Novo em Folha - O blog do programa de treinamento da Folha
 

Off e conveniência

Já ficou velha a multi-repercutida frase "Ela é um monstro --isso é off the records..." com que a então assessora de Obama Samantha Power se referiu a Hillary Clinton.

E não foi por falta de avisos que deixei de tratar dela aqui. Dois jornalistas que sabem do que falam, ELIO GASPARI  e SÉRGIO DÁVILA, já haviam sugerido que eu fizesse um post. Desrespeitei a regra do dois, mas foi por pura falta de tempo. Pago agora a dívida.

Ainda é um bom caso para nós por pelo menos três motivos:

  1. O off não foi respeitado. Mas vejam que ela pede off depois de dizer a frase. Outro dia escrevi um post sobre isso defendendo que off tem que ser pedido antes, não depois. Afinal, o repórter tem que ter a chance de dizer se aceita ou não, se quer ou não ouvir algo que não vai poder publicar. Como diz meu estimado professor ELIO GASPARI, em geral não vale a pena: fica-se em débito sem tirar proveito algum. Sobre essa questão de aceitar ou não um pedido da fonte de retirar algo que tenha dito, DÁVILA me mostra este relato de um embate interessante na TV.
  2. Nem tudo é o que parece. Como comenta um bom artigo da Columbia Journalism Review, o que parece um descuido pode na verdade ser uma estratégia. Afinal, foram dias e dias de comentários sobre a frase, matérias sobre como Clinton é ou não é monstro, entrevistas da candidata tendo que se defender. Que um sujeito inexperiente com a mídia se embaralhe com o que diz é compreensível. Mas uma assessora de campanha presidencial americana está longe de ser ingênua. (outros tipos de vazamento)
  3. A força do símbolo. Não há como escapar: frases bombásticas terão repercussão, mesmo que sejam só frases, nada mais. Elas ganham mais destaque quando funcionam como um símbolo de algo mais amplo: neste caso, do nível de tensão entre os adversários democratas.

Meu amigo Marcelo Soares, que me mostrou o artigo da CJR, avisa que a entrevista pode ser ouvida neste link.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 22h32

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Desagravo ao telefone

Muita bobagem se ouve na faculdades --e fora delas-- fruto de ignorância e preconceito. Vando sendo repetidas, repetidas, e o problema é que os mais desavisados podem achar que são verdade.

Uma muito comum é que reportagem tem que ser feita na rua e não pelo telefone.

Soa lindo, isso! Tão romântico. Mas qualquer pessoa que tenha passado duas horas num jornal sabe que é absurdo  generalizar.

Há casos e casos. É sempre uma questão de custo/benefício. Alguns exemplos:

  • ação em curso - se a reportagem é sobre algo que está acontecendo agora --passeata, jogo, quebra-quebra, discurso--. o ideal é ir para a rua. Sempre que a observação e a descrição puderem acrescentar à apuração, é melhor estar presente. Se você viu, sabe que foi daquele jeito que aconteceu. Se te contaram, jamais terá certeza 
  • assuntos delicados - entrevistas sobre temas delicados --acusações, tragédias-- podem melhorar se forem feitas ao vivo. Olhar nos olhos é importante para perceber a sinceridade ou para ganhar a confiança da fonte. E é mais difícil expulsar você da sala que bater o telefone na cara
  • urgências e preparação - mesmo nos dois casos acima, o telefone pode ser útil quando você não terá tempo de ir até lá ou quando puder ir adiantando a apuração enquanto se dirige ao local
  • entrevistas simples - em casos descomplicados, em que o que importa é a opinião da fonte, faz pouca diferença se ela vem por telefone ou pessoalmente. Um exemplo: sai uma nova lei sobre planos de saúde e você precisa ouvir procom, advogados, seguradoras. O que você acha mais razoável? Sair pela cidade de um lado para o outro até falar com os oito ou dez entrevistados cara a cara? Ou usar o bom e velho telefone? 
  • números, estatísticas, dados - se você precisa de dados, o telefone salva muito tempo. De preferência, peça os dados por escrito (por fax ou e-mail), para otimizar a checagem

Não custa lembrar que, mesmo por telefone, é bom gravar as entrevistas, para o caso de precisar checar a informação. E não se esqueça de anotar todos os contatos na sua agenda telefônica.

Minha trainee CRISTINA MORENO DE CASTRO conta um caso em que o telefone foi útil:

Foi quando estourou a barragem de Miraí (MG), inundando várias ruas da cidade, e a Rádio UFMG não tinha como bancar uma viagem até lá para cobrir.

Falei com o prefeito, falei com os responsáveis pela barragem, falei com especialistas etc. Mas eu queria falar também com os moradores!

Entrei, então, no site que mais me quebrou um galho desde que comecei com jornalismo, o telelistas.net. Digitei Miraí, fui olhando pelos bairros atingidos e disquei.

Engraçado é que a maior parte dos moradores da cidade que tinham telefone moravam num bairro "alto", longe da confusão.

Mas eles me passaram o telefone de parentes e amigos atingidos e fui formando uma rede à distância. Como as entrevistas eram gravadas, consegui declarações fantásticas do tipo "ouvimos um barulho imenso, como se o mundo tivesse acabando, e um carro da prefeitura passou pela rua gritando 'peguem o que for de valor e CORRAM! Vamos ser inundados!'".

Sem o telefone e as declarações de quem sofreu de perto o problema, a reportagem teria sido fraquíssima e burocrática. Eles deram o clima do problema e teriam dito as mesmas coisas se eu tivesse ido direto para Miraí com um gravador a tiracolo.

E ainda preecheram uma lacuna na reportagem: já que eu não fui para lá e não pude DESCREVER os estragos das ruas, a fala dos moradores ("Tem lama até na cintura... Todos os carros tiveram perda total...") conseguiu enriquecer o meu texto, provavelmente até melhor do que eu faria chegando lá um dia depois do acidente.


TODA UNANIMIDADE É BURRA

Um trainee que considero muito inteligente me escreveu discordando do post acima. Mas, pelos argumentos dele, percebi que ele havia entendido mal e achava que eu estava criticando reportagens feitas na rua.

Meu pai (o melhor professor do mundo ) costuma dizer muito corretamente que, se entenderam errado, há 99% de chances de sua explicação ter sido indigente.

Vou tentar corrigir, então:

o que eu critico é a frase burra "reportagem tem que ser feita na rua" e sua variante "o problema dos jornais hoje em dia é que os repórteres são obrigados a fazer matéria por telefone".

Nada é preto ou branco.

Não existe o "ato de ir para a rua" como algo em estado puro. Há casos em que, jornalisticamente, faz muito mais sentido ir para a rua --mais comumente quando é preciso ver, quando fará diferença, nas informações apuradas, o testemunho do repórter.

Há outras situações em que ir para a rua não traz benefícios suficientes para compensar o tempo gasto.

Foi o que tentei mostrar com exemplos, lá em cima. Espero que esteja mais claro agora...


A QUESTÃO REAL

O que as faculdades poderiam ensinar, em vez de ficar repetindo frases feitas, é a pensar sobre quais são as informações importantes em cada reportagem e quais os melhores meios para obtê-las.

Em jornalismo, o fundamental é saber pensar. O resto se resolve a partir disso.

Para melhorar reportagens telefônicas
Não estou conseguindo, mas continuo tentando
Erros que o telefone ajudou a provocar
Repórter da Veja explica por que gosta de entrevistar por telefone
Vantagens do telefone sobre o e-mail

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h58

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Outro campo

Alguns leitores me pediram que falasse sobre o campo de trabalho para jornalistas em empresas --o que se costuma chamar hoje de "comunicação corporativa".

Como não entendo do assunto, pedi ajuda a minha amiga Sandra Muraki, que é sócia-diretora de uma empresa de comunicação e já havia escrito aqui no blog sobre assessoria para empresas privadas.

Ela me lembrou de pelo menos uma dúzia de colegas que já haviam passado pela Folha e hoje estão em empresas.

Entrevistei um deles, Alexandre Loures, 32, ex-repórter, hoje gerente de comunicação da Ambev. Mas faço antes uma ressalva: como o próprio Alexandre diz abaixo, embora seja uma área que absorva jornalistas, não se trata de jornalismo, mas de outro ofício, muito diferente. É preciso deixar bem clara a distinção.

Novo em Folha - Há quanto tempo você trabalha em empresa?

AL - Estou na Ambev há seis anos.

NF - Quanto tempo havia trabalhado antes em Redação?

AL - Comecei na Folha, quando tinha 20 anos. Fiquei quatro, e mais dois em assessoria, antes de vir para a Ambev.

NF - Você quis mudar?

AL - Na época me dei conta de que o mercado de comunicação corporativa era muito maior e crescia muito mais, enquanto o editorial estava estagnado. Era o ano 2000, a imprensa vinha de uma crise com a desvalorização do real em 1999, muita gente estava sendo demitida.

E havia um mercado carente de profissionais que entrassem naquele barco naquela hora. Foi nessa janela de oportunidade que entrei.
 
NF - Mas como foi? Você foi convidado? Ou pediu demissão e foi atrás de uma vaga nessa outra área?

AL - Estava pegando um outro lado numa reportagem, entrevistando uma fonte por telefone. Quando terminei, a fonte perguntou "Já acabamos? Então vou telefonar para você, para tratar de outro assunto". Ligou em seguida e perguntou "Quer trabalhar aqui?". Fui ouvir a proposta, e era muito vantajosa.

NF - Você nem pestanejou?

AL - No começo entrou um pouco de preconceito. Tinha orgulho do que fazia, do meu crachá de jornalista. Só topei porque e era para ganhar muito mais dinheiro. Mas tinha medo de acabar visto como um jornalista de segunda linha e de fazer um trabalho sem tantos desafios e recompensas profissionais.

NF - E não se arrependeu?

AL - Não. Foi uma grande surpresa: este é um trabalho muito legal, em que há muito desafio, muita estratégia. Você tem condições de exercitar comunicação de uma maneira muito mais ampla, que envolve jornalsimo, marketing, relações públicas.

NF- Você gostava do trabalho na Redação?

AL - Gostava muito.

NF - Sente saudades?

AL - Sempre digo que não, mas outro dia fui visitar um colega na Folha e tive saudades. Mas, profissionalmente me sinto realizado aqui.

É importante ver que, nas empresas, há perspectivas de crescimento em outras áreas que não comunicação: marketing, RH, vendas. Há também mais cargos mais bem-remunerados que nos jornais. E grandes empresas, em geral, oscilam menos que jornais.

NF - Pensa em voltar um dia para um jornal?

AL - O assessor de imprensa tem porta de volta maior, porque não representou só uma empresa. Para quem faz jornalismo corporativo é muito mais difícil. Sou fonte. Estou identificado com os interesses da empersa. Se voltasse a ser repórter, seria complicado, talvez já tenha perdido a presunção de isenção.

NF - Conte um pouco da sua rotina de trabalho.

AL - É uma função de estratégia e envolve as mais diferentes atividades, do camarote da Brahma no Carnaval à inauguração de uma fábrica, o lançamento de um produto ou atender a repórteres. É preciso entender de gestão de empresas. Além disso, é preciso dominar bem todas as mídias, todos os veículos. Se organizo um evento, preciso ver se há infra-estrutura para transmissão de TV, se há conteúdo suficiente para a mídia impressa, como atender à urgência dos on-line.

NF - Acha importante que o jornalista trabalhe em Redação antes de ir para uma empresa? Ou não é fundamental?

AL - Na minha opinião, faz diferença ter experiência tanto em Redação quanto em assessoria. Não é indispensável, mas ajuda muito.

Houve uma mudança grande no mercado de comunicação corporativa. Há cinco anos, quem estava em assessoria era o jornalista que perdeu o emprego ou não conseguiu trabalho em Redação. No começo desse século, houve um crescimento muito grande tanto da internet quanto da comunicação corporativa. A bolha da internet estourou, mas a nossa, não.

O momento agora é bem maduro. Não é só sair de um jornal e cair numa empresa. Ficou muito mais difícil, pois já há profissionais específicos de comunicação corportativa para ocuparem essa posição.

NF - Quando as empresas vão contratar, que requisitos exigem?

AL - Em geral, pedem experiência em assessoria e como jornalista. Existem, claro, gerentes que não passaram por Redação, mas a demanda maior é por quem teve essa experiência. Porque é importante entender a rotina dos jornalistas, os horários em que não se pode telefonar, quem são as pessoas que decidem, quais as funções de cada cargo.

NF - Que qualidades se exigem de um gerente de comunicação?

AL - Entender muito bem o negócio para o qual vai trabalhar. Entender que o patrão deixou de ser a sociedade e passou a ser a empresa.

O gerente ainda vai usar ferramentas jornalísticas --apuração, edição, transformar fato em notícia. Mas o objetivo muda. Ele não está mais fazendo jornalismo, mas usando técncias do jornalismo para fazer comunicação a serviço da empresa: para vender mais, valorizar ações, atrair bons profissionais etc.

NF - Dá para sair da faculdade e entrar numa empresa?

AL - Acho que o ideal não é esse. Vale mais a pena trabalhar primeiro em assessoria ou Redação, de preferência nos dois.

Além disso, as universidades não preparam jornalistas para essa área, com raras exceções, como o professor Luis Milanesi, da ECA.

NF - O que recomenda para quem tem vontade de trabalhar nessa área? Como se preparar?

AL - É importante ler muito sobre administração e marketing, estar muito bem informado sobre essas áreas, ler o noticiário de negócios, estudar o estado da arte em gestão.
 
É preciso aprender a "falar business", mudar o pensamento: não é mais pensar em jornalismo dentro da empresa, mas pensar como empresa.

NF - Por que, na sua opinião, ocorrem atritos entre repórteres e assessores de imprensa?

AL - Na minha opinião, há um engano no nome "assessor de imprensa". O papel dele não é ajudar a imrpensa, mas assessorar a empresa para assuntos de imprensa. Isso tem que ser claro: ele está defendendo os interesses da empresa.

NF - O que você faz quando há uma reportagem que vai contra os interesses da empresa?

AL - Meu papel é dar aos repórteres fatos jornalísticos de dentro da empresa que digam respeito à reportagem. Tento ver, de cara, se a pauta não é furada. Se for, tento convencer o repórter de que não há pauta, mostrar fatos concretos que desmintam a suposta pauta.

Quando realmente há notícia, tento obter o maior espaço possível para minha versão.

O mais importante é ser verdadeiro, porque o relacionamento com a imprensa não se resume àquela reportagem. Tem que ser permanente e, para isso, é preciso haver confiança.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h48

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Corrida de resistência

Danilo Verpa/Folha Imagem

É assim que jornalistas trabalham nessas coberturas que mobilizam todo mundo.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h13

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Como trabalhar em regiões perigosas

Como trabalhar em regiões perigosas

Meu colega DIOGO BERCITO, que tem projeto de morar no Oriente Médio, entrevistou para o blog TARIQ SALEH, correspondente no Líbano:

Diogo Bercito (para o Novo em Folha) - Dos países em que você já trabalhou, em qual a sensação de perigo foi maior?

Tariq Saleh - A sensação foi maior no Líbano, pois em certos momentos aumentam as tensões, fazendo a sensação de perigo aumentar. Além disso, houve a época que cobri o conflito de Naher el Bared.

O perigo do Líbano é justamente por ser paradoxal –-em um momento está tudo bem, mas de repente pode acontecer algum evento mais perigoso.

DB/NF - Como está Israel, para jornalistas estrangeiros?

TS - Nunca estive em Israel, não posso ajudar neste sentido. O Líbano é relativamente tranquilo para jornalistas estrangeiros, com relativa facilidade de acesso a fontes oficiais. Militares respeitam jornalistas e há uma boa relação com milícias palestinas e o Hezbollah. Continua sendo o país com maior liberdade de imprensa do mundo árabe.

DB/NF - Já passou por algum perigo concreto? Como foi?

TS - Quando cobri o conflito de Naher el Bared, na noite que começaram os bombardeios ao campo de refugiados palestinos, eu e meu amigo fotógrafo norte-americano Sean Hemmerle passamos desapercebidos pela barreira do Exército Libanês e passamos 12 horas sob fogo cruzado.

Passamos a madrugada ao relento, dormimos ao som dos bombardeios. Mas fizemos matérias exclusivas, com fotos bem perto dos combates.

No dia seguinte, saímos com o carro em alta velocidade e com os coletes à prova de bala colocados contra os vidros que davam para o campo. Foi um momento em que sentimos muita tensão.

DB/NF - A questão da segurança já te fez pensar em abandonar a profissão de stringer nesses países?

TS - Nunca pensei em abandonar a profissão por causa dos perigos. De uma certa forma, e apesar do medo que senti, isso só me faz querer continuar.

DB/NF - Quais cuidados um jornalista deve tomar para garantir sua segurança, se estiver trabalhando em um local como o Oriente Médio?

TS - Há várias procedimentos que um jornalistas cobrindo o Oriente Médio deve observar:

  • Tratar todos os lados envolvidos com igualdade, para ganhar credibilidade e confiança deles.
  • Respeitar os processos para obtenção de credenciais dos militares (embora quebrar algumas seja parte do trabalho)
  • Jornalista não carrega armas, nunca.
  • Uma história não vale sua vida. Sempre é preciso calcular os riscos duas vezes.
  • Procurar dicas dos mais experientes, mas também adotar suas próprias medidas.
  • Confiar em contatos ‘desconfiando’; os locais podem ser amigos, mas também se transformar em seus inimigos quando a coisa ficar preta.
  • Evitar viajar em veículos militares, sempre alvos de alguma ação hostil. Viage em carro próprio e sempre a uma distância de um comboio militar.
  • Quando for entrevistar fontes de alto risco, fazê-lo em local público. Se não for possível, garantir que alguém de confiança saiba aonde você foi.
  • Nunca aponte a câmera para fotografar militares; se eles virem será um problema. A dica é ser discreto e tentar tirar a foto com cuidado.
  • Além da câmera profissional, carregue uma destas de bolso, mas que hoje possuem muito boa resolução. Caso os militares peçam que não leve a camera para algum lugar especifico, você terá a menor como alternativa, mais discreta.
  • Cobrindo conflitos, sempre ande com colete e capacete. Lembre-se, se esconder atrás de carros não adianta, a lataria não segura balas de fuzil. Para se proteger, valem: muros, latas gandes de lixo, blocos de concreto.
  • Em caso de ser pego no fogo cruzado, deite-se no chão e role para os lados até achar um muro ou local seguro.

DB/NF - O que fazer, se houver perigo eminente? Procurar embaixadas? A Cruz Vermelha? Você tem um plano traçado para lidar com emergências?

TS - A embaixada é a primeira opção. Em caso de prisão, a Anistia Internacional, a Cruz Vermelha, a Human Rights Watch e organizações de jornalistas devem ficar sabendo imediatamente.

Sempre deixe uma lista de pessoas e organizações com alguém de confiança para que haja um plano de ação em caso de emergência.

Meu plano é simples. Caso eu seja preso, a embaixada deve ser avisada depois organizações de direitos humanos e de jornalistas. A mídia também deve ser avisada, além da minha família. Alguns contatos importantes também podem ajudar em certos casos.

Sobre isenção na cobertura do Oriente Médio
Como Tariq virou correspondente em Beirute
Outras dicas para coberturas que envolvem risco
Ana Flor e a cobertura dos conflitos no Quênia
Um vídeo para quem vai cobrir desastres
Efeito Tim Lopes no jornalismo brasileiro

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h42

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Uma hora e 40 minutos sem arredar pé da cadeira

Uma hora e 40 minutos sem arredar pé da cadeira

Já que a entrevista publicada pelo El Mundo só vale para assinantes do jornal espanhol, fiz uma entrevista com o LULA MARQUES sobre a foto do Chávez-Mickey:

Novo em Folha - Li no El Mundo que as orelhas eram dutos de ar-condicionado. O enquadramento das orelhas foi algo de um instante ou você teve tempo de pensar, enquadrar, fazer várias imagens etc.? 

Lula Marques - Fiz várias imagens: ele sério, sorrindo e outras.
 
NF - Em que momento da cobertura você percebeu o Mickey? No começo? No final? Deu tempo de checar a imagem no visor da máquina?

LM - No começo. Deu para checar e tive que ficar escondendo das concorrências para não ser copiado. 

Logo quando o presidente Chávez chegou e se colocou na frente do púlpito eu vi a foto.

Tive que ficar uma hora e 40 minutos em cima de uma cadeira para não ceder o ângulo para os coleguinhas.
 
NF - Li na sua entrevista que só você tinha a foto por um golpe de sorte. Pode contar de novo para os leitores do blog?

LM - O presidente Lula tinha uma agenda no hotel Atlanta em Recife às 9h. Fui até lá e descobri que Lula e Chávez dariam uma entrevista no palácio do governo, a 40 minutos do hotel. Quando cheguei, não tinha mais lugar para me posicionar: todos os fotógrafos e cinegrafistas estavam na minha frente.

Peguei uma cadeira e coloquei onde tinha espaço. Acho que, se tivesse colocado a cadeira mais à direita ou mais à esquerda, não teria visto a foto.

NF - Quando fez a foto, sabia que era a foto do dia? Se não, quando seu deu conta?

LM - Trabalhando na Folha sabia que tinha a foto da capa. Tive dúvidas sobre se o jornal bancaria na primeira página, mas a Folha sempre banca. Minha maior angústia foi vender a foto para Editoria de Fotografia e não ter tempo para transmitir. Só fui colocar as fotos em São Paulo às 16h. Minha placa de transmissão não funciona em Pernambuco.
 
NF - Foi fácil "vender" a foto para São Paulo? Ou foi preciso convencê-los?

LM - Vender é sempre fácil, mas ela tem que estar nas mãos dos editores para virar uma grande foto. Ai não tem discussão.

NF - Há quantos anos você trabalha como fotojornalista?

LM - Há 26 anos. Tenho 46.

NF - Por que optou por jornalismo visual, e não de texto?

LM - Por ser uma paixão.

NF - O que mais gosta de fotografar? Que tipo de pauta prefere?

LM - Politica e manifestações.

NF - Há algum tipo de pauta que odeie? (ou goste menos?)

LM - Coluna social.

NF - O que você recomenda para um recém-formado que quer ser repórter-fotográfico?

LM -  O mais importante é estar muito bem informado para não deixar a foto passar na sua frente e não fazer.
 
NF - Como repórteres de texto podem facilitar o trabalho do repórter-fotográfico?

LM - Passando informações sobre a pauta. Diálogo é fundamental para a foto casar com o texto e vice-versa.
 
NF - Mais alguma coisa relevante que eu não tenha perguntado?

LM - Não, mas se puder citar, eu e meus dois irmãos escrevemos um livro. "Caçadores de Luz - histórias do fotojornalismo". São três décadas de fotojornalismo. Contamos como foram feitas algumas fotos que fizemos. O livro sai em maio pela PubliFolha.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h13

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Muito barulho por nada

Houve protestos contra a foto de meu colega LULA MARQUES, que mostra Chávez com orelhas de Mickey.

Distribuída pela Reuters, a imagem irritou chavistas na Venezuela e em outros países.

O espanhol "El Mundo" publica hoje uma entrevista com ele (só para assinantes) e este bom comentário: "Fotografia humorística é coisa séria".

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h27

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Jornalismo on-line

Simpósio internacional de jornalismo on-line promovido pelo Centro Knight terá webcast ao vivo.

Meu amigo ALEC DUARTE, professor de jornalismo on-line, avisa que outras maneiras de acompanhar o simpósio são o blog do evento, que promete ser combativo, e também as atualizações via Twitter do professor e jornalista português António Granado .

Recentemente falei sobre a febre do uso jornalístico do Twitter no Webmanário.
 

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h52

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Profissão perigosa

Meu colega TARIQ SALEH, stringer da Folha em Beirute, manda o link da galeria de fotos que fez na Síria:
 
Muitas das fotos dos refugiados iraquianos foram feitas às escondidas por causa da polícia secreta síria. Eu, uma colega holandesa e o nosso contato iraquianos fomos detidos pela polícia dentro do bairro iraquiano. [a reportagem está na Folha Online]
 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h41

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Felicidade relativa

Publico um comentário de minha trainee CRISTINA CASTRO ao post sobre felicidade no jornalismo:

Eu tinha deixado hoje cedo uma pequena provocação aos 15 comentaristas aí embaixo, que repito agora já que deu erro na postagem.

Vocês já trabalharam com outra coisa além de jornalismo? Foram felizes lá? Eram bem remunerados, as condições de trabalho eram ótimas, as perspectivas eram satisfatórias?

O que eu acho é que não dá pra reclamar do jornalismo com ilusões de que o resto do mercado de trabalho não tem os mesmos problemas.

 Quando o Sindicato dos Jornalistas de Minas espalhou outdoors por BH reclamando do baixo piso salarial de R$ 1.500 (R$ 900, pra radialistas), o tiro saiu pela culatra. Afinal, a maioria da população recebe salário BEM menor que esse e achou que o sindicato estava fazendo hora com a cara do povo.

Por outro lado, é muito mais fácil se dar bem numa profissão (inclusive financeiramente) quando você faz o que gosta, quando está feliz.

Se não está feliz, OK, mude de profissão, mas sem ilusões de que será menos sacrificante e a carreira será bombástica e bem paga.

Como Marcelo não conseguiu colocar seu comentário ao comentário da Cris, vai aqui:

O contraste deve ter a ver.

No século passado, comecei a trabalhar aos 14 anos de idade, nove anos antes do meu primeiro emprego de verdade como jornalista.

Fui digitador de mala direta, digitador de ocorrências na polícia civil, office-boy, auxiliar de padeiro (OK, por 2 dias), auxiliar de contabilidade e tive várias funções auxiliares num jornal regional (começando como contínuo, quando todo o transporte de matérias, fotos e lanches na redação dependia de pernas jovens).

Carregar saco de farinha às cinco da manhã, preencher em dia a guia da Cofins de 30 empresas, enfrentar fila de banco todo dia e buscar retícula em pó na fotomecânica foram experiências que me deram um ótimo contraste a tudo.

Como jornalista, consegui trabalhar em lugares onde pude desenvolver um bom trabalho sem interferências ilegítimas e com salário decente. A insatisfação que conheci com mais freqüência foi a mesma do Evandro: a da chance perdida de melhorar o trabalho já feito.

Quando começou o debate sobre isso na lista da Abraji, eu acho que não compreendia bem a questão da insatisfação absoluta com o trabalho –tanto é que provoquei com um “ué, e você não?” o rapaz que perguntou quem estava satisfeito no meio de comunicação onde trabalhava.

Só que, logo depois, alguém muito próximo a mim entrou numa terrível má fase numa publicação pequena, indo pra casa todo dia completamente desanimada.

Meu conselho? Se o atual não agrada, procure outro rápido. Se tiver economias suficientes ou apoio em casa pra se manter por um ou dois meses, peça demissão pra ter mais tempo de procurar melhor.

 A maior parte de nós já fez isso com namoros, por que não fazer com trabalhos? Eu mesmo já pedi pra sair quando perdi o tesão –-começando pela padaria, aos 17 anos, numa fase em que qualquer emprego de todos em casa era absolutamente necessário. Gosto de fazer sempre o melhor que sei. Se eu estou completamente insatisfeito, não consigo. Não é bom para o profissional e nem para a empresa.

O negócio é não ficar nutrindo a insatisfação. Ela só ajuda a criar úlceras. E todos temos coisas bem mais interessantes a criar.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h35

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Os olhos dos outros

Minha colega ADRIANA KÜCHLER, correspondente em Buenos Aires, mandou para os trainees um comentário interessante que fala do estranhamento que é ver nossa realidade próxima retratada por um jornal estrangeiro.

Divido com vocês:

O New York Times publicou nesta semana uma matéria "semi-turística" sobre Buenos Aires, como eles fazem com freqüência. O foco da matéria é que BsAs hoje concentra artistas de outros países que vêm pra cá atrás de inspiração e de uma vida cool e mais barata.
 
Apesar de estar na editoria de Turismo, a matéria não é essencialmente turística, fala das pessoas, da "tendência", mais do que dos lugares. Mas incomoda um pouco por parecer que a cidade é a última bolacha do pacote quando as pessoas aqui estão passando por vários problemas, como falta de comida nos supermercados e medo de um apagão no inverno.

O mais engraçado foi que fui ler o blog de um dos personagens da matéria, e ele desancou o repórter do NYT. Disse que o repórter errou a idade de um amigo dele, que foi entrevistado sem que o repórter tivesse gravador ou bloco a mão, disse que conversou muito com o repórter que só reproduziu uma aspa boba dele, questiona uma outra matéria que "bomba" um bairro de BsAs etc.
 
Enfim, mando os links a seguir porque acho que tem várias questões interessantes para discutir: o jornalismo de turismo, matérias sobre tendências (que ignoram qualquer senso crítico), a mania de achar que o NYT é sempre sensacional e por aí vai.
 
Link do NYT: http://travel.nytimes.com/2008/03/16/travel/16buenos.html?pagewanted=1&sq=Buenos%20Aires&st=nyt&scp=1
Link do blog do http://gratingspace.com/ - post do dia 17.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h35

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Multimídia

Multimídia

O Centro Knight faz nos EUA curso de jornalismo multimídia.


No Brasil, curso de jornalismo digital do Master em Jornalismo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h24

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Supermuseu

Meu colega EVANDRO SPINELLI avisa:

Sexta-feira da semana que vem (dia 11) será inaugurado o Newseum, que se vende como o maior museu interativo do mundo. Custou nada menos que US$ 450 milhões. São 14 galerias, 15 cinemas, dois estúdios de TV e muito mais.
 
O site Blue Bus tem uma nota com comentários de alguns veículos de comunicação. O "NYT", segundo o Blue Bus, diz que é um dos museus mais caros do mundo.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h20

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Leitor no Oriente Médio

O Hugo manda um convite:

Sou estudante do 5º semestre de Jornalismo do Mackenzie. Atualmente estou morando no Oriente Medio e tambem montei um blog --acho que ele se encaixa na mesma plataforma na qual voce definiu o blog Pé na Africa, do Fabio Zannini. O convite está feito! O endereço é www.arabicas.blogspot.com.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h49

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Prefere bandido a jornalista?

Vejam o que conta o Franco, de Recife:

Aqui está a maior polêmica porque o assessor de imprensa da Secretaria Estadual de Defesa Social disse que muitas vezes prefere falar com bandidos a conversar com jornalistas.

Isso porque ele é sempre questionado sobre a falta de dados sobre homicídios no Estado.

Uma pena para a instituição e para a sociedade.

O site PEBodyCount repercute a polêmica.


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cos Côrtes explica como age o assessor de órgão público
Sandra Muraki fala sobre assessoria de empresas privadas
Duelo freqüente: como não passar pela assessoria

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h46

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Fazer pós correndo é bobagem

Conta meu amigo Marcelo Soares:

Melinda McAdams é uma referência importante sobre jornalismo digital.

Há 14 anos, ela foi a responsável por colocar o Washington Post na Internet, quando ainda se estava começando a pensar o que viria a ser um jornal digital (o estudo que ela escreveu a respeito é fabuloso).

Atualmente é professora e tem um blog muito interessante. Hoje, ela faz uma provocação que vem ao encontro de uma dúvida constante dos leitores do teu blog: fazer ou não fazer pós logo depois de se formar. Na opinião da Melinda, é uma besteira sem tamanho (leia aqui).

Leitor pergunta se deve fazer pós em jornalismo político

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h04

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Correio elegante

No ano 2000, corria a 29ª turma de treinamento. Queríamos entrevistar Mário Covas, então governador.

Eu já tentava há meses, desde a turma anterior, a 28ª. Havia mandado pedidos formais, em papel timbrado da Folha, ao secretário de Comunicação. Nada. Telefonei várias vezes. Só desculpas, zero entrevista. Estava claro que havia um paredão no qual as solicitações esbarravam e morriam antes de chegar ao governador.

Um dia me deu um estalo. Durante o treinamento, os garotos vão acompanhar pautas do dia-a-dia e, naquela manhã, o então trainee KIYOMORI MORI tinha como missão cobrir a inauguração de uma obra. Covas estaria lá.

Reescrevi a carta, explicando ao governador que era uma manobra extrema, já que há muito tempo tentava fazer chegar a ele o pedido. Imprimi, botei num envelope e dei mais uma missão ao Kiyo: não saia de lá sem entregar isso ao Covas.

A pauta foi a correria de sempre, com todos os repórteres se amontoando por cima do governador, gritando perguntas de longe, tentando ouvi-lo ou pelo menos gravar as respostas, mas Kiyo triunfou no final: Covas já estava dentro do carro quando ele conseguiu entregar-lhe pessoalmente a carta.

O resultado está aqui:

 

E como meu herói da história não aparece no quadro, vai abaixo uma foto da turma. Kiyo é o do canto direito:

Lembrei-me desse caso quando escrevia aquele post do final de semana sobre o que fazer quando a fonte não nos dá atenção.

Nem sempre é o figurão que está nos desprezando. Muitas vezes, como nesta ou no exemplo do Paulo Totti, que não chegava ao ministro, quem nos menospreza é o (des)assessor de imprensa.

Kiyomori diz que ainda se lembra da dificuldade e das cotoveladas que tomou da escolta do Covas:

--Governador! Governador! A Folha quer entrevistar o sr. e a assessoria nao deixa!

--Quem nao deixa??!! Pois está marcado, amanhã no palácio (depois a secretaria ligou para remarcar a data).

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h54

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Desenvolvimento humano

Desenvolvimento humano

Começa dia 16 um curso on-line sobre cobertura de desenvolvimento humano, organizado pelo Instituto Ayrton Senna.

O professor é meu colega Ricardo Meirelles, que sabe tudo, tudo mesmo, do assunto.

Recomendo ao máximo. O link para pré-inscrição é este: http://www.engr.utexas.edu:80/sos/survey/53831779/index.cfm

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h35

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Dicas para uma entrevista

O Bruno, de São Paulo, pergunta:

Curso comunicação social, mas com habilitação em rádio e TV. Apesar disso, também adoro jornalismo e sonho em trabalhar com comunicação, independente da área.

Semana que vem vou participar de um processo seletivo para uma pequena editora, para a vaga de estagiário, como repórter mesmo.

Queria saber como fazer para "compensar" o fato de não cursar jornalismo, e como passar para o selecionador a idéia de que eu consigo realizar bem o trabalho, apesar de cursar uma área um pouco diferente. Mais uma vez peço desculpas por tomar seu tempo e agradeço desde já.

Bruno, recomendações básicas, que valem para qualquer entrevista de trabalho:

  • conheça o veículo (ou instituição) em que você vai trabalhar. Se não costumava lê-lo, procure números antigos e "estude-o". Saiba quem escreve nele, de que assuntos trata, que seções tem.
  • pense em sugestões de pauta que caberiam no projeto do veículo. Mostre que você pode contribuir com ele e sabe do que está falando.
  • seja franco e direto. Se não perguntarem a você sobre sua formação em rádio e TV, mencione espontaneamente que, apesar de não ter formação específica em jornalismo, acredita ter as qualidades para a função. E elenque-as. Um jornalista, afinal, precisa estar bem informado, interessar-se pelo assunto que vai cobrir, embrenhar-se nesse assunto e saber contar bem uma história para o leitor --sem erros, ouvindo todos os que tiverem algum interesse envolvido no caso e de forma clara e interessante. E isso não é privilégio de uma ou outra faculdade.
  • entusiasmo e interesse genuínos muitas vezes contam mais que currículo.
  • o mais importante de tudo: seja você mesmo. É fácil perceber quando um candidato está "representando".

Boa sorte. Depois conte pra gente como foi.

EXPERIÊNCIA DE LEITOR

O Franco não conseguiu enviar um comentário, mas me mandou o depoimento dele por e-mail:

Eu me formei em RTV pela UFPE e estagiei uns 3 meses em TV (produtor).

Depois, todos os meus outros estágios foram na área de Jornalismo. Há cinco anos, fui contratado como jornalista por uma agência (sou editor de jornais e sites), pois, na época, a minha chefe disse que tinha muito mais senso jornalístico do que muita gente que trabalha na área há anos.

Mas, para não ficar devendo nada a ninguém e tentar vôos mais altos, resolvi cursar jornalismo (só preciso pagar algumas cadeiras para obter o diploma). Já recebi convites para trabalhar nos jornais de grande circulação aqui do Recife, mas não pude ir pela falta do "canudo".

Não quero mais correr este risco. E embora ainda não tenha finalizado o curso já me considero jornalista, apresento-me como tal e assim sou tratado por quem é da área. Sei do meu valor e das minhas capacidades.

O meu conselho é: forme-se em RTV, mas, se quiser trabalhar com notícias, estude a possibilidade de fazer jornalismo também. Abraços a todos.

Copio mais um comentário de leitor, o Thiago, que não conseguiu comentar:

Bruno, eu também sou formado em RTV (Metodista) e entendo bem a sua situação.

Depois que me formei achei que tinha escolhido a faculdade errada e tentei várias vagas relacionadas ao jornalismo, mas o Franco tem razão: o diploma de jornalismo pode ser decisivo nos casos quando este é "legalmente" necessário.

Se for realmente seguir a carreira de jornalismo, acho que eventualmente terá que se formar em jornalismo, mas pode sim chegar longe com o seu diploma de RTV, basta muita dedicação.

É também verdade que às vezes possa não ser chamado para entrevistas de emprego pela falta do diploma, mas existem outras alternativas como o treinamento da Folha, por exemplo.

Eu fui chamado pra prova (na segunda tentativa) mas infelizmente não passei :( Ou seja, a falta do diploma não influenciou negativamente, porém há veículos que o exigem, como por exemplo o Estadão.

 A entrevista do programa de treinamento e outras entrevistas de emprego

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 11h08

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Problemas nos comentários?

Alguns leitores têm relatado que, quando tentam comentar no blog, aparece uma mensagem de erro.

Isso já aconteceu com você?

Se aconteceu, por favor, me avise por e-mail. Se puder, faça um printscreen da página que deu erro e mande junto.

Para fazer o printscreen, aperte a tecla shift e a tecla no canto direito do seu teclado, em que está escrito print screen. Depois abra um programa como o Word, por exemplo, e dê um control C. Salve o arquivo e mande anexado no e-mail.

Obrigada!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h04

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A 1001ª palavra

A 1001ª palavra

Vou publicar aqui no blog o exercício que os trainees estão fazendo agora pela manhã.

Conversamos um pouco sobre fotos e legendas.

O ideal é que fotos num jornal acrescentem informação ao texto. E que as legendas acrescentem informação à foto.

Exemplo: se minha reportagem é sobre o novo presidente do TJ, será ótimo publicar junto uma foto do sujeito. O leitor saberá como ele é. Se a imagem mostrar um pouco do ambiente em que foi feita, o ideal é que a legenda diga onde Fulano está. Isso passa a ser mais importante, para acrescentar informação à imagem, que dizer que ele é o novo presidente do TJ --algo que o título já informa. E, se Fulano estiver sorrindo, a legenda não deve dizer que ele sorri. O leitor está vendo.

O procedimento básico, então, para fazer legendas é:

  1. ler a reportagem em que a foto será publicada (para ter uma idéia do contexto em que entra a imagem)
  2. observar a foto (parece óbvio, não é? Mas há quem faça legenda "adivinhando", sem ver a foto específica que vai sair no jornal)
  3. decidir o que não deve ser escrito: que informação a imagem, por si só, já dá
  4. perguntar-se o que dá vontade de saber sobre a imagem (que aspectos da foto são relevantes, mas não dá para saber só de olhar para ela)

REGRA BÁSICA - A 1001ª PALAVRA

  • a legenda não deve dizer o que a foto já mostra (as tais "mil palavras" pelas quais ela vale)
  • a legenda deve completar a informação visual (da 1001ª palavra em diante)

OS EXERCÍCIOS DE HOJE

Abaixo estão quatro fotos que analisamos nesta manhã no treinamento. Olhem e reflitam: a) o que não deve ser dito?; b) o que falta dizer?

foto1

foto 2

foto 3

foto4


Francisco Barroso, proprietário da Le Vin, que planeja a abertura de uma
patisserie na região central do Rio de Janeiro neste ano

OUTROS EXERCÍCIOS DE FOTO QUE JÁ FIZEMOS
Um
homem solitário
Águas passadas (?)
Lama no caminho
Encontro cultural
Energia brasileira e detalhes da F1

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h03

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Título bom é o que cabe

A frase aí de cima é uma máxima do fechamento.

Sabemos que o título deve resumir o fundamental de um texto; usar bons verbos, precisos, quentes; dizer o principal; privilegiar o específico e não o geral, o concreto e não o abstrato e, além de tudo isso, atrair o leitor.

Mas jornais diários têm deadlines: horário para mandar as páginas para a gráfica, se não quisermos que o jornal só chegue à casa do leitor quando ele já saiu para o trabalho.

E, se está perto da hora de fechar, título bom é o que --sem conter erros-- cabe no espaço que temos.

O preâmbulo é porque, com a dica da Kênya sobre as palavras usadas no noticiário dos conflitos do Oriente Médio, lembrei-me de que havia me esquecido de publicar o comentário de nosso professor PAULO RAMOS sobre a reclamação de um leitor (que achou inadequado o emprego do termo deficiente num título da Folha, como você poderá ler aqui).

Seguem, então, as considerações do Paulo:

Há três aspectos a serem observados, a meu ver.
 
1. A palavra "deficiente" é dicionarizada e traz o sentido de "pessoa que traz deficiência física ou psíquica" (a fonte é o "Aurélio"). Por esse prisma, está correto o uso na manchete da Folha.
 
2. O fato de uma palavra estar dicionarizada nem sempre resolve a prática diária do uso da língua. Há, na sociedade brasileira, um teor negativo do termo "deficiente" exatamente no sentido proposto pelos dicionários. Não se trata do "politicamente correto". O bom senso e o respeito a outro ser humano levariam ao uso da expressão "pessoa portadora de deficiência", tal qual sugere o leitor. Seria o ideal.
 
3. O aspecto final é que nem sempre a prática da língua cabe no limitado espaço reservado ao título das matérias. Seguramente, a solução publicada não foi a melhor. Mas resolveu a questão.
 
É de se entender os motivos dos jornalistas (o contexto da matéria mostra que não se trata de um caso pejorativo e a palavra coube no título) e do leitor (a primeira leitura pode soar, sim, pejorativa).
 
Resumo: é bom evitar a expressão, a não ser que não haja outra alternativa.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h40

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Mais pés na África

Rafael, de São Paulo, lembra que, além do blog da Mirella, sobre o qual escrevi ontem, há outro muito legal na Folha Online: o Pé na África, do meu colega FABIO ZANINI.

Aqui já não se trata do blog "de origem", com tons de diário pessoal, mas daquele que vem ganhando espaço no jornalismo: a plataforma blog usada como veículo para relatos que podem até ser pessoais --como no Pé na África--, mas que são também calcados na estrutura da reportagem.

Zanini está fazendo uma viagem muito legal pelo continente africano, como um projeto de aperfeiçoamento profissional. É um exemplo para pensarmos que nossa formação passa por vários caminhos. Não só pela sala de aula ou pelo batente nas coletivas.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 12h32

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Palavras

Palavras

Minha ex-trainee KÊNYA ZANATTA, hoje documentarista em Paris, sugere uma leitura bem interessante:

Ontem estava lendo Internazionale, que é o equivalente italiano --e ainda melhor, na minha opinião-- do Courrier International francês, e encontrei este artigo sobre o jornalismo praticado em Israel.

Achei interessantíssimo como o autor analisa os termos utilizados para falar do conflito Israel-Palestina e de como eles podem mascarar ou dar uma imagem unilateral da realidade.

E me fez pensar também sobre o que as minhas escolhas de vocabulário dizem sobre a minha visão de mundo. Achei que podia te interessar e quem sabe alimentar as discussões do programa de treinamento...

A versão original do artigo, em inglês, está no site da London Review of Books.

Onde dói o calo - reflexões sobre o uso da palavra deficiente

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 07h29

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Avalanche


(a natureza, mesmo em seus aspectos mais terríveis, é algo de sensacional, não é?)

Como tive que ficar longe do blog por uns dias, os posts se acumularam.

Despejei um monte deles sobre vocês, aí embaixo.

Desculpem pela avalanche. Mas tenham alguns minutos e leiam todos, porque há sugestões bacanas de cursos, textos legais de colegas, dicas etc.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h30

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Oito lições de uma correspondente em Paris

Minha leitora Clara, de João Pessoa, dá a dica:

A correspondente americana do The New York Times na França, a experiente jornalista Elaine Sciolino, se despede da chefia do escritório no país, com uma deliciosa reportagem: “Um guia para os franceses. Manuseie com cuidado”.

Ela começa o texto citando uma frase do personagem de uma peça do poeta e dramaturgo Henri de Bornier: “Todo homem tem dois países, o seu próprio e a França”.

Elaine diz que passou cinco anos e meio em Paris, como correspondente, tentando tornar o país o dela próprio, mas sabendo que nunca teria tempo suficiente para isso. Mas como ela deixa o cargo para assumir outro nos EUA, deixa oito lições do que aprendeu lá.

Vale a pena ler o pequeno “guia” --é divertido, inteligente, cheio de detalhes e peculiaridades curiosas-– e apesar de breve, oferece um panorama geral da cultura do país (pela visão americana, é bom ressaltar).

A segunda “lição” é especialmente interessante para nós, porque está diretamente ligada com a nossa profissão e traz uma característica da imprensa francesa que, particularmente, eu desconhecia.

Mas começo pela primeira porque, de certo modo, as duas se relacionam semanticamente. 

1: Olhar no espelho retrovisor.
Para começar a entender a França, você tem que olhar para trás. Os franceses são obcecados com história. Parte deste sentimento é uma afinidade genuína com o passado, parte um desejo de se apegar a uma glória perdida, parte uma insegurança que vem de uma economia morna e de um esforço de integrar o crescimento de população árabe e africana.

Nenhum aniversário é tão sem importância para se celebrar. Em meu tempo aqui, os franceses relembraram o vigésimo aniversário do naufrágio do “Guerreiro do Arco-Íris do Greenpeace”, o ducentésimo aniversário do diploma de bacharel da escola secundária, o sexagésimo aniversário do biquíni e o centésimo aniversário do sutiã.

O centésimo aniversário do nascimento de Simone de Beauvoir, foi celebrado com meia dúzia de biografias, séries de DVDS, três dias de simpósio acadêmico e uma cobertura da revista Le Nouvel Observateur com uma dela nua de costas.
 
2: Uma entrevista às vezes não é uma entrevista.
A paixão deles por história não significa que os franceses sempre a façam com precisão. Há muito tempo tem sido prática comum que jornalistas na França permitam que seus entrevistados editem suas palavras. “Lido e corrigido,” o sistema é conhecido.

Uma vez peguei a parte de uma entrevista com Jacques Chirac, quando era presidente, em que ele dizia que “não seria de todo perigoso se o Irã tivesse uma bomba nuclear ou duas”. Esta certamente não era uma posição dos franceses. Então um oficial do Palácio Élysée excluiu a transcrição e substituiu por esta: “Eu não vejo que tipo de cenário poderia justificar o recurso do Irã por uma bomba atômica”.

A prática de reparar transcrições continua sob a presidência de Nicolas Sarkozy. Mês passado, o presidente se irritou quando um espectador se recusou a apertar sua mão em uma feira anual de agricultura. (Uma tradução polida do que ele disse, poderia ser, “Some daqui, seu imbecil estúpido!”). O incidente, capturado em vídeo, foi visto por milhões na internet.

De acordo com o jornal Le Parisien, no outro dia, Sarkozy havia expressado arrependimento em uma entrevista, dizendo que “teria sido melhor se eu não tivesse respondido a ele.” Mas o editor do jornal logo confessou que as palavras de arrependimento nunca haviam sido pronunciadas.” Tinham sido editadas pelo Élysée Palace.

Vale a pena ler a reportagem disponível no site

Dicas de leitura sobre correspondentes internacionais
Cobrindo sozinho
uma cidade inteira
Como virei correspondente no Líbano

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h03

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Fotojornalismo no México

Fotojornalismo no México

Minha amiga ADRIANA ZEHBRAUSKAS, ex-fotógrafa da Folha e autora da linda imagem acima, é uma das instrutoras de uma oficina muito legal que será feita no México, para estudantes latino-americanos, em junho.

Para saber mais, veja o site.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h41

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Tendências

O Kleyson, de Belo Horizonte, avisa:

O American Press Institute lançou um relatório que antecipa próximas tendências para jornais. O documento foi desenvolvido pelo Newspaper Next 2.0 e traz dicas para sobreviver no cenário de mídia atual.

Ele também pergunta:

Você já leu a revista britânica Monocle? Conhece? Achei o projeto bem bacana. Vi numa banca aqui no Brasil e dei uma folheada, mas o preço era alto [uns R$60]. A sorte é que uma amiga que está em Londres ficou de trazer um exemplar pra mim [lá custa 5 libras], portanto, ela e a revista chegam no próximo mês. Quando chegar te digo se as reportagens e matérias são bacanas também.

Kleyson, nunca vi a Monocle, não. Quando a sua checar, conte pra gente o que achou.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h31

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Mídia e violência

Mídia e violência

--Eu peguei o tempo em que o policial batia no preso e o repórter não falava nada, comentou um jornalista.

--E eu peguei o tempo em que o repórter batia no preso

Meu colega FREDERICO VASCONCELOS conta em seu blog sobre o livro do qual esse diálogo faz parte.

 

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h04

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Minha vida na África

Minha colega Mirella, que já trabalhou na Folha e vive há muitos anos na África, tem um blog no sentido clássico --diário digital-- que é muito legal. Vale a pena ver.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 18h00

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Como é ser jornalista numa indústria

Outro dia uma leitora me pediu que escrevesse sobre oportunidades de trabalho para jornalistas na indústria, e na semana passada o Monare repetiu a pergunta:

Você poderia falar sobre isso, né?

Vejo algumas oportunidades de estágio na área de Comunicação Social/Jornalismo em indústrias, como a Vale (do Rio Doce), que está com inscrições abertas e estão requisitando estudante dessa área.

É um assunto legal, já que é mais uma oportunidade para jornalistas e, além disso, em indústrias pagam mto bem (na teoria, pelo menos!).

Na verdade não posso escrever nada sobre o tema, porque não entendo nada dele. Mas vou tentar encontrar quem entende. Enquanto isso, se houver leitores com essa experiência, por favor, dividam aqui suas opiniões!!

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h49

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Siga o dinheiro

Siga o dinheiro

Meu colega e professor FREDERICO VASCONCELOS conta em seu blog sobre este curso, muito útil para repórteres.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 17h25

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Se eu sei quem leu, o impacto é maior

A respeito um pouco dessa dúvida da Karin, logo abaixo, lembrei-me desta arte publicada ontem na Folha:

Quando falo em repercussão, quero me referir a impacto político, impacto institucional, e não tanto à capacidade de ser comentado pelos leitores em geral.

Uma das forças da mídia tradicional é que sabemos que as notícias veiculadas ali serão necessariamente lidas (ouvidas, vistas) por certo grupo de pessoas. Algo que não é verdade na maioria dos blogs ou sites independentes.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h50

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Como seguir a regra 2?

Sobre os conselhos que Renato Pompeu deu a quem quer se tornar jornalista agora, minha recém-trainee KARIN BLIKSTAD pergunta:

Lendo o seu blog, juntei a entrevista do Renato Pompeu e o post sobre como as pequenas mídias conseguem atenção das fontes e surgiu uma dúvida. O Pompeu sugere que os jornalistas (aqueles que não foram ajuizados e deixaram a profissão) busquem fazer jornalismo autônomo na internet. O Nassif também defende (e faz) isso. Mas eles têm um nome. A gente aqui tem o nome da Folha, mas na internet somos zé ninguéns. Como um jornalista iniciante poderia ser autônomo na internet? Ele não teria que passar por uma Redação da grande mídia para se destacar antes? Além disso, a estrutura física de um grande jornal parece fundamental.

Vejo uma resposta parcial: isso pode estimular o jornalismo mais investigativo, que depende menos de fontes oficiais e mais de apuração própria. Para fazer jornalismo autônomo na internet o jornalista tem que oferecer algo que os grandes jornais não oferecem (porque tem um nome que lhes dá um certo conforto). É outro jornalismo. Mas é exatamente aí que temos uma profissão ainda mais difícil, pois o jornalista terá que provar sozinho os seus méritos. Gostaria de saber se existem jornalistas virtuais (e virtuosos) assim na web...

O diagnóstico dela está corretíssimo.

Para fazer jornalismo independente na internet é preciso três coisas: credibilidade, repercussão e fonte de sobrevivência.

As três condições têm que existir ao mesmo tempo. Não adianta ter recursos, mas não ter leitores, nem ter prestígio, mas não conseguir se sustentar.

Não conheço ninguém que, sem ter construído um nome nos veículos tradicionais, mantenha um noticiário de repercussão na internet.

Além disso, não há, no momento, perspectivas de levantar na internet recursos suficientes para custear investigação jornalística --que consome tempo e dinheiro.

Talvez seja possível um dia. Há até um grupo de investidores americanos que lançou um projeto parecido: bancar investigações independentes (escrevi sobre eles no blog, mas não consigo achar o post... ). Mas é algo que, sem mecenas, ainda não anda sobre as próprias pernas. [Lembrei!! É a ProPublica, e o post em que escrevi sobre eles é este].

Beatblogging - rede de repórteres e fontes na internet

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h44

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Por que sou feliz no jornalismo

Naquela discussão da lista da Abraji, provocada por uma frase do Renato Pompeu numa entrevista, uma das mensagens foi de meu colega EVANDRO SPINELLI. Com a permissão dele, reproduzo aqui:

Todas as noites me sinto frustrado nessa profissão. Sempre saio da redação achando que podia ter apurado melhor alguma coisa, que eu deveria ter checado mais um documento, que deveria ter falado com mais uma ou duas pessoas, que o tempo foi curto para fazer o que devia ser feito, que a matéria poderia ter mais e melhor espaço...

Todas as manhãs vou para a redação com as energias renovadas e feliz por ver minha reportagem publicada, por ouvir as rádios repercutindo aquela informação que eu levei a público, por saber que aquelas informações podem mudar para melhor alguns procedimentos nos órgãos públicos. E, todas as manhãs, me sinto feliz por ter mais uma vez a chance de fazer um bom trabalho, de tentar apurar melhor do que no dia anterior, de fazer uma reportagem que preste um bom serviço à sociedade.

Enfim, posso dizer que sou feliz na profissão? Na média, sim. Só me frustro à noite, mas é uma frustração que faz parte do nível de exigência que eu tenho comigo mesmo. E nada que não possa ser superado com dois (ou três, ou oito, ou vinte) copos de cerveja acompanhado dos bons amigos que o jornalismo nos dá.

Enfim, me orgulho dessa profissão. Que pode até não pagar (muito) bem, que me obriga a trabalhar mais do que o "normal", que estabelece níveis de pressão e exigência acima da média das outras profissões, mas que, no fim de tudo, me dá a chance de ser útil à sociedade com a dignidade.

Enfim, mesmo sem ter recebido antes os conselhos do Renato Pompeu, sigo à risca. Se e quando eu tiver necessidade, a internet pode me dar condições de sobrevivência com patrocínios que não interfiram na minha independência, como ele recomenda. Até lá, vou vivendo com dignidade, pois me preparei para uma vida de (alguns) sacrifícios. E, se nenhuma das duas opções for mais possível, coisa que eu não acredito, deixarei a profissão, com dor no coração, mas feliz e orgulhoso por ter participado disso tudo aqui.

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h26

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Ana Estela de Sousa Pinto O blog Novo em Folha é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha. É produzido pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, pelos participantes do treinamento e pela Redação.

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