Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Liberdade de imprensa

Liberdade de imprensa

Fórum debate liberdade de imprensa e democracia no dia 6/5 na Cásper Líbero.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h43

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Mundo virtual

Mundo virtual

Nesta semana os trainees conversaram com meu colega ALEC DUARTE, editor-assistente de Esporte e professor de jornalismo on-line, sobre como integrar melhor as duas plataformas no trabalho do dia-a-dia.

Divido com vocês a recomendação de leitura que ele passou para a turma de treinamento:

Eis sugestões de textos + livros que têm a ver com o assunto "novas tecnologias - jornalismo impresso - jornalismo on-line - participação do público - vida digital".
 
Quase tudo está disponível na rede e são textos relativamente pequenos.
 
Para os malucos que quiserem se aprofundar, daí deixei sugestões de livros tb.
 
Manual
BRIGGS, Mark. "Jornalismo 2.0: como sobreviver e prosperar - Um guia de cultura digital na era da informação". Knight Center Jounalism for the Americas, 2007
http://knightcenter.utexas.edu/ccount/click.php?id=3
 

Textos
 
ALTERMAN, Eric. "Out of print: life and death of the american newspaper". The New Yorker, 2008
http://www.newyorker.com/reporting/2008/03/31/080331fa_fact_alterman
 
BRADSHAW, Paul. "Basic principles of online journalism"
http://onlinejournalismblog.com/tag/basic-principles/
 
JARVIS, Jeff. "The press becames the press-sphere"
http://www.buzzmachine.com/2008/04/14/the-press-becomes-the-press-sphere/
 
JARVIS, Jeff. "No jornalismo, as boas idéias são do público". Entrevista ao jornal português "Público", 21.04.2008
http://ultimahora.publico.clix.pt:80/noticia.aspx?id=1326487&idCanal=61
 
KOBLIN, John. "What's News? Who knows! Welcome to print 2.0". The New York Observer,2008
http://www.observer.com/2008/what-s-news-who-knows-welcome-print-2-0
 
SALAVERRÍA, Ramón. "De la pirâmide invertida al hipertexto".
http://www.unav.es/fcom/mmlab/mmlab/investig/piram.htm
 
SCHIMTT, Valdenise e FIALHO, Francisco Antonio Pereira. "A Cauda Longa e o jornalismo - Como 
a teoria da Cauda Longa se aplica no jornalismo". UFSC, 2007
http://www.compos.org.br/files/09ecompos09_Schmitt_Fialho.pdf
 
THOMPSON, Bill. "Net gains and pains for journalism". BBC News, 2008
http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/7338238.stm
 
WOLFF, Michael. "Is this the end of news?". Vanity Fair, 2007)
http://www.vanityfair.com/politics/features/2007/10/wolff200710
 
 
Para aprofundar wikijornalismo, jornalismo participativo e tendências da vida digital
 
BRADSHAW, Paul. "Wiki journalism: are wikis the news blogs?". Future of newspaper conference, Cardiff, 2007
http://onlinejournalismblog.files.wordpress.com/2007/09/wiki_journalism.pdf
 
BOWMAN, Shayne e WILLIS, Chris. “We Media – How audience are shaping the future of news and information (Elsevier, 2003)
http://www.hypergene.net/wemedia/weblog.php
 
GILLMOR, Dan. "We the media". CA, USA (O'Reilly Media, Inc., 2004)
http://www.oreilly.com/catalog/wemedia/book/
 
KEEN, Andrew. "The Cult of the Amateur: How Today's Internet is Killing Our Culture". Currency, 2007
 
SHIRKY, Clay. "Here Comes Everybody". Allen Lane, 2008.
http://www.amazon.com/Here-Comes-Everybody-Clay-Shirky/dp/0713999896

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h56

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Dados municipais

Dados municipais

Meu professor Ricardo Meirelles avisa:

O Ministério das Cidades colocou no ar um interessante banco de indicadores, GeoSNIC. Agrupa várias informações dispersas pela internet —Censo, Banco Central, Ministério da Fazenda, TSE etc.
 
A, argh, "navegabilidade" não é das melhores, para ser eufemístico. Mas é uma ferramenta útil.
 
O endereço do GeoSNIC é http://www2.cidades.gov.br/geosnic/src/php/app.php
 
Mesmo sem se cadastrar é possível fazer bastante coisa.

 Stella, minha colega da lista da Abraji, também avisa:

A ferramenta é bacana, mas não muito didática... Na tela inicial tem um ícone que é um binóculo. Clicando lá, abre-se outra tela em que vc pode selecionar o que quer (pesquisa simples ou avançada, perfil do município, etc...). Por ali é possível fazer várias pesquisas.

Meu colega RAFAEL SAMPAIO também comenta:
 
Uma característica bacana do GeoSNIC é que o governo prevê alimentá-lo com mapas e dados de ministérios, estados e municípios, de forma colaborativa - técnicos dos três níveis de governo terão login e senha para alimentar o website, que vai evoluir com o tempo, como uma "Wikipedia" (essa foi a expressão que um coordenador do projeto usou ao definir o GeoSNIC para mim).
 
Exemplos: A Funai pode colocar mapas feitos por satélite que indiquem áreas de demarcação dos indígenas; o Ministério do Meio Ambiente pode pôr mapas com regiões de devastação e assim por diante. Concordo que o site é feio e pouco didático, mas acho que pode melhorar. Difícil vai ser fazer estados e municípios enviarem dados atualizados para o website. Talvez seja mais simples com os ministérios, mas mesmo assim parece um projeto de longo prazo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h52

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Agulha no palheiro

Como achar um personagem em sites japoneses sem entender nem uma palavra do idioma --ou, para ser exata, sem saber nenhum ideograma?

Meu ex-trainee LUIS FERRARI é quem conta:

Estive em Tóquio na semana passada e vi, num jornal de lá, uma pequena matéria sobre um artesão japonês que decidiu boicotar a Olimpíada. Resolvi ir atrás dele (até para valorizar a viagem, oferecendo outras matérias além da que fui fazer).

No texto que li, havia a informação que o personagem era natural da cidade de Fujimi. Achei este site: http://www.city.fujimi.saitama.jp/ E, a partir daí, localizei o personagem.

Note que, apesar de não ter versão em inglês, há uns números que entendemos no pé da página.

Liguei lá, pedi um atendente em inglês, achei o telefone da empresa do personagem e, com a ajuda da recepcionista do hotel, consegui entrevistar a mulher do principal produtor de bolas de ferro para arremesso de peso no mundo.  (assinantes do UOL ou da FSP podem ler aqui a reportagem de Ferrari).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h03

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Relações de trabalho

Relações de trabalho

O sindicato dos jornalistas de SP fará curso gratuito sobre relações de trabalho

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h59

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Vá direto ao ponto

Os leitores que comentaram mataram a charada, no exercício de ontem: em jornalismo diário, se estamos cobrindo algo quente, o melhor é dispensar introduções e ir direto ao ponto.

Em vez, portanto, de um lide geral, como este:

A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou ontem um estudo que mostra a evolução da expectativa de vida em 191 países, entre 2006 e 2007.

O ideal é um lide que dê de cara o resultado mais interessante do relatório divulgado e, depois, conte de onde vem esse dado:

A expectativa de vida da população brasileira aumentou 0,69% (de 56,3 para 56,7 anos) entre 2006 e 2007. Apesar do crescimento, o índice em 2007 permanece inferior ao de países vizinhos, como Uruguai (64,7 anos), Argentina (63,1 anos) e Paraguai (58,7 anos), mostra relatório divulgado ontem pela OMS.

Esse é um problema que vejo com muita freqüência em textos de estudantes de jornalismo ou repórteres mais inexperientes. Não é raro que, ao cobrir uma entrevista, eles comecem assim seu relato:

A reitora da Universidade X deu entrevista ontem para alunos do curso de jornalismo, no auditório da faculdade. Ela respondeu a perguntas sobre investimentos em infra-estrutura, segurança e mudanças no vestibular.

Seguindo a mesma lógica do primeiro exemplo, a abertura tem que ser com o que ela respondeu, ou seja, o que há de específico nessa conversa dela. Um lide que diz apenas que ela deu entrevista serviria para qualquer resultado, qualquer coisa que ela dissesse. Em jornalismo, o mais forte é sempre aquilo que é único, particular, especial. Poderia ser, por exemplo:

A reitora da Universidade X vai contratar uma empresa particular de segurança a partir do próximo mês. Em entrevista aos alunos de jornalismo, ela afirmou também que a entidade vai adotar o sistema de cotas no próximo vestibular.

Isso vale não só para lides, mas também no meio dos textos. Naquele mesmo exercício que os trainees fizeram sobre a OMS, um deles escreveu, lá pelo quinto parágrafo: "O relatório também traz uma má notícia para as mulheres, quando se comparam salários iniciais. As trabalhadoras recebem até 20% menos, nos mesmos cargos, que seus colegas homens".

É perda de tempo e de espaço. Vá direto ao fato: "O relatório mostra também que o salário inicial das mulheres é 20% menor que o dos homens, nos mesmos cargos".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h41

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Papel higiênico literário

Papel higiênico literário

Idéia surgiu a partir de uma peça teatral, encenada pela companhia de Camarero

Os trainees andaram se divertindo com uma matéria da BBC Brasil, sobre uma empresa que lançou rolos de papel higiênico com textos impressos, para aproveitar o hábito de ler no banheiro.

Resolvi usá-lo como exercício. Para mim, falta uma informação relevante no texto. Leiam e me digam: qual é?

Meu comentário

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h22

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Três pontos de uma boa entrevista

Saiu segunda na Folha uma entrevista muito boa feita por meu colega MARIO CESAR CARVALHO com o criminalista Paulo Sérgio Leite Fernandes (quem assina FSP ou UOL pode ler aqui).

É mais uma entrevista sobre o caso Isabella, mas não é mais uma entrevista sobre o caso Isabella. Essa destaca, na minha opinião, por pelo menos três motivos, que vou tentar embasar com trechos publicados:

1. O personagem foi muito bem escolhido. Fica claro para o leitor, seja pela apresentação que o Mario faz dele, seja pelas próprias respostas, que é alguém que conhece muito do assunto, sabe do que está falando. Portanto, dá vontade de ler o que ele pensa a respeito. O leitor fica com a impressão de que saiu ganhando com a leitura.

Os trechos que me fizeram pensar nisso:

Paulo Sérgio Leite Fernandes, 72, já viu tantos casos criminais em seus 51 anos de advocacia nessa área que não vê muita novidade na comoção que o caso Isabella provoca.

(...)

Fernandes tem experiência em comoções. Em 2002, ele defendeu o pediatra Eugênio Chipkevitch, que foi condenado a 124 anos de prisão por pedofilia quando já não era seu cliente.

(...)

FOLHA - O sr. se lembra de crimes que tenham provocado uma reação popular tão violenta quanto a morte de Isabella?
PAULO SÉRGIO LEITE FERNANDES
- Eu fui advogado de Eugênio Chipkevitch, médico acusado de pedofilia em 2002. Esse caso provocou uma celeuma igual ou pior do que o homicídio praticado contra essa menina.

FOLHA - Houve tentativa de agredir policiais ou suspeitos?
FERNANDES
- Houve um acoroçoamento [estímulo] popular muito grande contra o Eugênio. Não chegou a agressão física porque a polícia não deixou. Comecei a advogar em 1957 e não me lembro de reações tão violentas quanto essas duas [Isabella e Eugênio]. Antes disso, há casos famosos, como a da Gata Mineira, que foi morta por um homem da alta sociedade. Houve o caso de dois jovens cariocas [Cássio Murilo e Ronaldo] que foram acusados de matar uma menina [Aída Cury, de 18 anos, em 1958, após ter sido estuprada]. Davi Nasser fez uma cobertura longa na revista "O Cruzeiro", a mais importante da época. Todos foram condenados. Houve o caso de Osmany [Ramos, cirurgião plástico, condenado nos anos 80 a 47 anos de prisão por homicídio e tráfico].


2. Foi novidade para mim saber que, na opinião dele, a polícia não conta tudo o que sabe. Ou seja, que a polícia usa a imprensa. É ótimo ser surpreendido, ler numa entrevista algo que não esperávamos, que sai do lugar-comum.

O trecho:

FOLHA - O sr. acha razoável do ponto de vista criminal que a polícia trabalhe com uma única hipótese?
FERNANDES
- Não acho que a polícia trabalhe com uma única hipótese. Há algumas cartas que estão na manga da polícia, que vocês [da imprensa] não conhecem. Tenho 50 anos de advocacia criminal e creio que há alguma coisa no subterrâneo que vocês ainda não sabem. As notícias que a imprensa consegue colher são parciais. O óbvio não é a verdade. A polícia oferece duas laranjas para a imprensa, mas às vezes a fruta boa é uma maçã. Às vezes o esclarecimento está escondido na gaveta do delegado. Isso vai depender muito da solércia [astúcia] da imprensa.

3. As perguntas do repórter são corajosas, críticas em relação ao que a imprensa --e a própria Folha-- está fazendo. Tenho certeza de que o leitor percebe isso e se sente tratado com o gente grande, não como idiota.

Os trechos:

FOLHA - O sr. acha que o casal suspeito no caso Isabella já foi julgado pela mídia como Dreyfus?
FERNANDES
- Julgado, não, mas o casal está numa situação muito delicada perante a mídia. Creio que foram encurralados. A posição da imprensa em relação a eles não é muito equilibrada. Falta equilíbrio.

FOLHA - A imprensa deveria dar as costas para a curiosidade mórbida do público em relação ao caso?
FERNANDES
- O sr. quer uma resposta franca? Vou lhe dar. O jornal, rede de TV ou rede de rádio que deixar de acompanhar esse caso perde venda, perde Ibope, perde dinheiro, em última instância.

FOLHA - Os jornais hoje, diferentemente do que ocorria nos anos 50, vivem de assinaturas. Elas representam 80%, 90% da circulação.
FERNANDES
- Mas se você mandar um jornal para a minha casa sem notícia da Isabella eu vou procurar o "Estadão". Se ligo a TV e não vejo notícias, vou procurar outra estação. São os fatos da vida.

FOLHA - A mídia está errada em tratar o caso com tanta ênfase?
FERNANDES
- A imprensa não erra no sentido objetivo da coisa. A imprensa existe para que o seu acionista não vá à falência. Nesse sentido, não erra. Mas, no sentido ético, você tem de examinar isso da mesma forma que o indivíduo que é obrigado a se alimentar tomando a comida do outro. Ele não pode morrer de fome porque aí a família dele pode morrer de fome também. Isso é muito complicado. Não há respostas fáceis. Às vezes a imprensa não tem saída.

Edição altera entrevista
Cada entrevista com
sua pergunta
Até onde apertar a fonte numa entrevista
Que pergunta você faz?
Leitura de férias
Pingue-pongue
Post mais recente sobre entrevista
Perguntas duras no começo
Gravar ou não?
O
que ler sobre entrevista

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h59

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Bolsa na Espanha

Bolsa na Espanha

Estão abertas as inscrições para a seleção do Programa Balboa para Jovens Jornalistas Ibero-americanos. Os candidatos devem ser graduados em jornalismo, ter menos de 30 anos e um nível avançado de espanhol, que deverá ser comprovado através de um certificado do Instituto Cervantes ou similar. Inscrições vão até o fim de junho.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h45

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Telê, paixões e precisão

Foi só eu chamar Telê Santana de são-paulino que as paixões se acenderam.

Meu colega Spinelli requisitou-o para a legião palmeirense (leia aqui), o que indignou um leitor são-paulino, o Thiago:

Sobre seu último post, tenho que falar uma coisa: O Telê não pode, em hipótese alguma ser considerado palmeirense. Ele tinha quatro times de coração: Itabirito, da sua cidade natal; Fluminese, Atlético Mineiro e São Paulo.

Pelo Palmeiras, apesar de ter tido duas boas passagens, não conquistou nenhum título. Os técnicos mais lembrados pelos Palmeirenses são: Filp Nuñez, Osvaldo Brandão, Felipão e Luxemburgo. Telê, não.

Só uma torcida grita seu nome ainda; só uma torcida tem uma bandeira em sua homenagem; só uma torcida o chama de mestre; e essa torcida é a do São Paulo. Como vc pode ver no anexo que te mando, lembramos ontem a morte dele. Ele era tricolor sim e foi enterrado com a bandeira do São Paulo. Aqui o link do site da SPNet, maior site de torcedores do país, homenageando o mestre.

Portanto, é correto chamá-lo de são-paulino, sim!!!

Já perdemos do Palmeiras esta semana, não poderia deixar um torcedor do Palmeiras chamar o mestre de palmeirense. Isso é ofensa!!! hehehhee

E minha colega Mariana diz que não, nada disso, ele é mesmo do Fluminense. E usa o ex-ombudsman pra comprovar:

Vi seu post sobre o Beraba/Telê e fiquei com uma pulga atrás da orelha, pois sempre ouvi falar que o técnico torcia de fato para o Fluminense. Chequei nos arquivos da Folha e encontrei uma coluna do Mário Magalhães que confirma este fato. Dá uma olhada aí.

De tudo isso podemos concluir quatro coisas:
  • o homem que defendia os fundamentos é amado por todas as torcidas
  • Beraba está certíssimo em usá-lo como exemplo em suas aulas de reportagem
  • a falta de precisão no jornalismo é capaz de causar bastante confusão
  • quem acha que jornalismo esportivo vale menos está bem enganado

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h36

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Onde está a verdade?

Khalil Hamra/Associated Press
 

Kevir Frayer/Associated Press

Said Khatiba/France Presse

Galitib Bona/France Presse


Ali Ali/EFE

Estas fotos foram tiradas todas no mesmo dia, no começo de março, quando meu colega TARIQ SALEH escreveu algo que chamou minha atenção: por que os jornais não publicam as imagens realmente fortes de um conflito?

Já discutimos aqui essa questão sob o viés inverso: quando realmente vale a pena publicar uma foto de impacto? Quando não é apelação?

Essa é uma preocupação dos que estamos longe dos conflitos. Já Tariq, no fogo do Oriente Médio, vê o problema por outro lado: dar imagens mais brandas atenua a realidade, mascara a gravidade do problema:

Aproveitando os acontecimentos na faixa de Gaza, sugiro debater com o pessoal a questão das imagens fortes demais para a audiência/leitores ocidentais. Toda vez que escuto este argumento, eu fico doente.

Simplesmente nós passamos em nossos noticiários e imagens coisas que não refletem a real consequência do que acontece durante um conflito. O que é uma imagem forte demais? Será que não devemos mostrar uma imagem forte para chocar mesmo (sem apelar para o sensacionalismo)?

A Al Jazeera em árabe colocou imagens de como um bombardeio militar é simplesmente de causar medo. Caças israelenses sobrevoando a baixa altitude, helicópteros lançando baterias de mísseis, palestinos se escondendo atrás de muros, israelenses desesperados correndo dos foguetes Qassam.

Houve uma cena muito triste, e forte... um bebê palestino e pessoas tentando reanimá-lo. Quando vi isso, senti um choque muito forte, uma tristeza sem tamanho (e sentiria o mesmo se a imagem mostrasse um bebê israelense, sem nenhuma dúvida).

O jornalismo árabe, com algumas exceções, tem ainda que se desenvolver, mas ganham do Ocidente em termos de coragem de mostrar a realidade.

Por que não mostrar? Nossos leitores/telespectadores vão sentir algo? E o que seria o jornalismo senão fazer as pessoas ficarem informadas e sentirem o que se passa?

Quando recebi essa mensagem do Tariq, fui olhar as fotos que chegavam pelas agências internacionais. Nenhuma delas poderia ser chamada de "forte demais".

Havia cenas tristíssimas, como a dor explícita das fotos acima ou a imagem do enterro de um bebê --o mais forte, talvez, em termos de choque.

Mohammed Salem/Reuters

Perguntei ao Tariq por que, na opinião dele, isso acontecia. Os fotógrafos já não tiram as fotos mais fortes? Tiram, mas não mandam? Mandam, mas a agência segura? O que dizem seus colegas sobre isso?

Ele me conta:

Quanto a fotos, os fotógrafos com certeza tiram as fotos mais fortes, também mandam, mas as agências seguram.

Há um filtro muito grande. Conversando com o fotógrafo espanhol Alfonso Moral, ele me disse que a mídia espanhola, por exemplo, filtra muitas imagens. A razão: ou por questão política --poderiam ser desfavoráveis a um ou outro--, ou pelo argumento de que é chocante demais para ocidentais, argumento que no final também tem razão política, uma desculpa. Ele me disse que muitos fotojornalistas espanhóis sentem esta política em suas organizações.
 
E nos EUA o filtro é ainda mais forte. Por exemplo, sairam muitas matérias referentes ao conflito em Gaza e Israel. Os textos falavam de crianças palestinas mortas. Mas as fotos, galerias de fotos, mostravam israelenses feridos ou fugindo. Bom, na cabeça do leitor, o que fica mais forte? O texto ou a imagem? Até então 40 palestinos, com 10 crianças mortas, em um texto; ou imagens de 1 israelense que morreu e alguns feridos? Boa discussão... 


O título deste post faz referência ao de um post de dias atrás, "imagens que mentem", sobre uma foto a IstoÉ alterou.

As perguntas do Tariq mostram que a questão da verdade ou da mentira na fotografia não passa apenas pela manipulação digital.

Nenhuma foto é a expressão absoluta da verdade. Há várias interferências em sua produção:

  • a escolha do jornal por aquele assunto
  • a escolha do fotógrafo por aquela cena
  • o enquadramento dado pelo fotógrafo
  • o corte dado na edição

Todos esses passos alteram o que se mostra numa imagem e podem ser "manipulados" a serviço de uma idéia. O editor dará mais um passo, depois, ao escolher esta foto e recusar aquela, ao priorizar imagens mais ou menos fortes, mais ou menos limpas, mais ou menos "emblemáticas".

Mas intervir numa foto para acrescentar ou tirar algo só se justifica, em jornalismo, em raras ocasiões. Algumas perguntas que eu faria ao pensar sobre o exemplo específico:

  • a foto acrescenta informação à matéria ou é só uma ilustração? Se acrescenta, trata-se de informação e, como tanto, não deve ser alterada.
  • o "retoque" altera informação da imagem? Se altera, não deve ser feito.
  • havia opções de foto como alternativa ao "retoque"? Se houver, é sempre melhor escolher outra foto.
  • seria possível cortar a foto, em vez de alterá-la?
  • o jornal ou revista avisou o leitor de que a foto foi manipulada?

Na matéria da IstoÉ, a matéria tinha o título "O MST contra o desenvolvimento". A foto mostrava um ato contra a privatização da Cesp (Companhia Energética do Estado de São Paulo) feito por integrantes do MST na rodovia Arlindo Bétio, que liga SP a MS e PR. Acrescentava, portanto, informação. Não era mera ilustração.

A IstoÉ comprou a foto e, portanto, teve a chance de escolher uma de que gostasse. Provavelmente gostavam da imagem que mostrava uma placa de "Pare" bem em primeiro plano, com o protesto do sem-terra atrás (não deixa de ser um "símbolo" e, como vimos, é intencional, não mero acaso). Mas não gostavam da frase "Fora Serra", referência ao governador José Serra (PSDB-SP), pichada na placa pelo MST.

Acho justo o argumento de que a pichação sujava a imagem --não estou aqui para julgar ninguém nem investigar supostos motivos escusos.

Só acho que, se essa foto estava "feia", havia dois recursos melhores que alterá-la digitalmente: escolher outra imagem ou, no mínimo, avisar o leitor sobre a intervenção.

Limites da emoção - uma discussão no sentido inverso

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h11

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O que você mudaria neste texto?

O que você mudaria neste texto?

Na semana passada, os trainees tiveram aula de Excel --um programa que permite trabalhar com tabelas para fazer cálculos mais rapidamente, ordenar listas de acordo com critérios jornalisticamente importantes, entre outras utilidades.

Como exercício, eles tiveram que encontrar os dados mais relevantes numa planilha da OMS (fictícia) sobre expectativa de vida e escrever um texto.

Um deles começou seu relato desta forma:

¦A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou ontem um estudo que mostra a evolução da expectativa de vida em 191 países, entre 2006 e 2007.
¦A lista inclui dados da expectativa de vida ao nascer, que corresponde ao número médio de anos de vida esperados para um recém-nascido. Expõe também a expectativa de vida aos 60 anos, que se relaciona aos anos adicionais de vida que se espera para um sobrevivente de 60 anos. Nos dois índices, o cálculo é feito anualmente a partir do padrão de mortalidade existente em cada país.
¦Entre 2006 e 2007, a expectativa de vida da população brasileira aumentou 0,69%, de 56,3 para 56,7 anos. Apesar do crescimento, o índice em 2007 permanece inferior ao de países vizinhos, como Uruguai (64,7 anos), Argentina (63,1 anos) e Paraguai (58,7 anos).

Embora bem escrito, o texto precisaria mudar para ficar mais jornalístico. Vocês concordam? Que mudanças fariam?

Meu comentário

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h48

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Acompanhando Márcio

Faz dois meses que um calouro da Uninove registrou queixa na delegacia. Ele relatou ter sido agredido dentro da universidade por ter se recusado a participar do trote. Márcio ia trabalhar depois da aula e não queria que suas roupas ficassem manchadas de tinta.

Era seu primeiro dia de aula. Com medo de retaliações, Márcio não voltou mais à faculdade.

O inquérito ainda corre na delegacia.

A Uninove, que havia dito que os suspeitos haviam sido suspensos, não informa se eles continuam impedidos de ir às aulas. A advogada de Márcio diz que há boatos de que eles estariam freqüentando normalmente as aulas. Mas, assim como fez há um mês, a universidade não responde a nenhuma das perguntas abaixo:

  1. os alunos envolvidos no caso continuam suspensos? Quantos são? Por quanto tempo ficarão suspensos? Até que o caso seja resolvido pela polícia ou pela Justiça?
  2. a advogada do aluno diz que houve omissão da coordenadora de curso e da escola no socorro ao estudante, na hora em que ele estava sendo espancado. A escola tem alguma posição a respeito?
  3. já houve algum outro caso de suspensão ou expulsão por trote, em anos anteriores?

Perguntei também que medidas a escola toma, todo começo de semestre, para evitar os trotes e se há alguma medida em curso para evitar que casos como esse se repitam no futuro.

A Uninove só respondeu à primeira parte: "No momento, a Uninove não tem qualquer informação adicional sobre o caso e ressalta que no início de cada semestre adota uma série de ações para promover a conscientização, integração e as boas-vindas aos calouros, de modo a resguardar a integridade física dos alunos, professores e colaboradores. Pelo terceiro ano consecutivo, a universidade realizou o Trote Solidário, evento que promove a integração dos calouros com os veteranos por meio de ações sociais. Neste semestre os alunos doaram itens de higiene pessoal, entregues à ONG Agente Cidadão".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h32

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Homenagem a Telê Santana

 

Faz dois anos que Telê Santana morreu.

Mas o que isso tem a ver com um blog sobre jornalismo?

É que, ao me lembrar do Telê, me lembrei de outro "técnico": meu "mexxxtre" Marcelo Beraba, que sempre usa o são-paulino como exemplo. [Será correto chamá-lo de são-paulino???? Leia o adendo no pé deste post.]

Um jornalista tem que reforçar os fundamentos, diz Beraba.

Não se trata de chutar, cruzar nem cabecear, claro. Os fundamentos da reportagem são:

  • pesquisar
  • observar
  • entrevistar
  • documentar
  • (re)checar

Parece óbvio, mas é sempre bom lembrar: apuração não se baseia só em entrevista.

Reportagem que se apóia apenas em declarações é como uma cadeira de uma perna só: mal pára em pé.

ADENDO: Chamei Telê de são-paulino por influência de meu pai, torcedor tricolor. Mas fui "advertida" por meu colega EVANDRO SPINELLI, que reivindica o direito de chamá-lo de palmeirense:

Telê Santana realmente foi um mestre, mas talvez seja uma imprecisão chamá-lo de são-paulino, ainda que ele tenha sido campeão do mundo de clubes com o São Paulo.

Ele foi ídolo do Fluminense, quando jogador. Era chamado de "Fio de Esperança".

Como técnico, antes de ser chamado a treinar a seleção brasileira, era técnico (e ídolo) do Palmeiras. É, ainda hoje, o treinador que mais dirigiu o Atlético-MG em campeonatos brasileiros (Telê é o primeiro técnico campeão brasileiro, em 1971, justamente com o Atlético-MG).

Em sua primeira passagem pelo São Paulo como treinador, saiu brigado com um grupo de jogadores. Particularmente, como palmeirense, prefiro lembrar do Telê como técnico do Palmeiras no final da década de 1970 e início da década de 1980.

Cinco dicas de Beraba para quem está começando
Uma aula de Marcelo Beraba

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h25

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Formada em jornalismo, Paula não pode trabalhar

Vejam só a situação da Paula de Curitiba

Sou recém-formada em Jornalismo, já peguei meu diploma e tudo.

Semana passada, fui verificar qual a documentação necessária para pegar meu registro profissional, e levei um susto: só brasileiros podem ter esse registro.

Sou chilena, mas moro aqui desde os dois anos de idade. Tenho um registro de residência permanente aqui no país, e nunca tive problema algum com isso – por esse motivo, inclusive, nunca pensei em me naturalizar, pois não só teria que “renegar” minha cidadania chilena, como precisaria enfrentar um processo burocrático e demorado.

No entanto, a naturalização agora é a minha única saída e há a possibilidade de que, mesmo atendendo a todos os requisitos necessários, eu não a consiga.

Pela primeira vez na vida, me senti diretamente afetada por uma lei de imprensa arcaica e conservadora, oriunda da época do regime militar. 

Na verdade, ainda não sei o quanto exatamente estar sem registro irá afetar minha vida profissional, mas tenho medo de ter que esperar de 1 a 3 anos (período para completar o processo de naturalização) para poder atuar na profissão pela qual me apaixonei.

Meus pais vieram ao Brasil para fugir de uma ditadura que sufocava a liberdade de pensamento no Chile. Hoje, me sinto vítima de um preconceito bobo, fruto de uma lei com muitos aspectos que nada têm a ver com esse país que nos acolheu.

De acordo com o sindicato do Paraná, fiquei sabendo que muitas outras pessoas já passaram por essa situação, mas nunca ninguém tomou uma atitude. Como, na minha opinião, seu blog é um dos que melhor discute o jornalismo no país, decidi compartilhar minha situação com você e os leitores.

Paula, entendo sua revolta. Nada nessa lei faz sentido.

Também não sei o quanto isso pode te atrapalhar na procura por um emprego. Felizmente, há veículos que contratam profissionais porque eles são bons, talentosos, promissores, e não porque cumprem exigências legais.

Espero que você tenha essa sorte.

E, se serve de consolo, digo que está em boa companhia. Elio Gaspari e o ex-diretor de Redação do "O Estado de S.Paulo" Sandro Vaia, só para te dar dois exemplos de gente que não precisa provar nada a ninguém, não nasceram no Brasil. Alguém vai dizer que eles não foram capazes de fazer muito pelo jornalismo nacional?

[Meu amigo Marcelo Soares fez nota sobre o caso da Paula no site do Knight Center]

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h38

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