Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

De pára-quedas na Redação


O fato é que não há mesmo um "caminho certo" na nossa vida profissional. Você tenta, tenta fazer um estágio e não consegue, porque os jornais da sua cidade fecharam acordo com outras faculdades.

Você imagina que, sem experiência, ninguém nunca vai te dar uma chance. Talvez o treinamento seja sua última esperança. E aí uma porta se abre e você cai direto na editoria mais agitada da Folha, como no túnel da Alice (no País das Maravilhas).

Foi o que aconteceu com a minha recém-colega BRUNA SANIELE. E eu conto aqui para reforçar: não se deixem abater se não passarem numa seleção.

Semana passada participei da 46ª semana de palestras do programa de treinamento.

Durante a semana, a Ana manda para o grupo algumas vagas abertas no jornal e me inscrevi para uma cobertura no caderno Cotidiano. Fiz a entrevista com o editor na sexta-feira e avisei que não tinha nenhuma experiência em redação.

Veio sábado e domingo, voltei para BH. E na segunda de manhã, enquanto conversava pelo msn com um amigo que participou da semana de palestras, recebi um e-mail da Ana.

Nossa, na hora gelei. Achei que era o resultado do trainee. Mas a mensagem dizia que tinha passado na vaga para Coti e que o editor precisava saber se eu ia querer.

A Ana me ligou, topei na hora, e saí de BH para começar na redação de Coti na terça.   

Na terça de manhã fiz um curso para aprender o programa usado na Folha e fui para a redação. Nossa, vocês nem imaginam o que a mistura de medo e expectativa faz com a gente.

Nesse dia o pauteiro não me passou nada. Disse que o dia estava mais tranqüilo e que era para eu ficar observando a redação, vendo como as coisas funcionam.

Só observar o dia-a-dia da Folha já é uma escola. Ainda por cima sentei ao lado de um repórter superexperiente que estava tirando de letra três matérias para o dia seguinte. Fiquei pensando se eu um dia chego lá..rs

A melhor hora de observar a redação é a hora do fechamento. No Coti o primeiro é às 20h (edição nacional) e o segundo, às 22h (edição SP-Brasília). Na hora do fechamento, os redatores ficam cobrando dos repórteres as matérias e a redação fica uma confusão.

Uma confusão legal porque achei o clima muito bom.

De vez em quando surge uma matéria inesperada e aí sai alguém da redação para cobrir. E quando essa pessoa chega lá está o editor e o pessoal da arte para combinar como vai ficar a matéria.

Na quarta, na quinta e na sexta, auxiliei um repórter que cobre educação. Fui fazer o outro lado de uma matéria que sai nos próximos dias. E continuei observando a redação e aprendendo muito assim.

Eu quero aproveitar todos os minutos que posso e parar de me sentir tão foca. Não sei se vocês se lembram de um post da Ana no qual ela conta que ficou um ano sonhando com o jornal quando entrou. Tem quatro dias que estou na Folha. Mesmo com saudade da minha família e do meu namorado que estão lá em Bh, foi com o jornal que sonhei nesses dias.

Ontem (sexta, 29), pedi para trabalhar hoje porque não ia para BH e queria ver como funciona a redação em um plantão. Mas fui vetada pelo editor. Ele me mandou controlar a ansiedade, ir ao Masp, conhecer São Paulo e chegar na reunião geral da segunda com duas pautas.

Depois de contar um pouco da minha semana para vocês, é isso que eu vou fazer. E se vocês tiverem boas idéias de pauta, não deixem de me ajudar!  

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h32

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Xico Sá indica

Xico Sá indica

Para fechar o ciclo, seguem as dicas de leitura de XICO SÁ:

  • A alma encantadora das ruas -João do Rio
  • Um Bom Par De Sapatos E Um Caderno De Anotaçoes -- Como Fazer Uma Reportagem -de  Anton Tchekhov
  • Balas de Estalo - reunião crônicas políticas e de costumes de Machado de Assis
  • Dez dias que abalaram o mundo - John Reed
  • Paris é uma festa - E. Hemingway
  • Na pior em Paris e Londres - George Orwell
  • O SEGREDO DE JOE GOULD, de Joseph Mitchell  (AULA GENIAL DE COMO FAZER UM PERFIL DE UM PUTA PERSONAGEM PRATICAMENTE ANÔNIMO)
  • Tudo de Nelson Rodrigues, claro
  • Malagueta, perus e bacanaço -João Antônio
  • Vidas Secas - Graciliano Ramos
  • "Bartleby, O Escriturário" - de Herman Melville
  • A milésima segunda noite da av. paulista - Joel Silveira
  • Dicas úteis para uma vida fútil -um manual para a maldita raça humana - Mark Twain
  • O perigo da hora - o século XX nas páginas do The Nation (textos de Kurt Vonnnegut, H.L. Mencken, Gore Vidal, John dos Passos entre outros bambas) -tem uma tradução brasileira da editora Scritta

Cinco autores por Ruy Castro
Provocações de Janio de Freitas
As sugestões de Elio Gaspari

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h01

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O clássico de um caçador

O clássico de um caçador

Era o primeiro governo civil depois da ditadura e os jornais ainda testavam que liberdade teriam para noticiar corrupção.

Meu mestre JANIO de FREITAS juntou as peças que mostravam jogo de cartas marcadas em obra bilionária ligando o Maranhã a Brasília --a chamada ferrovia Norte-Sul.

Se o jornal publica, porém, dá o alarme para que o governo aborte a concorrência.

Como fazer para dar o furo sem assustar a lebre? Janio e o publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, acharam uma forma que virou um clássico no jornalismo brasileiro --e que foi adaptada hoje pela Folha Online, em reportagem sobre obra do metrô.

Amantes da investigação podem ler o próprio autor contando como foi o episódio neste texto, encontrado pelo Marcelo Soares.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h28

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Jornalismo de ficção?


por CRISTINA MORENO DE CASTRO:

Não faz muito tempo que o Alec Duarte nos contou como está sendo a cobertura da Olimpíada na China --com todas as dificuldades de fechar um jornal a 11 fusos horários do foco da notícia.
 
E ultimamente estamos discutindo fotos e capas de jornal, soluções bem-humoradas para jornalismo esportivo etc.
 
As duas coisas me remeteram imediatamente a esta capa aí de cima, que o Correio Braziliense fez na Copa do Mundo de 2002, na véspera da partida entre Brasil e Inglaterra. Para quem não se lembra, a partida seria umas 5h30 da manhã do dia 21 de junho, na Coréia (ou no Japão?), portanto muito depois do fechamento dos jornais. Assim, os impressos de 22 de junho não tinham como estampar o resultado do jogo, apenas suas conjecturas.
 
E o que o Correio fez? Separou sua capa ao meio, amarela em cima e vermelha em baixo. Abaixo do anúncio "para ler em caso de vitória do Brasil", Ricardo Noblat imaginava:
 
"se os ingleses inventaram a arte de 22 homens suarem sangue e derramarem lágrimas pela posse de uma bola, fomos nós que reinventamos o que um dia foi invenção deles, assinamos embaixo do que se tornou uma obra original e a registramos nos cartórios de todas as praças possíveis."
 
Abaixo da frase "para ler em caso de derrota do Brasil", Luiz Alberto Weber falhava em sua previsão e ainda atribuía um culpado:
 
"Em nome da verdade, somente da verdade, este escrivão, juramentado na Delegacia de Crimes Contra a Paixão Popular, vem de público relatar que estava de plantão nesta madrugada de sexta-feira, 21 de junho de 2002,  quando pela televisão, cuja imagem tremia em sinal de maus presságios, testemunhou um 121 , isto é, um homicídio; que no exato momento do delito, que deixou estendidos no chão os corpos de 11 brasileiros e desmanchou o sonho de um país que sonhava acordado, notificou a presença na cena do crime de um indivíduo de tez alva, aparentando 25 anos, que trazia o brilho do mundo nos olhos; que soube chamar-se Beckham..."
 
A questão é: isso é jornalismo ou literatura? Na incapacidade de noticiar um fato vivido, o Correio abusou da imaginação, em textos caprichados, e supôs o que ocorreria algumas horas depois de seu fechamento.
 
No dia seguinte, trocentos leitores viram essa capa nas bancas e escolheram ler só a dobra de cima: menos ficção, mais realidade. E acho que os outros jornais devem ter ficado com a sensação de terem levado um furo, embora fosse um furo fruto exclusivo da sacada criativa de alguns jornalistas.
 
Houve quem criticasse a decisão do Correio, é claro. Como eu ainda me lembro vivamente dessa capa mais de seis anos depois de sua publicação, tendo a discordar dos críticos. Mas eu gostaria de saber a opinião de vocês: até onde deve ir a ousadia de um jornal, a desafiar inclusive sua maior matéria-prima -- a realidade?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h57

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Uma semana de reportagens

Meu colega e professor EVANDRO SPINELLI chama a atenção para bons exemplos de reportagem que saíram nesta semana:

No domingo, a Folha publicou uma extensa (e excelente) reportagem dos jornalistas Mário Magalhães e Joel Silva sobre o trabalho degradante no corte da cana no interior de São Paulo (quem assina FSP ou UOL pode ler aqui).
 
Desde domingo, os jornais Estado de Minas, Correio Braziliense e Diário de Pernambuco vêm publicando uma série de reportagens batizada "Sangria na Saúde" que contam com a de Thiago Herdy e Paulo Rebêlo (nossos colegas da Abraji) sobre desvio de recursos na área da saúde. Também um fantástico material (link para matérias de domingo, segunda e terça).
 
Quero crer que este seja o renascimento do que se convencionou chamar de jornalismo investigativo no Brasil e não apenas mais um soluço.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h14

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Jornalismo cultural e científico

Jornalismo cultural e científico

Meu leitor José Ricardo avisa:

A Unicamp vai abrir mais uma turma de seu curso de mestrado em jornalismo cultural e científico. Todas as pessoas com graduação em qualquer curso reconhecido pelo MEC podem se inscrever. As inscrições vão de 15 de setembro a 20 de outubro e o candidato precisa entregar um projeto inicial sobre a pesquisa que deseja desenvolver. Pelo que ouço falar do curso, os professores são excelentes.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h55

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O que fazer quando a fonte chora?

O que fazer quando a fonte chora?

Meu leitor Paulo, que estuda jornalismo na Metodista, conta esta história. O que vocês acham? Como reagiriam? Alguém já se viu em situação semelhante? Como saiu dela?

Sou repórter de um portal de notícias do ABC Paulista, e fui entrevistar um presidente de um clube de futebol que, por muito pouco,
não alcançou a elite do cenário estadual na década de 80. Hoje, é um senhor debilitado, fala pouco e aparece menos ainda em público. Ao
falar com ele, aproveitei para explorar a memória e a história do clube, e perguntei:

"O que vem à cabeça do senhor quando lembra daqueles instantes finais do jogo decisivo, quando, com a derrota, acabou o sonho de chegar à Primeira Divisão, que viria com um simples empate?"

Ele começou a chorar. E não parava. Foram ali, contando por cima, uns três minutos que eu não tive reação, ele não parou de olhar para minha cara e chorar, nenhum dos repórteres que rodeavam o entrevistado interrompeu, simplesmente ficamos ali, esperando ele se recuperar.

Analisando friamente hoje, talvez tivesse tentado puxar um outro assunto, cortar o clima, não sei.

O que fazer?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h07

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vícios de linguagem

A Sabrina, de Três Rios, avisa deste post do blog do MARCELO COELHO sobre vícios de linguagem.

Clichês e seu magnético poder

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h59

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Mapa diz mais rápido

ASSASSINATOS DE CANDIDATOS
OU ATENTADOS À BALA NESTAS ELEIÇÕES

O mapa acima foi feito por meu prof Marcelo Soares no seu blog E Você com Isso.

Ele usa um recurso simples do Google, que já contamos aqui outro dia (leia aqui).

E é um daqueles típicos casos em que o mapa conta muito mais rápido que um texto, não acham?

 

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h41

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5 autores

5 autores

RUY CASTRO faz as indicações de hoje:

Cinco livros é difícil. Serve cinco autores?

Rubem Braga, Millôr Fernandes, Carlos Heitor Cony, Joel Silveira e o Paulo Francis dos anos 60.

Escrever "como eles", depois que se aprende, não tem muito problema.

O problema é o sujeito se tornar eles -- ou seja, ter a cabeça que permite escrever aquelas coisas...

Provocações de Janio de Freitas
As sugestões de Elio Gaspari

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h25

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Literatura não ajuda a escrever bons textos

Literatura não ajuda a escrever bons textos

A provocação é de meu mestre JANIO DE FREITAS, instado por MARIO MAGALHÃES a indicar livros para jornalistas.

Mas ele faz a ressalva: textos de noticiário. E, dito isso, dá ótimas dicas:

Livros a recomendar, não tenho. Se interessar um palpite, ei-lo.
 
1- Não tenho convicção de que literatura seja importante como ajuda para escrever bons textos de noticiário. Repito: de noticiário. Mas a leitura atenta de Machado, Eça, Lima Barreto, por exemplo, pode ajudar a desenvolver o gosto pelas palavras, em seus sentidos mais afinados e suas combinações mais resultantes.
A leitura de textos entre o jornalismo livre e a literatura me parece ainda mais útil (e mais fácil de ler nestes tempos). São os textos dos cronistas, com realce para Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, depois Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.
 
2- Dicionário. Criar o hábito de consultá-lo quando houver dúvida sobre o melhor sentido de uma palavra, não só quando se está lendo, é de imensa ajuda para a precisão e a inteligibilidade do texto jornalístico. E para evitar a mediocridade dos textos cujos autores escrevem sempre com as mesmas palavras, ignorantes até dos sinônimos mais singelos. Bem portátil, o Mini Caldas Aulete é bastante bom.
 
3- Uma chave importante, talvez a mais importante, para o repórter que quer aprimorar o seu texto, é ler jornal com este propósito. Ler com atenção os textos que mais agradem, e procurar descobrir por que agradam, estudá-los mesmo. Se o autor for alcançável, não há motivo para desperdiçar uns papos com ele sobre redação, estrutura de notícia, diferentes técnicas de texto, e por aí (a meu ver, não há melhor maneira de aprender: foi assim que se formaram os melhores escritores de jornalismo que conheci, aqui e no exterior).   [Para ter uma idéia de como se pode estudar um texto, leia post em que faço isso com um artigo]   
 

As sugestões de Elio Gaspari

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h07

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Reportagem em Brasília

Reportagem em Brasília

A UnB vai fazer um curso de extensão sobre reportagem, de 6/9 a 28/11.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h01

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Mídia on-line

Mídia on-line

Estão abertas as inscrições para o 2º seminário internacional de mídia on-line, de 9 a 11 de setembro, em São Paulo. É de graça e as vagas são limitadas.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h13

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Humor no jornalismo

A turma de treinamento em jornalismo gráfico teve hoje uma aula do Claudio, cartunista do jornal "Agora", que tem também um blog.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h30

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Jornalista pode falar do que é bom?

Meu leitor Leonardo, de Londrina, faz uma ótima pergunta. O que vocês responderiam?

Dias atrás ouvi por uma rádio a avalição de um cientista político sobre os candidatos à prefeitura da cidade. Ele dizia entre outras coisas que, "exceto por alguma ou outra proposta responsável, os candidatos, em geral, se mostravam inseguros para o cargo".

Não me recordo exatamente das palavras utilizadas, mas o teor da entrevista foi esse.

O que mais me chamou a atenção foi o "alguma ou outra proposta responsável". Não resisti à tentação da curiosidade de querer saber o que havia de tão bom entre os candidatos "inseguros" ou "despreparados".

Na mesma medida em que é um serviço público, é muito claro também que o jornalismo sério não se presta a interesses eleitoreiros, nem serve de instrumento de propagada para este ou aquele candidato em campanha.

Só que, mesmo assim, a curiosidade às tais "propostas responsáveis" permaneceu, entre outras coisas, pelo fato de vir de um especialista no assunto --de quem, pelo menos, presume-se isenção.
 
Qual você acha que  deve ser o comportamento do jornalista nesse tipo de situação? O eleitor deve ter o direito de saber quais as boas proposta dos candidatos, quando houver, de maneira a ajudá-lo a decidir seu voto? Isso é possível sem descambar para a propaganda política ou esbarrar nas restrições impostas pelo TSE ao comportamento de jornais, rádios e tevês durante as campanhas?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h18

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As sugestões de leitura de Elio Gaspari

As sugestões de leitura de Elio Gaspari

Meu colega MARIO MAGALHÃES divide com os leitores do blog as indicações de bons livros para jornalistas que recolheu durante a semana de palestras.

Foram quatro os "sugerentes", todos colunistas da Folha, com textos fenomenais: ELIO GASPARI, JANIO DE FREITAS, RUY CASTRO e XICO SÁ.

Seguindo a velha tática maquiavélica do "Faça o mal numa tacada só e o bem aos pouquinhos", vou colocar a cada dia uma das listas.

Vai, então, a do Gaspari (nas palavras dele mesmo):

  1. Machado de Assis. Qualquer um. Tem efeito balsâmico, o sujeito lê à noite e escreve melhor no dia seguinte.
  2. Manuel Bandeira, qualquer coisa. Ajuda a gostar das palavras.
  3. Mencken. Em matéria de estilo devastador, é o pai da matéria. [Dois livros dele foram traduzidos para o português: "O Livro de Insultos de H.L. Mencken", seleção e tradução de Ruy Castro, editado pela Companhia das Letras - São Paulo, 1988, esgotado;  e "Os Americanos", edição portuguesa, Antigona, 2004].
  4. A reportagem de Hiroshima do John Hersey. Saiu em português [Companhia das Letras, série Jornalismo Literário].
  5. Para ter uma coisa atual, o capítulo da morte do Sérgio Vieira de Mello da Samantha Power. O livro acaba de sair.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h42

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Roteiro para um novo front

Um leitor com experiência em rádio e frilas para revistas vai começar a trabalhar em jornal diário e me pergunta o que esperam dele nesse novo mundo jornalístico.

A rotina num jornal diário geralmente é assim:

  • muito trabalho (dependendo do tamanho do jornal, mais de uma pauta por dia)
  • redações enxutas
  • pressão de tempo (pois há horário fixo de fechamento, o chamado deadline)
  • bastante exigência de qualidade (porque o erro fica impresso, não é fácil de corrigir como no on-line ou no rádio).

Como ele já trabalhava bastante na rádio, já deve ter algum preparo. Mas na nova função terá uma exigência a mais:

  • texto correto, bem encadeado, sem erros de gramática

Pode parecer fácil, mas só quando começamos a trabalhar num meio impresso é que nos damos conta do quanto não sabemos escrever. Aí, também não há segredos:

  • quanto mais se escreve, mais se ganha fluência e estrutura
  • é superimportante acompanhar correções feitas. Se mexerem no seu texto, analise as mudanças, entenda como melhorá-lo
  • na hora de escrever, tire sempre dúvidas --na Folha há um consultor todos os dias na Redação. Se no seu jornal não houver, encontre um redator craque que goste de orientar novatos
  • se achar que tem dúvidas sobre algum ponto específico do texto, tente estudá-lo. Se for o caso, ache um professor particular (não é exagero. E funciona!)

Acabei revendo orientações que já havia dado aqui no blog e fiz um miniguia de conselhos para os primeiros dias de trabalho. Terá que ser adaptado às condições de trabalho de cada um, mas serve pelo menos como uma lista de lembretes:
 
Está caindo de pára-quedas num veículo, numa área ou numa função? Nunca comece um dia de trabalho sem ter lido o caderno em que trabalha (Cidades, no caso) de todos os jornais importantes. Isso é fundamental para ter segurança no trabalho. Se conseguir, leia todo o Agora (ou seja, folheie, saiba quais são os assuntos).
 
Te passaram uma pauta e você não entendeu direito o que era pra fazer? Pergunte. Não saia para a rua (ou pegue o telefone) sem entender bem direitinho o que esperam de você.

 
Não sabe por onde começar? Peça ajuda: "Quem você acha que devo ouvir primeiro?". As editorias costumam ter listonas de fontes básicas (aproveite para passar para sua agenda). Consulte colegas mais experientes. Outra opção é fazer uma pesquisa rápida na internet ou no banco de dados online, para ver quem foi ouvido e que informações foram levantadas em reportagens sobre o mesmo assunto já pbulicadas
 
O dia vai passando e você não consegue apurar a pauta? Avise o pauteiro no começo da tarde. Não deixe para o final. A editoria precisa saber cedo que talvez a matéria caia. Não tenha medo de expor os problemas, peça ajuda para resolvê-los. Mas preste bastante atenção no que está fazendo errado, para não ficar sempre repetindo os mesmos erros, ou sempre tendo que pedir ajuda. Seus editores terão (ou deveriam ter) paciência com você nos primeiros dias, mas o que realmente interessa a eles é ter boas reportagens prontas no tempo certo. E isso cabe a você. Depende da sua iniciativa e do seu esforço. Saiba dosar inexperiência e capacidade de aprendizado.
 
Terminou uma entrevista, mas não entendeu muito bem uma parte? Ligue de novo e esclareça. Jornalista não deve ter vergonha de perguntar. Vergonha é escrever bobagem porque não ligou para checar. E é mil vezes pior ter que corrigir no dia seguinte.
 
Está confuso na hora de retrancar, medir o texto, dar título? Peça ajuda. Ligue para o instrutor de informática (se houver, no seu jornal) ou cole num redator mais experiente.
 
Lembre-se também de:
 
  • gravar todas as entrevistas
  • ouvir o outro lado
  • dar retorno: no começo da tarde, relate a seus editores como anda a apuração (atenção, não é pra contar o que você fez em ordem cronológica. É para ir direto ao fato, dizer que notícia você tem)
  • checar muito bem checado nomes (peça para o entrevistado soletrar), cargos, datas, contas (refaça as contas, não confie em contas prontas), números
  • passar o corretor ortográfico
  • tirar dúvidas (de qualquer tipo) antes de entregar o texto

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h44

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Caco Barcellos

Meu leitor Takata sugere a entrevista com Caco Barcellos na Folha Online.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h02

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348.330.136 ótimas opções

Sabe quantas possíveis turmas de dez pessoas é possível tirar dos participantes da 46ª semana de palestras, na foto acima?

Aquele número enorme ali do título!

Não é nada fácil a minha tarefa de escolher só dez. Todos eles são ótimos, todos podem ser bons trainees e excelentes jornalistas.

Vou ter que montar uma de 348.330.136 excelentes opções...

É por isso que em toda semana de palestras eu fico com enxaqueca...

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h01

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Texto

Como fazer um bom texto?

Não há receita certa. Há quem tenha um jeito inato; outros vão melhorando com o tempo; alguns jamais conseguem.

Dá para aprimorar? Sim, disse meu colega MÁRIO MAGALHÃES no último dia da semana de palestras, ontem. E o mote principal foi: (1) leia bons livros.

[parênteses: Mário publica uma excelente reportagem no Mais! deste domingo. Se você não assina a Folha nem pode comprá-la, pense numa opção: empreste do primo, leia na biblioteca da faculdade, peça ao porteiro do prédio para guardar a que o vizinho jogar fora segunda de manhã. Mas não perca, que vale a pena.]

Na conversa, ele repassou aos garotos sugestões de leitura dadas por grandes jornalistas (vou ver se consigo a lista, ou parte dela, para dividir com vocês).

Como é que ler ajuda a escrever? A transição nem sempre é direta.

Até acredito que o sujeito lê Machado de Assis à noite e acorda escrevendo melhor, como disse o ELIO GASPARI, mas na maior parte das vezes a "osmose" é bem mais lenta, gradual e nem sempre segura.

(2) Uma dica bem legal que aprendi com FERNANDO DE BARROS E SILVA, editor de Brasil, foi anotar num caderno boas frases.

Nos dois casos, o que está em jogo é repertório. Ler amplia nosso vocabulário (de palavras, frases, estruturas, analogias); anotar ajuda a fixá-lo.

(3) Meu mestre JANIO DE FREITAS recomenda estudar os textos: leu algo e gostou? Releia para tentar entender porque aquilo é bom.

(4) Um livro essencial que todo jornalista deveria ter é o dicionário de sinônimos. Ele forma meu quadrado mágico de recursos básicos, ao lado dos de regência verbal e nominal e do dicionário comum.

(5) A quinta dica, talvez a mais difícil é: aprenda a apurar direito. Fale com muita gente, observe e anote detalhes, apure o contexto, esclareça todas as dúvidas, relacione os fatos, estabeleça comparações.

Um bom texto não se faz com palavras bonitas. Se faz com boas informações.


ACHADOS

E por falar em boas frases, das que vale a pena registrar, leiam o lide da reportagem abaixo, de PAULO SAMPAIO:

Interno da Febem passa na Unesp e em mais 2 faculdades

Distância entre as cidades e ausência de alojamento impediram que ele cursasse a pública; o jovem, porém, fará química em faculdade privada

Rapaz de 19 anos passou na Unesp de Ourinhos, em geografia; ele é interno em Campinas

Fernando Donasci/Folha Imagem

Rapaz de 19 anos que é interno da Fundação Casa Anhangüera, ex-Febem, foi aprovado no vestibular para geografia da Unesp

PAULO SAMPAIO
DA REPORTAGEM LOCAL

Aprovado no vestibular da Unesp (Universidade Estadual Paulista), o interno T.A.C., 19, da Fundação Casa (antiga Febem) Anhangüera, em Campinas, afirma que suas matérias prediletas são geografia e matemática. Até então, nenhuma das duas tinha sido muito favorável a ele. {quem assina UOL ou FSP pode ler a íntegra aqui} 

É um achado esta frase: até então, a matemática e a geografia nunca haviam sido favoráveis a T.A.C.

Dá vontade até de começar o texto com ela, não dá?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 23h22

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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