Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Unidades investigativas

BRENO COSTA conta como países vizinhos estão à nossa frente em investigação jornalística:

Uma das discussões mais básicas em torno do jornalismo investigativo envolve o próprio termo "investigativo".

A questão é: esse "ramo" do jornalismo é realmente diferente do jornalismo "tradicional"? A frase "todo jornalismo é investigativo" é invariavelmente ouvida quando o assunto está em pauta. Mas há quem discorde.

Tendo a achar que o jornalismo investigativo é um ramo mais avançado em relação à cobertura do dia-a-dia. Exige mais ferramentas, mais método, mais planejamento e, fundamentalmente, mais tempo e dinheiro.

É aí que entra uma reflexão que iniciei a partir da palestra do jornalista paraguaio Cristian Cantero, na mesa "Jornalismo Investigativo na América Latina", durante o 3º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado pela Abraji.

O paraguaio deixou claro que países vizinhos, como o Paraguai, Peru e Colômbia, possuem uma organização nas Redações muito mais avançada que no Brasil para a produção de reportagens investigativas --correspondente, portanto, ao caráter "avançado" desse tipo de jornalismo.

Por aqui, o que me parece mais avançado nesse sentido é a figura do repórter especial, adotada nos principais jornais. Recebem um salário maior que a média e desenvolvem pautas próprias, mais trabalhadas, enfim, mais investigativas. Mas não há uma relação estruturada, consolidada, nem entre eles, nem na organização geral da Redação.

O diferencial de nossos vizinhos é uma estrutura chamada "Unidade de Investigação", presente fisicamente nas Redações. No Última Hora (jornal onde Cristian trabalha), a mais recente equipe tinha cinco repórteres, segundo o paraguaio.

Ele explicou que o núcleo funciona como uma unidade de "brainstorm", onde temas prioritários para um determinado período de tempo (como ano ou semestre) são discutidos e elencados, para que recebam uma atenção mais especial desse grupo de repórteres.

Além disso, essas unidades têm orçamento próprio, e o trabalho funciona mais coletivamente. Nunca ouvi falar de algo parecido no Brasil.

É como uma editoria dentro do jornal. Uma editoria de investigações. As Redações brasileiras, que contam com o respaldo de uma entidade importante e ativa como a Abraji, poderiam implantar esse tipo de estrutura.

Fazer jornalismo investigativo com orçamento e linhas de trabalho definidas, e com colegas dispostos a colaborar, seria mais fácil. Me parece que esse tipo de organização interna nas Redações seria muito mais coerente com um tipo de jornalismo que busca ser diferente do jornalismo "hard news" do dia-a-dia.

OUTRAS DICAS DO CONGRESSO DA ABRAJI

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h45

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Informar, informar bem e informar certo

AMARO GRASSI conta para os leitores do blog as imagens usadas por três palestrantes para marcar suas posições no congresso da Abraji:

Informar, informar bem e informar certo.

Ainda que elementares, seguem sendo estas as preocupações últimas do (bom) jornalismo de hoje. O que muda, e muito, são as condições em que ele é praticado.
Foi esta, a meu ver, a mensagem simples, mas valiosa, transmitida pelos palestrantes do 3º Congresso da Abraji, em BH.

O jornalismo em (re)construção

Rosental Calmon Alves, professor do "Knight Center", em Austin, no Texas, procurou tratar de como preservar a possibilidade da transmissão da informação em meio a uma verdadeira revolução midiática pela qual estamos passando. Segundo ele, "o jornalismo que herdamos foi construído na (e para a) era industrial e se tornará obsoleto se não for (re)construído para a era digital". A migração de um paradigma unidirecional para paradigmas multidirecionais e horizontais e a expansão das redes sociais participativas são as principais características desse processo por ele identificado. "O jornalismo não é mais monopólio dos jornalistas", completa.

Como em um jogo de vôlei

Paulo Totti, do "Valor Econômico", como a Cris já mostrou, abordou o informar bem. Para isto, utilizou uma analogia entre a construção do texto jornalístico e um jogo de vôlei. Segundo ele, a tarefa do jornalista se assemelha à do levantador: recebe a informação (ou a bola, como queiram) e se encarrega de distribuí-la da melhor forma possível. Cabe aqui uma boa dose de criatividade, tanto maior e mais produtiva quanto maior a capacidade do jornalista (levantador) de apreender a complexidade e as muitas possibilidades do tema que está tratando.

O antes e o depois

Este foi o norte da palestra conjunta sobre precisão jornalística de Mário Magalhães, ex-ombudsman da Folha, e Eduardo Lorea, da "Zero Hora". Segundo eles, o informar certo se configura em dois momentos: no antes, quando é fundamental a prática da rechecagem, até mesmo nas aparentemente mais óbvias informações; e no depois, quando o jornalista e o jornal devem ter a humildade de reconhecer o tropeço e reparar os eventuais danos causados a personagens das matérias e leitores pela publicação de "erramos".

OUTRAS DICAS DO CONGRESSO DA ABRAJI

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h13

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Bolsa para investigação

Bolsa para investigação

A Avina dá bolsas para investigação jornalística em seis categorias:  “arte e sociedade” (educação), “mudança climática”, “transparência”, “negócios inclusivos”, “inclusão social”, e “integração da América Latina”.

Os tetos para cada bolsa são de US$ 6 mil para TV, e US$ 4 mil para jornais, revistas, internet, rádio e agências de notícias.

Inscrições vão até 1º de julho.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h25

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Meu chefe gosta de mim; meu chefe me odeia

O site do Poynter tem hoje um artigo muito interessante sobre relações pessoais entre editores e equipe.

Vale a pena ler no original, mas resumo alguns pontos principais:

  • é um fato que editores podem gostar de trabalhar mais com uns que com outros na equipe
  • há situações em que editores detestam trabalhar com toda a equipe e isso afeta o resultado do trabalho
  • o ponto principal é respeito: o editor deve ter certeza de que seu repórter está usando seus talentos para produzir um bom jornal e servir ao leitor. Não é preciso ser simpático nem "amiguinho", mas trabalhar com os mesmos objetivos: jornalismo de qualidade
  • quando um editor não respeita um comandado ele: a) passa pautas menores, para que não precise acompanhar nem falar muito com o repórter; b) manda sempre o assistente falar com o repórter; c) não pensa, obviamente, em aumentos, promoções ou bons desafios.
  • tanto editores quanto equipe contribuem para criar uma atmosfera de respeito, mas a responsabilidade final é do editor: é ele que deve garantir esse tipo de atitude

O que um editor pode fazer para criar uma atmosfera de respeito?

  • reconhecer que cada pessoa na equipe tem talentos e fraquezas --algumas graves. É um pacote fechado.
  • um ponto importante é como o editor reage a essas fraquezas. O ideal é que ele estimule as pessoas a superá-las e acredite que é possível melhorar. De preferência, que mostre como melhorar.

Cinco perguntas para a reflexão dos editores

  1. Eu gosto de trabalhar com minha equipe? Por quê? O que eles fazem que me irrita ou me deixa feliz? Respostas específicas a essas perguntas podem apontar atitudes e soluções
  2. Como eu reajo às frustrações? Me afasto da equipe? Evito falar com as pessoas que me irritam? Passo as tarefas para os assistentes? Só me comunico por e-mail? A pessoa que me irrita sabe o motivo pelo qual eu evito falar com ela?
  3. O que eu poderia fazer para incentivar quem me deixa frustrado a melhorar seus pontos fracos? Já tive uma conversa honesta com ele? Deixei claras minhas expectativas e minha avaliação? Como ajudá-lo a melhorar?
  4. Preciso de ajuda para melhorar o desempenho das pessoas que me deixam frustrado? Há treinamentos possíveis? Pessoas dispostas a orientá-lo? Algum editor mais experiente pode me ajudar com idéias, planos concretos ou simplesmente dividir comigo os problemas?
  5. Minha frustração é tão grande que atrapalha meu trabalho? A idéia de ir todo dia à Redação me deprime? Sempre que falo do jornal, reclamo da equipe?

Responder honestamente a essas perguntas é um primeiro passo para começar a agir, conclui Butch Ward, autor do artigo.

[Também do Poynter, num assunto correlato, o repórter Bob Segall --vencedor de vários prêmios de investigação-- fala sobre como um editor pode ajudar, em entrevista neste artigo]

Odeio meu editor (ou meu editor me odeia)
Meu chefe é... (tipos de editor)
Link para outros tipos de editor
As dificuldades de chefes jovens

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h49

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Onde achar dados

Onde achar dados

Mais algumas dicas recolhidas por IAGO BOLÍVAR no congresso da Abraji:

DADOS DO BRASIL PELO MUNDO 
 
A jornalista Sandra Crucianelli, do Canal Siete, de Bahía Blanca, na Argentina, apresentou uma relação bem interessante de sites estrangeiros onde é possível encontrar informações relativas ao Brasil.
 
Por exemplo, a Espanha tem um banco de dados de imigrantes com dados atualizados, onde podem ser pesquisados dados sobre brasileiros: http://extranjeros.mtas.es.
 
No site www.census.gov, do governo dos Estados Unidos, há muita informação sobre o Brasil. Por exemplo, no link http://www.census.gov/foreign-trade/statistics/product/enduse/imports/c3510.html é possível acessar a relação de importações de produtos brasileiros pelos EUA.
 
No site http://freeedgar.com há dados da Securities and Exchanges Commission –onde estão registradas as empresas com ações nas bolsas dos EUA ou com conta bancária no país.
 
O endereço http://www.gpoaccess.gov é um portal de acesso a praticamente todo o governo americano.

No http://www.foia.state.gov é possível ter acesso a informações liberadas com base no Freedom of Information Act e fazer requisições.
 
O site http://www.nsarchive.org tem arquivos que eram protegidos por sigilo e foram liberados do The National Security Archive.

Em http://www.clad.org.ve - estão dados sobre a transparência na administração pública na América Latina. O site é administrada pela Universidade Maracaibo, e, segundo a paletrante, é independente do governo. Um link para buscas diretas sobre os países é http://www.clad.org.ve/siare/index.htm

FERRAMENTAS

Crucianelli também apresentou uma lista de sites que podem ajudar a acelerar, organizar e abastecer coberturas:

http://www.percent-change.com - Calcula variação percentual.
http://jumk.de/calc/longitud.shtml - Conversor de medidas.
http://www.archive.org/index.php - Mostra como eram sites em anos anteriores. 
http://www.zuula.com - Procura em vários sites de busca ao mesmo tempo.
http://www.un.org/Pubs/CyberSchoolBus - Permite gerar gráficos comparativos de dados de países.
http://www.nationmaster.com - Ás vezes tem informação mais recente que o cyberschool.
http://www.freeplaymusic.com - Fornece fundos musicais para produzir conteúdo multimídia. É gratuito. 
http://www.zotero.org (Plataforma para Firefox) -  Organiza documentos, fotos e vídeos. Permite escrever notas por cima das páginas.
http://www.metacrawler.com - Rastreia um tema em 14 buscadores distintos.
http://clusty.com - Agrupa resultados com classificação por temas. 
http://www.copernic.com - Permite buscar em bases específicas, governos, diretórios de empresas, mapas. Existe uma versão gratuita que é boa. 
http://www.slideshare.net - É um youtube das apresentações em Power Point. Pessoas colocam os próprios arquivos no site, e também governos e inimigos de governos postam arquivos que ficam acessíveis a todos. 
http://www.quintura.com - Organiza tags, mostrando as relações entre assuntos.
http://www.kartoo.com - Metabuscador que mostra a relação entre artigos entre vários sites. É importante quando um repórter investiga alguma pessoas.

OUTRAS DICAS DO CONGRESSO DA ABRAJI
Para fazer
buscas na internet - dicas de José Roberto de Toledo, Sandra Crucianelli e Iran Alves
A corrida das galinhas - reportagens da BBC e uso de câmera oculta
Cobertura de eleições, dados e pesquisas
Repórter morto não conta história - cursos para aprender a trabalhar em situação de risco
Dicas e programas para criar seu banco de dados
Fuja das fontes oficiais - como um repórter do El País furou todo mundo
Conselhos de Paulo Totti para melhorar o texto

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h20

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Teria mais chances em São Paulo?

Meu leitor Leandro é jornalista no interior de São Paulo e está pensando em largar sua cidade e até sua área de atuação para vir a São Paulo:

Tenho quatro anos de experiência em jornal, como repórter e redator (ambos envolveram também conceitos de edição), no interior de São Paulo. No primeiro caso, meu trabalho foi mais centralizado em coberturas de "cidade", o "Cotidiano" da Folha. Já no segundo, abrangeu várias editorias. Pois bem. Há pouco mais de um ano estou desempregado, apenas fazendo alguns trabalhos free-lance.

Meu grande objetivo é trabalhar em São Paulo por quatro motivos.

O primeiro refere-se à grande variedade de cursos -de especialização e mestrado em comunicação- que somente são oferecidos na capital paulista, incluindo também a realização de seminários, palestras e encontros relacionados à profissão.

A segunda questão é com relação aos veículos de comunicação, que são, claro, maiores, bem mais complexos e com oportunidades de galgar postos mais conceituados e com salários igualmente compatíveis.

O terceiro motivo é representado pela "vida" cultural que a capital paulista oferece, o que não tem comparação com qualquer outra cidade do Estado, em relação a teatro, shows, espetáculos e apresentações em geral.

A última razão é pelos fatos/eventos/acontecimentos mais importantes do Brasil acontecerem em São Paulo, junto com Rio de Janeiro e Brasília, principalmente.

Acredito que tenho capacidade, pois, inclusive, já enviei textos, reportagens e uma revista que produzi a um jornalista paulistano que tem uma agência de notícias. Na ocasião, ele me elogiou, disse que não poderia me dar um emprego na agência, pois não poderia pagar o salário que eu "pretendia (e merecia) ganhar", e afirmou ainda eu já estava no estágio de "procurar emprego em jornais grandes, como a Folha de S.Paulo".

Já tive a oportunidade de participar de dois processos seletivos do Grupo Folha, no Agora São Paulo (para repórter) e na Folhapress (vaga de redator). Fui classificado até a entrevista, mas não consegui as vagas.

Também já entreguei muitos currículos -pelo menos deixei na recepção, já que é muito difícil ter acesso direito aos editores- em várias empresas de comunicação aí na capital paulista. Já mandei currículos também por e-mails.

Acontece que estou determinado a ir mesmo para São Paulo, mas encontro dificuldades para "penetrar" nesse mercado.

Não quero continuar no interior, pois como não existem oportunidades de bons cursos, o profissional fica estagnado. Quando há algum curso, como o de mestrado, encontrei dificuldades para fazê-lo, pois como os jornais são pequenos ou médios, há uma sobrecarga de matérias para cada jornalista e, com isso, não conseguia cumprir apenas as sete horas de trabalho e minha carga horária se estendia até 11 horas de serviço. Não raro, cheguei a ter que escrever 11 matérias em um único dia. Como o mestrado era em uma universidade que fica em uma cidade distante 120 Km do local onde trabalhava, ficou impossível a continuidade. Mesmo porque, a empresa não oferecia qualquer apoio ou motivação para que eu fizesse o curso.

Tenho uma amiga que viveu situação semelhante. Ela teve que sair do jornal em que trabalhava para prosseguir com os estudos, já que a empresa também não oferecia qualquer respaldo.

Acredito que seu eu ficar no interior de São Paulo, continuarei com o mesmo nível de ocupação no jornalismo, a mesma formação acadêmica e sem perspectivas de crescimento profissional -seja em relação a cargos dentro da empresa e melhoria de salário. Quero me tornar um profissional mais qualificado, com credibilidade e com novas -e boas- perspectivas de crescimento constante.

Pois bem. Com essa "realidade", acredito que, talvez, seja até melhor me transferir para São Paulo e "abandonar" o jornalismo temporariamente e trabalhar em outro ramo que propiciasse duas coisas: primeiro, um emprego; e, segundo, um rendimento que possibilite fazer bons cursos de especialização na área.

Como estou parado, já prestei alguns concursos para jornalista, mas em assessoria de imprensa. Passei em um. O concurso tem prazo de validade de dois anos, podendo ser prorrogado por igual período.

Mas meu objetivo mesmo é o jornalismo diário, o dia-a-dia de uma redação, a adrenalina, a cobertura de rua, "ao vivo" do local dos acontecimentos, os plantões à espera de informações, e não um serviço apenas pela estabilidade e com alta dose de burocracia, que muitas vezes representa o serviço público.

No final, ele me fez várias perguntas, que respondo aqui embaixo: 

1º - Você acha que o mercado de jornalismo em São Paulo é "fechado", dificultando a entrada de quem não é daí e vem do interior?

Não acho que haja dificuldades maiores para quem é de fora. O que ocorre é que realmente há poucas vagas para muita gente.

2º - Acha que é melhor ir para São Paulo, se "desviar" temporariamente da profissão, como forma de possibilitar a realização de cursos, e depois voltar ao jornalismo?

Acho um caminho possível. Se for a úncia forma de você vir a SP, talvez valha, sim, a pena. Mas há sempre um risco em sair da cobertura para outras funções. Em geral, os editores ficam ressabiados com isso. Aí caberá a você deixar sempre claro que só fez esse sacrifício pela possibilidade de se preparar melhor. Uma opção é oferecer frilas, principalmente para as revistas, que são um mercado maior que o de jornais, com muitas opções de tema, e costumam trabalhar com colaboradores. 

3º - Dos cursos, vejo que existem vários oferecidos pelo Senac -para jornal, TV, rádio, relações públicas e internet- com cargas horárias de até 80 horas. Você acha esses cursos interessantes ou são muito superficiais?

Não conheço de perto, mas sei que, na área gráfica e de imagem, o Senac é bem conceituado.

4º - Com relação à especialização (pós-graduação lato sensu), vejo alguns bons cursos oferecidos pela USP, Cásper Líbero e PUC, por exemplo. Você acredita que com um curso desses no currículo ajuda a "abrir caminho" para o mercado em São Paulo?

Honestamente, não. Acho que não faz diferença. Sua experiência profissional, mesmo no interior, conta muito mais.

5º - Concorda comigo quando digo que o profissional que fica muito tempo no interior acaba estagnado, pelas dificuldades de freqüentar bons cursos; por, muitas vezes, não ter tempo devido ao excesso de trabalho e por ter de viajar, quase que diariamente, para outra cidade; pela falta de uma vida cultural "mais rica"; por ter um salário limitado, na absoluta maioria das vezes apenas ganhando o piso da categoria (de cinco ou sete horas do interior) etc.?

Concordo com alguns dos motivos que você dá, mas não com todos. Salário ruim e pouco tempo não são exclusividades do interior e, mesmo em São Paulo, há muito jornalista estagnado. O que importa é justamente essa sua disposição e vontade de fazer mais e crescer profissionalmente. Claro que há mais oportunidades em São Paulo, mas é você e não o lugar que fará a diferença.

6º - Em São Paulo, qual a área de jornalismo que está contratando mais hoje? Impresso, TV, rádio, internet ou assessoria de imprensa?

Não sei se alguém tem esse balanço... Acho que o campo em assessoria é maior, mas é mera impressão.

7º - É válido, depois de alguns anos de experiência, fazer cursos como os de trainees da Folha ou do Estadão, por exemplo?

Só o da Folha é aberto a quem já se formou há algum tempo. Ser válido ou não depende muito do candidato, na verdade. Como "porta de entrada", parece ser uma boa opção, mas o programa é mais voltado para quem não tem experiência. Acho que um caminho melhor seria propor pautas, fazer frilas, cobrir férias.

8º - É mais vantajoso profissionalmente fazer uma especialização ou ter a experiência de morar por alguns meses em países como Canadá, EUA ou Inglaterra, por exemplo, pela questão de aprender -e reforçar- um idioma e ter a vivência em um país estrangeiro? Qual das opções seria mais valorizada?

Difícil responder assim, no geral, né? Mas minha tendência é dizer que morar fora vai te acrescentar muito mais, como pessoa e como profissional.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h16

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Notícia no Brasil é uma; no Canadá é outra

Notícia no Brasil é uma; no Canadá é outra

Vejam que interessante o que conta o Thiago, de Vancouver, Canadá. É um bom caso para pensarmos em critérios de notícia:

Estou fazendo pós em cinema em Vancouver, Canadá, e durante minhas aulas de cinema canadense se discutia muito o que leva um filme ser rotulado como "canadense".

Pelas manchetes dos jornais daqui, e pelo que tenho lido nos site brasieliros, a regra parece valer para os dois países.

Enquanto sites brasileiros dizem que "filme brasieliro abre festival de Cannes", sites canadenses dizem "filme canadense abre festival de Cannes".

É verdade que o filme (Blindness) é uma co-produção Canadá-Brasil-Japão (será que no japão é "filme japonês abre festival de Cannes"?), mas, enquanto a imprensa brasileira fala do filme como se fosse brasileiro, e destaca a atuação do diretor Fernando Meirelles (que é chamado de "mexicano" pelo site MSN do Canadá), os jornais canadenses só se interessam pelo roteirista e ator canadense Don Mckellar (O homem é considerado um gênio por aqui).

Então fica a pergunta, será que isso acontece simplesmente por patriotismo exarcebado dos jornalistas, interesses comerciais das distribuidoras, ou simplesmente porque o público se identifica mais com a notícia quando seu país está envolvido?

Ah, e uma foto com Meirelles, Mckellar, e mais 3 atores que eu vi no site do UOL foi também publicada pelo jornal Globe and Mail, só que no jornal canadense a foto foi cortada, e Meirelles excluído.

O que acham os leitores? Como explicar as diferenças? É patriotismo ou há motivos jornalísticos?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h59

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Buscas na internet

IAGO BOLÍVAR divide com os leitores do blog o que aprendeu sobre buscas na internet durante o congresso da Abraji:

O jornalista José Roberto de Toledo, no curso básico de RAC, deu dicas sobre como fazer buscas mais eficientes na internet.

Antes de mais nada, sugeriu que se use apenas a busca avançada nos sites de busca, fazendo a filtragem por palavras, datas, tipos de arquivo e domínios (.gov, .org. .com). No Google a busca avançada está no link http://www.google.com/advanced_search?hl=pt-BR.

Sandra Crucianelli, do Canal Siete, de Bahía Blanca, na Argentina,Crucianelli sugeriu que, para trabalhar menos, é melhor configurar o buscador para apresentar 100 resultados por página. Ela também diz que não se deve abrir todos os links de uma vez, mas ler o resumo e abrir inicialmente em .html os arquivos em .pdf.

Toledo e Crucianelli deixaram claro que nenhum buscador abrange todas as informações que estão on-line.

Segundo ele, o Google e outros sites de busca conseguem vasculhar apenas cerca de 1/3 da rede. Só pesquisam páginas prontas, mas não as páginas dinâmicas, em que é preciso gerar pesquisa em um banco de dados. Nesse caso, é preciso saber onde estão esses bancos on-line e fazer a busca diretamente neles.

"Para todas as editorias há bancos de dados úteis. Faz parte do nosso trabalho descobrir essas bases", disse ele.

Alguns bancos que sugeriu:

Datasus: http://w3.datasus.gov.br/datasus/datasus.php - Tem informações sobre mortalidade e incidência de doenças. O principal link: Informações de Saúde - http://w3.datasus.gov.br/datasus/datasus.php?area=359A1B0C0D0E0F359G3H0I1Jd1L2M0N&VInclude=../site/menuold.php

www.protocolo.redegoverno.gov.br - Todo processo de órgão do governo federal deve estar indexado nesse site.

Banco de dados com devedores da Previdência: http://www.previdenciasocial.gov.br/pg_secundarias/paginas_perfis/perfil_comPrevidencia_09_04-A.asp

Receita: www.receita.fazenda.gov.br (Possível fazer buscas por CNPJ e CPF)

http://gisims2.co.miami-dade.fl.us/myhome/propmap.asp - Mostra propriedades em Miami

Parecido no Brasil: www.spu.planejamento.gov.br/conteudo/emissão_de_darf/darf.HTM - Pesquisa de laudêmio - taxa paga ao governo por proprietários de imóveis em faixa de Marinha.

Como em muitos desses bancos é importante fornecer o CNPJ ou CPF, foram sugeridos esses sites para encontrar os números dos documentos:

No Treinamento, o Iran Alves, especialista em RAC da Folha, tinha sugerido ainda um outro caminho: olhar a embalagem de produtos, que sempre trazem o CNPJ.

Toledo fez as seguintes observações sobre a integração de RAC com o trabalho tradicional de reportagem:

  • "O RAC não suprime a necessidade de cultivar fontes humanas, mas até ajuda nessa relação"
  • "Te garanto que, se você chegar pra uma entrevista com um especialista munido de dados, ela vai ser melhor"
  • "Se você chega com informação, a chance de sair com mais informação é maior"
  • "Se chegar para um político e perguntar 'quais as novidades?', ele vai dizer 'nenhuma' e a entrevista acabou"

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h40

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Sou estagiária e vou cobrir eleições

A Michelle, de Juiz de Fora, é estagiária em um jornal diário e me pergunta o que fazer para cobrir eleições municipais.

Há várias formas de fazer esse tipo de cobertura, que dependem basicamente do projeto editorial do jornal --se é independente ou comprometido com algum grupo político, se é crítico, se é pluralista ou alinhado.

O que você pode ou não fazer vai depender muito, portanto, da liberdade de cobertura que terá e dos objetivos do veículo: fiscalizar o comportamento dos candidatos? Descobrir ligações, lícitas ou não, entre grupos políticos, econômicos, sociais? Ou apenas cobrir as campanhas do ponto de vista factual (hoje o candidato tal foi ao bairro tal)?

De qualquer forma, eu tomaria os seguintes cuidados:

NA PREPARAÇÃO DA COBERTURA

  • lembre sempre que eleições envolvem muitos interesses --políticos, econômicos, sociais. É preciso estar consciente disso 100% do tempo: a quem interessa tal ou qual declaração? O que pode estar por trás de uma ou outra informação passada? Quem seria atingido? Quem seria beneficiado?
  • entenda o projeto editorial do seu veículo e tenha clareza sobre que tipo de cobertura se espera de você
  • ache um repórter experiente e reputado que possa orientá-la. Cobertura eleitoral exige malícia e segurança, para que o repórter não seja usado pelas fontes. Como você é estagiária, o ideal seria poder sempre tirar dúvidas e discutir informações com alguém mais experimentado
  • conheça detalhadamente a biografia dos candidatos, não só pessoal, como política: está ligado a que grupo? Quem são seus principais aliados? Seus inimigos? Para isso, consulte arquivos de jornais, mas fale também com os diretórios municipais dos partidos, que podem ajudar a traçar um panorama
  • conheça a história política da cidade. Procure bons professores nas universidades locais, de história, sociologia, economia e ciência política, que possam traçar um panorama dos grupos que dominam a cidade (talvez valha a pena ler este post sobre como fazer fontes e mantê-las)
  • conheça bem a legislação eleitoral: o que pode ou não ser feito durante uma campanha política? Quais os prazos? Como é o financiamento de campanha? Como acompanhá-lo?
  • faça contatos com os assessores de imprensa. Enquanto não há comitê de campanha, procure os assessores atuais dos candidatos. Apresente-se, deixe seus telefones, pegue os deles. Depois, repita com os assessores de campanha.
  • faça contato com os candidatos. São coisas independentes: você deve manter um bom relacionamento com os assessores, mas é útil também que os candidatos a conheçam pessoalmente. Marque um café ou mesmo uma entrevista (pesquise um assunto bem fechado, com bastante foco, que seja da área de atuação dele)
  • faça contato com a sociedade civil organizada: ONGs, sindicatos, associações que atuem na vida pública da sua cidade. Eles a ajudarão a entender os principais problemas da cidade e a avaliar a pertinência das propostas apresentadas nas campanhas. Também poderão identificar irregularidades, contradições ou outros fatos que rendem notícia

DURANTE A COBERTURA

  • lembre sempre que eleições envolvem muitos interesses --políticos, econômicos, sociais. É preciso estar consciente disso 100% do tempo: a quem interessa tal ou qual declaração? O que pode estar por trás de uma ou outra informação passada? Quem seria atingido? Quem seria beneficiado?
  • ouça sempre pessoas acusadas ou citadas numa apuração. Tal candidato diz que fará acordo com o partido X? Cheque com o partido X antes de publicar. Fulano diz que terá o apoio da Igreja Batista? Fale com o religioso antes de passar adiante.
  • grave, sempre que possível, todas as entrevistas. Mesmo as feitas por telefone (veja aqui como gravar telefonemas). Em política, tentativas de desmentidos são muito comuns. Estagiários são o lado mais fraco da corda. Proteja-se. (Leia aqui mais dicas de por que, como e quando gravar)
  • não se contente com o factual. Mesmo que vá escrever apenas sobre a agenda (Fulano visitou tal lugar ontem), tente sempre falar com fontes que a ajudem a entender o que está por trás de cada fato, de cada estratégia. Podem ser boas fontes tanto os assessores responsáveis pela campanha quanto os acadêmicos e membros da sociedade civil citados acima. E, claro, os assessores dos candidatos adversários --que estarão o tempo todo fazendo o mesmo que você: tentando entender o que está por trás das estratégias dos outros
  • lembre que apuração não é só entrevista. Entrevista é só uma das pernas do banco: é preciso também pesquisar, observar, obter documentos. (veja aqui um exemplo de como declarações encobrem falhas na apuração)

NA HORA DE ESCREVER

  • lembre sempre que eleições envolvem muitos interesses --políticos, econômicos, sociais. É preciso estar consciente disso 100% do tempo: a quem interessa tal ou qual declaração? O que pode estar por trás de uma ou outra informação passada? Quem seria atingido? Quem seria beneficiado?
  • nunca publique uma acusação que não puder provar. Sempre consulte o seu editor sobre acusações, mesmo que gravadas
    sempre publique todas as versões envolvidas em determinado fato
  • seja econômica com citações literais (frases entre aspas). Tome cuidado para não acabar servindo às campanhas. Lembre-se de que os discursos são pensados para promover os candidatos. Prefira usar em seu texto o discurso indireto. Reserve citações literais apenas para frases muito fortes, muito curiosas, ou quando for importante deixar claro que foi exatamente aquilo que tal pessoa disse (e, neste caso, seja realmente literal e apóie-se em gravações)
  • sempre cheque todas as informações antes de passar o texto adiante: o nome de fulano é este mesmo? É com um n ou dois? A idade é esta? O partido é este? A data é mesmo esta? E o local? Não confie na memória. Cheque.
  • não é fácil achar o lide em coberturas políticas. Para uma iniciante, é ainda mais difícil. Converse com colegas mais experientes ou com seu editor sempre que tiver dúvidas. Tente entender como eles definem os lides, que raciocínio e que prioridades estão por trás da decisão

Como as fontes tentam usar os jornalistas
Dicas do Gaspari sobre
como tratar as fontes
Ser simpática com as fontes ou não?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h01

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História universal - revoluções liberais

História universal - revoluções liberais

Curso de seis aulas na Casa do Saber.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h59

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Quando a polícia detém o repórter

Aprendemos muito com experiência própria e muito pouco com a experiência dos outros.

Mas é sempre interessante saber como colegas reagiram frente a perigos, obstáculos ou situações inesperadas.

Não nos garante espertezas ou tranquilidades semelhantes, mas nos deixa alerta às possibilidades e nos permite antecipar, se não soluções, pelo menos os problemas.

Por isso vale a pena ler o relato do correspondente da Folha na China, RAUL JUSTE LORES, sobre sua "detenção" quando cobria os efeitos do terremoto recente:

Polícia chinesa detém repórter em Sichuan
DO ENVIADO A SHIFANG

Dois policiais e quatro soldados me abordam enquanto entrevisto desabrigados que padecem numa longa fila atrás de água e comida. Mais de 50 pessoas me cercam, contando dramas e reclamando da desatenção oficial. Os policiais dizem para eu sair imediatamente.

"Para fazer entrevistas aqui, você precisa de permissão do Departamento de Informação e Propaganda do governo da Província de Sichuan", diz o policial, que não se identificou.

Os seis pedem que eu os acompanhe a uma delegacia, no vilarejo de Luo Shui, um dos mais danificados pelo terremoto de segunda-feira. Duas fábricas vizinhas desabaram e houve um vazamento de amônia.
Sabendo que a liberdade de imprensa é um valor desconhecido em boa parte da China, acho melhor não discutir. Mas mostro minha credencial, registro do governo chinês, e digo que não há nenhuma proibição para o trabalho de jornalistas estrangeiros.

O policial diz que, pelas leis provinciais, eu preciso de um registro local e que talvez no dia seguinte possa entrevistar "as autoridades locais".

Não quero saber de autoridades e digo que não dá para adiar meu trabalho. Levei quatro horas para chegar a Luo Shui, pelas estradas já precárias, independentemente do terremoto.

Os homens se mostram irredutíveis, mas eu argumento que a lei provincial não pode estar por cima da lei nacional.

Até dois anos atrás, jornalistas estrangeiros precisavam pedir permissão ao governo para fazer qualquer viagem pelo país. Como parte do compromisso para a preparação da Olimpíada de Pequim, o governo aprovou uma lei de imprensa que permite ao correspondente viajar pelo país sem autorização (com exceção da Província separatista do Tibete).

Ligo para uma diplomata no Ministério de Relações Exteriores e digo que estavam me proibindo de fazer entrevistas. Peço para ela conversar com o policial. Quando o celular volta às minhas mãos, ela afirma que a única preocupação deles é "com a minha segurança".

O que a minha segurança tem a ver com um registro no governo, uma dessas burocracias que os chineses amam, não ficou lá muito claro. Será que era para que eu pudesse ser seguido?

Estava no meio da rua, entrevistando pessoas que passaram as duas últimas noites dormindo sob barracas feitas de sacos plásticos. Disse que não era inseguro para mim.

Réplica
Após 20 minutos de sermão, em que o policial me diz que não posso voltar a fazer entrevistas, somos interrompidos por um pequeno tremor, das dezenas que acontecem após um terremoto, as chamadas réplicas. A delegacia balança. Soldados, policiais e eu saímos correndo. Aproveito para voltar à rua, mas os policiais continuam a me vigiar.

Como já tinha ficado mais de duas horas em Liu Shui fazendo entrevistas, disse à minha tradutora que era hora de sair, já que não queria saber de ficar detido ali. Mais de sete quilômetros depois, surpresa: o carro da reportagem é abordado por uma viatura policial. "Você está mesmo indo embora de Shifang?" Ao dizer que sim, deixei de ser seguido.

Diferentemente do que fez em outras tragédias recentes no país, o governo chinês tem adotado agora uma posição mais aberta, divulgando número de vítimas e desaparecidos a cada hora. Pela TV estatal, os chineses finalmente têm recebido um fluxo de informação inédito, ainda que os inúmeros problemas na atenção às vítimas sejam negados.

Mas o comportamento de Pequim demora bastante para ser seguido em regiões distantes, como Sichuan. Jornalistas têm sido detidos em províncias como Xinjiang, Gansu e Qinghai ao tentar cobrir protestos contra o governo.

Médicos e soldados impedem o acesso de jornalistas a locais da tragédia de segunda e se negam a passar dados básicos, como o número de feridos em tratamento ou de mortos achados sob os escombros.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h56

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Como surge uma manchete

A Natalie havia me pedido faz tempo que esclarecesse uma dúvida sobre uma reportagem que foi manchete da Folha: o atraso na entrega de usinas elétricas correspondem a uma Itaipu.

A reportagem cita que o levantamento da Aneel na qual ele baseia a reportagem está disponível no site da agência. Queria saber se a pauta surgiu "por acaso", de uma fuçada dele no site, ou se ele recebeu as infos do tal relatório de alguma forma mais "tradicional" (assessoria, fontes etc.).

Meu colega AGNALDO BRITO responde:

A história é um pouco longa. Vou resumir. Há alguns dias estava numa pauta com o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim. No meio da apresentação, ele falou de problemas que distribuidoras estavam tendo com o atraso na operação de usina. Fuçando a página da Aneel, descobri que a agência mantém um acompanhamento das usinas autorizadas ou concedidas. Levantei todos os relatórios que detalhavam a situação de cada fonte de geração. Respondendo, a Aneel não me entregou qualquer relatório. Garimpei no site e depois compilei os dados.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h48

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Entrevistas também são humor

A dica é de meu amigo Marcelo Soares:

O Harry Ransom Center colocou na internet para quem quiser assistir duas entrevistas feitas pelo Mike Wallace (do 60 Minutes) há algumas décadas: uma com o pintor Salvador Dalí e uma com o arquiteto Frank Lloyd Wright.

Esta eu assisti há alguns anos, não lembro como. Lá pelo final, ele comenta que o arquiteto tinha construído uma casa para a Marylin Monroe e pede que ele comente, em termos arquitetônicos, o que achava da cliente. É um belo exemplo para a campanha pelo humor no jornalismo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h28

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Um charuto às vezes é só um charuto

Um leitor do blog me escreveu sobre esta foto, publicada hoje no caderno Dinheiro: tirada no dia 13 de maio, às 13h13.

Seria um daqueles casos de "imagem-comentário"? Um símbolo? Um prenúncio?

LULA MARQUES --o autor da foto-- é hábil nesse tipo de captura, mas neste exemplo do dia tratava-se apenas de uma "chinfra". Ou, nas palavras dele: "É só mais uma foto de depoimento; tentei colocar os números para ilustrar".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h22

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Nos arquivos do FBI

Nos arquivos do FBI

Bem legal esta entrevista do Poynter sobre como acessar os arquivos do FBI.

Victor, meu colega na lista da Abraji, traduziu para o português no blog de sua faculdade.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h47

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Errou? Corrija...

Outro dia uma trainee comentou:

--- "Coitado de fulano, divulgou a matéria dele na internet, e um leitor acabou achando um erro...".

Claro que eu entendo esse sentimento. É bem humano achar chato ter que reconhecer um engano. Mas é algo contra o que devemos lutar no jornalismo.

Errar é quase corriqueiro. Por mais frustrante que seja, porém, é algo que temos que encarar com naturalidade. E sempre, sempre corrigir.

Meu ex-trainee LUIS FERRARI me mostra um bom exemplo disso:

Hoje o Boston Herald traz um erramos histórico, na capa do jornal.

Eles desmentem uma matéria publicada na véspera do SuperBowl vencido pelo NY Giants e que acusava o Patriots de ter vencido o SuperBowl de 2002 de forma questionável (com métodos idênticos ao escândalo de espionagem que marcou a temporada da equipe de Boston na temporada passada).

Na época (lembro bem, porque fiquei responsável pela apresentação da final da NFL no plantão de carnaval), a história repercutiu bastante. E foi negada pelo time.

A capa histórica está aqui.

[Clique aqui para ler despacho da Reuters sobre o caso.]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h31

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Tenho 31 anos, fiz direito, queria ser jornalista

Meu leitor A., de Mato Grosso do Sul, pergunta:

Vou direto ao ponto: tenho 31 anos, sou formado em direito e trabalho no serviço público.

Quando tinha 19 anos, passei em dois vestibulares, direito e jornalismo. Sempre gostei de escrever, sempre acompanhei os mais diversos assuntos, não apenas por meio dos jornais, mas também lendo livros, pesquisando. Mesmo assim, optei por direito. Hoje, penso muito nessa situação. E as dúvidas e questionamentos são muitos...

Gostaria muito de ouvir a opinião de quem é da área, possui experiência e atua em um veículo como a Folha: na minha idade, ainda há tempo para ser jornalista?

Imagino que não seja muito comum, alguém nessa idade, iniciando-se nessa carreira. Onde moro, por conta do órgão em que trabalho, tenho muito contato com os jornalistas. E quando vejo gente nova, é sempre gente bem nova; nunca vi um novato perto dos quarenta anos; ou então, quando vejo, no máximo é alguém que, já sendo jornalista, veio de outro lugar.

Ou seja, sinto muito medo em considerar a idéia de fazer a faculdade, empenhar-me em toda aquela correria de começo de carreira (que eu já vivi com o direito, garanto), nadar, nadar e morrer na praia.

A dúvida do A. tem muita razão de ser. Seria inconseqüente da minha parte dizer que é fácil começar aos 30. Obviamente não é. É raro e bem mais difícil começar com 30 anos, em jornalismo ou qualquer profissão.

Mas não é impossível.

Já tive trainees com mais de 30 anos, por exemplo. Foram três. Só uma chegou a trabalhar como jornalista, durante vários meses. Mas voltou para a vida acadêmica. Os outros dois terminaram o treinamento, mas nem chegaram à Redação. Concluíram que não seria o caso de mudar de área.

Cada pessoa tem sua história, mas minha impressão é que há um pouco de encantamento e engano na visão que temos de outras profissões.

Quando chegamos mais perto, notamos que rotinas, chatices e limitações existem em todas. E aí talvez valha mais a pena ficarmos com as dificuldades e pequenezas que já dominamos bem em vez de trocá-las por outras que desconhecemos.

Não quero, com isso, desencorajar quem quer mudar de área. Por coincidência, pensei em como tanta coisa é possível na vida ao ler hoje a biografia da ex-ministra Marina Silva: foi doméstica, se alfabetizou pelo Mobral, fez supletivo e se formou aos 26 anos na universidade.

Mas acho importante pensar bem em duas coisas:

1) o que o desagrada, concretamente, em seu trabalho atual? Do que você quer se livrar quando pensa em mudar de profissão? Será que nessa outra área não haverá as mesmas coisas que o desagradam agora?

2) O que o atrai em jornalismo? Não seria possível conseguir essa satisfação de outra forma que não fosse trocando de profissão? Por exemplo, se você é feliz escrevendo e lendo, não pode se realizar fazendo essas duas coisas no seu tempo livre?

Refletir sobre isso pode ajudá-lo a tomar uma decisão um pouco mais embasada, embora a gente sempre possa se enganar, voltar atrás, tentar por outra via, mudar mais uma vez.

Afinal, 30 anos ainda é o começo da vida!! Há muito tempo pela frente!!

Também aos 31, Andréa pergunta se é velha demais para ser jornalista

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h09

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Palavras são mais que isso

Minha ex-trainee BARBARA CASTRO sugere a leitura deste artigo da London Review of Books sobre o uso das palavras na cobertura que jornais israelenses fazem do conflito com os palestinos.

O texto foi traduzido pela Piauí deste mês.

O mesmo artigo já havia sido comentado aqui pela Kenya, que havia lido a versão em italiano, o que nos remete à regra do dois.

E, já que o assunto é Israel e Palestina, meu colega TARIQ SALEH manda o link para uma reportagem da BBC sobre o campo de Chatila

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h29

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Corrida das galinhas

http://www.organicfields.net/

Mais um relato do congresso da Abraji, por MAURICIO HORTA:

Ainda na sexta-feira, na palestra BBC: Boas Histórias e Treinamento para Investigação, Américo Martins apresentou algumas reportagens do programa Panorama, existente há 55 anos. São bons exemplos de jornalismo cuja investigação se pautou pelo interesse público. Vale a pena checar os trabalhos. 


- BNP Exposed -
http://news.bbc.co.uk/hi/english/static/in_depth/programmes/2001/bnp_special/default.stm
com sua identidade verdadeira, mostrando simpatia, mas tendo que fazer perguntas perigosas, criando relações pessoais sem poder envolver-se em casos de abuso, um repórter da BBC tornou-se membro do British National Party e infiltrou-se nesse partido de extrema-direita para descobrir o que atraía tantos jovens britânicos.

- The Chicken Run - http://news.bbc.co.uk/1/hi/programmes/panorama/3035139.stm
uma investigação de seis meses sobre a adição de água em frangos importados da Holanda. Filés chegavam a conter até 50% de água, retida pela adição proteína hidrolisada de porco e boi. A apuração incluiu o envio de um repórter para trabalhar num frigorífico holandês e a criação de uma companhia fictícia que importaria seus produtos.

- A Carer's Story
http://news.bbc.co.uk/1/hi/programmes/panorama/3216461.stm
durante três meses, uma produtora da BBC trabalhou como enfermeira de idosos para agências de atendimento em lar em Liverpool e Brighton, com um currículo falso, referências inadequadas e treinamento insuficiente. Com uma câmera escondida sob o uniforme,a repórter mostrou a falha na observação de regulação dessas agências.

- Secret Policeman
http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/magazine/3210614.stm
depois de a polícia de Manchester admitir ser institucionalmente racista, o repórter Mark Daly decidiu alistar-se para a corporação. Fez cinco meses de treinamento e, por oito semanas, foi um policial de fato, para investigar esse racismo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h09

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Curso do Estadão

Estão abertas até 1º de julho as inscrições para o programa de treinamento do Estadão.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h02

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Os çábios da ekipekonômica

Tenho opinião parecida com a da maioria dos leitores que comentou a dúvida da Deise: há algo de mal em escrever "loooooooonga" numa coluna?

Num texto informativo, factual, eu veria problema não com o excesso de ooooooos, mas com o adjetivo.

Longa é quanto? Uma hora? Cinco? Três? Durou o dobro do comum? Dez vezes mais?

Mas, posto que é um texto em que há lugar para comentários subjetivos, acho o loooooooooonga até melhor que o longa, uma vez que comunica de cara, de forma muito eficiente, o que ela achou da sessão.

Se a gente não pudesse brincar com as palavras, o que seria dos poetas concretistas (como Marcelo Moura, de quem empresto o poema acima?)?

Ou --para ficar no jornalismo-- para que perder as boas tiradas "concretistas" de Elio Gaspari, de quem empresto o título deste post? 

Se alterar a grafia das palavras adiciona sentido a elas --quando cabe um comentário--, ganha o leitor e ganha o jornalismo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h40

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Alguém tem uma agência de notícias?

Outro dia comentei aqui que nos EUA as fundações estão criando agências independentes de notícias e meu leitor Paulo escreveu para perguntar como se organiza uma agência no Brasil.

Eu mesma só conheço as que são dos grupos de comunicação já estabelecidos: Folhapress, Agência Estado etc.

Algum leitor do blog tem uma agência ou sabe de alguma? Pode nos contar sua experiência?

Sei que existem há bastante tempo agências de fotojornalismo. Mas e de reportagens? Há no Brasil agências desvinculadas de grandes grupos que se sustentem (seja por meio de doações, seja pelo próprio negócio) e consigam ver suas reportagens veiculadas para o grande público?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h27

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Opções para cobrir eleições

Mais uma dica da CRISTINA MORENO DE CASTRO, a partir de uma palestra do congresso da Abraji:

A palestra com Fátima Jordão, do Cultura Data, sobre as pesquisas eleitorais, tentou nos mostrar que os eleitores não são passivos.

Que acompanham política e que são os "indecisos", das pesquisas, que mais definem as eleições.

Que a pesquisa eleitoral de hoje tem uma legitimidade técnica muito maior que antes e reflete efetivamente a opinião pública.

E que os políticos que já entenderam o poder da comunicação e sabem manejá-la são os mais bem-sucedidos. (Segundo ela, a primeira pergunta que Lula fez ao receber a proposta de João Moreira Salles para o documentário "Entreatos" foi: "Você vai filmar em digital ou em película?").

Apesar de concordar que o eleitor (e o leitor/ouvinte/telespectador) não é passivo, um dos dados fornecidos durante a palestra me fez pensar que ele é, no mínimo, muito acomodado.

É que 90% dos entrevistados numa dessas pesquisas acham que a prestação de contas dos candidatos é importante ou muito importante. Mas só 1% deles acompanha o desempenho de seu candidato eleito por meio de suas prestações de contas, geralmente disponíveis na internet. Por outro lado, 43% não acompanham de nenhuma forma e 44% acompanham pela mídia (rádio, TV, impressos).

Conclusão: o cidadão (que se importa) transfere ao jornalista a responsabilidade de acompanhar o político.

Achei surpreendente.

Mas, para este blog, quero divulgar um caso usado durante a palestra. Um exemplo de como é possível que o jornalista transfira ao cidadão a responsabilidade de cobrir um evento. O site http://www.radarcultura.com.br/virada usou essa estratégia para cobrir a Virada Cultural. O que não será possível fazer durante a cobertura de uma eleição?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h56

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Concurso para universitários

O Wallison, de Ribeirão das Neves (MG), avisa que o jornal "O Tempo" abriu concurso de textos. Podem participar estudantes ou recém-formados de qualquer área, de qualquer universidade do Estado.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h48

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Repórter morto não conta história

MAURICIO HORTA divide com os leitores do blog o que aprendeu no congresso da Abraji:

Onde histórias virarem História, deverá haver algum repórter da BBC --mesmo clandestinamente, em lugares como o Zimbábue e Mianmar, onde são banidos pelo Estado.

É verdade que alguns acontecimentos históricos são silenciosos, mas a regra são conflitos armados.

Há um dilema em reportar a guerra. "Não há história que não valha ser coberta por perigo, mas repórter morto não pode escrevê-la", resumiu o editor-executivo do serviço mundial da BBC Américo Martins na palestra "Jornalismo em Áreas de Risco".

Na BBC, há cursos para minimizar riscos em ambientes natural ou politicamente hostis. Uma equipe de sergurança monitora acontecimentos e avalia seus riscos. São escalados para a cobertura repórteres com experiência, que devem dar sempre retorno para comunicar vida, saber como proteger a vida de suas fontes, tomar medidas de diminuição de riscos e ter planos de fuga.

Há duas formas de cobir conflitos armados --ou jonalista é embutido (embedded) nas tropas, ou é independente.

O jornalista independente tem a mesma proteção limitada dada a civis durante um conflito; no entanto, as mesmas também são suas privações.

Para o coronel Carbonell, sub-chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, escoltas privadas desses jornalistas podem fazer com que combatentes identifiquem jornalistas como inimigos, o que acaba ameaçando a segurança de outros repórteres.

Já o repórter embutido nas tropas é protegido e pode acompanhar o conflito de perto. Mas talvez demasiado de perto. Carbonell reconhece que a manipulação é fato e faz parte da propaganda da campanha militar. Essa proximidade foi o problema da reportagem embutida no Exército americano na Guerra do Iraque.

Mas o que mais valeu na palestra foi saber que o Exército brasileiro oferece, no Rio de Janeiro, um curso de preparação para jornalistas em área de conflito. O primeiro aconteceu entre os dias 10 e 14 de março. Nele, alunos são inseridos no ambiente de um batalhão brasileiro de força de paz.

Entre as atividades estão simulações de ataque suicida e bombardeamento, instrução de segurança pessoal, comportamento como refém e primeiros-socorros, identificação de campos de minas, equipamentos, armamentos e munições encontrados em áreas de conflito.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h46

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A turma em BH

Ana Estela de Sousa Pinto/Folha Imagem

No aeroporto após o congresso, à espera dos vôos para voltar para casa (Cristina e Iago não estão na foto porque ficaram em Minas para o Dia das Mães...)

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h07

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Violência e saúde mental

Violência e saúde mental

A Unifesp faz em junho simpósio sobre o efeito da violência na saúde mental.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h16

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Software mais barato

Meu colega e excelente infografista MARCELO PLIGER avisa (a respeito do post logo abaixo, sobre programas de bancos de dados):

A FileMaker acaba de lançar uma versão mais simplificada do programa por US$ 49. Chama-se Bento ( http://www.filemaker.com/products/bento/overview.html ). Baixei o trial essa semana e estou fazendo um teste. Parece ser tão bom quanto a versão profissional. O Gaspari usa o FileMaker porque trabalha com Mac. É o melhor gerenciador de banco de dados nessa plataforma.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h50

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Crie suas ferramentas

Crie suas ferramentas

 O congresso da Abraji tinha palestras e cursos. IAGO BOLÍVAR participou principalmente dos cursos, e divide com os leitores o que aprendeu. Abaixo, algumas dicas sobre bancos de dados e softwares que podem ser usados:

Monte um banco de dados. Essa foi a orientação comum aos cursos e palestras relacionados à Reportagem com Auxílio de Computador (RAC) do congresso da Abraji. A idéia básica: as informações guardadas em bloquinho de papel não vão servir para nada depois de um tempo. É preciso passá-las para um arquivo de computador que possibilite busca no texto.

O jornalista Elio Gaspari, que mantém um banco de dados, tinha falado no início do programa de treinamento o que coloca no dele:

- Todas as matérias próprias.
- Tudo o que anota no bloco.
- Todas as matérias interessantes que lê.

O Lucas Ferraz, ex-trainee que veio com o Gaspari, disse que põe também trechos de livros que acha interessantes.

A jornalista Lise Olsen, do Houston Chronicle, sugeriu no Curso de RAC Avançado que sejam guardados no banco de dados também os documentos oficiais e relatórios do governo.

Na palestra "Acesso à informação pública digital", a jornalista Sandra Crucianelli, do Canal Siete, de Bahía Blanca, na Argentina, falou sobre a importância de guardar, em pastas distintas, gráficos, orçamentos, e textos de lei.

 Um site sugerido nos cursos da Abraji para montar o Banco de Dados é o Zoho (http://www.zoho.com), que oferece muitas ferramentas on-line gratuitas (para criar o banco, entre aqui: http://creator.zoho.com). O Gaspari usa o programa Filemaker, que disse ser caro, e na Folha nos ensinam a fazer o banco em Access.

Aqui no andar de baixo, estou fazendo a experiência de montar o banco em uma conta de e-mail do Google, porque permite buscar no texto, em planilhas e arquivos em PDF.

Leia mais dicas sobre bancos de dados

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h29

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Pode usar?

Pode usar?

Minha leitora Deise tem uma coluna num jornal do interior gaúcho, na qual ela comenta as sessões da Câmara Municipal.

Ela me faz uma pergunta interessante sobre uma palavra que usou há alguns dias. Vejam o que acham:

Acompanho a reunião semanal da Câmara de Vereadores da cidade, Serafina Corrêa, e tenho uma coluna no jornal, que também é semanal, sobre a sessão. Dia desses a sessão foi tão longa, mas tão longa que a única maneira que encontrei de descrever isso foi usando a expressão:
"A sessão loooooooooooonga", com essa grafia.

Temos uma corretora que é professora de português e ela me informou que, como o texto é mais usual nessa coluna, eu poderia usar essa grafia, que seria compreendida. Mas, para minha surpresa, uma assinante me escreveu criticando justamente o uso dessa expressão/palavra/ gíria.

Vou trancrever o que ela disse:     "Minha professora sempre me ensinou que a linguagem utilizada em jornais deve ser clara e objetiva, a chamada linguagem jornalística, mas esse “loooooooonga” não me parece nada objetivo e nem pertencer à chamada linguagem jornalística, está mais para a linguagem utilizada pelos internautas".

Agora estou em dúvida. Qual sua opinião?

Vocês, leitores, o que acham?

Meu comentário.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h06

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Fuja das fontes oficiais

CRISTINA MORENO de CASTRO divide com os leitores do blog o que aprendeu em mais uma palestra do congresso da Abraji:

Fuja das fontes oficiais: elas querem sempre controlar as informações para seu próprio benefício. Essa conclusão é de José María Irujo, jornalista do El País que falou no Congresso da Abraji sobre o Al Qaeda e os atentados de 11 de março em Madri.

E ele descobriu isso na marra. Quando quatro trens foram explodidos e 192 espanhóis morreram em Madri, o governo sustentou até o fim que o ataque era do grupo basco ETA. Irujo era um dos únicos a acreditar que o responsável era o Al Qaeda, e foi chamado de louco pelos colegas. Mas é que ele vinha estudando ao jihadistas há vários anos.

Esse estudo que ele fez o ajudou a conseguir fontes, ao longo dos anos. E foram essas fontes que o ajudaram a obter informações que ninguém mais tinha. A descobrir que a polícia investigava o Al Qaeda, que havia prendido suspeitos islâmicos, que um vídeo do Al Qaeda assumindo a autoria havia sido encontrado numa lixeira, que uma das 13 bombas não explodiu e, com ela, foi possível rastrear a loja que vendera os explosivos.

Ele driblou uma das maiores dificuldades do jornalista: trabalhar em momentos de grave crise, em que as informações reais nem sempre são transmitidas.

Enquanto os outros jornais espanhóis reproduziam o discurso de um governo (José Maria Aznar) interessado em se reeleger naquela mesma semana, Irujo desconfiou das fontes oficiais, e, com a ajuda de suas próprias fontes, fez o El País estampar a verdade no segundo dia. Mais: o El País pôde mostrar que o governo sabia do Al Qaeda e insistia na versão dos ataques do ETA, por mero interesse de se reeleger.

Aznar perdeu aquelas eleições para o socialista Zapatero.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h02

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Um lide saltando à nossa frente

Fomos ao congresso da Abraji, em Belo Horizonte. Os trainees assistiram a palestras diferentes, e alguns querem dividir com vocês parte do que aprenderam.

A CRISTINA MORENO CASTRO escreve abaixo sobre as lições que Paulo Totti, do "Valor", deu sobre texto:

Na minha primeira aula de gaita, o professor me perguntou que tipo de música eu gostaria de aprender a tocar. Respondido, pegou um CD e gravou dezenas de músicas de outros gaitistas que tocavam blues: "Escute até cansar. Eles vão te ajudar a perceber as notas, as técnicas e saber do que você é capaz".

Durante a palestra "Como construir o texto jornalístico", no 3º Congresso da Abraji, Paulo Totti (Valor Econômico) nos deu conselho parecido. "Leiam de tudo, leiam muito, leiam o tempo todo", ele repetia.

Gay Talese e Tom Wolf nos ensinariam a aprimorar nosso próprio texto. "Raízes do Brasil" (Sérgio Buarque de Holanda), "Casa Grande & Senzala" (Gilberto Freyre) e "Formação econômica do Brasil" (Celso Furtado) nos habilitariam a pensar e escrever sobre qualquer assunto.

Isso derruba a idéia do "talento". Já que, a priori, qualquer um é capaz de ler muito e aprender a escrever bem.

Mas não basta escrever bem. O bom repórter, para Totti, é o que mais observa. Fica permanentemente atento, pronto para ver um lide saltando à sua frente. Uma vez encontrado o lide, o resto do texto começa a fluir naturalmente. O contrário também é regra: se a matéria empacou, é que o lide está ruim. E a obrigação do repórter é fazer com que o leitor chegue ao final de sua matéria.

Totti contou que Mino Carta, nos tempos áureos de Veja, circulava pelas mesas dos repórteres, atulhadas de papéis descartados, num tempo em que a máquina de escrever dominava as redações. Se ele via uma mesa limpinha, sem nenhum papel embrulhado por perto, cutucava o repórter e só dizia: "Refaz o lide".

Leve mais tempo pensando em como abrir a matéria. "Ao abrir, a coisa fica toda estruturada". Porque, quando cobrimos um acontecimento, voltamos com uma impressão. O lide passa a ser uma indicação do que queremos dizer. O resto é só a sustentação do lide.

Outras dicas do Paulo Totti:

  • O lide tradicional (quem, que, onde, como, por quê) pode ser usado, é uma forma clara de dizer as coisas. Mas às vezes só um "como" ou um "por que" resolvem bem e conseguem enriquecer a matéria. Nunca despreze o por quê!
  • O repórter que mais pergunta é o que melhor informa ao leitor. Não tenha vergonha de mostrar sua ignorância para a fonte, ou para os colegas. Você só não pode mostrá-la ao leitor.
  • Se você entender bem uma questão complexa, sua informação vai se tornar simples também no texto. Quando você não entende nada, só transcreve chavões. O repórter que repete o economês do especialista provavelmente não entendeu nada. Pergunte!
  • Ouse! Se você passar da criatividade e beirar o ridículo, alguém vai te frear adiante. Mas quem vai ter a idéia brilhante é só você.
  • O editor que só pergunta quantos centímetros vai render a matéria é um burocrata.
  • Os melhores jornalistas do mundo não usam gravador. Ele inibe o entrevistado e distrai o repórter.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h34

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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