Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Rosequem?

Sarah Palin é a bola da vez. Totalmente ignorada ontem, em todos os noticiários hoje. Com direito a brochinho lascivo, como este que a editora-adjunta de Mundo, LUCIANA COELHO, colocou no blog da sucessão americana, e a seções "separadas no nascimento", como a da edição de hoje de "O Globo":

A Luciana comentou comigo que leitores do blog ficaram atônitos com a meteórica celebridade de Palin. Por que isso acontece no jornalismo?

Pode ser por dois motivos (e o caso de Palin tem um pouco dos dois):

  1. os jornalistas comeram mosca. Já deveriam estar falando sobre aquela pessoa há muito tempo, mas não estavam tão bem informados assim. São tão pegos de surpresa quanto o público e, na reação, descontam a ignorância. [Aconteceu algo muito semelhante quando Guga venceu Roland Garros pela primeira vez, lembram-se?]
  2. a "personalidade instantânea" emerge na onda de uma notícia de bastante repercussão e, por ter características pessoais marcantes (muito bonita, muito nova, muito velha, muito ousada, caso de superação, muito azarada etc.), aumenta ainda mais a turbulência.

Um exemplo deste segundo caso meu editor-assistente FABIO CHIOSSI lembra aqui embaixo:

Como alguém "vira o personagem da hora do dia para a noite", indagam os comentários postados no blog Folha na Sucessão de Bush, que o jornal criou para que os internautas acompanhem melhor a campanha eleitoral americana.

Lembrei-me então de um outro caso célebre de fama instantânea a partir do nada, o de Rosenery Mello.

Rosequem?

Ela mesma, a "fogueteira do Maracanã", como ficou conhecida a moça que disparou, da arquibancada do estádio carioca, um foguete de sinalização marítima no campo em que jogavam Brasil e Chile.

Rosenery foi alçada à fama porque o foguete que ela disparou naquela decisão por uma vaga na Copa da Itália, em 3 de setembro de 1989, caiu perto do goleiro chileno, Roberto Rojas. Ele aproveitou a ocasião para se infligir um ferimento em um dos supercílios, simulando ter sido atingido pelo foguete. O jogo foi interrompido e Rosenery chegou a ser detida. Mas a farsa foi depois desmascarada, e a fogueteira, nova estrela, acabou estampando a o ensaio principal de uma das edições da revista "Playboy" ainda naquele ano.

Veio fácil, foi fácil, pode-se dizer da fama de Rosenery. O mesmo talvez não se possa dizer de Palin, escolhida pelo republicano John McCain como a vice em sua chapa na disputa pela Casa Branca --a ver após o dia 4 de novembro.

Mas algo que os dois casos têm certamente em comum é o de essas duas mulheres protagonizarem eventos que mexem extraordinariamente com as nossas paixões; eventos que nos envolvem emocionalmente em uma dimensão acima da média dos eventos cotidianos.

É o caso das eleições americanas e daquele jogo de futebol.

Guardadas as devidas proporções, após esses dois acontecimentos um novo futuro poderia (e pode) emergir: o Brasil corria o risco de ficar fora da Copa; e a maior superpotência do mundo terá em breve um novo líder político. Quanta ansiedade, esperança, receio não são mobilizados em cada pessoa que acompanha assuntos como esses?

O caso de Palin tem ainda tempero adicional: sua filha, de apenas 17 anos, está grávida. E não é casada. Preceitos morais dos eleitores são convocados a participar do julgamento sobre Palin, aquele julgamento que todos fazemos, conscientemente ou não, acerca dos que nos cercam. E preceitos morais dialogam constantemente com nossas emoções. Palin é, então, herói ou vilã, perguntam-se os que foram atraídos por sua participação na campanha eleitoral.

Personagem que oscila entre o bem e o mal, peça fundamental numa trama cujo desenrolar pode mudar nossas vidas, ela é tão interessante quanto Darth Vader ou o Batman encarnado por Christian Bale.

É esse um dos segredos das narrativas que nos atraem, mexer com nossas paixões. Isso não é novidade. Nem o fato de que jornalismo é também narrativa.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h00

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Suposta virgindade

Meu leitor Takata faz uma boa ponderação sobre o ceticismo jornalístico:

É ótimo que os jornalistas tenham essa visão mais crítica [sobre as confissões obtidas pela polícia].

Mas às vezes parece haver um exagero do uso da palavra "suposto". Por exemplo: "A funkeira Caroline Miranda recebeu proposta de R$ 500 mil para perder a suposta virgindade num filme pornô." 

Para mim, como leitor, isso ("suposta virgindade") beira (ou ultrapassa) o limite da ofensa.

Creio que haja outros modos de se falar sobre isso sem comprar a alegação, mas sem colocar em suspeição automática e ostensiva.

Imagine assim: "Um homem, supostamente chamado Fulano da Silva, que alega ter X anos de idade e declara trabalhar com imóveis...". Começa a parecer mais uma falta de boa apuração para verificar mesmo as declarações e eliminar a necessidade de uso dessas expressões.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h41

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Há preconceito nos impressos?

Minha leitora Fabiana, de Recife, trabalha em TV mas cogita mudar para impresso.

Ela ouviu dizer que há nos jornais preconceito contra quem trabalha nos meios eletrônicos (pelo jeito existe mesmo essa conversa por aí, pois noutro dia um leitor com experiência em rádio se queixou da mesma coisa).

Ela escreve:

Há quase 4 anos trabalho em TV (antes de me formar como estagiária e há 2 anos como repórter).

Gosto da linguagem do telejornalismo, mas por já ter passado por impresso (estagiei durante um ano e meio em um jornal aqui no Recife) ainda sinto que o repórter de jornal tem mais liberdade para atuar que o de TV (já que dependemos de produtores, editores, cinegrafistas...).

Também sinto falta do espaço que se tem em impresso. Hoje preciso resumir uma reportagem de "página inteira" em, no máximo, 2 minutos de matéria.

Sinto vontade de voltar a trabalhar em impresso. Mas tenho medo já que, segundo alguns colegas, as redações têm preconceito contra quem trabalha em TV. Isso é verdade? O que posso fazer para tentar voltar a trabalhar em jornal?

Há preconceito nos jornais?

Acho possível. Mas não acredito que seja generalizado.

O que um editor de impresso valoriza quando vai selecionar um candidato? O que ele olha num currículo?

1) se o repórter tem fontes, sabe o que é jornalismo, domina a área que vai cobrir
2) se sabe escrever direito
3) se tem pique para jornal diário, consegue trabalhar sob pressão
4) se gosta de jornal diário, vai estar motivado no trabalho

Outras coisas podem pesar, como a personalidade do candidato, seu conhecimento do jornal, da cidade etc.

E sempre vai variar de acordo com a vaga --se é temporária ou definitiva, se é sênior ou júnior, se a equipe é grande ou pequena etc.

Mas os principais requisitos são aqueles quatro ali em cima.

Aquele leitor que vinha do rádio, por exemplo, conseguiu emplacar dois frilas numa revista e cobre férias hoje num jornal.

Ou seja: pode até haver preconceito. Mas é possível vencê-lo com as qualidades certas, empenho e perseverança.

Como é a seleção na Folha

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h00

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Mesmo as vítimas podem mentir

Cobrir casos policiais é algo muito complicado num país como o Brasil, em que confissões são obtidas sob tortura.

A história dos rapazes soltos depois que um maníaco confessou o crime que era atribuído a eles está tão longe de ser a primeira quanto de ser a última.

O que nós, jornalistas, temos que fazer é:

  • desconfiar de "confissões" (e isso inclui a do maníaco, certo?)
  • quando possível, apurar em vez de depender apenas de afirmações da polícia
  • quando isso não é possível, deixar claro que se trata da versão da polícia, não da verdade
  • procurar outras versões e publicá-las (no caso em questão, a mãe da moça não acredita que os rapazes soltos sejam inocentes e tem argumentos para tanto)
  • não pré-julgar quem ainda não foi julgado, seja para condenar, seja para inocentar

É fato inquestionável que tortura policial é crime e deve ser noticiada.

Mas um preso torturado não vira inocente automaticamente.

O cuidado com a informação tem que ser o mesmo sempre.

Zen-budismo na reportagem
Polícia prende o homem errado
Elio Gaspari fala sobre um caso de confissão falsa
Confissões perigosas

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h54

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Acompanhe uma revista sendo feita

A Wired criou um blog em que vai mostrar passo a passo como está sendo feita o perfil do roteirista Charlie Kaufman em sua edição de novembro, me avisa MARCO AURÉLIO CANÔNICO.

A idéia é ir publicando tudo em tempo real: trocas de e-mails, pautas, rascunhos etc.

E no site da SPD (sociedade de designers gráficos) há também um passo-a-passo mais voltado para a área visual (embora também se discutam os conceitos da matéria).

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h10

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Receita para descobrir fraudes (e dar o furo)

relato do ALENCAR IZIDORO sobre como descobriu a fraude na licitação do lixo em São Paulo é um ótimo exemplo de como surgem as reportagens importantes.

Se você analisa a apuração dele e retira dali os passos principais, a receita é clara. O que foi que ele fez?

  1. estudou o assunto. Quer cobrir administração municipal? Entenda o que é uma licitação, quais os passos, as regras, como funciona
  2. organizou-se e perseverou. O caso se arrasta por meses? Agende-se para acompanhá-lo durante meses
  3. não descartou hipóteses. Só o que há são rumores? Não espere que a informação caia pronta no seu colo. Se muita gente diz a mesma coisa, pode ter uma pauta ali.
  4. falou com as fontes mesmo sem matéria. Fontes não servem só para dar declarações ou informação para ser publicada. Repórter que sempre fala com elas, só para saber o que vai se passando, entende melhor do assunto quando a notícia aparece
  5. cultivou as fontes e colheu resultados. Se você mantém uma relação de confiança, a chance de ela começar a dar informação exclusiva em algum momento aumenta (um post sobre o assunto)
  6. foi crítico o tempo todo. Lembrar-se de que todo mundo tem um interesse envolvido e não ser ingênuo nem ser usado pelas fontes é obrigação do jornalista
  7. documentou. Entrevista é só uma parte da apuração. Não se fie só em declarações

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h31

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Em Brasília

Em Brasília

Estão abertas as inscrições para o primeiro curso de extensão em jornalismo jurídico, promovido pelo Iesb. Com duração de 40 horas, terá início em 15/9 e será ministrado por Luiz Gustavo Rabelo (ex-JB e Correio Braziliense), também bacharel em Direito e atual analista do STJ. Informações pelo www.iesb.br

Também estão abertas as inscrições para o 5º Curso sobre Comércio e Negociações Internacionais para Jornalistas, que se realizará de 6 a 10/10, em Brasília. O curso é gratuito, e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail mtachinardi@gmail.com

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h16

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Políticas sociais

Políticas sociais

A Andi tem um programa de qualificação de estudantes de jornalismo na cobertura de políticas sociais.

Estão abertas as inscrições para o curso de extensão "Jornalismo e Políticas Públicas Sociais", uma das ações desse programa.

As aulas acontecem dia 29/9, às segundas-feiras, das 10 às 13h, na Escola de Comunicação e Artes da USP, em São Paulo.

Temas como formulação de políticas públicas, orçamento, eleições e direitos humanos farão parte das discussões.

As inscrições são gratuitas e abertas. Informações pelo telefone (11) 3091-4058 ou pelo e-mail politicaspublicas@andi.org.br

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h25

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Notícias cifradas

(*)

Mencionei na semana passada uma reportagem da Folha Online, que conhecia antecipadamente o resultado de uma licitação de obra do metrô e, para poder provar que houve o vazamento, publicou a informação "escondida" numa reportagem sobre música.

Meu leitor Leonardo, de Londrina, ficou com dúvidas sobre esse procedimento:

1. Se a licitação era fraudulenta, não seria melhor que a Folha desse o furo, de modo que a licitação fosse abortada antes de acontecer oficialmente?

A reportagem da Folha Online não diz que houve fraude, mas mostra que o resultado havia vazado, o que, por si só, já é um problema.

Mas a pergunta principal neste caso é se não teria sido melhor noticiar o problema antes. Faria sentido se se tratasse de um crime consumado: por exemplo, se eu sei que um sujeito vai matar o vizinho, não vou fazer uma reportagem cifrada sobre isso e ficar esperando ele matar pra mostrar que eu já sabia antes.

Aqui o caso é outro. Publicar antes seria alertar o governo para que sustasse a licitação. E esperar o resultado não provocou prejuízo algum a ninguém.

2. Esperava-se que algum leitor "decifrasse" a notícia?

Não! A idéia era justamente que os fatos estivessem publicados sem que ninguém se desse conta disso.

3. A notícia (que foi cifrada) obedece a critérios de objetividade? Pelo fato de a notícia sobre a licitação ter sido ocultada em outra matéria, é possível considerá-la objetiva?

Responde o editor-chefe da Folha Online, autor da reportagem: "A notícia que escondeu a "informação cifrada" obedece a todos os critérios de objetividade, história e jornalismo. É um texto sobre música clássica e todas as informações contidas nele são verdadeiras. A história de Strauss é aquela. Os personagens citados, a história, o estudo etc., tudo está correto". Só como curiosidade, Feltrin estuda teoria musical desde os cinco anos de idade e toca piano.

4. Qual é a graça de dar um furo escondido?

Não é uma questão de "graça", mas de pertinència. A informação foi disfarçada pelos motivos explicados acima. Mas o furo veio à tona depois do resultado. É como brinca o Feltrin: "O furo foi escondido? Então por que estamos falando sobre esse assunto?"

(*)


OUTRA FORMA DE ANTECIPAR SEM ASSUSTAR A LEBRE

O recurso de publicar de forma cifrada uma informação, lançado por JANIO DE FREITAS no clássico caso da ferrovia Norte-Sul.

Mas há outras maneiras, como que usou meu colega ALENCAR IZIDORO na matéria "Documento aponta acordos em licitação". Nesta, eles registraram em cartório o resultado. Como conseqüência da reportagem, a Justiça chegou a suspender a licitação.


Ele conta:

Na época fiquei durante meses acompanhando os desdobramentos da licitação da coleta do lixo _que era a maior da prefeitura, no valor de R$ 10 bilhões. Ouvia comentários de vários setores de que havia uma combinação complexa de resultados tramada durante meses e que abrangia inclusive compensações para as perdedoras por meio de outra concorrência, a da varrição.

Em off, executivos das principais empresas envolvidas inclusive admitiam os acertos.

Uma fonte minha ligada a uma das empresas e que acompanhou de perto os "acordos" _tendo inclusive participado de boa parte das reuniões_ começou a me passar diversos detalhes.

Eu sabia qual era seu interesse: embora participando do acerto, ele estava insatisfeito e, por isso, resolveu "melar".

Após uma das reuniões definitivas, um participante colocou no papel os detalhes do que havia sido combinado (incluindo quem seria classificado em qual lote, quem ganharia em qual lote, com quais os valores, quem seria compensado por meio de outras concorrências e os interlocutores do acerto).

Obtive uma cópia do documento e, após discutir com a edição, resolvemos registrá-lo em cartório. Começamos a perceber que as informações batiam com outras apurações e fatos e, quando da abertura dos envelopes, foi quase tudo confirmado.

Daí resolvemos publicar. Semanas e meses depois surgiram outras informações que só avalizaram as informações. Por exemplo, grampos telefônicos que envolviam Rogério Buratti e outros executivos de empresas de lixo falando das combinações.

(*)

(*) As ilustrações são mensagens cifradas trocadas entre políticos portugueses, recolhidas ao acaso num blog.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h40

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Montanha, rato e ratoeira

Minha ex-trainee Barbara Castro se irritou com uma notícia no site da CNN.

O título era "Divórcio assombra sobreviventes do Katrina" (ou, literalmente, divórcio persegue sobreviventes). Mas, quando ela foi ler atraída pelo enunciado, teve uma decepção:

O jornalista conta a história de apenas um casal que teve esse problema e compra as declarações de um voluntário de um grupo religioso que ajuda na reconstrução de New Orleans --ele diz que as taxas de divórcio aumentaram, mas não dá número algum. Não tem nenhum dado, nenhuma estatística, nada. Meio irresponsável, não? Não vi nada ali que pudesse justificar o título e segurar a matéria.

É um caso de título montanha que pare matéria rato.

Em geral, acontece por pressa ou descuido e não por uma vontade deliberada de enganar o leitor.

Mas, lendo o texto, fiquei com a impressão de que se tratava de outra coisa: essa matéria no site é uma isca para atrair a participação do leitores na seção "conte sua história" que aparece justamente quando a matéria fala da falta de dados, neste parágrafo:

But the state is not keeping statistics on the number of divorces in a post-Katrina world. iReport.com: Has Katrina impacted your relationships?

É um recurso útil quando você precisa de personagens ou quer incentivar a discussão de um tema relevante. Mas tem que ser feito com cuidado para que o leitor mais inteligente não se sinta ludibriado, como aconteceu com a Barbara.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h34

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Dicas de quinta mão

Não queiram ver a bagunça que é minha escrivaninha...

Pois hoje, tentando atenuar a catástrofe, achei duas folhas xerocadas do livro "Para Viver um Grande Amor", do Vinicius (de Moraes) sobre como fazer um bom texto.

Era uma dica do meu colega BRENO COSTA que ficou submersa na bagunça.

Mas de hoje não escapa. Repasso-as a vocês, pois elas vêm sendo passadas de mão em mão: Vinicius as resumiu do livro "The Elements of Style", de William Strunk Jr. Na verdade o que ele leu mesmo foi uma crítica publicada no "El País".

Não vou transcrever o texto do Vinicius, para não estragar a graça de quem quiser lê-lo (meu leitor Takata avisa que dá para ler no site oficial). Vou só resumir.

De Strunk para o "El País", do "El País" para Vinicius, de Vinicius para o Breno, do Breno para mim e, finalmente, de mim para os leitores do blog:

  1. esqueça o que "não é". Em vez de "não costumava atrasar", prefira "chegava sempre na hora". Em vez de "não teve sucesso", escreva "fracassou".
  2. seja concreto. Em vez de "o clima era muito seco", vá de "não chovia havia dois meses".
  3. seja breve. Troque "prometeu adotar medidas de contenção dos furtos" por "prometeu combater os furtos"
  4. abaixo introduções. Se você vai contar algo trágico, não precisa antecipar que "o que ocorreu foi trágico". Vale para qualquer outra introdução. Deixe que os fatos falem por si.
  5. não enfeite. Isso a gente já falou muito aqui no blog: o bom texto não é feito de um monte de palavras bonitas enfileiradas de forma rebuscada. Texto é informação. Quanto mais informação, melhor ele fica.
  6. menos ego. Não tente parecer bom ou diferente. Tente escrever de forma clara e interessante. É o texto que conta, não você.
  7. contra adjetivos, use substantivos. E verbos. Aqui eu vou transcrever o Vinicius: "Não há adjetivo no mundo que possa estimular um substantivo exangue ou inadequado; isto sem subestimar adjetivos e advérbios, quando corretamente empregados. Mas a verdade é que são os nomes e os verbos que dão sal e cor ao estilo".
  8. seja claro. Frases curtas ajudam nisso.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h35

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Jornalismo científico

Jornalismo científico

Foi adiado para 4/9 o início do curso de redação e divulgação científica na USP. Ainda é possível se inscrever.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h48

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Se o que a fonte fala é grego pra você

Se o que a fonte fala é grego pra você

E pode ser grego para ela também.

É a pedreira que geralmente cabe aos enviados especiais a lugares em que se fala parsi, russo, chinês ou uma das centenas de idiomas africanos.

A saída é um intérprete, com as dificuldades que isso traz.

Minha leitora Ivy, de São Paulo, queria saber como é que se trabalha com um "intermediário". E quem responde é meu colega IGOR GIELOW, que falou justamente sobre o assunto na semana de palestras:

Ivy - Como fazer as perguntas para o intérprete? Tem horas que é difícil se expressar em português, como é se expressar numa língua que não se domina?

Igor Gielow - Bem, você tem que ter domínio da língua na qual vai falar com o intérprete, seja inglês, espanhol ou javanês. Sem isso, não poderá pareceber eventuais problemas. Logicamente, às vezes o inglês do sujeito é tão ruim que você corre algum risco de perder algo na tradução, mas é do jogo.

Ivy - É possível confiar no intérprete? O Igor tem alguma dica de como saber se o intérprete está falando a verdade ou não?

IG - Aí é só no dia-a-dia. Você consegue às vezes perceber por exemplo uma longa explicação ser resumida a uma ou duas palavras. Isso geralmente é problema.

Ivy - Como o Igor acha os intérpretes? São jornalistas, pessoas que já lidavam com comunicação?

IG - Depende. Em lugares conflagrados, o mais comum é um jornalista local se apresentar como tradutor e "fixer", ou seja, o cara que te ajuda com tudo (transporte, contatos etc.). É o mais prático. Inevitavelmente eles habitam lobbies de hotel, um sempre irá te achar. Em outros lugares, como na Rússia, o contato foi por conhecidos uma vez; Poderia ter sido feito via embaixada, por exemplo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h25

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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