O jornalista Gabriel Toueg, correspondente no Oriente Médio, conta em seu blog que quatro jornalistas morreram no conflito da Geórgia e discute se e quando vale a pena correr riscos por uma matéria.
Título sugestivo do post dele: dead line.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h45
"(...) as praxes académicas [trotes] têm um inestimável valor pedagógico que as nossas universidades deviam reconhecer. Elas permitem identificar, de imediato, pessoas preparadas para o ensino superior; e pessoas que, humilhando ou deixando-se humilhar, manifestamente confundem a universidade com a pocilga. Estes últimos não deviam ter lugar no ensino superior. Porque são precisos dois para dançar o tango."
O trecho é de um artigo de João Pereira Coutinho para o "Expresso", de Portugal (agradeço a meu leitor Claudio, de Porto Alegre).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h19
Trote em universidade de Diamantina deixa 11 alunos com queimaduras graves
Rayder Bragon Especial para o UOL Em Belo Horizonte
A Polícia Civil de Diamantina abriu inquérito para apurar quem foram os culpados por um incidente que deixou 11 universitários recém-admitidos na Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e do Mucuri (UFVJM) com queimaduras de primeiro e segundo graus. Os ferimentos foram causados por ácido muriático e creolina misturada com limão durante trote imposto por alunos veteranos da instituição, sediada na cidade de Diamantina, região central de Minas Gerais, e distante 292 quilômetros de Belo Horizonte.
Os 11 calouros ainda foram obrigados pelos alunos veteranos a ingerir bebidas alcoólicas, principalmente cachaça, além de grande quantidade de vinho, conforme dados de testemunhas. (leia a íntegra)
(agradeço ao Lucas, de São Paulo, pelo aviso.)
Leia mais sobre trote nos posts abaixo
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h29
Em agosto do ano passado, escrevi um post contra o trote intimidatório levado a cabo por alguns alunos da Universidade Mackenzie. Naquela ocasião, não se chegou ao nível de violência do que ocorreu com o Márcio na Uninove (leia abaixo). Mas as raízes são as mesmas.
Na época, duas alunas de comunicações daquela escola tiveram a idéia de escrever sobre o assunto no jornal interno. Na entrevista que dei para elas, queria defender três pontos principais:
1) meu post não era contra o Mackenzie ou seus alunos em geral, mas contra aquela forma de trote. Por acaso, o que eu presenciei era organizado por alunos do Mackenzie. Poderiam ser de outra escola. O que importa é a atitude, independente dos autores.
Achava importante que não se caísse numa discussão blog X Mackenzie, porque seria tirar do contexto, deturpar a questão.
O tema central é o trote. E é um tema que afeta muita gente: numa enquete da Folha Online, votaram 6.419 pessoas. Destas, 91% foram contra o tipo de trote que eu condenava no post. É uma maioria esmagadora. Foram 44% contra qualquer modalidade de trote, e 47% a favor dos chamados trotes alternativos --doação de sangue, serviços comunitários etc.
2) achei muito oportuna a pauta das meninas, porque o objetivo era justamente este: discutir a questão. Para mudar a cultura sobre alguma coisa, é preciso falar sobre ela, não calar.
Não acho que minha posição seja inquestionável. Alunos escreveram para o meu blog, contra ou a favor das minhas idéias, argumentando, e eu respeito isso. O que acho importante é estimular a discussão. Reprovar mas ficar quieto no seu canto não adianta nada.
3) sou a favor da confraternização e de que os calouros comemorem sua entrada na faculdade. Sou contra esta forma de trote por quatro motivos (que detalho bastante nas respostas): 1) prejudica outras pessoas; 2) estraga a cidade; 3) expõe os alunos ao risco; 4) é intimidatório. Qualquer outra forma de confraternização e comemoração que não tenha essas conseqüência, para mim, está valendo.
Coloquei a íntegra da entrevista no site do treinamento.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h12
Rapaz espancado em trote supera trauma e volta aos estudos
VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO da Folha de S.Paulo
Seis meses depois de ser espancado num trote no primeiro dia de aula, o estudante de publicidade e propaganda Márcio Marques da Silva, 24, ainda vive à sombra do medo. Teve síndrome do pânico, fez 15 sessões de terapia e chegou a tomar algum ansiolítico de cujo nome nem se lembra mais.
Só voltou a estudar nesta semana, por incentivo das irmãs. E um semestre depois, a polícia ainda não ouviu os agressores, que tiveram punição administrativa --foram suspensos-- na Uninove, a faculdade que continuam a freqüentar. [Leia a íntegra na Folha Online]
Evitar casos como o do Márcio é com a gente também. Há uma espécie de cultura permissiva em relação ao trote intimadatório, como se esse tipo de violência fosse admissível ou, pelo menos, tolerável.
Não é.
Cabe a cada aluno, cada colega, cada jornalista não calar sobre esse tipo de absurdo.
Porque, sem reação, a tendência é deixar tudo como está. A polícia, seis meses depois, não ouviu nenhum suspeito. E a escola, que na época alardeou ter suspendido os envolvidos, não fala sobre o caso (leia aqui as respostas (?) da faculdade).
Disque-trote - telefones para denunciar trotes
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h33
Há fenômenos que as artes gráficas mostram muito, muito melhor.
É o caso da sensacional linha verde que corre sobre as piscinas de Pequim, mostrando o recorde mundial.
 Você pode vê-la em movimento neste vídeo, ou na cobertura diária da Olimpíada
Ela substitui com muita vantagem o velho reloginho que a gente precisava ficar comparando com o tempo do último recorde.
Não acham?
Dois exemplos de arte em jornal impresso
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h45
Como leitores deste blog reclamaram da ausência dos trainees e perguntaram o que havia sido feito deles, CRISTINA MORENO DE CASTRO resolveu contar:
Eu também morria de curiosidade sobre o programa de treinamento, a rotina do pessoal, quais as oportunidades que se abriam depois.
Resolvi, então, contar um pouquinho de como anda a nossa vida pós-trainee.
No último dia de treinamento, já fechado o Novo em Folha (leiam como foi nosso fechamento), fomos todos para uma tradicional pizzaria de São Paulo para o devido bota-fora. Eu não ia dizer o nome da pizzaria, mas agora me ocorreu o trocadilho. Speranza: era o que a gente sentia naquela noite. Misturado com uma espécie de nostalgia antecipada, ansiedade e todos os outros sentimentos comuns a quem termina uma etapa para entrar em outra totalmente nova.
Naquele 4 de julho poucos eram os que já sabiam onde iriam trabalhar nos próximos meses. O André Lobato era um deles. Está, desde então, colaborando para o caderno de Emprego & Negócios - onde assinou a matéria de capa, há duas semanas, que interessa a muitos leitores [como se prevenir em casos de panes como a da Telefônica].
Naquela mesma noite o Maurício Horta ficou sabendo que ia para a editoria onde sempre quis estar: Mundo. Para quem não sabe, Hortinha (como é carinhosamente conhecido por alguns de nós) já rodou o planeta, mais especificamente a Ásia. E foi com aquele continente, mais precisamente no Iraque, que ele abriu o caderno Mundo: há poucos dias.
O Amaro Grassi, que também queria parar em Mundo, não demorou muito para fazer companhia ao Horta. Outro dia escreveu importante matéria sobre a Índia.
Não muito depois, a pernambucana Giu (lliana) Bianconi foi parar em Esportes, onde sempre quis estar. Já assinou várias matérias por lá, inclusive a capa do caderno.
Paty Gomes hoje ajuda no fechamento de Cotidiano, um dos cadernos com maior equipe na Folha. Ju Lugão e Carol Araújo também se tornaram redatoras - estão em Brasil, tendo chegado lá no auge da Operação Satiagraha.
Iago Bolívar também está em Brasil, ajudando a montar uma grande fonte de informações para os meses de eleições que se seguem.
Outro que contribuiu algumas vezes para Brasil foi o Breno Costa, que está na Agência Folha. Foi ele que assinou boa parte das reportagens sobre a Operação Toque de Midas, que já chegou a entrelaçar Eike Batista a Daniel Dantas. Até porque, parte das denúncias se passa no Amapá, onde o Breno esteve para fazer sua matéria do Novo em Folha.
E, até fazer companhia ao Breno na Agência Folha, o Gustavo Hennemann vem colaborando para o "Agora".
Eu era uma das que ainda não faziam idéia do que faria quando terminasse o Treinamento. Concorri para poucas vagas, na tentativa de me aproximar do que eu realmente queria (algo entre Agência, Cotidiano, Brasil, Dinheiro, Ilustrada, Mundo e correspondente em Nova York ;) e desde o começo de julho venho colaborando em Coti - mais recentemente, ajudando a fazer um caderno especial da editoria.
É isso: todo mundo está correndo atrás e felizmente, muito com a ajuda da Ana (que é uma workaholic e comeu uma semana das férias até que todos estivéssemos alojados), nossa turma está tentando mostrar serviço. Em mais um dos meus trocadilhos infames, desta vez a Speranza venceu o medo. Que venham os novos trainees regados a santas ceias! =)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h05
Meu colega e ex-trainee MAURICIO HORTA dá dicas para quem quer viver de frilas (como ele fez durante bons anos):
No exterior ou em casa, frilar é questão de contatos. Conseguir fazer "frilas" no exterior não é fácil, mas é possível. O que não falta são bons jovens jornalistas no exterior --principalmente na Europa e nos EUA. Infelizmente, o que acaba definindo se você vai conseguir emplacar uma pauta não é apenas ser um bom repórter e estar num lugar relevante, mas principalmente entrar na lista de free-lancers da publicação para que você pretende vender matérias. E é melhor já sair do Brasil com contatos muito bem estabelecidos com editores. Durante uma viagem de nove meses pela Ásia, no ano passado, publiquei uma série de matérias para a revista Superinteressante. Para isso, já tinha antes participado de um processo seletivo para uma vaga de estagiário na revista. Ter chegado até a última fase da seleção colocou-me numa lista de freelancers. Avisei ao então editor-chefe sobre quais países visitaria e por quanto tempo ficaria lá. Com isso, recebi e propus pautas. Mesmo depois de voltar, a viagem continuou rendendo frilas em mais revistas.
Por outro lado, tentei vender pautas para outra publicação da mesma editora de cuja lista de free-lancers não fazia parte. Apesar de ter uma indicação de uma pessoa que já trabalhara lá, não consegui emplacar nada enquanto estive fora do Brasil. Só consegui quando encontrei pessoalmente com uma editora. Também é importante não sair do Brasil dependendo financeiramente desses frilas. Em muitas publicações, a remuneração é a mesma que no Brasil --e, por mais que o real esteja valorizado, ainda é fraco ante o euro. E o pior --não existe segurança de que vai emplacar a pauta. Por outro lado, se gostarem de seu trabalho, a torneirinha vai abrir, sim. Se a vida de frila é incerta em casa, é mais ainda fora. Resumindo, no Brasil ou no exterior, frilar é uma questão de confiança entre editor e repórter, e, à distância, torna-se mais difícil conseguir essa confiança. Então, a melhor coisa que se pode fazer antes de partir é correr atrás de todos os editores com que você já trabalhou e, se houver tempo, participar de todos os processos seletivos que encontrar, mesmo que não seja para conseguir a vaga e sim estabelecer contatos.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h59
Dica rápida para errar menos
É do meu colega JAIRO MARQUES (dono do excelente Assim como Você e coordenador-adjunto da Agência Folha): uma boa forma de evitar repetir enganos é anotar num caderninho os erros que você cometeu.
Funciona de duas formas: 1) escrever ajuda a fixar na memória, e 2) você vai formando uma espécie de manual próprio contra os erros.
Se perceber que alguma regrinha teima em te derrubar, dê uma revisada na gramática --ou peça ajuda para um professor, uma tia que estudou letras ou aquele colega que sabe tudo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h39
Uma repórter de TV da Georgia levou um tiro quando falava ao vivo.
Socorrida, vestiu um colete a prova de balas, pediu que buscassem o microfone e continuou falando (pena que não dá para entender o que ela diz... A BBC traduziu uma parte).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h30
Correção de texto
A professora Doralice Araújo, que tem um blog sobre língua portuguesa e é assídua comentadora de vários outros blogs, lançou um curso para corretores de texto em Curitiba. Informações em casadalinguagem@uol.com.br
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h13
Como tourear um entrevistado ensaboado?
Milton Jung, cuja entrevista com Maluf abordei ontem aqui no blog (leia ali embaixo), escreveu nos comentários sobre a dificuldade que foi (e é) entrevistar Paulo Maluf.
Ele diz que, quando chega ao fim, sempre tem a impressão de que Maluf levou a melhor.
Continuo propondo para vocês o exercício. Separem 20 minutos do seu dia (não precisam ser contínuos, pois dá para pausar e voltar quando quiser) e ouçam a entrevista (clique aqui). O que acham? O entrevistado levou a melhor? Há realmente trechos em que ele fala durante muito tempo. Como (de forma concreta) vocês evitariam isso se estivessem no lugar do Jung?
Só para lembrar, a entrevista era ao vivo, o que sempre dificulta nossa vida.
Abaixo, o comentário do Jung:
Ana e leitores da Ana,
Poucas vezes tive oportunidade de ser avaliado publicamente em uma entrevista. Mesmo no espaço que reservo no blog para que os ouvintes-internautas comentem sobre a conversa que tenho mantido com todos os candidatos, o pessoal prefere se ater ao desempenho do entrevistado, não do entrevistador.
Por isso, agradeço muito a você Ana pela oportunidade e aqueles que confiante no seu trabalho passaram por aqui para comentar meu desempenho.
Entrevistar Paulo Maluf sem que este faça suas malufadas é das tarefas mais difíceis. Sempre que chego ao fim da conversa tenho a nítida impressão de que ele levou vantagem. Não porque a entrevista tenha de ser um jogo de ganha e perde entre entrevistador e entrevistado, mas porque a entrevista tem de ter valido a pena para o cidadão. E se este não ganhou nada ao fim da conversa para quem serviu a entrevista ?
Entrevistados duros - DIMITRI DO VALLE e o governador Requião Até onde apertar a fonte
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h27
Dica do RAFAEL SAMPAIO: um blog ligado ao site "The Orwell Prize" está divulgando todos os dias trechos do diário do jornalista e escritor inglês George Orwell. O endereço é http://orwelldiaries.wordpress.com/
Dica da JULIANA LUGÃO: entrevistas do Roda Viva transcritas - http://www.rodaviva.fapesp.br/
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h36
Como um repórter foi mordomo de João Gilberto...
...e se organizou para contar a história no dia seguinte.
Luciana Whitaker/Folha Imagem

Meu colega PLINIO FRAGA, comandante interino da Sucursal do Rio, publicou hoje um relato de como foi mordomo de João Gilberto no show do cantor e Tom Jobim, no Rio, em 1992.
Pedi pra ele contar mais para o blog: como ele guardou os detalhes? Anotava no guardanapo? Levou um gravador escondido? Quando sentou para escrever? Como saiu a matéria que escreveu na época? Havia uma pauta, afinal? Ou era só ir lá e observar? Houve repercussão?
E ele atendeu ao meu pedido:


Lembre que estamos falando de 1992. Aqueles gravadores com fita pequena (hoje comuns em secretária eletrônica) eram de importação raríssima e os gravadores acho que nem existiam. Os gravadores pequenos à época eram do tamanho de uma K-7. Não havia como levar um.
Então, anotava num bloquinho que conservava no bolso da calça. Mas eu também não podia anotar na frente dos outros. Anotava quando estava sozinho. Durante o show, foi fácil escrever porque estava na coxia, ficava tudo escuro. Ninguém repararia.
O pior momento, nesse quesito, foi no camarim. Estávamos eu, João Gilberto e o empresário dele. Os dois sentados no sofá e eu em pé. Quando ele foi para o palco testar o som, eu anotei o máximo que pude, ainda meio bobo de ouvir o João Gilberto tocando de tão perto. A pauta não era fechada porque não sabíamos o quanto daria certo _por exemplo, tentamos fazer a mesma coisa no show de São Paulo, alguns dias depois, mas o João Gilberto não usou o camarim. Chegou do carro e foi direto para o palco.
A orientação era "tenta lá e não faça nenhuma besteira que atrapalhe o show". Quando saiu no jornal, ninguém entendia muito como podia haver aspas do João Gilberto na minha matéria. E não dava para explicar.
Sei que quando chegou aos ouvidos do editor de cultura de um jornal do Rio que havia um repórter da Folha no camarim, ele colocou todo mundo de alguma forma envolvido na produção na geladeira (não dava nenhuma linha de eventos que eles estivessem envolvidos) em represália.
Com o correr do tempo, essa história se espalhou entre os jornalistas. Gerou até uma pauta no antigo site No. sobre esforços para entrevistar João Gilberto.
Eu achava que não era ético abrir os bastidores dessa cobertura, mas a história começou a ser contada em parte, muitas vezes com incorreções, em blogs na internet. Resolvemos então colocar as coisas no jornal, para que o leitor, digamos, comum tivesse acesso a informações que circulavam entre jornalistas. Depois de 16 anos, os rastros dos que ajudaram na reportagem sumiram na poeira do tempo. Minha preocupação foi não prejudicar ninguém. Alguns momentos engraçados: 1) quando me apresentei ao chefe dos serviços de garçom do Teatro Municipal, ele se surpreendeu com minha juventude (tinha 24 anos), mas a aceitou em nome da "esquisitice" afamada do cantor. Foi tão solícito que, depois do show, me deu de presente seu abridor de garrafas, com o qual trabalhava havia uma dezena de anos _perdi esse abridor em alguma das minhas mudanças; 2) quando o João Gilberto foi se encontrar com o Tom Jobim, no camarim dele, ao lado, não fazia muito sentido eu ir atrás. Mas fui, porque não podia perder o encontro. Ninguém me perguntou nada, mas não tinha por que estar ali, se fosse só o mordomo. 3) quando o show começou, estava preocupado mesmo é se João Gilberto resolvesse pedir um copo d’água. Caberia a mim, cruzar todo o palco do Municipal, carregando uma bandeja com um jarro e um copo _com a mão esquerda!!!_, me postar ao seu lado e servir com a mão direita. Vários coisas me passavam na cabeça: se eu tropeçar quando entrar no palco? Se eu não suportar o peso da bandeja com a mão esquerda? Se alguém me reconhecer e denunciar a fraude de que não sou mordomo? Eu me arrependia de não ter recusado a pauta da chefia, descartando totalmente a possibilidade de ser mordomo pela minha dificuldade motora, por eu ser totalmente atabalhoado. Pensando nisso e anotando tudo o que podia, não me mexia no meu cantinho na coxia. Quando parte da torre de luz é derrubada e o estrondo assusta até o João, um dos jornalistas da Folha no Municipal comentou: "O Plínio derrubou alguma coisa!" Mas desta vez o mordomo não era o culpado.
Na seção Como foi Feito, jornalistas falam sobre seu trabalho
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h30
Exercício de entrevista em tempo real
Quem puder ligar o rádio ou ouvir pela internet deve acompanhar agora a entrevista do Milton Jung com Paulo Maluf na CBN.
Obviamente não estou entrando no mérito do candidato, mas na questão profissional.
Dá para aprender bastante estudando uma entrevista com alguém incisivo, escorregadio e até, quando convém, agressivo.
E o Milton está conseguindo rebater bem, de forma crítica, mas tranquila.
Para quem não puder ouvir ao vivo, dá para recuperar no site deles.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h19
A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) faz daqui a dez dias um curso bem legal para quem se interessa por reportagem em geral e por cobertura de eleições em particular.
O curso tem quatro aulas concentradas num único dia (sábado, 23, das 9h às 17h30):
- onde encontrar boas pautas
- como usar a internet nas reportagens
- como entender pesquisas eleitorais
- qual é a legislação e que cuidados tomar
Custa R$ 50 para sócios da Abraji e R$ 80 para não-sócios (pode ser parcelado).
Há limite de vagas. As inscrições são feitas direto no site da associação.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h53
Minha leitora Regina vai para a Alemanha e me pediu para escrever sobre como fazer frilas de fora do Brasil:
Fiquei pensando como é difícil concorrer com as agências internacionais. Quais os diferenciais (além do aprofundamento) que uma pauta precisa para chamar atenção de um editor com acesso a tantas notícias divulgadas diariamente?
Fiz uma listinha de possíveis pautas, mas todas já tinham sido abordadas por um ou outro veículo. Foi quando me dei conta de como é difícil ter uma boa idéia. Acompanhei no “Novo em Folha” casos como do Tariq Saleh e do Diogo Bercito, mas tenho a impressão de que o Oriente Médio (ou a África) parecem mais frutíferos para pautas por conta das diferenças culturais e problemas políticos mais evidentes.
Como treinar o olhar para propor pautas mais capciosas e ampliar o leque de temas para não ficar restrito às editorias de turismo? Será que é mais fácil sugerir matérias para seções específicas de revistas? Você acha interessante focar em um assunto como, por exemplo, cultura (e vasculhar ao máximo) ou explorar todos os temas que possam surgir? O ideal é fazer contatos antecipadamente antes da viagem (ainda sem pautas) ou esperar chegar ao país para ter o que propor?
É mesmo mais difícil fazer frilas num país como a Alemanha, muito bem coberta pelas agências. Os jornais brasileiros já recebem o noticiário quente do país.
Para chamar a atenção de um editor no Brasil, você teria que:
-
achar histórias que tivessem alguma ligação com brasileiros, com o Brasil (jogadores de futebol, artistas, brasileiros que fazem sucesso, discriminação a brasileiros, mercado para produtos brasileiros etc.),
-
ou achar histórias exclusivas. Por exemplo, um especialista em ambiente que tenha uma análise original sobre a Amazônia; o presidente da Volks falando sobre planos de investimento no Brasil ou, num ano de eleição, uma entrevista exclusiva com um candidato.
Em geral, é sempre mais fácil sugerir pautas para seções, sim, por causa do foco. Por exemplo, o caderno Vitrine tem uma seção sobre lojas no exterior. Se você descobre uma loja muito legal em Berlim, bem diferente, isso pode interessar ao caderno porque se encaixa precisamente na seção.
Quanto aos contatos, as duas opções não são excludentes:
- faça contatos antes de viajar, deixando claro o período e lugar em que vai estar e, de preferência, com telefone e e-mail para te encontrar (e é importante que você realmente esteja acessível, responda rápido se alguém te procurar)
- quando tiver uma pauta, volte a escrever com a sugestão específica
Como nunca estive numa situação semelhante, pedi também a minha recém-trainee JULIANA LUGÃO, hoje redatora de Brasil, que me ajudasse nas dicas. Juliana morou e fez estágio na Alemanha:
- É realmente bem difícil frilar da Alemanha, principalmente se você sai daqui sem "fazer parte do meio".
- Se você tem contatos em veículos daqui, avise que você está indo pra Alemanha, ofereça seu trabalho e deixe seus contatos. É importante manter uma conta bancária brasileira, pois as chances que você tem de receber em uma conta internacional são quase zero.
- Se não tem contatos, tente fazê-los, mas sempre com alguma estratégia. Quais são seus pontos fortes, o que você já fez? Porque o veículo deve aceitar as suas pautas e não a de outros tantos frilas que sempre propõem?
- O principal para propor uma pauta lá é usar sua condição de brasileira. Isto é: se tem algum tema que seja forte no Brasil, algo que interesse ao Brasil, proponha a pauta. Nunca mande o texto pronto antes de ele ser aceito, isso é um erro tremendo.
- Lá na Alemanha, se você estiver com a escrita afiadíssima, você pode propor pautas de temas brasileiros lá. Um artista brasileiro, uma autoridade brasileira, algum brasileiro se destacando na Alemanha e por quê. Isso interessa muito.
- Agora a dificuldade: há muitos brasileiros na Alemanha. Principalmente nas regiões próximas a Berlim, o que dificulta muito o seu mercado.
- Um bom nicho são as revistas de viagem, que sempre querem pautas novas, de lugares diferentes, o problema é achar algo que não tenha sido dito sobre a região.
- Resumo: mapeie os veículos e entre em contato. Para os alemães, não mande um texto sem estar segura de todas as vírgulas, letras maiúsculas, desinências. Os jornalistas (e principalmente os editores) alemães são pessoas muitíssimo bem formadas e informadas e nunca mais responderão a um e-mail seu se encontrarem erros graves.
- Se você estuda há muito tempo, terá a impressão que sabe mais gramática que os próprios alemães, mas não se engane em relação aos jornalistas. Lá, jornalismo é pós-graduação. A pessoa geralmente estudou em alguma faculdade dificílima e fez uma pós em jornalismo depois.
- A Alemanha, ultimamente, tem rendido muitos temas como tecnologia verde, união européia (estude os tratados, países com mais força, possíveis alianças) e segurança alimentar.
- Por fim, o básico: leia sempre um grande jornal diário (Frankfurter, Süddeustsche), a Spiegel, o Die Zeit e um regional.
Uma leitora conta como foi babá e fez frilas no exterior RICARDO SANGIOVANNI relata seus frilas pelo mundo Como sugerir pautas pra fazer frilas
VISÃO DE CORRESPONDENTE
Uma sugestão de meu colega DIOGO BERCITO, que está em Israel:
Ana, aproveitando que uma leitora sua está com dúvidas sobre pautas no exterior, queria sugerir o blog do Gabriel Toueg --que faz boletins diários sobre o Oriente Médio para a Rádio Eldorado. Eu tive o prazer de conhecer o Gabriel quando estive em Tel-Aviv. O blog dele trata de assuntos de Israel, principalmente, sempre analisados a partir do ponto de vista de quem está lá há alguns anos e enxerga as coisas com olhar crítico. O endereço é http://carteirosempoeta.wordpress.com
Diogo também criou um blog em que conta sua viagem.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h13
Escolha seu infográfico
As duas artes abaixo saíram no jornal de hoje --uma na edição nacional, outra na edição São Paulo.
Qual, na sua opinião, usa melhor as informações visuais? Em qual delas você entende mais rapidamente o que se quer mostrar?


Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h56
Para ilustrar um pouco mais o que falamos ontem: o infográfico deve preferir informação visual à de texto.
1. Conta, em vez de mostrar
Neste exemplo abaixo, o desenho é muito pequeno, acaba não servindo como informação:

2. Mostra, em vez de contar
Nesta página, o leitor tem a dimensão real do pé de Michael Phelps e acompanha uma gracinha criativa sobre altura, envergadura e tamanho das pernas do nadador


Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h08
Jornalismo e literatura
Hoje e amanhã, em São Paulo, um miniciclo de palestras sobre jornalismo e literatura.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h01

Essa máxima dos roteiristas de cinema --"don´t tell; show!"-- bem poderia se aplicar aos infografistas.
Alguém conseguiu aprender a dobrar o tal lençol com base na arte que eu publiquei ali embaixo como exercício? Se conseguiu, é um gênio da abstração espacial.
No mundo dos regularmente dotados, se você quer ensinar como fazer algo, precisa mostrar em vez de escrever. Ilustrações ou fotos (ou, na internet, um bom vídeo) é que seriam adequados.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h40

Já que o assunto do post abaixo era erros, vejam só este: no nome do jornal!!!!
E a nota que eles publicaram depois é uma graça.
Meu colega RAFAEL SAMPAIO me mostrou este site, Regret the Error, que coleta enganos pelo mundo afora.
No jornal dos outros, é superengraçado, não é?
Errou, corrija! Jornal corrige erro na capa Emenda pior que o soneto - outro "quase caso de humor" envolvendo um erro
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h48
Parece fiquissão

Não desejo esse vexame pra ninguém, mas já escrevi "esemplo", com S em vez de X.
Tudo bem que foi no tempo da máquina datilográfica (sabem o que é? A minha era turquesa, como a da foto acima), não havia corretor ortogáfico e eu ainda era trainee e não sabia (!!) que é preciso reler o que a gente escreve antes de passar adiante.
E, não, não saiu publicado; era só um exercício.
Mas erros de grafia, normalmente considerados leves, podem se tornar graves em dois momentos:
- quando alteram uma informação (um nome próprio, por exemplo)
- quando são vexaminosos
CRISTINA MORENO de CASTRO conta um caso desses escabrosos e dá uma lista de bons links para checar grafias.
Aconteceu quando minha irmã estava na faculdade de jornalismo da PUC-MG.
O professor de redação, no 1º período, resolveu dar um ditado. Os marmanjos ficaram indignados: ditado é coisa de pré-primário!
Ah é? O professor ditou palavras cujos erros são mais freqüentes nos jornais afora. Aquelas em que você não sabe se é com SS ou SC, com G ou J, se tem G mudo ou não etc. Isso para não falar dos verbos defectivos e outras pegadinhas da língua portuguesa.
Não deu outra: o resultado da sala no ditado foi vexatório. Não teve um que fechou o teste. Bomba geral.
O mesmo professor gostava de relembrar uma situação que o marcou profundamente.
Corrigindo uma redação de um aluno, deparou-se com a seguinte "palavra": fiquiço.
Leu atentamente, perscrutou o contexto, soletrou: F-I-Q-U-I-Ç-O. "Que diabo era aquilo?"
Chamou o pai da charada à sua mesa:
- Fulano, que está escrito aqui?!
O universitário olhou, olhou, pensou (tentando entender onde havia errado, afinal) e, iluminado, soltou esta:
- Desculpe, professor! Esqueci do acento! Pronto: "fíquiço".
Não preciso nem dizer que o professor tremeu nas bases ao entender que aquilo era um monstrengo de "fixo". Deve ter se lembrando do personagem de Chico Anysio...
O fato é que todos estamos sujeitos aos erros mais bizarros do mundo. Logo no começo do treinamento, escrevi uma palavra desastrosa que não chegou a ser um "fíquiço", mas era parente do "craço" (eu juro que esqueci qual era! Algumas coisas a gente apaga da memória...).
Esses erros, crassos ou não, têm muito mais chances de acontecer quando escrevemos no computador, em vez de à mão, quando faltam cinco minutos para entregar a matéria, em vez de cinco dias, quando o café do almoço não fez efeito... Enfim, com jornalista isso é batata!
Multiplique essas chances por dez quando a palavra for estrangeira, quando for um nome próprio esquisito, quando isso tudo estiver inserido numa frase longa demais.
Para tentar remediar esses sufocos, há vários cartazes espalhados pelas paredes da Folha com os dizeres "Não chute, cheque".
E aí eu volto ao post anterior, lembrando que não dá pra checar em qualquer lugar e que o mundo é isso mesmo, um poço de informações erradas com algumas poucas ilhas para nos salvar. Ofereço algumas delas:
Dicionário na internet, vários tipos http://michaelis.uol.com.br/ Dicionário de Espanhol: http://www.elpais.com/diccionarios Dados sobre todos os municípios brasileiros: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/default.php Dados sobre os estados brasileiros: http://www.ibge.gov.br/estadosat/ Dados sobre cidades mineiras (inclusive distâncias): http://www.alemg.gov.br/index.asp?grupo=estado&diretorio=munmg&arquivo=municipios Conversor de moedas: http://www5.bcb.gov.br/pec/conversao/conversao.asp?id=txconversao Outro conversor: http://www.fgvdados.fgv.br/bf/frm_conversao_moeda.asp Atualização monetária: http://www.fgvdados.fgv.br/bf/frm_atualizacao_monetaria.asp Previsões de tempo de várias partes do Brasil: http://www.inmet.gov.br/sonabra/maps/automaticas.php Mapas diversos: http://www.ibge.gov.br/mapas_ibge/
Coloquem suas dicas nos comentários!
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Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h24

Às 3h30 da madrugada o jornal já está rodando na gráfica e as Redações costumam estar vazias. Algum jornalista vai ficar cobrindo esse jogo de vôlei? Se a partida é nesse horário, o que faz a equipe de Esporte?
Num on-line, pode cobrir ao vivo e atualizar em tempo real. E no impresso?
Meu colega ALEC DUARTE, editor-assistente de Esporte e responsável pela coordenação da cobertura nas duas plataformas, conta como está o trabalho da Folha na cobertura da Olimpíada:
Nos dois casos (on-line e impressso), optou-se por uma estrutura grande (de pessoal) durante o horário em que a competição se desenrolava. Isso significou encher a Redação na madrugada/dia e dar menos ênfase ao final da tarde/noite (justamente quando ocorrem os dois fechamentos do jornal, o da edição nacional, às 20h, e da edição São Paulo, à 0h30). Achei totalmente acertada a decisão. Nitidamente, o trabalho de madrugada, enquanto a Olimpíada ocorre, é mais produtivo (e obrigatório) para o jornalismo on-line, que tem a obrigação de acompanhar o hard news e informar sobre resultados e medalhas em tempo real. No jornal impresso, a coisa é bem diferente. A idéia foi avançar um pouco na madrugada (até por volta de 2h, ou 13h em Pequim) justamente para amarrar o dia seguinte e combinar, com os enviados, as pautas que merecem apostas e investimento. Como o "dia olímpico" termina por volta de 13h aqui, a edição nacional reflete exatamente a jornada que passou _as provas só recomeçam por volta de 20h30, manhã do dia seguinte na China. A maior dificuldade deste tipo de cobertura é o fenômeno que eu chamo de "o lado escuro da lua", ou seja, o período entre, digamos, 14h e 20h, quando você perde totalmente o contato com seus enviados _claro, eles têm de dormir (infelizmente). Por isso o acordo prévio sobre reportagens, tamanhos de textos e pautas a investir é indispensável para uma primeira edição bem-sucedida. O pulo do gato, na edição São Paulo, é refazer aquilo que deixou dúvidas e atualizar com as primeiras notícias do dia (seguinte). Esse é outro aspecto bacana: em alguns momentos, e já nessa cobertura de Pequim, publicamos informações que tinham acontecido "hoje" (sim, no horário chinês). De certa forma, não deixa de ser uma glória para um jornal em papel, tão discutido por causa de sua desatualização (maldito ciclo de 24h!), publicar informações ocorridas na data de sua publicação, e não de produção, como é o normal. Para quem não sabe, mesmo após o fechamento é possível (dentro de um cronograma industrial rigoroso e inclemente) incluir novas informações e fazer ajustes. Mas eles têm de ser rápidos: enquanto corremos com as mudanças, a gráfica corre com a rodagem da edição. Ou seja: quanto mais demoramos, menos leitores têm acesso às notícias mais quentes. É outro ponto diferente e divertido quando o centro das atenções é o outro lado do mundo: é quando o jornalismo impresso se aproxima do on-line, e a agilidade passa a desempenhar tarefa fundamental nessa arte que é hierarquizar e escolher notícias.
O Alec colocou em seu Webmanario uma lista de links com várias informações sobre Olimpíadas.
{Obrigada a meu leitor Thiago pela sugestão de post}
AO SOM DO HINO DO URUGUAI
E por falar em Olimpíada, meu leitor João me chama a atenção para um post bem legal do MARCELO COELHO sobre os hinos nacionais. Como escreveu o João no comentário: quando a gente pensa que não tem mais pauta sobre o assunto, vem alguém e nos surpreende.
Para entrar no clima, ouça aqui (ou, "mais suave", uma versão no piano).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h11
Lembram-se do Marcio, que não conseguiu começar a faculdade no primeiro semestre porque foi agredido num trote na Uninove?
Ele tenta nesta semana começar sua vida universitária, desta vez na Universidade Sant'Anna.
Vamos torcer para a recepção lá ser decente.
No caso da Uninove, o inquérito até hoje não foi concluído pelo DP de Perdizes.
Nesses seis meses, perguntei cinco vezes para a faculdade que providências foram tomadas seja em relação aos alunos acusados de agredir o Marcio seja para impedir casos semelhantes neste semestre (e nos próximos).
Hoje, a escola respondeu o seguinte:
Novo em Folha - A Uninove tomou alguma medida especial para evitar novas agressões na volta às aulas neste semestre?
Uninove - Nesse segundo semestre de 2008, entre os dias 12 de agosto e 05 de setembro, a instituição promoverá a Integração UNINOVE – Gincana da Cidadania, aonde os estudantes arrecadarão agasalhos, brinquedos e alimentos não perecíveis, que serão doados para entidades sociais próximas aos campi.
Os calouros e veteranos participarão de uma gincana, em que cada doação será validade de acordo com uma tabela de pontos estipulada pela comissão organizadora. No final desse período, as duas turmas de veteranos e uma turma de calouros, que atingirem a maior pontuação por meio das arrecadações, conquistarão a oportunidade de indicar uma comunidade ou uma instituição social para receber um computador ou uma impressora e, ainda, cada aluno vencedor ganhará um curso de férias UNINOVE.
NF - Os alunos envolvidos no caso do Márcio continuam suspensos? Quantos são? Por quanto tempo ficarão suspensos?
Uninove - Por fim, de acordo com a última resposta dada para o caso da pessoa citada pela jornalista, a UNINOVE não tem qualquer informação adicional sobre o assunto e ressalta que no início de cada semestre adota uma série de ações para promover a conscientização, integração e as boas-vindas aos calouros, de modo a resguardar a integridade física dos alunos, professores e colaboradores.
Novo em Folha - já houve algum outro caso de suspensão ou expulsão por trote, em anos anteriores?
Esta pergunta não foi respondida
Diga NÃO ao trote intimidatório
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h54
E por falar em jornalismo gráfico
Meu colega ALEC DUARTE avisa:
O livro "Infografia 2.0", do espanhol Alberto Cairo, será lançado no começo de setembro. Cheio de exemplos (bons e ruins), trata da web e de papel. O primeiro capítulo, como aperitivo, está aqui
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h40
Arte é informação
Começa hoje o oitavo programa de treinamento em jornalismo gráfico da Folha.
O que é "jornalismo gráfico"? É fazer mapas, gráficos, quadros, páginas que informem o leitor da maneira mais rápida, clara, didática e objetiva possível.
É usar os recursos visuais para informar, nos casos em que eles são mais úteis que texto. Parece óbvio e simples, mas não é.
UM EXERCÍCIO, PARA DAR O EXEMPLO
Vejam esta arte que saiu na Folha já faz meses. O que acham? Fariam diferente?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h50

Esta página da edição de sábado do caderno Pequim 2008 é um ótimo exemplo de edição.
Não porque ficou bonita, nem por ter usado a contracapa e a capa numa espécie de pôster.
Mas por ter efetivamente editado as informações do dia, na contracapa, relacionando as que tinham afinidades, agrupando-as de acordo com os sentidos, dando para o leitor um panorama pensado, articulado, refletido.
Vejam aqui embaixo, de forma ampliada:




Se o editor tivesse só "fechado", teria simplesmente publicado as notícias na página, sem estabelecer qualquer nexo entre elas. Mas ele fez mais. Fez o que todo editor deveria fazer sempre que tem um bom caso nas mãos. Usou conhecimento e criatividade para supreender e informar o leitor.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h35
Cuidado, você pode estragar a vida dos outros


Essas são sugestões do ombudsman da Folha, CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA, em sua coluna de domingo sobre como jornalistas podem estragar a vida de gente inocente.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h56

Esta mensagem é para você que passou na faculdade de jornalismo (ou do que seja).
Parabéns! Você tem todos os motivos para estar feliz. Saia pra beber com os amigos, conte para todo mundo, emende três dias na balada com a garota ou o garoto para descontar os meses de sacrifício.
Não se sinta obrigado a ir para o meio da rua pintado como um palhaço pedir moedas. Não encha a cara de pinga barata às 10h só porque uns idiotas querem se sentir bacanas coagindo você.
Não acredite que você será excluído ou perseguido se não quiser participar do trote. É mentira. Há mais vida inteligente na sua faculdade além dos trogloditas barulhentos.
Você está chegando agora na faculdade e essa minoria truculenta --que só consegue se afirmar impondo o trote aos calouros-- vai tentar fazê-lo acreditar que esse é o "espírito universitário".
Não é.
Não tenha medo de desagradá-los. Você não vai mesmo querer ter amigos como eles.
Se sofrer qualquer tipo de violência, denuncie. A cultura da intimidação pode mudar, se quem é contra ela sair do silêncio.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h53
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