Jornalismo na Argentina
Minha leitora Paula sugere, para quem fala espanhol, um curso de pós-graduação em jornalismo em Buenos Aires, que inclui um estágio no jornal "La Nación", na editoria Internacional.
Ela acaba de voltar do curso: "Acho importante destacar que a pós que eu fiz foi superprática --fazíamos jornais diários "de mentirinha", coletivas com candidatos à Presidência da Argentina e tínhamos palestras regulares com os jornalistas mais experientes da Redação".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h17
(Colaboraram neste post Diogo, de Santana do Parnaíba, Déborah,de Ubá (MG), Fernanda, de Campo Grande, João Eduardo, de Brasília, Luana, de Guarulhos, Humberto, de Fortaleza, Beatriz e Amanda, de Santos, Ivy, Tahiane, Ana Cecília, Elaine, Takata e Mauricio, de São Paulo, minha trainee Cristina Castro e minha colega Natalie Consani)

Antes de viajar havia contado o caso da Ana Cecília, cuja fonte se irritou porque deu entrevista e a matéria não saiu.
Essa é uma saia-justa pela qual todo repórter passa, com a provável exceção dos que trabalham em on-line, já que nesses não há limitação de tempo nem de espaço.
No on-line, a matéria só cai mesmo se ficar ruim ou estiver errada.
Para todos os outros infelizes que escrevem pra jornal, revista, TV, rádio ou agência, o problema é comum.
O que fazer?
Vários leitores comentaram que é importante avisar a fonte de que nem toda matéria sai. Que essa decisão não depende do repórter, mas do editor, do espelho [jargão que indica quanto espaço sobrou pra Redação depois que entraram os anúncios], das outras notícias etc.
Concordo, acho isso importante, mas é praticamente impossível --e nem sei se é desejável-- fazer isso em toda entrevista, com toda fonte.
Primeiro é bom distinguir entre aqueles que a gente ouve com regularidade, porque são entrevistados comuns em nossa área de cobertura, e os que estamos ouvindo excepcionalmente para essa pauta, mas dificilmente se tornarão fontes regulares.
No primeiro caso, há várias coisas que podemos fazer antes, durante e depois das entrevistas, para cultivar as fontes, ganhar sua confiança e impedir que esses desastres --longas entrevistas que vão para o lixo-- arranhem o relacionamento [sobre essa "fontecultura" de longo prazo, fiz um post detalhado há algum tempo, que pode ser lido aqui].
Saindo do longo prazo e voltado pra emergência vivida pela Ana, o que é possível fazer?
1) Muito antes da fonte reclamar
- É meio utópico pensar em explicar a todo entrevistado que nem tudo que se apura se publica. Mas há casos em que já sabemos que a entrevista corre o risco de cair --por exemplo, quando ouvimos muitos personagens. Aí, pode ser profilático dizer que estamos entrevistando muita gente e ainda não sabemos o que dará para incluir.
- Nesses casos, faz mais sentido fazer o aviso no final da entrevista, e não no começo, por motivos óbvios.
- Se o entrevistado perguntar "Quando vai sair?", deixe claro que a decisão não é sua, mas do editor. Aproveite e explique que nem sempre é possível publicar todas as reportagens. A Déborah costuma dizer também: "Por mim entra na próxima edição. Se de tudo não sair, o senhor dá uma ligadinha para o editor e pergunta".
- Se a matéria realmente cair e seu veículo tiver uma versão on-line, tente publicá-la na web.
2) Antes que a fonte reclame
- Tome a iniciativa. Se o pior aconteceu e a matéria caiu mesmo, não espere que o entrevistado ligue para perguntar. Avise-o antes. Não diminui a frustração, mas estreita a relação com a fonte e cria uma relação de confiança.
- Ligar no dia seguinte para toda fonte entrevistada é um hábito que todo repórter deveria cultivar, independentemente de a matéria ter sido publicada. Se foi, ligue para saber o que ela achou. Se não foi, ligue para agradecer a ajuda, explicar o que houve e deixar as portas abertas.
3) Se a fonte já está reclamando
- Seja solidário. Lembre-se de que muitas fontes não têm obrigação de nos atender (eu diria que governantes e funcionários públicos têm, mas isso é uma opinião minha) e valorizam o tempo que interesse que aplicaram na entrevista.
- Apele para a solidariedade. Deixe claro que você também ficou chateado porque sua pauta caiu. Você também perdeu tempo, energia e trabalhou para nada.
- Explique o básico da edição, desculpe-se e deixe uma porta aberta para voltar a "alugar" seu entrevistado no futuro (faça isso com bom humor, claro!).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h25
Copio uma mensagem que o professor José Antônio da Rocha mandou para a lista da Abraji:
A representação visual de dados numéricos é uma disciplina importante para jornalistas, já que facilita tremendamente o storytelling. As ferramentas digitais facilitam ainda mais, ao simplificar e acelerar a produção de gráficos.
Com o novo plugin do Google Earth para browsers, começam a pipocar aplicações que facilitam a produção de infografias jornalísticas. Como este sensacional site, que gera gráficos baseados em dados da ONU. É possível ver um preview dos indicadores sociais ou baixar o arquivo KML para enriquecer a narrativa jornalística online (ou gerar um "print screeen" para veículos de papel).
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h50
Desculpa aí...
O GUSTAVO HENNEMANN e a JULIANA LUGÃO tinham que entrevistar usuários do parque Ibirapuera sobre a poluição naquela região.
Mas os personagens estavam correndo, se exercitando, e seria chato atrapalhá-los no meio do exercício.
Como resolver?
Leia aqui o que eles fizeram
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h16

Desde ontem, os trainees estão fazendo um rodízio por várias editorias e departamentos do jornal, para conhecer de perto diferentes ritmos, prazos, autonomias de edição, estratégias de reportagem.
GIULLIANA BIANCONI passou o dia na Folha Online e se surpreendeu com a repercussão de uma matéria que fez
:
Descobri que existem mais pessoas interessadas em notícias sobre porcos do que eu imaginava. Após publicar uma que falava sobre um acidente que matou 350 porcos na Alemanha, chegaram alguns e-mails de leitores informando que uma conversão feita no texto estava errada.
Isso aconteceu porque, em inglês, US$ 309,000 são R$ 309.000... eu não percebi isso na tradução. [Resultado: erramos...]
Porcos à parte, sempre tem gente para ler e corrigir o que você escreve, por mais que o assunto pareça banal e sem repercussão.
[Para quem gostou da foto, este é o link da história.]
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h23
Vão até 1º de agosto
inscrições para a bolsa Alfred Friendly, pela qual jornalistas estrangeiros podem "estagiar" por seis meses em alguns dos principais jornais americanos, como NYT, Los Angeles Times e Washington Post.
Para participar é preciso ter de 25 a 35 anos, trabalhar em impresso ou on-line (no mínimo três anos de experiência contínua) e fluência em inglês.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h47

Estou totalmente desorganizada por causa da semana inteira fora do Brasil.
Assim que der, volto a atualizar o blog. Estou publicando os comentários, tá? 
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h47
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