A capa do "Estado" de hoje tem um exemplo de casamento entre foto e título:

Há uma diferença em relação aos casos que a gente discutiu aqui nesta semana (neste post), porque aqui o casamento é feito depois da notícia, não antes.
A foto de Jonne Roriz é muito boa (e não é fácil um jornal brasileiro emplacar foto própria quando todas as agências superequipadas estão competindo conosco).
Pessoalmente, prefiro títulos que não sejam tão explícitos. Se a foto já mostra um vôo e já mostra Maurren Maggi, eu tentaria um enunciado que escapasse da redundância.
Uma coisa é preferir. Outra, bem diferente, é propor algo que seja melhor, né?
Tentei achar opções, mas nenhuma me parece claramente superior: "VOLTA POR CIMA", "MAURREN VOLTA PELO ALTO", "A VOLTA POR CIMA DE MAUREEN MAGGI", "VÔO PARA O OURO" ou, até, "O VÔO DA FÊNIX" (que eu acho meio clichê, meio piegas, mas foi uma das idéias que me ocorreram nos 30 minutos em que pensei no assunto durante uma caminhada matinal).
Alguém aí tem uma idéia melhor? Qual a opinião de vocês?
De qualquer forma, está tudo certinho com o jogo ali de cima: a notícia é essa, a imagem é linda e o casamento é oportuno.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h19
Na sua opinião, uma imagem terrível de guerra:
a) deve ser publicada, pois chacoalha o público para a realidade
b) não deve ser publicada, pois anestesia o público para atrocidades
A questão não é simples mesmo para quem vive de refletir sobre o mundo, como a escritora Susan Sontag. Num texto publicado em 2002 pela revista "New Yorker" que IGOR GIELOW indicou aos pré-trainees da semana de palestras, "Photography’s view of devastation and death", ela tende para alternativa a.
De certa forma, ela revê posições que tinha em 1968, em outro texto clássico, "On Photograph".
Soco no estômago - um caso concreto de dúvida Justamente por ser forte, deveria ser mostrado A questão da cor nas fotos fortes Uma imagem forte no futebol Contexto dá o limite entre o sensacional e o sensacionalista Quando menor é melhor
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h42
Ele é um trambolho, nota zero em projeto gráfico. Não tem uma foto. E o texto é pesado, maçante. Mas repórter que quer dar furos (ou não levá-los) não pode viver sem ele.
Trata-se do velho e bom (??) "Diário Oficial", ilustre desconhecido das novas gerações, como descobri ontem com meus pré-trainees (leia no post abaixo).
Então pedi a meu colega EVANDRO SPINELLI, repórter de Cotidiano e um dos mais experientes na cobertura de administração, que contasse por que a gente deve ler tal calhamaço (e não pensem que é só para quem cobre a prefeitura, não...):
Tudo o que o Poder Público faz, mais cedo ou mais tarde sai no Diário Oficial. Por isso, é fundamental ler tudo com muita atenção.
Se o Kassab manda um projeto de lei para a Câmara, a gente acaba sabendo, na maioria das vezes, pelo Diário Oficial. Lembro-me de uma matéria que fiz que mostrava que o Kassab ia proibir a distribuição de jornais gratuitos nas esquinas. Ninguém tinha reparado nisso, mas estava lá, no texto do projeto publicado no Diário Oficial do Município.
Licitações também saem ali. Nomeações. Decretos. Portarias. Aquela norma que proibia os feirantes de São Paulo de gritar, por exemplo, saiu ali. Decisões do conselho do patrimônio histórico também são publicadas ali. Pareceres do Tribunal de Contas idem.
Me lembro de cabeça duas notícias que saíram do Diário Oficial do Município nas duas últimas semanas: uma que mostrava que o Kassab pretendia criar pedágio urbano e outra sobre o cancelamento da multa do shopping Bourbon.
Agora, uma coisa tenho que admitir: é muito chato ler Diário Oficial. As letras são miúdas, a linguagem é cifrada e as páginas são muitas. Ossos do ofício... Se fosse fácil não precisaria da gente.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h02
Ontem houve duas palestras na semana. Pela manhã, meu colega IGOR GIELOW, que já cobriu conflitos no Afeganistão e no Líbano, falou sobre o trabalho do correspondente e do enviado especial.
Quem quiser ter uma idéia das aventuras por que ele passou no Afeganistão --e o que aprendeu com elas-- encontra neste post.
Aqui está uma lista de livros que ele sugere sobre o tema.
À tarde, o editor de Cotidiano, ROGÉRIO GENTILE, respondeu a perguntas sobre a cobertura de administração pública --e matou outras curiosidades dos trainees sobre o trabalho no caderno.
Depois da palestra, pedi aos garotos que anotassem três coisas novas, que desconheciam, e fiquei surpresa. Muitos elencaram entre os pontos o fato de que o "Diário Oficial" é fonte de pautas.
Na geração passada, era parte da rotina de qualquer repórter ler o "Diário Oficial". Foi algo que acabou se perdendo na cultura jornalística, para azar dos novos repórteres.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h45
Nada como sofrer com os próprios erros pra gente se dar conta da importância do nosso trabalho.
É o que conta a Bruna, que participa da semana de palestras:
Como jornalista recém-formada e advogada, tenho uma tendência a desconfiar de quase tudo e quase todos. Mas confio muito na Folha, jornal no qual estou pleiteando uma vaga (estou participando da 46ª semana de palestras).
E não é que a Folha me deixou na mão essa semana? Tudo bem que não foi um erro terrível, mas erro é sempre erro e merece ser relatado.
Na segunda-feira à noite a mineira que não conhece absolutamente nada de São Paulo (eu) e dois novos amigos pernambucanos resolvemos conhecer um restaurante de São Paulo que está participando do festival São Paulo Restaurant Week.
Após as desventuras em série enfrentadas dentro do metrô e na região da Paulista, chegamos finalmente no restaurante indicado no guia da Folha. Restaurante lindo, sofisticado e, claro, com o preço muito acima das nossas possibilidades.
Sentamos, pedimos uma água (de R$ 4,00!!) e o cardápio do festival. A resposta?
-- Desculpe, mas o restaurante só participa do festival no horário de almoço.
-- Mas estava no Guia da Folha!!!
-- Pois é, está errado.
Pedimos a conta e acho que por solidariedade aos pobres turistas que não tinham dinheiro para comer no restaurante as águas foram cortesia.
Como somos pessoas muito tranqüilas e totalmente caras de pau (afinal, somos jornalistas), saímos numa boa e fomos para outro restaurante. Mas acho que esse erro simples poderia constranger muito outras pessoas. E poderia ser evitado se o jornalista tivesse seguido um dos lemas do jornal, que está em quase todas as paredes da redação e da sala de treinamento. Não chute, cheque!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h26
Meu colega GUSTAVO VILLAS BOAS, do caderno Informática, dá mais dicas para fazer buscas mais precisas na internet:
Existem alguns comandos usados diretamente no mesmo lugar que a gente escreve a busca que ajudam muito.
Por exemplo:
inurl:qualquercoisa
inurl significa que o texto que está colado aos dois pontos deve estar na URL, o endereço da página.
Exemplo. inurl:gov.br brasil
O Google vai procurar a palavra brasil apenas em páginas que tenham no endereço gov.br, ou seja, na prática você limita a pesquisa a sites do governo. Só para lembrar que o que vem depois de inurl não precisa ser necessariamente o final de um endereço.
Outro comando.
Filetype:
O Google vai procurar apenas por arquivos que tenham a extensão definida logo depois dos dois pontos.
Exemplo.
Filetype:PDF Corinthians
Os resultados vão mostrar arquivos PDFs que tenham a palavra Corinthians.
Usando os dois comandos juntos.
inurl:gov.br filetype:PDF "daniel dantas"
Os resultados vão ser arquivos PDFs que contenham as palavras "daniel dantas" nessa seqüência exata, por causa das aspas, dentro de sites que tenham no endereço em gov.br
Outro comando bem útil é site:www.folha.com.br
que vai procurar só dentro do domínio folha.com.br
Esses são os comandos que eu mais uso, principalmente quando esqueço um endereço. Eu chego em casa, lembro que vi um PDF em um site do governo, mas não lembro onde. Então coloco os comandos para fechar a busca e coloco algumas palavras que eu me recordo (as mais específicas e incomuns possíveis). Fica bem mais fácil recuperar alguma coisa.
Tem alguns outros comandos bem práticos, como fazer contas, horário de cinema etc. que estão nessa matéria do Rafael Capanema. São mais fáceis de usar, na minha opinião, e bastante úteis.
E a Mariana, que participa da semana de palestras, conta:
Estava resolvendo os exercícios de matemática da semana ontem e lembrei: o Google possui também um recurso interessante para fazer conversões. É só digitar "50 acres em hectares" ou "20 milhas por galão", por exemplo, que ele traz a resposta.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h08



Deu muito o que pensar, para mim, esse texto-legenda na página 2 de "O Globo" de hoje:
- "exploração da miséria?" - muito jornalista que respeito odeia matérias sobre pobreza e mazelas. São chamadas, nas Redações, de "pauta chora-leitor". Há mesmo muito sensacionalismo por aí, mas acho um erro generalizar. Num caso como este, a reportagem faz sentido, principalmente porque...
- ...o particular ilustra o geral. Quer história mais emblemática da tragédia de boa parte da população brasileira? E quase sempre em jornalismo o caso específico, restrito, concreto é mais forte que o abstrato e geral.
- sem comentários. A força do símbolo é tanta que no texto o repórter até escreve "A história de X é o retrato da pobreza desassistida". Não precisava. Nem devia. Contar só a história e deixar a conclusão para o leitor teria maior impacto.
- o poder da edição. O texto-legenda acima é só uma chamada para a reportagem interna, onde há detalhes do drama da família (quem assina o Globo pode ler aqui). Mas não é preciso saber detalhes. Para o que há de relevante e "institucional" nessa história, essa edição --três ótimas fotos, um texto enxuto-- dá conta perfeitamente.
- sensibilidade de repórter. Mas a leitura da reportagem vale a pena para perceber como uma pauta pode surgir de outra e como é importante o jornalista estar atento ao inesperado e ter sensibilidade para a notícia. Eles estavam ali para mostrar coisa bem diferente. O drama calhou de acontecer de imprevisto e eles tiveram coragem de deixar para trás o programado para seguir o novo.
Outro retrato do Brasil
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h38
Muito repórter de jornal diário sofre quando cai em revista, por causa de uma exigência desconhecida por ele: a de casar título e ilustração, de apresentar um pacote completo, que extrapola o texto.
É como conta minha leitora Verônica:
Trabalhei numa revista de mercado financeiro, em que o forte era o texto. Acabei vindo cobrir férias numa semanal, na editoria de Comportamento, em que as fotos são muito importantes. A imagem e o texto são gêmeos; não adianta ter muita qualidade só em um deles.
E eu achei que fazer a pauta de foto era só explicar a pauta de texto, dizer quem era o personagem e dar alguma idéia por onde o fotógrafo poderia começar. Parece simples, não? Você já deve saber que não é NADA simples. Mas se ensina muito pouco as manhas disso...
Queria muito saber como pautar fotógrafos e como tirar o melhor da relação com eles. Vi palestras bem legais com gente gabaritada sobre foto de guerra, cobertura internacional... e me sinto capaz de apreciar o melhor foie gras, sem saber fazer um tempero gostoso para o feijão de cada dia.
Vou ficar muito feliz e agradecida se você tiver idéias por onde a gente, de texto, pode melhorar no trabalho junto com o pessoal da imagem.
Algumas pessoas têm um talento natural para "visualizar" a edição, em que a imagem casa com o título, antes mesmo de propor a pauta.
Mas a maioria de nós mortais precisa aprender na marra, na tentativa e no erro.
Vou arriscar abaixo algumas formas de ajudar, mas peço ajuda aos leitores que trabalham em revista (e àqueles talentos naturais de que falei): mandem suas dicas também!!
1) olhar muita revista estrangeira. Será que sua editora tem uma biblioteca e recebe revistas? Se não, vá a uma grande livraria ou banca e fique lá folheando. A questão aqui é ampliar o repertório. Olhar bons exemplos ajuda bastante.
2) pensar antes num bom título. Em revista, podem-se usar títulos "fantasia": uma palavra ou expressão que cristaliza a notícia, que passa o "conceito" da matéria. Aqui o exercício é tentar resumir sua pauta em uma palavra, uma imagem (no sentido da idéia, não da foto ou arte; talvez símbolo seja a palavra mais adequada), uma analogia, uma expressão, e a partir daí imaginar que boa foto casaria com ele.
3) geralmente, quando a gente vai pensar nesse título "fantasia", as primeiras idéias que surgem são clichês. Anote-os mesmo assim, mas continue pensando. Tente ver se eles resumem com precisão o que vc quer contar. Em geral, não. Então vá fazendo variações, arrisque, até que uma hora a boa idéia aparece. É como o mecanismo de brainstorm, só que feito individualmente.
4) partindo do mesmo princípio, uma conversa de bar com amigos também ajuda nesses casos! =)
5) se a boa idéia não surgir na pauta, fique bem atenta durante a apuração. Uma frase original da fonte ou algo bem inusitado e forte que você descobre durante a reportagem pode ser o anzol da sua reportagem. O problema aqui é que a idéia de foto pode demorar mais.
6) outro dia vi que o Instituto Poynter vai dar um curso de seis dias justamente sobre como casar bem títulos e imagens. Não é barato, mas também não é proibitivo (US$ 995 incluindo o hotel). Como você é nova e frila, talvez sua empresa não aceite bancar. Mas quem sabe você não sugere para alguém mais experiente, um chefe, que poderia ir e depois dividir o que aprendeu? Os cursos do Poynter costumam ser muito pragmáticos e muito bons.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h25
"As gozações são inerentes à existência do futebol, de modo que sem elas este não existiria porque muito de sua graça estaria perdida se um torcedor não pudesse debochar livremente dos outros"
Essa deliciosa frase foi escrita pelo juiz que analisou uma reclamação de torcedor do Fluminense ofendido porque um jornal do Rio publicou um pôster do time que perdeu a Libertadores indo para o Mundial (e o Mundial era um supermercado).
Quem conta é meu prof Marcelo Soares, a propósito desta capa de hoje em "O Globo":

Esporte é realmente uma editoria em que dá para fazer mais humor (Scolari foi vítima de um jornal português e a Folha usava muito esse recurso na Copa da Ásia).
A dureza de tentar fazer um jornalismo mais bem-humorado será sempre a falta de um limite claro entre o que é divertido e o que é forçado. Outro risco: tomar posição quando o ideal seria manter a imparcialidade (é, para mim, aquele velho caso da "quadrilha").
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h56
Sim, há vida possível no mundo dos frilas, e alguns jornalistas até a preferem ao contrato assinado.
Outros equilibram bem as duas coisas, como minha leitora Ivy, que já escreveu antes por aqui sobre como frilar.
Ela leu um post escrito pelo Mauricio Horta sobre como frilar fora ("Achei superinteressante e concordei em muitos pontos, principalmente o de não depender de frilas financeiramente porque o valor a ser pago é pouco") e mandou uma mensagem muito útil, que transformei em cinco tópicos:
1) pauta certeira: A minha experiência de fazer frilas me mostrou recentemente (veja bem, só recentemente) que o mais importante de tudo é estruturar bem a sua pauta, o que chamo de fazer a pré-pauta, ou seja, dar uma apurada de leve (até para você não perder seu tempo nem o do entrevistado) para ver se ali tem uma história e se ela rende.
Há uns quatro anos, um amigo meu disse que tinha uma amiga que trabalhou com o Ozzy Osborune em Londres. Quando o Ozzy veio ao Brasil, tentei vender a matéria e fui atrás. Aí a tal amiga do amigo disse que tinha trabalhado na casa dele, não com ele. Pronto, minha pauta tinha caído e eu tinha dito para os veículos que tinha uma. Aprendi a lição: não faço mais isso de jeito nenhum. [Neste post, VERENA FORNETTI conta um caso semelhante] 2) conte e mostre: Ah, e com Redações cada vez mais enxutas, um outro detalhe a ser observado é a questão das imagens, caso o veículo seja impresso. As Redações não têm muita verba e editor não tem muita paciência para sair atrás de foto. Já perdi muita matéria porque não tinha como resolver a matéria graficamente.
Por isso, vale a pena, antes de vender ou enquanto estiver apurando, tentar descobrir se existe foto de divulgação, onde conseguir etc. Se for no Brasil, você ainda poderá contar com algum apoio de Redação, caso ela seja grande. Mas, se estiver fora, você que vai ter que se virar, ou quem perde a pauta é você.
E entende-se por se virar até fazer fotos (uma vez eu bati umas 100 para conseguir ter uma que prestasse... sou uma péssima fotógrafa!). 3) conheça seu "cliente": Mais um ponto que acho interessante levantar é estudar o veículo. Tive um professor de revistas na faculdade, o Carlos Costa (hoje coordenador do curso de jornalismo da Cásper Líbero), que me ensinou a estudar os veículos: ler as matérias, prestar atenção nos anúnicios para ver com quem aquele veículo se comunica etc.
Acho isso fundamental para fazer frilas.
No ano passado escrevi que a minha experiência em assessoria de imprensa foi a minha base para fazer frilas e um leitor não entendeu. Escrevi isso porque o assessor tem que saber encaixar a pauta no veìculo certo, na seção certa, enfim, ele tem que acertar em cheio. E frila também: editor adora receber pauta dizendo: "Olá, Fulano, quero te vender uma pauta assim e assado, que renderá em média tantas páginas ou que tem a ver com a seção tal, página y. Ou podemos fazer uma pauta assim e assado, na linha daquelas que vocês publicaram há dois meses".
Isso mostra que você conhece o trabalho do cara e tem interesse, além de economizar o tempo dele. E outra: se você não acompanha o veículo, não vai saber se o assunto que você sugeriu foi publicado ou não (é um mico o editor dizer: "olha, adorei a sua pauta, mas demos uma desta na semana passada"). 4) endereço certo: Um colega meu disse que numa revista em que ele trabalhou (e para quem quero muito vender uns frilas há anos) as pessoas não encaminham pauta. Se o cara é editor de esportes e recebe uma pauta de política, ele simplesmente deleta seu e-mail. Acho isso meio absurdo, porque antes de ser editor de esportes você é editor da revista, mas, enfim, não fui eu que inventei o mundo. Mas saber para quem mandar é outra coisa importantissima que aprendi com assessoria de imprensa. 5) não desista; insista: Hoje os amigos dos amigos que vão para o exterior me escrevem pedindo dicas. A maior que eu dou é: persistência. Até hoje, mesmo já tendo uma certa experiência (mas ainda sem O nome no mercado), os editores não respondem meus e-mails com sugestões de pauta. Mas eu não desisto e continuo insistindo, seja para outro veículo semelhante etc. O que eu nunca faço é ligar e, na minha experiência, o contato por e-mail é sempre o mais eficaz (se o editor quiser ele te liga, por isso sugiro sempre deixar os números de contato).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h32
Ontem o pessoal que participa da 46ª semana foi até o centro gráfico da Folha, onde o jornal é impresso.
Fica em Barueri, na Grande São Paulo. Por isso, foi uma verdadeira excursão, de ônibus, num trajeto que pode durar algo entre 45 minutos e duas horas (dependendo do trânsito).
O exercício que pedi a eles foi pensar numa pauta que fosse inspirada pela visita. Aproveito então para falar de pauta, reproduzindo a conversa que tive já faz meses com minha leitora Mônica. Mônica estuda biologia, mas queria sugerir uma pauta para o jornal de sua faculdade.
Mônica -- Ana, eu tive a idéia de escrever sobre a falta de rampas na minha faculdade. Várias aulas são no segundo andar, e só há escadas. Isso é uma pauta?
Eu -- É um bom tema para uma pauta. Para virar pauta, mesmo, você precisa trabalhá-lo um pouco mais. Tente pensar em que título sua matéria teria. Isso ajuda a fechar o foco da pauta.
Mônica -- Mas eu tenho que pensar no título antes de escrever a matéria? Aliás, isso seria uma matéria ou uma notícia? Ou é tudo a mesma coisa? No caso de serem duas coisas completamente diferentes, para a notícia não é preciso uma pauta? Eu estou falando bobagem??
Eu -- Matéria e notícia são termos que variam bastante dependendo de quem usa e de quando eles são usados. Em geral, a diferença é esta:
- notícia é algo que aconteceu. Por exemplo, um avião que caiu, um diretor que foi premiado, um time que foi campeão.
Um fato que seja relevante, interessante, importante, que mereça ser contado para o leitor, e que tenha acontecido recentemente, é uma notícia. No sentido mais amplo, notícia é qualquer história que seja relevante e importante, mesmo que não seja tão recente ou nova, mesmo que não tenha acontecido ontem. Por exemplo, um repórter descobre que o prefeito contratou a empresa de seu irmão sem concorrência.
- Matéria é um jargão usado para qualquer texto jornalístico.
Em geral, a gente chama de reportagem uma matéria que tenha exigido algum trabalho adicional além de só relatar um fato, como seria na notícia. Por exemplo, se você fizer uma nota dizendo que o dólar bateu o recorde do ano ontem, isso pode ser chamado de notícia. Se você ouvir vários analistas, der o contexto econômico, conseguir explicar as causas por trás do fato, será uma reportagem.
Mônica -- E a pauta entra onde?
Eu -- Toda matéria começa com uma pauta, embora nem sempre ela tenha que ser formulada [veja neste post alguns tipos de pauta]. Por exemplo, se um avião cair, ninguém vai sentar e escrever a pauta. Todo mundo vai correr por lugar em que ele caiu ou para o telefone, para levantar mais informação, sem se preocupar em formalizar a pauta, já que já sabemos qual é a notícia: a queda, as mortes, os danos, as causas.
Pensar no título é uma técnica que se usa para avaliar se nossa idéia de pauta é boa. Se a gente não consegue pensar num título, em geral, é porque não tem ainda uma pauta, mas um assunto. É preciso pensar, dentro daquele assunto, o que de novo, ou relevante, ou interessante há para contar para o leitor.
Mônica -- Então, se eu escrever sobre a falta de estrutura para deficientes físicos na faculdade, não tem como isso ser só notícia, tem? Ou um caso muito melhor que eu li no seu blog: uma matéria, se eu não me engano do "O Estado de S. Paulo", sobre um homem que vive há 40 anos (acho) no Hospital das Clínicas.
Eu -- Mônica, é isso mesmo, de uma notícia pode surgir uma reportagem. A reportagem dá mais densidade à informação, traça um panorama, informa mais o leitor. É aí que o papel do repórter aparece, que ele se torna importante para o leitor. Mônica -- Mas ainda não consigo entender como sugerir uma pauta. Por exemplo, quando você quer que um repórter faça uma matéria, você sugere um assunto, ou alguns assuntos, e ele formula uma pauta a partir disso? Ou ele vai ter que procurar um assunto, analisar se surge uma pauta e fazer a matéria?
Quando eu penso no trabalho de um repórter, fico com a ruim sensação que não tenho jeito para jornalismo. Acho que não seria capaz de formular (?) uma pauta. Nem sei os termos corretos que devo utilizar! Eu deveria, ao menos, fazer um curso de jornalismo para tentar entender melhor tudo isso! Eu -- Sobre a pauta e como formulá-la, vamos falar do seu exemplo concreto.
Sua idéia é fazer uma matéria sobre a dificuldade de acesso do novo prédio da universidade para quem tem alguma deficiência física. Você tem uma notícia, já que esse prédio não cumpre o que existe a lei que regula o acesso de deficientes a espaços de uso coletivo (veja a lei aqui: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L10098.htm). Há várias maneiras de transformar esse fato em reportagem.
Você pode, por exemplo, propor uma entrevista com o diretor da faculdade sobre como resolver o problema, como facilitar o acesso de alunos ou visitantes com problemas de locomoção, e fazer uma matéria sobre esses planos de reforma.
Você pode ver se há algum aluno com a perna quebrada ou qualquer outro problema de locomoção e fazer a matéria a partir dele, ou seja, dos problemas que ele encontra para assisitir às aulas todos os dias.
Ou você pode propor simplesmente uma matéria mostrando que o novo prédio não atende à lei, enumerando todos os problemas que ele tem --e, claro, ouvindo a direção da faculdade para que eles expliquem por que isso ocorreu e como pretentedem resolver o problema.
Mônica -- Tenho dúvidas se o assunto que vou sugerir será ou não aceito: é interessante, porém crítico para a universidade.
Eu -- Pode até ser que eles recusem, mas talvez não. Um dos papéis do jornal, afinal, é chamar a atenção para problemas. Sua matéria pode até ajudá-los a resolvê-los.
Passo-a-passo para propor uma pauta Como transformar tema geral em pauta específica Construindo uma pauta fria Avalie sua idéia de pauta Algumas dicas para encontrar pautas e outras dicas para formulá-las
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h44
A Rede Globo abriu inscrições para estágio em diversas mídias, nas áreas de texto, fotografia, arte e diagramação. As inscrições podem ser feitas nos sites www.oglobo.com.br e www.jornalextraonline.com.br.
A TV Globo também abriu inscrições para alunos do 6º ou o 7º período, preferencialmente de comunicação e que tenham experiência ou cursos na área de captação de imagens. O estágio tem duração de seis meses, podendo ser prorrogado. www.redeglobo.com.br/bancodetalentos .
Sites que avisam sobre vagas e estágios
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h03
Pesquisa na internet
Marcelo Soares já foi meu aluno, mas hoje é meu professor.
É um desses amantes da informática, que adora novos sites, novos programas, novas ferramentas para achar informação.
Ele está dando na semana de palestras um curso de três aulas sobre como melhorar sua pesquisa na internet.
É bem introdutório, mas o objetivo principal é fazer um alerta: googlar a esmo nem sempre resolve e muitas vezes gasta tempo.
Marcelo divide com os leitores do blog alguns sites que mostrou aos trainees:
1) A primeira parte eu concentrei em funções do Google, pela familiaridade que todos já têm com o básico delas.
Todo mundo já usa o Google no dia-a-dia, mas usar suas funções avançadas ajuda a filtrar os dados e chegar mais rápido à informação que se quer. Especial atenção aos filtros por tipo de site (gov.br, por exemplo) e de arquivo (.xls, por exemplo, pra pegar planilhas). Vale ressaltar que todas essas funções – e outras! – também podem ser usadas digitando o comando. Mas usando a busca avançada não precisa decorar.
2) Google Maps
Esta é outra utilidade do Google em que muita gente já deu pelo menos uma olhadinha. Ele ganha força, porém, quando é usado para organizar informações no território. Veja por exemplo este mapa sobre decisões judiciais proibindo a publicação de notícias ou nomes devido ao período eleitoral, ou este, mostrando incêndios no sul da Califórnia, feito pelo Los Angeles Times em outubro do ano passado. É bastante fácil fazer seu próprio mapa para organizar informações que você coleta no trabalho do dia-a-dia – sejam assassinatos, engarrafamentos, acidentes de trânsito, propaganda eleitoral, cinemas que passam o filme do Batman ou o que você quiser.
3) Google Reader
É um organizador de notícias em RSS, que me salva a vida todo dia. Eu tenho cadastradas 370 fontes de notícias, e ele recebe dados de todas elas. É como se eu fosse ler 370 sites por dia, mas poupando o tempo. Mais ainda, dá pra pesquisar lá dentro do noticiário antigo e marcar as notícias mais interessantes para compartilhar com outros que possam se interessar por eles. Os meus itens compartilhados, por exemplo, estão aqui.
4) All The Web
Trata-se de um respeitável concorrente do Google, com um bom banco de dados. Porém, como ambos usam critérios diferentes, os resultados da primeira página são diferentes. Recomendo pesquisar nos dois. Caso queira, o usuário pode usar a busca avançada do site, que não perde em nada para a do Google.
5) Metabuscadores
São buscadores que rastreiam o que existe em diversos buscadores. Dois bem interessantes são o Sputtr, que oferece um menu de buscadores pra escolher um por vez, e o Srchr, que busca em vários ao mesmo tempo e dá todos os resultados na tela.
6) Buscadores especializados
Aí, os há para todos os gostos. Desde o Redegoverno, que organiza páginas governamentais mas é bagunçadão, até a sofisticação do Silobreaker, que organiza até mesmo redes de conceitos ligados a determinados personagens no noticiário. Gosto bastante do Findarticles, que busca artigos de revistas acadêmicas americanas.
7) Delicious
É um serviço de favoritos públicos. Cada usuário cadastra ali seus favoritos, classificando-os por palavras-chave, e todos podem pesquisá-los. É uma experiência interessante. Os meus links estão neste endereço. Vou atualizando sempre que encontro algo novo. (leia aqui outro post sobre como usar o delicious)
Amanhã, tem mais!
NÃO BASTA CONHECER. TEM QUE USAR
Conhecer os recursos é útil, mas não adianta nada se a gente não experimentar, não fuçar os sites, não tentar usá-los numa pauta ou pesquisa.
Lembram-se dos quatro passos do aprendizado? (Não se lembra? Clique aqui).
Para que esses sites virem mesmo ferramenta, é preciso usá-los, bater a cabeça, contornar os problemas.
Não dava para fazer exercícios nesta semana, porque não temos uma sala com 40 computadores, mas repito aqui no blog a recomendação que fiz para os trainees: arrumem uns 15 minutos e pelo menos entrem nos sites para ver como eles são.
[Meu leitor Galeno acrescenta: "Pra facilitar o uso das funções avançadas do google, existe também um ótimo site que podia estar aí na lista: www.soople.com"]
E que tudo mais vá pro inferno - um exemplo divertido de reportagem feita com CAR Steve Doig, um dos principais especialistas em CAR, dá dicas de ferramentas Como achar dados no Brasil e como usá-los em reportagens - mais dicas do Marcelo Soares
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h15
Por causa da semana de palestras, estou com pouco tempo pra escrever. Mas vou tentar manter pelo menos os comentários atualizados, OK?
Inté.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h36
E a CRISTINA MORENO de CASTRO, que participou da mais recente no primeiro semestre, escreve um post para seus colegas:
Alguns dos selecionados pra Semana de Palestras (última etapa do processo de seleção do Programa de Treinamento da Folha) me escreveram cheios de dúvida sobre como devem se portar, como devem se preparar etc. Como se eu soubesse...!
A única dica que pude dar a eles foi para que tentassem esquecer que aquilo é uma seleção e aproveitassem cada minuto.
OK, a gente nunca acredita que uma etapa de um processo seletivo possa ser tranqüila, em qualquer sentido dessa palavra. Mas a Semana foi.
O mais importante é o pessoal ter em mente que aquilo ali é um mini-treinamento, então já vai oferecer várias experiências bacanas pelas quais os trainees vão passar durante quatro meses. Palestras, atividades, conversas informais com gente muito fera etc. É bom nem falar muito porque parte do encantamento é a surpresa proporcionada pela ignorância =)
E tem outra coisa legal demais: o tempo é curto, mas a gente acaba fazendo amigos. Que te acompanham no lendário Folhão, compõem o "Funk da Folha" com você e, o melhor, estabelecem contatos e vínculos.
Mesmo se você não passar, depois vão surgir milhares (OK, dezenas) de vagas na Folha e você vai esbarrar o tempo todo com aquele colega da Semana. A Ana vive dizendo aqui que o trainee está longe de ser a única forma de entrar na Folha - e é verdade. São muitas oportunidades de fazer frilas o tempo todo e, quando você já fez amigos, tudo fica mais agradável (principalmente se você não é de São Paulo...).
Aproveitando a deixa, vale dar o recadinho que a Ana também sempre coloca nesta época: se você quer mesmo fazer o treinamento, não desista só por não ter passado para uma das etapas. É raro conseguir passar de primeira, como em qualquer prova concorrida. Na minha primeira tentativa, nem a minha ficha de inscrição foi aceita. Pensei: "Vixe! Não tenho o perfil que eles querem! Não adianta nem tentar". Mas é claro que a gente não desiste nunca =)
E, como eu disse aí em cima, as oportunidades surgem o tempo todo - ou pelo menos vêm surgindo desde que entrei aqui para ver de perto.
Portanto, quem não passou, não desanime e, quem passou, aproveite!!
(Se eu não der certo como jornalista, penso seriamente em escrever livro de auto-ajuda, hein...)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h21
A Folha publica hoje um artigo muito bem escrito sobre a crise na Geórgia: "Por trás da miniguerra no Cáucaso, o xadrez geopolítico", de Immanuel Wallerstein, da Universidade Yale [íntegra on-line para quem assina Folha ou UOL].
Se você se interessa por geopolítica e noticiário internacional, vale bem a pena lê-lo pelo motivo óbvio de que ajuda a entender o conflito (e, principalmente, o contexto histórico dele).
A leitura é também um ótimo exercício para entender o que faz um texto ficar fluido, fácil de ler, claro --por mais que seja longo e trate de um tema denso, como é o caso em questão.
Vejam alguns recursos que ele usa e como eles funcionam bem:
- comparação com algo concreto - Wallerstein coloca logo no lide a comparação entre a geopolítica e um jogo de xadrez. Ao longo do texto, ele vai voltar a essa analogia, e isso tem dois bons efeitos: a) ajuda o leitor a "enxergar" os argumentos; b) ajuda a manter uma unidade de raciocínio num artigo que é bem extenso:
A geopolítica é uma série de gigantescas partidas de xadrez disputadas entre dois jogadores, nas quais estes buscam posições de vantagem. Nessas partidas, é crucial conhecer as regras vigentes que regem os lances.
- repetição dos termos principais - o autor não evita a repetição da palavra "regra", que é chave na sua argumentação. Há um senso comum de que deve-se evitar a repetição de termos. Mas, quando eles são cruciais, repisá-los ajuda a fixar a idéia e mostra para o leitor que aquele conceito é importante para se entender a lógica do texto:
Ela se chamava a Guerra Fria, e as regras básicas do jogo eram conhecidas metaforicamente como "Yalta". A regra mais importante dizia respeito a uma linha que dividia a Europa em duas zonas de influência. Essa linha foi chamada por Winston Churchill de "Cortina de Ferro" e se estendia de Stettin a Trieste. A regra dizia que, não importasse quanta turbulência fosse instigada na Europa pelos peões, não haveria guerra de fato entre os Estados Unidos e a União Soviética.
(...)
O maior problema desde então é que os Estados Unidos não compreenderam direito as novas regras do jogo. Eles se proclamaram, e foram proclamados por muitos outros, a única superpotência mundial. Em termos de regras de xadrez, isso foi interpretado como significando que os Estados Unidos tinham liberdade para movimentar-se pelo tabuleiro de xadrez como bem entendessem e, especialmente, para transferir antigos peões soviéticos para sua esfera de influência.
- repetição e contradição - o uso próximo de uma mesma palavra também funciona bem para marcar uma contradição. Principalmente neste caso, em que ele apresenta uma idéia que foge do lugar-comum:
Eles se proclamaram, e foram proclamados por muitos outros, a única superpotência mundial. Em termos de regras de xadrez, isso foi interpretado como significando que os Estados Unidos tinham liberdade para movimentar-se pelo tabuleiro de xadrez como bem entendessem e, especialmente, para transferir antigos peões soviéticos para sua esfera de influência. Sob Clinton, e mais notadamente ainda sob George W. Bush, os Estados Unidos passaram a jogar a partida dessa maneira. Só havia um problema nisso: os Estados Unidos não eram a única superpotência mundial -nem sequer eram uma superpotência.
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enumeração - quando há mais de um motivo, mais de uma conseqüência, mais de um pedido etc., enumerá-los ajuda o leitor a seguir a argumentação. É o que faz Wallerstein neste trecho:
Duas decisões geopolíticas de importância maior foram tomadas nos anos Clinton. Primeiro, os Estados Unidos fizeram pressão grande e mais ou menos bem-sucedida para que os antigos satélites soviéticos ingressassem na Otan [a aliança militar ocidental]. Esses países estavam ansiosos por entrar, apesar de os países-chave da Europa Ocidental -Alemanha e França- relutarem um pouco em seguir esse caminho. Eles viam a manobra dos EUA como tendo o objetivo, em parte, de limitar sua recém-adquirida liberdade de ação geopolítica. A segunda decisão-chave dos Estados Unidos foi tornar-se jogador ativo nos realinhamentos de fronteiras dentro da antiga República Federal da Iugoslávia.
Para começar, em 2001 Bush retirou o país do Tratado de Mísseis Antibalísticos firmado por EUA e União Soviética em 1972. Em seguida, anunciou que os Estados Unidos não ratificariam dois tratados novos assinados durante o governo Clinton: o Tratado de Proibição Total de Testes, de 1996, e as modificações acordadas no tratado de desarmamento nuclear SALT 2. Então Bush anunciou que os Estados Unidos iriam adiante com seu Sistema Nacional de Defesa Antimísseis. E, em 2003, Bush invadiu o Iraque.
(...)
A Rússia, porém, viu essas instalações como sendo voltadas contra ela. Putin decidiu reagir com muito mais eficácia que Ieltsin. Sendo um jogador prudente, porém, ele primeiro se movimentou para fortalecer sua base doméstica, restaurando a força da autoridade central e revigorando as Forças Armadas russas. Nesse momento, as marés da economia mundial mudaram, e, de uma hora para outra, a Rússia tornou-se a rica e poderosa controladora não apenas da produção petrolífera, mas também do gás natural tão necessário aos países da Europa Ocidental.
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conjunções com sentido preciso - o uso de termos como "mas", "assim", "por isso" dão força à informação quando usados no sentido preciso --e nunca devem ser usados quando não tiverem esse sentido. "Mas", por exemplo, indica adversidade, oposição. É o mesmo caso de "já" em frases como "O São Paulo perdeu ontem. Já o Palmeiras, venceu". "Por isso" estabelece uma relação de causa e conseqüência. Quando usadas corretamente, essas palavras e expressões acrescentam sentido ao texto:
Saakashvili imaginava que forçaria os Estados Unidos (e também a Alemanha e a França) a sair em seu apoio. Em vez disso, houve uma reação militar russa imediata, superando o pequeno Exército georgiano de forma avassaladora.
(...)
Os Estados Unidos não são uma superpotência. Suas Forças Armadas estão inteiramente tomadas por duas guerras que estão perdendo no Oriente Médio. E, o mais importante de tudo, os Estados Unidos precisam da Rússia muito mais do que a Rússia precisa deles.
(...)
A trégua contém duas concessões essenciais da Geórgia. Esta se comprometeu a não mais recorrer à força na Ossétia do Sul. E o acordo não faz referência à integridade territorial georgiana. Assim, a Rússia emergiu muito mais forte que antes.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h34
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