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Da França, escreve minha leitora Flávia, que já participou de uma semana de palestras aqui na Folha:
Aproveitando o comentário do Daniel Bergamasco em relação à materia do The Economist, envio um link de uma matéria publicada esta semana no Nouvel Observateur falando sobre o mercado de jornalismo na França.
Segundo os dados publicados na revista, a situação por aqui também não é muito animadora:
- no ano passado, houve um aumento de 278 vagas em todo o país (de um total de 37 mil `cartes de presses` distribuídos)
- a "commission paritaire nationale de l'Enseignement du Journalisme" suspendeu por um ano o reconhecimento de novos cursos de jornalismo (e podem retirar o título de algumas que já o possuem).
Mesmo assim, segundo uma pesquisa divulgada pela revista, a popularidade do jornalismo entre os jovens franceses é considerável: só perde para a profissão de ator e fica na frente da de cantor.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h01
Criação, roteiro
A escola de cinema tem dois cursos que podem ser úteis para quem, como nós, trabalha com narrativas: criação literária e roteiro (e vários outros pra quem se interessa por cinema: história do documentário, direção etc.).
Meu professor Carlos Ebert, que também dá aulas na escola de cinema, fará um curso sobre cinema italiano no Sesc Pinheiros.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h38
por BRENO COSTA
Um dos grandes privilégios de participar do programa de treinamento da Folha é a possibilidade de ouvir, por cerca de seis horas, um jornalista como Marcelo Beraba, prestes a completar 37 anos de jornalismo nas costas e que já bateu ponto em quase todos os grandes jornais do país, além de ter ocupado cargos dos mais variados, desde a reportagem de rua até a edição, passando pela fundamental tarefa de criticar construtivamente, como ombudsman, seus colegas na Folha de S.Paulo.
É difícil ser conciso –como tanto insiste a Ana- em relação aos ensinamentos de quinta. Quando Beraba, por exemplo, afirma que o jornalismo diário praticado hoje dá muita pouca atenção às técnicas de apuração; ou quando alerta que habilidades passíveis de serem demonstradas por repórteres iniciantes, como bom texto e faro apurado, não são suficientes, sozinhos, para sustentarem uma carreira; tudo isso tem que ser levado em consideração com muita seriedade.
Este, basicamente, foi o espírito da aula de ontem, sobre os fundamentos da reportagem: a voz da experiência expressando conceitos, como ele mesmo diz, "fundamentais" para o exercício do jornalismo, ignorados não apenas por focas mas também por macacos velhos das Redações.
Em um ambiente onde “profissionais novos se consideram acabados, prontos”, foi importante esse choque de realidade.
Beraba desenvolveu, por conta própria, um quadrante conceitual para que jornalistas se guiem no processo de apuração, sempre buscando evitar erros na matéria-prima do jornalismo, ou seja, a informação. São quatro pilares nos quais ele se guia:
- Observação
- Entrevista
- Documentação
- Pesquisa
Tudo isso é seguido por um quinto elemento, sempre fundamental no jornalismo e que muitas vezes não é levado a sério: RECHECAGEM.
Beraba lamenta o fato de a grande maioria da produção jornalística atual no Brasil se basear na categoria “entrevista”, o que leva à praga do jornalismo declaratório.
Não que a entrevista em si seja preterível em relação a outros elementos. Mas, dentro de seu esquema básico para jornalistas, é fundamental que a imprensa passe a entender cada vez mais a importância dos elementos “documentação” (para respaldar matérias e evitar erros), “pesquisa” (para que o repórter entenda com um mínimo de embasamento determinados assuntos) e “observação” - que, de acordo com ele, é o “fundamento menos usado no jornalismo” atualmente.
Para ele, o jornalismo brasileiro tem que se aproximar cada vez mais do jornalismo de precisão, escola forte na imprensa dos Estados Unidos, por exemplo.
Alguns caminhos foram expostos por ele para melhorar esse quadro na prática. Um dos que achei mais interessantes foi a necessidade de o jornalista se especializar em alguma área. Para ele, é importante que focas como a gente já definam desde já um nicho de atuação como repórter.
Isso não significa que um repórter que goste mais de acompanhar a questão agrária não deva mergulhar de cabeça nos meandros de uma editoria como Ilustrada, caso vá trabalhar lá. Mas deve sempre cultivar o acompanhamento e o aprimoramento técnico no seu foco original, de maneira que um dia consiga chegar a trabalhar nessa área.
Mas a especialização, diz Beraba, é uma necessidade. Segundo ele, atualmente o melhor jornalismo é praticado pelas empresas que investem na especialização de seus profissionais.
Para não cansar demais vocês e torná-los vítimas da necessária concisão, vou tentar colocar em tópicos uma espécie de 10 mandamentos/ensinamentos extraídos por mim das seis horas de aula (não necessariamente na ordem):
- Checar, rechecar, checar de novo e, caso sobre um tempinho, rechecar tudo mais uma vez;
- profissionais novos precisam ter humildade e entender que o aprimoramento técnico constante é condição sine qua non para uma boa carreira;
- citando Telê Santana, “a única coisa importante no preparo de um time é saber os fundamentos”;
- a apuração tem que ser sempre consciente;
- é obrigatório que um jornalista se prepare bem para toda e qualquer entrevista;
- a abordagem eficiente de fontes exige conhecimento do assunto a ser tratado na entrevista;
- sempre haverá momentos em que o jornalista não terá condição de cobrir tudo com eficiência;
- um bom repórter não pode dispensar um olhar observador em momento algum;
- todos erram
- checar e rechecar de novo (esse vale por dois mesmo...)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h19

por AMARO GRASSI e CAROLINA ARAÚJO
Resolvemos fazer um texto em conjunto porque temos algo a mais em comum, além de obviamente sermos colegas de Treinamento: somos os únicos trainees não graduados em jornalismo. Resolvemos tentar a seleção do Treinamento justamente para encontrar uma aplicação mais prática a nossas disciplinas de origem, muitas vezes restritas ao meio acadêmico. Nada melhor do que o jornalismo, com sua linguagem direta e acessível a um público mais amplo, não?
Há, é claro, o lado bom e o lado ruim dessa condição. Entre as desvantagens, por exemplo, nosso completo desconhecimento do jargão jornalístico. Só sabemos que somos focas. Termos como suíte, lide, pedágio e pool estão sendo gradativamente incorporados ao nosso vocabulário. Já exercícios como propor pautas e apurar fatos, básicos para iniciados, são inteiras novidades. Sem falar que ainda não podemos fazer os exercícios no mesmo grupo, por razões que dispensam comentário.
Por outro lado, todos os colegas respondem às nossas dúvidas, muitas vezes banais, com a maior boa vontade e didatismo, como irmãos mais velhos. Algumas atividades, como cobrir jogos de futebol (certamente a melhor parte!) e participar da Abraji, em Belo Horizonte, não seriam possíveis não fosse esta até certo ponto (ou totalmente) inesperada oportunidade. E o melhor é que tudo é novidade: ler três jornais por dia, visitar uma redação pela primeira vez aos 23 anos, realizar fechamentos, debater fundamentos e descobrir que ilustres desconhecidos até então são na verdade referências nacionais.
Esperamos que ao final desses quatro meses possamos dar um outro depoimento, dessa vez de fato jornalístico.
E não se acanhem, fiquem à vontade para nos dar conselhos, dicas e sugestões.
Abraços, Amaro e Carol
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h59

Se eu tirasse isso, mudaria alguma coisa?
Essa é uma pergunta que pode ajudar a gente a pensar sobre títulos.
É como no jogo das varetas, da ilustração cima: se você tira uma e o conjunto não desmonta, é porque não fazia falta. Mas, se puxar uma peça importante, o título desaba.
Vejam como a pergunta seria respondida, no exercício que propus dia desses [se não tiver visto e exercício, leia antes aqui, para ter uma idéia].
- se o título não disser que ele é espanhol, muda alguma coisa?
Muda. Em condições normais de temperatura e pressão, já faz diferença que um estrangeiro seja condenado no Brasil por traficar brasileiras.
Na atual conjuntura de conflito entre os dois países, o fato de ele ser espanhol ganha projeção.
- se a gente não disser que a prisão foi em Goiás, muda alguma coisa?
Sim e não. Não faria diferença se tivesse sido em Goiás, Minas, Acre ou Paraíba. Mas dizer que foi em Goiás deixa claro que foi no Brasil.
- se a gente omitir que foi a Justiça que o condenou, muda alguma coisa?
Não. Se ele foi condenado, só pode ser pela Justiça.
- faz diferença dizer que ele é milionário?
Neste caso, não. É um detalhe interessante, porém. Pode dar mais textura à notícia.
Alguns comentários caso a caso
- Espanhol que aliciava brasileiras é condenado a 13 anos em Goiás
É bom evitar afirmar que ele aliciava as brasileiras, já que ele nega e ainda cabe recurso.
Lembremos: a Justiça também erra. Inocentes são condenados. Mesmo quando tudo parece levar a crer que alguém cometeu um crime, se nós não vimos e o sujeito nega, não cabe a nós endossar a culpa.
2. Em Goiás, espanhol é condenado à prisão por aliciamento de jovens
Minha questão aqui é a ordem dos fatores. Quando a gente antecipa uma informação e ainda a separa por vírgula, dá uma ênfase especial a ela.
Neste exemplo, "Em Goiás" não é especialmente importante.
Pode ser um bom recurso, porém, dependendo da notícia: "Ferido, garoto salva pai e mãe em acidente".
3. Espanhol é condenado por tráfico de mulheres pela Justiça brasileira
Se nosso objetivo é deixar claro que ele foi condenado no Brasil, melhor explicitar o lugar ("em Goiás") que dizer que foi pela Justiça, o que pode soar redundante.
4. Espanhol acusado de tráfico de brasileiras é condenado em Goiás
Parece bom para mim.
5. Espanhol milionário é condenado por tráfico de mulheres em Goiás
Também está OK para mim, embora o destaque a "milionário" possa parecer um pouco forçado.
6. Espanhol deverá cumprir pena de 13 anos por tráfico de mulheres em Goiás
Este está errado: ser condenado não é igual a cumprir pena. Há condições que permitem redução da pena. Além disso, no nosso exemplo, ainda cabe recurso.
A REVANCHE DA VOZ PASSIVA
A gente ouve muito que o ideal em títulos é usar a voz ativa.
Mas este é um exemplo interessante de caso em que a passiva casa melhor.
Por quê? Porque a notícia está em quem sofreu a ação, não em quem agiu. Compare:
O primeiro dá ênfase à ação da Justiça, quando o fato noticioso é a condenação do espanhol.
Dez passos para fazer títulos
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h33

Muita sexta-feira, às 9h30 da manhã, dou gargalhadas no carro.
A CBN inventou um quadro para encerrar o jornal matutino que é um ótimo exemplo de humor no jornalismo. Chama-se "Bandinha da CBN": edita falas de personagens da notícia com trechos do coronel Sucupira, de "O Bem Amado".
É impressionante ver como, em alguns momentos, a gente se perde, sem saber se se trata da ficção ou da realidade.
Na de hoje, Dilma Rousseff diz "Sou a mãe do PAC" e entra por cima o Baby, da família dinossauro, dizendo "Não é a mamãe!".
Só estando muito neurótico no trânsito para não gargalhar.
Infelizmente, não achei no site do CBN links para as bandinhas. Se alguém souber que eles existem, me avise, por favor. Coloco aqui um link para uma edição antiga.
Humor visual
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h00
Meu colega e professor PAULO RAMOS conta este caso de esperteza jornalística.
No rádio e ao vivo, essa sagacidade de repórter tem um efeito ainda maior:
Ouvi hoje cedo na CBN. A Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado prepararam um evento para que Serra e Kassab firmassem um acordo para ampliação de parte do metrô paulistano. Durante os discursos de ambos, houve efusivos aplausos da platéia presente. A repórter Luciana Marinho, da CBN, saiu então do palco e foi tentar saber quem eram os presentes. Descobriu que parte deles era de Fatecs, faculdades tecnológicas mantidas pelo governo estadual. Os estudantes tiveram o dia de aula suspenso e foram levados, de ônibus, até o evento, realizado na cidade de São Paulo. Durante coletiva, após o acordo, os repórteres questionavam Kassab sobre a parceria. A repórter da CBN perguntou a ele como interpretava os efusivos aplausos. Ele respondeu que via um reconhecimento da população sobre a medida recém-assinada. Luciana Marinho revelou que se tratava de claque. E perguntou se ele sabia. Kassab se enrolou um pouco, ficou um pouco desconcertado e voltou ao discurso do reconhecimento. Serra saiu logo após a cerimônia. O abre da reportagem foi sobre a claque, e não sobre o acordo.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h00
Nome, sobrenome
Ontem, numa conversa sobre exercícios que havíamos feito, o Gustavo fez uma pergunta importante: no texto que fechamos, sobre um homem de 88 anos acusado de molestar uma garota de 11, devemos manter o nome dele? O que vocês acham?
Alguns parágrafos relevantes da matéria que usamos no exercício estão aqui embaixo:
Um agricultor de 88 anos foi preso, na madrugada de ontem, no aeroporto internacional de Recife (PE) suspeito de assediar uma menina de 11 anos que estava sentada ao lado dele em um avião.
O vôo em que eles estavam, da companhia aérea Ocean Air, partiu de São Paulo e tinha Petrolina (770 km da capital pernambucana) como destino. Recife era uma escala.
A criança tinha ido a São Paulo visitar a mãe e estava retornando para Recife sozinha. Uma tia a aguardava no aeroporto para levá-la a Garanhuns (225 km de Recife), onde as duas moram.
Otávio Antônio da Costa também viajava sozinho e só ia desembarcar em Petrolina. Ele mora na cidade de Casa Nova (576 km de Salvador), perto da divisa entre os dois Estados.
(...)
A menina afirmou à polícia que, durante o vôo, Costa a acariciou na região púbica e nos seios. Ela começou a chorar e tentou sair de sua poltrona, mas disse que foi impedida por ele. Ela então chamou a comissária de bordo, que a mudou de lugar e informou a ocorrência ao comandante.
(...)
A Polícia Militar o prendeu em flagrante sob suspeita de atentado violento ao pudor, apesar de ele negar o crime.
(...)
Segundo o delegado Antônio Cândido, o agricultor é lúcido, apesar da idade, e negou em todo o depoimento ter praticado o crime.
Meu comentário
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 10h18

O Marcelo, de Ribeirão, quer saber se tímidos têm lugar no jornalismo:
Tenho muitas dúvidas. Gosto da profissão, pois sempre me diverti com jornais, sempre quis estar onde a notícia acontece, gosto de lugares movimentados, gosto de idiomas, conversar.
Sempre me questionei se seria um bom jornalista, ou pelo menos concluir a faculdade. Quando assisto aos telejornais, leio revistas ou até mesmo a Folha, imagino que essas pessoas têm uma certa facilidade em comunicação.
Minha dúvida aqui é: mesmo sendo tímido posso investir na carreira? Minha segunda dúvida é se jornalismo é uma profissão cara, com todos aqueles livros e pesquisas, equipamentos e viagens.
Marcelo, como integrante do bloco dos tímidos, posso dizer que, sim, temos lugar no jornalismo. Também devo reconhecer que, em algumas funções e atividades, sofreremos mais que aquelas forças da natureza, extrovertidas e seguras de si, que encontramos pelas Redações.
Mas, antes de escrever mais sobre isso, vamos ouvir nossos colegas.
Você, leitor, que também é tímido, mas é jornalista, o que tem a dizer ao Marcelo?
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h28
Se o concorrente já deu, a matéria caiu, certo?
Nem sempre.
O noticiário desta semana dá um bom exemplo disso.
No domingo, ELIO GASPARI mostrou em sua coluna na Folha e no Globo que o governo pagava a Diógenes Carvalho Oliveira, um dos responsáveis por um atentado a bomba em 1968, pensão maior do que recebe Orlando Lovecchio Filho, que aos 22 anos foi vítima da explosão e perdeu a perna. [A coluna só é aberta para assinantes da FSP e do UOL, mas é possível ler sobre o caso na Folha Online.]
O "Estado" não se importou com o fato de seus dois principais concorrentes já terem noticiado a discrepância e, ontem, fez uma entrevista com Lovecchio. Ou seja, ampliou o caso, transformando Lovecchio em personagem.
E hoje, embora o oponente já tivesse feito a mesma coisa na véspera, a Folha também trouxe uma entrevista com ele.
Moral da história? A maioria dos seus leitores não lê os concorrentes. Se a matéria é boa, não poupe o leitor dela só porque alguém já deu.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h06
por CRISTINA CASTRO
Vou tentar escrever alguma coisa sobre o treinamento para o Novo em Folha, já que é uma das idéias do blog.
Mas como estamos apenas no começo, vou falar de algumas coisas que se destacaram, mais para estimular os colegas a relatarem um pouquinho também.
Uma coisa marcante do primeiro dia, aula de português com o Paulo Ramos: a palavra CHEQUE.
Se virem minha foto (feiosa) aí embaixo, verão um quadro na parede, atrás de mim, com o bordão da redação: “Não chute, CHEQUE”.
Logo no começo da aula, o Paulo falou que, quando a gente comete um erro de português muito feio, a gente nunca esquece e dificilmente repete. Na hora eu pensei: essa regra também vale para os erros crassos dos outros, que às vezes nos marcam.
E lembrei de dois exemplos:
1- Quando minha irmã, jornalista de música em belo Horizonte, escreveu matéria sobre o Zeca Baleiro. E seu editor, que desconhecia o músico e estava com muita pressa, estranhou o nome do cantor e “corrigiu” o título da matéria para “Zeca Baleeiro”.
Ressaltando: o TÍTULO!
Esse erro foi de edição, mais por conta da pressa e da falha na checagem (já que houve estranhamento), deixou a repórter enfezada, mas o editor nunca mais vai se esquecer que existe um tal de Zeca Baleiro na MPB.
2- Há uns cinco anos, início da Guerra do Iraque, o caderno Mundo da Folha colocou em um TÍTULO “Tal coisa é posta EM CHEQUE”. Eu achei o erro tão feio que nunca mais me esqueci, usei de exemplo várias vezes e também nunca errei a expressão “em xeque” (pelo menos, por enquanto).
Quando comentei isso com o Paulo, ele disse que era porque o revisor ortográfico da Folha, com base no Aurélio, talvez tivesse induzido o redator a preferir a palavra com CH, segundo ele já aceita com esse sentido.
Estranhei, testei no revisor ortográfico, não encontrei a palavra CHEQUE com esse sentido, e, na aula sobre o Banco de Dados da Folha, achei exatamente a matéria que me marcou, de 03/02/2003. O título: “Visita de Blix ao Iraque é posta em cheque”. Só não consegui encontrar se isso rendeu um “Erramos”...
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h00
Mais uma revista
Meu colega TARIQ SALEH recomenda outra revista de jornalismo: a British Journalism Review. Ele também conta algo curioso sobre a foto que publiquei logo antes:
Quando vi a foto que você colocou da Village Voice, eu ri muito. O autor da foto é fotógrafo norte-americano Sean Hemmerle, um de meus melhores amigos. Ele cobre notícias, mas sua especialidade é foto documental e fotografar prédios (inclusive adora o trabalho do Oscar Niemeyer).
Cobrimos diversos lugares aqui no Líbano, inclusive a louca aventura de Naher el Bared, ele era o fotógrafo que me acompanhava quando ficamos presos por 12 horas no fogo cruzado. Achei coincidência.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h56
Mais perguntas sobre os títulos
Algumas perguntas para começarmos a pensar sobre os títulos feitos pelos trainees (as sugestões deles estão abaixo e o texto a que se referem está neste post). As perguntas se referem só ao título, ou seja, as informações todas do texto são pertinentes, mas quais delas devem ser destacadas no título?
- é relevante dizer que era um espanhol? Por quê?
- é relevante dizer que foi em Goiás? Por quê?
- é relevante dizer que a Justiça condenou? Por quê?
- é relevante dizer que ele é milionário? Por quê?
- Espanhol que aliciava brasileiras é condenado a 13 anos em Goiás
- Em Goiás, espanhol é condenado à prisão por aliciamento de jovens
- Espanhol é condenado por tráfico de mulheres pela Justiça Brasileira
- Espanhol acusado de tráfico de brasileiras é condenado em Goiás
- Espanhol milionário é condenado por tráfico de mulheres em Goiás
- Espanhol deverá cumprir pena de 13 anos por tráfico de mulheres em Goiás
Meu comentário
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h04
Dois repórteres longe da luz
Há nos EUA duas revistas sobre jornalismo que valem a pena acompanhar: Columbia Journalism Review e American Journalism Review.
As duas estão on-line e de graça.
Eu gosto da versão em papel, que pego na biblioteca da Folha e leio nos minutos vagos, no sofá da editoria de treinamento.
A Columbia tem essa seção divertida de fotos de Redações, das mais diversas. Estão também na tela, mas ficam mais bonitas na página dupla impressa.
Para vocês que acham que seu colega do lado é zoneado, copio esta imagem da Village Voice:

Está na edição de janeiro/fevereiro da CJR a indicação deste livro, "Woodward and Bernstein: Life in the Shadow of Watergate", de Alicia C. Shepard, sobre as carreiras dos dois repórteres que desvendaram o Watergate.
Os que gostam de ler sobre a vida e o trabalho de jornalistas vão se interessar pela resenha de James Boylan.
Por falar em reportagem, a Luana escreve para dizer que adorou o livro de ELVIRA LOBATO, "Instinto de Repórter":
Encontrei ótimas dicas sobre como proceder durante uma investigação jornalística. Adorei a forma como ela opina sobre suas dificuldades e acertos, bem como sobre a postura do jornal diante das apurações. O livro só aguça ainda mais a vontande de trabalhar.
Elvira costuma vir conversar com os trainees sobre suas pautas. Tem muitas histórias divertidas para contar, e sabe fazer isso muito bem. O livro vai pelo mesmo caminho.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h21
No capítulo "que estágio eu faço?", o depoimento é da leitora Monike, de Campina Grande:
Eu agora estagio em TV e estou no último semestre da faculdade (fazendo meu TCC ).
Mas antes disso muuuuuita água rolou debaixo da minha ponte. Estagiei e já trabalhei em vários lugares, tanto no Ceará, minha terra natal, como aqui na Paraíba, Estado que tem me acolhido nos últimos 4 anos.
No jornalismo já estagiei (de graça) em assessoria de imprensa de um departamento policial, trabalhei com produção de texto para rádio (jornalístico e comercial); fiz locução numa rádio difusora; fiz revista com minha turma da faculdade e agora estou em TV há mais de 1 ano.
Meu panorama? Aprender é necessário em qualquer local, principalmente quando se é estudante e está na busca pelo conhecimento prático.
Mas eu sei que me saí muito bem no estágio porque tive experiência com outros meios... não começei do zero!! Até agenda com contatos (o que é imprescindível) eu tinha uma "bem basiquinha" rsrs. SOU A FAVOR DAS MUDANÇAS, mas quem está querendo mudar deve também estar preparado para as consequências.
Eu mudei de área Site que avisa sobre vagas e estágios Como começar a trabalhar Outros leitores contam como começaram a trabalhar
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 09h18
Aqui estão os meninos da 45ª turma. Darei apenas o microperfil (nome e de onde vem) e esperarei que eles mesmos contem um pouco mais, se quiserem.
 Amaro, de Porto Alegre, nascido em Maputo, Angola: leia o texto que ele escreveu com a Carol
 Breno, de Brasília (mas você vai jurar que ele é do Rio): leia aqui a apresentação que ele escreveu
 Carol, de Santos
Sou Carol, tenho 23 anos e nasci em Santos, onde morei até 2003, quando comecei a estudar relações internacionais na USP e vim morar em São Paulo.
Minha primeira profissão foi como jogadora de xadrez. Desde minha infância jogo campeonatos desse esporte e acho que as competições, as viagens e a convivência com outros jogadores foram fundamentais para minha formação. Também foi por meio do xadrez que tive minha primeira experiência como jornalista, pois durante 2005 e 2006 publiquei entrevistas no portal Clube de Xadrez.
Acho que a curiosidade maior é saber por que fiz a seleção para o Treinamento se estudei relações internacionais e não jornalismo. Quando prestei o vestibular, estava em dúvida entre as duas carreiras, mas decidi por relações internacionais porque consultei a grade curricular do curso e me interessei pelas aulas que iria ter. Durante a faculdade, concentrei-me em disciplinas de ciência política e história, principalmente as relacionadas à América Latina. Contudo, sempre procurei atividades em que pudesse expandir para a prática o que aprendia nas aulas e acho o jornalismo interessante por ser uma forma de aplicar o conhecimento aos fatos do dia-a-dia.
Minhas experiências profissionais não são relacionadas ao jornalismo. Trabalhei no setor econômico do consulado da Argentina e lá tive ótimas experiências, desde conhecer como ocorre o comércio bilateral entre Argentina e Brasil até assistir à Copa do Mundo da Alemanha no anfiteatro do consulado, com a sensação de que estava no bar Locos por fútbol, em Buenos Aires.
Me formei em julho de 2007 e, nos últimos meses, trabalhei com comunicação internacional no escritório do Fórum Social Mundial, também aqui em São Paulo.
Ainda que minha formação sugira que eu atue em jornalismo internacional, há várias outras áreas que também me interessam, como esportes e cultura, e outras que com certeza me interessarão assim que eu conhecer o trabalho das editorias e dos profissionais do jornal.
 Cris, de Belo Horizonte:
Estudei Comunicação Social na UFMG, onde me formei no meio do ano passado, com ênfase em jornalismo. Pedi continuidade de estudos e desde então estou trabalhando no meu projeto experimental (TCC) de relações públicas, que espero terminar até junho. Muita gente me pergunta se eu fiz jornalismo porque meu pai é jornalista. Mas o negócio é que eu sempre quis ser jornalista e nunca nem me imaginei em outra profissão (OK, já já quis ser costureira, caminhoneira e fazendeira quando era criança, mas acho que não vem ao caso...). Quando eu tinha uns sete anos, já escrevia livrinhos, que ilustrava, "diagramava", completava até com o "Expediente" (Autora: Cristina Castro; Revisora: Cristina Castro; Editora: Cristina Castro... É claro que eu copiava isso tudo dos livros de verdade =). Aos nove, gostava de escrever peças de teatro, juntar os amigos de colégio, ensaiar com eles e às vezes até apresentar para toda a escola. Fui atleta de natação, fiz um intercâmbio nos Estados Unidos, inventei de fazer um jornalzinho pra minha sala no colégio. Até que aos 17 criei um blog com uma amiga e é nele que discuto política até hoje... (A propósito: tenho 22). Enfim, eu tinha alguns interesses meio típicos de quem vai se meter nesta profissão, provavelmente só melhorados com o convívio com o meu pai, na casa atolada de livros, de uma família com boas conversas. Não tive muita experiência direta em nenhum grande veículo de comunicação antes de vir para o Programa de Treinamento da Folha. Logo que entrei na faculdade, passei no concurso do Banco do Brasil e comecei a trabalhar com outras coisas. Mas mesmo lá eu desenvolvi (com colegas) um trabalho de comunicação interna da agência, que já rendeu jornaizinhos, informativo em mural, palestras ensinando meu trabalho aos gerentes e comunicados internos com informações. Enquanto isso, sempre mantive meu blog (que, modéstia à parte, eu acho muito bem feito: já rendeu até uma espécie de furo no caso do "valerioduto tucano"), estagiei por oito meses na Rádio UFMG Educativa (trabalhando como pauteira, repórter e auxiliar da editora da noite), criei um projeto de um programa diário de blues para a mesma rádio (uma trabalheira que invadia até minhas madrugadas, porque eu tinha que fazer uma pesquisa muito grande), ajudei a escrever um jornal pra maior paróquia da cidade – nunca parei. Eu tentava aproveitar meu hobby jornalístico (já que não-remunerado) o máximo possível, enquanto ganhava o "leitinho das crianças" (?) no BB. Na minha cabeça, não cabia a possibilidade de desistir de ser jornalista... Enfim, acho que por esse textão já deu pra conhecer um pouco das minhas experiências pessoais =)
 Giu(lliana), de Recife (embora tenha nascido em São Paulo): leia aqui a apresentação que ela escreveu
 Gomes (Patrícia, para alguns, mas acho Gomes muito mais charmoso), carioca, embora nascida em Campo Grande (MS):
Minha vez de me apresentar: meu nome é Patrícia, mas estou bastante acostumada a me chamarem só de Gomes mesmo. Nasci em Campo Grande (MS) e fui para o Rio recém-nascida, o que faz de mim uma das quatro cariocas desta turma. Fiz jornalismo na Uerj, mas confesso que fui parar neste curso mais ou menos por acaso. Queria fazer relações internacionais e, na falta deste curso numa universidade pública no Rio, tive que fazer prova para outras carreiras. Desisti de prestar para direito na fila da inscrição do vestibular. Sempre ouvi dizer que o jornalismo é uma cachaça e de fato ele o é. Tão rápido quanto eu optei por esta profissão, me apaixonei por ela. Parece idealismo –e talvez seja mesmo-, mas estar onde as pessoas não estão e depois contar a elas o que você viu, ajudar a construir uma sociedade mais justa, tentar fazer a vida do cidadão comum melhorar, tudo isso é bem fascinante. O meu primeiro estágio na área foi na assessoria de imprensa do hospital-escola da Uerj. Passar quase um ano cuidando da comunicação social de um hospital público, ao mesmo tempo em que é um caos, é muito produtivo também. Ter que lidar com muita gente é um exercício e tanto para os tímidos de carteirinha. Depois, fui estudar as eleições presidenciais de 2006 no Doxa, um laboratório do Iuperj. Entre análises de horários eleitorais, campanhas e coberturas dos maiores jornais do país, passei um ano respirando política –e adorando isso. Minha experiência mais recente foi como redatora da Agence France Presse, onde contando com tudo – voluntariado, estágio remunerado e contratação- fiquei mais um ano. Estava lá traduzindo e editando textos quando soube que tinha passado para a Folha. E cá estou.
 Gustavo, de Santa Maria (RS):
Participar do Programa de Treinamento da Folha é meu objetivo desde o início da faculdade de jornalismo, que terminei na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em março de 2007. Sempre acompanhei o blog da Ana Estela e também participei da Semana de Palestras da 44ª turma.
Sou gaúcho de Três Passos, tenho 23 anos, e minha experiência é curta. Logo depois de me formar, fui para a capital do Tocantins, onde passei três meses trabalhando em assessoria de imprensa de prefeituras.
Voltei para o Sul no meio do ano e tive duas experiências curtas em jornais: no “Semanário” (único do mundo que circula duas vezes por semana J), de Bento Gonçalves, e no “Diário de Santa Maria”, do Grupo RBS, onde fiquei por quatro meses, até vir para São Paulo.
Criei um blog (polipoliticus.blogspot.com) há um ano, onde escrevo sobre política latino-americana, um dos assuntos que mais me interessa.
 Horta, de São Paulo (notem que, para as fotos, os óculos ficaram no teclado):
Estudei na ECA/USP. Bem, na verdade, continuo estudando. Estou no sétimo ano de jornalismo. O curso possui algumas falhas de currículo, mas, ao mesmo tempo, permite que o estudante escolha uma série de disciplinas optativas em outras áreas. Se estiver disposto a correr atrás dessas disciplinas, ele pode especializar-se numa área de interesse, resolvendo parte da deficiência curricular. No início, animei-me com jornalismo cultural --e cursei quatro disciplinas de história do audiovisual. Então pensei --não, minha vida não se passará numa sala de cinema. Passei a interessar-me mais pela editoria internacional --e corri atrás de disciplinas em história da américa latina, história contemporânea e relações internacionais. Durante os estudos, estagiei na revista Arquitetura e Urbanismo e na assessoria de imprensa da Bienal de São Paulo. Também fui freelancer nas revistas Superinteressante e Viagem e Turismo. A faculdade oferece oportunidade tanto para quem quer um diploma quanto para quem quer uma formação. Para o primeiro, basta seguir o que sua burocracia exigir em quatro anos, sem grandes esforços. Para o segundo, depende somente dos esforços do estudante. Aproveitei a possibilidade de fazer um intercâmbio acadêmico de um ano na Alemanha, embora isso tenha atrasado meu currículo. Para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), a burocracia da universidade não exigiria mais do que uma entrevista especial ou uma reportagem mediana, mas decidi aproveitar a chance e, durante dois anos, escrever como TCC um livro-reportagem que incluiu uma viagem de nove meses pela Ásia. Se tivesse apenas seguido o currículo e as exigências burocráticas, teria um diploma, mas não teria uma formação.
 Iago, de Rio Branco, no Acre: leia aqui sua apresentação
 Juliana, do Rio
 Lobato, carioca meijjjjjjmo
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 19h58
Escolha seu título
Ontem à tarde a turma de treinamento fez um primeiro exercício de fechamento: procurar um texto nos diretórios, colocá-lo no tamanho e dar-lhe um título.
O objetivo era só familiarizar-se com o programa e os comandos usados aqui na Folha. Nem entramos ainda na discussão sobre títulos. Mas vou aproveitar os que eles sugeriram para fazer um exercício: quais vocês preferem? Por quê? [o texto a que eles se referem está logo abaixo]
- Espanhol que aliciava brasileiras é condenado a 13 anos em Goiás
- Em Goiás, espanhol é condenado à prisão por aliciamento de jovens
- Espanhol é condenado por tráfico de mulheres pela Justiça Brasileira
- Espanhol acusado de tráfico de brasileiras é condenado em Goiás
- Espanhol milionário é condenado por tráfico de mulheres em Goiás
- Espanhol deverá cumprir pena de 13 anos por tráfico de mulheres em Goiás
A Justiça Federal de Goiás condenou a 13 anos de prisão um espanhol acusado de tráfico internacional de mulheres. Aquilino Gonzalez Iglesias, preso desde 2006 em Goiânia, é acusado de aliciar brasileiras no Estado para uma casa de prostituição que é tida como sua na Europa. Cabe recurso à decisão.
Outras três mulheres acusadas de participar do esquema também foram condenadas. Uma cunhada do espanhol terá que cumprir pena de dez anos de prisão. A mulher dele, que é brasileira, responde a um processo pelo mesmo crime.
Segundo o Ministério Público Federal, o grupo providenciava a documentação para a viagem às jovens aliciadas em Goiás. Os custos, de acordo com a denúncia, eram arcados pelo espanhol. As jovens tinham como destino Vigo, cidade litorânea no norte da Espanha, segundo a investigação.
A Procuradoria diz que a casa que o espanhol mantinha na Europa, o “Clube Las Ninfas”, teve lucro de quase 2 milhões de euros entre 2005 e 2006. Pela sentença, os bens adquiridos pelo acusado no Brasil serão confiscados. O espanhol vivia na Europa, mas tem uma filha brasileira e vinha com freqüência ao país.
O advogado de Gonzalez Iglesias, Raimundo Lisboa, diz que o acusado é inocente. Ele providencia um recurso ao Tribunal Regional Federal. Para Lisboa, a investigação nunca encontrou nenhuma prova contra o espanhol. A defesa também diz que ele estava apenas conversando com jovens quando foi preso em flagrante em um shopping em Goiânia.
Mais perguntas para ajudar a decidir
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 15h44
Meu leitor Monare gostaria de mais informações sobre a Universidade Federal de Ouro Preto:
Quero muito cursar jornalismo, mas a renda tá muito curta pra fazer facul particular. Soube que na UFOP (Federal de Ouro Preto) vai abrir agora, no vestibular de inverno, o curso de jornalismo.
O que você acha do curso, apesar de novo? Mesmo sendo universidade federal, por ser em Ouro Preto, que não tem muita oportunidade de estágio, será que vale a pena?
Ou é melhor gastar com faculdade particular mesmo?
Sou de Sorocaba - SP, e teria que gastar com moradia etc.
Minha primeira atitude é perguntar aos outros leitores do blog: alguém conhece a Federal de Ouro Preto ou estuda lá, para dar um parecer? Mesmo que o curso de jornalismo seja novo, alguém tem referências da universidade?
É difícil responder no geral sobre se é melhor pagar uma faculdade particular. Vai depender muito de qual é a opção (sobre a escolha da faculdade, escrevi um pouco sobre isso neste post).
A não ser em raras exceções, que não sei se cabem nos dados das mãos, a faculdade que se cursa não faz muita diferença no preparo que se obtém.
Em um número um pouco maior de casos, pode fazer diferença no currículo.
Mas, se sua preocupação for aprender e preparar-se para exercer bem a profissão, eu sugiro que vc estude bastante e pratique o máximo que puder, independentemente da faculdade que cursar.
Leia jornais, aprofunde seus conhecimentos da área que te interessa, sugira pautas para jornais e outros veículos da sua região ou mesmo de abrangência maior.
Jornalismo se aprende muito no dia-a-dia, mais que na faculdade, e depende muito do nosso esforço pessoal.
Você tem razão quando diz que em Ouro Preto haverá menos estágios que em cidades maiores, nas capitais. Mas isso não o impede de conseguir boas experiências, durante ou mesmo depois da faculdade. O fundamental mesmo é estar bem preparado e mostrar isso aos editores.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 14h25
Hoje foi um daqueles dias em que ler o jornal logo cedo me deixou feliz.
Graças a meu colega ANDRÉ CARAMANTE e sua reportagem Segurança Pública omite parte das mortes por PMs.
Jornalista tem dessas bizarrices. Fica feliz com coisas que, aos outros, deprimem. E a matéria é deprimente pelo que retrata, com certeza. Mas é animadora pelo tipo de apuração que lhe deu origem, por dois ótimos motivos:
- expõe um problema que o poder público ocultava
- contorna, por esforço e dedicação própria, a falta de transparência do poder público
Vejam como ela começa:
Segurança Pública omite parte das mortes por PMs
Índices da secretaria paulista não incluem, por exemplo, casos em que um policial mata uma pessoa em briga de bar
Entre 2005 e 2007, a pasta deixou de apontar em seus registros pelo menos 287 mortes cometidas por PMs, uma diferença de 19,33%
ANDRÉ CARAMANTE DA REPORTAGEM LOCAL
O número de pessoas mortas por policiais militares no Estado de São Paulo em 2005, 2006 e 2007 é 19,33% maior do que o revelado pelo governo paulista nos balanços sobre a violência divulgados trimestralmente pela Secretaria da Segurança Pública. Nesse período, a pasta deixou de incluir em seus índices pelo menos 287 mortes cometidas por PMs.
A constatação de que esses 287 homicídios cometidos por PMs, nos últimos três anos, são omitidos pela Segurança Pública foi possível porque a Folha realizou levantamento nos balanços mensais (dos últimos 36 meses) sobre a letalidade policial feitos pela Corregedoria da Polícia Militar, responsável por investigar crimes cometidos por policiais.
Meu assunto com os trainees hoje de manhã é pauta, por isso volto ao tema e ao exemplo acima em breve.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 08h50
Você já entrou num presídio?
Eu, nunca.
Por isso fiquei curiosa para saber como Diane Duque, minha colega na lista da Abraji, havia feito o livro "Na Humildade" (que, aliás, ela lança amanhã, quarta, na Câmara do Rio).
Minha questão de fundo era: Como é fazer reportagem num ambiente tão cheio de restrições? Diane responde:
Novo em Folha - Qual era o objetivo da sua investigação?
Diane Duque - A investigação foi feita em algumas unidades do complexo de Gericinó, em Bangu (RJ).
Como é um livro reportagem, conto passo-a-passo as visitas.
Lá dentro, além de muitas outras curiosidades, relato os 10 mandamentos do CV escrito na parede, comparo a organização de um presídio com detentos do CV com o de integrantes presos do Terceiro Comando, o que é muito diferente.
Relato rotinas, como o minuto de silêncio que os presos do CV fazem em homenagem a Rogério Lemgruber e aos mortos pelos "vermes", forma que eles chamam os policiais.
Porém a investigação é sobre a ação da igreja protestante dentro do cárcere. Todos os depoimentos são relatos dos crimes que cometeram, como a fé mudou a vida deles lá dentro, e o que esperam no futuro.
Há, ainda, um pouco da história do CV, para explicar o comportamento deles desde da criação até dias de hoje.
Como a liderança de Fernandinho Beira Mar, o CV toma outro rumo: o tráfico de drogas. Por isso, estive em centros de dependentes químicos e entrevistei dependentes em tratamento, e da mesma forma eles relataram como entraram e como a fé ajudou a superar o vício.
Não há menção de denominações, a fé só é relatada pelos presos e dependentes em tratamento.
O nome do livro, na Humildade, é por ser uma palavra utilizada em ambos locais, no presídio é uma forma de “respeito”. Antes de falar com algum agente penitenciário ou visita, como eu, eles falam "na humildade" --ou com todo respeito--, como sinal de submissão. Já os adictos dizem que, só pedindo ajuda com humildade, conseguiram sair do vício. Com representações e significado bem diferente a palavra é utilizado nos dois campos da investigação.
Contudo, o objetivo do livro é mostrar, como é tênue o caminho certo e errado da vida e que mesmo sabendo que é muito difícil, há sim uma luz no fim do túnel.
NF - Foi difícil conseguir permissão para entrar no complexo?
DD - Não foi difícil, não. Mandei um e-mail para a Secretaria de Segurança Penitenciária e eles escolheram as unidades. Me deram dicas preciosas, como por exemplo, tipo de roupa a usar.
NF - Você precisou fazer concessões?
DD - Não.
NF - Podia andar livremente lá dentro ou alguém ficava do lado, observando?
DD - Sim, mas um agente penitenciário andava ao meu lado. Porém não me proibia nada, só me dava informações de como funciona a cadeia. NF - O que você aprendeu, nessa experiência, que vai te ajudar na vida de repórter?
DD - Muita coisa, a forma de olhar. Sei que são criminosos, sei do papel do jornalismo que é "fiscalizar", mas também acredito numa forma de mediar. Neste caso é claro que sabemos que não é um mar de rosas, mas tentei mostrar o lado humano deles. Não sou defensora e nem acho que são coitadinhos, mas são humanos e foi isso que tentei mostrar. NF - Você passou por alguma situação complicada, algum conflito, alguma saia justa?
DD - Sim, muitas. As regras deles são muito diferentes da social. Uma delas foi quando cheguei na cela e fui apertar a mão de um preso, e, na cadeia onde só tem presos da facção criminosa Comando Vermelho, eles não apertam as mãos de agentes penitenciários.
Como não fui apresentada anteriormente, e eu entrei em todas as celas, todos os cantos da cadeia junto com o chefe de segurança, eles acharam que eu era da seap, ou do SOE, então um não apertou minha mão.
Aí o chefe gritou com ele: "aperta a mão dela" e o preso respondeu: "na humildade, eu não posso apertar mão de verme, não" e o chefe continuou, "ela não é agente, ela é jornalista e veio fazer uma reportagem com vocês".
E eu interrompi: "não, por favor, eu não vim aqui para burlar as regras de vocês. Não precisa apertar a minha mão, não".
Depois um preso, que era da "chefia" do CV, veio me pedir perdão, apertar a minha mão e me explicou que os presos do CV tem a orientação de não apertar a mão de policiais e agentes, para que não haja nenhum tipo de ligação e parceria.
Outra curiosidade é que eles não falam sozinho com agentes. Quando precisam pedir algo, reúnem-se dois ou três presos que anteriormente pedem permissão à "chefia" do CV e adiantam o assunto, só depois vão falar com os agentes.
Tudo isso e muito mais das "regras" das cadeias estão no livro.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h26
Sobre a pergunta de uma leitora, que não sabia se fazia estágio em TV ou jornal, o Rafael, de Brasília, conta:
Acho que muitos estudantes de jornalismo já viveram ou estão vivendo dilemas como o dessa leitora do Rio Grande do Norte.
Não sei se vai ajudar muito, mas vou contar uma situação pela qual passei em julho do ano passado.
Estagiava havia dez meses na editoria de cultura de um jornal daqui de Brasília, com o melhor ambiente possível. Era o estágio dos meus sonhos, e, por mim, eu continuaria ali por muito mais tempo.
No entanto, surgiu o convite para trabalhar em um site de notícias, onde eu teria a oportunidade de escrever para uma ferramenta que, até então, era inexplorada por mim: a internet.
Meu dilema foi basicamente este: sair de um lugar excelente para buscar uma nova experiência ou continuar do jeito que estava?
A vontade de aprender algo novo, em outro ambiente, com pessoas diferentes, acabou sendo decisiva. Fui para o tal site de notícias, e acho que valeu a pela fazer a mudança. Ainda que eu sinta saudades, muitas saudades, do meu estágio anterior.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 21h10
Para entender mais sobre a China
Indicações do professor Leandro Karnal, que dá o curso de história da China na Folha:
CHINA - UMA NOVA HISTORIA (2007) FAIRBANK, JOHN KING / GOLDMAN, MERLE L&PM EDITORES
MONTANHA DA ALMA, A (2007) XINJIAN, GAO ALFAGUARA BRASIL
HISTORY OF CHINA, A (2006) ROBERTS, J. A. G. PALGRAVE USA
INTELLECTUAL HISTORY OF MODERN CHINA, AN (2002) GOLDMAN, MERLE / LEE, LEO OU-FAN CAMBRIDGE - USA
CAMBRIDGE ILLUSTRATED HISTORY OF CHINA, THE (1999) EBREY, PATRICIA BUCKLEY / LIU, KWANG-CHING CAMBRIDGE - USA
MAO - A HISTORIA DESCONHECIDA (2006) CHANG, JUNG / HALLIDAY, JON COMPANHIA DAS LETRAS
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h49
Suspense é uma técnica narrativa muito eficaz, mas não usual em jornalismo diário.
A convenção é que o leitor tem pouco tempo e precisa saber rápido de que trata o texto.
O exemplo que a gente viu há pouco, da namorada assassina, foi escrito para uma revista, cuja leitura pode ser mais lenta. É um veículo que aceita melhor recursos que adiam a chegada do leitor à informação.
Republicado no site, ele ganhou título quente. Não há delongas. Saiba já o que vai ler abaixo.
Acho correto resumir a essência da história e fundamental deixar claro o gancho: a história vai virar filme.
Mas, se vamos manter o estilo do texto original, talvez valha a pena respeitar o mistério e adiar a revelação.
Algumas idéias dadas por vocês evitam o efeito estraga-prazeres, porque optam por fórmulas mais vagas, menos específicas:
- "Dormindo com uma militante"/"Dormindo com uma desconhecida"
- "Melhor que novela mexicana" [morri de rir com este]
- "Farc estava onde menos imaginei"
- "Quando conhecemos o outro?" [tenho birra de títulos com perguntas. Acho que o jornal não pode perguntar, tem que responder. Sim, eu sei, este é um caso diferente, mas o ponto de interrogação me incomoda nos títulos]
A não ser neste caso, que usa a fórmula do texto original, menos explícita.
"Apaixonei-me por uma mulher de vida dupla"
Uma opção que talvez intrigasse mais, revelasse mais sem entregar tudo, seria:
"Apaixonei-me por uma criminosa"
DIGA LOGO PARA PODER DIZER MAIS
Nosso problema no exercício era a opção do autor pelo mistério. Nos outros casos, títulos bem informativos liberam o texto para usar lides mais soltos, mais inteligentes, mais compreensivos.
Para ficar em outro exemplo recente, elogiado aqui:
Alfabetizado pela mãe, garoto ganha ouro em matemática
Nas estatísticas, a presença de Ricardo Oliveira da Silva, 19, na sétima série do ensino fundamental contribui para a alta defasagem escolar --repetência-- no país. No mundo real, é a história de um vencedor.
O leitor já sabe de cara o mais importante, por isso pode aproveitar o lide mais elaborado.
COMO CASAR TÍTULO E LIDE
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Se puder, faça seu próprio título. Isso garante a fórmula perfeita: título específico, informativo, preciso, e lide mais construído (ou vice-versa).
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Se outra pessoa vai titular seu texto e você optou por um começo heterodoxo, indique a notícia principal ou sugira um título
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Se vai titular o texto de alguém e tem dúvidas sobre a notícia principal, pergunte. Se for impossível, leia com atenção os três primeiros parágrafos e extraia a idéia mais importante.
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Em textos noticiosos, a notícia costuma estar no lide. Evite apenas repetir a mesma fórmula, a mesma estrutura de frase
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Textos mais frios admitem títulos mais simbólicos, jogos de palavras, alegorias
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 20h19
Está corrido o dia hoje, porque começa o 45º treinamento.
Assim que der, eu conto como foi.
Enquanto isso, sugiram títulos para o exercício ali embaixo. Não tenham medo. Não há certo ou errado. Testem sua criatividade. É divertido!
Amanhã peço pra Juliana tirar fotos dos trainees e ponho o perfil deles aqui no blog.
Hoje começamos o dia com um curso de história da China, que tínhamos marcado para a Redação.
Foi um início de programa bem heterodoxo. Normalmente, começamos pelo começo: explicando o programa, fazendo um tour pelo jornal, aprendendo a usar o programa de edição. Mas, como calhou de haver o curso, achei que seria uma boa oportunidade.
A outra atividade "séria" da turma foi uma conversa com Paulo Ramos, nosso consultor de português, sobre os erros mais comuns.
Nestas primeiras semanas, o objetivo principal do treinamento é deixar a turma familiarizada com o jornal: a rotina, a hierarquia, os princípios básicos, os colegas.
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 13h16
Meu colega DANIEL BERGAMASCO, correspondente da Folha em Nova York, provoca:
Já que seus leitores estão mesmo supertranquilos sobre o mercado de trabalho , ... ...na Economist desta semana, programas de computador podem exercer a função de editor em jornais online (pensando nas mais lidas da Folha Online ou do NYT, isso já até acontece de certa forma)
Escrito por Ana Estela de Sousa Pinto às 16h33
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