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E por falar em tempo (leia ali embaixo), embarco daqui a pouco para a Suécia e estou correndo muuuuuuuuito.

Mas vou atualizando tudo sempre que as redes sem fio permitirem.
Sobre a aflição da Patrícia, que é a de muitos nós, me lembrei que havia escrito um pouco sobre como hierarquizar o que é mesmo preciso ler, já faz muito tempo, neste post aqui e nos subseqüentes, descendo a página a partir dele.
Inté.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h06

Copio aqui a mensagem de minha leitora Patrícia, de Natal, porque acho que a maioria de nós já se sentiu como ela --ou, melhor, sente-se como ela frequentemente:
Desde aquela conversa sobre treinamento com você no congresso da Abraji, ficou na minha cabeça a imagem do malabarista, tentando equilibrar um monte de tarefas ao mesmo tempo. Você lembra? Puxa vida, e é assim mesmo!
E uma questão está martelando em mim há bastante tempo: a sensação de falta de tempo para conseguir fazer tudo que quero e preciso. Tenho um modelo do jornalista ideal, o que quero seguir, mas me frustro por não conseguir administrar meu tempo em função disso. Convenhamos, talvez esse ideal seja quase impossível, mas eu quero muito chegar o mais próximo possível dele pra me sentir satisfeita.
Acredito que para ser no mínimo razoável, tenho que dar conta de muita coisa. Ler diariamente pelo menos o jornal em que trabalho e o principal concorrente, além dos principais jornais e revistas nacionais. Depois vêm ainda os jornais e revistas internacionais, as análises políticas e econômicas, análises sobre jornalismo (como este blog, o Poynter, o Comunique-se, o Observatório da Imprensa). Além disso, sei que preciso estar sempre aprofundando meu conhecimento sobre história geral e do Brasil e praticando os idiomas que estudo.
Mas também tem que ter espaço para nossas leituras de interesse pessoal, como literatura ou livros-reportagem. Sem contar que sou apaixonada por cinema, teatro e música, e preciso gastar tempo com isso! Tenho também os outros projetos pessoais, como fazer frilas, participar de concursos de jornalismo, escrever artigos de colaboração para um livro sobre cinema, vasculhar a internet buscando oportunidades de bolsas/estágios no exterior...
Ah, e eu ainda não falei o principal, que ocupa a maior parte do tempo! Estagio um turno em um jornal diário, outro turno em uma TV, nas “horas vagas” (elas existem!) em uma revista. À noite, tenho aulas – e este ano estou preparando meu trabalho de conclusão de curso. Tudo isso sem contar com a cobrança do médico para fazer um esporte, a cobrança do namorado pra ter mais tempo juntos, a cobrança da família pra fazer mais visitas...
Nossa! Como a gente pode conseguir fazer tanta coisa? Já tentei milhares de vezes me organizar, fazer um esquema com os horários para cada atividade... mas nunca cabe tudo que quero nas horas que sobram. Eu sei que não adianta reclamar de falta de tempo, porque o dia sempre terá 24 horas, o corpo sempre pedirá pra dormir, o trabalho sempre vai ocupar a maior parte do tempo e a minha cobrança vai ser cada vez maior!!
Será que estou exagerando? O que será que a gente pode fazer pra conseguir administrar melhor tudo isso? Café e banho frio na madrugada já não adiantam mais...
Por incrível que pareça, isso também me faz adorar essa profissão!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 23h38

...e na lista da mitologia jornalística talvez fosse o caso de acrescenter o medo do gravador.
Para mim é crendice dizer que o gravador atrapalha a entrevista, inibe a fonte, refreia o fluxo de informações, como dizem os repórteres da Vanessa, que a acham uma editora chata (leia a história aqui).
Por dois motivos:
- há todo tipo de gente, até aquelas que preferem que as conversas sejam registradas, por segurança própria (nas quais me incluo)
- quando realmente aparece constrangimento, há técnicas para reduzi-lo:
- começar a entrevista já com o gravador ligado, sem aquele fatídico momento do "vou ligar a fita, ok?"
- colocar o gravador sob o bloquinho
- deixá-lo fora da vista do entrevistado
- reservar tempo para deixar o entrevistado à vontade
- se a fonte realmente se recusar, ou você perceber que o gravador vai impedir mesmo que ela se solte, é melhor desligar, claro. A informação vem em primeiro lugar. Mas aí é preciso ter muito critério nas citações literais
De qualquer forma, para mim, essa história de que o gravador atrapalha tem um quê enorme de exagero. Em matéria de assombração, só acredito no chupa-boi, porque esse eu já vi funcionando. 
GRAVAR TUDO NÃO SIGNIFICA TRANSCREVER TUDO
Se o objetivo é publicar um pingue-pongue, gravar é quase indispensável. É claro que haverá edição depois, mas o pingue-pongue deve ser fiel ao máximo ao que foi dito, dentro dos critérios de edição.
Isso não quer dizer que seja preciso transcrever todas as fitas.
Até porque, o ideal é ir anotando ao longo da entrevista os principais pontos, de preferência com o horário. (para fazer isso de forma fácil, uma dica: ponha o relógio no pulso da mão que vai segurar o bloco, com o mostrador virado para você.)
Assim, na hora de transcrever, você já sabe de que trechos vai precisar.
Mais dicas para fazer pingue-pongues
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h12
Então aproveite essa sugestão de meu colega DANIEL BERGAMASCO: um desafio muito divertido para testar sua habilidade de localizar lugares no mapa-múndi: "É viciante".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h19
O título é uma referência a um caso muito legal, que ocorreu no Rio na década de 30 com o colunista Antônio Maria.
Desafetos, irritados com uma notinha, deram-lhe uma surra e pisotearam seus dedos até quebrá-los.
--Agora quero ver você escrever aquelas coisas de novo!
No dia seguinte, sua coluna começava assim:
"Idiotas! Pensam que os jornalistas escrevem com as mãos!"
A história que o Jairo nos contou (e as respostas que vocês deram nos comentários) são uma outra face disso.
O repórter pode estar na cadeira de rodas, preso no 11º andar de um prédio sem eletricidade, mas isso não o impede de fazer o principal: pensar.
Duas lições que acho que valem para muitas outras situações não tão extremas assim:
- lembrar sempre de que o compromisso do repórter é com a informação. Se ele precisar pedir a vizinhos, à polícia ou até ao governador que o tire da enrascada, não tem nada de mal nisso. Não é um pedido pessoal. É no interesse do leitor
- usar o telefone celular a seu favor. Alguém comentou que desceria lentamente as escadas --de perna quebrada, claro-- e, enquanto isso, iria fazendo entrevistas pelo celular. É bem o caso, e a regra vale para congestionamentos, salas de espera e muitas outras ocasiões.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h20

A Juliana, de Salvador, me pergunta: "De 0 a 10, o quanto a Folha leva a sério seu próprio manual?".
Digo isso porque acho o Manual da Folha muito bom, leio e tenho na minha mesa lá no trabalho (trabalho em uma revista) desde janeiro deste ano e ainda não fui capaz de assimilar todas as regras de padronização de texto. Nem todas nem quase todas, para falar a verdade.
A parte do Manual que mais gostei foi a lista de palavras e expressões que não devem ser usadas por serem toscas ou já terem sido desgastadas pelo uso. Qual não foi a minha surpresa ao entrar na Folha Online hoje e encontrar a expressão "Do Oiapoque ao Chuí" piscando pra mim?
A expressão se encontra bem no final, no anúncio de livros da Publifolha.
A Folha leva super a sério, Juliana, mas isso não impede erros.
Como você comentou, há várias regras e recomendações e é preciso estar atento para não esquecê-las.
Na verdade quase ninguém decora o manual. Mas precisa ter lido com atenção uma vez, para ao menos ter uma idéia do que é sujeito a uma ou outra regra e, na hora da dúvida, consultá-lo.
Eu mesma, que participei da comissão que fez a atual versão, outro dia me surpreendi com uma regra da qual não me lembrava nem de longe. Quem me corrigiu foi meu ex-trainee ÁLVARO FAGUNDES.
A questão dos clichês é complicada, porque eles exercem uma atração quase irresistível, apesar de horrendos. É mais ou menos como uma música brega, que gruda na nossa cabeça e não conseguimos parar de cantar, por mais que tentemos.
O manual lista mais de 80 desses cacoetes de linguagem, que seria melhor evitar. Além de "do Oiapoque ao Chuí", que ficou piscando para a Juliana, vejam outros (maus) exemplos:
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h51
Cobertura de desenvolvimento humano
Estão abertas as inscrições para a terceira edição on-line de 2008 do curso de desenvolvimento humano para jornalistas, realizado pela Abraji em parceria com o IAS (Instituto Ayrton Senna).
O treinamento terá início em 11 de junho, duração de cinco semanas, e é gratuito. Incrições até 5/6.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h37
Al Tompkins, do Poyter, faz entrevista bem interessante sobre como usar vídeo em jornalismo.
Travis Fox, do "Washington Post" (na foto abaixo, em Ruanda), fala sobre enfoque, equipamento, duração, uso do som.
É um bom complemento ao post abaixo sobre a cobertura internacional feita pela mídia americana: o trabalho de Fox é principalmente fora dos EUA.

DIGITAL, IMPRESSO E O FUTURO DO JORNALISMO
Mais alguns textos legais para quem se interessa por essa discussão:
- discurso de Nicholas Lemann, reitor da pós em jornalismo da Columbia, na formatura da quinta turma. Ele exorta os alunos a criarem um novo tipo de jornalismo. Embora não dê pistas de como essa novidade seria, o texto é interessante
- artigo Eric Alterman na "New Yorker", sobre a morte do jornal impresso, o crescimento dos blogs e o impacto que isso tem na democracia. É um texto longo, mas muito informativo, muito analítico, que vale a pena enfrentar
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h19
Alguma distorção?
Se a cobertura que a TV americana faz dos diversos países da Terra fosse transformada em área, o mapa do mundo ficaria assim:

O mapa foi mostrado pela presidente da Public Radio International, Alisa Miller, no TED (Technology Education Design): uma conferência realizada diversas vezes ao ano onde novas idéias e tendências são apresentadas pelas pessoas mais influentes do meio).
O vídeo, excelente indicação de meu leitor Matheus, é curto (menos de cinco minutos) e muito bom. É em inglês, mas fácil de seguir.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h25
Dá para fazer pingue-pongue sem gravar?
Vejam o que pergunta a Vanessa, de Curitiba:
Meu nome é Vanessa, sou estudante do 3º. ano de jornalismo na Universidade Federal do Paraná e editora do jornal-laboratório do curso.
Nesse jornal, temos várias editorias (8 ao todo) e a editoria que chefio chama-se Opinião. Lá, publicamos artigos de especialistas, crônicas dos alunos, temos um espaço para blogs e enquetes e, claro, matérias jornalísticas, só que com um diferencial: todas são em formato de entrevista, ping-pong.
Até aí, tudo bem. O problema surge na hora da trascrição das entrevistas: todos os repórteres, alunos do 2º ano, reclamam que, quanto melhor a fonte, mais o assunto rende, mas em contrapartida, há muita, mas muita coisa para se transcrever, e isso é um fardo para eles.
Sempre cobrei a transcrição fiel de tudo, ainda mais porque costumo enviar depois, para as fontes, a matéria que saiu no site ou na edição impressa, e sempre tenho receio de que venham a reclamar de algo não dito que ficou como dito ou vice-e-versa.
Além disso, o repórter costuma reclamar de outra coisa: ter de gravar a conversa. Diz que é coisa de editora chata, mas sempre penso no imprevisto de alguma fonte dizer que não falou aquilo e a gente não ter como provar que ele falou, sim.
Nesse caso, queria te pedir conselhos.
Como fazer ping-pong sem gravar? E gravando, como fazer para deixá-lo completo sem precisar transcrever tudo?
Claro que muitas vezes podemos tirar do texto apenas o essencial, mas isso não é perigoso? Não pode acarretar problemas depois? O que você e seus alunos costumam fazer nessas horas?
O que vocês acham? Dá para fazer pingue-pongue sem gravar? Ou isso é coisa de editora chata?
E devemos transcrever tudo, como medida de segurança?
Vocês, como é que fazem?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h47
Minha colega TAHIANE STOCHERO conta sua impressão do curso sobre cobertura de riscos, mencionado num post há alguns dias:
Vi hoje seu post sobre o curso do Exército no Rio para jornalistas cobrirem conflitos armados. Eu fiz o curso, é extremamente prático e excelente. Recomendo. Já havia feito um curso aqui em São Paulo da Abraji com a Cruz Vermelha e fui duas vezes ao Haiti pelo Estadão. O curso, em que vivi situações reais de combate e tiroteios, me permitiu perceber o quanto eu e muitos profissionais estão realmente despreparados para cobrir de verdade uma guerra. Foi um grande aprendizado.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h36

Esta chamadinha na capa da Folha de hoje consegue colocar em três breves linhas todos os "Ws" do jornalismo: quem, o quê, onde, quando e por quê.
--Ah, mas não tem o quando, não!! --vão dizer alguns leitores.
Essa é uma primazia do jornal diário: só precisa dizer quando se não houver sido ontem. 
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h14
Cinema, jornalismo de TV, jornalismo digital
Minha leitora Dib me fala de um novo curso de jornalismo digital da New York Film Academy, em parceria com a NBC.
O curso é de um ano, mas pode ser feito em módulos de um ou dois meses.
E ele pergunta, a mim e aos leitores:
Esse curso é um grande investimento --cerca de R$ 10 mil só o curso por dois meses, fora o que se gasta com acomodação, passagem e sustento em NY. Acha que um curso desses tem um bom retorno para o currículo de uma jornalista recém-formada como eu? Há cursos similares no Brasil?
Dib, a primeira coisa para avaliar se vale a pena fazer um curso é definir qual é seu objetivo.
Se for aprender técnicas, parece ser excelente, não só pelo programa, como pela qualidade da escola.
Conta pontos no currículo, mas o que realmente importa é se você ficou mais capacitada, mais preparada para trabalhar em TV e internet.
Quanto ao valor, fica difícil opinar, pois depende muito dos seus recursos e do tamanho do sacrifício. Se não for um trauma financeiro muito grande, vale a pena considerar. Se for, talvez fosse o caso de esperar um pouco e deixar esse tipo de formação para quando você estiver mais experiente e mais bem firmada na vida.
Não conheço bem os cursos no Brasil; quem sabe algum leitor pode opinar. Sei que o Senac costuma ter bons cursos na área de audiovisual, mas não sei o quanto eles são apropriados ao jornalismo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h09
O futuro da escrita
A dica é de meu trainee BRENO COSTA: a nova edição da revista Columbia Journalism Review é dedicada especialmente ao "futuro da escrita e da leitura".
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h35
Antonio Gaudério/Folha Imagem
 Campinho de beira de estrada no Nordeste
Repito aqui no blog esta foto, uma das imagens mais sensacionais de um dos melhores repórteres-fotográficos do Brasil, ANTÔNIO GAUDÉRIO.
O sujeito domina a técnica como poucos, mas eu o acho genial por outro motivo. Um que, em jornalismo, é fundamental: as fotos dele condensam informação de um jeito único. Em fotojornalismo, não basta ser bonito, tem que informar.
A imagem volta hoje ao blog porque meu amigo e excepcional fotógrafo sofreu um acidente sério e está em estado muito grave num hospital do Rio.
Desta vez ela será símbolo do desejo de todos os que conhecem o Gaudério ou admiram seu trabalho: que ele vire o jogo e volte a golear nas páginas e nas molduras do mundo todo.
Força, Gau!!!!
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h41

As capas dos jornais e a maioria dos sites hoje dão um bom complemento daquela conversa que tivemos outro dia sobre o filme do Fernando Meirelles (ou do roteirista canadense , segundo os jornais de lá).
Em geral, quando termina um festival como o de Cannes, a notícia é qual filme levou a palma. Mas, se uma brasileira leva o prêmio de melhor atriz, a hierarquia muda.
Isso acontece porque, dentre as características que fazem de um fato notícia, a proximidade tem grande peso. O que nos toca de perto costuma ter mais relevância.
Só por curiosidade, fui checar como o canadense National Post havia dado o resultado --já que foi a atitude deles que gerou toda esta conversa. Lá no meio há um parágrafo sobre "Ensaio da Cegueira", que, mesmo sem levar nada, era co-produção canadense.
Critérios de notícia
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h57
BRENO COSTA traduziu alguns trechos do livro "El Periodismo de Investigación", publicado em 2003 pelo jornalista paraguaio Roberto Paredes: "Ele fala do funcionamento das tais Unidades de Investigação existentes por lá, sobre as quais eu falei naquele post sobre o congresso da Abraji. Se achar interessante aprofundar o debate sobre o assunto, acho que vale colocar lá no blog".
Roberto Paredes trabalhou em vários jornais paraguaios, como ABC Color, Última Hora e La Nación. Em 2003, época da publicação do livro, ele se dedicava a ministrar o curso "Periodismo de Investigación" na Universidade Autônoma de Assunção.
Trechos do livro:
A "Unidade de Investigação" nada mais é que a equipe estável que, em um determinado veículo, se dedica de maneira sistemática à realização do trabalho específico de investigação.
Diferentemente dos demais jornalistas, os investigadores estão submetidos a um regime diferente de trabalho, pois dispõe, sobretudo, de tempos distintos, em todas as fases, desde o planejamento até a publicação, passando pelos períodos de execução e de elaboração de suas reportagens.
Uma regra de ouro é que o mais aconselhável é que a Unidade de Investigação desenvolva seu trabalho em relação direta com o diretor do veículo, ou seja, sem estar subordinada aos editores. Devido a isso, precisamente, é que se buscou uma denominação diferente para a equipe: "Unidade", em vez de "Seção" ou "Departamento".
A relação direta Unidade de Investigação/Direção do veículo é pelo seguinte: como o que se investiga trata de assuntos geralmente delicados, quem deve tomar a decisão de realizá-lo é o diretor, sem que haja a menor interferência --nem sequer o conhecimento-- de qualquer outra instância.
(...)
A Unidade Jornalística de Investigação deveria ser composta por não mais que três pessoas. Não obstante, existem experiências, principalmente na televisão, de uma composição mais numerosa, o que se explica pela necessidade de haver entregas de material com certa periodicidade, seja semanal ou quinzenal. (...)
Para garantir o desenvolvimento exitoso dos trabalhos e elevar o nível de segurança os jornalistas investigativos, o ideal é que a Unidade de Investigação funcione em um espaço totalmente independente da redação. Mas isso é custoso, pois um local separado, com linhas telefônicas autônomas, entre outras coisas, constitui um peso com o qual os veículos não querem arcar.
(...)
Para o eficaz desenvolvimento de suas atividades, a Unidade Jornalística de Investigação necessita de uma infraestrutura peculiar exclusiva:
- Biblioteca - Arquivos - Internet - Linha telefônica
(...)
Não obstante, o ideal é muito distante do que ocorre na realidade, pois as condições em que trabalham os jornalistas investigativos são definitivamente precárias, na imensa maioria dos casos.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h32
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