Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Índice de legibilidade

O blogbudsman Roberto Takata conta deste índice bem maluco, que mede a legibilidade de um texto.

O índice vai de 0 a 100. Se o resultado der entre 90-100, um garoto de 11 anos será capaz de entender. Entre 60 e 70, está bom pros meninos do ensino médio. Abaixo de 30, só pra quem tiver feito mestrado.

Ele aplicou o índice no parágrafo do nosso exercício ali embaixo e deu 41...

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h48

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Internet ajuda, mas atrapalha

Ótimo comentário feito por meu colega e professor EVANDRO SPINELLI, na lista da Abraji:

Caros, a internet nos ajuda muito. Mas também pode complicar a vida.
 
Vejam só esta notícia do "Observatório da Imprensa". O Pedro Doria reproduz em seu blog
 
Fala de um texto cheio de erros históricos e geográficos relacionados a Lisboa. O texto é atribuído a uma revista "Turismo e Negócios", editada em Maceió. A revista existe, tem site, mas não é possível, pela internet, confirmar a publicação do texto.
 
"Observatório da Imprensa" aponta que a história foi publicada em um semanário lisboeta chamado "Mulher Moderna".
 
Apliquei a lei do menor esforço e fui ao Google (pra que complicar, né?). Achei uma referência ao suposto texto publicada em um blog de turismo, vejam só, em setembro de 2004. Já naquela época, como agora, não se confirmava a fonte.
 
O texto pode até ser verdadeiro. Mas se for falso, não importará mais, pois até que se desminta uma reputação já terá sido destruída.
 
Proponho que seja obrigatória a inclusão de uma disciplina em todos os cursos de jornalismo: "Pesquisa no Google". Acho que quatro anos de aula seriam suficientes para evitar besteiras desse tipo. Desmoraliza o jornalismo a cada dia...

E UM POUCO DE HUMOR TAMBÉM

Na seqüência, a colega da lista Tatiana Farah contou esta:

Deus salve o humor dos portugueses!!!
Nesse blog em que o texto aparece, em 2004, fui ler os comentários e encontrei este texto impagável:

Bom, eu como lisboeta que sou e ainda mal refeita do que a II Guerra Mundial nos destruiu, voltei agora de levar a minha filha ao colégio, feliz e contente por Lisboa ser tão plana e bendito seja este nosso clima tropical...já o dizia D. Maria Leopoldina.Essa nossa grd patrona.
Bom mas como o tempo está bom vou dar um mergulhito ali ao Pacífico e já venho.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h35

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Outros rumos

Meu colega DIOGO BERCITO tentou várias vezes até conseguir uma oportunidade de trabalho na Folha.

Começou com um frila aqui, outro ali, cobriu férias e, aos poucos, foi se firmando.

Mas vai deixar tudo para trás. Pelo menos por um tempo. E se mandar para o Oriente Médio.

Por quê?

Ele mesmo explica, aqui:

A idéia de fazer a viagem para o Oriente Médio surgiu, como as melhores coisas na vida, por acaso. Eu vinha estudando judaísmo e a história de Israel, por me interessar bastante pelo tema, e acabei decidindo visitar a região para escrever o livro-reportagem que será meu trabalho de conclusão do curso de jornalismo.
 
Todo o processo de decidir viajar, que coube em um parágrafo, durou quase seis meses e me deu bastante dor de cabeça. São muitas coisas para pensar e para decidir. Mas, conversando com outros jornalistas que já estiveram na região _como o Cássio Aoqui e a Sylvia Colombo, aqui da Folha_, fui me convencendo de que era um projeto muito bom para desistir tão facilmente dele.
 
Desses meses de preparação, tirei várias lições que podem ajudar outros jornalistas na mesma situação em que estou:
 
1) Viajar é muito difícil, muito mesmo, mas é possível. Vou passar o mês fora com o dinheiro que juntei nesses últimos três anos de trabalho como jornalista. Um bom planejamento, estabelecer metas e gastar pouco são algumas das coisas essenciais para um projeto desses.
 
2) Uma viagem como a minha, com a intenção de ser revertida em material jornalístico, envolve muita preparação. Muita mesmo. Estou há meses lendo sobre o tema, estudando hebraico, conversando com quem já esteve na região, assistindo a documentários... E, mesmo assim, não tenho certeza de que estou pronto. O frio na barriga é desesperador, agora que faltam menos de 20 dias.
 
3) As oportunidades não podem ser deixadas para trás. Vou para um país para o qual nem todo mundo vai, às vezes até por falta de coragem (o que quase foi o meu caso!). Seria um desperdício se eu não aplicasse a experiência na minha carreira _estou combinando um montão de frilas para fazer antes, durante e depois da viagem.
 
4) Há momentos mais adequados para se arriscar, e é importante não perdê-los de vista. Se eu estivesse contratado, por exemplo, em vez de ser frila, não poderia fazer a viagem agora e nem do jeito que quero. Se eu tivesse qualquer outra obrigação, também não. Esse projeto, que pode mudar muita coisa na minha vida e carreira, precisava ser feito agora.

Viajo ou procuro trabalho?
Quando é hora de viajar?
Minha vida de babá - história de uma recém-formada que decidiu viajar

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h33

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Vítimas

Vítimas

Tinha falado dele há pouco tempo, mas, como o assunto voltou à baila com as dicas do Horta, lembro que há um curso on-line gratuito sobre como entrevistar parentes de vítimas, na News-U.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h29

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Como é que é?

Como é que é?

Divido com vocês um exercício que o professor PAULO RAMOS passou para os trainees hoje cedo.

Paulo mostrou a eles esta frase, tirada de um texto jornalístico verídico:

Isso significa que, a partir do próximo vestibular, a instituição, que não pretende recorrer da decisão judicial, será obrigada a tomar algumas providências, como indicar a condição de candidato com deficiência e, no momento da avaliação, garantir que haja intérpretes e professores preparados para viabilizar a compreensão dos comandos da prova pelo deficiente.

Repararam como a frase é monstruosa de longa, o que a deixa confusa e difícil de acompanhar?

Pois o exercício é: como reescrever esse trecho?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h35

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Repórter do futuro

Repórter do futuro

Sérgio Gomes, diretor da Oboré, avisa que no sábado haverá uma coletiva com Eugênio Bucci e Celso Nucci, aberta a quem quiser participar.

É de graça e marca o encerramento desta edição do projeto Repórter do Futuro.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h34

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Só quem é da elite pode ser jornalista?

Só pra complicar um pouco a nossa vida, pode valer a pena ler este artigo no Guardian que pergunta: que tipo de jornalismo vamos fazer se os salários são tão ruins que só quem nasceu rico, com pais que o sustente, tem condições de se dar ao luxo de seguir na profissão?

[Peço desculpas por não agradecer em público a quem me mandou a sugestão, mas foi há vários dias e perdi o e-mail...]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h17

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Quem persevera alcança

Meu leitor Luiz Fernando é um dos que vão fazer a prova para a 46ª turma de treinamento, nos próximos dias. Pedi permissão a ele para publicar a mensagem abaixo, porque achei que poderia servir de incentivo a quem acha que está velho demais ou que talvez não valha a pena persistir:

Se não estou enganado, esta foi a quarta vez que me inscrevi para o programa de treinamento da Folha. Por já estar com 26 anos, no momento da incrição para a 46ª turma, lamentava a possibilidade de vir a ter menos chances em função da idade. E, por vários motivos, estou muito feliz por poder participar da seleção. Alimento em mim uma certeza: vou escrever para a Folha de S.Paulo... se não for agora, vai ser um dia.

Às vezes a gente persevera muito e não alcança, é verdade. Mas mais verdadeiro ainda é que, sem tentar, a chance de fracassar é 100%.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h44

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Mortes, vítimas e o trabalho do repórter

MAURICIO HORTA, escalado dia desses para cobrir o velório de um empresário assassinado, conta o que aprendeu com a tarefa de ter que entrevistar a família da vítima:

Na cobertura de cidade, não dá para fugir de enterros e missas. No trainee precisei fazer os dois _ir à missa de sétimo dia de Isabella Nardoni e, na última sexta-feira, ao enterro do engenheiro Ricardo Fernando Monserrat García. No primeiro, não aprendi nada; já o segundo foi uma boa aula de jornalismo.

O grande problema é como entrevistar alguém que acabou de perder parentes. Cemitérios estão preparados para lidar com imprensa --têm controle de entrada caso a família queira privacidade. Portanto, o primeiro passo é ser discreto e se passar por visitante do velório. O jornalista de impresso tem aí uma vantagem óbvia. Não vai precisar de câmera nem gravador, que o denunciariam como repórter.

Essa discrição tem que ser mantida do começo ao fim da cobertura. Não chegue com o carro de imprensa na frente de seguranças --desça um quarteirão antes.

Não mostre o bloquinho de notas em momento algum nem exponha seu gravador.

Não saia perguntando informações para os visitantes --antes, observe a movimentação e ouça as conversas. Se os parentes não quiserem falar com você, não faz mal, pois já conseguirá muitas informações só com observação.

Certamente alguém contará aos visitantes como foram as circunstâncias em que a pessoa morreu. Se você mantiver sua invisibilidade, conseguirá coletar tudo o que for necessário para uma matéria com detalhes.

Quando você sentir que já tem informações suficientes, observe os parentes próximos e busque o momento em que um estiver menos fragilizado e em que não haja pessoas reconfortando-o. Procure aquele que se mostrar mais equilibrado.

Apresente-se da mesma forma com que você se apresenta a qualquer outra fonte --meu nome é tal e sou repórter do veículo tal--, mas num tom baixo e respeitoso. Em seguida, peça perdão por incomodá-lo naquele momento e pergunte se está disposto a conversar. Não jogue questões diretamente, pois isso pode fechar as portas, e, nessa situação, fechar as portas para uma pessoa pode significar fechar as portas do velório inteiro.

Lembre-se que provavelmente os amigos e parentes preferirão conversar com a imprensa e mostrar como as coisas de fato aconteceram a permitir que sejam divulgadas besteiras. No entanto, os amigos da pessoa com quem você vai conversar podem não entender isso e vê-lo como um desrespeito à pessoa, que se encontra num momento de fragilidade. Se você tirar do bolso o bloquinho de notas e as pessoas à volta perceberem que você é um jornalista, provavelmente vão pedir que se retire.

Se não houver a possibilidade de falar com parentes, procure a pessoa que parecer mais disposta a conversar com a imprensa. Pode não render aspas, mas certamente ela saberá dizer o nome dos filhos, namorado/a, companheiro/a e de outras pessoas que sejam importantes para que você escreva o perfil da pessoa.

UM CASO CONCRETO
No caso do engenheiro Ricardo F. M. García, fomos a repórter Cinthia Rodrigues e eu ao velório ao Cemitério do Morumbi. Durante uma hora e meia, nenhum parente chegara. Encontrei uma ex-colega de classe que era amiga do filho do engenheiro, Leandro. Perguntei-lhe se tinha conversado com Leandro. Ela disse que não, mas que dois dos amigos tinham. Pedi que me apontasse qual estaria mais disposto a conversar com a imprensa, e ela me indicou um.

Quando a filha do engenheiro, Luiza, chegou, ela deu uma descrição do assassinato em voz alta para todos --tudo o que era necessário para a matéria. Esperei mais cerca de uma hora e meia até que ela recebesse os pêsames de todos, estivesse num lugar mais reservado e parecesse disponível para uma breve conversa.

A primeira coisa que me pediu foi que a matéria fosse respeitosa. Disse que, mesmo abatida, gostaria de falar com a imprensa, para que não fossem publicadas mentiras.

No entanto, cometi um erro. Quando fui anotar o número do celular de um tio seu para depois checar informações, saquei o bloquinho de notas. Imediatamente, os amigos de Luiza vieram em minha direção pedindo que eu a respeitasse. Em seguida, um segurança pediu que eu me retirasse do local.

Por sorte, já tinha coletado todas as informações necessárias.

Esse é um exemplo de como, ao contrário do que se supõe nos exercícios de entrevista coletiva, é importante que o repórter seja discreto, às vezes até tímido.

Mas há diferentes tipos de cobertura. Lembro-me do enterro de um colega de faculdade, esfaqueado por outro na rádio onde trabalhava. A imprensa foi muito agressiva e muitos de meus colegas, eles próprios estudantes de jornalismo, se revoltaram com os repórteres e cinegrafistas. E nada pior para um repórter do que se tornar antagonista de seu ambiente de trabalho.

Mais grave foi o caso Isabella, que se transformou em tamanho espetáculo midiático que a cobertura pareceu maior que o fato. Na igreja, que nunca fora ocupada por tanta gente, havia distribuição de camisetas, telão, hinos entoados por guitarra e violão --e um espaço para câmeras à esquerda do altar. Lembrou-me do texto "Viagem à irrealidade cotidiana", em que Umberto Eco comentava como a cerimônia de casamento da princesa Diana foi organizado como um evento televisivo.

Já na delegacia onde Alexandre Nardoni estava detido, havia distribuição de bolo e um homem fantasiado de bin Laden. Isso teria acontecido se as câmeras não estivessem lá? Numa situação dessa, como conversar com parentes?

Quando fui à missa de sétimo dia de Isabella, só restou aos repórteres infiltrarem-se entre os fiéis e observar a missa. Os parentes seriam
protegidos das luzes e dos microfones por um cordão humano e só restaria para os repórteres conversar com parentes distantes que quisessem aparecer na telinha. Naquele momento, qualquer exibicionista viraria parente.

Somente se conseguiria conversar com pessoas relevantes por meio de pesquisa de telefones de parentes e vizinhos e contato com local de
trabalho ou estudo dos envolvidos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h20

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Treinamento da Folha

Por lembrança do Takata, aviso que vão até 5/7 inscrições para dois programas de treinamento da Folha: a 47ª turma de texto e a 8ª de jornalismo gráfico.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h24

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Esqueceram os fechadores

Vocês sabem que eu sou uma amante do fechamento.

Imaginem meu choque quando li este ótimo texto do "New York Times" sobre como os fechadores foram esquecidos no Newseum (museu da notícia). Só há menção a eles no andar "histórico". Nos Estados Unidos, pelo menos, estamos virando velharia.

[Agradeço a minha ex-trainee PAULA LEITE, ótima fechadora, que mandou a indicação.]

Por que gosto do fechamento
O que faz um redator

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h27

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Mapa da censura

O Centro Knight fez um mapa interativo dos casos recentes de censura no Brasil:

Está no novo blog Jornalismo nas Américas, comandado por meu amigo (e ex-trainee) Marcelo Soares.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h07

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Antifoto

O legal do jornalismo é que não existem lógicas absolutas.

Vejam esta "antifoto" publicada agora cedo no G1:

Ninguém em seu estado normal defenderia que uma imagem que não mostra nada fosse bom jornalismo, não é?

Mas, neste caso, ela é perfeita! Porque a idéia é retratar a neblina que baixou sobre a cidade nesta manhã.

Outra coisa interessante é ver como o contraste, a oposição, ajuda a ressaltar informação:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h47

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Como contar boas histórias

Seth Kugel, colunista do "New York Times", conversou com o pessoal aqui do jornal sobre como encontrar boas histórias e fazer boas entrevistas. Minha colega NATALIE CONSANI fez um resumo pro blog:

De férias no Brasil, o jornalista norte-americano Seth Kugel participou de um bate papo na Folha sobre como descobrir pautas inusitadas em temas “batidos” e melhorar entrevistas. Ele é repórter do New York Times – escreve sobre turismo, América Latina – e assina uma coluna semanal sobre programas diferentes em New York (“Weekend in New York ")

A palestra foi toda baseada em exemplos práticos, de onde deu para extrair algumas “dicas” ou “regrinhas” iluminadoras – e, melhor, já testadas e comprovadas pelo repórter em seus nove anos de experiência no NYT. Além disso, há pontos na biografia e o no perfil dele que chamam a atenção e podem servir de lição. Aí vão alguns:

1- existe vida para além do jornalismo. Formado em ciência política, deu aulas no Bronx, bairro hispânico e negro de NY, e trabalhou em projetos no setor público. Como repórter, tirou proveito disso não apenas recorrendo às pessoas que conheceu, quando precisou de fontes, mas usando o conhecimento acumulado (língua e cultura hispânicas, por exemplo, estatística, funcionamento dos órgãos públicos etc.) para garimpar pautas e melhorar seu “faro” em relação a outros jornalistas que não conheciam essa realidade (mais pobre) da cidade.

2- todo mundo é fonte. Ele contou que costuma perguntar às pessoas coisas como: “O que há de novo no seu bairro, o que está acontecendo de diferente por aqui”? Numa viagem a Manaus, por exemplo, cujo tema era gastronomia, assim que chegou, para não perder tempo, foi logo perguntando às pessoas (as desconhecidas mesmo) qual era o melhor restaurante local. E ainda tomou o cuidado de perguntar tanto a quem parecia mais simples quanto àqueles com aparência mais sofisticada, para descobrir opções mais caras e as mais baratas.

3- terceirizando os contatos. Antes de viajar, Seth recorre, por exemplo, a amigos para descobrir amigos de amigos que possam ajudar a achar fontes ou mesmo ser fontes. Fez isso numa vez em que veio ao Rio. De NY, foi descobrindo e fazendo contatos. Chegou à cidade já com alguns nomes engatilhados para ligar.

4- nenhum convite é inútil: ele disse que aceita os convites para as festas e reuniões, mesmo as mais “chatas”, especialmente se forem de profissionais de alguma área. Ele vai para conversar, conhecer gente e fazer fontes. Não raro, se sai com perguntinhas como: “O que está acontecendo na sua área que vem sendo comentado, debatido, mas que os leigos ainda nem têm idéia”?

5- “treinando” as fontes. Afinal, elas precisam saber o tipo de informação de que o repórter precisa. Quando negava sugestões de fontes, explicava por que havia dito “não”. Com isso, essas pessoas começaram a entender o que ele valorizava.

6- local é legal. Jornais locais e de comunidades são boas fontes de inspiração. Seth arranjou várias pautas em jornais desse tipo, especialmente nas comunidades hispânicas, que têm seus próprios periódicos. Comparando com a realidade brasileira, pensei nas revistas especializadas, de universidades, nas destinadas à publicação acadêmica, em jornais regionais e mesmo em veículos de empresas.

7- Sem pôr palavras na boca dos outros: nas entrevistas, é preciso cuidado para não direcionar a resposta com questões como: “você não acha que seria melhor se acontecesse tal coisa?”. Para ele, é natural que entevistados menos experientes concordem com o repórter. Seth reconhece que é difícil não "conduzir" a entrevista com essas perguntas, até porque o repórter sai para a rua com uma (ou mais) hipóteses que, no fundo, ele quer confirmar. Em alguns casos, se a hipótese não se confirmar, nem tem matéria. Mas, para não cair em tentação, ele diz que tenta prestar atenção às perguntas que faz e procura evitar perguntas como: "você não acha que...". Ele deu um exemplo: teve uma idéia de pauta que envolvia crianças irem dormir muito tarde. Ele estava vendo com freqüência os pais com suas crianças nas ruas à noite, no começo da madrugada, e queria achar um estudo entre especialistas que apontasse as conseqüências prejudiciais disso para a criança. Falando com esses especialistas, ele sempre queria perguntar algo como "Você não acha que tem aumentado o número de crianças acordadas até tarde, que isso é prejudicial a elas etc. etc.?" Mas ele contou que, ao perceber a vontadezinha de conduzir, recuava e fazia perguntas abertas, como "O que pode acontecer nesse caso"?

8- Cada pergunta no seu lugar: faça perguntas abertas, não fechadas. Nas abertas, as pessoas têm de pensar mais para responder, vêm mais informações importantes. [Este post dá mais detalhes sobre perguntas abertas e fechadas.]

9- Esqueça o relógio: ele lembra, também, que nesse caso é preciso ter paciência para esperar a pessoa pensar e responder. Uma dica bacana: gravar as entevistas e prestar atenção em quantas vezes interrompemos o entrevistado; complementamos ou mudamos a pergunta, diante de um silêncio; ou não percebemos uma informação importante e mudamos de assunto...

10- O mínimo é melhor que nada: preparar-se para as entrevistas, mesmo se, na falta de tempo, a preparação se resumir a uma busca no google. É preferível apenas saber, por exemplo, os livros que a fonte escreveu sem tê-los lido do que chegar à entrevista sem nem saber que o fulano escreveu alguma vez na vida. E ele recomenda a leitura de outras entrevistas da fonte.

11- melhor prevenir que remediar: ele põe no papel as perguntas – ou os tópicos – que deseja ouvir da fonte. A idéia, claro, não é seguir à risca, mas se orientar. A “cola” é particularmente útil quando, no meio da conversa, fica sem o que perguntar; e ao final, para checar se não esqueceu de nada importante.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h11

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Esperar para quê?

E por falar em fotografia (tema do post abaixo), me lembrei de contar um bom caso de como a falta de comunicação faz a gente perder tempo, energia e qualidade (e às vezes a paciência) no dia-a-dia do jornal.

Lembram-se da Juliana e do Gustavo, que precisavam entrevistar personagens no parque Ibirapuera? (o caso foi contado neste post).

Pois é, como a pauta eram "os personagens", ficava melhor com fotos. E só fazia sentido ir ao parque com o fotógrafo a tiracolo. E como não havia nenhum disponível, era preciso esperar --o que os dois repórteres fizeram durante quase uma hora.

Finalmente chegou um artista e o trio partiu à caça de boas entrevistas.

Mas vejam só a foto que saiu no jornal do dia seguinte:

E, pior, a legenda: "Mulher no parque Ibirapuera".

Se era pra dar uma imagem de qualquer pessoa fazendo qualquer coisa, não precisava nem mandar um fotógrafo, né? Podia ser uma de arquivo... Ou resolver melhor a questão com uma boa arte de serviço.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h04

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Um dia na fotografia

Minha trainee CRISTINA CASTRO ontem passou o dia acompanhando um repórter-fotográfico da Folha e conta o que viu:

Aprendi, na Fotografia, que:
 
1- O cachecol vermelho e preto que o fotógrafo fujão usa pode ser de grande ajuda quando você o perde de vista a cada cinco minutos (não que eu quisesse ficar grudada nele, mas uma das minhas intenções era acompanhar o trabalho do fotógrafo e aprender melhor como é o dia dele, né?).
 
2- Que o fotógrafo não se preocupa muito em tirar fotos de autoridades de eventos (a menos que seja um Lula da vida, claro). Ele se interessa muito mais pelos bastidores do evento que pela coisa em si. Meninos do coral com cara de tédio durante os discursos podem render foto mais legal que meninos cantando com playback. Jovens sansei falando no celular podem ser melhores que posando pra uma foto com cara de Madame Butterfly... E por aí vai.
 
3- Que o fotógrafo pode ter ido dormir tarde no domingo contando que ia pegar pauta ao meio-dia, mas é acordado às 9h para chegar às 10h, estar em Guarulhos às 11h e o evento que interessa, na verdade, só começa às 12h30. Isso tudo porque a pauta chegou incompleta para a pauteira da Foto. By the way: claro que esse fotógrafo não fazia idéia de que pauta cobriria quando chegou à redação.
 
4- Que, enquanto todos os fotógrafos se aglomeram direitinho ao redor das autoridades, seguindo a regra da assessoria de imprensa mais desorganizada do mundo, o fotógrafo da Folha pode simplesmente atravessar o memorial, passar por trás do discursista, deitar no chão, se desvencilhar da nissei e fazer a foto mais legal.
 
5- Que o fotógrafo bate umas 50 fotos, separa dez, o editor de foto escolhe uma ou duas e pode não sair nenhuma. As outras 49 vão para o lixo, a menos que seja o ano de imigração japonesa e possam ser aproveitadas no caderno especial algum dia.
 
6- Que o repórter fotográfico faz cerca de 4 pautas por dia, e geralmente não vai junto com o repórter de texto para ter um carro só para si.
 
7- Que poucos trainees vão parar na fotografia. E a maioria dos que trabalham lá não são formados em Comunicação, mas em Fotografia mesmo (ex.: curso Senai).
 
8- Que kagami-wari é um ritual onde todos os homens e seus hakis ficam batendo com um "martelo" gigante num tonel de madeira cheio de saquê, até o tonel quebrar e eles poderem beber. E taiko quer dizer grande tambor, antigamente usado em guerras – muito legal =)

9- Que a foto de que mais gostei pode sair só na edição São Paulo (na Nacional saiu outra; ou seja, duas acabaram sendo usadas).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h57

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Para estudar perfis

Jon Lee Anderson, um mestre dos perfis, publica um sobre Hugo Chávez na New Yorker.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h55

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Atletas da informação

Achei divertido ler tantos casos de gente que já entrevistou alguém correndo atrás dele!!!!

O que meus trainees fizeram foi ficar de tocaia no estacionamento, pegando quem chegava pra correr ou quem já estava indo embora.

Mas na verdade o caso serve bem pra gente perceber que o resultado de uma entrevista depende também do momento e do local em que ela é feita. Se você pára o sujeito no meio do treino pra uma maratona, a boa vontade dele será "imensa"...

Já se você está fazendo matéria pra TV, como lembra um leitor, pode ser mais legal pegar o sujeito no meio da atividade, mesmo que ele não vá ficar muito feliz. 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h15

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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