0
 
SALAVERRÍA, Ramón. "De la pirâmide invertida al hipertexto".
http://www.unav.es/fcom/mmlab/mmlab/investig/piram.htm
 
SCHIMTT, Valdenise e FIALHO, Francisco Antonio Pereira. "A Cauda Longa e o jornalismo - Como 
a teoria da Cauda Longa se aplica no jornalismo". UFSC, 2007
http://www.compos.org.br/files/09ecompos09_Schmitt_Fialho.pdf
 
THOMPSON, Bill. "Net gains and pains for journalism". BBC News, 2008
http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/7338238.stm
 
WOLFF, Michael. "Is this the end of news?". Vanity Fair, 2007)
http://www.vanityfair.com/politics/features/2007/10/wolff200710
 
 
Para aprofundar wikijornalismo, jornalismo participativo e tendências da vida digital
 
BRADSHAW, Paul. "Wiki journalism: are wikis the news blogs?". Future of newspaper conference, Cardiff, 2007
http://onlinejournalismblog.files.wordpress.com/2007/09/wiki_journalism.pdf
 
BOWMAN, Shayne e WILLIS, Chris. “We Media – How audience are shaping the future of news and information (Elsevier, 2003)
http://www.hypergene.net/wemedia/weblog.php
 
GILLMOR, Dan. "We the media". CA, USA (O'Reilly Media, Inc., 2004)
http://www.oreilly.com/catalog/wemedia/book/
 
HOWE, Jeef. "Crowdsourcing: How the Power of the Crowd is Driving the Future os Business" (Crow Business, 2008)
http://www.amazon.com/Crowdsourcing-Power-Driving-Future-Business/dp/0307396207
 
KEEN, Andrew. "The Cult of the Amateur: How Today's Internet is Killing Our Culture". Currency, 2007
http://www.amazon.com/Cult-Amateur-Internet-Killing-Culture/dp/0385520808
 
SHIRKY, Clay. "Here Comes Everybody". Allen Lane, 2008.
http://www.amazon.com/Here-Comes-Everybody-Clay-Shirky/dp/0713999896
ZIITTRAIN, Jonnhatan. "The Future of the Internet - And How to Stop it"
http://www.amazon.com/Future-Internet-How-Stop/dp/0300124872
 
Manual
BRIGGS, Mark. "Jornalismo 2.0: como sobreviver e prosperar - Um guia de cultura digital na era da informação". Knight Center Jounalism for the Americas, 2007
http://knightcenter.utexas.edu/ccount/click.php?id=3

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h53

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Informações sobre os candidatos

Informações sobre os candidatos

A Abraji criou um site sobre eleições municipais com links para consultas sobre declaração de bens, prestações de contas de comitês, CNPJs de campanhas, coligações e estatísticas.

Também são indicados projetos da ONG Transparência Brasil que permitem mapear o financiamento de campanha nas eleições passadas e saber se os candidatos têm ocorrências na Justiça e se são ligados a grupos de interesse.

O site permite montar tabelas e rankings interativos a partir de dados do TSE.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h49

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Perdida nas anotações

Quem está assim é a  Larissa, de Belo Horizonte:

Tenho algumas experiências em estágio em redação e algumas dúvidas. Uma delas me pegou agora que estou escrevendo para um boletim semanal.

Como minha experiência anterior era com o rádio, as entrevistas eram sempre feitas com o gravador, para se poder captar a "sonora".

Mas agora as coisas mudaram, e fico um pouco perdida nas minhas entrevistas, que são geralmente feitas por telefone.

Costumo anotar tudo num bloco, enquanto a fonte fala, mas acabo deixando algumas coisas de lado, porque me perco entre ouvir a fonte no momento e anotar o resto.

Acaba que minhas anotações ficam um pouco incompletas, e no final completo o resto com o que lembro da entrevista, de forma que o resultado não fica 100% fidedigno. Como fazer?

Engraçado, né? Por algum motivo também acho mais difícil anotar coerentemente quando a entrevista é por telefone.

Será que as pessoas falam mais rápido? Ou sem olhar nos olhos nossa compreensão fica comprometida?

Eu já me atrapalhei muuuuito com o problema da Larissa. Soluções? Tenho algumas, mas espero as de vocês também, OK?

  • É possível gravar conversas telefônicas. Até fiz um post no blog sobre isso.  
  • Mesmo gravando, é preciso anotar, pois toma muito tempo transcrever toda a entrevista.
  • Para anotar mais rapidamente, depois de muita dor no pescoço, eu decidi comprar um daqueles headsets (como os de centrais de telemarketing, sabe? ). Quando tenho que entrevistar alguém por telefone, uso esse aparelho para ficar com as duas mãos livres, e vou digitando direto tudo que consigo.
  • Importantíssimo: se for digitar, salve o arquivo constantemente
  • No começo, eu me atrapalhava bastante na hora de entender minha "anotação digital", porque não marcava as perguntas que havia feito. Aí não sabia direito em que contexto a fonte tinha dito cada coisa. Agora eu faço um rascunho das perguntas num arquivo e, conforme vou entrevistando, digito as respostas no lugar correspondente. E, quando faço uma pergunta extra, tento registrar em código --por exemplo: ???quando começou?    ???qual o lucro???   ????só a mais velha??
  • Claro que às vezes a fonte fala muito rápido e a gente perde uma frase. Aí, o melhor é pedir pra repetir. Não tenha vergonha: até o Gay Talese, considerado um dos pais no jornalismo literário, faz isso (leia aqui)
  • Isso vale também na hora de escrever a matéria: se tiver dúvidas sobre uma frase ou um contexto, ligue de novo e pergunte. Melhor correr o risco de incomodar a fonte que publicar algo errado, certo?
  • Agora, se você pretende publicar um pingue-pongue, aí não tem jeito mesmo: só gravando tudo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h12

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Corte joga fora a notícia da foto

Meu leitor Wallison, de Ribeirão das Neves (MG), estranhou a foto que acompanha essa chamada da Folha Online:

Vi um link para uma crítica sobre a peça "Vergonha dos Pés", da Priscila Fantin. Achei interessante como o corte da foto tirou uma "informação" importante. Na cena, os atores estão olhando para os pés e adivinha o que cortaram? rsrsrs

É parecido com o que fizeram com as orelhas de Mickey do Chavez (veja aqui).

Por que isso acontece? Há vários motivos e cada um tem seu antídoto:

  • pressa - não era bem o caso da peça da Fantin, já que não urgência alguma em publicar uma crítica teatral. Mas em geral a pressão de tempo é grande e aí é bom lembrar que a pressa é inimiga da perfeição: quanto mais corrido estiver o dia, mas concentração é preciso ter (algumas dicas para quem tem pressa)
  • falta de intimidade com a informação visual - nem todo jornalista de texto foi treinado para entender que fotografia em jornal é informação, não ilustração. Não requer habilidades especiais. Basta começar a "ver" a foto, "enxergar" o que ela informa, em vez de simplesmente olhar pra ela
  • formato inadequado - neste exemplo da Fantin, a foto é vertical e o espaço para publicar era quadrado. O jeito é pedir ao fotógrafo outra opção que caiba no espaço ou mudar o desenho da foto na página. Se os dois forem impossíveis, eu daria um corte diferente: publicaria só  só os pés da moça

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h15

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O lide era outro

O lide era outro

A única maneira de realmente aprender jornalismo é a experiência.

Mas é possível acelerar e/ou suavizar esse aprendizado juntando duas coisas à prática: estudo e reflexão.

Quando a gente lê um bom texto, é útil relê-lo tentando entender por que afinal gostamos tanto dele (como ensina Janio de Freitas, num post da semana passada).

Se uma história chama a nossa atenção, vale a pena entender de onde o repórter tirou a idéia e como a colocou de pé.

As lições que a gente tira disso não são diretamente aplicáveis na nossa rotina: cada reportagem vai ter seus problemas e a peça de um quebra-cabeça não encaixa perfeitamente em outro.

Mas elas nos alertam para possibilidades em que não havíamos pensado. Aumentam nosso repertório de soluções.

É o caso de uma ótima sacada de meu colega ITALO NOGUEIRA, que publicou na sexta passada a matéria "Mãe investiga morte de filho e "condena" PMs".

A história era ótima: uma mulher que refez o trabalho da polícia e chegou a estudar direito para obter provas que levassem à condenação os suspeitos pela morte de seu filho. Mas por que só o Ítalo contou? De onde apareceu a pauta? Pensei em algumas hipóteses:

  • era um caso que ele acompanhava de perto - e aqui o segredo seria a disciplina: anotar na agenda e organizar-se para ir atualizando sempre as informações
  • uma fonte havia passado a informação - a lição aqui seria cultivar direito as fontes, para que elas lembrem-se de você quando tiverem uma boa história
  • só ele notou algo que era lateral à noticia, mas tinha muito mais impacto - isso acontece quando a gente desliga o piloto-automático e mantém a curiosidade e a observação ligados o tempo todo

O Italo conta, então, como foi:

A trajetória dela é bastante conhecida aqui no Rio, mas não lembro de algum jornal ter publicada toda a história dela, detalhadamente como foi a investigação etc...

Eu mantenho algum contato regular com ONGs que trabalham com família vítimas da violência e inclusive já havia conversado com a Márcia em outra matéria (não como personagem, mas ela contou o caso de forma resumida).
 
Eu recebi um e-mail avisando sobre o julgamento dos PMs e achei que era um ótimo gancho para contar essa história com início-meio-fim, já que ali sairia o resultado da investigação dela, se foi bem feita ou não. Acho uma história muito interessante, mas são várias as mães que buscam justiça pelo filho. O diferencial dessa história seria a condenação que ela conseguiu.
 
Acredito que outros repórteres tenham recebido o mesmo e-mail, mas acho que não se interessaram pela história.
 
Na realidade, a primeira versão da matéria tinha um foco diferente, embora o corpo do texto fosse igual. Abri tentando mostrar que nem todo registro de auto de resistência era uma morte em confronto. E a partir daí contava o caso dela, de forma parecida como foi publicada. O jornal preferiu que me focasse pura e simplesmente na história dela, sem pensar na parte de "política pública". Depois do resultado, achei uma mudança acertadíssima. Nenhum texto é só meu, já que passa pela mão de alguns editores, mas esse especialmente contou muito com a intervenção dos chefes, e acho que para melhor.
 
Na verdade não foi nenhuma apuração emocionante, mas acho que é boa para mostrar que o lide nem sempre é o fato de ontem ["PMs são condenados por morte de jovem"], mas a história como um todo. Cabe ao repórter encaixar as duas peças e vendê-la bem para a chefia.

LAURA CAPRIGLIONE e a pauta que só ela viu
Foco é bom, mas mantenha a visão periférica
No rádio, repórter olha para o lado
Outros jornalistas contam como fizeram seu trabalho na seção "Como foi feito"

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h19

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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