Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Prefira o térreo

Prefira o térreo

Meu colega e ex-trainee JAIRO MARQUES conta uma ótima história, que vale um exercício para nosso blog:

Você é um repórter cadeirante --ou com qualquer outro impedimento físico, uma perna quebrada e o gesso ainda mole também servem neste caso-- e está no 11º andar de um prédio quando um blecaute atinge toda a cidade.

Seu editor quer a cobertura logo. E, claro, feita da rua!!

O que é que você faz?

Responda primeiro, depois leia a história no blog do Jairo.

Meu comentário

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h58

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O que você entende por Santíssimo Sacramento?

A pergunta do meu leitor João me pegou de surpresa.

Fui batizada, fiz catecismo, primeira comunhão e ia à missa até bem entrada na adolescência.

Já quis até ser freira  quando tinha nove anos.

Hoje não tenho religião e, apesar desse passado "carola", não sei responder o que é santíssimo sacramento. Muito menos o que é a procissão de santíssimo sacramento. Também não sei dizer se deveriam ser escritos em maiúscula ou minúscula esses termos, ou eucaristia, como pergunta o João:

Alguns termos religiosos, acredito, não são de fácil entendimento do público com um todo. É a mesma coisa de dizer que participei de um Bar Mitvza. Ou receber um "passe". Queria discutir a necessidade de explicar, ou ainda como os jornalistas devem usar determinados termos religiosos.

Foi engraçado receber a mensagem dele porque, quando vinha para a Folha hoje cedo, ouvindo notícias no rádio, dei pelo nome do feriado que muitos estão aproveitando por aí --Corpus Christi-- e matutei: será que as pessoas sabem o que é? Não deveria sempre haver um quadrinho explicando? Como notícia, faz diferença entender o que de religioso há por trás dos dias de folga, das cerimônias e dos costumes?

Também me lembrei do plantão da Páscoa, quando ajudei minha colega ALESSANDRA BALLES (ex-trainee) a fechar esta Folha Corrida:

Havia três fotos no meio sobre diferentes cerimônias religiosas --cristãs e judaicas--, e me vi em maus lençóis para fazer as legendas. Foi preciso gastar bem uma meia hora de pesquisa --que incluiu entrevistar amigos e colegas mais sabedores dos costumes-- para conseguir dar cabo de duas parcas linhas.

Mas, enfim, o João quer saber o que pensam os leitores do blog. Têm opinião sobre isso? É o caso de ser mais didático ao falar de religião?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h12

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Rapidez e segurança

Alguns passos que podem ajudar a evitar barrigas como a do avião que não caiu:

  • como é que você sabe? Esta é a pergunta básica que devemos fazer sempre que uma fonte nos passar informação. Ela viu? Se não viu, que prova tem?
  • açougueiro não vende peixe. Quem controla o tráfego aéreo não é a Defesa Civil. Mesmo que eles tenham sido acionados com a justificativa de um acidente, pode ter sido engano ou trote. Sempre que receber uma informação, pense em quem é a fonte mais indicada para confirmá-la. Neste caso, Infraero e a empresa aérea envolvidas eram indispensáveis. [Meu colega EVANDRO SPINELLI, que além de bom repórter é ótimo professor, me explica que neste caso a melhor fonte seria o SRPV (Serviço Regional de Proteção ao Vôo), que controla o tráfego aéreo. A Infraero administra aeroportos e poderia informar apenas sobre acidentes ocorridos DENTRO dos aeroportos que ela administra).] 
  • vá, veja e conte. Não resolve o problema de quem tem pressa em divulgar, claro, mas ir ao local costuma ser parte fundamental da checagem, sempre que possível. Até porque, como já vimos, reportagem tem que ir além da entrevista e envolver observação.
  • ache alguém que viu e possa contar. Se não dá tempo de ir ao local, a lista telefônica pode ser boa aliada. Ligue para vizinhos do local e pergunte o que eles viram.
  • se não viu, atribua (com ressalva). Há sempre o recurso de atribuir a informação: "Segundo a Globonews, um avião caiu no Campo Belo". Mas não deve ser muleta para toda ocasião. Um mínimo de checagem prévia costuma ser prudente. Atribuir livra a cara de quem publica --"Ah, mas quem errou não fui eu! Eu deixei claro que quem estava divulgando era o outro..."--, mas não diminui a responsabilidade de repassar informação falsa, criar tumulto, provocar aflição.
  • errou, corrija. É fácil falar de cuidados prévios. Difícil é tomar decisões no calor da hora. Por isso, todo jornalista está sujeito a erros. É chato, horrível, mas acontece. Aí o melhor caminho é admitir, pedir desculpas e corrigir.

MENOS DE CINCO MINUTOS

Foi o tempo que bastou para meus colegas da Folha Online perceberem o erro e corrigirem.

A notícia falsa --uma frase, apenas-- ficou no ar por um momento breve, mas suficiente para chegar a alguns internautas, como conta minha leitora Danyella, de Brasília:

No momento em a GloboNews deu a notícia, eu corri pra ver o que os on-line estavam dando. O primeiro site que visitei foi o da Folha, que trazia uma tarja preta na parte superior, dizendo algo como "URGENTE: avião cai na zona sul de São Paulo". Fiquei alarmada num primeiro momento, pensando se o filme "acidente/caos-aéreo" passaria novamente. No que cliquei na tarja, um segundo depois, o título já mudou.

Os menos de cinco minutos também foram longos o suficiente para deixar bem chateado o editor-chefe do site, meu colega RICARDO FELTRIN.

Pedi a ele que contasse como foram tomadas as decisões na Folha Online nessa tarde. O objetivo é dividir com o leitor do blog um caso real, para que ele saiba mais do dia-a-dia da nossa profissão. Porque, como escrevi acima, falar --antes ou depois-- é fácil; duro é decidir na hora H.

Vejam o que ele me contou:

Soubemos da informação pela Globonews. Cotidiano imediatamente começou a apurar com Bombeiros, Defesa Civil e polícias. Colocamos um teaser no Urgente, sem matéria alguma, e com crédito à Globonews no título.

O processo todo aqui durou menos de cinco minutos... da hora que a GloboNews apareceu com a notícia, de entrar o teaser (incorretamente), e de ser retirado, porque apuramos que estava tudo errado. Publicamos um Erramos por causa do teaser.

Foi erro nosso colocar o teaser. No caso do acidente de Congonhas, não colocamos. No caso da Gol, também não. A Globo já havia dado uma vez o avião militar que caiu em um prédio no Rio, quando era desabamento. E não demos! Não deveríamos ter dado desta vez.

Corrigimos rapidamente porque nem Defesa Civil, Polícia, Bombeiros ou Infraero negaram ou confirmaram nada. Estavam apurando também.

A gente ligou na hora para a Pantanal, mas a empresa só nos atendeu muito depois. Lá eles também estavam correndo de um lado para o outro.

Nossa editoria de Cotidiano desde o primeiro instante insistiu na checagem e não cometeu erro algum, em nenhum momento. 

A primeira reportagem sobre o assunto entrou às 17h33: "Incêndio atinge prédio na zona sul de São Paulo". O texto diz: "As chamas são altas e há muita fumaça. A GloboNews chegou a informar que o incêndio teria sido causado pela queda de um avião, o que não foi confirmado."
 
Também publicamos uma reportagem (18h02) relatando a origem do erro e a nota oficial da Globonews.

Sobre o caso, chegaram cinco e-mails à Redação. Desses, quatro chegaram por meio da reportagem sobre a nota da Globonews. Ou seja, esses leitores não viram o erro, mas foram informados que ele ocorreu. E que foi corrigido.

Se acontecer de novo (toc! toc! toc!) o teaser será: "TV mostra imagens de incêndio em São Paulo" (o Estado origem da imagem a emissora não tem como errar).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h58

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Indicações do congresso de jornalismo investigativo

Indicações do congresso de jornalismo investigativo

A dica é de minha trainee GIULLIANA BIANCONI:

Uma das coisas que considero mais legais em congressos é a indicação de livros feita pelos palestrantes.

Como às vezes gostamos muito de um determinado assunto discutido e não temos a oportunidade de aprofundá-lo – já que o tempo de duração da palestra não permite - uma alternativa é investir na leitura de obras que possam nos ajudar a entender melhor o que nos foi apresentado.

Abaixo listo os que foram indicados nas palestras a que assisti:

- Curso de Siaf (sobre o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo; indicado pelo economista Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas, que ministrou o curso "Como Investigar gastos Públicos").

- O Combate à Corrupção nas Prefeituras do Brasil (indicado pelo jornalista Fábio Oliva, da Folha do Norte, que ministrou a palestra "Como Fiscalizar as Administrações Municipais: uma Metrópole e um Município Pequeno").

- Gestão de Recursos Federais: manual para os agentes municipais (também indicado pelo jornalista Fábio Oliva, da Folha do Norte).

- Crime Organizado na Convenção de Palermo (sobre lavagem de dinheiro; indicado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr, do Correio Braziliense, que ministrou palestra sobre o tema).

- Fama e Anonimato (séries de reportagens escritas pelo americano Gay Talese, um dos expoentes do new journalism; indicado pelo jornalista Cláudio Júlio Tognolli, que ministrou palestra sobre "Metodologia Aplicada à Reportagem").

E mais algumas de minha leitora Patrícia, de Natal:

Na palestra "Como construir o texto jornalístico", da Abraji, o Paulo Totti (Valor), também deu suas indicações. São três livros básicos e fundamentais, segundo ele, para qualquer jornalista ler antes de fazer qualquer reportagem:

  • “Formação Econômica do Brasil” (Celso Furtado);
  • “Raízes do Brasil” (Sérgio Buarque de Hollanda);
  • e “Casa Grande e Senzala” (Gilberto Freyre)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h31

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A tábua é feita de credibilidade

GUSTAVO HENNEMANN conta como foi a palestra de um dos brasileiros que mais entende de jornalismo digital, meu professor Rosental Calmon Alves, diretor do Centro Knight para Jornalismo nas Américas:

Qual o futuro do jornalismo ante a expansão da tecnologia digital e a consolidação da internet? Foi o tema de uma das principais palestras que assisti no Congresso da Abraji. Quem conduziu a discussão foi Rosental Calmon Alves, jornalista e pesquisador brasileiro que mora no Texas e dirige o Knight Center for Journalism in the Americas.

Ele é um entusiasta dos novos meio digitais e acha que a internet não é apenas uma nova mídia. Acredita que uma revolução tão importante quanto a Industrial começou e que o jornalismo deve ser reconstruído para se adaptar ao novo tempo. Mas o que está mudando e o que deverá ficar?

Rosental está convicto de que a audiência dos meios de comunicação aos poucos deixa de ser passiva e que as redes digitais, como a web, permitem a formação de comunidades (particip)ativas. As redes possibilitam que seus participantes compartilhem informações e criem canais individuais ou coletivos de expressão.

Nesse cenário, a mídia perde o monopólio do jornalismo, acredita Rosental. Cidadãos e grupos produzem e publicam informação de forma amadora e compartilhada.

Mas, nesse ambiente, ele aposta na CREDIBILIDADE como tábua de salvação para os jornalistas. A demanda dos públicos, daqui para a frente, deve ser a capacidade de seleção da informação no "oceano" das redes digitais. E aí entra a competência e legitimidade do jornalista profissional. Ele pode servir de âncora e filtro, elegendo e oferecendo aos leitores/espectadores o que tem verdadeira relevância e interesse público.

Ao defender a adaptação do jornalismo às novas plataformas tecnológicas, Rosental deixou claro o que ele acredita que deve permanecer (e que não é comum na maioria dos canais de comunicação amadores disponíveis na internet):

1 - A 1ª obrigação do jornalismo é com a verdade
2 - A 1ª lealdade é devida ao cidadão
3 - A essência do jornalismo é a disciplina da verificação
4 - Seus praticantes precisam manter independência em relação a quem é protagonista de suas reportagens
5 - O jornalismo precisa servir como um fórum
6 - Deve abrir espaço para a crítica e compromisso público
7 - Precisa se esforçar para apresentar o que é significativo de forma interessante e relevante
8 - Precisa oferecer um produto completo
9 - O jornalista deve poder exercer sua liberdade e consciência pessoal

OUTRAS DICAS DO CONGRESSO DA ABRAJI

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h13

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"Jornalismo cidadão"

Meu trainee BRENO COSTA avisa: o YouTube lançou este canal, o Citizen News, para expansão do jornalismo cidadão. 
 
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h53

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Não tão óbvio assim

Não tão óbvio assim

Sei que a resposta ao exercício da falsa queda de avião parece óbvia: para não publicar uma barriga, basta checar!

Sim! É fato! Basta checar!

Mas minha proposta era complicar um pouco isso.

Partindo da premissão de que vocês trabalham em TV, rádio ou site, nos quais há pressão forte por imediatismo:

  • se a notícia vem de uma fonte em quem você confia, como saber se isso é suficiente? Vamos supor que, neste caso, a fonte seja mesmo a Defesa Civil. Como avaliar se a informação é segura?
  • se não for, o que é preciso fazer, na prática? Quanto tempo leva fazer isso? Vale a pena? Qual é a prioridade?
  • que cuidados é possível tomar na edição?

[O site do Portal Imprensa tem vários printscreens de como a falsa notícia foi dada em diferentes sites]

Meu comentário

O que um jornal e um avião que cai têm em comum

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h04

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Soco no estômago

Fui editora de Fotografia nos anos 90.

Imagens de tragédia já vi de todos os tipos.

Quando minha leitora Paula, de Curitiba, me pediu para comentar a galeria de fotos que o El País pôs no ar sobre as vítimas do tufão em Mianmar, vesti minha "máscara de jornalista que está preparada para qualquer coisa".

Não estava. A primeira foto foi um soco no estômago. E vieram outras.

Bom exemplo para pensarmos em quando fotos são fortes demais para publicar, ou quando devemos publicar justamente porque são fortes demais (discussão que já travamos mais de uma vez neste blog, nos posts abaixo).

Vejam vocês mesmos a galeria e me digam o que acham...

Justamente por ser forte, deveria ser mostrado
A questão da cor nas fotos fortes
Uma imagem forte no futebol
Contexto dá o limite entre o sensacional e o sensacionalista
Quando menor é melhor

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h26

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O avião que não caiu

O avião que não caiu

 

Paulo Fehlauer/Folha Imagem

É um bom caso para pensarmos não no erro dos outros mas em como evitar os nossos.

A Globonews colocou no ar ontem imagens de muita fumaça em São Paulo e a notícia de que um avião da Pantanal havia caído.

Segundo a emissora, a informação vinha de uma fonte confiável --que ela não revela. [leia aqui a nota da emissora.]

A Record, única emissora aberta que transmitiu a notícia falsa, atribuiu o erro à Defesa Civil, conta DANIEL CASTRO em matéria da Folha de hoje.

O perigo de dar barriga (informação falsa) está aí para todos nós. O que poderíamos ter feito, se estivéssemos na TV, para não cair nesse risco?

[[A resposta não é assim tão óbvia - leia aqui]]

[[Como evitar erros semelhantes]]

 

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h59

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Repórteres premiados contam como fizeram a apuração

No Rio, nos dias 12 e 13 de junho, autores de oito reportagens classificadas para o Prêmio Esso de Telejornalismo 2007 --entre elas, as três primeiras colocadas-- falam sobre as apurações.

Giovani Grizotti, repórter da RBSTV e meu colega na diretoria da Abraji, vai falar sobre duas reportagens, uma dela vencedora do prêmio.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h14

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Um jornalista brasileiro em Angola

Um ex-aluno e ex-colega que aceitou uma proposta de trabalho em Angola começa hoje seu blog para contar da experiência.

Por motivos vários, ele não pretende se identificar.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h29

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Mais humor no jornalismo

Fábio Zanini

Meu colega FÁBIO ZANINI, que percorre a África de sul a norte, conta como teve que pagar uma “taxa de visitação da lava solidificada do aeroporto de Goma”.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h20

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Como nos filmes

O "Los Angeles Times" publica um perfil interessante de Lucio Flávio Pinto, repórter do Pará que publica seu próprio jornal independente e vive de investigações próprias que depertam inimizades e perseguições.

Vale ler para conhecer a história de um colega que parece até personagem de cinema. E, como exercício, para analisar como foi construído o perfil.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h00

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Humor no jornalismo

Da capa do Globo de hoje:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h43

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Um trocou o direito pelo jornalismo; o outro ficou na advocacia

Dia 14 publiquei a mensagem de meu leitor A., em dúvida entre o direito e o jornalismo.

Não há resposta certa nessas horas. Cada um vai achar o caminho que mais lhe convém. Pedi exemplos disso a dois ex-trainees, ambos vindos do direito. Um deles optou por ficar na Redação; o outro voltou a advogar e manteve como hobby o jornalismo:

NEM TUDO SÃO FLORES, MAS FIQUEI NO JORNALISMO

por RICARDO VIEL, ex-advogado, ex-trainee, repórter de Esporte

Ana, me identifiquei com o que seu leitor escreveu. Primeiro, porque sou formado em direito e hoje trabalho em um jornal. Como ele, quando tive que escolher o que "queria ser quando crescesse" fiquei na dúvida _fiz três graduações, uma delas em comunicação, e só terminei direito.

Para mim, não foi uma escolha fácil, mas eu tinha certeza de que seria mais realizado profissionalmente trabalhando como jornalista. E, por enquanto, continuo pensando assim, embora, como foi dito, nem tudo sejam flores. Há suas dificuldades e, por sorte, estou em um jornal que tem uma ótima infra-estrutura. Pelo que escuto de colegas, a vida em outros veículos (principalmente longe de São Paulo) é muito mais complicada.

No meu caso, embora tenha procurado mudar de área por iniciativa própria, as coisas foram acontecendo para que isso desse certo. Ou seja, tendo que pagar contas, eu nunca abandonaria tudo para fazer uma nova graduação. Não porque não acreditasse que seria útil, mas por questões práticas.

Comecei em um site jurídico, dei bastante sorte de ter ali pessoas que me ajudaram e não tinham preconceito por não estar familiarizado com os jargões da área. Depois tive ainda mais sorte de entrar na trainee da Folha. Pelo que tenho visto do mercado, é uma ótima opção (talvez uma das poucas) para quem não é formado e não tem experiência.

Como o leitor, eu também comecei "velho". Fiz o trainee com 27 anos, era o mais idoso da turma. Mas isso de ser "velho" é relativo. A experiência de vida e de ter trabalhado em outras áreas ajudou, e muito.

José Saramago, perguntado se tinha algum conselho aos jovens, disse: "Não tenham pressa, mas também não percam tempo". É difícil encontrar esse meio-termo, mas acho uma boa receita. Ele mesmo diz que tudo na sua vida aconteceu tarde; virou escritor tarde, conheceu o amor da sua vida tarde (acho que com mais de 60) etc.

O que acho importante é ter ciência de que, mesmo sendo mais experiente, mudando de área ele vai ser ignorante (no sentido estrito da palavra) e vai precisar ser humilde para aprender, muitas vezes sendo ensinado por gente mais jovem. E isso, muita gente de cabeça envelhecida não está disposto a fazer. 
 
Espero ter ajudado em algo.
 

NA VIDA PROFISSIONAL, NUNCA VAMOS ENCONTRAR A PERFEIÇÃO

por LUIZ FELIPE CARNEIRO, ex-trainee, advogado

Sou advogado e fui trainee da Folha em 2006. Eu me formei em direito em 2001 e estagiava em escritório de advocacia desde 1999. Apesar de encontrar uma certa estabilidade no direito, eu realmente nunca gostei do ramo. Acho que o fato de ter a família inteira no meio jurídico me influenciou bastante.

Eu me esforcei ao máximo para gostar daquelas leis todas, mas em 2004, resolvi largar tudo para estudar o que sempre quis: jornalismo. À época, eu tinha 24 anos e o lado financeiro não pesou tanto, pelo fato de ainda morar com os meus pais. Tive a sorte de cursar três períodos na faculdade e logo ser chamado para fazer o treinamento na Folha. Na Redação, a maior lição que aprendi foi descobrir que chateações existem em qualquer profissão. Gostar de escrever e ler jornais é bem diferente de estar no dia-a-dia de um grande jornal.

Apesar de continuar achando que amo o jornalismo e odeio o direito, na vida profissional a gente nunca vai encontrar a perfeição. No fundo, o “stress” dos tribunais é igual ao das Redações. E os aborrecimentos e decepções acabam surgindo em qualquer carreira.

Não acho que uma pessoa deva desistir de seguir os seus sonhos. Se ela odiar a sua profissão, lógico que tem que partir para outra. Mas, se não for uma coisa que machuque muito, acho que sempre existe a possibilidade de conciliar. Até mesmo porque, se a pessoa realmente ama o jornalismo, provavelmente não vai se importar de perder as suas madrugadas estudando alguma coisa ligada ao assunto, escrevendo um livro, um blog etc.

Um outro detalhe importante é o mercado de trabalho no jornalismo. Todos sabemos que está cada vez mais difícil encontrar emprego nessa área. E os salários também não são os melhores. Já no direito, sempre existe escritório procurando advogados, e os concursos públicos são inúmeros. Acho que esse fator deve ser levado em consideração, até mesmo porque, se a pessoa conseguir encontrar uma estabilidade na sua vida profissional, vai ter tranqüilidade para fazer o que quiser nas horas vagas.

Pesando tudo isso, eu acabei retornando ao direito após o treinamento da Folha. Não posso dizer que sou uma pessoa realizada profissionalmente, mas, pelo menos, hoje consigo conciliar o escritório e o jornalismo. Tenho um blog e retornarei à faculdade no próximo semestre.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h55

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Muitos caminhos para pautas

Algumas histórias são como polvos. Soltam pautas para todo lado.

RAPHAEL GOMIDE passou um mês no curso de formação dos PMs do Rio e fez uma reportagem de política pública. Mas dela brotou uma pauta de saúde e comportamento (mas publicada na seção ilustrada da Folha Online), sobre tatuagens.

Por falar em Raphael, ainda não fiz a entrevista porque ele anda às voltas com policiais que rondaram sua casa [minha trainee CRISTINA CASTRO avisa que ela pode ser lida também neste link].

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h30

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Lavagem de dinheiro

A dica é de minha trainee PATRICIA GOMES:

Para quem esteve na palestra sobre lavagem de dinheiro da Abraji, sugiro o artigo de hoje (20/05) do Pedro Simon, na Folha [on-line para quem tem acesso a FSP ou UOL] Para quem não esteve, sugiro também.

Tá certo que é preciso descontar as boas doses de autopromoção do senador, mas o conteúdo é bastante válido.

Ele fala de um projeto de lei apresentado no Senado _coisa que o delegado Rodrigo tinha dito que ocorreria em breve_ que moderniza a legislação de combate ao crime de lavagem de dinheiro. [o autor do projeto é o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). O texto aprovado foi um substitutivo da Comissão de Assuntos Econômicos e teve como relator o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Seguiu para a Câmara.]

Simon diz que, com a proposta, a lavagem de dinheiro vai poder ser configurada com qualquer crime precedente, e não mais apenas naquela lista fechada apresentada na palestra. Além disso, as penalizações vão ficar mais rigorosas, a composição do Coaf será reformulada e vão dar ao Ministério Público e ao delegado encarregado do inquérito a exclusividade de acesso aos documentos do caso.

Quanto a este último ponto, não tenho lá muita certeza se foi um avanço, porque se os casos forem interligados _como é o costume nas investigações da PF_ isso vai ficar confuso. Mas essa é só uma opinião leiga.

Enfim, amigos, deixo aí minha sugestão de leitura.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h25

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Em esporte também existe investigação

CAROLINA ARAÚJO resume o que ouviu sobre jornalismo investigativo no esporte durante o congresso da Abraji:

Assisti aos dois seminários sobre cobertura esportiva no congresso da Abraji.

O tema proposto para Cláudio Arreguy, editor de esportes do "Estado de Minas", e Luiz Fernando Gomes, editor do "Lance", era a cobertura das Olimpíadas.

Dois aspectos relativamente novos caracterizam a cobertura recente dos grandes eventos, como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo, mas que podem ser estendidos para se fazer qualquer reportagem sobre esporte. Em primeiro lugar, todos os resultados são na mesma hora divulgados na internet e na televisão. Para se diferenciar, o jornal impresso deve se concentrar em reportagens sobre os personagens, o ambiente, as conquistas e os fracassos. O repórter deve, então, exercitar sua curiosidade e, como está tratando de histórias humanas, colocar emoções no texto jornalístico. Os resultados por si só não interessam ao leitor.

O outro aspecto diz respeito a uma mudança de postura da própria imprensa. Ainda que o esporte seja visto como uma paixão, o jornalista não deve tratá-lo somente como entretenimento. Desde o Pan no Rio, segundo Gomes, a imprensa passou também cobrar e fiscalizar e, após o evento, mostrar o saldo e o legado da competição esportiva para o esporte nacional e para a população. Essa postura deve permanecer, especialmente durante a preparação da Copa do Mundo de 2014.

Paulo Vinícius Coelho, da ESPN Brasil, também diferenciou o jornalismo esportivo do  esporte como entretenimento e falou sobre a investigação na cobertura esportiva. Lembrou reportagens sobre escândalos no futebol, como a máfia nas loterias e o escândalo da arbitragem no Campeonato Brasileiro de 2005.

Para ele, o repórter deve saber diferenciar o que é pauta do que é matéria. A partir do indício de algo errado, o repórter deve apurar, por todos os meios possíveis, se é possível transformar tal pauta em uma matéria.

A precisão e o rigor devem acompanhar qualquer jornalista, inclusive o esportivo. Segundo PVC, vale mais uma história bem investigada, rica em detalhes e bem contada do que um furo. A questão principal no jornalismo esportivo é a qualidade da informação, já que o acesso a ela é bastante fácil, seja pela internet, pela televisão ou pelos jornais impressos.

OUTRAS DICAS DO CONGRESSO DA ABRAJI

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h43

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Para cobrir melhor cinema

Uma leitora que não quer ter seu nome divulgado me escreve para contar que, nos últimos meses, passou por reviravoltas: "Desde a última vez que escrevi, muita coisa aconteceu, fiquei desempregada, achei que o mundo tinha acabado, tentei frilar, fui ignorada, consegui, enfim...". Ela conseguiu um trabalho numa revista de cinema, e pergunta:

1- embora minha área desde a faculdade tenha sido o jornalismo cultural, cinema é talvez a parte de que eu menos entendo, digamos sob um aspecto teórico. Gostaria de saber se você não poderia pedir para algum dos críticos da Folha que recomendassem livros bacanas, sobre o cinema em geral, de consulta, livros sobre o cinema brasileiro.
2- a outra questão que tenho é sobre jornais estrangeiros. Procurando repercussões sobre Cannes, me veio a dúvida: será que em algum lugar existe uma lista dos veículos mais importantes/influentes? Porque ler todos os jornais do mundo é impossível... Pensei em te enviar porque com certeza algum jornalista mais experiente deve ter dicas de jornais estrangeiros que vale a pena ler.

Ainda estou levantando indicações para a primeira pergunta, mas meu colega e ex-trainee MARCO AURÉLIO CANÔNICO, que é repórter e redator da Ilustrada e já foi correspondente em Londres (e tem um blog sobre música pop), me ajudou com a resposta à segunda:

Depende muito das intenções dela e de que tipo de cinema ela anda cobrindo. Numa passada geral, recomendaria o seguinte (e note que, além dos sites em si, grande parte desses veículos têm blogues específicos dentro deles, que eu igualmente recomendo):
 
1) a Variety (www.variety.com) é tiro e queda em notícia de cinema (são bons em TV também). Ela está em todas, tem boa parte dos furos, fala de negócios e tem crítica. Pra quem cobre cinema, é indispensável. Do pop ao cinema de arte, eles estão por dentro de tudo e antecipam boa parte das futuras produções
 
2) a grande revista pop de cinema é a britânica Empire (www.empireonline.com). Esta eu gosto de comprar sempre que vou pra fora (ou peço para trazerem); como sigo razoavelmente atualizado com a edição impressa, não acompanho muito a on-line, mas suponho que seja igualmente boa
 
3) a grande revista cult de cinema é a francesa Cahiers du Cinéma (www.cahiersducinema.com); tem versão em inglês e em espanhol
 
4) os grandes jornais estrangeiros também têm, além de excelentes críticos, acesso privilegiado a atores, diretores, produtores (o que rende boas matérias e entrevistas); é sempre bom acompanhar o NY Times, o Guardian e, se a pessoa lê francês, o Le Monde. Eu também sigo o Independent e o Times londrino com certa regularidade, mas dá pra focar nos dois primeiros sem problema
 
5) por fim, há incontáveis blogues, e aí a questão do gosto fica ainda mais evidente para determinar o que se acompanha; o da casa (http://ilustradanocinema.folha.blog.uol.com.br/) é bem legal, tem os críticos da Ilustrada, tem notícia européia (o criador do site, Leonardo Cruz, está morando em Paris) e bastante notícia sobre cinema nacional (festivais etc.); numa linha bem mais pop, gosto do Omelete (http://www.omelete.com.br/) ou do modelo original no qual eles se inspiraram (e de onde tiram várias notícias), o Ain't It Cool News (http://www.aintitcool.com/); por fim, para acompanhar a indústria (números, negócios, business, em suma), minha preferida é a sempre bem informada Nikke Finke (http://www.deadlinehollywooddaily.com/)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h38

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Experiência atrapalha?

Há algum tempo meu leitor Ricardo, de Curitiba, havia perguntado se ter experiência atrapalha quem quer fazer o programa de treinamento.

A pergunta dele tem dois enfoques possíveis, o da seleção e o da participação no curso.

Sobre a seleção, respondo eu: ter experiência não elimina um candidato, mas o programa foi concebido para quem é inexperiente. Entendo que quem já trabalha há algum tempo veja no curso uma forma interessante de ficar mais perto da Folha, mas não acho que seja a melhor maneira --muitas vezes, pode ser frustrante repassar conceitos básicos ou fazer como exercício atividades que já fazemos há meses de forma profissional.

Sobre a participação, pedi ajuda a meu trainee BRENO COSTA, que já trabalhava a quase dois anos num jornal diário carioca quando veio para o treinamento:

Olha, Ricardo, confesso que pensei que a experiência que tive de um ano e meio trabalhando em jornal diário poderia me atrapalhar. A Ana Estela, durante entrevista individual na Semana de Palestras, me perguntou isso claramente: "Por que você precisa do treinamento, se você já trabalhou em jornal diário?".

Aí que entrou o diferencial, acho. Deixei claro que o treinamento seria muito importante para mim, no sentido de aprendizados técnicos (temos muito) e de um acompanhamento muitíssimo mais individualizado e metódico do que o que tinha como estagiário no jornal em que trabalhava.

Isso que é importante, Ricardo: experiência não significa auto-suficiência. Você tem sempre que estar aberto a aprender. No caso particular da Folha, se você deixar isso claro, acredito que tenha grandes chances.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h50

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assim como você

Acaba de entrar no ar o blog assim como você, de meu colega e ex-trainee JAIRO MARQUES.

Jairo é coordenador-assistente da Agência Folha --organiza a cobertura em todos os Estados do país, com exceção de SP, Rio e Brasília-- e cadeirante desde criança.

Seu blog é para todo mundo que precisa superar obstáculos, sejam os nossos, sejam os daqueles de quem gostamos.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h01

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Por dentro da PM

O Mais! publicou ontem uma excelente reportagem de meu colega RAPHAEL GOMIDE: "PM por dentro".

Durante um mês, ele participou do curso de formação de policiais militares no Rio. Embora não tenha se identificado como repórter, ele usou seu próprio nome e, na ficha de inscrição, deixou claro que trabalhava para a Folha.

Se você não tem acesso à versão on-line da Folha, tente conseguir o caderno com algum amigo ou parente que compre o jornal, pois é um trabalho que vale a pena ler.

Como recebeu edição generosa, a reportagem inclui também detalhes de como foi preparada e realizada. Vou ver se o Raphael pode responder a mais perguntas do blog. Enquanto isso, quem se interessa pelo assunto pode assistir a reportagem semelhante feita pela BBC e mencionada aqui no blog por meu trainee MAURICIO HORTA (está no final deste post).

Na seção "Como foi feito", GUSTAVO FIORATTI fala sobre reportagem em que viveu como carroceiro por quatro dias

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h43

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Vá, veja e conte

Há nos jornais paulistas hoje dois exemplos legais de reportagem no seu sentido mais puro: o jornalista vai ao local, vê, ouve, checa e completa a apuração com pesquisa e entrevista.

Uma foi feita por meu colega VITOR SORANO, do "Agora", e está publicada na Folha também. Transcrevo o início, para quem não tem acesso ao link:

Novo painel em terminal de ônibus dá informação errada

Nos casos em que há previsão de horário de partida, informação não se confirma

Sistema custou à prefeitura R$ 400 milhões, demorou cinco anos para ficar pronto e é apresentado como "revolução no transporte"

DO "AGORA"

O sistema de informação aos usuários dos terminais de ônibus de São Paulo por meio de painéis eletrônicos é pouco confiável, confuso e falho.
Os painéis foram incluídos no programa Olho Vivo da prefeitura, tido como "revolução" no transporte. O gasto com os painéis não foi revelado pela SPTrans (empresa municipal que gerencia o transporte público). O programa inteiro custou R$ 400 milhões e demorou cinco anos para ficar pronto.
O programa prevê o monitoramento dos 15 mil ônibus da capital. Até agora, 85% são acompanhados. Os PMVs (Painéis de Mensagem Variável) devem informar se o ônibus parte no horário ou não.

Sem horário
A reportagem visitou, entre quarta-feira e quinta-feira, cinco terminais que possuem os PMVs. A maioria dos painéis não informa horários de ônibus, como em todos os observados no Terminal Capelinha (zona sul), que apenas repetem o nome e o número da linha, dados fixos presentes em placas. (...)

A outra está no "Estado de S.Paulo": Rodovias se aprontam para pedágio.

O leitor ganha quando os jornais não só reproduzem o que governos ou empresas dizem, mas vai lá checar o que está realmente acontecendo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h23

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Jornalismo e conflitos armados

PATRÍCIA GOMES conta o que aprendeu sobre cobertura em locais perigosos:

Assisti a duas palestras sobre conflitos armados.

A primeira foi com Américo Martins (BBC), João Paulo Charleaux, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), e general Carbonell, do Exército.

Como representantes de instituições com funções sociais diferentes, os palestrantes tinham também opiniões divergentes.

Enquanto Américo falava das dificuldades de obter novidade quando se está em campo com o Exército, o general falava da mania dos jornalistas brasileiros, pouco acostumados a cobrir guerra, de querer interferir na ofensiva militar.

Américo apresentou a postura da BBC diante de situações de conflito no mundo. Segundo ele, não há história que não possa ser contada por questão de segurança: “É tudo uma questão de investimento e de tomar os cuidados cabíveis”.

Mas ressaltou que “nenhuma matéria vale um repórter morto”, como já contou o Horta, num post deste blog.

A discussão, portanto, é saber se vale a pena pagar os custos de mandar um repórter, já que a aparente falta de segurança pode ser contornada com o investimento correto.

Já João Charleaux mostrou as funções do CICV, apresentando uma discussão atual e que, para meu espanto, também existe no Rio de Janeiro: profissionais da imprensa devem estar identificados nos conflitos? O medo é que a medida se volte contra os próprios jornalistas, que podem se tornar alvos.

O coronel Carbonell, que esteve no Haiti e participa da formação de jornalistas para situações de conflito, falou da dificuldade de produzir notícias que não estejam carregadas de opiniões e sentimentos quando se está em campo.

Falou ainda da extrema necessidade de conhecer história, normas do Direito Internacional de Conflitos Armados, estruturas militares e de não ir de sapato de salto alto para a área de conflito  --ele jura que aconteceu isso no Haiti.

Já a segunda palestra, voltada para a América Latina, foi menos polêmica e movimentada.

Os jornalistas Cristian Cantero, do Paraguai, e Hollman Morris, da Colômbia, apresentaram seus trabalhos e falaram da dificuldade de exercer jornalismo em seus países. Ficou para mim a impressão de que há muito mais áreas no nosso subcontinente que são rurais e controladas pela lei do tráfico do que se imagina no eixo Rio-São Paulo.

OUTRAS DICAS DO CONGRESSO DA ABRAJI

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h59

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Jornais

Jornais

Minha colega LUISA BELCHIOR avisa que a FNPI, ótima fundação que promove oficinas, edita livros e patrocina um prêmio de jornalismo, abriu inscrições para um curso sobre como escrever em jornais, com Miguel Angel Banstenier. O link da convocatória é este (http://www.fnpi.org/talleres/convocatoria.asp?id=331). Se cair na home, veja em convocatórias, do lado esquerdo.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h53

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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