O rato que ruge
Colaboraram com este post Leonardo e Vítor, de Brasília; Marcelo, de São Paulo; Gabriela, de Cascavel; Juliana, de Salvador; Renato, de BH; Paulo, de São Bernardo, e João, de Curitiba
(Estava com saudades de escrever para o blog!)
Você trabalha em um jornal ou revista pequeno, sem expressão, ou está no jornal laboratório da faculdade?
Isso torna mais difícil chamar a atenção das fontes?
O que fazer para conseguir entrevistá-las?
Arrumo abaixo dicas de leitores de várias partes do país e acrescento algumas que aprendi com a prática ou a reflexão:
"É bem rapidinho". Diga que não vai tomar mais de 20 minutos do tempo do entrevistado. Tenha uma boa lista das dez perguntas principais, para o caso de ele levar a sério seu prazo, e outras 20 na esperança de ele se encantar com você e esquecer o relógio.
Insista, insista, insista. Quem não arrisca não petisca, quem não insiste também não.
Compreenda a fonte. Em muitos casos um "sei que o senhor é muito ocupado, mas sua opinião é realmente fundamental para minha reportagem. É muito importante para os leitores" pode funcionar.
Marque homem a homem. Você deixa recado, mas ninguém liga de volta? Largue o telefone e vá até lá. É mais fácil desligar o telefone que bater a porta na cara do repórter. E, como diz um leitor, os "chatos" tem primazia. Ou, na célebre frase esportiva: "quem pede tem preferência, quem se desloca recebe".
Prevenir é melhor que remediar. Se está numa revista especializada, já sabe quais as fontes mais importantes da área. Não espere um fato quente ocorrer para tentar falar com elas. Será uma péssima hora, com dezenas de concorrentes. E a fonte, afinal, é uma só e tem mais o que fazer que dar entrevista. Cultive-a com antecedência. Apresente-se, mande um exemplar da sua revista, marque um café, entreviste-a para pautas frias, deixe um cartão com ela, faça contatos com frequência (tudo aquilo de que já falamos aqui, no post fontecultura). Faça com que ela o conheça e respeite antes de precisar dela.
Secretárias, essas fabulosas criaturas. Se o assessor de imprensa é o problema (e isso pode ocorrer até com medalhões do jornalismo, como Paulo Totti, um dos melhores repórteres do país, nos contou dia desses), conquiste a secretária. É ela que controla a agenda da fonte. Ou, como o Totti, tente chegar direto ao entrevistado (lista telefônica pode fazer milagres nessas horas).
Quando a desvantagem é vantagem. Nem sempre o pequeno vale menos. Dependendo da fonte e do assunto, o tratamento que ela vai receber de uma revista especializada é muito mais neutro e menos agressivo que o da grande imprensa. Pode ser um oásis no meio da fogueira falar sobre assuntos técnicos e não políticos.
Agora só falta você. Diga que já ouviu A, B e C, e que seria muito chato que ele não estivesse também na reportagem --vaidade, vaidade, quase tudo é vaidade... Parece bobagem, mas ajuda. Se ele é executivo de uma empresa, não vai querer perder espaço para os concorrentes. Se é político, pode ficar movido a falar se você já conseguiu ouvir adversários.
Outros usos para o QI. Peça àquela fonte importantíssima que o conhece bem e gosta de você que interceda em seu favor. É para usar, claro, com moderação. Mas referência é importante se o entrevistado nunca tiver ouvido falar de você ou de seu veículo antes.
Nada como um dia atrás do outro. Mesmo que nada dê certo, seja elegante. Mande a reportagem depois para o entrevistado, com um bilhetinho: "É uma pena que não tenhamos conseguido entrevistá-lo. A reportagem teria ficado muito melhor com suas opiniões. Mesmo assim, espero que goste. Por favor, fique à vontade para fazer quaisquer críticas e sugestões. Até a próxima, Fulano de Tal". Você ainda tem muitas pautas pela frente.
Correio elegante. Em casos extremos, tente esta saída que adotei quando queríamos entrevistar o governador.
É duro ser pequeno - o post que deu origem às dicas
Para não depender da assessoria
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h54
Você é feliz no jornalismo?
Na lista de discussões da Abraji, da qual faço parte, o assunto quente do momento é a entrevista que Renato Pompeu deu a Ana Luiza Moulatlet, publicada no Observatório da Impensa (neste link).
A polêmica toda surgiu desta resposta:
Que conselhos você daria para alguém que está começando no jornalismo?
Pompeu - 1) Abandonar imediatamente a profissão e escolher outra. 2) Se não for possível isso, procurar se estabelecer por conta própria na internet, com patrocínio próprio que não interfira na sua independência. 3) Se isso também não foi possível, procurar manter a dignidade profissional e preparar-se para uma vida de sacrifícios."
É uma provocação? Faz sentido? O que vocês acham?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h05
Olhe bem antes de cortar
A home da Folha de S.Paulo em versão digital trazia de manhã um bom exemplo de como um corte descuidado pode tirar da foto o que ela tinha de melhor:

Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h14
O mundo em que tudo é possível
Para voltar à ativa, nada melhor que a excelente foto de meu colega LULA MARQUES na capa de hoje da Folha.

Para nossa série humor no jornalismo, claro. Mas também mais um exemplo de como símbolos aumentam o impacto de uma notícia ou de uma foto.
Se fosse Lula com orelhas de Mickey, seria engraçado, mas só. Chavez como o personagem da Disney, por tudo o que envolve suas relações com a pastoral americana, é muito mais que isso.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h16
Quem já fez curso de redação?
Faço uma breve exceção no aviso que dei logo abaixo para colocar no ar esta pergunta da Elaine, de São Paulo. Talvez algum de vocês possa ajudá-la.
Por favor, preciso de dicas de curso de texto/redação em São Paulo. Gostaria de aprender e praticar mais, mas não estou encontrando opções. Até agora, só encontrei no Senac, mas o horário está complicado.
Minha colega NATALIE CONSANI não conseguiu entrar nos comentários, por isso copio aqui as indicações dela (veja outras nos comentários):
A Cásper tinha um curso chamado Redação e Estilo para jornalistas. Eu não fiz, mas uma colega fez e achou razoável. Olhei no site (www.facasper.com.br) e não achei, mas dê uma olhada também ou ligue lá para saber se o curso ainda existe.
Você pode tentar também no Comunique-se. Há sempre cursos interessantes, alguns ligados à redação, redação para TV, para internet etc. O endereço é www.comunique-se.com.br.
Não posso avaliar a qualidade em si, pois o último que fiz lá faz muuuuito tempo.
E, ainda, caso vc leia bem inglês, um imperdível é o do Chip Scanlan, jornalista com vasta bibliografia sobre redação, ligado ao Poynter, que deu um curso no News U, um site óóóótimo de cursos online para jornalistas. Eis o link pro curso: http://www.newsu.org/courses/course_detail.aspx?id=newsu_getmerewrite05.
É de graça, vc só precisa se registrar (também de graça). E, claro, o curso é on-line. Boa sorte! :)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h50
Preciso terminar até quinta um projeto. Por isso, por absoluta falta de tempo --apesar da abundância de assuntos
--, não vou poder escrever nada aqui até sexta.
Descansem e divirtam-se até lá.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h59
Plantação ilimitada
Duas reportagens totalmente diferentes publicadas hoje em jornais distintos falam sobre como fatos se tornam notícia à nossa revelia.
Uma é a entrevista feita por DANIEL BERGAMASCO com GAY TALESE, da qual selecionei este texto [a íntegra pode ser lida on-line por assinantes da FSP ou do UOL].
FOLHA - Como repórter, hoje em dia, você publicaria matérias sobre esse escândalo?
TALESE - Não vou dizer que não publicaria, porque, se alguém mais publicar, você tem que publicar. Você não pode fingir que não viu, porque todo mundo sabe sobre isso, está na televisão, nos websites. Se você está no negócio de publicar jornais, tem que publicar o que é considerado notícia. É que hoje em dia tudo é notícia, o que não acontecia 30 anos atrás. É bom ou ruim? Eu não sei. O que acontece é que pelo menos força as pessoas a viverem em coerência com o que dizem.
A outra é uma reportagem do "Estado" sobre técnicas de marketing, que diz, entre outras informações:
(...) no caso do falso incidente dos "vestidos iguais" usados por duas atrizes, criado pela Unilever promover a sua marca Seda de xampu, há divisões. "A imprensa é que se sentiu manipulada", diz um publicitário que prefere o anonimato.
A coincidência tinha jeito de ação orquestrada desde o início, mas, mesmo assim, em especial a mídia de celebridades e as colunas sociais embarcaram na situação criada pela Unilever. Deram exposição ao falso incidente de Adriane Galisteu e Taís Araújo. A ação integra a campanha em que a embalagem do xampu tem a estampa do vestido usado pelas atrizes, contratadas como garotas-propaganda .
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h45



