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A marca da política

Como é ano de eleição, vale a pena estender a vocês a pergunta de minha leitora F.: jornalista pode fazer assessoria política, campanha, e depois voltar a cobrir a área com isenção?

Escrevo este e-mail porque gosto de jornalismo político, mas acho essa área uma das mais complicadas na profissão. Acho muito interessante o trabalho do jornalista e do assessor politico, mas tenho a impressão de que as carreiras não devem ou não podem se cruzar.

Quero dizer: será que um jornalista que já trabalhou na assessoria de algum político consegue cobrir a mesma área em algum jornal ou fica 'marcado' por essa experiencia e dificilmente conseguiria continuar a carreira?

Sinceramente, acho muito válida a experiência na assessoria de um político --é uma boa forma de conhecer 'por dentro' como funciona a
rotina do assessorado e dos demais politicos--, além de garantir contatos na area --fundamentais para conseguir boas pautas.

Imagino ser bem interessante acompanhar uma campanha eleitoral ou as discussões em alguma CPI, por exempo. Por outro lado, que
credibilidade o jornalista tem para cobrir um escândalo ou uma denúncia envolvendo alguém com quem ele ja trabalhou ?

Conheço jornalistas que fizeram assessoria política e que depois voltaram para o jornal, sem problemas, mas não sei se esses casos são
exemplo de sorte ou são rotina...

É curioso ver que a pergunta da F. já vem cheia de respostas:

quais os prós de trabalhar com políticos?

  • conhecer o assunto por dentro
  • fazer contatos

quais os contras?

  • ter sua isenção questionada
  • ficar identificado com o político a quem assessorou

é possível ir e voltar?

  •  sim. Conheço ao menos um exemplo, meu amigo KENNEDY ALENCAR. F. diz que conhece vários outros.

voltar é questão de sorte? Ou exige algo especial?

Essa é a parte que eu deixo para vocês responderem. Algum dos leitores já esteve nos dois lados e quer comentar? Que cuidados seria preciso tomar para voltar à reportagem sem ver questionada sua capacidade crítica e investigativa?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h51

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Salto alto na zona de conflito

Pois fui viajar para a Suécia e me esqueci de publicar todos os comentários dos meus trainees sobre o congresso da Abraji.

Retomo agora com a PATRICIA GOMES. No pé, vocês encontram os links para os outros relatos da turma.

PALAVRA DE GENERAL

Talvez por herança dos meus tempos de France Presse, as duas primeiras palestras que escolhi foram sobre conflitos armados.

Como representantes de instituições com funções sociais diferentes, os palestrantes protagonizaram uma conversa extremamente polifônica, com opiniões divergentes.

O coronel Carbonell, que esteve no Haiti e participa da formação de jornalistas para situações de conflito, falou da dificuldade de produzir notícias que não estejam carregadas de opiniões e sentimentos quando se está em campo. Falou ainda da extrema necessidade de conhecer história, as normas do direito internacional de conflitos armados, as estruturas militares e de não ir de sapato de salto para a área de conflito. Ele jura que aconteceu isso no Haiti.

MÁFIA DAS FUNERÁRIAS

Da série “Boas Histórias” preparada pela Abraji, esta era sobre a Máfia das Funerárias, matéria exibida no Fantástico e feita por Eduardo Faustini.

Algumas frases dele:

  • “Tenho microcâmera, uso e não abro mão” _com a ressalva de que optar por usá-la implica um amplo debate e sempre exige responsabilidade
  • “jornalismo investigativo custa dinheiro, tempo e nem sempre é publicável”
  • “o grande parceiro do jornalismo investigativo é o departamento jurídico”

LAVAGEM DE DINHEIRO

Não sobrou lugar nem nas cadeiras, nem no chão. Estavam todos ali para ver Rodrigo Gomes, delegado da Polícia Federal, e Amaury Ribeiro Jr, jornalista do Correio Braziliense, falarem sobre lavagem de dinheiro.

Imbuído da tarefa de explicar o que é e o que não é lavagem de dinheiro, o delegado apresentou as realidades nacional e internacional. Foi interessante entender os procedimentos mais usados pelos criminosos e perceber que são os infratores os que mais conhecem a lei. Embora o tema seja recorrente nos noticiários, fiquei impressionada com o aparato de ações coordenadas existente tanto no Brasil quanto no exterior para impedir que dinheiro de origem ilícita possa circular.

Já Amaury, que falou na seqüência, se deteve em mostrar formas de tentar detectar e rastrear dinheiro sujo. Por considerar que “a maior parte dos investimentos no Brasil têm origem em dinheiro sujo”, Amaury sugeriu a utilização de bancos de dados, a busca de informações em cartórios de títulos de documentos e nas execuções ordenadas pela Justiça para identificar ações ilícitas.

O jornalista ainda justificou a dificuldade de se provar o crime de lavagem de dinheiro, por dois motivos. O primeiro é que quem planeja esse tipo de ação entende muito de legislação trabalhista. O outro é que, para poder se chegar à lavagem, é preciso provar um crime precedente, que deu origem ao dinheiro.

FINANCIAMENTO DE CAMPANHA

Rubens Valente e Lúcio Vaz falaram sobre financiamento ilícito de campanhas eleitorais. Além de citarem exemplos de apurações próprias e de terem apresentado de situações irregulares nas campanhas de parlamentares conhecidos nossos, foi muito interessante a discordância a respeito da formas que consideram ideais para financiamento de campanha.

Enquanto Rubens está certo de que o financiamento público de campanha aumentaria o caixa 2, Lúcio defende que esta é a única saída para ter um controle mais claro das doações. Tão bons foram os argumentos de ambas as partes, que fiquei sem ter uma opinião própria.

Indicações de leitura do congresso da Abraji
Fundamentos do jornalismo - e links para outros posts que comentam o congresso

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h24

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Não há garantias na vida

Uma das maiores agonias quando temos que tomar uma decisão é o medo de errar.
 
 
Como saber se tomamos a decisão correta?
 
Não há como prever. Também não há como julgar mais tarde. Mesmo que tudo seja desastroso, quem garante que não haveria desastre maior se fosse outra a escolha?
 
É por isso que é tão difícil dar palpite quando alguém pede uma opinião desse tipo. No máximo, a gente pode tentar organizar a cabeça. Levantar alguns pontos nos quais pensar, que talvez ajudem a tomar uma decisão sem tanta aflição.
 
No caso de A.C., por exemplo, que já tinha aceitado o emprego na internet, eu havia feito algumas ponderações que talvez a deixassem mais tranquila:
  • experiência em internet é muito importante. O jornalismo digital só tende a crescer
  • é bom aprender a trabalhar num meio diferente. Uma das principais coisas para quem está começando é aprender, aprender, aprender
  • não obrigatoriamente você não pode fazer outros frilas. Converse com seu editor. Talvez para revistas que não sejam concorrentes do site não haja problema. Pelo menos pergunte --a gente nunca perde nada perguntando. O máximo que pode acontecer é ouvir não
  • se não puder fazer os frilas, talvez possa criar um blog que te permite manter as fontes que fez na área. Vc pode continuar falando com elas de vez em quando e alimentando seu blog com informações que recolher
  • não se sinta culpada por ter carteira assinada e benefícios. Não há nada de errado nisso. =)
  • se você realmente odiar o trabalho, sempre pode se demitir e voltar à condição original de frila
  • você também pode se colocar um limite de médio prazo: fica seis, nove, 12 meses no site, pra ganhar experiência em on-line, faz uma boa poupança e depois tenta algo mais jornalístico ou até mesmo volta aos frilas
Mas, apesar disso, ela tomou outro caminho. Desistiu do trabalho com carteira assinada.
 
Ela conta:
 
Pensei muito, conversei com pessoas e resolvi seguir aquilo que, no fundo, eu queria.
 
Na minha decisão eu levei em consideração o crescimento da internet, a importância disso na carreira, no jornalismo, mas também levei em consideraçao o que de fato eu iria produzir no site.
 
Um dos motivos que me levou a sair de uma revista em que trabalhava antes foi justamente o enfoque das matérias que eu produzia não combinarem muito comigo. Eu sofria muito para pensar em pautas, e além disso, escrevia muito pouco (na minha concepção), por ser um revista mensal.
 
Quando os assuntos abordados não batem, você não consegue sugerir pautas, procurar temas que se encaixem na revista etc.
 
No site iria escrever exatamente sobre o mesmo assunto, ou seja, voltaria ao que estava fazendo antes.
 
Era uma oportunidade legal, eu sei, hoje em dia está difícil achar trabalho na área, eu também sei. Mas acho que ia ser a repetição daquilo que via na revista.
 
Essas matérias que estou fazendo para o jornal na condição de frila têm me ensinado muito. Estou fazendo um curso de redação jornalística também que tem me ajudado.
 
Não sei se tomei a melhor decisão, nem se estou fazendo a escolha mais certa, mas por enquanto é isso que eu quero. Estou procurando outros lugares, e continuarei fazendo frilas até que algo bacana apareça.
 
Ninguém nunca sabe se tomou a melhor decisão. Deixe isso de lado e siga em frente. E boa sorte!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h33

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Para cobrir a Amazônia

Para cobrir a Amazônia

O projeto Repórter do Futuro abriu inscrições, até 4/7, para o módulo Descobrir a Amazônia, Descobrir-se Repórter.

O curso vai debater questões relevantes sobre a Amazônia e terminará com uma viagem –-realizada em parceria com o Exército-– à região.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h16

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No funeral dos famosos

                                              Jorge Araújo/Folha Imagem

Pobre do meu trainee MAURICIO HORTA. É a terceira ou quarta vez em que, como exercício, vai parar num velório ou enterro ou missa de sétimo dia.

Mas sorte nossa, porque cada experiência dessas rende mais um inspirado "guia Horta de como cobrir tragédias".

Neste capítulo, ele dá dicas que descobriu ontem, no velório de Ruth Cardoso:

MORTE DE FAMOSOS. Sabe as dicas para velórios que dei semana passada, na cobertura da morte de um engenheiro morto em sua própria casa? Esqueçam-nas todas quando o morto for uma figura pública. São situações completamente diferentes --velórios de famosos são profissionalmente organizados contando com a certeza de que a imprensa estará lá. Alguns dos presentes não apenas estão acostumados com a imprensa como podem coreografar suas ações em função das câmeras. Prepare-se para coletivas, assessores, áreas restritas para imprensa e tudo mais que é presente em eventos públicos. Prepare-se até mesmo para os presentes darem as costas ao velado.

  • - FAÇA OS CONTATOS. Descubra quem assessora a imprensa, tenha seu contato e saiba onde encontrar essa pessoa. Sempre surgirá alguma dúvida como a origem da bandeira dobrada à direita do braço do corpo, o horário de chegada de algum visitante específico ou a causa da ausência de um dos parentes ou amigos;
  • - saia da redação também com o contato de visitantes que forem importantes para a pauta e/ou de seus assessores;
  • - PESQUISE. Saiba muito sobre a vida do morto --onde nasceu, onde estudou, quais são seus círculos sociais, se tem filhos ou netos, quantos são, como são, como se chamam, onde moram;
  • - DÊ RETORNO constantemente. E, se você vir algo estranho, como o comediante Tom Cavalcante ficar quase uma hora entre amigos e familiares de Ruth Cardoso, não tenha medo de perguntar ao editor se isso faz algum sentido;
  • - SAIBA A FISIONOMIA de todos, absolutamente todos os prováveis presentes. Essa é principalmente para quem se informa só pelo impresso e acaba não ligando caras a nomes. No caso do velório de Ruth Cardoso, era necessário reconhecer na primeira piscadela professores da FFLCH-USP da geração dela, todos os ministros dos governos Lula e FHC e as principais figuras do Senado e da Câmara, assim como as do PSDB, do DEM e do PT. Na hora, não vai dar para conferir se aqueles cabelos grisalhos são do Arthur Virgílio. E não adianta perguntar para o colega do lado, pois muitos não vão saber informar;
  • - ANTECIPE-SE. Se a pauta incluir uma declaração de um político específico --do Lula, digamos--, entre em contato com a assessoria para saber exatamente qual o passo-a-passo que ele tomará. Sabendo esse passo-a-passo, antecipe-se sempre. Assim que, digamos, o Lula for deixar os pesares e seguir em direção a um lugar onde deverá dar uma coletiva, corra ao lugar antes da chegada dos cinegrafistas --e para isso, saiba antes onde será esse lugar. O Brasil tem muitos telejornais e as muralhas de câmeras impedem que se possa sequer ouvir a fala do entrevistado;
  • - RESPEITE O FOTÓGRAFO. Vai dar raiva o fato de cinegrafistas e fotógrafos ocuparem os lugares com as melhores vistas, mas tenha em mente a importância de uma boa imagem no jornal ou na tela. Sem boa foto, não há abre de página. O repórter pode abrir mão da melhor visão para correr atrás de informações que não podem ser captadas numa fotografia. Além do mais, é importante manter a camaradagem com os fotógrafos pois, caso você não se lembre de quem é aquela careca feia, ele, que vive na rua, mais provavelmente saberá e poderá ajutar-te. 
  • - SEJA MULTIFOCAL. Em velório de pessoas públicas, mil histórias acontecem paralelamente. O Alckmin vai ficar num canto e o miolão brasiliano, noutro. A Marta vai cumprimentar o Serra. O Serra vai beijar a testa da Ruth Cardoso. O Maluf vai ficar estrategicamente ao lado do Fleury e dos lanceiros do regimento Nove de Julho da PM. E tudo pode acontecer ao mesmo tempo;
  • - LEIA SINAIS. Tudo citado acima tem significados. Enterros de pessoas públicas são coreografados. Todos sabem que estão sendo observados --mesmo Lula, que pode amarrar o cinto da primeira-dama Marisa como se estivesse num lavabo. O que for intencional, é informação; o que não for será saia-justa --logo, informação também;
  • - VEJA O OUTRO LADO. Não, não se trata do "o outro lado" padrão da Folha, mas daquilo tudo que está além das cenas. Quais empresas e quais políticos enviaram coroas de flores? Como são essas coroas de flores? Como é o ambiente físico onde acontece o velório? Quem são os visitantes "do público"? Como são? Por que vieram ao velório, se não são parentes nem amigos? Vieram ver Ruth Cardoso ou o Lula? O que acharam do velório? O que lhes chamou a atenção? Como a segurança se comporta? E o mais importante --não busque adjetivos para responder a essas perguntas, mas sim informações nomeáveis, quantificáveis e possíveis de serem confirmadas;
  • - e, claro, RESPEITE as pessoas que estiverem fragilizadas e não quiserem dar declarações. No caso do velório de Ruth Cardoso, uma coisa é um acadêmico ou um político dar uma declaração de pesar numa coletiva; outra coisa é uma filha chegar fragilizada do exterior, depois de um vôo dolorido, talvez solitário, longe de outros parentes. Em velórios, o bom entrevistado não é o que vai chorar, mas, sim, o que estiver disposto a passar boas informações.
     
    MEUS ERROS:

  • - quando for conversar com algum visitante "do público", não basta perguntar seu nome completo e idade. Pergunte sua profissão, o bairro onde mora e todas as questões que possam localizar socialmente essa pessoa. Não é possível no jornal dizer que a pessoa é "simples", "sofisticada", "ignortante", "educada", "pobre" nem "rica", mas é possível dizer se é uma empregada doméstica ou uma professora de ensino médio; se mora em Brasilândia ou no Jardim Paulistano. Isso faz toda a diferença na hora de colocar suas aspas justificando a visita ao enterro. Não é jornalístico dizer que uma "mulher de 55 anos e três dentes visitou o velório de Ruth Cardoso para ver Marta Suplicy e Lula", mas é jornalístico dizer que "uma costureira de 55 anos veio a pé da Barra Funda ao velório de Ruth Cardoso, na Sala São Paulo, para ver Marta Suplicy e Lula".
  • - se você quiser saber o preço da coroa de flores enviadas por Lula, não tenha receio de perguntá-lo à floricultura que a enviou. No entanto, comece com perguntas genéricas. Disque para o número do estabelecimento, que geralmente consta na faixa de mensagem de pêsames, pergunte qual a faixa de preço de coroas de flores dentro das mesmas características da enviada pela Presidência (de 1,8 m por 1 m dá quanto? E com palmas, crisântemos e antúrios, mas sem orquídeas?). Então, comente que você gostou muito da enviada pela Presidência e pergunte quanto custaria, mais ou menos, uma igual. No final, pergunte quanto custou para o Lula. Não precisa mentir --pode dar seu nome real, dizer que gostaria de saber o preço. Só não estrague tudo falando de cara que é do veículo tal, querendo saber quanto o Lula pagou por 1,8m² de flores. 

Simone Iglesias fala sobre como entrevistar vítimas de tragédias
Italo Nogueira e a cobertura da
morte do menino João Hélio
Algumas dicas para entrevistar pessoas em momentos delicados
Não somos urubus. Somos?
Você quer mesmo
passar a vida fazendo isso?
O fotojornalista Henrique Esteves conta como registrou uma mulher baleada no Rio
Ana Carolina Fernandes e a
cobertura de tiroteios nos morros do Rio
Público ou privado? O que deve fazer um fotógrafo quando tem dúvida?
Três formas diferentes de tratar uma mesma pauta fotográfica   
Simone Iglesias conta sua experiência na cobertura de um acidente com muitos mortos 
Ana Flor e os conflitos no Quênia 
Ricardo Westin fala sobre a cobertura de uma morte trágica em São Paulo  
Fotógrafa do Zero Hora conta como fotografou uma execução

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h37

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Menos é mais

O professor PAULO RAMOS  comenta o exercício da semana passada.

Esta versão?

Isso significa que, a partir do próximo vestibular, a instituição, que não pretende recorrer da decisão judicial, será obrigada a tomar algumas providências, como indicar a condição de candidato com deficiência e, no momento da avaliação, garantir que haja intérpretes e professores preparados para viabilizar a compreensão dos comandos da prova pelo deficiente.

Ou esta?

Isso significa que a instituição, que não pretende recorrer da decisão judicial, será obrigada a tomar algumas providências a partir do próximo exame vestibular. Duas delas: 1) indicar a condição de candidato com deficiência; 2) no momento da avaliação, garantir que haja intérpretes e professores preparados para viabilizar a compreensão dos comandos da prova pelo deficiente.

Qual você escolheria para figurar numa página de jornal, se fosse o editor do caderno?

Eu tenderia a ficar com a segunda versão.

Por mais que não tenhamos aqui o contexto dessa notícia, o texto tende a ficar mais claro por causa da divisão das informações em frases e tópicos.

Essa é apenas uma forma de reescrever o primeiro trecho, que existiu mesmo, não foi nenhuma invenção.

Alguns leitores do “Novo em Folha” arriscaram soluções na semana passada, todas muito boas.

O segredo –se é que isso seja um segredo- é que o texto jornalístico flui melhor com frases mais curtas.

Não se trata de impor um estilo aos jornalistas. Nada disso.

É que construções menores tendem a tornar a leitura mais clara e contínua (e, de quebra, reduzem os problemas de vírgula e concordância).

Com isso, aumentam muito as chances de o leitor não desistir da matéria e de entender o conteúdo da notícia –real objetivo do texto jornalístico.

É um exercício contínuo –e louvável- nos policiarmos na hora de construir as frases. Estão suficientemente claras? O trecho ficou muito longo e de difícil leitura? 

Quem agradece é o leitor, muitas vezes esquecido pelo jornalista no momento da redação da matéria.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h06

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Bancos de dados podem morder

É mais ou menos isso o que diz o especialista Mark Nichols, nesta entrevista ao Indystar.com, que devo a meu professor Marcelo Soares.

Faço um resumo abaixo, mas sacudam a preguiça e leiam a entrevista no original:

  • bases de dados podem ter erros. Se algo parecer estranho, desconfie. Confira.
  • se vai colocar a base na internet, tenha ainda mais cuidado. Principalmente se a base citar pessoas nominalmente.
  • os dados foram compilados por um ser humano, o que pode provocar erros de digitação, enganos etc.  
  • saiba tudo o que puder sobre seus dados: a amostra é representativa? quando foram coletados? que limites têm? pode ter havido falha na metodologia?

Mark também fala sobre como está o acesso a informação pública hoje nos EUA.

Faça seu banco de dados

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h10

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A prova do treinamento

Quem quiser ver como foi a prova de seleção da 46ª turma de treinamento pode clicar aqui.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h22

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A quem eles servem?

Agora a Justiça impediu o JT de publicar uma matéria.

Aqui, a cobertura do próprio impedido, sobre o fato.

E, como vocês devem estar lendo, a Justiça Eleitoral anda multando jornal que publica entrevista (o que será que eles queriam que os jornais publicassem?).

Como diz meu colega e amigo FERNANDO BARROS E SILVA, numa de suas excelentes colunas, a desta segunda-feira:

A um jornalista -e não só- é sempre útil se perguntar "para que serve a imprensa?" ou "a quem ela serve?". A discussão pode ser boa.
Da mesma forma: para que serve a Justiça Eleitoral? E a quem?

Entre nós, tem servido para proteger os políticos, e não os direitos do eleitor, além de ser um instrumento de inibição -quando não de censura- do debate, em prejuízo do público.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h06

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Comunicação corporativa

De vez em quando alguns de vocês me perguntam sobre comunicação corporativa, que conheço mal.

Um amigo que trabalha nessa área me indicou o blog da Yara, que pode ajudar a quem se interessa pelo assunto.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h10

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Este blog direto no seu celular

Lembram-se que eu comentei sobre o QR Code, futura vedete da tecnologia?

Pois bem, aí está o código deste blog. Se seu celular navega na internet e lê os QR, basta você imprimir esta imagem e, quando quiser, fotografá-la com seu telefone. Ele vai carregar direto o Novo em Folha.

No site da kayma, onde fiz o meu código, dá para baixar um QR reader.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h27

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Tem uma boa pauta, mas falta dinheiro?

Seus problemas podem ter acabado.

Pelo menos se você ganhar uma das bolsas da Avina, que vão financiar com até US$ 6.000 projetos de investigação jornalística em seis áreas: integração da América Latina, transparência, negócios inclusivos, arte e educação, mudança climática e inclusão social.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h31

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Tema do futuro

Acho a newsletter do Al Tompkins quase sempre útil. Vale a pena vocês assinarem, no site do Poynter. É de graça.

A de hoje traz um assunto especialmente oportuno: como achar pautas de ambiente que se aproximem do leitor.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h19

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Frila num grande jornal? Ou emprego num pequeno site?

O que vocês fariam? A pergunta é de minha leitora A.C.:
 
Depois de enviar diversos e-mails "cara de pau" para jornais e algumas revistas, perguntando sobre frilas, comecei a frilar num jornal grande. Nada fixo, mas tem rolado constantemente.
 
Agora surgiu uma oportunidade de um emprego fixo, em um site de entretenimento. Ele não é muito conhecido, mas está crescendo. É uma espécie de guia, como o da Folha ou do Estadão, mas para o Brasil todo. Minha função será escrever matérias para um dos canais do site, destinado ao público masculino.
 
Já aceitei o trabalho e começo na segunda-feira. No entanto, agora estou numa tremenda dúvida, já que, se aceitar o trabalho, não vou poder frilar para o jornal, e muito menos para outros posíveis veículos.
 
Ambas as decisões tem prós e contras. Como frila posso continuar a escrever para jornal, que é o meio que mais abre portas na minha opinião, e tentar outros frilas, além do aprendizado e curículo que estou fazendo ao escrever para diversos veículos.
 
No site, serei registrada, ou seja, salário fixo, e também terei a responsabilidade de cuidar de um canal. O que me incomoda são os temas das matérias, que não se tratam exatamente de jornalismo, mas de entretenimento, se é que você me entende.
 
Sei que não devo pensar em dinheiro agora, e muito menos em estabilidade, e é por isso que estou na dúvida.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h14

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Muda a plataforma, mas o estresse é o mesmo

Minha leitora Ana Carolina me mandou já faz tempo esta reportagem do NYT sobre os malefícios da web 2.0 à saúde: "Cita três casos extremos de blogueiros mais velhos: dois morreram repentinamente de problemas cardíacos e um terceiro sobreviveu a um enfarto. O repórter não faz sensacionalismo nem indica uma epidemia, mas investiga o estilo de vida das pessoas que fizeram da produção de conteúdo para a internet seu ganha-pão. Problemas para dormir, aumento de peso, estresse agudo pela necessidade de estar sempre escrevendo posts, gravando podcasts e editando vídeos são os principais indícios. Alguns são pagos por post escrito, outros pelo número de leitores. Todos só lucram se conseguir se antecipar à concorrência e conquistar a publicidade on-line, mesmo que tenham que adiar a qualidade de vida para depois que se tornarem milionários".

A reportagem está em inglês, mas a Ana separou dois trechos para dar uma idéia do espírito:

"Não seria ótimo se disséssemos que nenhum blogueiro ou jornalista poderia escrever uma matéria entre as 20h do horário Pacífico e o nascer do sol? Aí todos nós poderíamos descansar", ele acrescentou. "Mas isso nunca vai acontecer."

"Ele disse que a evolução da economia "pay-per-click" colocou a ênfase no tráfego de leitores e retorno financeiro, e não no jornalismo."

E o Gustavo conta que um dos blogueiros comentou a matéria, o que daria uma boa discussão sobre métodos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h07

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Veneno, remédio, futebol

Veneno, remédio, futebol

Dica que peguei emprestada do ombudsman da Folha, CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA: o livro “Remédio Veneno”, de José Miguel Wisnik, sobre grandes jogadores de futebol:

"José Miguel Wisnik tem um dos melhores textos do país. Recomendo com ênfase aos colegas que se interessam por qualidade de texto que leiam o livro com atenção."

Em tempo, o Roda Viva entrevista o autor hoje à noite.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h14

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Atenção: não use este método de apuração

O assunto é tão sério que talvez eu não devesse fazer piada dele, mas não resisti.

Talvez vocês se lembrem de Jayson Blair, um repórter do "New York Times" que sempre descobria histórias e repórteres bons demais pra ser verdade --e que, de fato, eram pura invenção.

Mas a forma como este repórter macedônio conseguia obter detalhes para suas reportagens é simplesmente chocante (a julgar pelas suspeitas do momento).

[Quem é novo demais pra conhecer a história de Jason Blair não deve deixar de ler esta reportagem do próprio NYT sobre o caso.]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h44

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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