Programa de Treinamento

Novo em Folha

 

Estágio na Globo

TV Globo abre inscrições para programa de estágio.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h03

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Poucas palavras bastam

Este é um post em clima de fim de semana.

Achei curioso como o fotógrafo que registrou a imagem da moça conseguiu, com poucas palavras, fazer um outro tipo de retrato, quase um miniperfil:

"Uma mulher de pouco sorriso, quase nenhuma palavra e sem exigências." Só de ler isso, não acham que é possível fazer uma idéia razoável de como é a figura?

Mal comparando, bem de longe, me fez lembrar a crônica de Manuel Bandeira que a Folha publicou no sábado e que faz parte do livro recém-lançado.

Em 20 linhas, um punhado de palavras, ele faz ganharem formas três moças. Vale a pena ler. Publico só um trechinho do começo para vocês terem uma idéia:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h47

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Seria muito difícil sem ir para a rua

O relato da esperteza do Kléber Tomaz, feito aí embaixo pela Carol, já mostra isto: se dá para fazer reportagem sem sair da Redação, como vimos dia desses, não há como ignorar que, na rua, as possibilidades de apuração podem ser ampliadas.

Principalmente, já sabemos, nos casos mais complicados: aqueles em que faz diferença o repórter ver e ouvir pessoalmente.

Mas a rua traz algo mais: o imprevisto. É isso que mostra esta reportagem abaixo, publicada hoje na Folha e feita por meu trainee BRENO COSTA:


(quem assina FSP ou UOL pode ler o texto on-line)

Breno tinha ido ao aeroporto de Cumbica observar outra história. Lá, enquanto conversava com a Polícia Federal, ouviu quando uma senhora perguntou quais os procedimentos para repatriar um corpo.

Interessou-se, foi conversar com ela e descobriu que a filha havia morrido na Espanha e que o namorado estava preso sob suspeita de tê-la jogado da janela.

Entrevistou-a lá mesmo, pegou todos os contatos, apurou o resto da história por telefone (já que os personagens estavam na Europa).

Fez tudo certo: curiosidade, interesse, boa vontade, afinco.

A matéria só existe porque ele estava na rua. É o tal do imprevisto, efeito colateral positivo de sair de dentro do jornal.

Mas é bom notar que o imprevisto só funciona para quem sabe aproveitá-lo.

Não basta só pôr o pé na rua.

Se o Breno tivesse se limitado à pauta original, pegasse os dados que queria e voltasse, sem olhar para os lados nem ligar para a dor dos outros, não teria dado o furo que deu.

O bom repórter é um cavalo que corre sem antolhos.

Para pesar a conveniência de ir para a rua ou apurar por telefone
Para melhorar reportagens telefônicas
Não estou conseguindo, mas continuo tentando
Erros que o telefone ajudou a provocar
Repórter da Veja explica por que gosta de entrevistar por telefone
Vantagens do telefone sobre o e-mail

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h20

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Cérebros contra a correria

A maioria de nós deve ter uma avó ou tia que gosta de dizer a frase "Quando a cabeça não funciona, o corpo padece".

Minha trainee CAROLINA ARAÚJO descobriu o oposto. Ela passou a quarta de plantão no 9º DP, acompanhando o caso Isabella, e faz um relato muito legal de como nosso colega KLEBER TOMAZ usou tranquilidade e raciocínio no lugar de atabalhoamento e comportamento de manada:

 Ontem fui acompanhar o caso Isabella. Passei o dia de plantão no 9° DP, onde estão centralizadas as investigações. Como não acompanhei a cobertura do caso desde o início, minha missão no 9° DP era ouvir qualquer pessoa envolvida no inquérito que aparecesse por lá e manter a redação de Cotidiano informada.

A estratégia dos muitos jornalistas de plantão na porta da delegacia -alguns cobriam o caso desde o início e já sabiam as fisionomias, os carros e os hábitos dos possíveis entrevistados - era cercar quem aparecesse e esperar por uma declaração nova. Muitos faziam boletins e relatos mais gerais sobre o caso.

Parecia que ninguém tinha uma pauta específica ou alguma pergunta especificamente direcionada a algum dos personagens que pudesse surgir. Durante o dia, o que fizemos foi nos digladiar para ouvir os delegados, o promotor e os advogados de defesa. Independente do entrevistado, as perguntas eram sobre o que falta para o crime ser solucionado e se havia alguma novidade no caso.

No fim da tarde, chegou Kléber Tomaz, um dos repórteres de Cotidiano que trabalham na cobertura do crime.

Por volta das 17h, vimos chegar em um carro de polícia com dois investigadores e um homem com roupas manchadas de tinta, chinelo e boné, parecendo um pedreiro. Todos as equipes de reportagem correram para tentar captar imagens ou declarações, mas o Kléber não se empolgou com a correria. Me contou que, por sua experiência em casos de polícia, já sabia que o sujeito não iria dar nenhuma entrevista, mesmo que implorado por inúmeros microfones e gravadores.

Como previsto, ninguém conseguiu falar com o homem e, em poucos minutos, todos voltaram aos seus lugares para esperar algum outro acontecimento. Só o Kléber percebeu que os investigadores que estavam no carro continuavam por lá. Enquanto os outros jornalistas ligavam para a assessoria de imprensa da delegacia para saber detalhes, o Kléber foi o único que conversou com uma das pessoas que, até poucos minutos antes, estava em contato com o suposto pedreiro.

Resultado: foi o primeiro a saber que o homem era realmente um pedreiro que trabalhou no apartamento de Alexandre Nardoni e estava na delegacia para depor. A assessora de imprensa da delegacia só confirmou essa informação por volta das 20h.

Depois de um dia inteiro observando algumas "práticas" no jornalismo, esse episódio foi o meu maior aprendizado. Não adianta só acompanhar a correria e posicionar o gravador perto do entrevistado. A informação geralmente está onde ninguém procura e cabe ao repórter identificar onde é possível encontrá-la.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h22

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Fotos que mentem

Meu colega EVANDRO SPINELLI me mostra este caso, do site do PCdoB:

O que vocês acham?

O retoque na foto alterou a informação?

Faz sentido, jornalisticamente?

[Vejam texto de hoje, na Folha, sobre a alteração da imagem:

Revista "IstoÉ" faz adulteração em imagem comprada da Folha
DA REPORTAGEM LOCAL

A revista "IstoÉ", publicação da Editora Três, adulterou uma fotografia adquirida da Folha. A imagem foi publicada pela revista na edição do final de semana, ao lado da reportagem "O MST contra o desenvolvimento".
A revista apagou digitalmente a expressão "Fora Serra", referência ao governador José Serra (PSDB-SP). A frase aparecia, na foto original, pichada numa placa de trânsito por integrantes do MST na rodovia Arlindo Bétio, que liga SP a MS e PR. Eles participavam de um ato contra a privatização da Cesp (Companhia Energética do Estado de São Paulo).
Em e-mail enviado ontem à Folhapress, agência de notícias do Grupo Folha, o editor-executivo da agência IstoÉ, César Itiberê, confirmou a adulteração e pediu desculpas. "Houve realmente manipulação por photoshop [programa de computador] da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética." Ele afirmou, por telefone, que "não houve nenhuma ordem [superior], nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido".]

Meu comentário - onde está a verdade?

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h39

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A origem da tapioca

A origem da tapioca

Como havia prometido outro dia, pedi a meu ex-trainee LUCAS FERRAZ que contasse como encontrou a tapioca que balançou o ministro:

A história da tapioca começou em um sábado, quando estava de plantão. Naquele fim de semana uma matéria da revista "Veja" revelou que a então ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial) usou o cartão corporativo para comprar em um free-shop. Uma semana antes, o "Estadão" havia noticiado sobre o aumento dos gastos com os cartões em 2007, além de elencar os três ministros mais gastadores: Matilde, Altemir Gregolin (Pesca) e Orlando Silva (Esporte), nessa ordem.

Vivaldo de Sousa, um dos coordenadores da sucursal e que chefiava aquele plantão, pediu para eu recuperar o caso. Foi, então, que comecei a fuçar o Portal da Transparência (www.transparencia.gov.br). Passei o fim de semana "passeando" pelo site, e não foi difícil encontrar gastos curiosos, como os feitos em joalherias, choperias, veterinárias e lojas de instrumentos musicais. A maioria das despesas foi feita por funcionários de baixo escalão, das mais variadas áreas e regiões do país. Eles disseram que as compras foram corretas e que serviram ao interesse público _o Ministério do Trabalho, por exemplo, pagou na joalheria o conserto de um relógio importado pertencente ao patrimônio da pasta.

A matéria também recuperou a história do free-shop da Matilde com a informação de que ela teria devolvido o valor (R$ 461,16) apenas três meses depois da compra, quando retornou de férias.

Um parênteses: O TCU (Tribunal de Contas da União) já havia alertado o governo, em uma auditoria, sobre a correção (evitar a farra) dos gastos com o cartão _alerta não atendido.

Como há no portal milhares de coisas para fuçar, o assunto rendeu mais matérias _o Excel auxiliou no cruzamento de informações, como detalhes sobre o gasto (estabelecimento) e data. Assim, foi possível cruzar esses dados com a agenda dos ministros. Alguns gastos foram incompatíveis com os compromissos profissionais.

Outro parênteses: o Portal por si só não revela se o responsável pelo cartão cometeu irregularidade ao usá-lo. É preciso apurar.

A tapioca surgiu quando o trabalho ficou restrito aos três ministros mais gastadores, já citados. Altemir Gregolin, da Pesca, também deslizou, ao bancar a conta de um almoço para um comitiva da China em uma churrascaria de Brasília, mesma cidade onde foi comprada a tapioca. Ele disse que o gasto, numa agenda de trabalho, foi autorizado pelo departamento jurídico de seu ministério, mas a CGU, em auditoria, o condenou a devolver o valor (mais de R$ 500) à União.

As despesas, tanto a tapioca quanto o churrasco, foram irregulares porque ocorreram na capital federal. O servidor não pode usar o cartão na cidade onde está lotado, prevê decreto do governo.

Como escreveu Clóvis Rossi dia desses: "O ponto é que qualquer desvio de fundos públicos, pequeno, médio ou grande, é um escândalo, seja para comprar tapioca, seja para cobrar e não construir uma ponte". Cito-o porque houve quem declarasse (jornalistas, inclusive, além do ministro Jorge Hage, da CGU) que a revelação da tapioca foi um grande factóide, bla-bla-blá.

Além dos R$ 8,30 da tapioca, Orlando Silva devolveu à União mais de R$ 30 mil gastos por ele com o cartão. A CGU, no momento, realiza auditoria em seus gastos, ainda sem previsão de terminar. O ministro, que disse ter usado o cartão na tapiocaria por engano, avisou que vai pedir de volta ao órgão o valor de toda a despesa que for considerada legal.

Posteriormente surgiram outras matérias sobre o uso irregular do cartão _reitores de universidades federais também abusaram, além de outra escorregada de Orlando Silva, que se hospedou com a família em um hotel no Rio e bancou tudo com o cartão. Ele justificou que o valor teria sido o mesmo caso estivesse sozinho.

A tapioca, no entanto, hei de concordar, foi o caso mais saboroso. E como o próprio ministro disse esta semana, em depoimento à CPI dos Cartões, entrou para o já extenso folclore da política brasileira.

Tapioca é mais notícia

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h18

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ANAT0MIA DA REPORTAGEM

Meu colega e professor FREDERICO VASCONCELOS acaba de lançar um livro muito legal para quem é ou quer ser repórter.

No livro, ele conta como apurou algumas de suas ótimas histórias. Leia mais detalhes no blog do Fred.

Veja aqui a entrevista que ele deu sobre o livro.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h50

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Sem solidão

Ontem os trainees acompanharam um dia de trabalho de repórteres da Folha --e alguns tiveram seu próprio dia de repórter independente.

O objetivo principal deles era observar uma reportagem específica e refletir sobre ela: de onde tinha vindo a pauta, como era o relacionamento com o pauteiro, porque o repórter ia para a rua (quando ia), que estratégias usava para apurar, como dava o retorno, como decidia o lide, quanto tempo tinha para escrever e assim por diante.

Alguns deles vão dividir com os leitores do blog sua experiência.

A primeira é CRISTINA MORENO DE CASTRO:

Antes de entrar na Folha, eu não fazia idéia de como era a dinâmica da Agência Folha. Depois da palestra com o editor Júlio Veríssimo, comecei a ter uma noção do que é um grupo de 26 jornalistas – entre repórteres, correspondentes, redatores e editores – fazer a cobertura de todos os Estados brasileiros, além do interior de São Paulo. Hoje, passando o dia com eles, pude entender um pouco melhor.

Antes de mais nada, uma ilustração: imaginem uma redação enorme, praticamente sem divisórias. Lá no fundo, está uma mesa longa, com vários terminais, e uns 15 jornalistas. Perto deles, um secretário toda hora atende ligações de algum dos 11 correspondentes espalhados por capitais importantes do país.

Cada repórter da redação – num total de 11 – tem que cuidar de três Estados. Assim, ao chegar recebi a incumbência de ler os jornais locais do Acre, Amapá e Santa Catarina.

Como o jornal não tem como bancar viagens constantes para todos esses lugares, as principais ferramentas de trabalho do pessoal da agência são o telefone e a internet. Eles têm que construir uma agenda abrangente e uma rede de fontes em seus Estados. E, como respondem pelos furos que levam, precisam estar o tempo todo antenados nas notícias de última hora. 13 TVs, ligadas o dia todo no cantinho da redação, ajudam nessa tarefa.

Uma coisa que percebi nessa minha visita foi que, apesar de responsáveis por três Estados específicos, os repórteres se ajudam constantemente. Quando se trata de uma cobertura maior (por exemplo: mapeamento de casos de dengue no país), todos viram uma única força-tarefa. Quando peguei a matéria da “maré vermelha” em Santa Catarina para fazer, o Thiago Reis me passou seus contatos úteis e o Felipe Bachtold me ajudou a contatar alguns dos envolvidos.

Terminei o dia com a sensação de estar numa redação solidária e menos solitária que a maioria (me parece). Ao mesmo tempo, dinâmica e disponível para cobrir tanto os fenômenos ambientais quanto as agendas políticas ou os protestos na outra esquina do país.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h48

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Dados econômicos

Dados econômicos

A dica é de meu amigo Fabiano Angélico:

Muito boa a ferramenta disponibilizada hoje pelo FMI, com o relatório World Economic Outlook, que é publicado duas vezes por ano (sempre em abril e setembro/outubro).

É possível montar facilmente diversas planilhas com dados como PIB, PIB per capita, população, etc. É possível fzer o recorte por ano e por país/ grupo de países.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h59

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Póspraquê?

O Ricardo, de São Paulo, me pergunta sobre cursos de jornalismo cultural:

Ana, em um post antigo, você comentou que a imensa maioria dos  jornalistas da Folha, ao escolher uma pós, optam por fazer  especialização ao invés do mestrado stricto sensu.

Entre outros motivos, você favia citado a questão do tempo exigido para as atividades na redação e p/ a pesquisa acadêmica.

É o seguinte:  estou com dificuldades p/ encontrar cursos de pós-graduação na área de jornalismo cultural (que é onde eu quero seguir carreira).

Será que o editor da Ilustrada (ou um jornalista do caderno) não poderia falar sobre quais são os cursos mais relevantes para quem quer  trabalhar nessa editoria?

Há boas opções de pós aqui no Brasil ou vale mais a pena tentar algo lá fora? Acho que essa dúvida sobre dicas de cursos de pós-graduação na área de jornalismo cultural afeta muitos recém-formados, pois é quase consenso que os alunos têm uma formação precária em jornalismo cultural na grade curricular da graduação.

Para vocês terem noção de quão distante do horizonte jornalístico é a idéia de pós, vejam a resposta que me deu um jornalista com enorme experiência em reportagem e edição em diferentes cadernos culturais:

Ana, não tenho conhecimento para tanto...

Ele me sugeriu que perguntasse a outro colega também muito experiente e muito bom, crítico do jornal, que respndeu o seguinte:

Na verdade não tenho nenhuma referência. Só teria a recomendar ao leitor que procurasse fora do país, porque o que conheço por aqui em geral é em formato de palestras. Minha impressão desse tipo de cursos é bem ruim, porque aceitam qualquer pessoa que possa pagar e pagam a qualquer pessoa que possa falar, sem nenhuma configuração real de conteúdos e de aprendizado.

Em resumo: fuja dos cursos-palestras, e fuja do país.

Na verdade o que essas respostas mostram é algo sobre o que já falamos aqui: conhecimento do assunto que se vai tratar é fundamental em jornalismo, mas dificilmente é algo que se aprende em cursos jornalísticos.

Quem quer fazer jornalismo cultural deve estudar história da arte, história da música, história da literatura, história geral, ler revistas especializadas da área pela qual se interessa --acadêmicas, inclusive--, ir a shows, ouvir discos, ir a concertos, exposições, assistir a filmes, peças de teatro. E ler, ler, ler, ler muito.

Na hora de selecionar um repórter, o editor vai procurar três coisas: experiência, conhecimento e potencial.

No currículo, o que vai aparecer mais é o primeiro quesito (experiência). Os outros dois geralmente aparecem num teste ou entrevista.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h59

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Abertas as inscrições para o congresso da Abraji

Será em maio em Belo Horizonte. Há muitas opções de palestras e cursos, com jornalistas de renome, do país todo. Quem puder ir não deve perder a chance.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h40

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Morrendo ali na minha frente

Morrendo ali na minha frente

Moisés Mendes tem 54 anos e é repórter desde os 18. Já escreveu sobre muito assunto, viu situações horrorosas, mas nenhuma como a da matéria que publica hoje no "Zero Hora", jornal do qual é editor especial.

Moisés e sua colega Adriana Franciosi, repórter-fotográfica, estavam numa pauta quando um pistoleiro atirou em duas pessoas no meio da rua, a alguns passos dali.

Adriana ainda teve tempo de fotografá-lo fugindo, e Moisés escreveu um relato a quente, com muita descrição e, claro, emoção.

A reportagem pode ser lida no site do ZH (que tem também a foto). [Agradeço a minha leitora Paula por ter me mandado o link]. Nesta entrevista, ele conta a experiência:

Novo em Folha - Qual foi sua primeira reação quando ouviu os tiros? Percebeu na hora que era um crime? Quis correr para ver? Pensou em se proteger?

Moisés Mendes - Eu estava numa área aberta da ONG, onde fazia uma pauta sobre formas de reação à delinqüência na periferia. Quando ouvi a primeira seqüência de tiros, não senti medo. O bairro Cruzeiro é uma região violenta de Porto Alegre. Quando o atirador disparou de novo (depois de uma breve parada) mais uns três ou quatro tiros, vi que era algo grave e próximo. Vi o rapaz correndo, esperei um pouco e fui para a rua. Alguém havia gritado que dois homens estavam caídos na esquina. Agi no impulso. Fui um dos primeiros a chegar onde estavam os corpos.

NF - Quanto tempo teve para escrever o texto? Foi difícil escrever?

MM - Tive três horas, depois que voltei para a redação. Fiquei mais ou menos uma hora e meia tentando descobrir o tom e a estrutura do texto e só depois sentei para escrever. Metabolizei bem antes. Faço sempre assim, quando dá tempo. Queria um texto seco, direto, sem adjetivos, sem firulas. Claro que sofri um pouco na hora de escrever. Persegui o máximo de fidelidade ao que vi e ouvi.

NF - Já tinha visto uma morte tão de perto? O que sentiu?

MM - Tenho 54 anos, sou repórter desde os 18. Sou editor especial de Zero Hora. Atuo em várias áreas, mas há muito tempo não lido com a área policial. Já vi situações horrorosas, mas pela primeira vez fiquei diante de um cadáver que de repente se mexeu diante de mim (o rapaz atingido com um tiro na cabeça, que parecia morto estirado na rua, mas agonizava). Nunca tinha visto uma cena assim, de alguém gravemente ferido tentando resistir com movimentos mecânicos e grunhidos. O rapaz continua internado em estado grave.

NF - Você omite propositalmente o nome da testemunha da execução. Para protegê-lo, certo? Não teve medo de publicar seu nome na reportagem? E a Adriana, não ficou preocupada em ter o nome revelado?

MM - A testemunha é o motorista do jornal, que intuiu o que iria acontecer, porque viu o rapaz descer a rua com a arma. Ele viu toda a cena pelo retrovisor do carro. A Adriana fez a foto quando o atirador começava a fuga. Tenho medo, sim. Ela também manifestou este medo na hora e hoje. Mas no fundo não acredito que o atirador esteja preocupado em identificar autorias da foto ou da reportagem. Mesmo que não entenda a lógica de um caso assim (quem entende?), não acho que a autoria jornalística tenha relevância para os envolvidos. Claro que esta seria uma situação diferente no Rio, por exemplo, se o criminoso tivesse alguma relação com o crime organizado (o que não parece ser este caso). A decisão foi a de assumir as autorias da foto e do texto.

NF - Chegou a entrevistar os parentes e moradores que aparecem no seu texto? Ou apenas observou e registrou?

MM - Conversei com os parentes ali mesmo. Claro que é uma conversa precária, que pega flashes de frases, raciocínios às vezes óbvios e inconclusos, soltos. Mas não tem como ser de outro jeito.

NF - Que cuidados tomou na entrevista? Como foi a reação deles?

MM - Num cenário assim, o cuidado do repórter é o mesmo de qualquer pessoa. Uma abordagem errada pode provocar uma reação inesperada, um constrangimento ou até uma agressão. Acho que consegui ouvir dos parentes o que era possível naquelas circunstâncias. E claro que descrevo muito do que registrei de observação.

NF - Qual era a pauta original que você tinha ido fazer na ONG?

MM - Não posso contar. Tento e adio há anos esta pauta que ninguém fez como penso que possa ser feita. É segredo...

NF - Uma informação relevante que vi no seu texto é que as crianças da ONG são vítimas de violência. Você voltou lá depois do crime? Pensou em fazer um texto sobre como o episódio poderia tê-las afetado?

MM - Hoje, um colega voltou à vila. Mas o pessoal da ONG se recolheu. Tanto que uma entrevista que eu faria lá foi desmarcada. Eles também estão com medo. A ONG fica bem no meio da vila, numa área de conflitos entre traficantes. Muitas das crianças são de famílias com histórico de delitos.

NF - Seu relato saiu também na versão impressa?

MM - Sim, foi capa do jornal.

NF - Qual foi a reação das pessoas a seu texto? Leitores escreveram? O que acharam?

MM - Recebi uns 15 e-mails até agora. A maioria é de reconhecimento do feito jornalístico (meu e da Adriana). Outros comentam a violência na cidade etc.

NF - Você conversou com a Adriana na hora? Ela sabia que tinha feito a foto do criminoso (a câmera é digital)? Como ela estava?

MM - Sim, ela fez apenas uma foto, a que saiu na capa do jornal (o atirador fugindo e os cadáveres ao fundo). O motorista fugiu logo do local. Eu vi o carro saindo e o rapaz que havia atirado correndo logo atrás (mas não acreditamos que ele estivesse correndo em direção ao carro. ele estava fugindo, claro). Ela usou uma câmera digital. Lamentou que estivesse com uma lente grande angular. Mas depois se deu conta de que foi melhor, porque a lente permitiu pegar o atirador e os corpos no chão. Ela estava no banco da frente do carro (ela ficaria mais um pouco no carro porque estava com dor de cabeça. coisas de mulher...). A imagem foi enquadrada no vidro traseiro do carro. O carro está a uns 20 metros da cena.

NF - Essa experiência de alguma forma muda sua maneira de trabalhar ou fez com que você repensasse algo sobre a profissão?

MM - Não. Sou veterano demais para me surpreender com as maldades do mundo

NF - Quer contar ou comentar mais alguma coisa que eu não tenha perguntado?

MM - O grande mérito jornalístico é da Adriana Franciosi, que teve a chance de fazer apenas um clic e flagrou tudo. Eu descrevo a cena a partir do vi e ouvi.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h35

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Transparência e apuração

O site do Fórum de Acesso conta como, nos EUA, lei de acesso a informação ajudou a desvendar gastos de US$ 2,6 bi com cartões de crédito do governo:

A Associated Press usou o Freedom of Information Act (Lei de Acesso a Informações) para fazer reportagem sobre gastos, referentes a 2007, de US$ 2,6 bilhões com cartões corporativos dos funcionários do Departamento de Assuntos de Veteranos de Guerra dos Estados Unidos.

O órgão foi obrigado a entregar todos os dados referentes a compras com cartões corporativos, sem exceção.

Como no Brasil não há lei de acesso a informação, a administração federal nunca libera acesso a todos dados sobre a compra com cartões. Apenas parte dessa informação está disponível no Portal da Transparência.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h27

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Intercâmbio em Beirute

Tariq avisa deste intercâmbio para estudantes

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h11

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Na porta da cadeia

Minha trainee CRISTINA MORENO DE CASTRO faz reflexões importantes sobre o plantão que deu, na última sexta, na porta da cadeia em que estava a madrasta da menina Isabella:

Na última sexta-feira, eu e o Maurício Horta fizemos uma coisa comum em coberturas jornalísticas: ficamos de plantão na porta do 89º DP (Portal do Morumbi), onde Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella Nardoni, estava presa desde a véspera. Conosco, repórteres do Diário de São Paulo, Globo, Band, Record, entre outros veículos.
 
Eu nunca tinha feito algo parecido e pude fazer várias observações a partir dessa experiência. Mas neste post vou falar de apenas uma, que me marcou.
 
Imaginem a cena: vários jornalistas reunidos ao redor de uma cadeia onde nada de extraordinário acontecia.

O que esperávamos? Que alguém fosse visitar a suspeita, ou que ela tivesse que sair de lá para depor.

Nessas situações, teríamos que cumprir nosso papel de fazer perguntas e tentar extrair algo de novo. Enquanto isso, o máximo que podíamos fazer era conversar com a delegada, tentar entrar lá dentro, tentar falar com a carcereira...
 
Ou com as outras presas.
 
Ao notar a movimentação de presas detrás de uma porta lateral da cadeia, que dá para uma área comum interna, os repórteres correram para lá, munidos de seus microfones e acompanhados pelos câmeras, na expectativa de conseguir alguma informação.

Um repórter de TV quase implorava para as presas: "Falem com a gente... Ela está se alimentando direito? Por favor, falem conosco...".

Até aí, não vejo nada de mais. Se elas realmente dissessem algo de útil, ele teria o mérito de ter arrancado aquela informação. Suposição: se uma delas diz que ouviu a presa ser espancada pela carcereira, seria uma informação relevante e acho que poderíamos colocar na matéria: "segundo uma pessoa que se identificou como uma das presas, aconteceu tal coisa".
 
Mas outra repórter de TV extrapolou. Começou a incitar as presas, com perguntas do tipo: Vocês estão com raiva dela? O que vocês acham do crime de que ela é acusada?

As presas se mantinham caladas, mas, depois de muita insistência da repórter nesse sentido, uma delas chegou a gritar "É lógico [que estamos com raiva]!".
 
Pensei (junto a outros repórteres, que se mantiveram à distância nesse momento):

- Mesmo que as presas tenham raiva da Anna Carolina, qual a relevância dessa informação?

- Isso é uma pergunta ou a repórter sugestionava uma resposta, incitava um comportamento negativo em relação à suspeita?

- Nesse caso, explorar a raiva de outras presas contra uma suspeita, que já se encontra em situação delicada perante a opinião pública, é ético? É profissional?
 
Só uma outra questão: essa porta, que dava acesso ao tal pátio, ficava bem próxima à cela onde Anna Carolina foi mantida presa. Quer dizer: ela provavelmente escutava as perguntas da insistente repórter. Se for inocente do crime, ainda tão longe de uma solução, como ela poderá reagir?


A Marjorie perguntou num comentário se eu não ia escrever nada sobre esta cobertura.

Não escrevi porque não achei nada de novo para falar sobre isso. Nada que a gente já não saiba, ou já não tenha repetido:

  • é preciso nunca tratar suspeitos como culpados
  • é preciso sempre registrar a versão deles sem preconceito, ou seja, tratando como uma versão possível, e não como "a desculpa esfarrapada que esse bandido deu e que a gente registra só porque é obrigação dar o outro lado"
  • versões devem ser publicadas, mas é função do repórter procurar dados e fatos concretos. Registrar versões não resolve o problema. Em alguns casos, mais confunde do que explica
  • seria desejável que os jornalistas, sozinhos, conseguissem se organizar para evitar o tipo de tumulto que a gente vê em fotos como a da missa de sétimo dia (que publiquei neste post). [Outro dia, meio chocado com as cenas, Milton Young chegou a dizer na CBN: "A polícia deveria proteger as pessoas da imprensa". Claro que o que ele estava sugerindo é que a polícia organizasse a coisa, para que as pessoas pudessem entrar e sair sem ser derrubadas, amassadas, agredidas.] Mas o repórter tem que voltar com a notícia. E, se a situação é de caos como sabemos que é, ele não tem alternativa. Precisa esticar o braço com o gravador na ponta, correr atrás da fonte, subir na cadeira, enfim, obter a informação (se realmente valer a pena, como bem destaca a Cris na história acima)
  • é preciso resistir à onda de entrevistas "pessoais", que tentam apenas arrancar lágrimas dos envolvidos na tragédia --ou ódio, como mostra a Cris.
  • Marjorie pergunta sobre divulgar fatos que estão em sigilo. Acho que, se o promotor fala, é preciso publicar. O sigilo tem que ser respeitado por ele, não pelo jornal. Não faz sentido a Folha omitir algo que está sendo dito publicamente.

Mas tudo isso eu já escrevi aqui em outras oportunidades, então achei que seria só chover no molhado...

O relato da Cris, no entanto, trouxe coisas novas: nessas situações trágicas, vale a pena pensar em o que perguntar e para quem.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h06

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Suplentes

A Transparência Brasil pôs no ar o estudo “O Senado e seus suplentes”, em que traça os perfis dos 16 suplentes atualmente em exercício no Senado Federal.

Dentre outras informações estão patrimônio e ficha na Justiça.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h03

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A VIDA DOS OUTROS

Meu trainee IAGO BOLÍVAR me mostra um post muito interessante, publicado no blog do Guilherme Fiuza.

Alguém que passou por caso semelhante ao de Isabella conta as dificuldades por que passou. Sempre vale a pena ler. Sim, nós jornalistas não podemos brigar com a notícia, mas nunca é demais lembrar o quanto nosso trabalho afeta a vida dos outros.

Um trecho do depoimento:

Embora vivêssemos em harmonia e fôssemos particularmente tranqüilos, o advogado vinha relatar depoimentos comprometedores do síndico e de vizinhos à polícia. Eles diziam ter ouvido ruídos altos de portas batendo, discussões febris, gritaria.

Foi longo o tempo até encerrar esse processo insano e provar que os vizinhos tinham delirado. Mas foi muito rápido, instantâneo, o castigo imposto pelos homens da lei, de mãos dadas com os vizinhos diligentes: ser tratado como suspeito da morte do próprio filho.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h55

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Entrevista

Entrevista

Dica de minha trainee GIULLIANA BIANCONI:


Entrevista interessante com Steve Coll, que está lançando novo livro sobra Osama Bin Laden. Foi publicada na alemã Der Spiegel e já está devidamente traduzida no blog Acerto de Contas, que eu considero um bom blog

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h49

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Uma vírgula muda tudo

É muito bem feita a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). E serve para nos lembrar que vírgula não é problema de gramática, mas de informação.

 “A vírgula pode ser uma pausa...    ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo. ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação”.

Fica mais legal ainda ouvindo do que lendo. Você pode assistir aqui ao comercial.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h08

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Concurso da CNN

A Francine avisa:

Estou trabalhando pro Concurso Universitário de Jornalismo da CNN International, que talvez interesse aos leitores do Novo em Folha!

O concurso acontece todo ano e agora está na 4ª edição. Ele é aberto pra alunos do Brasil inteiro que estejam cursando jornalismo, e o desafio é elaborar uma matéria jornalística televisiva com o tema “A socialização por meio da arte”. O autor do melhor trabalho vai ganhar uma viagem para Atlanta pra conhecer os estúdios do canal, e ainda vai ter sua matéria exibida em rede internacional pela CNN.

O site do concurso está no ar, no http://www.concursocnn.com.br . Lá tem o regulamento e mais informações.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h58

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Não leve suas dúvidas para a rua

Há alguns meses, uma leitora de Santos me perguntou o seguinte:

Sou estagiária na editoria de esportes de um jornal da Baixada Santista e na próxima semana vou cobrir uma peneira de futebol feminino no Santos. Meu receio é que precisarei fazer um abre e duas retrancas, mas nunca fiz entrevista para mais de uma matéria. Tenho medo de não ter informação suficiente quando voltar à Redação. Tem alguma dica que você possa me dar neste caso?

Minha dica principal --a mesma que dou para todo mundo que está começando a vida na reportagem-- é: não saia da Redação sem entender muito bem o que querem que você faça.

No caso da leitora, por exemplo, é fundamental ela ter certeza do que terá que escrever naquele abre e nas duas retrancas. Por que há duas retrancas adicionais? O que o editor quer nelas?

Dependendo da resposta, sua atitude terá que ser diferente. Se for, por exemplo, um abre para o resultado das peneiras, uma retranca para as mães que fazem sacrifícios pelo sucesso dos filhos e outra de serviço sobre como participar das próximas peneiras, a história é uma. Se, por outro lado, for um abre com as mães e o factual do dia, uma entrevista com psicólogos e ortopedistas em outra e uma matéria de serviço na terceira, muda de figura.

Pode ser, ainda, que o editor queira os três textos descrevendo situações que ela encontrar no próprio dia --um personagem que se destacou, um que ficou frustrado, matérias que tratem de faixas etárias diferentes etc.

Enfim, a primeira coisa que um repórter tem que saber é qual é a pauta. O que querem que você faça. Aí fica mais fácil dividir o trabalho --dependendo do caso, há bastante apuração que pode ser feita antes, até, do evento.

Sei que, quando estamos começando, temos vergonha às vezes de fazer perguntas. Mas posso garantir que é muito melhor expor a insegurança antes que não entregar o texto esperado depois.

Ai, que medo! - dicas para os primeiros dias de trabalho

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h34

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Vida de repórter

O leitor Breno sugere este post do blog do excelente repórter Sérgio Leo, do "Valor".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h28

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A prática

A prática

Fiquei devendo, na discussão sobre publicar ou não a foto do pai chorando, contar como foi tomada a decisão nos três jornais que editaram de forma diferente as fotos sobre o caso --Folha, Globo e Estado.

Antes tarde do que nunca --o atraso foi meu, não deles--, seguem as entrevistas:


Luiz Antônio Novaes, "Mineiro", editor-executivo do Globo e responsável pela primeira página do jornal fluminense:

Novo em Folha - Houve discussão sobre publicar ou não a foto? Ou foi ponto pacífico que ela seria publicada? 
 
Luiz Antônio Novaes - Registre, primeiro, que o fato aconteceu num fim de semana, quando o fechamento da Primeira Página, ao menos no GLOBO, é feito em esquema de plantão entre os editores do jornal.

Ontem, a responsável era Sandra Cohen, editora de Mundo.

De casa, eu fazia o acompanhamento (Rodolfo ainda não retornara de uma viagem), conversando com ela pelo telefone. Tenho acesso, pelo computador, ao sistema de edição, mas não cheguei a ver a foto. Sandra a escolheu, entre outras, exatamente para realçar o drama do pai que acabara de perder um filho. Nem ela, nem o editor de fotografia, Alexandre Sassaki, tiveram dúvidas sobre a publicação --e eu confiei plenamente neles.

Não é a primeira vez que o GLOBO publica fotos com tal carga de dramaticidade. Infelizmente, dada a violência quase endêmica que tomou conta da cidade, o fato se repete com lamentável freqüência.

Só para recordar do caso mais emblemático, não tem muito tempo ganhamos um Prêmio Esso com a foto de uma mãe segurando no colo o filho morto,  a bala, no centro do Rio. Apelidada de Pietá, a foto venceu também um prêmio internacional, O Rei de Espanha. A concessão de prêmios tão importantes revela que, embora choquem de imediato a sensibilidade do leitor, tais imagens, com o tempo, acabam reconhecidas como fator importante para a assimilação completa da notícia.

Jamais publicaríamos a foto se ela estivesse a serviço da  banalização e da  exploração sensacionalista do fato. Não era isso que estava em jogo, mas sim a revelação de um estado de espírito, da alma de quem sofre tamanha agressão emocional e psíquica.  Isso também é notícia.

NF - Notei que a foto saiu em dois módulos, no pé da página. Isso foi um cuidado intencional, não? Você pode falar sobre isso? 
 
LAN -  Publicá-la em dois módulos, na parte inferior da página, foi, certamente, decorrência da preocupação de evitar o sensacionalismo e a exploração gratuita da dor. Só por efeito de comparação, a foto da "Pietá" , que era sem dúvida muito mais forte que a de hoje, pois tinha mãe e filha, juntos, na morte,  foi publicada no alto da página, e recebeu duras críticas de um número grande de leitores. Desta vez, até agora, 21h12 do dia seguinte, nenhuma carta chegou ao jornal condenando a escolha.  As reclamações se concentraram no online.

NF - O fato de o pai não estar num espaço público, mas sim dentro da ambulância, entrou em algum momento nas ponderações? 
 
LAN - Na foto escolhida o pai está, de fato, dentro de uma ambulância. Mas, em muitas outras, não só ele, mas vários familiares, se abraçavam em desespero, deitados no chão do prédio. Não houve, portanto, qualquer espécie de invasão de privacidade.
 
NF - Na sua opinião, o fato de a internet manter um assunto sempre disponível, diferentemente do jornal impresso, faz diferença? Ou seja, a responsabilidade de publicar a foto na internet é maior por esse motivo?

LAN - Pela rapidez com que deve tratar os assuntos, assim como pela necessidade de mantê-los sempre disponível, o noticiário online tem, em tese, tanto ou mais responsabilidade que o impresso.  O máximo de cuidado deve ser tomado, mas isso nunca será suficiente para impedir o erro, algo inerente à própria atividade jornalística.

Daí que o online deva, em minha opinião, estar preparado para fazer correções de rumo, com rapidez, em imagens ou textos, sempre que necessário.

Por não dispor de  todos os elementos da notícia, o leitor -- e não vai aqui nenhuma heresia -- nem sempre tem razão.

Mas seus pedidos de correção -- incluindo as retiradas do site -- devem ser levados em conta na hora de tomar a decisão. No mínimo, revelam um certo mal estar que traz de volta ao noticário o que ele não poderia ter por si mesmo.
 
NF - Como o jornal reage aos pedidos de leitores de que a foto seja retirada do site? 

LAN - Não houve reação do próprio fotografado, nem de qualquer outra pessoa do círculo familiar. 


TONI PIRES, editor de Fotografia da Folha

Novo em Folha - Você estava no plantão? Sabe se houve discussão sobre publicar ou não esta foto? Ou foi ponto pacífico que ela seria publicada?

Toni Pires - Eu não estava no plantão, mas acompanhei de casa o fechamento em alguns telefonemas. Sabia da existência da foto do pai chorando. Ainda alertei para que mostrasse na Primeira Página.

NF - Na sua opinião, a foto deve ser publicada? Por quê?

TP - Eu acho que a foto deveria sim ser publicada. Mostra um momento de desespero, de dor que uma pessoa passa ao saber de uma notícia trágica como a morte do filho.

Acho que é uma foto forte e com uma carga dramática muito grande, que resume a dor de uma tragédia.

NF - O fato de ela ter sido feita sem o conhecimento dele, já que, a julgar pela legenda do "Globo", ele está dentro da ambulância, afeta sua resposta?

TP - O fato do pai estar dentro de uma ambulância não muda meu pensamento, acredito que ele não sabia que estava sendo fotografado, e no momento acredito também que era a última coisa em que ele estava pensando. Neste tipo de cobertura, não vejo como seria possível pensar em um jornalismo "politicamente correto", perguntar ao pai ou outro parente se podemos fotografar. Veja a foto como um resumo forte de um acontecimento dramático.

NF - Minha dúvida é relacionada ao público e ao privado. Uma coisa é fotografar alguém em desespero num espaço público, ainda que seu desespero tenha motivos particulares. Outra é roubar uma foto de desespero, num local fechado, principalmente quando o desespero tem motivos privados. Chegou a pensar sobre isso?

TP - Sim, penso sempre sobre isso ao analisar uma foto. No caso, acho que não era tão privado assim. O fotógrafo não invadiu ou se disfarçou para entrar num local privado.

O pai estava na ambulância, provavelmente sendo assistido por uma equipe médica e a porta estava aberta. O fotógrafo garimpou e soube buscar a foto. Não vejo como uma invasão. 


Helcio Nagamine, editor-adjunto de Fotografia do Estado 

Novo em Folha - Houve discussão sobre publicar ou não a foto? Ou foi ponto pacífico que ela não seria publicada?

Helcio Nagamine - Quando cheguei à redação naquele domingo, as fotos já estavam disponibilizadas pela sucursal Rio. Usamos a foto que mostrava o apartamento queimado e uma mulher observando os estragos; uma vista geral frontal, do ponto de vista do prédio vizinho.

Era uma foto adequada para a matéria que estávamos publicando.

Não tínhamos a foto do pai chorando.

Mesmo que tivesse a foto do pai chorando, creio que continuaria optando em publicar a foto do apartamento queimado.

Acho uma boa imagem, bem resolvida e direta sobre o fato ocorrido.

NF - Houve alguma reação da Redação pelo fato de os concorrentes terem dado a foto? Ou seja, cobraram o "furo"?

HN - Não houve cobranças nem discussões da Redação.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h22

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Me mando para São Paulo em breve. Como procuro trabalho?

A dúvida da Julia, de Natal, é de janeiro, e tinha ficado na fila para virar um post desde então:

Em março vou receber meu diploma e já estou em SP organizando a minha mudança para a terra da garoa!

Queria saber de você, que tem bastante contato com jovens jornalistas, qual a melhor forma de começar a carreira quando não se conhece ninguém na cidade!

Como devo iniciar esse processo? Espalho currículo? Vou nas redações, com sugestões de pautas e alguns dos meus textos? Me falaram que o começo é sempre fazendo freela, mas não estou muito certa de como iniciar esse contato.

Julia, a essa altura talvez você já esteja por aqui, não é?

Em geral as pessoas começam como frilas, mesmo.

Você pode tentar visitar as Redações e levar currículos, mas os editores não costumam ter muito tempo para isso. Na Folha, por exemplo, a gente só recebe currículo se houver concurso aberto (as vagas são anunciadas em www.folha.com.br/trabalhe).

Essa é uma forma de começar: ficar atenta às vagas. Folha e Agora anunciam no jornal, mas há sites que publicam várias ofertas (veja neste post).

Outra forma é mesmo sugerir frilas. Para isso, conheça bem o caderno ou veículo para o qual vai oferecer a pauta, para não sugerir uma matéria que já tenha saído recentemente ou que não tem nada a ver com o projeto da publicação.

O ideal é você já chegar ao editor com a idéia de reportagem (dê uma olhada nestas dicas), mas também há revistas e jornais que precisam de frilas para tocar as pautas que eles mesmos já têm.

Se tiver amigos que já trabalham por aqui e conhecem seu perfil e suas qualidades, não custa nada ligar para eles e pedir uma ajuda. Contatos (o famoso QI) não são a melhor maneira de seleção do ponto de vista do jornal, mas podem ser muito úteis para o jornalista que procura emprego .

Quatro passos para começar a trabalhar
Mandar currículo por e-mail adianta?
Como eu viro repórter da Folha?
Leitora conta
como driblou QI

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h57

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Cor também é edição

Um editor pondera várias coisas quando vai publicar uma foto:

  • que informação tem a imagem
  • que destaque vale a pena dar (e nem sempre mais é melhor)
  • de que tamanho ela deve sair

Mas há um aspecto inusual, bem retratado nessa matéria que meu ex-trainee e hoje repórter de Esporte LUÍS FERRARI trouxe da Índia: a cor também faz sentido na edição.

Ele conta:

Trouxe das férias alguns recortes de jornais indianos, e um deles trata de um dilema bem parecido ao do post "Dureza".

Em dezembro, um visitante de zoológico na Índia pulou o gradil perto da jaula do tigre e meteu o braço dentro dela, para fotografar. Foi alertado pelos seguranças do parque, mas insisitiu. E o pior aconteceu. Os bichos arrancaram o braço dele, e o sujeito acabou morto por hemorragia. Tentaram levá-lo ao hospital, mas não deu tempo.

No local, havia um fotógrafo do "The Indu", que registrou tudo, as cenas são impressionantes.

Segundo a matéria sobre o caso, houve na Redação um grande debate, acerca de publicarem ou não as imagens, chocantes. O jornal optou por publicar, alegando efeito pedagógico. Mas colocou numa página PB, segundo a reportagem, para chocar menos.

Se era mesmo essa a preocupação, foi inútil. Eles venderam as fotos para outros veículos. Um jornal mais popular (escrito em tamil, o idioma do Estado em que eu estava), que meu motorista comprava diariamente, por exemplo, trouxe uma página inteira (colorida) e com várias imagens do ataque do tigre.

Outros comentários sobre edição de foto

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h32

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O que todo estudante deve saber para fazer jornalismo multimídia

A lista é de Melinda McAdams, que colocou o Washington Post na rede.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 23h14

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, por Cristina Moreno de Castro e pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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